Tag: China

  • Safra brasileira ganha fôlego: China explode importações de açúcar em 320%

    Safra brasileira ganha fôlego: China explode importações de açúcar em 320%

    Os números que saíram da alfândega chinesa nesta semana deixaram pouca margem para dúvida: a China está comprando commodities agrícolas em ritmo acelerado, e o açúcar lidera essa corrida com folga. No primeiro trimestre de 2026, as importações do adoçante saltaram 320% na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Administração Geral de Alfândegas da China. Em volume, o país absorveu 620 mil toneladas entre janeiro e março. Só em março, entraram 100 mil toneladas, 41,9% a mais do que em março de 2025.

    Para quem acompanha o setor sucroenergético, esse sinal importa. A China é o maior país do mundo em população e uma das economias que mais cresce em consumo de alimentos processados. Quando ela acelera as compras de açúcar nessa magnitude, o impacto chega rápido ao mercado internacional e, inevitavelmente, ao Brasil, maior exportador global do produto.

    O que está por trás de uma alta de 320%

    Não existe uma causa única para um salto desse tamanho. O cenário combina produção interna chinesa abaixo do esperado, aumento no consumo doméstico e uma estratégia de recomposição de estoques que o governo chinês vem adotando com mais frequência desde 2024. A pressão sobre os preços internacionais do açúcar bruto já reflete parte desse movimento.

    Para o setor canavieiro brasileiro, que abre agora a safra 2026/27, a notícia chega em boa hora. A demanda aquecida da China tende a sustentar as cotações e pode favorecer a decisão das usinas pelo mix mais voltado ao açúcar em detrimento do etanol, pelo menos nos primeiros meses da safra.

    Milho e fertilizantes também disparam nas compras chinesas

    O açúcar não está sozinho nessa tendência. As importações chinesas de milho em março chegaram a 220 mil toneladas, uma alta de 177,4% frente ao mesmo mês de 2025. Em valor, o crescimento foi de 150%, totalizando US$ 56,6 milhões só no mês. No acumulado do trimestre, o volume atingiu 770 mil toneladas, com avanço de 198% na comparação anual e valor total de US$ 197,6 milhões.

    Os fertilizantes também entraram forte no radar das importações. Em março, a China comprou 1,68 milhão de toneladas, alta de 26,5% em relação ao ano anterior. No primeiro trimestre, o total chegou a 5 milhões de toneladas, crescimento de 30,5%. Esse dado tem relevância direta para o produtor brasileiro: a demanda chinesa por fertilizantes pressiona preços globais e pode encarecer os custos de produção das próximas safras.

    Soja avança no mês, mas recua no trimestre

    A soja apresentou um comportamento mais dividido. Em março, as importações chinesas alcançaram 4,02 milhões de toneladas, crescimento de 14,7% frente ao mesmo mês de 2025, com valor de US$ 1,93 bilhão, alta de 19,9%. No entanto, no acumulado do primeiro trimestre, o volume recuou 3,1%, para 16,58 milhões de toneladas. Em valores, o crescimento foi modesto, de 1,7%, somando US$ 8,03 bilhões.

    Isso significa que março foi forte, mas janeiro e fevereiro ficaram aquém do ritmo do ano passado, puxando o resultado trimestral para baixo. O cenário reforça a importância de não interpretar um único mês de alta como uma tendência consolidada.

    Óleo de soja: alta no mês, queda no trimestre

    O comportamento do óleo de soja seguiu lógica parecida. Em março, as importações chinesas somaram 10 mil toneladas, avanço de 45,1% na comparação anual, com valor de US$ 7,6 milhões, alta de 59%. Porém, no acumulado do primeiro trimestre, as compras caíram 35,3% frente ao mesmo período de 2025, totalizando 180 mil toneladas.

    A oscilação indica que a China ajusta suas compras de derivados de soja de forma estratégica, aproveitando janelas de preço, o que torna esse mercado mais volátil e imprevisível para os exportadores brasileiros.

    O que o produtor brasileiro precisa observar daqui para frente

    Os dados do primeiro trimestre entregam uma mensagem clara: a China ainda é o termômetro mais importante do agronegócio global. Quando compra mais, move mercados. Quando recua, derruba cotações. O movimento atual, especialmente no açúcar e no milho, favorece o produtor brasileiro no curto prazo. Mas a assimetria entre o desempenho mensal e o trimestral da soja e do óleo de soja serve de alerta: a demanda chinesa pode ser intensa em um mês e fraca no seguinte.

    Para o setor sucroenergético, o cenário de abertura de safra é animador. A demanda está aquecida, e a China sinaliza que quer comprar mais. A pergunta que fica é quanto tempo esse ritmo se sustenta, e se a oferta global vai conseguir acompanhar.

  • Brasil deve atingir cota de exportação de carne bovina para a China até maio

    Brasil deve atingir cota de exportação de carne bovina para a China até maio

    O Brasil deve atingir sua cota anual de exportação de carne bovina para a China até o início de maio, impulsionado pelo aumento dos preços do boi gordo e pela corrida para embarcar antes da entrada em vigor das novas tarifas chinesas. A informação é de representantes do setor, que alertam para um cenário de forte pressão nas vendas e busca por mercados alternativos.

    De acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP), o preço do boi gordo chegou a R$365 por arroba na quarta-feira, o maior valor nominal já registrado. O aumento de 12,5% em 12 meses reflete o avanço das exportações e a tentativa de frigoríficos de antecipar embarques antes do fechamento da cota.

    Em março, o Brasil exportou 233,9 mil toneladas de carne bovina fresca, recorde histórico para o mês, segundo a Secretaria de Comércio Exterior. A média diária ficou em 10,6 mil toneladas, 8,6% acima de março de 2025 e 40,7% superior ao mesmo período de 2024. A receita do mês alcançou cerca de R$7 bilhões, com preço médio de R$29,9 mil por tonelada.

    Teto fixo

    A China anunciou, em dezembro, que as importações acima de um teto fixo por país serão taxadas em 55%. Bem acima da alíquota padrão de 12%. O limite imposto a cada nação valerá para 2026 e inclui Brasil, Argentina, Uruguai e Estados Unidos. Para o Brasil, o volume máximo permitido é de 1,106 milhão de toneladas. Enviar além disso se torna inviável economicamente.

    Segundo Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), o Brasil já utilizou mais de 40% da cota apenas no primeiro trimestre.

    “A salvaguarda chinesa afeta todos os países, mas a do Brasil foi a mais severa. A China foi destino de 46% das nossas exportações no ano passado. O impacto é expressivo”, disse ele durante um evento do setor.

    Apesar das restrições, a participação chinesa nas exportações totais brasileiras de carne bovina fresca caiu pelo terceiro ano consecutivo, atingindo o menor nível para um primeiro trimestre desde 2020. Entre janeiro e março, os embarques para a China somaram 325,4 mil toneladas. Crescimento de 16,3% frente ao mesmo período de 2025, mas abaixo do ritmo de outros mercados.

    O Ministério da Agricultura já alertou para o risco de um “colapso nos preços e no emprego” caso as empresas continuem fechando contratos no início do ano sem uma coordenação nacional da cota. Para o setor, as alternativas ainda são limitadas.

    A Coreia do Sul surge como opção, mas só deve concluir inspeções sanitárias em frigoríficos brasileiros a partir de junho. O envio via Vietnã ou Hong Kong não apresenta viabilidade comercial.

    Perosa projeta que o limite imposto pela China continuará em vigor até 2027 ou 2028.

    Argentina

    Enquanto isso, a Argentina enfrenta seus próprios desafios. Em março, a alfândega chinesa rejeitou um embarque de 22 toneladas da planta ArreBeef, na província de Buenos Aires, após detectar cloranfenicol, antibiótico proibido no país desde 1995. O caso gerou uma reunião emergencial entre o governo e representantes do setor para evitar que o episódio comprometa embarques futuros.

    Sob críticas da oposição, o governo do presidente Javier Milei tenta reduzir perdas no mercado chinês ampliando as vendas aos Estados Unidos. O presidente Donald Trump anunciou, no mês passado, que o país comprará carne argentina para conter a alta dos preços domésticos. A maior em 75 anos devido à redução dos rebanhos americanos.

    A proposta, porém, enfrentou resistência imediata de produtores norte-americanos, que afirmam que a medida prejudica os pecuaristas locais sem aliviar o custo da carne nos supermercados.

    Atualmente, a Argentina representa cerca de 2% das importações de carne bovina dos EUA, o que limita qualquer impacto imediato mesmo com o aumento das compras.

  • Surto de febre aftosa na China acende alerta na carne

    Surto de febre aftosa na China acende alerta na carne

    Um novo surto de febre aftosa levou a China a adotar medidas emergenciais para conter a disseminação da doença.

    Entre as ações, o país intensificou o controle sanitário nas fronteiras e iniciou o abate de animais infectados ou sob suspeita. Além disso, autoridades ampliaram a vigilância em regiões consideradas de maior risco.

    Esse tipo de resposta é comum em casos de febre aftosa. Isso porque a doença apresenta alta capacidade de transmissão e pode causar prejuízos significativos à pecuária.

    Doença preocupa cadeia produtiva

    A febre aftosa afeta bovinos, suínos, ovinos e outros animais de produção. Embora raramente atinja humanos, seus impactos econômicos são severos.

    Quando um surto é confirmado, países costumam restringir o trânsito de animais e produtos de origem animal. Dessa forma, o comércio internacional pode sofrer interrupções imediatas.

    Além disso, o abate sanitário reduz rapidamente a oferta interna de carne, o que pressiona preços e altera a dinâmica do mercado.

    Impactos já são monitorados no mercado global

    O avanço da doença na China acende um alerta global. Como um dos maiores consumidores de carne do mundo, qualquer alteração em sua produção interna gera reflexos diretos no comércio internacional.

    Por um lado, a redução da oferta doméstica pode aumentar a demanda por importações. Nesse cenário, países exportadores tendem a se beneficiar.

    Por outro lado, restrições sanitárias e incertezas logísticas podem gerar volatilidade nos preços.

    Brasil pode ser impactado

    O Brasil, um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, acompanha o cenário com atenção.

    Se a China ampliar suas importações, o país pode ganhar espaço no mercado externo. No entanto, qualquer risco sanitário exige cautela.

    Além disso, o histórico recente mostra que crises sanitárias costumam provocar reações rápidas nos fluxos comerciais. Por isso, o setor monitora cada movimento com cautela.

    Controle sanitário ganha ainda mais importância

    Diante do cenário, especialistas reforçam a importância da vigilância sanitária e da rastreabilidade dos rebanhos.

    Países com sistemas de controle mais rigorosos tendem a responder melhor a crises desse tipo. Além disso, conseguem manter a confiança dos mercados internacionais.

    No caso do Brasil, o status sanitário é um dos principais ativos do agronegócio. Portanto, manter esse padrão se torna ainda mais estratégico.

    Cenário exige atenção nos próximos meses

    Embora a situação ainda esteja em evolução, o surto já influencia decisões no setor.

    Produtores, exportadores e governos acompanham de perto os desdobramentos. Isso porque mudanças na China costumam reverberar rapidamente no mercado global.

    Por fim, o episódio reforça um ponto central do agronegócio moderno: sanidade animal não é apenas uma questão de saúde, mas também de competitividade e acesso a mercados.

  • China bloqueia carne argentina após detectar antibiótico proibido desde 1995

    China bloqueia carne argentina após detectar antibiótico proibido desde 1995

    A China suspendeu as importações de carne bovina da unidade nº 2082 da ArreBeef, localizada em Pérez Millán, distrito de Ramallo, província de Buenos Aires. A decisão veio após autoridades chinesas identificarem cloranfenicol, antibiótico proibido para bovinos desde 1995, em um contêiner da empresa, em 19 de março de 2026.

    O bloqueio atinge uma das principais exportadoras argentinas e chega em meio ao endurecimento dos controles chineses sobre carne importada. Apesar de envolver apenas um contêiner de 22 toneladas, a medida gerou preocupação imediata no setor e mobilizou o SENASA, o Ministério das Relações Exteriores e a Secretaria da Agricultura.

    Fiscalização mais rígida

    A decisão, no entanto, não foi isolada. Na semana anterior, a China já havia suspendido o frigorífico uruguaio San Jacinto após detectar fluazuron na carne. Juntos, os dois casos indicam uma postura crescentemente rigorosa do principal destino das exportações argentinas de proteína bovina.

    Nesse contexto, segundo o Clarín, a suspensão da ArreBeef ativou um protocolo de crise e deu início a uma investigação coordenada pelas autoridades argentinas. Os trabalhos continuaram durante o feriado prolongado no país, enquanto o governo aguarda mais detalhes da GACC sobre o lote afetado.

    O que as investigações buscam

    No centro da apuração está uma pergunta: como o cloranfenicol chegou à carga da ArreBeef? Para respondê-la, técnicos do SENASA ativaram o sistema nacional de rastreabilidade bovina e iniciaram o cruzamento de dados com as autoridades chinesas.

    As hipóteses iniciais apontam para um falso positivo ou para a derivação de outra substância com estrutura química semelhante. Com base nesse argumento, a defesa argentina já enviou a Pequim um dossiê com informações sobre o programa nacional de monitoramento de resíduos, apresentado como evidência do rigor sanitário do país. A expectativa é rastrear os animais até a fazenda de origem, algo que o sistema argentino permite tecnicamente nesses casos.

    Diplomacia corre para conter os danos

    Desde que a GACC bloqueou novos embarques da unidade da ArreBeef, o governo argentino concentra esforços em duas frentes. A primeira é limitar o problema ao contêiner específico, protegendo as cargas já em trânsito antes de 19 de março. A segunda é acelerar a retirada da restrição.

    Para isso, as autoridades consideram ainda enviar uma delegação à China. A iniciativa segue o precedente de 2016, quando um caso semelhante, envolvendo a Ecocarnes, exigiu negociação direta em Pequim e resultou na resolução do impasse.

    Operações seguem com alternativa

    Do ponto de vista operacional, porém, o impacto sobre a ArreBeef tende a ser limitado. A empresa mantém a CAIBER (antiga Finexcor, em Quilmes) como unidade alternativa para exportações à China e a outros mercados, o que preserva sua capacidade produtiva durante a vigência da suspensão.

    Ainda assim, o episódio expõe uma vulnerabilidade estrutural do agronegócio argentino: a dependência de um único grande comprador e a fragilidade diante de restrições sanitárias impostas por ele. Mais do que resolver o caso da ArreBeef, o momento exige do setor uma resposta rápida, coordenada e tecnicamente sólida, capaz de preservar o acesso ao mercado que mais importa.

  • Brasil mira México, Colômbia e Peru para diversificar exportações de tilápia

    Brasil mira México, Colômbia e Peru para diversificar exportações de tilápia

    A piscicultura brasileira vive um momento de inflexão. Diante de novas barreiras comerciais e da concorrência internacional crescente, o setor intensifica a busca por mercados alternativos para a tilápia, hoje concentrada nos Estados Unidos, destino de cerca de 92% das exportações.

    O presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, vê o cenário atual como um catalisador de mudanças. “Estamos entrando nos anos de ouro da tilapicultura nacional. Não é um caminho sem desafios, mas é um período com mais oportunidades para quem estiver preparado”, afirma.

    Apesar da forte dependência do mercado norte-americano, o desempenho recente surpreendeu. O pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Manoel Xavier Pedroza Filho, destaca que as exportações cresceram cerca de 2% no último ano, mesmo com a adoção de novas tarifas a partir de agosto. Para ele, o dado comprova a resiliência do setor, mas não elimina o risco. “A dependência de um único mercado exige atenção”, alerta.

    América Latina entra no radar

    Com o cenário em transformação, países da América Latina ganham peso na estratégia de expansão. O México lidera as atenções: o país importa cerca de 92 mil toneladas de tilápia por ano, mais da metade do volume adquirido pelos Estados Unidos. Ainda assim, a presença brasileira no país segue tímida.

    “É um mercado que começou a ser explorado mais recentemente, ainda com volumes modestos, mas com grande potencial de crescimento”, avalia Pedroza.

    Colômbia e Peru também figuram como oportunidades concretas. Além do volume expressivo de importações, a proximidade geográfica pode dar ao Brasil vantagem logística frente a concorrentes asiáticos.

    Gargalo industrial trava avanço nos mercados de maior volume

    O principal entrave para avançar nesses mercados não está na produção, está no produto. O Brasil exporta majoritariamente filé fresco, item de maior valor agregado, mas de menor escala. No mercado global, quem domina o volume é o produto congelado, mais barato e amplamente controlado por China e Vietnã.

    “A indústria brasileira passa por um momento de reorganização. A expectativa é que novas regras ampliem a competitividade no filé congelado, o que pode mudar o posicionamento do país no mercado internacional”, explica Pedroza.

    A possível flexibilização de normas industriais aparece como ponto-chave nessa equação. Para Medeiros, o impacto pode ser rápido. “Ajustes industriais têm potencial de gerar resultados em curto prazo, ao contrário de avanços produtivos, que levam anos”, ressalta. Segundo ele, a vantagem dos concorrentes asiáticos está diretamente ligada à eficiência industrial. E é essa diferença que o Brasil precisa reduzir para disputar mercados de maior volume.

    O setor enfrenta ainda outro obstáculo relevante: o fechamento do mercado europeu para o pescado brasileiro desde 2017. Na avaliação de Medeiros, a reabertura depende de negociações diplomáticas e adequações sanitárias que fogem do alcance direto do setor produtivo. “Esse bloqueio reforça ainda mais a necessidade de diversificar mercados e reduzir riscos”, completa Pedroza.

    Coordenação e inteligência de mercado ganham protagonismo

    Com o ambiente mais competitivo, a articulação entre indústria, associações e pesquisa passa a ocupar papel central na estratégia do setor. A atuação conjunta entre PEIXE BR e Embrapa orienta a identificação de mercados e o direcionamento das empresas.

    Diego Vargas / Seapa MG

    “A associação organiza informações, aponta caminhos e antecipa tendências. A decisão é do empresário, mas é fundamental ter clareza sobre onde estão as oportunidades”, reforça Medeiros.

    A próxima fase da produção de tilápia brasileira aponta para maior inserção internacional e pressão crescente por competitividade. Além da tilápia, espécies nativas como o tambaqui despontam como vetor de crescimento. Principalmente no mercado interno e, no longo prazo, nas exportações.

    “A palavra-chave para 2026 é ampliação de mercado, dentro e fora do Brasil”, resume Pedroza.

  • Fiscalização mais rígida trava embarques de soja brasileira para a China

    Fiscalização mais rígida trava embarques de soja brasileira para a China

    A Cargill suspendeu as exportações de soja do Brasil para a China. A causa é uma mudança nos procedimentos de inspeção sanitária adotados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que dificulta a emissão dos certificados exigidos para os embarques. A informação veio a público na quarta-feira por Paulo Sousa, responsável pelas operações da empresa na América Latina.

    A pedido do governo chinês, o Mapa passou a adotar uma avaliação sanitária mais rigorosa para cargas de soja destinadas ao país asiático, com foco na detecção de pragas e plantas daninhas. Para Sousa, o novo procedimento destoa do padrão do mercado de grãos.

    “Temos um sistema padrão de inspeção no comércio, baseado em amostragens. O Ministério da Agricultura do Brasil começou a realizar um novo tipo de análise próprio”, disse o executivo, acrescentando que a mudança gera resultados divergentes nas inspeções.

    A consequência prática é direta: sem os certificados sanitários, os navios carregados com soja simplesmente não podem partir. “Em alguns casos, os certificados que precisam acompanhar os embarques até o destino não estão sendo emitidos”, afirmou Sousa durante a conferência Argentina Week 2026, em Nova York, organizada pelo Bank of America.

    A paralisação nas exportações gerou um efeito em cadeia. A Cargill também suspendeu temporariamente a compra de soja de produtores brasileiros,  já que, sem conseguir exportar, não há motivo para adquirir o grão. Produtores rurais confirmaram o cenário: havia escassez de ofertas de compra por parte das tradings para a soja disponível no mercado local.

    Um impasse no pior momento

    O timing é preocupante. A China compra cerca de 80% de toda a soja que o Brasil exporta, e o país é o maior produtor e exportador mundial da oleaginosa. O impasse coincide com o período de pico das exportações brasileiras, exatamente quando o volume embarcado é maior.

    A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) manifestou preocupação em nota divulgada na quarta-feira. Segundo a entidade, exportadores enfrentam dificuldades para ajustar suas operações ao novo sistema de inspeção justamente nesse momento crítico do calendário agrícola.

    Sousa informou que as novas inspeções começaram no início da semana passada e que as negociações entre as partes continuam, mas ainda sem solução definida. O Ministério da Agricultura ainda não se manifestou sobre o tema.

  • Exportações brasileiras aos EUA despencam e atingem pior nível desde 2023

    Exportações brasileiras aos EUA despencam e atingem pior nível desde 2023

    As exportações brasileiras para os Estados Unidos enfrentam um dos momentos mais desafiadores dos últimos anos. Segundo dados inéditos do Monitor do Comércio Brasil–EUA, divulgado pela Amcham Brasil, o valor embarcado para o país norte-americano no primeiro bimestre de 2026 foi o menor para o período desde 2023.

    Entre janeiro e fevereiro, as vendas externas para os EUA totalizaram US$ 4,9 bilhões, uma queda expressiva de 23,2% em comparação com o mesmo intervalo de 2025. A retração representa US$ 812 milhões a menos na balança comercial bilateral.

    Somente em fevereiro, o recuo foi de 20,3% na comparação anual, atingindo US$ 2,5 bilhões. Com esse resultado, o fluxo de exportações para o mercado americano acumula agora sete meses consecutivos de queda livre. Um movimento iniciado em agosto de 2025, quando os EUA impuseram sobretaxas de importação que variaram entre 40% e 50% para uma vasta gama de produtos brasileiros.

    O efeito das tarifas e a virada na corte americana

    É importante ressaltar que os números divulgados ainda não refletem a recente reviravolta judicial. No final de fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu pôr fim às sobretaxas de 40% e 50%. Substituindo-as por uma nova tarifa global de 10%. Como a decisão saiu apenas no fim do mês, os seus efeitos práticos no comércio bilateral devem começar a ser percebidos nas estatísticas a partir de março.

    “Os dados de fevereiro ainda não capturam os efeitos da redução das sobretaxas decorrente da decisão da Suprema Corte. Será importante acompanhar, nos próximos meses, em que medida essa mudança contribuirá para melhorar o desempenho das exportações”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

    Petróleo e café puxam queda, mesmo sem tarifas

    A pressão sobre a pauta exportadora em fevereiro veio, surpreendentemente, de setores que não estavam sujeitos às tarifas. O petróleo bruto, principal item da pauta, sofreu uma queda abrupta de 80,7% nas vendas. Os combustíveis derivados também recuaram 42,2%, influenciados por questões conjunturais de mercado.

    Outro destaque negativo foi o café, que, apesar de isento das sobretaxas desde novembro, viu suas exportações caírem 40% em relação a fevereiro do ano passado, contribuindo significativamente para o resultado negativo.

    Já os produtos que estavam sob o guarda-chuva das tarifas mais pesadas (entre 40% e 50%) registraram uma queda de 27,4% no mês. Itens de madeira, enquadrados nas tarifas da Seção 232, tiveram retração ainda mais severa.

    Déficit comercial explode

    A situação é agravada pela dinâmica das importações. Embora as compras brasileiras de produtos americanos também tenham caído em fevereiro (-16,5%), a retração foi menos intensa do que a das exportações. Como resultado, o déficit do Brasil no comércio bilateral com os EUA saltou para US$ 900 milhões no bimestre. Um aumento colossal de 142,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

    Portanto, com esse movimento, os Estados Unidos perderam uma posição no ranking de fornecedores do Brasil, caindo para o terceiro lugar, atrás de China e Coreia do Sul.

    Enquanto o mercado aguarda para ver se a nova tarifa global de 10% amenizará o impacto sobre os produtos brasileiros, a Amcham faz um alerta para o futuro. “É fundamental que os governos dos dois países avancem em entendimentos para evitar novas restrições comerciais. Especialmente no âmbito da investigação da Seção 301”, conclui Abrão Neto, destacando a necessidade de diálogo para evitar novos solavancos no comércio entre as duas nações.

  • Exportações do agronegócio batem recorde em fevereiro

    Exportações do agronegócio batem recorde em fevereiro

    As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 12,05 bilhões em fevereiro de 2026, marcando o melhor resultado da série histórica para o mês, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O desempenho responde por 45,8% de todas as vendas externas do Brasil no período e garantiu superávit de US$ 10,5 bilhões na balança comercial do setor.

    Em relação a fevereiro de 2025, o avanço foi de 7,4%, impulsionado principalmente pelo aumento de 9% no volume exportado. A alta reflete o esforço conjunto do Mapa com instituições governamentais e o setor privado para ampliar e diversificar mercados do agro brasileiro.

    Apesar do crescimento expressivo em volume, o preço médio dos produtos exportados caiu 1,5%, acompanhando o movimento de queda nos índices globais de alimentos medidos por organismos como o Banco Mundial e a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura).

    As importações de produtos agropecuários somaram US$ 1,5 bilhão, retração de 9,1% na comparação anual, reforçando o saldo positivo das exportações.

    China segue como principal parceira

    A China manteve a liderança entre os destinos, com US$ 3,6 bilhões em compras do agro brasileiro (30,5% do total). Na sequência vieram a União Europeia (US$ 1,8 bilhão; 15,2%) e os Estados Unidos (US$ 802,9 milhões; 7%).

    Outros países asiáticos também ampliaram suas importações. O Vietnã comprou US$ 372,6 milhões (+22,9%), e a Índia destacou-se com US$ 357,3 milhões (+171,1%), ocupando o 4º e 5º lugares no ranking dos principais importadores do agro nacional.

    Mercados como Turquia, Egito, México, Tailândia, Reino Unido e Filipinas também registraram altas expressivas em suas compras de produtos brasileiros.

    Soja, carnes e café puxam exportações

    Entre os setores que mais contribuíram para o resultado, o complexo soja liderou com US$ 3,78 bilhões (31,4% do total e alta de 16,4%). As proteínas animais vieram em seguida, somando US$ 2,7 bilhões (+22,5%).

    Os produtos florestais, o café e o complexo sucroalcooleiro completam a lista dos principais grupos exportadores, com participações de 10,5%, 9,3% e 7,1%, respectivamente.

    Além dos produtos tradicionais, o agronegócio brasileiro também se destacou com o crescimento de itens de nicho, como:

    • Óleo essencial de laranja: US$ 47,8 milhões (+28,8%)
    • DDG de milho: US$ 36,2 milhões (+164,2%)
    • Farinhas e extratos de carne: US$ 20,1 milhões (+10,5%)
    • Manteiga e gordura de cacau: US$ 17,2 milhões (+25,9%)
    • Óleo de milho: US$ 15,9 milhões (+49,5%)

    Governo destaca ampliação de mercados

    De acordo com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o resultado mostra a força do aumento produtivo do país. “O Brasil caminha para uma safra recorde e reforça sua capacidade de atender à demanda global com regularidade, qualidade e confiança”, afirmou.

    Já o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, destacou o avanço na agenda de acesso a mercados. “Foram nove novas aberturas em fevereiro e 544 desde o início de 2023. O Brasil não apenas aumenta a oferta, mas também suas oportunidades de comércio”, disse.

  • Exportação de carne bovina bate recorde histórico em fevereiro

    Exportação de carne bovina bate recorde histórico em fevereiro

    As exportações de carne bovina seguem como principal fator de sustentação dos preços da arroba do boi gordo no Brasil. Além disso, os embarques registram recordes há anos e reforçam a competitividade da proteína brasileira no mercado global. O cenário também se mantém positivo neste início de 2026, com volumes elevados de vendas externas.

    Fevereiro tem maior volume já registrado

    Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram forte avanço nos embarques de carne bovina in natura.
    Em fevereiro, exportadores embarcaram 235,889 mil toneladas da proteína em apenas 18 dias úteis. Esse volume representa aumento de 23,9% em relação ao registrado em fevereiro de 2025.

    Além disso, o resultado configura o melhor fevereiro da história para as exportações brasileiras de carne bovina.
    A média diária de embarques alcançou 13,105 mil toneladas no mês. Esse desempenho supera em 37,6% a média diária observada no mesmo período do ano passado.

    China lidera compras da carne brasileira

    A China permanece como principal destino da carne bovina brasileira. O país asiático recebe quase metade de toda a proteína exportada pelo Brasil. Em seguida, os Estados Unidos aparecem como o segundo maior comprador da carne bovina nacional.

    Conflito no Oriente Médio gera cautela no mercado

    No mercado interno, pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada observam novas incertezas. O atual conflito no Oriente Médio gera especulações entre agentes do mercado brasileiro. Embora a região não seja destino relevante da carne bovina, tensões logísticas preocupam exportadores.

    O fechamento de rotas estratégicas pode elevar custos de frete e de seguros marítimos. Diante desse cenário, compradores adotam postura mais cautelosa e avaliam novas estratégias comerciais. Por outro lado, vendedores resistem aos preços ofertados e aguardam novas propostas. Com isso, o ritmo de negócios no mercado doméstico permanece lento.

     

  • Agro paulista cresce 16,7% na China e fatura US$ 6,8 bilhões em 2025

    Agro paulista cresce 16,7% na China e fatura US$ 6,8 bilhões em 2025

    O principal destino do agronegócio de São Paulo continua aquecido: as exportações para o mercado chinês cresceram 16,7% no último ano, somando US$ 6,8 bilhões. O setor de carnes lidera o ranking, mas o café surge como uma das grandes apostas para o futuro, impulsionado pela expansão de gigantes como a Luckin Coffee.

    Fonte: ComexStat, 2025

    O agronegócio paulista reforçou seus laços com a China em 2025. Dados divulgados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA), mostram que o país asiático, que responde por 24% de todas as exportações do setor no estado, movimentou mais de US$ 6,8 bilhões no período. O número representa um salto de 16,7% em comparação com o ano anterior.

    Com esse desempenho, a China consolidou-se como a principal compradora, superando blocos inteiros como a União Europeia (US$ 4,1 bilhões) e potências individuais como os Estados Unidos (US$ 3,5 bilhões). Para o secretário da SAA, Geraldo Melo Filho, os números refletem a força do agro paulista, mas também acendem o alerta para a necessidade de diversificação.

    “Os dados reforçam não apenas o peso da China como parceira comercial, mas também a forte inserção do agro paulista no mercado internacional. O desafio agora é continuar abrindo novos mercados para consolidar relações comerciais e ampliar ainda mais a presença do agro paulista no cenário global”, afirmou o secretário.

    China garante liderança nos principais setores do agro paulista

    A relação comercial vai além dos números gerais. A China é o principal destino nos quatro maiores segmentos da pauta exportadora de São Paulo. O destaque financeiro fica com o setor de carnes, que embarcou US$ 2 bilhões em 2025, um crescimento de 24,6% em relação ao ano anterior.

    Na sequência, aparecem os complexos de soja (US$ 1,6 bilhão, alta de 12%) e o setor sucroalcooleiro (US$ 1,2 bilhão, alta de 24%). “A China lidera em setores estratégicos: 18% do nosso setor sucroalcooleiro, 29,8% das carnes, 22,8% da soja e 17% dos produtos florestais. É um parceiro incontornável para o agro paulista”, detalhou o diretor da Diretoria de Pesquisa do Agronegócios (APTA) da SAA, Carlos Nabil.

    Luckin Coffee e o apetite chinês pelo café paulista

    Se as carnes e a soja são a base sólida da balança comercial, o café surge como a grande oportunidade de crescimento. Em 2025, a China importou 5,6 mil toneladas do café paulista, um movimento que já coloca o país asiático entre os 10 maiores clientes do produto.

    O pesquisador do IEA, Celso Vegro, explica que o salto no consumo local é o grande motor dessa alta. “O consumo per capita de café na China saiu de 4 a 5 xícaras em 2020 para 16 a 22 xícaras em 2025. É um mercado que deve se consolidar como um dos principais clientes nos próximos anos”, projetou Vegro.

    Grande parte desse avanço se deve à expansão acelerada da gigante chinesa Luckin Coffee. Fundada em 2017, a rede saltou de 8 mil lojas no início de 2023 para impressionantes 20 mil unidades atualmente, segundo o analista de mercado da StoneX, Fernando Maximiliano.

    E os exportadores brasileiros surfaram nessa onda. De acordo com o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, o país asiático é estratégico justamente por esse potencial de crescimento, principalmente entre os jovens. “A bebida vem conquistando espaço, associada a conveniência, socialização e status. Hoje, 50% de todo o café que a Luckin Coffee compra é do Brasil. O resto é dividido com outros países”, revelou Matos.

    Mercado global e resiliência da carne

    Enquanto o café expande fronteiras, a carne brasileira mantém sua solidez. Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), Roberto Perosa, o resultado positivo de 2025 veio apesar de um cenário internacional conturbado.

    “Mesmo com um cenário mais desafiador, marcado por questões geopolíticas e pela menor produção de carne em vários países, a carne bovina brasileira chega a 177 países. Isso ajuda a sustentar o ritmo dos embarques e a presença do produto nos principais mercados”, afirmou Perosa.