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  • El Niño ameaça reduzir safra recorde de café do Brasil

    El Niño ameaça reduzir safra recorde de café do Brasil

    O El Niño ameaça reduzir em até um quinto a safra recorde de café que o Brasil esperava colher neste ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). O calor excessivo e as chuvas irregulares já comprometem lavouras em diversas regiões produtoras do país.

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma produção total de 66,7 milhões de sacas de 60 quilos de café arábica e canephora, categoria que inclui variedades como robusta e conilon. Mas a deterioração das condições climáticas durante o ciclo do El Niño pode derrubar drasticamente esse número, alerta o diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio da Silva.

    “Estamos falando agora de uma perda de safra entre 15% e 20%, o que em um ano normal estaria dentro do esperado. Mas, no cenário atual, isso é uma notícia muito ruim”, afirmou Silva em entrevista.

    Produtores enfrentam o fenômeno com mais preparo

    Apesar do cenário desfavorável, os cafeicultores brasileiros chegam a este ciclo de El Niño mais preparados do que em episódios anteriores. Avanços tecnológicos tornaram a cultura mais resistente às variações climáticas, segundo Silva.

    “Fizemos avanços significativos e hoje conseguimos plantar e colher com mais eficiência”, destacou o executivo da Abic.

    Nos últimos anos, os produtores reforçaram a capacidade de mitigar riscos climáticos ao expandir rapidamente os sistemas de irrigação. O setor investiu fortemente nessa tecnologia para reduzir a dependência de chuvas cada vez mais irregulares. Um efeito direto das mudanças climáticas.

    Florada desuniforme preocupa cooperativas mineiras

    Ainda assim, especialistas esperam que o El Niño afete o ciclo biológico do café, especialmente durante o período de florada no segundo semestre de 2026. O calor excessivo e as chuvas irregulares podem provocar floradas desuniformes e mal-sucedidas.

    “A maturação irregular gera problemas de qualidade e torna a colheita mais desafiadora”, explicou Wellis Caixeta, gerente de compras de café da cooperativa Expocacer, em Minas Gerais.

    O precedente preocupa o setor. O El Niño de 2023/24, combinado a ondas de calor e chuvas irregulares, reduziu a safra brasileira de café de 2024: a estimativa inicial do governo, de 58,8 milhões de sacas, caiu para 54,2 milhões. Apesar do ciclo bienal positivo do arábica, a produção cresceu apenas 0,2%, enquanto a produtividade do conilon recuou 5,9%.

    O fenômeno já pode explicar algumas anomalias observadas neste ano, como as chuvas incomuns registradas no Sudeste do Brasil no último mês. A Expocacer estima que precipitações superiores a 50 milímetros nas regiões produtoras de arábica, cerca de 40 dias atrás, atrasaram a colheita e derrubaram uma quantidade significativa de frutos no chão, o que prejudicou a qualidade dos grãos.

    Espírito Santo teme prolongamento da seca até 2027

    O Espírito Santo, maior produtor brasileiro de café canephora, também registrou clima irregular neste ano. Intervalos maiores entre chuvas se combinaram com precipitações mais curtas e intensas, segundo Luiz Carlos Bastianello, presidente da Cooabriel, maior cooperativa de canephora do país.

    Os produtores capixabas temem que o El Niño prolongue os períodos de seca e calor excessivo até janeiro de 2027, o que prejudicaria o enchimento dos grãos, afirmou Bastianello.

    A produção de conilon no estado já deve cair 15% neste ano por causa do ciclo bienal natural da cultura, que alterna entre anos de alta e baixa produtividade. Ainda assim, Bastianello considera cedo para prever o impacto real do El Niño em 2027.

    “O calor é o maior risco para perdas severas na safra. Acima de 27°C, o canephora reduz seu metabolismo, e a 35°C ele para completamente. Os danos muitas vezes superam os causados pela falta de água em si”, acrescentou o presidente da Cooabriel.

    Rondônia projeta safra recorde de robusta

    O cenário muda no Norte do Brasil, onde temperaturas e chuvas permaneceram, em grande parte, dentro dos padrões sazonais neste ano. Em Rondônia, os produtores projetam uma safra recorde de 3 milhões de sacas de 60 kg. Um volume que supera a previsão da Conab, de 2,77 milhões de sacas.

    O calor e a seca associados ao El Niño provavelmente não atingirão o robusta de Rondônia com a mesma intensidade que afeta as regiões produtoras de arábica, avaliou Juan Travain, presidente da associação estadual Caferon.

    “O café é altamente sensível às variações de temperatura, mas praticamente todas as lavouras de robusta são irrigadas, e algumas também utilizam sistemas de resfriamento com água. Muitas propriedades de arábica, por outro lado, ainda não possuem irrigação”, explicou Travain.

  • Colheita de café arábica avança 40% no Cerrado Mineiro

    Colheita de café arábica avança 40% no Cerrado Mineiro

    A colheita de café arábica atingiu 40% da área de atuação da Expocacer, no Cerrado Mineiro, até 10 de julho. O clima seco acelerou os trabalhos e favoreceu a qualidade das operações. A cooperativa informou que 22% do café colhido já passou pelo beneficiamento. Além disso, o rendimento médio alcançou cerca de 520 litros por saca beneficiada.

    Nas lavouras, 35% dos frutos permanecem no estágio cereja. Esse ponto é considerado ideal para a colheita de café arábica. Mesmo com o avanço, a colheita segue atrás do ritmo registrado em 2025. No mesmo período do ano passado, os trabalhos já alcançavam 45% da área. O atraso ocorreu porque a safra de 2026 é maior. Além disso, as chuvas de junho reduziram o ritmo da colheita de café arábica. Para esta temporada, a cooperativa estima uma produção de 2,859 milhões de sacas de 60 quilos.

    Influência do clima

    O boletim semanal da Expocacer destaca que o tempo seco registrado na última semana acelerou a colheita e a pós-colheita. As condições climáticas também favoreceram a secagem dos grãos nos terreiros e o beneficiamento.

    A cooperativa informou que o índice médio de catação permanece próximo de 15%. No entanto, parte dos lotes ainda apresenta reflexos das chuvas anteriores. Esses cafés tiveram dificuldades durante a secagem nos terreiros. Por isso, alguns lotes registraram índices de catação próximos de 25%.

    Em contrapartida, a classificação por peneiras confirma a boa formação dos grãos. Os técnicos destacam o elevado percentual de cafés classificados nas peneiras 17 e 18.

    Chuva preocupa

    Agora, a maior preocupação envolve a previsão de chuva no Cerrado Mineiro. As precipitações previstas para esta semana exigem atenção dos produtores durante a pós-colheita. Segundo a Expocacer, o manejo correto na secagem e no armazenamento será decisivo para preservar a qualidade do café arábica e reduzir perdas.

    Os modelos meteorológicos indicam aumento da instabilidade nos próximos dias. A previsão inclui chuvas em Patrocínio, Araxá, Uberaba, Serra do Salitre, Patos de Minas e Monte Carmelo. Caso as precipitações se confirmem, elas poderão atrasar a colheita de café arábica, o transporte e a secagem dos grãos. O impacto será maior nas áreas com café espalhado nos terreiros.

    Diante desse cenário, a Expocacer recomenda que os produtores antecipem, sempre que possível, o recolhimento do café dos terreiros. A cooperativa também orienta o planejamento das operações de colheita, transporte e secagem para preservar a qualidade dos lotes e evitar atrasos no campo.

     

     

     

     

     

  • Brasil defende café solúvel contra tarifas de 25% em audiência nos EUA

    Brasil defende café solúvel contra tarifas de 25% em audiência nos EUA

    Representantes do setor cafeeiro brasileiro e norte-americano uniram forças em Washington, nos dias 6 e 7 de julho, para contestar a proposta de sobretaxar o café solúvel brasileiro em 25%.

    Durante audiências públicas do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), o Cecafé e a National Coffee Association (NCA) defenderam a importância estratégica do produto para a economia dos EUA.

    Risco de inflação e impacto no consumo

    A Abics alertou que a aplicação da tarifa elevaria os preços e sobrecarregaria as famílias americanas, especialmente as que buscam opções acessíveis. Atualmente, 11% da população dos EUA consome café solúvel diariamente. Fábio Sato, diretor de Relações Institucionais da Abics, explicou que o produto brasileiro não possui substitutos fáceis, uma vez que o Brasil e o México suprem quase 60% do mercado americano, mas o café mexicano custa cerca de 1,5 vez mais.

    Representantes de Cecafé (Marcos Matos), Abics, NCA (Bill Murray) e BMJ defenderam o setor na audiência. Foto: P1 Comunicação

    Além disso, a entidade reforçou que a maior parte do valor econômico desse comércio permanece nos Estados Unidos. Como o café brasileiro entra no país majoritariamente a granel, processos como mistura, empacotamento, marketing e distribuição ocorrem em solo americano, gerando empregos locais.

    Dependência da indústria e logística

    O Brasil responde hoje por 22% das importações norte-americanas de café solúvel. O insumo é essencial para setores de panificação, confeitaria, laticínios e o mercado de bebidas prontas para consumo (ready to drink), que prevê um crescimento anual de 5,6% até 2030.

    Infografico sobre exportação de café soluvel

    A logística também sofreria impactos severos com a taxação. Mais de 81% das importações de café solúvel dos EUA entram por estados como Texas, Nova York e Louisiana. Uma queda na oferta brasileira desregularia centros logísticos importantes na Costa do Golfo e no Nordeste, colocando operações industriais em risco.

    Expectativas positivas para o setor

    A defesa conjunta do setor durou 15 minutos e não enfrentou questionamentos ou contestações por parte dos investigadores americanos. Para José Pimenta, diretor do BMJ Consultores Associados, a ausência de oposição gera otimismo.

    “Pudemos reforçar todo o impacto econômico e social que a tarifa gerará na economia americana e nos bolsos de seus consumidores”, concluiu Pimenta. O setor agora aguarda que o café solúvel brasileiro entre na lista de isenção, seguindo o modelo de outros tipos de café exportados para os EUA.

  • El Niño pode encarecer alimentos; veja os mais ameaçados

    El Niño pode encarecer alimentos; veja os mais ameaçados

    O alerta começa no prato. Arroz, óleos vegetais, açúcar, milho, trigo e até o café podem entrar no radar de pressão nos preços caso o El Niño se confirme nos próximos meses.

    O Banco Mundial estima uma probabilidade de 61% a 87% de formação do fenômeno entre meados de 2026 e 2027, com risco direto para a produção agrícola em áreas sensíveis da Ásia, da África e de parte do Leste Asiático.

    O dado mais preocupante envolve o arroz. Segundo o Banco Mundial, a produção pode cair de 20% a 50% nas regiões mais afetadas pelo fenômeno. Isso acende um sinal amarelo para países dependentes do cereal e também para o mercado internacional de alimentos.

    Quais alimentos podem ficar mais caros

    O arroz aparece como o alimento mais vulnerável no alerta do Banco Mundial. A razão é simples: boa parte da produção mundial depende de regimes de chuva regulares, especialmente na Ásia. Quando o El Niño altera esse equilíbrio, algumas regiões enfrentam seca, enquanto outras sofrem com chuvas fora de hora.

    Foto: Seapa/MG

    Além do arroz, outros produtos também podem sentir os efeitos do fenômeno. Óleos vegetais, açúcar, milho, trigo e café entram no radar porque dependem de clima estável em fases decisivas da lavoura.

    Uma seca no momento errado, por exemplo, pode reduzir a produtividade. Chuva excessiva na colheita também pode comprometer qualidade e oferta.

    No caso do açúcar, o risco passa por países importantes na produção de cana. Já os óleos vegetais dependem fortemente da oferta de palma, soja e outras oleaginosas. Por isso, qualquer quebra relevante em países produtores pode mexer com os preços globais.

    Por que o Banco Mundial acendeu o alerta

    O El Niño não age sozinho. Esse é o ponto central do alerta.

    O Banco Mundial afirma que o risco climático aparece em um momento de custos ainda elevados para o produtor. Na atualização mais recente sobre segurança alimentar, a instituição informou que os preços dos fertilizantes subiram 35% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mesmo com algum alívio nas últimas semanas, o mercado ainda não se estabilizou.

    Foto: Divulgação AGCO

    Na prática, isso significa que muitos agricultores entram na temporada com menos margem para reagir. Se o fertilizante fica caro, parte dos produtores reduz a aplicação. Quando isso se soma a seca, calor ou excesso de chuva, o impacto aparece mais tarde, na colheita.

    Além disso, conflitos geopolíticos, custos de energia e gargalos logísticos continuam pressionando o mercado global de alimentos. Por isso, uma nova rodada de El Niño pode atingir um sistema que já opera sob tensão.

    O que é o El Niño

    O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes que o normal. Essa mudança altera a circulação dos ventos e mexe com o regime de chuvas em várias partes do planeta.

    Em algumas regiões, o fenômeno aumenta o risco de seca. Em outras, provoca chuva excessiva. Para a agricultura, o problema está justamente nessa quebra de padrão.

    A lavoura precisa de água no momento certo. Também precisa de temperatura adequada durante florescimento, enchimento de grãos e colheita. Quando o clima foge do roteiro, o produtor perde previsibilidade.

    Como isso pode afetar o Brasil

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    O Brasil não aparece como o centro do alerta do Banco Mundial, mas não fica fora da conta.

    Em anos de El Niño, o país costuma registrar mudanças importantes no clima. O Sul tende a enfrentar mais chuva, enquanto partes do Norte e do Nordeste podem sofrer com calor e seca. No Centro-Oeste e no Sudeste, os efeitos variam conforme a intensidade do fenômeno e a época do ano.

    Para o agro brasileiro, isso pode afetar soja, milho, café, cana, arroz e pecuária. O impacto não é automático, mas o risco aumenta quando o fenômeno coincide com fases sensíveis da safra.

    No café, por exemplo, calor intenso e irregularidade nas chuvas podem prejudicar florada e formação dos grãos. No milho, a falta de água durante o desenvolvimento reduz produtividade. Já no arroz, excesso ou falta de chuva pode comprometer plantio, manejo e colheita.

    O bolso sente antes da estatística

    O consumidor normalmente percebe a crise climática quando ela chega ao supermercado.

    Primeiro, o produtor enfrenta perda de produtividade. Depois, a indústria paga mais pela matéria-prima. Em seguida, o varejo repassa parte desse aumento. Nem sempre o movimento é imediato, mas ele costuma aparecer quando a quebra de safra atinge produtos básicos ou cadeias muito dependentes de importação.

    Por enquanto, o mercado global ainda tem algum alívio em grãos como milho e trigo, favorecidos por boas safras em algumas regiões. Mesmo assim, o Banco Mundial afirma que os riscos seguem inclinados para novas pressões, principalmente se o El Niño se confirmar e afetar países produtores ao mesmo tempo.

    O alimento mais sensível é o arroz

    Entre todos os produtos citados, o arroz merece atenção especial.

    O cereal é base alimentar em países populosos da Ásia e da África. Também tem forte peso social, porque qualquer alta costuma atingir diretamente famílias de menor renda. Se a produção cair nas regiões mais expostas, governos podem restringir exportações para proteger o mercado interno.

    Quando isso acontece, o preço internacional sobe. Foi assim em outras crises recentes de alimentos. O país produtor tenta segurar oferta doméstica, mas o mercado global sente a redução do volume disponível.

    É por isso que o alerta do Banco Mundial sobre queda potencial de 20% a 50% na produção de arroz em áreas afetadas chama tanta atenção. Não se trata apenas de uma estatística agrícola. É um risco para a segurança alimentar.

    O que observar nos próximos meses

    Infográfico sobre efeitos no El nino nos proximos meses

    Os próximos meses serão decisivos para confirmar a intensidade do fenômeno e seus impactos sobre as safras.

    Se o El Niño ganhar força, o mercado deve acompanhar de perto a produção de arroz na Ásia, o comportamento das monções, a oferta de óleos vegetais, a safra de cana em países relevantes e o desenvolvimento de culturas como milho, trigo e café.

    No Brasil, o produtor também terá de olhar para o céu com mais cuidado. O país tem tecnologia, escala e experiência para lidar com variações climáticas. Ainda assim, quando o clima muda rápido demais, até sistemas bem preparados sentem o baque.

    O alerta do Banco Mundial não significa que todos esses alimentos vão subir ao mesmo tempo. Mas mostra que o risco aumentou. E, quando o clima mexe com arroz, grãos, açúcar e óleos vegetais, o impacto raramente fica restrito ao campo.

  • Chuvas atrasam colheita de café e preocupam produtores

    Chuvas atrasam colheita de café e preocupam produtores

    A colheita de café segue em ritmo mais lento nas principais regiões produtoras do Brasil. O motivo são as chuvas registradas no fim de junho. Em Minas Gerais, estado responsável por cerca de metade da produção nacional, apenas 30% da safra foi colhida. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), a média histórica para este período é de 40%.

    Além do atraso, o excesso de umidade preocupa produtores. Isso porque as condições climáticas podem reduzir a qualidade dos grãos e afetar a próxima safra.

    Chuvas dificultam a colheita

    As precipitações atingiram principalmente o Cerrado Mineiro e o Sul de Minas. Como resultado, o avanço das máquinas ficou mais lento. Além disso, aumentou a queda de frutos no chão.

    Segundo a Emater-MG, novas chuvas podem ocorrer nos próximos dias devido aos efeitos do El Niño. Caso isso aconteça, os cafezais podem florescer antes do período ideal. Durante a colheita, essas flores acabam sendo derrubadas. Dessa forma, o potencial produtivo da próxima safra pode diminuir.

    Apesar desse cenário, a expectativa ainda é positiva. A Emater-MG projeta uma produção de 31,8 milhões de sacas em Minas Gerais. O volume continua superior às 25,7 milhões de sacas registradas na temporada passada.

    Beneficiamento também avança lentamente

    O coordenador técnico da Emater-MG, Sérgio Regina, afirma que ainda é cedo para medir as perdas de qualidade. Segundo ele, apenas uma pequena parte do café beneficiado chegou ao mercado.

    Depois das chuvas, muitos produtores interromperam a colheita temporariamente. O objetivo foi recolher os grãos que caíram no solo e iniciar a secagem. No entanto, esse processo é mais caro e exige mais tempo. Por isso, toda a operação acaba sendo atrasada.

    Colheita nacional segue abaixo do ano passado

    De acordo com a Safras & Mercado, a colheita brasileira alcançou 52% da safra 2026/27 até 1º de julho. No mesmo período de 2025, o índice já era de 60%.

    Embora o ritmo tenha acelerado na última semana, a oferta do café ainda permanece limitada. Isso acontece porque grande parte da produção continua em fase de secagem e beneficiamento.

    Cooperativas também registram atraso

    A Cooxupé informou que a colheita atingiu 24,9% da área dos cooperados até o fim de junho. No mesmo período do ano passado, o índice era de 31,4%.

    Já a Expocacer informou que os trabalhos chegaram a 32% da produção estimada até o início de julho. Ainda assim, o desempenho permanece abaixo do registrado em 2025.

    Assim, os números mostram que o atraso ocorre nas principais regiões produtoras do país.

    Produtores relatam perdas e queda na qualidade

    No Sul de Minas e no Cerrado Mineiro, agricultores relatam aumento da queda de grãos. Além disso, enfrentam dificuldades para operar máquinas devido ao excesso de umidade.

    Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com a qualidade do café. Muitos produtores afirmam que houve aumento de grãos fermentados. Como consequência, cresce a presença de cafés classificados como riado e rio, categorias que possuem menor valor comercial.

    Em algumas propriedades, parte dos grãos permaneceu no solo por mais tempo. Por isso, houve casos de mofo e deterioração. Nesses casos, o café torna-se impróprio para consumo.

    Indústria acompanha cenário com preocupação

    Para representantes da indústria cafeeira, o maior problema não é apenas o atraso da colheita. A principal preocupação é a qualidade dos primeiros lotes produzidos.

    Segundo o Sindicato da Indústria de Café de Minas Gerais (Sindicafé-MG), já existem registros de cafés com fermentação logo no início da safra. Esse cenário acende um alerta para produtores, cooperativas e exportadores.

    Se o clima úmido continuar nas próximas semanas, os impactos poderão ser maiores. Nesse caso, a rentabilidade tende a diminuir. Além disso, a oferta de cafés de maior qualidade destinados à exportação também poderá ser reduzida.

  • Brasil apresenta defesa do agro em audiência sobre tarifas de Trump nesta segunda

    Brasil apresenta defesa do agro em audiência sobre tarifas de Trump nesta segunda

    O setor produtivo brasileiro finaliza a argumentação que vai levar a Washington nesta segunda-feira (6), véspera da audiência do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) sobre as tarifas comerciais impostas pelo governo Donald Trump com base na seção 301. A estratégia do Brasil aposta no impacto econômico da medida: com matérias-primas brasileiras sobretaxadas, a inflação deve pesar diretamente no bolso do consumidor americano.

    Mais de 70 brasileiros participam do encontro, entre representantes de cadeias produtivas, especialistas em diplomacia e economia, e políticos. O setor produtivo brasileiro terá 11 representantes com direito à fala, contra 12 do lado americano.

    Etanol dos EUA pressiona por tarifas recíprocas

    O agronegócio brasileiro enfrenta resistência de entidades setoriais americanas, especialmente do setor de biocombustíveis. A RFA (Renewable Fuels Association), que representa os produtores de etanol dos Estados Unidos, defende tarifas recíprocas e acusa o Brasil de praticar concorrência desleal.

    Uma pesquisa encomendada pela entidade mostra que os combustíveis renováveis ganharam apoio popular em meio ao debate sobre segurança energética e alta da gasolina. O levantamento indica que 74% dos eleitores registrados apoiam o RFS (programa federal que obriga a mistura de biocombustíveis aos combustíveis fósseis), o maior índice de aprovação em uma década de pesquisas trimestrais da associação. Apenas 12% dos entrevistados rejeitam a política.

    Os dados também revelam que 87% dos entrevistados consideram a independência energética uma prioridade para os EUA, enquanto 80% apontam o etanol como ferramenta relevante para alcançar esse objetivo. A RFA usa justamente esse argumento para sustentar a defesa de tarifas recíprocas.

    A entidade avalia que o etanol produzido internamente reduz a dependência americana de fontes externas de energia, fortalece a economia rural e barateia o preço dos combustíveis. Analistas de mercado, porém, contestam essa leitura e afirmam que os Estados Unidos ainda dependem de importações para suprir a demanda interna.

    Café brasileiro já mudou o blend americano

    Fontes ligadas às negociações apontam receio da indústria americana de perder espaço diante da qualidade e da competitividade dos produtos brasileiros. Alías, o que já acontece no setor de café.

    Aguinaldo Lima, diretor executivo da ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel), afirmou à imprensa que os torrefadores americanos já alteraram os blends de café por falta do produto brasileiro no mercado, e que qualquer nova tarifa vai elevar o preço do cafezinho nos Estados Unidos.

    Os EUA perderam o posto de maior comprador de café solúvel brasileiro para a Alemanha no fim do ano passado, já que as tarifas sobre o produto seguiram fixadas em 10%, segundo Lima.

    Rebanho americano na pior baixa em 70 anos

    O setor de carnes também entra na disputa. Mesmo que o Brasil perca a venda direta e sem tarifas aos EUA, frigoríficos brasileiros com plantas instaladas em países vizinhos da América Latina continuarão abastecendo o mercado americano. Isso justamente quando o rebanho bovino dos EUA enfrenta sua pior baixa em 70 anos.

    Analistas brasileiros destacam que o consumidor americano continuará, na prática, consumindo carne com origem brasileira, ainda que de forma indireta, através de hambúrgueres processados fora do Brasil.

    O Itaú BBA reforçou em relatórios recentes que a indefinição comercial, somada à instabilidade geopolítica, torna ainda mais complexo o custeio e o escoamento das safras agrícolas, enquanto o Brasil busca alternativas de mercado para reduzir prejuízos.

    Como funciona a audiência do USTR

    A audiência reúne 14 painéis sobre diferentes temas, além do agro, com início às 10h no horário de Washington. Cada representante setorial tem até cinco minutos para apresentar um sumário executivo em defesa da cadeia produtiva que representa.

    O USTR pode fazer perguntas aos representantes e abrir espaço para réplicas, mas fontes ouvidas indicam que a argumentação deve ser objetiva e concentrada nas consequências econômicas caso as tarifas entrem em vigor. Os setores tiveram até 1º de julho para enviar a argumentação por escrito, que serve de base para as apresentações desta segunda-feira (6).

    Quem representa o agro brasileiro na audiência
    • Andressa Silva — Associação Brasileira da Indústria do Arroz
    • Vinicius Vanzella — Associação dos Fabricantes de Gelatina da América do Sul
    • Marcelo Schunn Junqueira — Sociedade Rural Brasileira
    • Fernanda Carneiro — Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
    • Marcos Matos — Conselho dos Exportadores de Café do Brasil
    • José Luiz Pimenta Junior — Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel
    • João Marcelo Messas — Associação Brasileira dos Exportadores de Mel
    • Andrea Almeida — União Nacional do Etanol de Milho
    • Welber Barral — União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia e Indústria Brasileira de Árvores
    • Gian Carlo Almeida Marodin — Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente
  • Café não causa queda de cabelo; entenda o boato

    Café não causa queda de cabelo; entenda o boato

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) derrubou nesta semana um boato que circula nas redes sociais e associa o consumo de café à calvície. Segundo a agência, a indústria não alterou a composição do café vendido no Brasil, e nenhuma mudança recente na fórmula justifica a queda de cabelo atribuída ao produto.

    As publicações que circulam online afirmam, sem apresentar provas, que fabricantes passaram a adicionar “produtos químicos tóxicos” ao café em 2026, com aval da própria Anvisa. A agência classifica a alegação como falsa e sem respaldo em normas sanitárias ou evidências científicas.

    O esclarecimento sobre o café integrou um conjunto mais amplo de alertas que a Anvisa divulgou nesta semana. A agência também desmentiu a informação de que a hantavirose seria efeito colateral da vacina contra a Covid-19 e alertou para um golpe que usa o nome da instituição para vender falsas canetas emagrecedoras.

    O que diz a regulamentação sobre o café

    A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 716/2022 segue vigente e continua regulando os padrões de identidade, qualidade, composição e segurança do café comercializado no país. A norma não passou por nenhuma mudança relacionada a ingredientes ou aditivos autorizados.

    Atualmente, apenas quatro tipos de aditivos podem entrar na composição de determinadas categorias de café: três acidulantes e um aromatizante natural ou idêntico ao natural. Nenhuma substância nova entrou na lista, o que reforça a inconsistência das alegações que circulam nas redes. Quem quiser conferir os aditivos permitidos para o café e para outros alimentos no Brasil pode consultar o painel disponível no site da Anvisa.

    Vale lembrar que, embora não tenha relação com o boato da calvície, a Anvisa determinou em 2025 o recolhimento de três marcas de pó para preparo de bebida sabor café (Master Blends, Melissa e Pingo Preto) após inspeção do Ministério da Agricultura constatar irregularidades na produção. O caso não envolve o café tradicional nem a alegação de mudança de fórmula que motivou o novo alerta.

    Café realmente provoca queda de cabelo?

    A ciência não confirma nenhuma relação direta entre o consumo de café e a calvície. A alopecia androgenética, forma mais comum de perda permanente dos fios, decorre principalmente de fatores genéticos e hormonais, não da dieta.

    A Anvisa também aponta outras causas comuns para a queda de cabelo: estresse, alterações hormonais, deficiências nutricionais, doenças e o uso de determinados medicamentos. O consumo regular de café não consta na lista de causas reconhecidas para a calvície.

    Em casos de consumo excessivo de cafeína, algumas pessoas podem apresentar aumento dos níveis de estresse. Esse efeito indireto pode, em tese, contribuir para o eflúvio telógeno, tipo de queda temporária de cabelo desencadeada por estresse físico ou emocional. Ainda assim, isso não torna o café causador da calvície.

    Curiosamente, pesquisas científicas investigam hoje o efeito oposto: a aplicação de cafeína diretamente no couro cabeludo, presente em loções e xampus, vem sendo estudada por seu potencial de estimular os folículos capilares e fortalecer o crescimento dos fios.

    Quando procurar um dermatologista

    Quem perceber aumento da queda de cabelo ou redução da densidade dos fios deve buscar avaliação com um dermatologista. O especialista consegue identificar a causa real do problema, genética, hormonal, nutricional ou relacionada a alguma condição de saúde. E indicar o tratamento mais adequado para cada caso.

    A Anvisa recomenda que a população desconfie de publicações que atribuem mudanças de fórmula ou riscos à saúde sem citar fontes oficiais. Antes de compartilhar esse tipo de conteúdo, vale checar a informação diretamente no site da agência (gov.br/anvisa) ou pelos canais oficiais: telefone 0800 642-9782 ou formulário eletrônico. Quem encontrar publicações suspeitas também pode denunciá-las diretamente à Anvisa pelo canal Fala.BR.

  • El Niño está de volta; veja como ele pode afetar os alimentos no Brasil

    El Niño está de volta; veja como ele pode afetar os alimentos no Brasil

    A volta do El Niño acendeu um alerta no campo brasileiro. O fenômeno, provocado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, já está em formação e deve ganhar força ao longo do segundo semestre de 2026. O efeito mais direto para o consumidor pode aparecer no preço dos alimentos.

    Segundo o Ministério da Agricultura, a previsão para o trimestre julho, agosto e setembro indica chuva acima da média em áreas do Sul e chuva abaixo da média no centro-norte do país. Além disso, há risco maior de temperaturas elevadas, ondas de calor e incêndios florestais.

    Na prática, isso mexe com o calendário de plantio, a produtividade das lavouras e a oferta de produtos básicos. Soja, milho, feijão, arroz, café, frutas, hortaliças, leite e carne podem ser afetados, cada um de forma diferente.

    Safra recorde ajuda a reduzir os riscos

    O risco não significa quebra generalizada de safra. O Brasil entra neste período com uma produção de grãos estimada em 358,6 milhões de toneladas na safra 2025/26, a maior já projetada para o país, segundo a Conab.

    O El Niño costuma provocar excesso de chuva no Sul. Em anos mais intensos, isso pode atrasar o plantio, prejudicar a colheita e favorecer doenças nas lavouras. Já no Centro-Oeste, no Norte e em parte do Nordeste, o problema tende a ser o oposto: menos chuva, calor mais forte e maior pressão sobre pastagens e reservatórios.

    O milho e a soja ficam no centro da preocupação porque sustentam boa parte da cadeia de carnes. Quando o clima reduz a produção ou encarece a ração, o efeito pode chegar ao frango, ao suíno, ao leite e ao boi.

    O feijão e as hortaliças também merecem atenção. São culturas mais sensíveis a irregularidades de chuva e calor. Por isso, qualquer quebra regional costuma aparecer mais rapidamente no bolso do consumidor.

    O café também inspira atenção. Temperaturas muito altas e chuvas irregulares podem comprometer floradas e reduzir o potencial produtivo das lavouras. Como o Brasil é o maior produtor e exportador mundial, qualquer instabilidade climática tende a influenciar tanto os preços internos quanto o mercado internacional.

    O que pode acontecer com os preços dos alimentos

    O alerta chega em um momento em que os alimentos já pressionam o orçamento das famílias. Em maio, o IPCA acumulava alta de 4,72% em 12 meses, segundo o IBGE. Em junho, a prévia da inflação oficial mostrou avanço de 0,74% no grupo alimentação e bebidas.

    Embora uma safra recorde ajude a formar estoques e reduzir parte da pressão, eventos climáticos extremos podem alterar esse cenário. Caso ocorram perdas relevantes em regiões produtoras, a menor oferta tende a pressionar os preços ao consumidor.

    Quando os efeitos podem chegar ao consumidor

    A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos Estados Unidos, informou que as condições de El Niño já estão estabelecidas e devem ganhar intensidade até o fim de 2026. A agência estima elevada probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade forte entre novembro e janeiro.

    Animação da Temperatura da Superfície do Mar no Pacífico — (Foto: NOAA)

    Os reflexos, entretanto, costumam aparecer de forma gradual. Primeiro, o clima interfere no desenvolvimento das lavouras. Depois, afeta a produtividade, altera os preços pagos aos produtores e, por fim, chega às gôndolas dos supermercados.

    O que produtores e consumidores devem observar

    Especialistas ressaltam que o El Niño representa um fator de risco, mas não uma garantia de perdas. O uso de sementes mais adaptadas, irrigação, seguro rural, monitoramento climático e planejamento das operações ajudam a reduzir os impactos sobre a produção.

    Ainda assim, os eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes. Por isso, produtores acompanham com atenção cada atualização das previsões meteorológicas para ajustar o manejo das lavouras.

    Imagem mostra bancada de frutas em um mercado
    Foto: Agro Em Campo/ Pedro H. Lopes

    Para o consumidor, a recomendação é acompanhar a evolução dos preços de produtos como arroz, feijão, café, carnes, leite, frutas e hortaliças ao longo do segundo semestre.

    O fenômeno começa no Oceano Pacífico, a milhares de quilômetros do Brasil. No entanto, seus efeitos podem atravessar continentes e, alguns meses depois, chegar à mesa dos brasileiros na forma de alimentos mais caros ou de uma oferta menor de determinados produtos.

  • Cafés especiais podem gerar US$ 252 milhões na Europa

    Cafés especiais podem gerar US$ 252 milhões na Europa

    O setor brasileiro de cafés especiais poderá movimentar até US$ 252 milhões em negócios na Europa. O resultado decorre das missões comerciais promovidas pelo projeto Brazil. The Coffee Nation. A iniciativa é realizada pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

    Ao todo, 77 empresários brasileiros participaram das ações na Inglaterra e na Bélgica. O grupo também marcou presença na feira World of Coffee Brussels. As atividades geraram 1.145 contatos comerciais. Desse total, 649 envolveram novos clientes.

    Os encontros fecharam US$ 33,1 milhões em negócios presenciais. Além disso, a expectativa é movimentar mais US$ 218,9 milhões nos próximos 12 meses. Caso todas as negociações sejam concluídas, o volume total alcançará US$ 252 milhões.

    Missões comerciais ampliam oportunidades na Europa

    As missões comerciais reuniram 25 empresários brasileiros. Entre eles, participaram nove produtoras do projeto Produzido por Elas. O programa é desenvolvido pela BSCA em parceria com a International Women Coffee Alliance (IWCA), com apoio da ApexBrasil.

    Em Londres, os empresários visitaram empresas do setor cafeeiro. As agendas incluíram reuniões estratégicas, intercâmbio de experiências e discussões sobre o mercado britânico.

    Na Bélgica, o grupo manteve encontros com empresas locais. As visitas fortaleceram o networking e abriram novas oportunidades de negócios.

    Os empresários também participaram de um tour técnico em Antuérpia. A atividade foi conduzida pelo mestre de torra Tom Jansen, referência no segmento de cafés especiais.

    Brasil fortalece presença na World of Coffee Brussels

    Entre os dias 26 e 28 de junho, os empresários participaram da World of Coffee Brussels. A feira é uma das principais vitrines mundiais dos cafés especiais. O evento reúne produtores, torrefadores, baristas e empresas da cadeia produtiva. Além disso, promove inovação, capacitação e conexões comerciais.

    O Brasil contou com um estande estratégico durante a feira. O espaço recebeu reuniões de negócios, degustações e sessões de cupping. Os visitantes conheceram cafés especiais de diferentes regiões brasileiras. O projeto Produzido por Elas também apresentou seus produtos.

    Segundo o diretor executivo da BSCA, Vinicius Estrela, a Europa continua como principal parceiro comercial dos cafés especiais brasileiros. Ele afirma que as ações fortalecem a presença nacional em um mercado estratégico. Além disso, ampliam as oportunidades para produtores brasileiros.

    BSCA firma acordo inédito com o Coffee Quality Institute

    A agenda internacional também resultou em um avanço para a qualificação do setor. A BSCA assinou um Memorando de Entendimento com o Coffee Quality Institute (CQI). O acordo torna a entidade brasileira representante exclusiva da instituição no país. Com isso, produtores e profissionais terão acesso ampliado aos programas internacionais de capacitação.

    O CEO do CQI, Michael Sheridan, destacou que a parceria ampliará o acesso aos treinamentos no Brasil. Segundo ele, a iniciativa permitirá oferecer cursos em português. Além disso, o instituto pretende formar mais instrutores brasileiros. Sheridan acredita que essa estratégia facilitará o acesso à educação especializada, considerada referência mundial na cadeia dos cafés especiais.

    O presidente da BSCA, Luiz Roberto Saldanha, classificou o acordo como um marco para a cafeicultura nacional. Segundo ele, a parceria permitirá levar conhecimento técnico para diferentes regiões produtoras. O objetivo é beneficiar produtores de todos os portes. Saldanha afirmou que a iniciativa fortalecerá a qualidade, a competitividade e a escalabilidade dos cafés especiais brasileiros.

    Brasileiros se destacam em campeonatos mundiais

    A participação brasileira também ganhou destaque nas competições da World of Coffee Brussels. A gerente técnica da BSCA, Carolina Franco, atuou como juíza no Campeonato Mundial de Brewers Cup. Ela participou das etapas eliminatórias como juíza sensorial. Depois, foi convidada para integrar a equipe responsável pela final da competição.

    A campeã brasileira Juliana Morgado representou o país na disputa. Durante sua apresentação, valorizou a cadeia produtiva nacional e destacou o protagonismo das mulheres no setor.

    No Campeonato Mundial de Torra de Café, o Brasil foi representado por Fábio Milan. Aos 21 anos, ele se tornou o mais jovem campeão brasileiro da modalidade.

    Já no Campeonato Mundial de Coffee in Good Spirits (CIGS), Léo Oliva apresentou bebidas inspiradas em sabores típicos brasileiros.

    Projeto busca ampliar exportações brasileiras

    O projeto **Brazil. The Coffee Nation** promove os cafés especiais brasileiros no mercado internacional. A iniciativa fortalece a imagem do Brasil como fornecedor de cafés de qualidade, sustentáveis e rastreáveis. O projeto seguirá em execução até agosto de 2027.

    Entre as prioridades estão a expansão das exportações, a valorização dos cafés produzidos por mulheres, o incentivo às certificações e a promoção da diversidade da produção nacional.

    Os mercados-alvo incluem Estados Unidos, Japão, China, Coreia do Sul, Emirados Árabes, França, Austrália, Canadá e Chile, entre outros países.

     

     

  • El Niño pode mudar produção global de café nos próximos anos

    El Niño pode mudar produção global de café nos próximos anos

    A confirmação de um novo episódio de El Niño para o segundo semestre de 2026 voltou a acender o alerta no mercado internacional de café.

    Embora os impactos variem de acordo com a intensidade do fenômeno e das condições climáticas de cada região produtora, especialistas avaliam que o clima poderá influenciar a oferta global da commodity entre 2026 e 2027.

    Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, os efeitos do El Niño costumam ser diferentes entre os países produtores e dependem do estágio das lavouras quando o fenômeno ocorre.

    Brasil deve escapar dos impactos imediatos

    O Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, não deve sofrer impactos diretos na safra 2026/27, segundo a projeção atual da consultoria.

    Mesmo assim, um período mais chuvoso durante o outono e o inverno pode provocar atrasos na colheita e aumentar a volatilidade dos preços no mercado.

    De acordo com Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint, o monitoramento climático continua sendo fundamental para os próximos meses.

    “Embora a produção da safra 2026/27 não deva ser afetada, o andamento da colheita e a fase de florada exigem atenção.”

    Próxima safra pode enfrentar desafios

    Os maiores riscos ainda estão ligados ao desenvolvimento da próxima temporada.

    Isso porque alterações nos padrões de chuva e temperatura podem influenciar etapas decisivas para a formação dos grãos e para o potencial produtivo das lavouras.

    O comportamento climático durante a florada será um dos fatores mais observados pelo mercado nos próximos meses.

    Leia mais: Agro confia mais nos EUA do que na China, aponta FGV

    América Central e Ásia estão entre as regiões mais vulneráveis

    Fora do Brasil, os efeitos do El Niño podem ser mais significativos.

    Segundo a Hedgepoint, importantes produtores da América Central e da Ásia apresentam maior risco de enfrentar problemas climáticos nas safras 2026/27 e 2027/28.

    A preocupação aumenta diante da possibilidade de um evento forte entre o final de 2026 e o início de 2027.

    Nessas regiões, mudanças no regime de chuvas e períodos prolongados de calor podem comprometer fases importantes do desenvolvimento das lavouras, reduzindo a produtividade e pressionando a oferta mundial de café.

    Caso o fenômeno ganhe força nos próximos meses, o mercado poderá reagir antecipadamente às expectativas de menor produção em algumas das principais regiões produtoras do mundo.