As exportações brasileiras de café somaram 35,4 milhões de sacas na parcial da safra 2025/26. O período considera julho de 2025 a maio de 2026. A receita acumulada alcançou US$ 13,6 bilhões, segundo dados do Cecafé.
O volume exportado ficou 18% abaixo da safra anterior. No mesmo intervalo de 2024/25, o Brasil embarcou 43 milhões de sacas.
Apesar da queda nos embarques, a receita permaneceu praticamente estável. Na safra anterior, o faturamento atingiu US$ 13,7 bilhões. Segundo o Cepea, os preços elevados do café compensaram grande parte da redução no volume exportado. Dessa forma, o setor manteve um desempenho financeiro próximo ao registrado na temporada passada.
Menor oferta reduz embarques
O Cepea atribui a retração das exportações à menor produção da safra 2025/26. Além disso, os estoques nacionais permaneceram em níveis historicamente baixos. Ao longo da temporada, o mercado comercializou gradualmente o café disponível. Como resultado, restou pouco produto para novas negociações. Os pesquisadores destacam ainda que os produtores estavam capitalizados. Por isso, não demonstraram urgência para vender os volumes remanescentes.
Nova safra avança no campo
A colheita da safra 2026/27 ganhou força em maio. Com isso, as negociações da nova temporada avançaram de forma significativa. No entanto, o café recém-colhido ainda precisa passar por preparo e beneficiamento. Por essa razão, os negócios fechados não resultam em embarques imediatos. Segundo o Cepea, parte desse movimento pode aparecer nas exportações de junho. Mesmo assim, o impacto inicial deve ocorrer de forma limitada.
A xícara de café que chega às mesas dos europeus está no centro de uma nova discussão global. A União Europeia quer que as maiores empresas do setor adotem medidas concretas para garantir que os cafeicultores recebam uma remuneração considerada digna até 2029.
Um relatório divulgado nesta semana mostra, porém, que nenhuma das principais companhias mundiais de café está preparada para atender plenamente às novas exigências.
A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do bloco europeu para tornar as cadeias de abastecimento mais sustentáveis e socialmente responsáveis. O objetivo é reduzir desigualdades históricas e assegurar que produtores rurais tenham condições de vida adequadas, especialmente em países em desenvolvimento.
Produção de café convive com desafios econômicos
Embora o café seja uma das commodities agrícolas mais valiosas do planeta, milhões de pequenos produtores ainda enfrentam dificuldades para manter a atividade economicamente viável.
A produção está concentrada em países tropicais, como Brasil, Vietnã, Colômbia e Etiópia, onde fatores como oscilações de preços, eventos climáticos extremos, aumento dos custos de produção e baixa capacidade de negociação frequentemente comprimem a renda das famílias produtoras.
A situação cria um paradoxo. O consumo mundial de café segue em expansão, cafeterias se multiplicam e a bebida movimenta bilhões de dólares todos os anos. Na outra ponta da cadeia, muitos cafeicultores continuam operando com margens apertadas.
Mudança pode alterar a relação entre indústrias e produtores
As novas regras europeias podem acelerar transformações na maneira como empresas compram café e se relacionam com seus fornecedores.
Especialistas avaliam que as companhias poderão ser pressionadas a ampliar programas de rastreabilidade, investir em assistência técnica, revisar contratos de fornecimento e desenvolver mecanismos que assegurem maior previsibilidade de renda aos produtores.
Na prática, o mercado global do café passa a incorporar critérios sociais cada vez mais rigorosos e deixa de tratar a bebida apenas como uma commodity agrícola.
A tendência também reforça um movimento já observado em outros mercados. Consumidores, principalmente nos países desenvolvidos, estão mais atentos à origem dos alimentos e às condições em que eles são produzidos.
O que a nova regra pode significar para o Brasil
Maior produtor e exportador mundial de café, o Brasil acompanha as discussões com atenção.
Foto: Wenderson Araújo/Trilux/Sisterma CNA/Senar
O mercado europeu é um dos principais destinos do café brasileiro e qualquer mudança regulatória tende a repercutir diretamente na cadeia nacional. Embora o País tenha avançado em práticas de sustentabilidade, rastreabilidade e certificações, especialistas apontam que novas exigências poderão demandar adaptações adicionais de produtores, cooperativas e exportadores.
Ao mesmo tempo, o cenário também abre oportunidades.
A crescente valorização de critérios socioambientais pode favorecer regiões e produtores que já investem em boas práticas, agregam valor ao produto e conseguem demonstrar compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade social.
No fim das contas, a discussão que começou na Europa ultrapassa as fronteiras do continente. Ela levanta uma pergunta que deve ganhar cada vez mais espaço no agronegócio global: quem produz o café que o mundo consome está recebendo uma remuneração suficiente para continuar produzindo no futuro?
O Brasil exportou 3,089 milhões de sacas de café em maio de 2026, alta de 3,6% na comparação anual, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Apesar do avanço no volume, a receita cambial caiu 16% no período, somando US$ 1,050 bilhão.
O leve crescimento nos embarques reflete a entrada da nova safra, principalmente de cafés canéforas (conilon e robusta). A expectativa é que o mesmo movimento ocorra com os arábicas a partir do segundo semestre.
No acumulado dos 11 primeiros meses da safra 2025/2026, o país exportou 35,373 milhões de sacas, com receita de US$ 13,612 bilhões. Os resultados representam queda de 17,7% em volume e de 0,7% em valor na comparação com o ciclo anterior.
Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil embarcou 14,745 milhões de sacas de café, recuo de 12,4% frente ao mesmo período de 2025. A receita somou US$ 5,552 bilhões, queda de 14,6%.
Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o desempenho segue dentro do esperado, considerando a transição entre a entressafra e a chegada da nova colheita.
A redução no acumulado do ano reflete uma safra menor e o forte volume exportado em 2025. Por outro lado, a tendência é de recuperação ao longo do segundo semestre, impulsionada pela colheita atual.
Safra favorece embarques, mas riscos persistem
Ferreira projeta aumento das exportações nos próximos meses, sustentado por uma safra com boa produtividade e qualidade, favorecida por condições climáticas positivas no cinturão cafeeiro.
No entanto, fatores externos e estruturais ainda pressionam o setor. Entre os principais desafios estão:
Tensões geopolíticas, que elevam os custos do frete marítimo.
Gargalos logísticos nos portos brasileiros, que atrasam embarques e geram prejuízos.
Incertezas na política comercial dos Estados Unidos, que afetam o ritmo das negociações.
Alemanha lidera destinos do café brasileiro
A Alemanha liderou as importações de café do Brasil entre janeiro e maio de 2026, com 1,911 milhão de sacas (13% do total), apesar de queda de 10%.
Na sequência aparecem:
Estados Unidos: 1,771 milhão de sacas (-38,4%)
Itália: 1,420 milhão de sacas (+3,2%)
Bélgica: 917.385 sacas (+13%)
Japão: 734.591 sacas (-32,6%)
Arábica domina, mas canéfora avança
O café arábica manteve a liderança nas exportações, com 11,126 milhões de sacas (75,5% do total), mesmo com queda de 21,3%.
Já o café canéfora registrou forte crescimento de 86,5%, com 1,891 milhão de sacas (12,8%), impulsionado pela maior oferta.
O café solúvel respondeu por 1,707 milhão de sacas (11,6%), enquanto o torrado e moído teve participação residual.
Cafés diferenciados perdem espaço
Os cafés diferenciados representaram 17,6% das exportações no período, com 2,590 milhões de sacas, queda de 30,1% na comparação anual.
A receita somou US$ 1,124 bilhão, equivalente a 20,2% do total, com preço médio de US$ 434,01 por saca.
A Alemanha também lidera esse segmento, seguida por Estados Unidos, Itália, Bélgica e Holanda.
Porto de Santos concentra embarques
O Porto de Santos respondeu por 72,8% das exportações de café no período, com 10,728 milhões de sacas.
Na sequência:
Complexo portuário do Rio de Janeiro: 3,419 milhões de sacas (23,2%)
Com a Copa do Mundo de 2026 chegando, as atenções começam a se voltar para os atletas que estarão em campo. No entanto, alguns nomes confirmados para o torneio se destacam não apenas pelo desempenho no futebol, mas também pela forte ligação com o agronegócio.
Seja por meio de investimentos ou por histórico familiar, esses jogadores mantêm uma relação próxima com universo rural e levarão essa conexão para além dos gramados durante o Mundial.
Neymar Jr
Um dos casos mais conhecidos é o histórico Neymar Jr. Recentemente, o craque ampliou seus investimentos ao ingressar no mercado de vinhos com a marca ‘Le Prince’, lançada durante a Apas Show 2026. O nome faz referência a um dos apelidos que o jogador recebeu ao longo da carreira.
Os vinhos são produzidos no Chile e na Espanha e têm chegada prevista aos supermercados brasileiros em junho, com preço inicial de R$ 49,90 por unidade.
‘Le Prince’, marca de vinhos premium lançada pelo jogador — Foto: Divulgação
James Rodríguez
Outro nome confirmado para o Mundial é James Rodríguez, da seleção colombiana. O meia transformou uma das maiores tradições agrícolas de seu país em empreendimento ao criar a marca 10 Coffee.
James Rodríguez, confirmado na Copa com a Seleção da Colômbia — Foto: Divulgação
Além da comercialização dos produtos, a empresa produz conteúdos voltados ao universo do café, abordando métodos de preparo, identificação de notas sensoriais e diferentes formas de consumo da bebida.
A iniciativa também busca valorizar as regiões montanhosas responsáveis pela produção dos grãos e fortalecer o trabalho das famílias produtoras colombianas.
Arrascaeta
A ligação com o meio rural também marca a trajetória de Giorgian De Arrascaeta. O meia uruguaio, destaque do Flamengo, herdou da família a paixão pelos cavalos e pelo hipismo.
Seu pai atuou como jóquei e escolheu o nome do filho em homenagem a um cavalo que teve papel importante em sua carreira nas pistas. Atualmente, Arrascaeta mantém animais em um haras e frequentemente compartilha sua relação com os cavalos.
Arrascaeta e Kemei, o cavalo que ele define como “uma verdadeira Ferrari” — Foto: Divulgação
Gustavo Gómez
O zagueiro Gustavo Gómez, da seleção paraguaia e do Palmeiras, também mantém forte conexão com o campo. O atleta é proprietário de uma fazenda em San Juan Bautista, município localizado a cerca de 200 quilômetros de Assunção.
“O meu melhor amigo é veterinário, meu cunhado é veterinário, meu primo é veterinário. Todo mundo virou veterinário. E depois, a cada dia, eu fui conhecendo mais, fui aprendendo um pouco mais. É uma coisa agradável e um negócio financeiramente legal também”, explica o jogador.
Além disso, Gustavo revelou que se envolve ativamente nas atividades agrícolas quando está em seu país natal. No entanto, ainda tem uma missão: aprender a cavalgar.
“Sou um fazendeiro que não sabe andar em cima do cavalo. Só de caminhonete (risos). Mas isto é detalhe. É algo totalmente diferente, e eu estou apaixonado hoje por isso”, concluiu.
Gustavo Gómez em sua fazenda, no interior do Paraguai — Foto: Instagram
Aiden O’Neill
O australiano Aiden O’Neill, atualmente no New York City, também mantém uma relação próxima com a agropecuária. O meio-campista possui uma propriedade rural de aproximadamente 70 hectares em New South Wales, onde cria gado bovino.
Antes de consolidar sua carreira no futebol profissional, O’Neill trabalhou em fazendas da região. Em entrevista ao site da Fifa, ele destacou que a atividade representa tanto um hobby quanto uma forma de investimento.
“É um pouco diferente. Não são muitos os jogadores de futebol que têm uma fazenda ou interesse em gado”, comentou. “Temos algumas cabeças de gado lá e é algo que gosto de fazer fora do futebol.”
O australiano Aiden O’Neill, do New York City FC, trabalhou em fazendas e hoje cria gado — Foto: New York City FC
A Copa do Mundo começa no dia 11 de junho e vai até o dia 19 de julho de 2026.
A partida inaugural e a cerimônia de abertura serão realizadas no tradicional Estádio Azteca, na Cidade do México, marcando o início da maior edição da história do torneio.
O torrefador Fábio Milan Pereira, de Machado (MG), conquistou o Campeonato Brasileiro de Torra 2026. Com a vitória, ele representará o Brasil no World Coffee Roasting Championship 2026.
A competição ocorreu entre os dias 6 e 8 de maio, em Varginha (MG). A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) promoveu o evento no Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCCMG).
Pereira representa a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG). Durante a disputa, ele apresentou o café especial com o melhor perfil sensorial. Além disso, manteve maior fidelidade ao plano de torra entregue aos jurados. O mundial da categoria acontecerá em junho, em Bruxelas, na Bélgica.
Tiago de Mello, de São Paulo (SP), ficou com a segunda colocação. Ele representou a empresa Pato Rei. Já Reginaldo Gonçalves Gomes, de Uberaba (MG), garantiu o terceiro lugar pela Lenêz Cafés de Especialidade.
Segundo Pereira, o título nacional representa o resultado de anos de dedicação ao café especial. “O campeonato exigiu conhecimento técnico, consistência, controle e interpretação de cada café”, afirma.
Expectativa para o mundial
O campeão também destacou a expectativa para a disputa internacional. Segundo ele, representar o Brasil no mundial é uma honra e uma grande responsabilidade. “Somos uma das maiores potências do café no mundo”, ressalta.
Para o diretor-executivo da BSCA, Vinicius Estrela, os campeonatos contribuem para a evolução dos profissionais de torra. Ele explica que as competições incentivam a qualificação constante e aproximam os participantes das inovações do setor. “Os mestres de torra ampliam o aprendizado e conhecem novas tecnologias e equipamentos”, destaca.
Ainda de acordo com Estrela, essa troca de experiências fortalece a capacitação técnica dos profissionais. Como resultado, eles aprimoram a qualidade dos cafés especiais brasileiros.
O Campeonato Brasileiro de Torra 2026 teve o CCCMG como anfitrião. A Kaleido forneceu os torradores oficiais dos modelos M1 e M10.
A cooperativa Minasul disponibilizou o café oficial da competição. Além disso, a Pasqualli Máquinas apoiou o evento com os moinhos Mahlkonig utilizados no campeonato.
Campeonatos Brasileiros de Barismo
Desde 2016, a BSCA atua como National Body da World Coffee Events (WCE) no Brasil. Essa condição permite que a entidade organize as etapas classificatórias nacionais para os campeonatos mundiais do setor.
Os vencedores brasileiros avançam para as finais internacionais nas modalidades Barista, Latte Arte, Brewers, Coffee in Good Spirits, Cup Tasters, Roasters e Cezve Ibrik.
O avanço da colheita da safra 2026/27 pressionou os preços do café arábica em maio. Como resultado, as cotações registraram forte queda no mercado brasileiro.
Segundo pesquisadores do Cepea, a expectativa de produção recorde no Brasil ampliou a pressão sobre os preços. Além disso, o aumento da oferta contribuiu para a desvalorização da commodity.
Em maio, o Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica tipo 6, bebida dura para melhor, registrou média de R$ 1.653,92 por saca de 60 quilos. O valor ficou 8,7% abaixo da média de abril, que foi de R$ 1.811,87 por saca. De acordo com o Cepea, essa foi a menor média mensal desde outubro de 2024, em termos reais. Naquele período, o indicador havia atingido R$ 1.490,14 por saca. Ao longo de maio, o indicador também registrou os menores valores diários desde novembro de 2024. Os cálculos consideram valores corrigidos pelo IGP-DI de abril de 2026.
Trabalho no campo
No campo, a colheita da safra 2026/27 avançou em ritmo mais lento durante parte do mês. Segundo o Cepea, os grãos apresentaram diferentes estágios de maturação. Além disso, chuvas pontuais dificultaram o andamento dos trabalhos em diversas regiões produtoras. Mesmo assim, os produtores mantiveram as atividades de colheita.
O Cepea também destacou a preocupação com uma recente chuva de granizo no Sul de Minas Gerais. As regiões de Boa Esperança e Ilicínea foram as mais afetadas pelo fenômeno.
Neste momento, os produtores ainda avaliam os possíveis prejuízos causados pelo granizo. Por outro lado, a redução das chuvas nos últimos dias favoreceu o retorno das operações. Com melhores condições climáticas, a colheita voltou a ganhar ritmo na maior parte das praças acompanhadas pelo Cepea.
Os preços do café voltaram a cair no mercado internacional. Na última sexta-feira (28), o contrato do café arábica recuou 3,15%, enquanto o robusta perdeu 2,19%. Já na segunda-feira (1), o arábica atingiu o menor patamar dos últimos 1,5 ano no contrato futuro mais próximo.
A principal pressão veio das previsões meteorológicas para as regiões produtoras do Brasil. Segundo os modelos climáticos, o tempo mais seco previsto para esta semana deve favorecer o avanço da colheita do café, que sofreu atrasos nos últimos dias devido às chuvas intensas registradas em importantes áreas produtoras.
Safra será maior?
Além das condições climáticas favoráveis, o mercado também reage às projeções de uma oferta global mais robusta nos próximos meses.
A Coffee Trading Academy estima que a safra brasileira de café 2026/27 alcançará 71,4 milhões de sacas, volume 12% superior ao registrado no ciclo anterior.
Por sua vez, o Marex Group Plc divulgou uma projeção ainda mais otimista. A consultoria prevê uma colheita recorde de 75,9 milhões de sacas no Brasil, superando a estimativa da Sucafina, que calcula uma produção de 75,4 milhões de sacas, equivalente a uma alta anual de 15,5%.
Da mesma forma, a StoneX revisou para cima suas projeções. Em março, a empresa elevou sua estimativa para a safra brasileira de 2026/27 para 75,3 milhões de sacas, acima das 70,7 milhões de sacas previstas em novembro.
Além disso, a consultoria projeta que o superávit global de café chegará a 10 milhões de sacas em 2026, ante 1,8 milhão de sacas em 2025. Caso a previsão se confirme, será o maior excedente mundial dos últimos seis anos.
Vietnã amplia exportações do robusta
O crescimento da oferta também vem do Vietnã, maior produtor mundial de café robusta.
Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do país, as exportações vietnamitas cresceram 15,8% entre janeiro e abril de 2026, totalizando 810 mil toneladas métricas.
O café robusta possui maior teor de cafeína e costuma apresentar sabor mais intenso e encorpado que o arábica — Foto: Embrapa
No ano anterior, os embarques já haviam registrado forte expansão, avançando 17,5% e alcançando 1,58 milhão de toneladas métricas.
Enquanto isso, a produção vietnamita de café em 2025/26 deve atingir 1,76 milhão de toneladas métricas, o equivalente a 29,4 milhões de sacas. O volume representa crescimento de 6% em relação à safra anterior e marca o maior nível em quatro anos.
Estoques menores limitam quedas mais acentuadas
Apesar da pressão baixista causada pelo aumento da oferta, a redução dos estoques monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) tem ajudado a sustentar parte das cotações.
Os estoques de café arábica armazenados pela bolsa recuaram para 434.930 sacas, o menor nível em aproximadamente três meses e meio.
Já os estoques de robusta atingiram uma mínima de dois anos ao registrar 3.631 lotes em maio. Posteriormente, houve leve recuperação para 3.864 lotes.
El Niño ainda preocupa mercado
Por outro lado, o risco climático continua no radar dos investidores. A possível formação do fenômeno El Niño pode atrasar as chuvas previstas para setembro e outubro no Brasil, período considerado crucial para a floração dos cafeeiros.
Caso esse cenário se confirme, a produtividade da safra brasileira de 2026/27 poderá ser afetada.
A preocupação ganhou força após a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicar 82% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho. Além disso, o órgão aponta 67% de chance de ocorrência de um Super El Niño até o final do ano.
Exportações brasileiras recuam
Outro fator que oferece suporte aos preços é a redução das exportações brasileiras.
Segundo dados divulgados pela Cecafé em 12 de maio, os embarques de café verde do Brasil somaram 2,76 milhões de sacas em abril, resultado 1,3% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Além disso, o mercado também acompanha os impactos do fechamento contínuo do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo.
Produção mundial deve bater recorde
Mesmo diante dos desafios logísticos e climáticos, a perspectiva para a oferta global continua positiva.
A Organização Internacional do Café (OIC) informou que as exportações mundiais recuaram apenas 0,3% no atual ano comercial, que vai de outubro a setembro, totalizando 138,658 milhões de sacas.
Além disso, relatório divulgado pelo Serviço de Agricultura Exterior (FAS) projeta que a produção mundial de café em 2025/26 alcançará um recorde de 178,848 milhões de sacas, crescimento de 2% em relação ao ciclo anterior.
Segundo o levantamento, a produção global de arábica deverá cair 4,7%, para 95,515 milhões de sacas. Em contrapartida, a produção de robusta deverá crescer 10,9%, chegando a 83,333 milhões de sacas.
O USDA também estima que a safra brasileira de café em 2025/26 recue 3,1%, totalizando 63 milhões de sacas. Já a produção do Vietnã deve avançar 6,2%, alcançando 30,8 milhões de sacas, o maior volume em quatro anos.
Por fim, o órgão projeta que os estoques finais globais diminuam 5,4%, passando de 21,307 milhões para 20,148 milhões de sacas no ciclo 2025/26.
Os Estados Unidos propuseram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A medida ainda passa por consulta pública antes de uma decisão final, prevista para julho de 2026.
O USTR estabeleceu um cronograma para o processo: interessados devem solicitar participação em audiência até 22 de junho. O envio de comentários escritos vai até 1º de julho, e a audiência pública ocorre em 6 de julho. O prazo legal para adoção das medidas termina em 15 de julho.
Lista de exceções inclui alimentos, fertilizantes e aeronaves
A proposta inclui uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos ou com oferta insuficiente no mercado americano. Entre os itens isentos estão materiais informativos e doações, além de produtos agrícolas e industriais.
A lista menciona carnes, frutas, café, chá, especiarias, cereais, sementes e fertilizantes. Também aparecem aeronaves e peças, minerais de terras raras, produtos químicos orgânicos e itens farmacêuticos.
USTR aponta práticas comerciais e ambientais como justificativa
O relatório do USTR reúne críticas ao Brasil em diferentes frentes. O documento cita decisões judiciais relacionadas a plataformas digitais, com alegações de ordens sigilosas para remoção de conteúdo político e suspensão de perfis, além de multas e restrições a ativos.
O órgão também questiona regras de pagamento eletrônico e aponta suposto favorecimento a empresas locais.
Etanol, acordos comerciais e reciprocidade entram no radar
Os Estados Unidos também criticam acordos preferenciais firmados pelo Brasil com países como México e Índia. Segundo o USTR, o Brasil aplica tarifas menores a centenas de produtos desses parceiros sem oferecer tratamento equivalente aos EUA.
O relatório destaca ainda o setor de etanol. O órgão afirma que, desde 2017, o Brasil não mantém reciprocidade no acesso ao mercado.
Outros pontos levantados incluem desmatamento ilegal, propriedade intelectual e combate à corrupção. O USTR avalia que o Brasil não aplica de forma eficaz sua legislação ambiental.
O documento também critica a demora do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) na análise de patentes. E aponta falhas no enfrentamento a práticas de suborno e corrupção.
A Amcham Brasil emitiu uma nota oficial agora pela manhã
Nota
O relatório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), publicado em 1º de junho no âmbito da investigação da Seção 301 envolvendo práticas comerciais do Brasil, recomenda, em caráter preliminar, a aplicação de tarifas adicionais de 25% sobre determinados produtos brasileiros. Caso confirmadas, essas medidas aumentarão custos, reduzirão a competitividade e criarão obstáculos ao comércio e aos investimentos bilaterais.
Ao mesmo tempo, o relatório reconhece os avanços do diálogo entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, intensificado nas últimas semanas após o encontro entre os presidentes dos dois países em 7 de maio, e sinaliza interesse na continuidade das negociações até a decisão final prevista para 15 de julho. Trata-se de uma janela concreta para a busca de soluções que possam evitar ou revisar as medidas tarifárias propostas.
“O relatório não é final e reforça que ainda há tempo para evitar a adoção de novas tarifas. O setor empresarial espera que os dois governos intensifiquem seus esforços nas próximas semanas e alcancem uma solução que enderece as questões em discussão, preservando as condições necessárias para a evolução do comércio e dos investimentos nos dois países”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
A Amcham acompanha também a expectativa de divulgação, nos próximos dias, do relatório de outra investigação conduzida pelos Estados Unidos sob a Seção 301, relacionada a importações de produtos elaborados com trabalho forçado, que poderá resultar em tarifas adicionais para cerca de 60 países, incluindo o Brasil.
Nesse contexto, torna-se ainda mais relevante buscar uma solução negociada na investigação 301 envolvendo o Brasil, de forma a evitar um tratamento tarifário mais oneroso para as exportações brasileiras no mercado norte-americano em relação a seus concorrentes de outros países.
A Amcham Brasil permanece à disposição para contribuir com a continuidades das negociações e apoiar iniciativas que fortaleçam a parceria econômica entre Brasil e Estados Unidos.
Uma operação conjunta de fiscalização apreendeu mais de 82 toneladas de produtos irregulares utilizados na produção de café durante ações realizadas entre os dias 25 e 28 de maio. A iniciativa teve como foco combater a distribuição e comercialização de cafés torrados com indícios de irregularidade em diferentes estados do país.
Ao todo, os órgãos responsáveis realizaram 84 fiscalizações e interditaram 19 estabelecimentos, número que representa 32,8% dos locais inspecionados.
Segundo o balanço divulgado, os fiscais apreenderam 5.944 quilos de café torrado e moído e outros 76.070 quilos de matéria-prima utilizada na fabricação do produto.
Operação envolveu sete estados e o Distrito Federal
A ação integrou operações de fiscalização conduzidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em parceria com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, além do Procon-MPMG e outros órgãos de defesa do consumidor.
As fiscalizações ocorreram em estabelecimentos localizados em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Paraná, Espírito Santo e no Distrito Federal.
Em Minas Gerais, equipes do Procon-MPMG atuaram especificamente nos municípios de Ervália e Viçosa, na Zona da Mata.
De acordo com o Mapa, a fiscalização do café torrado segue critérios definidos pela Portaria SDA/Mapa nº 570/2022, que estabelece regras sobre identidade, qualidade, rotulagem e classificação do produto.
Além disso, a operação também segue normas previstas na Lei nº 9.972/2000 e no Decreto nº 12.709/2025, que regulamentam a fiscalização de produtos de origem vegetal no Brasil.
Segundo os órgãos envolvidos, algumas empresas utilizam ingredientes estranhos ao café para reduzir custos de produção. Entre os materiais encontrados podem estar cascas, paus, resíduos e outras substâncias utilizadas para adulterar o produto.
Essa prática prejudica diretamente o consumidor, que acaba pagando por um item diferente do informado na embalagem. Além disso, afeta empresas que atuam dentro das normas e mantêm concorrência regular no mercado.
Produtos adulterados também preocupam autoridades sanitárias
As autoridades alertam ainda para os riscos à saúde pública relacionados à utilização de matérias-primas de baixa qualidade.
Segundo os fiscais, produtos adulterados podem conter impurezas, resíduos e contaminantes. Em condições inadequadas de armazenamento e produção, também existe risco de proliferação de microrganismos.
Os órgãos responsáveis informaram que uma nova operação nacional, desta vez envolvendo outros produtos, já está prevista para acontecer em junho.
Hoje, 24 de maio, o Brasil celebra o Dia Nacional do Café, uma das culturas mais representativas da agricultura nacional e um dos pilares do agronegócio brasileiro. O país mantém a liderança como maior produtor e exportador mundial do grão, e os números de 2026 reforçam essa posição. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção de cerca de 66 milhões de sacas na safra atual, volume 17,1% superior ao registrado em 2025.
Essa trajetória de crescimento tem na mecanização um de seus principais motores. A combinação entre tradição no campo, diversidade de sistemas produtivos e adoção crescente de tecnologia consolidou a liderança brasileira no setor. Assim, a eficiência das máquinas se tornou decisiva para elevar a produtividade, reduzir custos operacionais e garantir mais precisão nas atividades diárias das lavouras.
Para atender às particularidades da cafeicultura, especialmente em áreas de relevo desafiador e entrelinhas estreitas, a Massey Ferguson desenvolveu soluções compactas, robustas e eficientes. Entre os destaques estão as séries MF 3400 e MF 3300 Xtra.
“A cafeicultura brasileira evoluiu significativamente nos últimos anos e a mecanização tem papel fundamental nesse avanço. O produtor busca máquinas que entreguem eficiência, economia e facilidade de operação, principalmente em áreas compactas. As linhas MF 3400 e MF 3300 Xtra foram desenvolvidas justamente para atender essas demandas”, afirma Lucas Zanetti, gerente de Marketing de Produto da Massey Ferguson.
MF 3400: agilidade e capacidade para o cafezal
A série MF 3400 atende operações que exigem alta capacidade de manobra em espaços reduzidos. Os modelos são cerca de 5% menores que a média do segmento e contam com raio de giro de apenas 3,1 metros, o que permite mais rapidez e menos manobras entre as ruas do cafezal. Além disso, os tratores oferecem até 25% mais capacidade de levante em relação à categoria, chegando a 3.135 kg, ampliando a versatilidade para diferentes implementos.
Equipados com motor AGCO Power, os modelos proporcionam economia de até 12% no consumo de combustível, garantindo maior autonomia operacional. Outro diferencial é a maior cabine da categoria de tratores fruteiros, que combina conforto, ergonomia e ampla visibilidade ao longo das jornadas no campo.
MF 3300 Xtra: compacto para o dia a dia exigente
A série MF 3300 Xtra une dimensões compactas e robustez para enfrentar as demandas cotidianas da lavoura. O modelo possui largura ideal para transitar entre as plantas sem causar danos à cultura, sendo indicado para atividades como pulverização, roçada e preparo de solo.
O trator conta com motor mecânico AGCO Power de três cilindros, que entrega redução de até 10% no consumo de combustível, aliando desempenho e eficiência energética. A capacidade máxima de levante chega a 2.100 kg e a manutenção preventiva simplificada contribui para ampliar em até 20% a vida útil dos componentes e do motor.