Tag: açúcar

  • Preço do etanol continua em queda em maio

    Preço do etanol continua em queda em maio

    Os preços do etanol hidratado iniciaram maio em queda no mercado brasileiro. A liquidez também perdeu força nas negociações.

    Segundo pesquisadores do Cepea, alguns compradores reduziram a participação nas negociações. Assim, o volume comercializado permaneceu limitado.

    Por outro lado, vendedores mantiveram posições firmes durante boa parte das negociações. Mesmo assim, algumas usinas reduziram preços. Essas unidades precisaram liberar espaço nos tanques ou reforçar o caixa no curto prazo. Com isso, fecharam vendas abaixo dos valores desejados.

    Outros vendedores tentaram reajustes positivos e conseguiram avanços pontuais no mercado. Ainda assim, a tendência predominante continuou negativa.

    As distribuidoras ampliaram a demanda em estados importantes do setor sucroenergético. São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul registraram maior volume negociado. Apesar disso, os preços do etanol recuaram nesses estados devido ao aumento da liquidez. O cenário manteve pressão sobre as cotações.

    Açúcar

    No mercado do açúcar cristal, os preços também seguiram em baixa no mercado spot paulista. A oferta crescente ampliou a pressão sobre os valores.

    Segundo o Cepea, o mercado enfrenta desequilíbrio entre oferta elevada e demanda limitada. Por isso, as negociações avançam lentamente.

    As usinas intensificaram as tentativas de venda, mesmo diante de preços pouco atrativos. Porém, compradores seguem cautelosos nas aquisições.

    Traders classificam o mercado como “frio”, devido ao baixo volume negociado atualmente. Além disso, o avanço da safra 2026/27 aumentou a oferta disponível.

    Com demanda retraída e maior disponibilidade de produto, as cotações internas do açúcar continuam pressionadas no Brasil.

  • Entenda o movimento de queda do preço do etanol

    Entenda o movimento de queda do preço do etanol

    Os preços do etanol seguem em queda no Brasil, pressionados pelo aumento da oferta. Os pesquisadores do Cepea apontam avanço da safra 2026/27 de cana-de-açúcar.

    A maior disponibilidade de etanol de milho também amplia a oferta no mercado. Esse cenário mantém em baixa os valores do etanol hidratado e anidro. Além disso, a demanda enfraquecida reforça o movimento de queda nos preços. O recuo ocorre no mercado spot de São Paulo e em outros estados do Centro-Sul.

    Segundo o Cepea, mais usinas entram no mercado spot com o avanço da produção. Outras unidades priorizam a entrega de volumes negociados anteriormente. Esses vendedores anteciparam contratos, pois temiam novas quedas nos preços.

    O clima firme e ensolarado favorece a colheita da cana-de-açúcar. Com isso, a produção de etanol avança de forma consistente nas últimas semanas.

    Do lado da demanda, compradores adquiriram poucos volumes na semana passada. O feriado de Tiradentes reduziu o ritmo das negociações no período.

    Algumas distribuidoras compraram pequenas quantidades para reposição pontual. Outras operaram em regime de plantão e priorizaram questões operacionais.

    Açúcar

    No mercado de açúcar, a liquidez segue baixa em São Paulo. Agentes mantêm postura cautelosa diante do avanço da safra.

    O feriado também contribuiu para reduzir a movimentação semanal. Compradores evitam negócios e aguardam novas quedas nos preços.

    A expectativa considera o aumento da oferta com a safra 2026/27. Pelo lado da produção, a moagem maior eleva a disponibilidade no curto prazo.

    No cenário externo, os preços do açúcar demerara registraram leve alta. As negociações ocorrem na ICE Futures de Nova York. O aumento das importações chinesas sustentou os preços internacionais no período.

  • Safra brasileira ganha fôlego: China explode importações de açúcar em 320%

    Safra brasileira ganha fôlego: China explode importações de açúcar em 320%

    Os números que saíram da alfândega chinesa nesta semana deixaram pouca margem para dúvida: a China está comprando commodities agrícolas em ritmo acelerado, e o açúcar lidera essa corrida com folga. No primeiro trimestre de 2026, as importações do adoçante saltaram 320% na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Administração Geral de Alfândegas da China. Em volume, o país absorveu 620 mil toneladas entre janeiro e março. Só em março, entraram 100 mil toneladas, 41,9% a mais do que em março de 2025.

    Para quem acompanha o setor sucroenergético, esse sinal importa. A China é o maior país do mundo em população e uma das economias que mais cresce em consumo de alimentos processados. Quando ela acelera as compras de açúcar nessa magnitude, o impacto chega rápido ao mercado internacional e, inevitavelmente, ao Brasil, maior exportador global do produto.

    O que está por trás de uma alta de 320%

    Não existe uma causa única para um salto desse tamanho. O cenário combina produção interna chinesa abaixo do esperado, aumento no consumo doméstico e uma estratégia de recomposição de estoques que o governo chinês vem adotando com mais frequência desde 2024. A pressão sobre os preços internacionais do açúcar bruto já reflete parte desse movimento.

    Para o setor canavieiro brasileiro, que abre agora a safra 2026/27, a notícia chega em boa hora. A demanda aquecida da China tende a sustentar as cotações e pode favorecer a decisão das usinas pelo mix mais voltado ao açúcar em detrimento do etanol, pelo menos nos primeiros meses da safra.

    Milho e fertilizantes também disparam nas compras chinesas

    O açúcar não está sozinho nessa tendência. As importações chinesas de milho em março chegaram a 220 mil toneladas, uma alta de 177,4% frente ao mesmo mês de 2025. Em valor, o crescimento foi de 150%, totalizando US$ 56,6 milhões só no mês. No acumulado do trimestre, o volume atingiu 770 mil toneladas, com avanço de 198% na comparação anual e valor total de US$ 197,6 milhões.

    Os fertilizantes também entraram forte no radar das importações. Em março, a China comprou 1,68 milhão de toneladas, alta de 26,5% em relação ao ano anterior. No primeiro trimestre, o total chegou a 5 milhões de toneladas, crescimento de 30,5%. Esse dado tem relevância direta para o produtor brasileiro: a demanda chinesa por fertilizantes pressiona preços globais e pode encarecer os custos de produção das próximas safras.

    Soja avança no mês, mas recua no trimestre

    A soja apresentou um comportamento mais dividido. Em março, as importações chinesas alcançaram 4,02 milhões de toneladas, crescimento de 14,7% frente ao mesmo mês de 2025, com valor de US$ 1,93 bilhão, alta de 19,9%. No entanto, no acumulado do primeiro trimestre, o volume recuou 3,1%, para 16,58 milhões de toneladas. Em valores, o crescimento foi modesto, de 1,7%, somando US$ 8,03 bilhões.

    Isso significa que março foi forte, mas janeiro e fevereiro ficaram aquém do ritmo do ano passado, puxando o resultado trimestral para baixo. O cenário reforça a importância de não interpretar um único mês de alta como uma tendência consolidada.

    Óleo de soja: alta no mês, queda no trimestre

    O comportamento do óleo de soja seguiu lógica parecida. Em março, as importações chinesas somaram 10 mil toneladas, avanço de 45,1% na comparação anual, com valor de US$ 7,6 milhões, alta de 59%. Porém, no acumulado do primeiro trimestre, as compras caíram 35,3% frente ao mesmo período de 2025, totalizando 180 mil toneladas.

    A oscilação indica que a China ajusta suas compras de derivados de soja de forma estratégica, aproveitando janelas de preço, o que torna esse mercado mais volátil e imprevisível para os exportadores brasileiros.

    O que o produtor brasileiro precisa observar daqui para frente

    Os dados do primeiro trimestre entregam uma mensagem clara: a China ainda é o termômetro mais importante do agronegócio global. Quando compra mais, move mercados. Quando recua, derruba cotações. O movimento atual, especialmente no açúcar e no milho, favorece o produtor brasileiro no curto prazo. Mas a assimetria entre o desempenho mensal e o trimestral da soja e do óleo de soja serve de alerta: a demanda chinesa pode ser intensa em um mês e fraca no seguinte.

    Para o setor sucroenergético, o cenário de abertura de safra é animador. A demanda está aquecida, e a China sinaliza que quer comprar mais. A pergunta que fica é quanto tempo esse ritmo se sustenta, e se a oferta global vai conseguir acompanhar.

  • Safra de cana é a 3ª maior da história, mesmo com impacto do clima

    Safra de cana é a 3ª maior da história, mesmo com impacto do clima

    A produção de cana-de-açúcar no Brasil deve alcançar 673,2 milhões de toneladas na safra 2025/26, uma leve queda de 0,5% em relação ao ciclo anterior, segundo o 4º Levantamento da Safra divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mesmo com a retração, o país registra a maior produção de etanol da série histórica e a segunda maior fabricação de açúcar.

    O volume colhido coloca a safra atual como a terceira maior já registrada pela Conab, atrás apenas dos ciclos 2022/23 e 2024/25.

    Produção de etanol cresce com avanço do milho

    A produção total de etanol, somando cana-de-açúcar e milho, deve atingir 37,5 bilhões de litros, alta de 0,8% na comparação anual. O crescimento ocorre principalmente pelo avanço do etanol de milho.

    A produção do biocombustível a partir do cereal chega a 10,17 bilhões de litros, um salto de 29,8% frente à safra passada, passando a representar mais de 27% do total produzido no país.

    Por outro lado, o etanol de cana recua. A produção deve somar 27,33 bilhões de litros, queda de 6,9% em relação ao ciclo 2024/25.

    Açúcar registra segunda maior produção da história

    A produção de açúcar está estimada em 44,2 milhões de toneladas, leve alta de 0,1% na comparação anual. O volume configura a segunda maior produção já registrada pela Conab, atrás apenas da safra 2023/24.

    A menor disponibilidade de cana limitou um crescimento mais expressivo, mesmo com maior direcionamento da matéria-prima para a fabricação do adoçante.

    A queda na produção de cana reflete a redução de 2,6% na produtividade média nacional, estimada em 75.184 kg por hectare. Condições climáticas adversas ao longo de 2024, especialmente no Centro-Sul, afetaram o desenvolvimento das lavouras, com estiagens, altas temperaturas e incêndios.

    A expansão da área colhida ajudou a compensar parte das perdas. A área total chega a 8,95 milhões de hectares, crescimento de 2,1% frente à safra anterior.

    Sudeste lidera queda na produção

    Principal polo produtor, o Sudeste deve colher 430,1 milhões de toneladas, queda de 2,2% na comparação anual. O recuo reflete os impactos climáticos registrados ao longo de 2024.

    No Norte, a produção soma 3,8 milhões de toneladas, retração de 7,1%, mesmo com aumento de área. No Nordeste, a estimativa é de 53,3 milhões de toneladas, queda de 2%, influenciada pela menor produtividade.

    A região Centro-Oeste deve produzir 150,2 milhões de toneladas, alta de 3,4%. O avanço ocorre principalmente pela expansão da área colhida, que passou de 1,85 milhão para 1,96 milhão de hectares.

    Apesar disso, a produtividade caiu 2,2%, impactada por condições climáticas menos favoráveis.

    Na região Sul, a produção deve atingir 36 milhões de toneladas, crescimento de 1,9%. O resultado reflete a recuperação da produtividade, favorecida por chuvas mais regulares em comparação ao ciclo anterior.

    Mercado: açúcar ganha espaço e etanol se mantém firme

    Na safra 2025/26, o setor direciona mais cana para a produção de açúcar, o que sustenta a oferta do produto mesmo com menor disponibilidade de matéria-prima.

    Já o mercado de etanol segue equilibrado no curto prazo, com destaque para o segmento de etanol anidro. A menor produção de etanol de cana encontra compensação no avanço do etanol de milho.

    No mercado internacional, a maior oferta de açúcar limita altas mais consistentes nos preços. Ainda assim, prêmios de exportação positivos e incertezas externas garantem sustentação pontual às cotações.

  • Preço do etanol recua com oferta maior no início da safra

    Preço do etanol recua com oferta maior no início da safra

    O mercado paulista registrou aumento na oferta de etanol hidratado na última semana. Esse movimento ocorreu com o avanço da moagem da cana na safra 2026/27.

    Além disso, algumas usinas iniciaram operações, enquanto outras ampliaram o ritmo produtivo. Com isso, vendedores elevaram a disponibilidade do combustível no mercado. Eles adotaram essa estratégia por receio de quedas mais intensas nos preços. Nesse cenário, os preços recuaram diariamente em todas as regiões produtoras de São Paulo.

    Dados do Cepea confirmam a tendência de baixa ao longo da semana. Mesmo assim, as chuvas interromperam parte da moagem, mas não impediram a queda nos preços.

    Para os próximos dias, a previsão indica tempo seco, o que pode favorecer a colheita. Do lado da demanda, alguns compradores aumentaram aquisições recentemente.

    Ainda assim, o ritmo de negócios com etanol hidratado permaneceu fraco. As distribuidoras continuam cautelosas e fecham negociações pontuais.

    Além disso, o mercado observa a possibilidade de um mix mais alcooleiro na safra 2026/27. Esse cenário ganha força com a queda nos preços do açúcar e do dólar.

    Açúcar

    No mercado de açúcar, as cotações do cristal recuaram levemente na última semana. Os preços oscilaram pouco nos primeiros dias e reagiram no fim do período. No encerramento, os valores voltaram a se aproximar de R$ 106 por saca. Segundo o Cepea, o início da safra influenciou o mercado spot.

    Parte das usinas direcionou a produção inicial ao açúcar VHP. Por isso, a oferta de açúcar cristal branco permaneceu limitada no curto prazo. Esse fator sustentou os preços na segunda metade da semana.
    Enquanto isso, a demanda seguiu pontual e sem pressão por recomposição de estoques.

    Como resultado, as negociações avançaram de forma mais lenta. No cenário externo, o mercado permanece instável diante de fatores de oferta e geopolítica.

  • Cesta básica fica mais cara em março nas 27 capitais, apesar da queda em três itens essenciais

    Cesta básica fica mais cara em março nas 27 capitais, apesar da queda em três itens essenciais

    A cesta básica de alimentos ficou mais cara em março em todas as 27 capitais brasileiras, mesmo com a queda nos preços de açúcar, café e óleo de soja, os três produtos com maior recuo no período. Os dados constam da Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preço da Cesta Básica de Alimentos, divulgada nesta semana pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

    Foto gerada por IA

    Os três produtos acumulam quedas de preço desde janeiro. O açúcar ficou mais barato em 19 cidades, com os maiores recuos em Goiânia (-4,91%), Curitiba (-4,70%) e Belo Horizonte (-4,52%). Mesmo em período de entressafra, a projeção de oferta elevada, sustentada pela alta produção no Brasil, na Tailândia e na Índia, pressiona os preços do produto para baixo no varejo.

    O café em pó recuou em 17 capitais. Rio de Janeiro (-3,16%) e Belo Horizonte (-2,55%) registraram as maiores quedas. Segundo a Superintendência de Gestão da Oferta (Sugof) da Conab, a expectativa de safra recorde no Brasil e de boa colheita no Vietnã no ciclo 2025/26 influencia as cotações nas bolsas internacionais e, por consequência, no mercado doméstico.

    O óleo de soja caiu em 16 das 27 capitais analisadas. Rio Branco liderou o recuo, com queda de 2,78%. A safra recorde da soja intensifica a oferta da oleaginosa no mercado, o que pressiona os preços no varejo.

    Tomate, batata e feijão puxam a alta

    Apesar da queda nesses três itens, outros produtos pressionaram o custo total da cesta para cima. Manaus registrou a maior alta entre as capitais (7,42%), seguida por Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte (6,44%), Aracaju (6,32%), Natal (5,99%), Cuiabá (5,62%), João Pessoa (5,53%) e Fortaleza (5,04%).

    O tomate subiu em todas as cidades. A variação ficou entre 0,72%, em São Luís, e 46,92%, em Maceió. A menor oferta e perdas na colheita provocadas pelas chuvas explicam as altas.

    As chuvas também afetaram a colheita da batata, reduzindo a oferta do tubérculo. Nas cidades do Centro-Sul, onde o produto compõe a cesta básica, os preços subiram entre 5,54%, em Belo Horizonte, e 22,24%, em Vitória.

    O feijão avançou em todas as praças analisadas, com variações entre 1,68%, em Curitiba, e 21,48%, em Belém. Dificuldades na colheita, redução da área plantada na primeira safra e expectativa de menor produção na segunda safra explicam a pressão sobre o preço da leguminosa.

  • Dia Mundial da Agricultura: Brasil bate recordes no agronegócio

    Dia Mundial da Agricultura: Brasil bate recordes no agronegócio

    O Brasil consolidou sua posição como uma das maiores potências agrícolas do mundo. Em 2025, o agronegócio brasileiro registrou US$ 169,2 bilhões em exportações, respondendo por 48,5% de tudo que o país vendeu ao exterior, segundo dados da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI). Os números foram divulgados nesta sexta-feira (20), data em que o mundo celebra o Dia Mundial da Agricultura.

    A Secretaria de Política Agrícola (SPA) estima que a produção brasileira de grãos na safra 2025/26 chegará a 353,4 milhões de toneladas, o maior volume da história do país. Com isso, o Brasil abastece hoje cerca de 10% da população mundial, distribuída pelos cinco continentes.

    Entre os produtos de maior impacto no mercado global estão soja, milho, açúcar, algodão e suco de laranja. No café, a liderança é absoluta: o Brasil é o maior produtor e exportador mundial, com exportações anuais de aproximadamente 40 milhões de sacas. Algo próximo a 35% de todo o consumo global.

    Política e investimento

    O Plano Safra 2025/2026 destinou R$ 516 bilhões ao setor agropecuário, o maior volume já registrado. Entre os principais instrumentos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estão a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), o crédito rural, o incentivo à abertura de novos mercados e o fomento a práticas de baixa emissão de carbono.

    “O Brasil reúne capacidade produtiva, inovação e sustentabilidade para seguir como um dos principais fornecedores de alimentos do mundo”, afirmou o ministro Carlos Fávaro.

    Ciência, defesa e rastreabilidade

    Pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) foram decisivas para o desenvolvimento de uma agricultura tropical de alta produtividade e competitividade. Já o sistema de defesa agropecuária, coordenado pelo Mapa, assegura a qualidade e a inocuidade dos produtos por meio de rastreabilidade, monitoramento de resíduos e fiscalização contínua ao longo de toda a cadeia produtiva, garantia tanto para o consumidor interno quanto para os mercados internacionais.

  • Mercado mundial de açúcar perde fôlego: usinas brasileiras apostam no etanol

    Mercado mundial de açúcar perde fôlego: usinas brasileiras apostam no etanol

    O superávit global de açúcar encolheu significativamente na temporada 2025/26 (outubro a setembro). Novas revisões nas estimativas de produção reduziram o saldo mundial para menos de 1 milhão de toneladas. Um patamar bem abaixo do que o mercado projetava há alguns meses. Os dois principais fatores por trás do ajuste são o desempenho abaixo do esperado da safra indiana e a reorientação das usinas brasileiras em direção ao etanol.

    Dados da StoneX, empresa global de serviços financeiros, mostram que o saldo global caiu de 2,9 milhões de toneladas para cerca de 870 mil toneladas no ciclo atual. A Índia concentrou a maior parte da revisão: sua produção passou de 32,3 milhões para 29,7 milhões de toneladas, reflexo de uma safra mais curta no estado de Maharashtra e de produtividade abaixo do esperado em Uttar Pradesh. Ainda assim, o volume representa crescimento anual de cerca de 14%.

    “Apesar dos cortes recentes nas estimativas de produção de países importantes como Índia e Brasil, o mercado internacional ainda trabalha com um pequeno superávit. Isso tem limitado movimentos de alta mais consistentes nos preços, principalmente diante de sinais de demanda global mais fraca”, afirma Marcelo Di Bonifácio Filho, analista de Inteligência de Mercado.

    Oferta ainda abastecida, mas demanda fraca pesa nas cotações

    Nem toda notícia do período foi negativa para a oferta. A safra europeia de beterraba superou as expectativas e entregou cerca de 2 milhões de toneladas a mais do que as estimativas anteriores, com destaque para ganhos de produtividade na União Europeia e na Ucrânia. No México, a produção subiu de 5,1 milhões para 5,4 milhões de toneladas, impulsionada por melhoras nos canaviais.

    Mesmo assim, o mercado internacional enfrenta uma combinação desfavorável: importações mais lentas nos grandes mercados consumidores e estoques elevados mantêm as cotações pressionadas. O preço do açúcar segue próximo de 14 centavos de dólar por libra-peso.

    “Hoje o mercado vive uma combinação de oferta ainda relativamente confortável e demanda menos dinâmica. Esse contexto ajuda a explicar por que as cotações seguem próximas da faixa de 14 centavos de dólar por libra-peso no mercado internacional”, explica Di Bonifácio.

    Um fator externo pode mudar esse cenário: a alta recente do petróleo tende a estimular a produção de etanol e pode dar suporte indireto às cotações do açúcar nos próximos meses.

    Brasil prioriza etanol diante de açúcar mais barato

    No Brasil, maior produtor e exportador mundial da commodity, as usinas já começam a redirecionar a produção. Para a safra 2026/27 do Centro-Sul, as estimativas apontam moagem de 620,5 milhões de toneladas de cana, com leve expansão na área colhida e recuperação parcial da produtividade.

    O mix açucareiro, no entanto, recuou de 49,3% para 48,7%. Sinal de que as usinas preferem transformar mais cana em etanol diante da menor atratividade do açúcar no mercado externo. Com isso, a produção de açúcar deve ficar próxima de 40 milhões de toneladas. Ou seja, cerca de 700 mil toneladas abaixo da projeção anterior.

    “Com o açúcar menos valorizado no mercado internacional, muitas usinas tendem a priorizar o etanol no início da safra. Esse movimento reduz o mix açucareiro e acaba limitando o crescimento da oferta de açúcar no Brasil”, explica Rafael Borges, analista de Inteligência de Mercado.

    A safra 2025/26 em curso deve encerrar com produção próxima de 40,4 milhões de toneladas e mix estimado em 50,5%.

    Etanol pode bater recorde histórico em 2026/27

    No mercado de biocombustíveis, o cenário é de expansão. A produção total de etanol no Centro-Sul pode alcançar 37,2 bilhões de litros em 2026/27, avanço de 10,2% na comparação anual e novo recorde histórico. O crescimento vem, em grande parte, da expansão do etanol de milho.

    Para Borges, esse movimento reforça a flexibilidade estratégica do setor sucroenergético brasileiro. “O aumento da produção de etanol, especialmente de milho, amplia a capacidade do setor de reagir rapidamente aos sinais de preço entre açúcar e biocombustível”, destaca.

    O Centro-Sul segue como a principal região produtora de açúcar do mundo. Qualquer mudança relevante no mix ou na produtividade agrícola brasileira tem capacidade de alterar rapidamente o balanço global entre oferta e demanda da commodity.

  • Óleo, açúcar, café, arroz e leite ficam mais baratos em fevereiro nas capitais brasileiras

    Óleo, açúcar, café, arroz e leite ficam mais baratos em fevereiro nas capitais brasileiras

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgaram nesta segunda-feira (9) a Análise Mensal da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos referente a fevereiro de 2026. O estudo aponta que, apesar da queda nos preços de cinco itens essenciais (óleo de soja, açúcar, café em pó, arroz e leite integral), o custo total da cesta básica aumentou em 14 das 27 capitais brasileiras em relação a janeiro.

    Entre as capitais que registraram aumento no custo da cesta básica, Natal liderou com alta de 3,52%, seguida por João Pessoa (2,03%), Recife (1,98%), Maceió (1,87%), Aracaju (1,85%), Vitória (1,79%), Rio de Janeiro (1,15%) e Teresina (1,07%). No sentido oposto, Manaus registrou a maior queda (-2,94%), à frente de Cuiabá (-2,10%), Brasília (-1,92%), Florianópolis (-1,09%) e Porto Alegre (-1,07%).

    São Paulo concentra a cesta básica mais cara do país, com custo médio de R$ 852,87, seguida por Rio de Janeiro (R$ 826,98), Florianópolis (R$ 797,53), Cuiabá (R$ 793,77) e Porto Alegre (R$ 786,84). Nas regiões Norte e Nordeste, onde a cesta tem 12 itens, e não 13 como nas demais regiões , os menores valores aparecem em Aracaju (R$ 562,88), Porto Velho (R$ 601,69) e Maceió (R$ 603,92).

    Óleo de soja cai em 26 cidades

    O óleo de soja registrou queda de preço em 26 das 27 capitais analisadas. As variações foram de -7,05% em Boa Vista a -0,27% em Brasília. Apenas São Luís manteve o preço estável. O excesso de oferta do grão e a valorização do real frente ao dólar reduziram a competitividade da soja brasileira no mercado externo e puxaram os preços para baixo também no varejo.

    O quilo do açúcar ficou mais barato em 20 capitais e mais caro em quatro. As quedas variaram de -5,33% em Cuiabá a -0,26% em Fortaleza. Boa Vista, Porto Velho e São Luís mantiveram estabilidade. Salvador registrou a maior alta, de 1,60%. Mesmo no período de entressafra, a demanda mais fraca contribuiu para pressionar os preços para baixo.

    Café em pó recua em 21 cidades

    O preço do café em pó caiu em 21 capitais entre janeiro e fevereiro de 2026. Florianópolis (-4,30%) e Cuiabá (-3,86%) lideraram as reduções. Brasília manteve o valor médio estável. Em cinco cidades houve alta, com destaque para Macapá, onde o preço subiu 3,59%. A expectativa de safra recorde e a retração das exportações impulsionaram a queda no varejo.

    O quilo do arroz agulhinha ficou mais barato em 16 capitais. Curitiba (-7,40%), Salvador (-7,09%) e Vitória (-5,11%) registraram as maiores quedas. Em nove capitais o preço subiu, com Florianópolis liderando a alta (3,53%). Rio Branco e São Luís mantiveram estabilidade. Estoques mais ajustados e cautela dos vendedores explicam o comportamento dos preços.

    Leite integral cai em 15 cidades

    O preço do leite integral recuou em 15 capitais. Rio Branco (-4,78%), Cuiabá (-3,60%) e Campo Grande (-3,40%) concentraram as maiores reduções. Manaus e São Luís ficaram estáveis, enquanto 10 capitais registraram alta, a maior em Curitiba (2,28%). Mesmo com o início da entressafra leiteira, a importação de derivados lácteos contribuiu para segurar os preços no varejo.

    A coleta de dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos passou de 17 para 27 capitais brasileiras graças à parceria entre Conab e Dieese. A iniciativa fortalece a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e a Política Nacional de Abastecimento Alimentar. Os primeiros resultados com cobertura nacional começaram em agosto de 2025.

  • Como as usinas de cana dominam o campo paulista sem serem donas da terra

    Como as usinas de cana dominam o campo paulista sem serem donas da terra

    As usinas de cana-de-açúcar encontraram uma forma silenciosa de dominar o campo paulista: em vez de comprar terras, elas as alugam. Desde os anos 1990, o setor sucroalcooleiro vem expandindo seus canaviais principalmente por meio de arrendamentos, incorporando propriedades de pequenos e médios agricultores sem transferir a posse formal. O resultado é uma concentração intensa no uso da terra no estado de São Paulo, mesmo que os registros cartoriais mostrem um quadro diferente.

    Um estudo publicado no periódico científico Land Use Policy apresenta essa conclusão. O pesquisador José Giacomo Baccarin, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Universidade Estadual Paulista, câmpus de Jaboticabal, assina o trabalho. E as informações aqui são de  matéria feita por Bruno Vaiano, no Jornal da Unesp.

    São Paulo lidera a produção nacional de cana-de-açúcar, respondendo por 54% da safra brasileira, 62% do açúcar produzido no país e 49% do etanol. O estado também ocupa posição de destaque no cenário mundial nessas três categorias.

    O mapa que os registros não mostram

    Os dados do levantamento revelam uma distorção significativa entre posse e controle da terra. Em 2017, estabelecimentos agrícolas com mais de mil hectares já ocupavam cerca de 45% da área agrícola paulista. Mas os imóveis rurais nessa mesma faixa de tamanho representavam apenas 21% do território usado para agricultura no estado.

    A diferença entre esses dois números evidencia o fenômeno: proprietários reúnem mais da metade do espaço controlado por esses megaempreendimentos em propriedades menores, sob um único administrador, por meio de contratos de arrendamento.

    Por que a cana exige estar perto

    A lógica do arrendamento tem raízes na própria biologia da cana-de-açúcar. Diferentemente da soja ou da laranja, a cana precisa ser processada em até 50 km do local de colheita. Caso contrário, perde qualidade e aumenta os custos de transporte, comprometendo a viabilidade econômica da operação.

    Essa exigência logística obriga cada usina a formar um cinturão de cultivo ao seu redor, disputando as áreas disponíveis dentro desse raio. A expansão, portanto, ocorre menos pela abertura de novas fronteiras agrícolas e mais pela incorporação de terras já cultivadas nas proximidades.

    “Cerca de 60% da cana moída em São Paulo é produzida pelas próprias usinas”, explica Baccarin. “Os outros 40% são adquiridos de fornecedores e agricultores independentes.”

    A mecanização que expulsou os pequenos

    Um ponto de inflexão para o setor ocorreu em 2007, com a adesão das usinas ao Protocolo Agroambiental para o Setor Energético da Cana-de-Açúcar de São Paulo. O acordo estabelecia o fim da queima da palha da cana até 2017 e a substituição da colheita manual pelo processo mecanizado.

    A transição exigiu pesados investimentos em máquinas agrícolas e adaptações no manejo das lavouras, como o uso de novas variedades de cana e o cultivo em parcelas maiores para viabilizar a operação dos equipamentos. Entre 2007 e 2017, 84% das usinas cumpriram o compromisso. Mas apenas 36% dos fornecedores independentes conseguiram se adaptar no mesmo período.

    Para os pequenos produtores, o obstáculo era econômico. Uma única máquina colhedora processa centenas de milhares de toneladas por safra. Em uma propriedade de 200 hectares, por exemplo, comprar o equipamento seria inviável. Alugar uma colhedora era a única alternativa mas, ainda assim, insuficiente para competir com a escala das usinas.

    Proprietários de terra, moradores da cidade

    O estudo de Baccarin também mapeia uma transformação social. Após arrendar as fazendas, boa parte dos proprietários migrou para centros urbanos e passou a viver da renda do aluguel rural enquanto atua no comércio ou no setor de serviços. As gerações seguintes, formadas em profissões urbanas, mostram pouco interesse em retomar a atividade agrícola.

    “Os filhos e netos dos primeiros arrendatários já não têm vocação nem capital para a agricultura. Eles se desfizeram dos tratores”, afirma o pesquisador.

    O futuro da cana e da terra paulista

    O setor sucroalcooleiro, no entanto, enfrenta novos desafios. Um quarto do etanol brasileiro já é produzido a partir do milho, que rende 400 litros por tonelada, contra 80 litros obtidos da cana. Ao mesmo tempo, o consumo de açúcar desacelera nos países mais ricos, pressionado pela crescente consciência sobre os malefícios dos alimentos ultraprocessados.

    Essas tendências podem frear a expansão dos canaviais paulistas nas próximas décadas e reorganizar a estrutura fundiária do estado.

    Para Baccarin, a concentração do uso da terra traz ganhos de eficiência e redução de custos, mas levanta questões que exigem atenção pública. Entre elas estão a distribuição de renda no campo, a responsabilidade ambiental em áreas arrendadas e a necessidade de políticas que incentivem a diversificação produtiva em pequenas propriedades, como o cultivo de frutas e hortaliças e a recuperação de matas nativas e nascentes.