Tag: açúcar

  • Conab eleva previsão de etanol para 41,88 bilhões de litros na safra 2026/27

    Conab eleva previsão de etanol para 41,88 bilhões de litros na safra 2026/27

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou para 41,88 bilhões de litros a estimativa de produção de etanol do Brasil na safra 2026/27. A projeção considera avanços tanto no biocombustível produzido a partir da cana-de-açúcar quanto no etanol de milho.

    O novo número representa um aumento de mais de 1 bilhão de litros em relação à estimativa divulgada em abril. Segundo a Conab, a produção total deve crescer 11,7% na comparação com a temporada anterior.

    Etanol de cana e de milho

    A produção de etanol de cana-de-açúcar está estimada em 29,98 bilhões de litros na safra 2026/27. O volume representa crescimento de 9,7% em relação ao ciclo anterior.

    Já a fabricação de etanol de milho deve alcançar 11,91 bilhões de litros, alta estimada em 17% na comparação anual.

    De acordo com a Conab, a perspectiva de um mercado mais favorável ao etanol em relação ao açúcar influencia a destinação da cana pelas usinas. Ao mesmo tempo, a produção de etanol de milho continua em expansão.

    Conab reduz estimativa para a cana

    Apesar da projeção maior para o etanol, a Conab revisou para baixo a estimativa de produção de cana-de-açúcar em 2026/27.

    O novo levantamento aponta para 705,2 milhões de toneladas, ante 709,1 milhões de toneladas previstos anteriormente.

    Mesmo com o corte em relação à projeção de abril, o volume representa uma alta de 4,7% sobre a safra anterior.

    O avanço esperado está relacionado à combinação entre maior área colhida e melhora da produtividade média nacional.

    Produção de açúcar também é revisada para baixo

    A revisão da produção de cana também aparece na estimativa para o açúcar.

    A Conab agora projeta uma produção de aproximadamente 42,9 milhões de toneladas de açúcar na safra 2026/27. Na estimativa anterior, o volume previsto era de 43,95 milhões de toneladas.

    Se confirmado, o novo número representará uma queda de 2,9% em relação à produção da temporada anterior.

    Assim, o levantamento mostra um cenário de aumento da produção de etanol, especialmente com a expansão do biocombustível de milho.

  • Etanol e açúcar sobem em São Paulo com oferta mais restrita

    Etanol e açúcar sobem em São Paulo com oferta mais restrita

    O mercado paulista de etanol registrou alta nos preços e maior ritmo de negociações nos últimos dias. Além disso, distribuidoras intensificaram as compras para recompor volumes e antecipar estoques. Segundo o Cepea, as usinas adotaram uma postura mais firme após sucessivas quedas nas cotações.

    A menor disponibilidade imediata em algumas unidades também contribuiu para fortalecer os preços do etanol. Ao mesmo tempo, o maior interesse comprador criou um ambiente mais favorável às negociações. O cenário externo também ajudou a sustentar a valorização do combustível no mercado paulista.

    Etanol de outros estados ganha espaço

    O mercado paulista também recebeu etanol produzido em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Segundo pesquisadores do Cepea, esse fluxo pode ganhar força com a alta dos preços em São Paulo. Nesse cenário, a valorização amplia a janela para operações interestaduais com o combustível.

    Açúcar cristal também registra alta em São Paulo

    Os preços do açúcar cristal branco também avançaram no mercado à vista paulista. De acordo com o Cepea, as usinas mantiveram uma postura mais firme nos pedidos nos últimos dias. A oferta mais restrita no Centro-Sul sustenta esse movimento de valorização do açúcar.

    Por outro lado, os compradores demonstraram maior cautela diante da rápida alta da commodity. No mercado doméstico, o cenário de menor disponibilidade de açúcar continua se confirmando. Além disso, o mercado externo mantém os preços do açúcar demerara sustentados.

    Na Bolsa de Nova York, o açúcar segue influenciado pelas condições climáticas adversas. Essas condições atingem importantes regiões produtoras e reduzem as projeções para a produção global.

  • Produtores de cana do Nordeste receberão subvenção via Pix

    Produtores de cana do Nordeste receberão subvenção via Pix

    O governo federal regulamentou nesta terça-feira (11) a subvenção econômica destinada a produtores independentes de cana-de-açúcar da Região Nordeste afetados pela tributação adicional dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras ou por eventos climáticos extremos.

    O benefício poderá chegar a R$ 270 milhões e foi autorizado pela Medida Provisória 1.374/2026, que tem como objetivo preservar a renda dos produtores, a produção de cana e os empregos do setor sucroenergético.

    O pagamento será feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), via Pix, após a comprovação das perdas e o atendimento aos critérios estabelecidos pelo governo.

    Quanto será pago aos produtores de cana

    A subvenção será de R$ 12 por tonelada de cana-de-açúcar comercializada durante a safra 2025/26.

    O período considerado vai de 1º de agosto de 2025 a 31 de julho de 2026.

    Quem poderá receber?

    Poderão ter acesso ao benefício:

    • Produtores rurais independentes, pessoas físicas ou jurídicas;
    • Cooperativas e associações, em relação à produção de seus cooperados ou associados que sejam produtores independentes.

    A regra, porém, não contempla produtores que tenham participação societária, direta ou indireta, nas usinas, destilarias ou cooperativas que recebem a cana fornecida.

    A MP 1.374/2026 estabelece que o apoio pode ser concedido diretamente aos produtores ou por meio de cooperativas e associações, conforme a quantidade de cana comercializada.

    Prazo para apresentar a documentação

    Os produtores deverão comprovar a comercialização da cana por meio de documentação fiscal eletrônica.

    Segundo o decreto, os documentos deverão ser encaminhados à Conab até 30 de outubro de 2026.

    Poderão ser utilizados documentos fiscais emitidos pelo próprio produtor ou pela unidade que adquiriu a cana, conforme as regras tributárias de cada Estado.

    Também serão consideradas operações realizadas por cooperativas ou associações.

    Como será feita a análise

    A Conab será responsável por receber e analisar a documentação apresentada pelos produtores.

    Caso sejam encontradas inconsistências, o beneficiário será notificado para fazer as correções necessárias.

    A estatal também deverá disponibilizar informações sobre o processo de operacionalização da subvenção, incluindo o endereço para envio dos documentos e a relação dos beneficiários, conforme os critérios estabelecidos no programa.

    Pagamento será feito via Pix

    Após a análise e aprovação da documentação, a Conab fará o pagamento da subvenção diretamente ao beneficiário por Pix.

    O valor será calculado de acordo com a quantidade de cana comercializada que estiver dentro dos critérios do programa.

    Produtores poderão ser fiscalizados

    O decreto também prevê a possibilidade de fiscalização dos produtores beneficiados pela Conab.

    A fiscalização poderá ocorrer a qualquer tempo e em qualquer fase da operação, segundo as regras estabelecidas pelo governo.

    O recebimento irregular do benefício poderá resultar na devolução integral dos valores, com atualização pela taxa Selic ou por outro índice que venha a substituí-la.

  • Etanol segura preços enquanto açúcar cristal volta a subir

    Etanol segura preços enquanto açúcar cristal volta a subir

    Os preços dos etanóis anidro e hidratado estão praticamente estáveis em São Paulo. O equilíbrio entre oferta e demanda explica o cenário. Segundo o Cepea, o avanço da safra 2026/27 no Centro-Sul mantém elevada a disponibilidade de etanol.

    Ao mesmo tempo, compradores voltaram a atuar com maior intensidade no mercado paulista. De modo geral, distribuidoras de São Paulo adquiriram volumes maiores. Além disso, outros estados produtores registraram maior movimentação nos negócios.

    A volta às aulas também impulsionou a circulação de veículos. Com isso, novos compradores retornaram ao mercado spot. Além disso, a vantagem de preço do etanol hidratado no varejo continua favorecendo o biocombustível.

    Segundo pesquisadores do Cepea, agentes do mercado avaliavam que as cotações haviam atingido um piso. Os preços também estavam abaixo dos custos de produção. Diante disso, vendedores elevaram suas ofertas. Em alguns casos, os vendedores conseguiram fechar negócios com valores maiores. Outros realizaram operações pontuais para cobrir despesas.

    Essas negociações também ajudaram a atender necessidades de caixa ou custos de tancagem. Portanto, a combinação entre oferta elevada e demanda aquecida contribuiu para estabilizar o mercado de etanol.

    Menor produção sustenta alta do açúcar cristal

    Enquanto isso, os preços do açúcar cristal branco continuam avançando no mercado paulista neste início de agosto. A saca de 50 quilos alcançou R$ 96,00. Esse valor não era registrado desde meados de maio.

    Segundo o Cepea, a liquidez aumentou no mercado. Porém, compradores ainda mantêm uma postura seletiva. Isso ocorre porque os preços atingiram patamares mais elevados nos mercados interno e externo. A menor produção de açúcar no Centro-Sul sustenta as cotações.

    Esse movimento ocorre mesmo com o maior volume de cana processada e a melhor qualidade da matéria-prima. Além disso, o maior redirecionamento da moagem para produzir etanol reduz a disponibilidade de açúcar. Consequentemente, essa menor oferta reforça a sustentação dos preços do açúcar cristal no mercado paulista.

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  • Estados Unidos ameaçam reter parte do açúcar brasileiro

    Estados Unidos ameaçam reter parte do açúcar brasileiro

    O açúcar brasileiro entrou no centro das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

    O governo americano sinalizou que poderá redistribuir cerca de 56 mil toneladas da cota de açúcar destinada ao Brasil caso o país não apresente propostas comerciais consideradas satisfatórias por Washington.

    A declaração foi feita pelo subsecretário de Agricultura dos Estados Unidos, Stephen Vaden, durante um simpósio da American Sugar Alliance.

    A medida ocorre em meio à pressão dos produtores americanos por uma política mais restritiva para a entrada de açúcar estrangeiro no mercado dos Estados Unidos.

    Brasil pode perder parte da cota de açúcar

    Para entender a disputa, é preciso olhar para o sistema de cotas tarifárias, conhecido como TRQ.

    O mecanismo permite que determinados países exportem uma quantidade específica de açúcar para os Estados Unidos pagando uma tarifa reduzida.

    Para o Brasil, a cota tradicional fica em torno de 156 mil toneladas.

    No ano fiscal de 2027, que começa em 1º de outubro de 2026 e termina em 30 de setembro de 2027, os Estados Unidos estabeleceram uma cota global de aproximadamente 1,117 milhão de toneladas, distribuída entre 39 países.

    Até o momento, porém, apenas 100 mil toneladas foram destinadas ao Brasil.

    Outras 56 mil toneladas ainda não foram alocadas, o que corresponde a cerca de 36% da cota brasileira.

    Esse é justamente o volume que pode ser redistribuído para outros fornecedores caso as negociações entre os dois países não avancem.

    Por que a cota é importante?

    Em volume, o mercado americano representa uma parcela pequena das exportações brasileiras de açúcar.

    O Brasil deve exportar aproximadamente 35,7 milhões de toneladas de açúcar na safra 2025/26, segundo estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

    As 156 mil toneladas da cota americana representam menos de 0,5% das exportações brasileiras.

    Por isso, a eventual perda do volume não seria suficiente para alterar o destino da maior parte da produção nacional.

    O problema está principalmente na diferença entre as tarifas cobradas dentro e fora da cota.

    Tarifa pode mudar de US$ 14,60 para US$ 338,60 por tonelada

    O açúcar brasileiro que entra nos Estados Unidos dentro da cota recebe uma condição tarifária muito mais favorável.

    Para o açúcar bruto, a tarifa dentro da cota é de aproximadamente 0,66 centavo de dólar por libra.

    Quando o produto ultrapassa o limite, a tarifa sobe para cerca de 15,36 centavos de dólar por libra.

    Na conversão para toneladas, a diferença equivale a aproximadamente US$ 14,60 por tonelada dentro da cota contra US$ 338,60 fora dela, antes de eventuais tarifas adicionais.

    Por isso, embora as 56 mil toneladas representem uma parcela pequena da produção brasileira, o acesso a esse espaço tarifário possui valor comercial significativo.

    Produtores dos EUA pressionam por mais proteção

    A ameaça ao Brasil acontece paralelamente a uma mobilização dos produtores americanos de cana e beterraba.

    Representantes da American Sugar Alliance defendem mudanças nas regras de importação e a atualização da chamada tarifa tier 2, aplicada ao açúcar que entra no mercado americano acima das cotas.

    A tarifa foi criada em 2000 e, segundo representantes do setor e do USDA, perdeu parte da capacidade de desestimular as importações.

    A responsável pelo programa de açúcar do USDA, Carlann Unger, afirmou que a tarifa atual já não seria suficientemente alta para funcionar como uma barreira efetiva à entrada do produto estrangeiro.

    O argumento também está relacionado ao nível dos estoques americanos.

    Segundo Unger, os Estados Unidos começaram o ano fiscal de 2026 com os maiores estoques de açúcar já registrados.

    Importações são apontadas como pressão

    Os produtores dos Estados Unidos afirmam que o aumento das importações acima das cotas contribuiu para pressionar os preços domésticos.

    Um estudo do Centro de Políticas de Risco Agrícola da Universidade Estadual de Dakota do Norte (NDSU) estimou que o crescimento dessas importações provocou mais de US$ 3 bilhões em perdas aos produtores americanos nas duas últimas safras.

    O economista Shawn Arita, um dos autores da pesquisa, afirmou que o estudo encontrou efeito significativo das importações sobre os preços domésticos do açúcar.

    Disputa do açúcar amplia tensão comercial entre Brasil e EUA

    A discussão sobre a cota ocorre em um cenário mais amplo de tensão comercial entre os dois países.

    Em julho, os Estados Unidos anunciaram novas medidas tarifárias sobre produtos brasileiros. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), medidas publicadas em 15 e 23 de julho estabeleceram sobretaxas adicionais de 25% e 12,5% sobre parcelas das importações brasileiras, conforme os produtos e enquadramentos.

    No setor agropecuário, o açúcar se tornou mais um ponto de pressão nas negociações.

    Por enquanto, não há perda definitiva das 56 mil toneladas ainda não alocadas. O que existe é a sinalização de Washington de que o volume poderá ser redistribuído caso o Brasil não apresente propostas consideradas satisfatórias.

    Para o setor sucroenergético brasileiro, portanto, a disputa não está apenas relacionada à quantidade de açúcar exportada, mas principalmente às condições de acesso ao mercado americano.

  • Cota de açúcar vira novo capítulo da crise comercial entre Brasil e Estados Unidos

    Cota de açúcar vira novo capítulo da crise comercial entre Brasil e Estados Unidos

    O governo de Donald Trump condicionou a devolução de uma cota de exportação de açúcar brasileira de quase 60 mil toneladas à apresentação de “propostas comerciais satisfatórias” por parte do Brasil. Caso o país não atenda à exigência, os Estados Unidos ameaçam redistribuir o volume a outros exportadores.

    plantação de cana de açúcar
    Foto: Nilza Patricia Ramos/Embrapa

     

    O subsecretário de Agricultura dos Estados Unidos, Stephen Vaden, fez a declaração durante um simpósio da American Sugar Alliance (Aliança Americana do Açúcar), na última segunda-feira (3). A adida do Ministério da Agricultura na embaixada brasileira em Washington, Ana Lucia Viana, registrou as falas de Vaden em um comunicado urgente enviado a Brasília. A Folha obteve o documento, que a equipe do Agro em Campo confirmou.

    Como funciona a cota americana de açúcar

    Os EUA abrem anualmente uma cota de importação de 1,1 milhão de toneladas de açúcar bruto de cana, com base em compromissos assumidos junto à OMC (Organização Mundial do Comércio). Uma tarifa reduzida incide sobre o volume que entra no país dentro desse montante, enquanto uma barreira de aproximadamente US$ 340 por tonelada afeta o que fica de fora. Um obstáculo que, segundo o setor, compromete fortemente a competitividade do produto brasileiro.

    Ao anunciar as cotas para o próximo ciclo, a gestão Trump reduziu a parcela destinada ao Brasil de 155,9 mil toneladas para 100 mil toneladas, uma queda de 35,9%.

    Brasil pode recuperar volume ou perdê-lo para concorrentes

    Segundo o relato da representante do Ministério da Agricultura, Vaden afirmou durante o evento que o volume retirado do Brasil poderá retornar ao país, mas apenas mediante propostas comerciais consideradas satisfatórias pelos EUA. Na ausência de um entendimento, as 55.993 toneladas métricas em valor bruto poderão ir para outros países.

    O relatório da diplomata brasileira destaca que a coincidência exata entre o volume reduzido da cota brasileira. E a quantidade ainda não alocada reforça a percepção de que o governo americano usa a medida como instrumento de negociação comercial.

    No mesmo documento, a funcionária da Agricultura afirma ter procurado o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) para saber se o corte era permanente ou se haveria possibilidade de recomposição, ainda que parcial. Ela argumentou ao USTR que o Brasil preencheu integralmente a cota atual de quase 160 mil toneladas. Portanto, demonstra capacidade de fornecimento, confiabilidade e demanda por parte da indústria americana. O lado americano, segundo o relato, não forneceu detalhes adicionais aos já anunciados publicamente.

    Etanol pode entrar na negociação

    O comunicado da adida agrícola não especifica o que constituiria uma proposta comercial satisfatória para os EUA. Washington, porém, pressiona o Brasil há anos para reduzir a tarifa de 18% cobrada sobre a compra de etanol americano.

    De acordo com levantamento da Unica, que representa o setor, competitividade do biocombustível está no maior nível desde 2018 (Foto: Divulgação/Agência GOV)

    O governo Lula já sinalizou que aceitaria discutir a redução dessa barreira caso os EUA incluíssem nas conversas uma abertura comercial para o açúcar. Mas as partes nunca fecharam acordo nesse ponto.

    O Ministério da Agricultura e o Departamento de Agricultura dos EUA não responderam até a publicação desta reportagem aos questionamentos do Agro em Campo.

    Novas cotas entram em vigor em outubro

    As novas cotas tarifárias americanas vigorarão a partir de outubro, com duração de um ano. A República Dominicana recebeu o maior volume, com cerca de 189 mil toneladas de açúcar de cana em condições mais vantajosas, seguida pelas Filipinas, com 145 mil toneladas. O Brasil ficou com a terceira maior alocação.

    No ano passado, o Brasil exportou 292,4 mil toneladas de açúcar bruto para os EUA, segundo dados da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia). Produtores do Nordeste preenchem a cota, enquanto o Sudeste, com colheita mais mecanizada, fornece a maior parte do volume exportado acima dela.

    A tarifa aplicada às exportações fora da cota já dificultava o acesso do açúcar brasileiro ao mercado americano. E a situação piorou com os sucessivos tarifaços que Trump impôs ao Brasil. Além dos US$ 340 por tonelada, o produto que entra no mercado americano fora da cota também enfrenta sobretaxas cumulativas de 37,5%, aplicadas com base em duas investigações comerciais conduzidas pelo USTR. O volume dentro da cota, por sua vez, paga uma tarifa extra de 25%, referente a uma das apurações do USTR.

    Corte se soma a crise diplomática entre Brasil e EUA

    A ameaça de Vaden representa mais um capítulo da crise diplomática e comercial entre os governos Lula e Trump. E que foi agravada pela revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. Semanas antes, o governo Lula havia negado vistos a funcionários do Departamento de Estado que, segundo auxiliares do petista, pretendiam interferir nas eleições brasileiras. O Itamaraty também não autorizou o início da missão em Brasília de Daniel Perez, embaixador indicado por Trump.

    No campo comercial, os EUA impuseram ao Brasil, no ano passado, um tarifaço de até 50%, sob a justificativa de que o governo Lula e o Judiciário promoviam uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A Suprema Corte dos EUA declarou ilegal a maior parte dessas sobretaxas. Mas Trump impôs novas sanções, de 25% e 12,5% em julho, agora amparadas pelo USTR.

    Questionada sobre o tema, a Unica classificou o Brasil como parceiro confiável para os EUA, capaz de assegurar um fornecimento regular e consistente de açúcar de alta qualidade. A entidade afirmou esperar que as tratativas avancem de forma construtiva. Assim, evitando a adoção de medidas que criem novas barreiras ao comércio entre os dois países.

  • Etanol perde força mesmo com mercado mais aquecido

    Etanol perde força mesmo com mercado mais aquecido

    O mercado de etanol registrou maior movimentação nos últimos dias. Mesmo assim, os preços continuam em queda. Segundo o Cepea, algumas usinas interromperam as vendas após negociações anteriores. Elas consideram os preços atuais pouco atrativos.

    Ao mesmo tempo, outras unidades seguem negociando. No entanto, aceitam valores menores, principalmente em operações de maior volume.

    Pelo lado da demanda, as vendas no varejo cresceram de forma tímida. O cenário confirma os dados preliminares de junho de 2026 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Além disso, agentes do mercado esperam uma recuperação da demanda com a chegada de agosto e o retorno às aulas.

    Mercado do açúcar segue com poucas negociações

    Os preços do açúcar cristal branco oscilaram no mercado paulista nos últimos dias. Os compradores aguardam novas quedas nos preços. A expectativa considera o aumento da oferta do produto. Por isso, os negócios continuam pontuais e ocorrem apenas em situações específicas.

    Clima favorece cana, mas exige atenção

    No campo climático, a atuação do El Niño tende a favorecer a produção de cana-de-açúcar no Centro-Sul. As chuvas mais frequentes previstas para o segundo semestre podem melhorar o desenvolvimento dos canaviais. Além disso, elas devem elevar a produtividade. Esse cenário beneficia tanto o restante da safra 2026/27 quanto a próxima temporada.

    Por outro lado, o excesso de chuva pode atrasar a colheita. Também pode limitar o avanço do ATR. Segundo o Cepea, os efeitos mais característicos do El Niño devem aparecer a partir de setembro.

  • Tarifaço dos EUA: veja quais produtos brasileiros escaparam e quais serão taxados

    Tarifaço dos EUA: veja quais produtos brasileiros escaparam e quais serão taxados

    A nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros já está em vigor e provoca mudanças importantes para o agronegócio. Enquanto alguns setores perderam competitividade no mercado americano, outros conseguiram manter as exportações graças à ampliação da lista de isenções anunciada pelo governo de Donald Trump.

    Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os produtos que ficaram de fora da nova cobrança representam cerca de 63,5% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro aos Estados Unidos. Dessa forma, boa parte das vendas do setor continua preservada.

    Além disso, a decisão americana leva em consideração a dependência da indústria dos EUA de determinados insumos produzidos no Brasil. Conforme explicou a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, alguns produtos são considerados estratégicos para as cadeias produtivas norte-americanas e não possuem oferta suficiente no mercado interno.

    Apesar da importância dos Estados Unidos, o país perdeu espaço entre os principais compradores do agro brasileiro nos últimos meses. Entre janeiro e junho deste ano, o mercado americano respondeu por apenas 6% das exportações do setor. Em comparação, a China concentrou 35% das vendas, enquanto a União Europeia participou com 14%.

    De acordo com o Ministério da Agricultura, os Estados Unidos seguem como o terceiro principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. No entanto, as compras caíram 25,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

    Açúcar, etanol e frutas seguem entre os produtos tarifados

    Nem todos os segmentos conseguiram escapar da nova cobrança. Açúcar, etanol, frutas, máquinas agrícolas, parte dos pescados e o sebo bovino continuam sujeitos à tarifa adicional de 25%.

    No setor sucroenergético, a preocupação é maior entre os produtores do Nordeste. Como consequência, o governo federal publicou uma medida provisória para reduzir parte das perdas. O programa prevê uma subvenção de R$ 12 por tonelada de cana comercializada, beneficiando milhares de agricultores.

    Já o etanol também permaneceu na lista dos produtos taxados. Ainda assim, representantes do setor avaliam que os impactos tendem a ser limitados. Isso ocorre porque os Estados Unidos representam uma parcela relativamente pequena das exportações brasileiras do biocombustível.

    Na fruticultura, a situação também exige atenção. Uvas, melões e melancias terão aumento na carga tributária para entrar no mercado americano. Por isso, produtores e exportadores estudam novas estratégias comerciais e aceleram a busca por mercados alternativos.

    O setor de máquinas agrícolas também será afetado. Entretanto, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) acredita que os reflexos devem ser moderados, já que as exportações para os Estados Unidos representam uma fatia reduzida do faturamento da indústria.

    Entre os pescados, o filé de tilápia congelado permaneceu sujeito à cobrança, assim como lagostas vivas e algumas algas destinadas à alimentação humana.

    Além disso, o sebo bovino segue na lista dos produtos tributados. A Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra) informou que continuará trabalhando para tentar reverter essa decisão junto às autoridades americanas.

    Café, carne bovina e suco de laranja estão entre os isentos

    Por outro lado, alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil ficaram livres da nova tarifa. A decisão foi recebida com alívio por diferentes cadeias do agronegócio.

    O café está entre os maiores beneficiados. A ampliação da isenção incluiu também o café solúvel não aromatizado, fortalecendo a posição do Brasil como maior produtor e exportador mundial do produto.

    A carne bovina também escapou da cobrança adicional. Atualmente, os Estados Unidos enfrentam um período de baixa oferta de gado, fator que aumenta a necessidade de importações brasileiras para abastecer o mercado local.

    Outro destaque é o mel. O Brasil responde por aproximadamente 75% do fornecimento de mel orgânico consumido pelos americanos. Dessa maneira, a manutenção da isenção evita aumento de custos para consumidores e importadores dos Estados Unidos.

    Na piscicultura, parte dos pescados permaneceu isenta. Entre eles estão a tilápia inteira e o filé fresco de tilápia. Segundo entidades do setor, essa decisão pode impulsionar as exportações brasileiras nos próximos meses.

    O suco de laranja também ficou fora da nova tarifa. A isenção reflete a forte dependência do mercado americano da produção brasileira. Além disso, a citricultura da Flórida enfrenta dificuldades provocadas pelo greening, doença considerada uma das maiores ameaças aos pomares de laranja no mundo.

    Enquanto isso, os setores que permanecem sujeitos à tarifa acompanham as negociações entre Brasil e Estados Unidos. Ao mesmo tempo, produtores e exportadores buscam diversificar mercados e reduzir os impactos da nova política comercial sobre o agronegócio brasileiro.

  • Etanol cai em São Paulo apesar do aumento da mistura

    Etanol cai em São Paulo apesar do aumento da mistura

    Os preços do etanol continuam em queda no mercado de São Paulo. A oferta crescente e a demanda fraca pressionam as cotações. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as férias escolares reduziram o fluxo de veículos. Como resultado, o consumo de combustíveis perdeu força.

    Na semana passada, distribuidoras compraram pequenos volumes em São Paulo. Em alguns casos, elas buscaram maiores quantidades em outros estados. Mesmo assim, vendedores precisaram reduzir ainda mais os preços para fechar negócios.

    Além disso, o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina não impulsionou a demanda. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a elevação da mistura de 30% para 32% na última terça-feira (14). A medida entrará em vigor em 1º de agosto. Ela terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período.

    Segundo o Cepea, a mudança ainda não gerou efeitos concretos sobre o mercado. Os pesquisadores também destacam que algumas usinas anteciparam vendas quando os preços estavam mais atrativos. Por isso, essas unidades reduziram a participação nas negociações do mercado spot nas últimas semanas.

    Açúcar cristal mantém oscilações em São Paulo

    Os preços do açúcar cristal branco continuam oscilando no mercado paulista. Nos últimos dias, as cotações registraram altas expressivas. O movimento acompanhou a valorização do mercado internacional. Ainda assim, a recuperação não definiu uma tendência consistente para os preços.

    Segundo pesquisadores do Cepea, a volatilidade resulta das mudanças constantes em fatores do mercado interno e externo. Esse cenário dificulta uma direção mais clara para as cotações. Ao mesmo tempo, a produção atende às expectativas do setor. As condições climáticas favorecem o desenvolvimento da safra. Com isso, a oferta abastece o mercado interno e ainda garante excedentes para exportação.

  • Tarifa dos EUA deve atingir 36,5% do agro brasileiro

    Tarifa dos EUA deve atingir 36,5% do agro brasileiro

    A tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos deve atingir 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para o mercado americano, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A medida entra em vigor na próxima quarta-feira (22).

    A entidade informou que a ampliação da lista de produtos isentos reduziu o impacto da medida sobre o setor. Mesmo assim, parte das vendas brasileiras continuará sujeita à cobrança. A diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, afirmou que a entidade recebeu com preocupação o resultado da investigação conduzida pelo governo americano. Segundo ela, a inclusão de novos produtos na lista de exceções preservou 63,5% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro aos Estados Unidos.

    Isentos da tarifa

    Entre os produtos excluídos da tarifa estão pescados, mel e café solúvel. De acordo com Mori, a ampliação das exceções ocorreu após atuação técnica da CNA e de outras entidades do setor privado junto ao governo americano. “Esse resultado é fruto do trabalho realizado pela CNA e por outros representantes do setor privado, que atuaram diretamente junto ao governo americano na defesa técnica dos interesses do agro brasileiro”, afirmou.

    Madeira, arroz, ovos e açúcar continuam tarifados

    Apesar das exceções, produtos como madeira, arroz, uva, ovos e açúcar permanecem sujeitos à tarifa adicional de 25%. Segundo a CNA, esses produtos movimentaram cerca de US$ 4,6 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2025.

    A entidade também destacou a justificativa apresentada pelo governo americano para ampliar a lista de exceções. As autoridades dos EUA afirmaram que alguns produtos brasileiros são essenciais para a indústria americana. Além disso, alegaram oferta insuficiente no mercado interno e risco de impactos em setores estratégicos da economia.

    CNA continuará defendendo o agronegócio brasileiro

    Sueme Mori informou que a CNA acompanhou toda a investigação comercial. A entidade apresentou estudos técnicos e participou de consultas públicas e audiências realizadas em Washington.

    Segundo a diretora, a confederação demonstrou que a competitividade do agronegócio brasileiro resulta de produtividade, inovação e investimentos realizados ao longo de décadas. Além disso, a CNA defendeu a exclusão dos produtos agropecuários da medida. Para a entidade, Brasil e Estados Unidos mantêm cadeias produtivas complementares e uma relação comercial estratégica para ambos os países.

    Mori afirmou que a confederação continuará acompanhando o caso. Também buscará alternativas para reduzir os impactos da tarifa sobre o agronegócio brasileiro. “A CNA acredita no diálogo construtivo e continuará trabalhando em defesa do setor agropecuário brasileiro, apoiando as cadeias produtivas afetadas e buscando soluções que preservem e fortaleçam a relação comercial entre o Brasil e os EUA”, concluiu.