Os preços do etanol anidro e hidratado voltaram a cair com mais intensidade no mercado paulista. Segundo o Cepea, o clima favorável acelerou a moagem da cana-de-açúcar e ampliou a oferta do biocombustível.
Além disso, a entrada de etanol de outros estados aumentou a disponibilidade do produto em São Paulo. Como resultado, as cotações sofreram maior pressão na última semana.
Os pesquisadores do Cepea afirmam que as usinas de açúcar e etanol enfrentam forte pressão financeira. Os custos elevados e as altas taxas de juros desafiam a rentabilidade do setor. Esse cenário também amplia o endividamento das empresas sucroenergéticas. Afinal, as usinas dependem de recursos para manter as operações, investir e expandir a capacidade produtiva.
Diante desse contexto, o Cepea avalia que o setor sucroenergético enfrentará um ambiente desafiador nos próximos meses.
Açúcar mantém estabilidade com negociações pontuais
Os preços do açúcar cristal branco permanecem praticamente estáveis no mercado paulista. Segundo o Cepea, os negócios seguem pontuais. Os compradores acompanham o ritmo da safra no Centro-Sul. Ao mesmo tempo, os vendedores mantêm posição firme e evitam reduzir os preços.
Ainda conforme o Cepea, as chuvas registradas em maio e junho desaceleraram a colheita e a moagem da cana-de-açúcar. Por outro lado, as precipitações favoreceram o desenvolvimento dos canaviais que serão colhidos na segunda metade da safra.
O alerta começa no prato. Arroz, óleos vegetais, açúcar, milho, trigo e até o café podem entrar no radar de pressão nos preços caso o El Niño se confirme nos próximos meses.
O Banco Mundial estima uma probabilidade de 61% a 87% de formação do fenômeno entre meados de 2026 e 2027, com risco direto para a produção agrícola em áreas sensíveis da Ásia, da África e de parte do Leste Asiático.
O dado mais preocupante envolve o arroz. Segundo o Banco Mundial, a produção pode cair de 20% a 50% nas regiões mais afetadas pelo fenômeno. Isso acende um sinal amarelo para países dependentes do cereal e também para o mercado internacional de alimentos.
Quais alimentos podem ficar mais caros
O arroz aparece como o alimento mais vulnerável no alerta do Banco Mundial. A razão é simples: boa parte da produção mundial depende de regimes de chuva regulares, especialmente na Ásia. Quando o El Niño altera esse equilíbrio, algumas regiões enfrentam seca, enquanto outras sofrem com chuvas fora de hora.
Foto: Seapa/MG
Além do arroz, outros produtos também podem sentir os efeitos do fenômeno. Óleos vegetais, açúcar, milho, trigo e café entram no radar porque dependem de clima estável em fases decisivas da lavoura.
Uma seca no momento errado, por exemplo, pode reduzir a produtividade. Chuva excessiva na colheita também pode comprometer qualidade e oferta.
No caso do açúcar, o risco passa por países importantes na produção de cana. Já os óleos vegetais dependem fortemente da oferta de palma, soja e outras oleaginosas. Por isso, qualquer quebra relevante em países produtores pode mexer com os preços globais.
Por que o Banco Mundial acendeu o alerta
O El Niño não age sozinho. Esse é o ponto central do alerta.
O Banco Mundial afirma que o risco climático aparece em um momento de custos ainda elevados para o produtor. Na atualização mais recente sobre segurança alimentar, a instituição informou que os preços dos fertilizantes subiram 35% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mesmo com algum alívio nas últimas semanas, o mercado ainda não se estabilizou.
Foto: Divulgação AGCO
Na prática, isso significa que muitos agricultores entram na temporada com menos margem para reagir. Se o fertilizante fica caro, parte dos produtores reduz a aplicação. Quando isso se soma a seca, calor ou excesso de chuva, o impacto aparece mais tarde, na colheita.
Além disso, conflitos geopolíticos, custos de energia e gargalos logísticos continuam pressionando o mercado global de alimentos. Por isso, uma nova rodada de El Niño pode atingir um sistema que já opera sob tensão.
O que é o El Niño
O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes que o normal. Essa mudança altera a circulação dos ventos e mexe com o regime de chuvas em várias partes do planeta.
Em algumas regiões, o fenômeno aumenta o risco de seca. Em outras, provoca chuva excessiva. Para a agricultura, o problema está justamente nessa quebra de padrão.
A lavoura precisa de água no momento certo. Também precisa de temperatura adequada durante florescimento, enchimento de grãos e colheita. Quando o clima foge do roteiro, o produtor perde previsibilidade.
Como isso pode afetar o Brasil
Foto: PH Lopes/ Agro em Campo
O Brasil não aparece como o centro do alerta do Banco Mundial, mas não fica fora da conta.
Em anos de El Niño, o país costuma registrar mudanças importantes no clima. O Sul tende a enfrentar mais chuva, enquanto partes do Norte e do Nordeste podem sofrer com calor e seca. No Centro-Oeste e no Sudeste, os efeitos variam conforme a intensidade do fenômeno e a época do ano.
Para o agro brasileiro, isso pode afetar soja, milho, café, cana, arroz e pecuária. O impacto não é automático, mas o risco aumenta quando o fenômeno coincide com fases sensíveis da safra.
No café, por exemplo, calor intenso e irregularidade nas chuvas podem prejudicar florada e formação dos grãos. No milho, a falta de água durante o desenvolvimento reduz produtividade. Já no arroz, excesso ou falta de chuva pode comprometer plantio, manejo e colheita.
O bolso sente antes da estatística
O consumidor normalmente percebe a crise climática quando ela chega ao supermercado.
Primeiro, o produtor enfrenta perda de produtividade. Depois, a indústria paga mais pela matéria-prima. Em seguida, o varejo repassa parte desse aumento. Nem sempre o movimento é imediato, mas ele costuma aparecer quando a quebra de safra atinge produtos básicos ou cadeias muito dependentes de importação.
Por enquanto, o mercado global ainda tem algum alívio em grãos como milho e trigo, favorecidos por boas safras em algumas regiões. Mesmo assim, o Banco Mundial afirma que os riscos seguem inclinados para novas pressões, principalmente se o El Niño se confirmar e afetar países produtores ao mesmo tempo.
O alimento mais sensível é o arroz
Entre todos os produtos citados, o arroz merece atenção especial.
O cereal é base alimentar em países populosos da Ásia e da África. Também tem forte peso social, porque qualquer alta costuma atingir diretamente famílias de menor renda. Se a produção cair nas regiões mais expostas, governos podem restringir exportações para proteger o mercado interno.
Quando isso acontece, o preço internacional sobe. Foi assim em outras crises recentes de alimentos. O país produtor tenta segurar oferta doméstica, mas o mercado global sente a redução do volume disponível.
É por isso que o alerta do Banco Mundial sobre queda potencial de 20% a 50% na produção de arroz em áreas afetadas chama tanta atenção. Não se trata apenas de uma estatística agrícola. É um risco para a segurança alimentar.
O que observar nos próximos meses
Os próximos meses serão decisivos para confirmar a intensidade do fenômeno e seus impactos sobre as safras.
Se o El Niño ganhar força, o mercado deve acompanhar de perto a produção de arroz na Ásia, o comportamento das monções, a oferta de óleos vegetais, a safra de cana em países relevantes e o desenvolvimento de culturas como milho, trigo e café.
No Brasil, o produtor também terá de olhar para o céu com mais cuidado. O país tem tecnologia, escala e experiência para lidar com variações climáticas. Ainda assim, quando o clima muda rápido demais, até sistemas bem preparados sentem o baque.
O alerta do Banco Mundial não significa que todos esses alimentos vão subir ao mesmo tempo. Mas mostra que o risco aumentou. E, quando o clima mexe com arroz, grãos, açúcar e óleos vegetais, o impacto raramente fica restrito ao campo.
O governo federal publicou, nesta quarta-feira (1), no Diário Oficial da União (DOU), a Medida Provisória (MP) 1.374, que autoriza a concessão de R$ 270 milhões em subvenções aos produtores de cana-de-açúcar do Nordeste. A iniciativa busca amenizar os impactos enfrentados pelo setor após o tarifaço imposto pelos Estados Unidos e a queda nos preços do açúcar.
A medida foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última terça-feira (1º), durante o lançamento do Plano Safra 2026/27 voltado à agricultura familiar.
Pelas regras da MP, o governo poderá conceder R$ 12 por tonelada de cana-de-açúcar produzida e comprovadamente entregue a usinas, destilarias ou cooperativas localizadas na região Nordeste durante a safra 2025/26.
Segundo a Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), aproximadamente 16 mil agricultores serão contemplados pela medida. Atualmente, esse segmento gera cerca de 60 mil empregos na região Nordeste.
Para a União dos Produtores de Cana do Nordeste (Unida), a subvenção chega em um momento decisivo para aliviar a pressão financeira enfrentada pelos produtores.
Em nota, o presidente da entidade, Pedro Campos Neto, afirmou que o setor atravessa um período marcado pelo aumento dos custos de produção, pelos desafios climáticos e pela necessidade de manter a competitividade da atividade. Segundo ele, o auxílio contribui para preservar a sustentabilidade econômica de milhares de famílias que dependem da canavicultura.
A Unida também destacou a expectativa de que os recursos sejam operacionalizados rapidamente para que o benefício chegue aos produtores o quanto antes.
MP também libera recursos para inovação no campo
Além do apoio aos produtores de cana, a Medida Provisória autoriza a destinação extraordinária de R$ 10 bilhões do superávit financeiro do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Os recursos serão destinados ao financiamento de projetos voltados à disseminação de tecnologias e equipamentos nacionais para produtores rurais, com o objetivo de incentivar a modernização e aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro.
As chuvas nas principais regiões produtoras de cana-de-açúcar limitaram a produção de etanol no Centro-Sul brasileiro. Com menor oferta, os preços do biocombustível avançaram pela terceira semana seguida.
Segundo o Cepea, as precipitações interromperam as atividades industriais em diversas usinas. Por isso, o processamento da cana perdeu ritmo e reduziu a disponibilidade de etanol. Como consequência, as usinas elevaram os preços ofertados ao mercado. Ainda assim, algumas unidades negociaram valores menores devido à liquidez limitada.
Do lado da demanda, as distribuidoras mantiveram uma postura cautelosa durante as negociações. Os compradores acompanham o bom desempenho da produção de etanol na safra 2026/27 antes de ampliar as aquisições.
Chuvas também favorecem preços do açúcar
O mercado de açúcar cristal branco também reagiu às chuvas na última semana. As precipitações reduziram o ritmo da colheita e diminuíram a oferta do produto no mercado paulista à vista. Com isso, os preços registraram leve recuperação.
Mesmo diante desse cenário, compradores continuam resistentes às negociações. Eles esperam novas quedas nos preços e mantêm a liquidez reduzida.
Oferta elevada limita reação do açúcar
Segundo o Cepea, o mercado ainda percebe uma oferta relativamente abundante de açúcar. Além disso, agentes destacam a expansão da produção de etanol de milho e a elevada capacidade instalada de açúcar no Centro-Sul.
Esses fatores seguem limitando altas mais expressivas nos preços do açúcar, mesmo com a redução temporária da oferta provocada pelas chuvas.
Após um período de pressão provocado pelo aumento da oferta mundial, os preços do açúcar podem voltar a ganhar sustentação no mercado internacional. O motivo está nas crescentes preocupações com o avanço do El Niño e seus possíveis efeitos sobre a produção da commodity nos principais países produtores.
De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, embora o Brasil, maior produtor e exportador global de açúcar, deva atravessar o fenômeno climático com impactos relativamente moderados, importantes países do Hemisfério Norte podem enfrentar um cenário mais seco nos próximos meses. Dessa forma, aumentam os riscos para a produtividade agrícola e para a disponibilidade de açúcar na próxima safra.
No caso brasileiro, a consultoria destaca que a cana-de-açúcar já ultrapassou sua principal fase de desenvolvimento para a safra 2026/27. Além disso, os efeitos mais significativos do El Niño tendem a se concentrar na região Sul do país, área que possui participação limitada na produção nacional da cultura.
Por outro lado, a Hedgepoint observa que um clima mais chuvoso, caso avance além do Centro-Sul, pode desacelerar o ritmo de moagem. Ainda assim, a avaliação para o setor segue positiva. A expectativa é que a produção brasileira de cana supere 600 milhões de toneladas pelo quarto ciclo consecutivo. Para a safra 2026/27, a estimativa alcança cerca de 635 milhões de toneladas.
Enquanto o foco permanece na safra atualmente em desenvolvimento, agentes do mercado também observam os possíveis reflexos do fenômeno climático nos próximos ciclos produtivos.
Caso o El Niño ganhe força durante o segundo semestre de 2026 e permaneça ativo ao longo de parte de 2027, os impactos poderão ultrapassar a temporada atual. Assim, o fenômeno poderá influenciar expectativas de oferta e decisões estratégicas do mercado global.
“Um maior volume de chuvas na região Sul do Centro-Sul pode ser positivo para o desenvolvimento de 2027/28, apesar de ainda ser muito cedo para afirmar qualquer tendência”.
Índia e Tailândia na mira
Enquanto o Brasil tende a enfrentar efeitos mais limitados, a atenção dos participantes do mercado se concentra em importantes produtores do Hemisfério Norte.
Índia e Tailândia figuram entre os países historicamente mais vulneráveis às condições climáticas associadas ao El Niño. Nesses locais, a redução das chuvas e o aumento das temperaturas podem elevar o risco de estresse hídrico nos canaviais.
Como consequência, tanto a produtividade quanto a disponibilidade de matéria-prima para a fabricação de açúcar podem ser afetadas na safra 2026/27, cujo ciclo tem início em outubro de 2026.
Dependência global do Brasil pode crescer
Apesar do atual cenário de oferta global mais confortável, o mercado já começa a precificar os possíveis efeitos do fenômeno climático sobre as próximas temporadas.
Historicamente, episódios de El Niño alteram os padrões de precipitação em diversas regiões produtoras de cana-de-açúcar, influenciando diretamente os índices de produtividade agrícola. Por isso, a intensidade e a duração do evento permanecem entre os principais fatores observados pelos agentes do setor.
Se o fenômeno se intensificar ao longo da segunda metade de 2026 e avançar por 2027, o papel do Brasil poderá ganhar ainda mais relevância para o equilíbrio da oferta mundial.
As chuvas recentes nas regiões produtoras de cana-de-açúcar de São Paulo interromperam parte da moagem. Com isso, a oferta de etanol diminuiu e os preços registraram leve alta.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que vendedores mantiveram firmeza nos preços. Além disso, muitos participaram do mercado spot apenas para gerar receita.
Por outro lado, distribuidoras ampliaram as compras na última semana. O movimento elevou o volume negociado de etanol anidro e hidratado em comparação ao período anterior. Apesar disso, agentes do mercado ainda esperam ampla oferta de etanol durante a safra 2026/27.
Negócios com etanol avançam
O volume negociado de etanol anidro no mercado spot paulista mais que dobrou na última semana. Já as negociações de etanol hidratado cresceram 81,5% no mesmo comparativo, segundo cálculos do Cepea.
Açúcar cristal amplia perdas
Enquanto o etanol ganhou força, o açúcar cristal branco continuou em queda no mercado paulista. Segundo pesquisadores, os compradores seguem retraídos. Muitos aguardam novas baixas diante da oferta abundante neste início da safra 2026/27. A movimentação reduzida também contribuiu para a pressão sobre os preços.
El Niño preocupa produtores
No cenário climático, a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos, confirmou a ocorrência do fenômeno El Niño. O fenômeno pode aumentar os riscos para a produção de açúcar em importantes regiões produtoras, como Índia, Tailândia e partes do Brasil.
No Centro-Sul brasileiro, as previsões indicam mais chuvas. Esse cenário pode dificultar a colheita e o processamento da cana-de-açúcar. Como consequência, a oferta imediata da matéria-prima pode ficar mais limitada.
Mercado global pressiona cotações
No mercado internacional, os preços do açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York seguiram em queda. As cotações recuaram diante das expectativas de maior oferta global de açúcar no curto prazo.
As cotações do etanol hidratado recuaram no mercado paulista pela segunda semana consecutiva neste começo de junho.
Segundo pesquisadores do Cepea, os preços atuais estão próximos dos custos de produção das usinas. Por isso, parte dos vendedores decidiu se afastar temporariamente do mercado spot e aguarda novos movimentos das cotações.
Além disso, o desempenho positivo da safra de cana-de-açúcar contribui para a pressão sobre os preços. Com o avanço da moagem, as usinas ampliam os estoques de etanol e aumentam a oferta disponível.
De acordo com o Cepea, nem mesmo o feriado de Corpus Christi estimulou as negociações. Os compradores mantiveram aquisições reduzidas, já que haviam fechado volumes maiores nas semanas anteriores.
Mercado de açúcar segue com baixa movimentação
O mercado spot paulista de açúcar cristal branco também registra ritmo lento neste início de junho. A oferta abundante no começo da safra 2026/27 mantém os preços enfraquecidos e reduz o interesse dos agentes por novos negócios.
No mercado internacional, os contratos de açúcar demerara começaram a semana passada em alta na Bolsa de Nova York. As cotações receberam suporte das preocupações climáticas, principalmente na Índia.
Entretanto, o aumento da oferta global da commodity passou a pressionar os preços nos dias seguintes. Como resultado, os ganhos observados no início do período perderam força.
As chuvas nas principais regiões produtoras de cana-de-açúcar de São Paulo reduziram o ritmo de moagem recentemente. Segundo o Cepea, as paralisações pontuais diminuíram o processamento nas usinas paulistas.
Além disso, algumas unidades interromperam temporariamente as negociações no mercado de etanol. Outras usinas, porém, mantiveram ofertas mais firmes e sustentaram os preços em níveis elevados. Com isso, os preços do etanol hidratado subiram na semana passada em São Paulo.
O avanço interrompeu uma sequência de oito semanas consecutivas de queda do biocombustível. Ainda segundo o Cepea, distribuidoras concentraram esforços na retirada de volumes comprados anteriormente. Por isso, o número de novos negócios permaneceu limitado durante o período analisado.
Os estoques formados nas semanas anteriores atenderam a demanda imediata das distribuidoras. Além disso, compradores seguiram atuando de forma pontual e evitaram recomposições maiores. O mercado espera aumento da oferta com o avanço da safra 2026/27.
Açúcar
Enquanto isso, o mercado spot paulista de açúcar cristal manteve ritmo lento na última semana. De acordo com o Cepea, compradores continuam retraídos e aguardam novas quedas nos preços.
O cenário reforça expectativas de oferta abundante. Por outro lado, projeções recentes apontam recuo no ATR médio da cana-de-açúcar. Além disso, o mix de produção mais voltado ao etanol pode limitar a oferta de açúcar. Esse movimento pode reduzir a disponibilidade do produto no curto prazo.
No mercado internacional, o açúcar demerara perdeu força na Bolsa de Nova York. Segundo o Cepea, o avanço das exportações da Tailândia pressionou as cotações internacionais. As vendas externas tailandesas cresceram nos primeiros quatro meses de 2026.
Os preços dos etanóis hidratado e anidro seguiram em queda no mercado paulista na última semana. Segundo o Cepea, o hidratado recuou pela oitava semana consecutiva. Já o anidro caiu pela sétima semana seguida.
As usinas paulistas tentaram sustentar os preços durante a semana passada. Porém, a demanda menor das distribuidoras pressionou o mercado. Além disso, algumas unidades precisaram negociar volumes rapidamente. A necessidade de caixa e a pressão de tancagem reduziram os preços. Com isso, as cotações fecharam a semana em baixa no mercado paulista.
Segundo o Cepea, muitas distribuidoras reduziram novas aquisições. As empresas consideraram suficientes os volumes comprados anteriormente. Assim, parte das distribuidoras permaneceu fora do mercado spot. O foco ficou na retirada do produto já adquirido.
Ainda conforme o Centro de Pesquisas, fatores climáticos podem limitar novas quedas. A previsão de chuvas pode interromper temporariamente a moagem. Esse cenário pode aliviar a pressão de tancagem enfrentada pelas usinas.
O mercado também acompanhou o anúncio da Petrobras sobre possíveis reajustes na gasolina. A medida pode trazer maior estabilidade ao setor de combustíveis.
Açúcar registra negociações lentas
O mercado spot de açúcar operou com baixa liquidez na última semana. Pesquisadores do Cepea afirmam que esse comportamento costuma ocorrer no início da safra. Compradores priorizam contratos anteriores, enquanto vendedores ajustam o novo ciclo produtivo.
As negociações concentraram-se no açúcar de coloração mais escura e qualidade inferior. Por outro lado, a oferta de açúcar de melhor qualidade permaneceu restrita no mercado.
Diante desse cenário, as usinas resistiram à redução dos preços. Esse movimento limitou o avanço das negociações. Segundo o Cepea, uma recuperação mais consistente dependerá do mercado externo. O Centro de Pesquisas destaca a importância da valorização do contrato nº 11 da ICE Futures, em Nova York.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Polícia Federal (PF) apreenderam aproximadamente 48 toneladas de açúcar VHP com suspeita de adulteração no Porto de Paranaguá (PR). A carga, destinada à exportação, apresentava material insolúvel ,aparentemente areia, em quantidade acima do limite permitido pela legislação brasileira.
Foto: MAPA
Testes preliminares realizados no momento da coleta identificaram a contaminação. A análise serve para verificar a pureza do açúcar e detectar possíveis fraudes. Diante dos indícios, auditores fiscais federais agropecuários do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal no Paraná (Sipov/PR) coletaram amostras e as encaminharam ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Goiás (LFDA/GO) para confirmação analítica.
A empresa responsável pela carga já foi autuada. Como não há rastreabilidade sobre o material misturado ao açúcar, o Mapa considera o produto um risco à defesa agropecuária e deve determinar sua destruição, conforme a legislação ambiental vigente.
Se os laudos laboratoriais confirmarem a fraude, a carga pode ser desclassificada e declarada imprópria para consumo. O caso também pode gerar sanções administrativas e desdobramentos criminais contra os responsáveis.
Ação integrada desde 2024
A operação faz parte de uma articulação permanente entre a Polícia Federal, as autoridades portuárias e o Mapa no combate a fraudes em cargas de exportação, em vigor desde 2024. O trabalho conjunto fortalece a segurança, a rastreabilidade e a credibilidade das operações no Porto de Paranaguá. Especialmente em granéis agrícolas como soja, farelo de soja e açúcar.
O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de açúcar, com cerca de 25% da produção global e aproximadamente 50% das exportações mundiais. Em 2024, o país exportou volume recorde de 38,24 milhões de toneladas, com receita superior a US$ 18,6 bilhões.
Fraudes em cargas de exportação ameaçam esse desempenho. Adulterações podem comprometer mercados estratégicos, elevar exigências sanitárias de países importadores e causar prejuízos econômicos e reputacionais ao agronegócio nacional. A fiscalização rigorosa protege tanto a confiança dos compradores internacionais quanto a integridade do sistema de inspeção brasileiro.