Tag: abelhas

  • Abelhas mais saudáveis ajudam a preservar o equilíbrio dos ecossistemas

    Abelhas mais saudáveis ajudam a preservar o equilíbrio dos ecossistemas

    Durante a entressafra, quando há menor oferta de néctar e pólen, as abelhas sofrem com a falta de nutrientes essenciais. Esse cenário pode comprometer a saúde dos enxames e reduzir a eficiência da polinização, processo vital para a reprodução de mais de 70% das espécies de plantas cultivadas no mundo.

    Um suplemento nutricional desenvolvido por uma empresa do Rio Grande do Sul está ajudando a manter colmeias saudáveis e ativas durante períodos de escassez de flores, contribuindo diretamente para o equilíbrio dos ecossistemas e a produtividade agrícola no Brasil.

    Segundo Cesar Souza, diretor executivo da Védera, empresa responsável pelo desenvolvimento do suplemento em pó, a baixa oferta de nutrientes naturais reduz o metabolismo das abelhas, enfraquece os enxames e ameaça o papel desses polinizadores no ciclo ecológico. “Preservar a saúde das abelhas significa preservar cadeias inteiras de vida, do alimento ao solo”, destaca Souza.

    Resultados positivos no campo

    O apicultor Alisson Paulinelli, dos Apiários Paulinelli (RS), utiliza o suplemento há dois anos em suas 220 colmeias e relata melhorias significativas. “Na entressafra e também no final da primavera, percebo aumento na postura das rainhas e maior atividade dos enxames. As abelhas permanecem ativas, o que mantém o ciclo ecológico funcionando”, afirma.

    Já o professor Eduardo Ferreira, do Instituto Federal do Espírito Santo – Campus Santa Teresa, criador de abelhas sem ferrão, destaca que o suplemento Melero evita a queda de postura mesmo nos períodos mais secos. “Conseguimos manter a saúde das colmeias em níveis semelhantes aos da primavera, o que é raro nessa época. Isso impacta diretamente a continuidade da polinização.”

    Preservação ambiental e produtividade

    Com mais de 2 milhões de colmeias, o Brasil é um dos maiores produtores de mel do mundo. No entanto, além da produção, o país enfrenta o desafio de conservar sua biodiversidade, na qual as abelhas desempenham papel fundamental. Investir na saúde desses polinizadores é garantir a sustentabilidade dos ecossistemas e a segurança alimentar do futuro.

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  • Apicultura migratória: abelhas turbinam a produção de maçã

    Apicultura migratória: abelhas turbinam a produção de maçã

    As abelhas fazem mais do que produzir mel: elas polinizam 73% das espécies agrícolas cultivadas no mundo, garantindo a alimentação da humanidade. No Brasil, o trabalho das abelhas gera um impacto econômico de R$43 bilhões na produção de alimentos. Um exemplo claro está na produção de maçã, cultura altamente dependente da polinização. Em 2023, Santa Catarina, maior produtor brasileiro da fruta, colheu 628 mil toneladas, somando R$1 bilhão. Desse total, R$988 milhões resultam diretamente da ação das abelhas.

    A importância da polinização faz com que a presença de colmeias cresça nos pomares catarinenses. Alguns fruticultores investem em apiários próprios próximos às plantações, enquanto outros alugam colmeias durante o período de floração. Essa prática, chamada apicultura migratória, gera renda extra para os apicultores, que recebem em média R$125 por colmeia alugada.

    Segundo a Epagri, das 358 mil colmeias em produção no estado, cerca de 51,9 mil servem para polinizar macieiras. Esse serviço movimenta aproximadamente R$6,4 milhões por ano e beneficia tanto apicultores quanto produtores de maçã. Rodrigo Durieux da Cunha, coordenador de apicultura da Epagri, explica que apicultores do Litoral Sul levam suas colmeias para a serra durante a floração das macieiras, aproveitando para gerar renda extra em períodos em que a produção de mel no litoral diminui. Em anos com clima seco ou chuvoso, o aluguel das colmeias ajuda a compensar perdas na safra de mel.

    Polinização e qualidade da maçã

    A polinização influencia diretamente a qualidade e simetria das maçãs. André Sezerino, pesquisador da Epagri na Estação Experimental de Caçador, destaca que maçãs bem polinizadas apresentam de oito a dez sementes, são mais redondas e alcançam classificações superiores.

    Os fruticultores confirmam que o investimento no aluguel de colmeias traz ganhos financeiros, melhora a produtividade e aumenta a durabilidade dos frutos. Rodrigo ressalta ainda que a prática reduz o uso de agrotóxicos, já que os produtores passam a aplicar esses insumos de forma correta para proteger os polinizadores.

    Renan Lima Pereira, fruticultor de São Joaquim, iniciou na apicultura em 2019 após perceber a importância da polinização para a maçã. Antes, ele contava com oito colmeias naturais, sem manejo específico. Após orientação da Epagri, passou a usar de 8 a 10 colmeias por hectare, seguindo recomendações técnicas.

    Além de produzir mel e maçã, Renan aluga colmeias para polinização

    Renan observa que a produtividade aumenta entre 20% e 25% com a polinização adequada, além de obter maçãs mais simétricas e com maior resistência a podridões durante o armazenamento. Ele e o irmão Breno também mantêm o Apiário Flor de Altitude, com 450 colmeias que produzem cerca de 8 toneladas de mel por ano. Além disso, alugam entre 250 e 300 colmeias anualmente para produtores da região, faturando cerca de R$47 mil por ano com o serviço.

    Antes de instalar as colmeias, Renan realiza mapeamento aéreo e planeja a distribuição, considerando que as abelhas atuam melhor num raio de 300 metros. O aluguel varia entre R$150 e R$175 por colmeia, que permanece no pomar durante um mês. Ele destaca o apoio técnico da Epagri, fundamental para o sucesso do manejo.

    Apoio técnico e políticas públicas

    A Epagri promove capacitações e assistência técnica para apicultores e fruticultores, reforçando a importância da polinização. Em 2024, a instituição realizou 2.073 atendimentos nas regiões produtoras de maçã em Santa Catarina, como Lages, São Joaquim e Videira.

    Em 2023, Santa Catarina lançou o programa Poliniza SC, a primeira política pública estadual para incentivar a polinização migratória. O programa oferece crédito de até R$10 mil para fruticultores alugarem colmeias, com prazo de pagamento de cinco anos e sem juros. A Epagri elabora os projetos de crédito nos municípios para facilitar o acesso das famílias rurais.

    André Sezerino ressalta que o manejo da polinização deve começar antes da implantação do pomar, envolvendo escolha das variedades, preparo do solo, arranjo das plantas e tratos culturais até a época da floração e manejo das abelhas.

    A polinização cruzada, que transfere pólen entre variedades como Fuji e Gala, é essencial para a qualidade da maçã. Por isso, recomenda-se plantar cultivares diferentes próximos uns dos outros.

    A pesquisa indica o uso mínimo de seis colmeias com abelhas com ferrão por hectare. Abelhas nativas complementam a polinização, especialmente porque voam melhor sob as telas antigranizo usadas nos pomares. Usar de 10 a 12 colmeias de abelhas nativas por hectare pode aumentar a produção em até 5 toneladas por hectare comparado a áreas sem telas e sem abelhas sem ferrão.

    O manejo correto do pomar e das colmeias gera mais renda e contribui para o meio ambiente. Mais abelhas significam mais polinização nos pomares e nas matas próximas, pois esses insetos buscam fontes variadas de alimento e resinas para seus enxames. Com a parceria dos agricultores, as abelhas fortalecem sua missão essencial de alimentar o planeta.

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  • Crise das abelhas no Texas ameaça produção agrícola

    Crise das abelhas no Texas ameaça produção agrícola

    As abelhas, essenciais para a produção de alimentos, enfrentam uma grave ameaça no Texas. O colapso das colônias preocupa agricultores e especialistas. Atualmente, apicultores do Texas relatam perdas alarmantes em suas populações de abelhas. Segundo a Food & Wine, os produtores comerciais perderam cerca de dois terços das colônias no último ano.

    Além disso, uma pesquisa do Projeto Apis m., organização focada em pesquisas sobre abelhas, confirmou o cenário preocupante. O levantamento revelou que apicultores dos Estados Unidos perderam mais de 60% de suas colônias, causando prejuízos de US$ 635 milhões. “Se um apicultor comercial tem 500 colmeias, ele prevê perdas de aproximadamente 60%”, explicou Dennis Taylor ao Texas News Channel 6 Now. “Isso será um divisor de águas para a recuperação deles”, completou.

    O Texas desempenha papel central no sistema alimentar dos Estados Unidos. O estado é o quarto maior produtor agrícola do país e cultiva mais de 600 culturas especiais. Entre os principais cultivos estão pepinos, melões, abóboras e frutas vermelhas. Muitas dessas culturas dependem diretamente dos polinizadores para gerar frutos.

    Impacto nas prateleiras dos supermercados

    As abelhas polinizam cerca de um terço de tudo o que comemos. Portanto, o declínio populacional pode afetar toda a cadeia de produção de alimentos. “A queda nas populações de abelhas pode reduzir rendimentos, aumentar custos de produção e elevar preços nos supermercados”, alertou a entomologista Tracy Ellis, da FarmSense. Conforme destacou Ellis, vários fatores impulsionam essa crise.

    Entretanto, os ácaros varroa continuam sendo o maior desafio enfrentado pelos apicultores. Esses parasitas atacam as larvas das abelhas e transmitem vírus mortais. Paralelamente, a perda de habitat e eventos climáticos extremos também dificultam a sobrevivência das abelhas no Texas.

    Crise ameaça outros estados e países

    O problema, no entanto, não se limita ao Texas. A Califórnia, maior produtora agrícola dos Estados Unidos, depende das abelhas texanas para polinizar plantações de amêndoas. “Em alguns casos, vamos perder empresas de apicultura”, afirmou Geoffrey Williams, professor de agricultura da Universidade de Auburn.

    Segundo Tracy Ellis, os polinizadores são extremamente móveis. Por isso, uma crise localizada pode rapidamente se espalhar, afetando sistemas alimentares em outros estados e até em outros continentes.

    Como ajudar as abelhas

    Embora o problema pareça distante, todos podem ajudar a proteger as abelhas em seu dia a dia. Uma das principais ações é criar habitats seguros. “Plante árvores floridas, arbustos e plantas nativas para alimentar e proteger os polinizadores”, recomendou Ellis.

    Além disso, evitar pesticidas químicos pode reduzir os danos às já vulneráveis populações de abelhas. Outra forma de apoio é optar por produtos da estação e reduzir o desperdício de alimentos. Por fim, comprar de agricultores locais e apoiar políticas ambientais fortalecem ainda mais a preservação das abelhas a longo prazo.

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  • Apicultor é condenado a indenizar casal após ataque de abelhas

    Apicultor é condenado a indenizar casal após ataque de abelhas

    A 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) manteve a decisão da Comarca de João Pinheiro, no Noroeste do estado, e condenou um apicultor a pagar indenização por danos morais e materiais a um casal, após um ataque de abelhas que resultou na morte do cachorro deles.

    O valor da indenização é de R$ 5 mil para cada um dos envolvidos, por danos morais, além de R$ 231,51 por danos materiais.

    O incidente ocorreu em 4 de outubro de 2020, quando o casal, que caminhava com sua cadela em um distrito de João Pinheiro, foi atacado por um enxame de abelhas africanas. O animal foi levado a uma clínica veterinária, mas não resistiu às feridas provocadas pelas picadas e morreu. Além disso, o casal também sofreu ferimentos, com picadas nos braços, pernas, rosto, mãos e cabeça.

    O réu, apicultor da região, apresentou ao tribunal a autorização que possui para a criação das abelhas. No entanto, o juiz Hugo Silva Oliveira, da 1ª Vara Cível, Criminal e da Infância e Juventude de João Pinheiro, entendeu que a documentação não eximia o apicultor de sua responsabilidade pelo acidente.

    Em análise do recurso do criador de abelhas, a desembargadora Shirley Fenzi Bertão, relatora do caso, reafirmou a sentença inicial. Ela destacou que, embora o apicultor possuísse a autorização para a criação das abelhas, ele deveria adotar medidas de precaução, considerando os riscos potenciais à comunidade. A desembargadora ainda ressaltou que o apicultor foi negligente ao não prestar socorro às vítimas do ataque.Os desembargadores Rui de Almeida Magalhães e Marcelo Pereira da Silva acompanharam o voto da relatora, mantendo a decisão de condenação ao apicultor.

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  • Abelhas sem ferrão: paixão e renda para agricultoras no Pará

    Abelhas sem ferrão: paixão e renda para agricultoras no Pará

    No coração do Pará, uma revolução silenciosa está transformando a vida de agricultoras. O curso “Meliponicultura para Mulheres”, realizado em Paragominas, despertou a paixão pela criação de abelhas nativas sem ferrão, uma atividade promissora para a economia local e a preservação ambiental.

    Antes vistas como ameaças, as abelhas sem ferrão agora encantam as mulheres da zona rural. “A minha visão das abelhas mudou completamente. Hoje eu quero me aproximar cada vez mais delas e conhecê-las mais”, relata Núbia de Souza, da comunidade Vila Formosa. A admiração é compartilhada por outras participantes, que destacam a importância das abelhas na produção de alimentos e na manutenção da floresta.

    Meliponicultura: atividade inclusiva e sustentável

    A meliponicultura – criação de abelhas sem ferrão do gênero Melipona – é uma atividade acessível e promissora. O Brasil abriga mais de 250 espécies nativas, sendo 119 encontradas no Pará.

    Em cada colônia – ou caixa de abelha, as mulheres observaram a organização social e o trabalho de diferentes espécies de abelhas nativas sem ferrão. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    A pesquisadora Márcia Maués, da Embrapa Amazônia Oriental, ressalta que a atividade dispensa equipamentos sofisticados, apresenta um processo simples e pode ser realizada perto de casa. Além disso, contribui para a segurança alimentar, gera renda e auxilia na conservação da biodiversidade.

    Embrapa impulsiona conhecimento e renda

    O curso, promovido pela FAO em parceria com a Associação Abelha e com execução técnica da Embrapa, abordou a biologia das abelhas, sua relação com as plantas e técnicas de manejo e criação racional. As participantes receberam colônias de abelhas e a expectativa é que multipliquem o conhecimento e as colônias, gerando renda e desenvolvimento local.

    Pesquisas da Embrapa mostram que a introdução de colmeias em plantios de açaí pode aumentar a produtividade dos açaizeiros de 30% a 70%. Criadores de abelhas podem explorar esse serviço de polinização comercialmente, impulsionando ainda mais a economia da região.

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  • Abelhas têm impacto na produtividade de lavouras de arroz

    Abelhas têm impacto na produtividade de lavouras de arroz

    Uma pesquisa recente realizada pela Embrapa revelou que as abelhas desempenham um papel crucial na produtividade das lavouras de arroz anã no centro-norte do Rio de Janeiro. A polinização por abelhas foi responsável por 56% do peso da produção e 50% da quantidade de grãos. E destaca a importância desses insetos na cultura do arroz.

    Os experimentos foram conduzidos em sete áreas de produção de arroz anã, utilizando sacos de organza e filó para isolar as flores e comparar a produção de plantas polinizadas por abelhas com aquelas que não receberam essa polinização. Os resultados mostraram que as panículas expostas às abelhas apresentaram um peso médio de 3,9 gramas de grãos cheios. Enquanto as isoladas apresentaram apenas 2,5 gramas.

    A pesquisa faz parte de um projeto que visa obter a indicação geográfica para o arroz anã de Porto Marinho. Essa é uma variedade cultivada por agricultores familiares na região. O estudo é fruto de uma parceria entre a Embrapa, o Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa), a Emater-Rio, o Sebrae-RJ, o Instituto Inovates e a Unirio, com financiamento da Faperj.

    Importância das abelhas nas lavouras de arroz

    A baixa intensidade de vento na região de Porto Marinho torna a polinização por abelhas ainda mais crucial. Pois reduz a eficácia da anemofilia (polinização por vento) e autopolinização. Além disso, as abelhas podem estar relacionadas a características específicas do buquê do arroz anã, o que será investigado em futuras etapas da pesquisa.

    A pesquisa também pretende identificar as espécies de abelhas envolvidas na polinização. E avaliar como a presença desses insetos afeta as características físicas e químicas dos grãos, como aroma e sabor.

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  • Sebrae-SP leva apicultores paulistas à Apimondia 2025, na Dinamarca

    Sebrae-SP leva apicultores paulistas à Apimondia 2025, na Dinamarca

    O Sebrae-SP está com inscrições abertas para a Missão Internacional que levará até 20 empresários, produtores rurais e apicultores de São Paulo para a Apimondia 2025, a maior feira de apicultura do mundo, que acontecerá em Copenhague, Dinamarca, entre 23 e 27 de setembro. As inscrições podem ser feitas até 14 de março.

    A Apimondia, realizada a cada dois anos em diferentes locais, tem como objetivo promover conhecimento, melhores práticas, oportunidades de negócios, apresentar produtos apícolas e destacar a importância das abelhas e da apicultura. Em 2023, Santiago, no Chile, sediou o evento.

    De acordo com Márcio de Carvalho, consultor de comércio exterior do Sebrae-SP, participar da Missão Empresarial oferece benefícios como networking, conhecimento, visibilidade e oportunidades. A programação inclui seminário de abertura, visitas técnicas e três dias dedicados à Apimondia, finalizando com um Hackthon de inovação.

    O valor de participação para os selecionados é de R$ 200, cobrindo serviços técnicos do Sebrae-SP, como acompanhamento geral, traduções e ingressos para a feira. Os participantes devem arcar com os custos de passagem aérea, hospedagem e alimentação.

    Um comitê internacional organiza a Apimondia, que reúne aproximadamente 130 países. É uma oportunidade para conhecer tendências de mercado, compartilhar tecnologia e fazer negócios. As associações de apicultores da Suécia, Noruega e Dinamarca organizam o evento.

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  • Homem morre após ataque de abelhas em cemitério

    Homem morre após ataque de abelhas em cemitério

    Um enxame de abelhas atacou José Vicente Cardoso Filho, de 67 anos, causando sua morte durante um sepultamento, na tarde de quinta-feira, 23 de janeiro, no cemitério municipal de Riachão das Neves, no Oeste da Bahia.

    José acompanhava um enterro no cemitério quando os insetos o atacaram, de acordo com informações da prefeitura local. O ataque resultou em sua morte, e o município não forneceu mais detalhes sobre as circunstâncias que levaram ao incidente. A prefeitura ressaltou que o enxame estava no local há cerca de dois anos sem registros de problemas anteriores.

    De acordo com o biólogo Ronaldo Ursulino dos Santos, as abelhas envolvidas no ataque pertencem à espécie Apis mellifera, popularmente conhecidas como abelhas-europeias. Testemunhas relataram que um coveiro havia alertado os presentes sobre a presença do enxame e solicitado que evitassem fazer barulho ou se aproximar do local. No entanto, as abelhas se espalharam rapidamente, atingindo não apenas os participantes do velório, mas também pessoas nas ruas próximas.

    Atendimento às vítimas

    Em um vídeo divulgado nas redes sociais, uma pessoa narra a situação: “Tem um caído lá, a viatura está socorrendo”. Além da vítima fatal, pelo menos quatro pessoas passaram por atendimento médico no Hospital Municipal Herculano Farias e deixaram o local após receber alta.

    ataque abelhas
    Abelhas foram retiradas e levadas para local adequado. Foto: Prefeitura de Riachão das Neves

    Na tarde seguinte ao ataque, equipes do 17º Batalhão de Bombeiros Militar realizaram o resgate do enxame. Ao chegarem ao local, os bombeiros identificaram as abelhas em uma árvore alta e utilizaram um caminhão Munck fornecido pela Secretaria de Meio Ambiente do município para capturá-las com segurança. Após a operação, o enxame foi solto em uma área isolada e apropriada na natureza, garantindo a segurança da população local.

    O ataque de abelhas que resultou na morte de José Vicente Cardoso Filho destaca a importância da conscientização sobre a presença de colônias de abelhas em áreas urbanas e rurais. A ocorrência ressalta a necessidade de medidas preventivas para evitar incidentes semelhantes no futuro. As autoridades locais continuam monitorando a situação para garantir a segurança dos moradores da região.

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  • Novas espécies de abelhas-sem-ferrão são identificadas

    Novas espécies de abelhas-sem-ferrão são identificadas

    Pesquisadores identificaram novas espécies de abelhas-sem-ferrão no Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), localizado no oeste do Paraná. O estudo, realizado entre 2021 e 2023 por instituições como a Embrapa Florestas, Itaipu Binacional e Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), resultou na criação de coleções vivas e de referência, além de estabelecer protocolos para o manejo e identificação das abelhas nativas.

    Os dados coletados evidenciam a importância das abelhas-sem-ferrão, também conhecidas como meliponíneos, na manutenção dos ecossistemas por meio da polinização de plantas. Além disso, o levantamento permite direcionar políticas públicas voltadas à criação de abelhas nativas, contribuindo para a conservação da biodiversidade e o fortalecimento da meliponicultura no estado.

    Estudo detalhado e avanços científicos

    O projeto analisou espécies presentes em cerca de dois hectares no RBV, abrangendo vegetações naturais e áreas reflorestadas pela Embrapa Florestas. Linhas de amostragem (transectos) foram traçadas para capturar abelhas em todas as estações do ano, utilizando redes de mão e iscas-ninho. O levantamento também incluiu registros históricos e biológicos, possibilitando um mapeamento completo das espécies na região.

    “A análise ampla das abelhas-sem-ferrão no Paraná gera dados fundamentais para a conservação e gestão de ecossistemas locais. Esse conhecimento pode ser usado para monitoramento ambiental e até estudos moleculares futuros”, afirma Guilherme Schühli, pesquisador da Embrapa Florestas.

    A pesquisa resultou em duas coleções de abelhas-sem-ferrão: uma viva, localizada no RBV, e outra de referência, armazenada no Parque Tecnológico Itaipu. Essas coleções são essenciais para futuras pesquisas, como análises moleculares e a extração de DNA, permitindo uma melhor compreensão das interações ambientais e do comportamento das abelhas na região.

    Além disso, mais de 100 colônias foram instaladas no refúgio, utilizando técnicas de manejo sustentável, como a divisão de colônias. Essa prática ajuda a ampliar as populações de abelhas e pode beneficiar projetos ambientais e sociais, como o Poliniza Paraná, que utiliza abelhas nativas em praças e escolas.

    Educação ambiental e impactos na biodiversidade

    O projeto também promoveu ações de educação ambiental, destacando a importância das abelhas-sem-ferrão na manutenção de ecossistemas. Um exemplo curioso é a relação entre essas abelhas e a harpia, uma ave de rapina. As abelhas auxiliam na limpeza das narinas da harpia, prevenindo infecções e promovendo sua saúde.

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    Além disso, as caixas de abelhas registram uma linha cronológica das espécies vegetais da região. O pólen coletado pelas abelhas pode revelar informações sobre a flora local e possíveis contaminações ambientais, servindo como ferramenta de monitoramento ambiental.

    Entre as espécies catalogadas estão:

    • Borá (Tetragona clavipes)
    • Jataí (Tetragonisca fiebrigi)
    • Guiruçu (Schwarziana quadripunctata)
    • Canudo (Scaptotrigona depilis)
    • Arapuá (Trigona spinipes)
    • Mirim Droryana (Plebeia droryana)
    • Mirim Nigriceps (Plebeia nigriceps)

    O futuro da conservação e da meliponicultura

    O estudo reforça a importância de iniciativas de manejo sustentável para a preservação das abelhas nativas, que desempenham papel fundamental na polinização e na manutenção da biodiversidade. Além disso, a meliponicultura abre oportunidades de geração de renda, já que o mel produzido por essas abelhas pode alcançar valores até dez vezes superiores ao mel tradicional.

    Com dados robustos e contribuições significativas, o Refúgio Biológico Bela Vista se consolida como um espaço de referência para estudos sobre abelhas-sem-ferrão, servindo de modelo para iniciativas de conservação em outras regiões do Brasil.

  • Abelhas e café, uma mistura lucrativa e saborosa na xícara

    Abelhas e café, uma mistura lucrativa e saborosa na xícara

    Um estudo inédito realizado por cientistas da Embrapa Meio Ambiente e da Syngenta Proteção de Cultivos demonstrou que a introdução de colônias de abelhas manejadas em fazendas de café arábica pode transformar a produção nacional e a qualidade dos grãos, aumentando significativamente o sabor e o lucro anual do setor.

    Realizado entre 2021 e 2023 em propriedades de São Paulo e Minas Gerais, o estudo concluiu que a polinização assistida gera um aumento de 16,5% na produtividade por hectare, resultando em um potencial de crescimento de até R$ 22 bilhões na receita anual.

    Resultados impactantes na produtividade e qualidade do café

    Os pesquisadores observaram que a introdução de abelhas africanizadas (Apis mellifera) permitiu elevar a produção média de 32,5 para 37,9 sacas por hectare.

    Foto: Divulgação – Embrapa/Gustavo Facanalli

    Além disso, houve impactos expressivos na qualidade sensorial do café. A nota sensorial da bebida aumentou em 2,4 pontos, elevando parte dos grãos à categoria de “cafés especiais”. Esse salto de qualidade resultou em um acréscimo de 13,15% no valor da saca, o equivalente a um ganho de US$ 25,40 por unidade.

    Cristiano Menezes, pesquisador da Embrapa, destaca que a pesquisa demonstra a viabilidade econômica da polinização assistida como um caminho para aumentar a rentabilidade dos cafeicultores. “O uso de abelhas manejadas oferece uma oportunidade clara de ganhos econômicos, contribuindo também para uma agricultura mais sustentável e eficiente”, afirmou.

    Comparação direta e inovações do estudo

    Diferentemente de estudos anteriores, que focaram apenas em polinizadores silvestres, essa pesquisa controlou a introdução das colônias, permitindo uma comparação direta entre áreas com e sem polinização assistida.

    Colmeias foram introduzidas em uma extremidade de cada talhão, enquanto a outra contou apenas com polinização natural. A abordagem possibilitou determinar de forma precisa os impactos na produção e na qualidade dos grãos.

    Os resultados positivos motivaram cientistas a calcular um cenário em que todos os cafeicultores brasileiros adotassem a prática. Segundo as projeções, o Brasil poderia registrar um aumento de 16,5% na produtividade, elevando a produção de 39,6 milhões para 46,1 milhões de sacas, um acréscimo de 6,5 milhões de sacas.

    Além disso, os dados sugerem um aumento significativo no valor da saca, que chegaria a R$ 2.014,90, contra os atuais R$ 1.780,70. No total, o impacto econômico estimado para a adoção generalizada da polinização assistida é de R$ 22,429 bilhões.

    A convivência entre polinização e uso de defensivos

    A pesquisa também investigou a relação entre a polinização assistida e o uso de defensivos agrícolas. Foi monitorada a saúde de colmeias expostas ao tiametoxam, um inseticida amplamente utilizado na cafeicultura.

    A análise focou em três parâmetros: produção de cria, mortalidade de larvas e atividade de forrageamento, com avaliações em cinco momentos distintos. Os resultados, portanto, mostraram que, ao seguir as orientações técnicas no manejo do inseticida, a saúde das abelhas não sofreu impacto relevante.

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    Para Denise Alves, pesquisadora da Esalq/USP e coautora do estudo, “a integração entre a polinização assistida e o uso coordenado de defensivos é crucial para garantir a saúde dos polinizadores e a proteção da lavoura”.

    Ela destacou a importância de incluir essas práticas nas políticas agrícolas para proteger os polinizadores e manter o equilíbrio dos agroecossistemas.

    Benefícios econômicos e sustentabilidade

    O estudo também destaca que, além das vantagens econômicas, a polinização assistida representa, portanto, uma oportunidade única para o crescimento do setor apícola no Brasil. Para cobrir toda a área plantada de café arábica, os produtores precisariam de cerca de 6 milhões de colmeias de abelhas africanizadas.

    Esse manejo, além disso, criaria uma importante sinergia entre a produção agrícola e a criação de abelhas, o que resultaria em benefícios tanto econômicos quanto ambientais.

    Integração entre o manejo de polinizadores e a cafeicultura de larga escala tem impactos positivos também na maior sustentabilidade ambiental das lavouras.

    Guilherme Sousa, fundador da AgroBee, uma startup que conecta criadores de abelhas com produtores rurais, enfatiza que “a polinização assistida representa um dos maiores potenciais produtivos sustentáveis a serem explorados na agricultura brasileira”. De acordo com ele, a prática contribui para a conservação da biodiversidade e otimiza a produção agrícola, aliando inovação e sustentabilidade.

    Produtores como Gustavo José Facanali, que testou a técnica em suas fazendas, relatam resultados surpreendentes. Em suas propriedades, por exemplo, a produtividade aumentou de 110 para 128 sacas por hectare, com melhorias na qualidade do café. “A polinização assistida mostrou ser uma solução sustentável para os desafios da cafeicultura, especialmente diante de mudanças climáticas e instabilidade na produção”, afirmou o produtor.

    Um caminho para o futuro da cafeicultura brasileira

    O estudo evidencia o potencial transformador da polinização assistida para o setor cafeeiro, oferecendo um caminho estratégico para incrementar a produção e promover uma agricultura mais sustentável e responsável.  Entretanto, a prática beneficia não apenas a rentabilidade dos produtores, mas também a preservação ambiental, gerando um impacto positivo em toda a cadeia produtiva.

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    Jenifer Ramos, pós-doutoranda da Embrapa e coautora do estudo, considera que os resultados fornecem uma base sólida para a formulação de políticas públicas integrando sustentabilidade e produtividade. “O manejo adequado dos polinizadores melhora a qualidade do agroecossistema e gera benefícios econômicos para toda a cadeia produtiva”, conclui a pesquisadora.

    Sendo assim, com essa combinação de inovação, sustentabilidade e aumento de receita, a polinização assistida se consolida como uma estratégia essencial para o futuro da cafeicultura no Brasil.