Tag: abelhas

  • Abelhas conseguem se automedicar quando ficam doentes, aponta estudo

    Abelhas conseguem se automedicar quando ficam doentes, aponta estudo

    Um antigo ditado diz que a natureza é o melhor remédio, e as abelhas parecem concordar. Um novo estudo publicado na revista científica Royal Society Open Science sugere que abelhas-da-terra (Bombus terrestris) mudam seus hábitos alimentares quando contraem uma doença fúngica que ataca suas larvas, num possível caso de automedicação.

    Cientistas já registraram comportamentos semelhantes em outras espécies. Chimpanzés selvagens buscam plantas com propriedades analgésicas e antibacterianas quando adoecem, enquanto algumas aves forram os ninhos com pontas de cigarro para afastar ácaros, aproveitando os químicos presentes no material. Pesquisas anteriores também mostraram que abelhas melíferas com certos tipos de infecção passam a coletar mais resina vegetal, que tem função protetora.

    Diante desses precedentes, uma equipe da KU Leuven, na Bélgica, e da Universidade de Valladolid, na Espanha, decidiu investigar se as abelhas-da-terra também alteram o comportamento de forrageamento quando enfrentam diferentes patógenos.

    Flores robóticas simulam o comportamento das colônias

    Para testar a hipótese, os cientistas montaram um experimento com 18 colônias comerciais de abelhas-da-terra dentro de tendas de voo. Cada tenda continha oito flores robóticas. Quatro azuis e quatro amarelas, que ofereciam microdoses de néctar artificial. Metade das flores continha apenas água com açúcar. A outra metade, água com açúcar e quercetina, um composto natural presente no néctar e no pólen de diversas plantas e conhecido por suas propriedades antimicrobianas.

    Antes do início do experimento, os pesquisadores dividiram as colônias em três grupos e as mantiveram assim por duas semanas. Um grupo foi exposto a Ascosphaera apis, fungo que infecta e mata principalmente larvas de abelhas. Outro grupo recebeu exposição a Serratia marcescens, bactéria intestinal oportunista que afeta abelhas adultas. Já o grupo de controle recebeu apenas pólen com solução de açúcar estéril, sem qualquer patógeno.

    Um sensor instalado no orifício central de alimentação de cada flor robótica registrava cada visita das abelhas, e o sistema reabastecia automaticamente o néctar após cada consumo.

    Preferência por quercetina aumenta apenas contra o fungo

    Ao longo de cinco dias de forrageamento livre, os pesquisadores identificaram um padrão claro nas colônias expostas ao fungo Ascosphaera apis: elas visitaram cada vez mais as flores com quercetina e passaram mais tempo se alimentando delas.

    O mesmo não aconteceu com as colônias expostas à bactéria Serratia marcescens, que não apresentaram mudança significativa na preferência pelo néctar com quercetina ao longo do experimento. As colônias do grupo de controle, saudáveis, também mantiveram o padrão de consumo estável, sem migrar para o néctar com o composto antimicrobiano.

    Para os autores, esse resultado indica que a resposta das abelhas varia conforme o tipo de ameaça enfrentada pela colônia. “No geral, esses resultados indicam que a identidade do patógeno molda a plasticidade comportamental no forrageamento de néctar”, escreveram os pesquisadores no artigo.

    Cautela: automedicação ainda não está comprovada

    Apesar do padrão de comportamento identificado, os cientistas alertam que o estudo não mediu se o consumo de quercetina reduziu de fato os níveis de infecção nas colônias ou aumentou a sobrevivência das larvas. Por isso, as conclusões precisam ser interpretadas com cautela.

    “Nossos resultados não fornecem uma demonstração definitiva de automedicação formal individual ou social”, ressaltam os autores do estudo.

    Ainda assim, a descoberta abre caminho para novas pesquisas sobre como insetos sociais respondem a diferentes ameaças à saúde da colônia. E pode ajudar a entender melhor estratégias naturais de proteção contra doenças que afetam populações de abelhas em todo o mundo.

  • Cientistas revelam truque simples para evitar que abelhas invadam ninhos errados

    Cientistas revelam truque simples para evitar que abelhas invadam ninhos errados

    Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (SP) e da Universidade de Bristol, no Reino Unido, comprovaram que mudanças simples e de baixo custo diminuem os erros de navegação de abelhas-sem-ferrão dentro dos meliponários.

    A proximidade e a semelhança visual entre os ninhos confundem as operárias, que às vezes entram na colônia errada ao voltar do campo, um fenômeno conhecido como drifting.

    O erro parece inofensivo à primeira vista, mas, quando se repete com frequência, o drifting favorece a disseminação de patógenos, parasitas e até resíduos de defensivos agrícolas entre as colônias. Isso compromete a saúde dos ninhos e reduz a produção de mel.

    Ana Paula Cipriano, doutoranda da universidade britânica e integrante do Bristol Bee Group, conduz a pesquisa sob supervisão do professor Christoph Grüter e coorientação do pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Cristiano Menezes.

    A equipe avaliou duas espécies brasileiras de abelhas-sem-ferrão, a Scaptotrigona depilis e a Melipona quadrifasciata, ambas polinizadoras importantes de culturas agrícolas.

    Pequenas mudanças, grandes resultados

    Os testes compararam diferentes configurações de caixas de M. quadrifasciata, a abelha mandaçaia. Quando todos os ninhos tinham a mesma cor e as entradas apontavam para a mesma direção, a taxa de drifting chegou a 59,5%. Ao manter as caixas iguais e apenas alternar a orientação das entradas, o índice caiu para 48,1%. Já quando os pesquisadores pintaram as caixas com cores distintas, mantendo as entradas voltadas para o mesmo lado, a taxa recuou para 37,6%.

    As caixas coloridas reduziram o drifting em 21,9% na comparação com o arranjo tradicional, enquanto a alternância na direção das entradas cortou os erros em 11,4%.

    Segundo os pesquisadores, a orientação das abelhas depende não só da distância entre os ninhos. Mas também de referências visuais e espaciais usadas no retorno à colônia.

    “É a primeira vez que analisamos o efeito do arranjo dos meliponários sobre o comportamento de drifting. Apenas pintando as caixas ou invertendo a orientação das entradas já observamos uma redução significativa dos erros de navegação.”

    A descoberta abre caminho para benefícios práticos entre os meliponicultores. Além de reduzir a circulação de doenças e parasitas entre colônias, o uso de pistas visuais e diferentes orientações facilita o manejo dos ninhos em espaços reduzidos.

    “Esse resultado mostra que não é apenas a distância entre as caixas que reduz o drifting. As abelhas também utilizam pistas visuais e a orientação das entradas para encontrar sua colônia. Isso pode facilitar a organização dos meliponários e até a extração de recursos produzidos pelas abelhas, como o mel”, acrescenta o pesquisador.

    Tecnologia acompanha o voo das abelhas

    Outra frente do estudo emprega microetiquetas de radiofrequência, tecnologia ainda pouco explorada no Brasil para pesquisas com abelhas-sem-ferrão de pequeno porte. Fabricadas na Alemanha, as micro tags grudam individualmente no dorso dos insetos e representam cerca de 11% do peso corporal das abelhas.

    Os sensores registram horários de saída e retorno, duração dos voos, frequência de entradas em colônias vizinhas e períodos de maior atividade. Os pesquisadores cruzam essas informações com dados ambientais, como temperatura e umidade.

    Cipriano explica que o objetivo é entender como diferentes estressores, químicos e ambientais, interferem na capacidade de orientação das abelhas e aumentam a chance de elas confundirem as colônias.

    “Quando isso acontece com frequência, o drifting deixa de ser um evento isolado e passa a representar um risco coletivo”, constata.

    Pesticidas alteram o comportamento dos insetos?

    Entre fevereiro e abril de 2025 e 2026, os pesquisadores avaliaram também os efeitos do inseticida imidacloprido e do herbicida glifosato, dois produtos amplamente usados na agricultura. A equipe expôs as abelhas S. depilis a doses realistas, compatíveis com as encontradas em condições de campo.

    Os resultados preliminares, ainda não publicados, mostram que a exposição química altera o padrão de voo das operárias. Mesmo quando retornam aos ninhos, elas realizam menos viagens e permanecem menos tempo em atividade.

    “Com os pesticidas, elas continuam errando, mas passam a fazer menos viagens. Quando combinamos inseticida e glifosato, observamos viagens pelo menos 34% mais curtas”, observa Cipriano.

    Os dados mostram que a orientação das abelhas depende da distância entre os ninhos e também de referências visuais e espaciais durante o retorno à colônia (Foto: Ana Paula Cipriano/Embrapa)

    Além da desorientação, a redução no número e na duração das viagens pode significar menor entrada de alimento nos ninhos.

    Na próxima etapa, os pesquisadores pretendem recapturar as abelhas monitoradas para avaliar peso corporal, quantidade de pólen transportado, qualidade do néctar e possíveis reflexos sobre a nutrição das colônias.

  • Regularização da apicultura fortalece cadeia do mel

    Regularização da apicultura fortalece cadeia do mel

    A regularização da apicultura em Minas Gerais impulsiona a cadeia produtiva do mel, amplia a segurança sanitária e fortalece a confiança do consumidor. O trabalho conduzido pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) abrange desde o cadastro de produtores até a fiscalização de estabelecimentos, criando um ambiente mais seguro e competitivo para o setor.

    Quem consome mel ou própolis raramente percebe a complexidade por trás da produção. No estado, o IMA monitora áreas de criação, controla o trânsito de abelhas e fiscaliza unidades de processamento. Essas ações estruturam a cadeia apícola e valorizam os produtores que atuam dentro das normas.

    Defesa sanitária e controle de doenças

    O IMA mantém o cadastro de apicultores e meliponicultores e exige a atualização periódica das informações sobre colmeias e abelhas-rainha. O órgão também emite a Guia de Trânsito Animal (GTA), documento obrigatório para o transporte de abelhas em Minas Gerais.

    As medidas seguem o Programa Nacional de Sanidade Apícola (PNSAb), que atua na prevenção, monitoramento e controle de doenças e pragas, como o pequeno besouro das colmeias. Segundo o coordenador estadual do programa, Eduardo Lage, o controle sanitário permite mapear a atividade e definir estratégias mais eficientes de mitigação de riscos.

    Crescimento da formalização no setor

    O número de explorações apícolas e meliponícolas cadastradas no estado cresceu 145% entre abril de 2023 e maio de 2026, passando de 1.735 para 4.257 registros. O avanço reflete maior adesão dos produtores à regularização.

    De acordo com Eduardo Lage, o cadastro representa uma exigência legal e uma ferramenta essencial para proteger a atividade em situações de emergência sanitária. A rastreabilidade dos enxames, garantida pela emissão da GTA, permite respostas rápidas em casos de surtos ou pragas.

    Inspeção garante qualidade e segurança

    Os estabelecimentos que processam mel e derivados precisam de registro em serviços de inspeção municipal (SIM), estadual (SIE/IMA) ou federal (SIF). A exigência assegura fiscalização contínua e avaliação das condições sanitárias, além da qualidade das matérias-primas.

    A fiscal agropecuária Mariana Telles, da Gerência de Inspeção de Produtos de Origem Animal do IMA, destaca que a formalização reduz riscos de fraudes e amplia a oferta de alimentos seguros. Segundo ela, a rastreabilidade e a certificação aumentam a confiança do consumidor e abrem novos mercados para os produtores.

    Valorização e reconhecimento no mercado

    A regularização também impulsiona a valorização dos produtos apícolas. Um exemplo recente ocorreu no 25º Congresso Brasileiro de Apicultura (Conbrapi), realizado em Florianópolis, onde o mel do Apiário Âmbar, registrado no IMA desde 2020, conquistou o título de melhor do Brasil na categoria empresa.

    A diretora do apiário, Natálha Abreu, afirma que o acompanhamento técnico do instituto contribui para práticas sustentáveis e fortalece a credibilidade da marca junto a parceiros e consumidores.

  • Abelhas usam “ferramentas” para resolver problemas e desafiam ciência

    Abelhas usam “ferramentas” para resolver problemas e desafiam ciência

    Abelhas mamangavas demonstraram capacidade de usar ferramentas para resolver problemas, segundo um estudo publicado na revista Science. A descoberta amplia o entendimento sobre cognição animal e desafia a ideia de que insetos agem apenas por instinto.

    Pesquisadores adaptaram o clássico experimento da “caixa e banana”, criado há cerca de um século para avaliar a inteligência de chimpanzés. Nesse teste, o animal precisa empilhar caixas para alcançar uma banana fora do alcance. Ao longo dos anos, cientistas registraram esse tipo de comportamento em primatas, elefantes e corvos.

    No novo estudo, as abelhas enfrentaram um desafio semelhante. Elas precisaram rolar uma pequena bola até um ponto específico e subir nela para acessar uma flor artificial posicionada no teto de uma câmara. O espaço impedia o voo direto até a recompensa, o que exigiu uma solução alternativa.

    Os pesquisadores treinaram inicialmente as abelhas para associar a cor azul a uma recompensa de água com açúcar. Depois, transferiram a flor para uma posição inacessível. Sem treinamento prévio para aquela tarefa, os insetos tiveram que descobrir como usar a bola como ferramenta.

    Na versão mais simples do experimento, 75% das abelhas conseguiram resolver o problema. O resultado indica que elas não apenas respondem a estímulos, mas também conseguem adaptar comportamentos para atingir objetivos.

    Etapas da pesquisa

    Para descartar a hipótese de comportamento aleatório, os cientistas aumentaram o nível de dificuldade. Em uma etapa avançada, as abelhas exploraram o ambiente antes da introdução da bola. Em seguida, os pesquisadores bloquearam a visão da flor com luz vermelha. Mesmo assim, 23 das 30 abelhas lembraram a localização correta e posicionaram a bola de forma precisa.

    Segundo o ecólogo comportamental Olli Loukola, autor principal do estudo, o resultado mostra que cérebros pequenos podem gerar soluções flexíveis para problemas inéditos. Ele destaca que muitos ainda enxergam insetos como organismos puramente reflexivos, sem capacidade cognitiva relevante.

    Especialistas independentes também reforçam a importância da descoberta. Para o professor Lars Chittka, da Queen Mary University of London, as abelhas já demonstraram habilidades como contagem e manipulação de objetos, mas o novo experimento traz a evidência mais clara de compreensão prática de um desafio.

    A pesquisa reforça que o tamanho do cérebro não determina, por si só, o nível de inteligência. No caso das abelhas, o estudo indica que sistemas nervosos compactos podem sustentar comportamentos complexos e adaptativos.

  • Abelha mandaguari eleva em até 67% a produção de café arábica

    Abelha mandaguari eleva em até 67% a produção de café arábica

    Uma pesquisa da Embrapa Meio Ambiente (SP) e de instituições parceiras comprova que o manejo de abelhas nativas sem ferrão pode elevar em até 67% a produção de frutos do café arábica. Publicado na revista científica Frontiers in Bee Science, o estudo posiciona a polinização manejada como estratégia concreta para aumentar a produtividade e fortalecer a sustentabilidade da cafeicultura brasileira.

    A espécie estudada é a Scaptotrigona depilis, popular como abelha mandaguari. Social e pertencente ao grupo dos meliponíneos, ela ocorre em diferentes regiões do Brasil. O ganho de até 67% na produção de frutos, registrado em ramos próximos às colônias, confirma a eficiência da mandaguari como polinizadora do café, inclusive em cultivares autocompatíveis, variedades capazes de se autopolinizar sem depender de outra planta.

    Como os pesquisadores conduziram o estudo

    A equipe instalou colônias em fazendas convencionais na densidade de aproximadamente dez colônias por hectare, antes do início da florada. Para medir o efeito da polinização, os cientistas compararam a produção entre ramos próximos às colônias e ramos mais distantes, metodologia que permitiu isolar o ganho de rendimento atribuível à atividade das abelhas.

    Os resultados se encaixam numa linha de pesquisa mais ampla iniciada em 2021 em lavouras comerciais de São Paulo e Minas Gerais. Trabalhos anteriores já haviam estimado um ganho potencial de R$ 22 bilhões por ano com a polinização do café no Brasil. O novo estudo com a mandaguari acrescenta dados inéditos sobre a interação entre insumos químicos e polinizadores nativos em ambientes controlados.

    Pesticidas afetam as colônias? Pesquisa responde

    Além da produtividade, os pesquisadores investigaram se inseticidas neonicotinoides, especificamente o tiametoxam, aplicado em safras anteriores nas áreas convencionais, poderiam prejudicar a saúde das colônias. O monitoramento acompanhou indicadores como produção de cria, mortalidade de larvas e atividade de coleta de alimento e materiais de construção dos ninhos. As avaliações ocorreram em cinco momentos: uma semana antes da florada, uma semana após, e cerca de 45, 75 e 105 dias depois da retirada do talhão.

    Imagem: Embrapa

    A equipe detectou resíduos do inseticida e de seu metabólito, a clotianidina, em folhas de café, néctar e pólen coletados em campo, confirmando exposição real das abelhas aos neonicotinoides. Ainda assim, os parâmetros avaliados nas colônias não apresentaram impactos estatisticamente significativos. Indicadores de produção e mortalidade de crias não mostraram diferenças relevantes entre colônias em áreas convencionais e aquelas mantidas em propriedades orgânicas. A atividade de coleta registrou variações iniciais entre os sistemas, mas as diferenças diminuíram ao longo do monitoramento.

    Duas conclusões centrais para o setor cafeeiro

    Os autores destacam duas implicações práticas diretas. Primeiro: abelhas sem ferrão funcionam como polinizadoras eficazes do café arábica e elevam a produtividade mesmo em cultivares autocompatíveis, sem exigir outra variedade compatível no campo. Segundo: nas condições avaliadas, o uso de defensivos dentro das recomendações técnicas não gerou danos mensuráveis às colônias — o que indica que produtores podem conciliar proteção fitossanitária e preservação dos polinizadores.

    “O estudo demonstra que o uso de abelhas nativas manejadas pode gerar ganhos expressivos de produtividade, ao mesmo tempo em que contribui para a conservação dos polinizadores e para o fortalecimento de sistemas agrícolas mais sustentáveis”, afirma a bióloga Jenifer Ramos, primeira autora do estudo e ex-bolsista de inovação na Embrapa Meio Ambiente.

    O coordenador da pesquisa, Cristiano Menezes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, reforça a relevância do achado para o manejo integrado: “A pesquisa traz evidências importantes de que é possível conciliar o manejo fitossanitário com a manutenção da saúde das colônias de abelhas, desde que se sigam as recomendações técnicas.”

    A rede científica por trás do estudo reúne Embrapa Meio Ambiente, Esalq/USP, UFRGS, Natural England e Eurofins Agroscience Services, com apoio da Syngenta.

    Mercado global pressiona por mais produtividade

    O avanço chega num momento crítico para o café no mundo. A Organização Internacional do Café estimou a produção global no ciclo 2023/24 em 178 milhões de sacas de 60 kg. Enquanto o consumo atingiu 177 milhões, margem mínima que torna o setor vulnerável a qualquer oscilação climática ou quebra de safra. Para 2024/25, a estimativa global recuou para 176,2 milhões de sacas, mantendo o cenário de mercado apertado.

    O consumo mundial segue crescendo cerca de 2% ao ano, impulsionado pela abertura de novos mercados e pela consolidação do café em países tradicionalmente importadores. Essa expansão aumenta a pressão por sistemas produtivos mais eficientes e resilientes.

    Imagem: Embrapa

    O clima extremo agrava o quadro. Relatório da FAO aponta que condições adversas em grandes países produtores contribuíram para a alta de 38,8% nos preços internacionais do café em 2024. Tempo seco e quente no Brasil, estiagem prolongada no Vietnã e excesso de chuvas na Indonésia figuram entre os fatores determinantes.

    Nesse contexto, estratégias que elevam a produtividade sem ampliar áreas cultivadas ganham peso econômico e ambiental. O manejo de polinizadores nativos, como sugere o estudo da Embrapa, desponta como alternativa concreta para reforçar a oferta e aumentar a resiliência da cafeicultura brasileira frente às pressões do clima e do mercado.

  • Mel da agricultura familiar do Norte de Minas conquista Europa, EUA e Oriente Médio

    Mel da agricultura familiar do Norte de Minas conquista Europa, EUA e Oriente Médio

    O mel do Norte de Minas consolidou sua presença no mercado internacional e atingiu cerca de 350 toneladas exportadas desde 2022. Apenas nos primeiros meses de 2026, produtores da agricultura familiar já enviaram 42 toneladas para países como Suíça, Bélgica e Kuwait. Os dados são da Cooperativa dos Apicultores e Agricultores Familiares do Norte de Minas (Coopemapi), que coordena a comercialização externa.

    O produto tem como principal diferencial o perfil sensorial. As abelhas exploram uma área de transição entre Cerrado e Caatinga, o que gera méis com sabores únicos. Floradas de café, abacate e aroeira ampliam a variedade e agregam valor ao produto. O modelo de produção, próximo do artesanal, também atende à demanda internacional por alimentos sustentáveis e certificados.

    Certificação e acesso ao mercado

    O acesso ao mercado externo avançou com apoio técnico e qualificação dos produtores. O Sebrae Minas atua desde 2016 com capacitações, estratégias comerciais e participação em feiras. Em 2023, a entidade iniciou uma consultoria em parceria com a Coopemapi para entender o comportamento do consumidor europeu.

    O estudo identificou maior demanda por méis certificados, associados à alimentação saudável e propriedades funcionais. Em 2024, apicultores participaram de uma missão técnica na Suíça e observaram fatores decisivos para vendas, como embalagem e rotulagem nutricional. Segundo o analista do Sebrae Minas, Walmath Magalhães, a certificação fortalece a credibilidade do produto em mercados mais exigentes.

    Atualmente, os produtores buscam certificações como Naturland e Bio Suisse, consideradas entre as mais rigorosas da Europa. O Sebrae oferece suporte técnico para aprimorar o manejo e garantir padrões de produção mais sustentáveis.

    Produção em expansão

    O crescimento da apicultura já impacta a renda dos produtores. Em Bocaiuva, o apicultor Gilson Gonçalves Ferreira aumentou a produção em 15 vezes nos últimos sete anos. Ele saiu de 100 quilos a cada seis meses para 1,5 mil quilos no mesmo período, com crescimento médio anual de 10%.

    Os apiários se distribuem em propriedades próprias e áreas cedidas por parceiros, o que fortalece a cooperação entre produtores. A maior parte do mel tem origem em floradas nativas e de eucalipto. Para Ferreira, a entrada na cooperativa facilitou o acesso ao mercado externo e garantiu escala de comercialização.

    Desafios e estratégia de mercado

    O avanço individual acompanha o crescimento coletivo da apicultura na região. Mesmo com o aumento da demanda, o setor ainda enfrenta desafios como variações climáticas, que afetam a produção, e a necessidade de melhorar a gestão e o fluxo de caixa.

    A Coopemapi reúne cerca de 200 integrantes e completa dez anos em 2026. A entidade busca ampliar a participação no mercado internacional e planeja exportar mel já processado e com marca própria, agregando valor ao produto.

    Equilíbrio entre mercado interno e externo

    Apesar do foco nas exportações, os produtores também mantêm presença no mercado brasileiro. A estratégia inclui participação em feiras e fortalecimento do varejo nacional.

    O mercado europeu se destaca como um dos maiores consumidores globais de mel, com cerca de 20% da demanda mundial. O consumo per capita varia entre 500 gramas e 1,2 quilo por ano, muito acima da média brasileira, que fica entre 60 e 240 gramas. Esse cenário reforça o potencial de crescimento das exportações do mel do Norte de Minas.

  • Estudo aponta impacto de fungicidas na saúde de abelhas sem ferrão

    Estudo aponta impacto de fungicidas na saúde de abelhas sem ferrão

    Uma pesquisa conduzida pela Embrapa Meio Ambiente (SP) revelou que fungicidas amplamente utilizados na agricultura podem comprometer microrganismos fundamentais para o desenvolvimento de abelhas sem ferrão. O estudo avaliou os efeitos de um fungicida químico e outro biológico sobre o complexo fúngico presente no alimento larval da espécie Scaptotrigona depilis.

    Os cientistas identificaram que ambos os produtos interferem nos fungos simbiontes responsáveis pela digestão e pelo fornecimento de nutrientes às larvas. Esses microrganismos mantêm uma relação mutualística com as abelhas, sendo indispensáveis para a saúde e o crescimento das colônias.

    Embora o impacto de inseticidas sobre polinizadores já seja amplamente conhecido, os resultados chamam atenção para os efeitos dos fungicidas, frequentemente considerados menos nocivos. O estudo demonstra que esses produtos também podem afetar organismos essenciais à sobrevivência das abelhas.

    A pesquisadora Simone Prado explica que a equipe testou diferentes concentrações dos fungicidas e monitorou o desenvolvimento dos fungos por meio da contagem de esporos e análises moleculares. Os testes focaram na presença de dois simbiontes-chave: Monascus ruber e Zygosaccharomyces sp.

    Resultados

    Os resultados indicaram respostas distintas entre os produtos. No caso do fungicida biológico, concentrações intermediárias estimularam o crescimento fúngico. Doses de 0,2 g/L e 0,66 g/L aumentaram a esporulação em relação ao grupo de controle, sugerindo que o produto pode favorecer o desenvolvimento dos simbiontes em determinadas condições.

    Por outro lado, concentrações mais altas do fungicida biológico reduziram o crescimento dos fungos, o que evidencia que até insumos considerados mais sustentáveis podem gerar impactos negativos quando usados em excesso.

    Já o fungicida químico apresentou efeitos mais severos. A partir de 2 g/L, o produto inibiu completamente a esporulação dos fungos no alimento larval. As análises moleculares confirmaram a ausência dos simbiontes nas maiores doses, indicando a eliminação total do complexo fúngico.

    Segundo a pesquisadora Jenifer Ramos, as doses utilizadas seguiram as recomendações de campo para garantir relevância agronômica e ecológica. Ela ressalta que as concentrações dos dois produtos não são diretamente comparáveis, devido às diferenças nas formulações e nos níveis de ingrediente ativo.

    Os pesquisadores alertam que o uso indiscriminado de fungicidas químicos pode comprometer relações simbióticas essenciais. Portanto, mesmo sem causar mortalidade imediata, esses produtos afetam processos críticos, como o desenvolvimento larval e a manutenção das colônias.

    Fungicida biológico

    Em contrapartida, o fungicida biológico demonstrou menor impacto geral, mantendo os microrganismos mesmo em concentrações elevadas. O resultado sugere que alternativas biológicas podem contribuir para a conservação de polinizadores e práticas agrícolas mais sustentáveis.

    Cristiano Menezes, também da Embrapa Meio Ambiente, destaca a importância de aprimorar os ensaios ecotoxicológicos. Ele defende a inclusão de abelhas nativas nos testes, que atualmente utilizam apenas espécies exóticas. Além disso, propõe a exigência de avaliações específicas para fungicidas e produtos biológicos, hoje restritas a inseticidas químicos.

    Além disso, segundo o pesquisador, proteger os microrganismos associados às abelhas é essencial para garantir sua nutrição, saúde e, consequentemente, a manutenção dos serviços de polinização,fundamentais para a agricultura e o equilíbrio dos ecossistemas.

  • Colheita de mel no RS chega ao fim e produtividade reduz em várias regiões

    Colheita de mel no RS chega ao fim e produtividade reduz em várias regiões

    A colheita de mel no Rio Grande do Sul se aproxima do fim ou já encerrou na maior parte do estado. Os apicultores enfrentam redução gradual da entrada de néctar, o que diminui a produtividade em algumas regiões.

    De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado nesta semana, os produtores intensificaram os manejos para preparar as colmeias para o período de escassez. As ações incluem controle de enxameação e organização dos apiários. Apesar do cenário, algumas áreas ainda registram boa atividade das abelhas e resultados produtivos satisfatórios.

    Bagé e Pelotas mantêm bom desempenho

    Na região de Bagé, os apiários apresentam boas condições sanitárias. As abelhas continuam recebendo néctar e pólen de espécies do campo nativo e de alguns eucaliptos. Os produtores aproveitam os poucos dias secos para monitorar os enxames e realizar a colheita do mel acumulado durante o verão.

    Em Pelotas, a produção já superou a do ano anterior em cidades como Amaral Ferrador e Pinheiro Machado. Os enxames mostram alta atividade e intensificação da enxameação, o que indica bom desenvolvimento das colmeias. No Chuí e em Piratini, a extração de mel continua em andamento.

    Caxias do Sul e Passo Fundo registram queda

    O tempo seco predominante em Caxias do Sul favoreceu o trabalho das abelhas campeiras, mas a entrada de néctar diminuiu consideravelmente. Isso reduziu a postura das rainhas e deixou os enxames menos populosos. Os produtores que colheram mel no período observaram menor produtividade.

    Em Passo Fundo, a redução gradual das floradas, como carqueja, mata-campo, eucalipto e cipós, causa menor acúmulo de mel. Nas regiões de Ijuí e Frederico Westphalen, a colheita também se aproxima do fim, e os apicultores já manejam as colmeias para as temperaturas mais baixas e a escassez de floradas.

    Na região de Porto Alegre, a produção de mel aumentou devido à maior movimentação das abelhas e à boa entrada de néctar nas colmeias.

    Meliponicultura avança com mel de Jataí e própolis

    As condições climáticas favoráveis e a abundância de alimentos também beneficiam a meliponicultura na região de Porto Alegre. Os enxames seguem fortes, o que favorece a multiplicação das colônias.

    Municípios como Santo Antônio da Patrulha já comercializam mel de Jataí. O quilo do produto chega a R$ 230,00. Os preços variam conforme a espécie produtora e a oferta regional.

    A própolis também ganha espaço no mercado. Alguns meliponicultores estão produzindo extrato de própolis de abelhas sem ferrão. O produto apresenta potencial de crescimento devido aos compostos bioativos e aos benefícios à saúde.

  • Inseto usa “perfume de flor” para enganar abelhas e roubar colmeias

    Inseto usa “perfume de flor” para enganar abelhas e roubar colmeias

    Uma estratégia incomum da natureza tem chamado a atenção de pesquisadores nos últimos anos. Uma larva parasita desenvolveu a capacidade de imitar o cheiro de flores e, dessa forma, consegue atrair abelhas e facilitar sua entrada nas colmeias.

    Esse comportamento, por sua vez, permite que o inseto explore diretamente os recursos produzidos pelas abelhas. Assim, ele aumenta suas chances de sobrevivência ao se aproveitar de um ambiente protegido e rico em alimento.

    Engano começa pelo cheiro

    Diferente de outras formas de camuflagem, a larva não depende da aparência para enganar suas presas. Em vez disso, ela produz compostos químicos semelhantes aos liberados por flores.

    Como resultado, as abelhas, que utilizam o olfato como principal ferramenta para localizar alimento, acabam sendo facilmente atraídas. Ao identificar o odor, elas se aproximam acreditando que encontraram uma fonte de néctar.

    Dessa maneira, o inseto transforma um comportamento natural das abelhas em uma oportunidade de aproximação.

    Entrada na colmeia facilita ação do parasita

    A partir desse contato inicial, a larva consegue ser transportada pelas próprias abelhas até o interior da colmeia.

    Uma vez dentro do ambiente, o parasita passa a se beneficiar diretamente dos recursos disponíveis. Além disso, ele consome alimentos essenciais para o desenvolvimento da colônia, o que pode comprometer o equilíbrio do grupo.

    Em alguns casos, essa presença também interfere na dinâmica interna da colmeia, já que reduz a disponibilidade de alimento para as abelhas.

    Estratégia revela adaptação evolutiva

    Esse tipo de comportamento representa um exemplo claro de adaptação evolutiva. Ao longo do tempo, a larva desenvolveu mecanismos capazes de explorar o sistema sensorial das abelhas.

    Esse fenômeno é conhecido como mimetismo químico. Ou seja, uma espécie imita sinais químicos de outra para obter vantagens no ambiente.

    Além disso, esse tipo de estratégia mostra como a evolução pode favorecer soluções altamente específicas para sobrevivência.

    Impacto nas abelhas acende alerta

    As abelhas desempenham papel essencial na polinização e na produção de alimentos. Por isso, qualquer fator que afete sua sobrevivência gera preocupação entre especialistas.

    Nos últimos anos, por exemplo, pesquisadores têm observado diferentes ameaças às colônias. Entre elas estão mudanças climáticas, uso de pesticidas e o avanço de parasitas.

    Nesse contexto, a atuação dessa larva reforça a complexidade das interações naturais e amplia os desafios enfrentados pelas abelhas.

    Fenômeno amplia debate sobre equilíbrio ambiental

    Por fim, casos como esse ajudam a ampliar o entendimento sobre o funcionamento dos ecossistemas.

    Ao explorar os sentidos das abelhas, a larva demonstra como pequenas adaptações podem gerar impactos significativos. Ao mesmo tempo, o fenômeno reforça a importância de estudos contínuos sobre a biodiversidade.

    Assim, compreender essas relações se torna fundamental para preservar o equilíbrio ambiental e garantir a manutenção de espécies essenciais para a produção agrícola.

  • Muito além do mel: por que as abelhas são essenciais para a alimentação humana e o equilíbrio do planeta

    Muito além do mel: por que as abelhas são essenciais para a alimentação humana e o equilíbrio do planeta

    Pense em um animal cuja existência sustenta boa parte do que está no seu prato. Provavelmente, as abelhas não são a primeira resposta que vem à mente. No entanto, deveriam ser.

    Esses insetos são responsáveis por 70% da polinização das plantas agrícolas no Brasil, segundo a ONU. Além disso, atuam diretamente na regeneração de florestas, na manutenção da biodiversidade e na qualidade nutricional dos alimentos que consumimos diariamente. Portanto, proteger as abelhas é, antes de tudo, proteger a nossa própria alimentação.

    Sem abelhas, sem comida: os números que impressionam

    A dependência da agricultura em relação às abelhas é maior do que a maioria das pessoas imagina. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a FAO, 70% das culturas agrícolas globais dependem diretamente da polinização realizada por esses insetos.

    Os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos reforçam essa realidade. Segundo o levantamento, 100% das amêndoas dependem das abelhas para se desenvolver. O mesmo vale para 90% das maçãs e mirtilos, 48% dos pêssegos, 27% das laranjas, 16% do algodão e 5% da soja.

    Ou seja: sem abelhas, a produção agrícola mundial entraria em colapso.

    Muito mais que mel: a diversidade que poucos conhecem

    Um erro comum é associar as abelhas apenas à produção de mel e às picadas. Na prática, porém, a grande maioria das espécies não produz mel e tampouco possui ferrão.

    No mundo, existem mais de 20 mil espécies de abelhas, com diferentes tamanhos, cores e hábitos. Na América Latina, as nativas são as meliponas, conhecidas como abelhas sem ferrão, que representam a maioria das mais de quatro mil espécies da região.

    “Uma parcela significativa da população relaciona as abelhas apenas ao mel e às picadas, o que seria um erro, já que a maioria das nossas abelhas não possui ferrão”, explica o diretor da ONG Bee or not to Be.

    (Imagem: Divulgação)

     

    Além disso, a maior parte das abelhas é solitária e não vive em sociedade. Ainda assim, todas atuam como polinizadoras essenciais para os ecossistemas.

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    A polinização: o trabalho invisível que sustenta a vida

    O papel das abelhas acontece, em grande parte, nos bastidores do meio ambiente. Para suprir sua necessidade alimentar, esses insetos visitam uma grande variedade de flores, coletando pólen, sua fonte de proteína, e néctar, fonte de carboidratos.

    Esse movimento, aparentemente simples, tem consequências profundas. Ao transportar o pólen de flor em flor, as abelhas permitem a fertilização das plantas e garantem sua reprodução. Em algumas espécies, esse processo é indispensável para a sobrevivência. Em outras, especialmente nas frutíferas, a polinização influencia diretamente a qualidade nutricional dos frutos.

    “Este serviço de polinização permite a fertilização das plantas e sua reprodução. Em espécies frutíferas, a polinização também está ligada à qualidade nutricional da fruta”, afirma Marina Arbetman, exploradora da National Geographic e doutora em biologia.

    Segundo a FAO, cerca de 85% das plantas com flores presentes em matas e florestas dependeram, em algum momento, da ação de polinizadores como as abelhas.

    Guardiãs do equilíbrio ambiental

    Além da polinização, as abelhas desempenham outro papel fundamental: o de bioindicadoras da qualidade do meio ambiente. Sua presença (ou ausência) em um ecossistema revela muito sobre o estado de conservação daquele território.

    “As abelhas garantem a variação genética tão importante ao desenvolvimento e reprodução das plantas e, com isso, garantem o equilíbrio dos ecossistemas e que existam plantas suficientes para a produção de oxigênio”, explica Ana Bueno, bióloga da ONG Bee or not to Be.

    Portanto, preservar as abelhas não é apenas uma questão ambiental. É, sobretudo, uma questão de segurança alimentar, saúde dos ecossistemas e futuro do planeta.