Tag: abelhas

  • Meio ambiente – como proteger as abelhas durante a florada da soja

    Meio ambiente – como proteger as abelhas durante a florada da soja

    Com o início da fase de florescimento da soja, que ocorre entre 20 e 30 dias após a semeadura, é comum que insetos polinizadores, como abelhas, visitem as lavouras para coletar néctar. No entanto, o uso inadequado de inseticidas durante esse período pode ameaçar a sobrevivência desses polinizadores, essenciais para a biodiversidade e a produtividade agrícola. O alerta é de especialistas da BASF, que recomendam o uso de boas práticas de manejo para mitigar esses riscos e preservar os insetos.

    Segundo Marcelo Batistela, vice-presidente da Divisão de Soluções para Agricultura da BASF no Brasil, a empresa está comprometida em promover a biodiversidade e a segurança alimentar por meio de treinamentos que ensinam o uso correto de tecnologias agrícolas. “O uso indevido de pesticidas é um problema sério, e precisamos garantir que isso seja tratado com atenção. Oferecemos apoio aos agricultores com treinamentos sobre o uso seguro de produtos e incentivamos práticas sustentáveis para proteger os polinizadores e garantir a sustentabilidade da agricultura”, destacou Batistela.

    Importância dos polinizadores na produção agrícola

    Os polinizadores desempenham um papel fundamental na produtividade agrícola em diversas culturas, como a soja. Um estudo realizado pela Rutgers University mostrou que fazendas em todo o mundo, incluindo na América do Sul, apresentam redução na produção de grãos devido à baixa presença de polinizadores. No Brasil, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aponta que a presença de abelhas pode aumentar a produtividade da soja em até 13%.

    Safra de verão pode representar perigo aos insetos com uso indevido de inseticidas

    Maurício do Carmo Fernandes, gerente de Stewardship e Sustentabilidade da BASF, explica que os agricultores devem tomar medidas específicas para proteger os polinizadores durante a safra da soja. Entre as práticas recomendadas está a aplicação de inseticidas em horários apropriados, como no final da tarde ou à noite. E também o monitoramento das condições climáticas, como temperatura e velocidade do vento, para evitar danos às abelhas. Além disso, é fundamental que os agricultores reconheçam as diferenças entre pragas, inimigos naturais e polinizadores para garantir uma aplicação segura dos produtos.

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    “Os polinizadores ficam mais ativos durante o florescimento da soja, e a aplicação inadequada de inseticidas pode levar à morte desses insetos. Com práticas simples, os produtores podem reduzir esses riscos e garantir uma convivência harmoniosa entre a produção agrícola e a preservação da biodiversidade”, afirma Fernandes.

    Iniciativas de preservação e sustentabilidade

    A BASF tem investido em parcerias e projetos para promover a sustentabilidade no campo. Um exemplo é o projeto “Agricultura para um futuro positivo com a natureza”, que envolve diversas instituições para impulsionar práticas agrícolas mais sustentáveis e benéficas ao meio ambiente. No Rio Grande do Sul, a iniciativa já conta com a participação de 18 produtores e 19 apicultores. Eles trabalham juntos para garantir a proteção dos polinizadores e a sustentabilidade da agricultura.

    Abelhas convivem com soja
    Boas práticas agrícolas podem mitigar risco de morte de polinizadores durante florada da soja

    Além disso, em parceria com a Embrapa, a BASF tem realizado estudos desde 2022 para validar protocolos de Boas Práticas Agrícolas e Apícolas. Isso mostra que é possível a convivência entre a produção de soja e a apicultura, com benefícios mútuos para ambos os setores.

    As boas práticas agrícolas são essenciais para mitigar os riscos à vida dos polinizadores durante o florescimento da soja. Com o uso correto de inseticidas e o respeito às recomendações técnicas, os agricultores podem garantir a preservação dos insetos, que são fundamentais para a produtividade e a sustentabilidade da agricultura no Brasil.

  • Expedição mapeia perda de abelhas no Rio Grande do Sul

    Expedição mapeia perda de abelhas no Rio Grande do Sul

    Uma expedição revelou a perda significativa de abelhas em apiários e meliponários no Rio Grande do Sul, após as enchentes de maio de 2024. O Projeto Observatório de Abelhas do Brasil com Foco no Rio Grande do Sul, coordenado pela Embrapa Meio Ambiente em parceria com a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.), liderou a ação. Entre 24 e 29 de junho, a equipe visitou áreas impactadas pelas enchentes.

    Até o momento, a Federação Apícola do Rio Grande do Sul (FARGS) registrou a perda de 18.943 colmeias. Ou seja, cerca de 4% do total no estado, segundo o IBGE. No entanto, esses números podem estar subnotificados, pois muitos apicultores não registram suas colmeias junto à inspetoria veterinária de seus municípios.

    Uso do AgroTag abelhas

    A iniciativa usou o software AgroTag Abelhas, desenvolvido pela Embrapa Meio Ambiente, para sistematizar informações sobre a mortandade de abelhas no Brasil. Este software registra incidentes e possíveis causas das mortes, criando uma base de dados harmonizada em uma plataforma nacional.

    O que dizem os especialistas

    Betina Blochtein, pesquisadora do observatório e integrante da equipe de campo, destacou que uma das prioridades do levantamento é validar o uso de recursos disponibilizados para o Estado. Isso contribuirá na elaboração de um relatório identificando as perdas e seus locais. Assim, a equipe direcionará os recursos para reposição das colmeias de maneira adequada, baseando-se nas evidências registradas em campo, como fotos, questionários e delimitação de áreas atingidas.

    A ferramenta da Embrapa é essencial, pois além de registrar dados oficialmente, também cria uma rede de colaboradores entre produtores afetados e aqueles que prestam assistência nas áreas impactadas.

    Detalhes do AgroTag abelhas

    O AgroTag Abelhas, desenvolvido a partir do Sistema AgroTag, é um sistema abrangente de monitoramento que integra dados sistematizados. Além disso, contribui para o registro de informações oficiais sobre a mortandade de abelhas. Com um aplicativo para dispositivos móveis Android, ele permite o envio de dados para um ambiente SIG (Sistema de Informações Geográficas), facilitando a integração com informações coletadas em campo.

    Futuras implementações

    Em uma fase posterior, inspetores de órgãos sanitários oficiais utilizarão o aplicativo para registrar ocorrências rapidamente, atendendo às necessidades regionais. Durante o atendimento em campo, os técnicos terão acesso a um formulário simples para preenchimento. Ele inclui questões sobre a coleta de amostras biológicas para análise laboratorial.

    O projeto segue a premissa do AgroTag, trabalhando com dados geoespaciais para monitoramento territorial agrícola, onde os usuários compartilham dados de forma colaborativa e rastreável. Isso é fundamental para os objetivos do Observatório de Abelhas, que busca evidências comprovadas da mortandade de abelhas, atualmente focando nas perdas causadas pelas cheias no Rio Grande do Sul, destacou Vicente, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente/AgroTag e integrante da equipe de campo.

    Observatório de Abelhas do Brasil

    O Observatório de Abelhas do Brasil é um programa coordenado pelo Ministério da Agricultura (Mapa), em conjunto com a Embrapa Meio Ambiente. Instituições públicas e privadas, como a Associação A.B.E.L.H.A., também apoiam o projeto. O objetivo é mitigar a mortandade de abelhas no Brasil.

    Cristiano Menezes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente e coordenador geral do Observatório, explicou que o AgroTag foi integrado ao projeto para ajudar fiscais de defesa agropecuária a organizar, coletar e disponibilizar informações de forma adequada. Antes, esses processos eram realizados manualmente e sem padronização entre os estados.

     

  • Domingo de frio intenso, geada e temperatura de -5°C

    Domingo de frio intenso, geada e temperatura de -5°C

    O sul do Brasil enfrenta um intenso frio neste domingo (30/06), com temperaturas que podem chegar a -5°C em algumas regiões. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê que os próximos dias reservam ainda mais frio, com possibilidade de geada intensa.

    Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná estão entre estados mais afetados pela intensa massa de ar polar. Nas regiões de campanha e na serras gaúcha e catarinense, os termômetros vão registrar temperaturas negativas.

    Foto: Divulgação – Alberto Farber Junior

    A mudança de direção e a intensificação dos ventos, vai causar baixa sensação térmica e acentuar o frio em todas as áreas do Sul do País. Esses fatores, combinados com ventos predominantes da faixa leste do estado gaúcho,  devem a ajudar a represar a água no lago Guaíba nesse gelado domingo.

    Reprodução: Inmet – Temperaturas negativas entre 0°C e -5°C
    Reprodução: Inmet – geadas intensas na região Sul

    Riscos na agricultura

    Para os agricultores, os riscos são evidentes. Hortaliças, incluindo as folhosas, necessitam de cuidado especial, com recomendação para manter os aspersores ligados até o amanhecer, criando uma camada de vapor que protege as plantas do congelamento. Já para os produtores de morango, é crucial cobrir as plantas com plástico branco leitoso, formando túneis que preservem as frágeis flores contra o frio severo.

    Foto: Divulgação – Epagri/Elenice de Almeida

    A preocupação se estende também aos produtores de mandioca e aipim, que devem proteger as ramas em locais apropriados para evitar danos às futuras safras. No caso das mudas, é essencial mantê-las abrigadas em viveiros, com umidade controlada para evitar choques térmicos prejudiciais.

    Cuidados na pecuária

    Na pecuária, o impacto do frio intenso é igualmente severo. Com o gado de corte, a principal preocupação é com o crestamento das pastagens, que é a queima da parte vegetativa em decorrência de geadas muito fortes.

    Na região do Planalto Sul, onde se pratica a integração lavoura-pecuária em larga escala, esse mesmo dano pode ocorrer também em pastagens cultivadas. Portanto, a recomendação é usar o máximo da pastagem para alimentar o gado ainda antes do frio intenso, principalmente nos casos onde se cultiva aveias, que são mais sensíveis a frios intensos.

    Foto: Divulgação – Epagri

    Em relação ao gado de leite, a atenção principal são os animais parindo e as crias que devem ser abrigados em locais secos e sem vento. Para proteger os rebanhos adultos do frio, a recomendação é leva-los para locais com árvores, tanto nativas como sistemas silvipastoris, que vão funcionar como quebra-vento.  Entretanto, na alimentação, em caso de danos nas pastagens cultivadas, especialmente aveia, recomenda-se a utilização de outras fontes de alimento, como silagem e feno.

    Abelhas sofrem com frio intenso

    Até as abelhas sofrem com o inverno rigoroso, com risco de resfriamento dos ninhos e morte das larvas. Os apicultores devem evitar abrir as colmeias desnecessariamente, pois isso pode resultar em perda de calor e comprometer a sobrevivência das colônias.

    Criação de peixes pode ter prejuízo

    Na criação de peixes, o cenário não é diferente. Temperaturas abaixo de 13°C podem levar a estresses e doenças, afetando espécies como as tilápias. Ou seja, recomenda-se suspender manejo, alimentação e fertilização durante o período de frio para minimizar o impacto negativo.

    Assim, diante das baixas temperaturas previstas para este domingo, é fundamental que os agricultores, pecuaristas e apicultores estejam preparados para proteger suas produções e animais, mitigando os danos causados pelo rigoroso frio desse domingo.

  • Convivência entre sojicultura e apicultura no Brasil é possível

    Convivência entre sojicultura e apicultura no Brasil é possível

    Em um estudo conjunto, a BASF e a Embrapa revelaram dados positivos sobre a convivência entre sojicultura e apicultura no Brasil. Com resultados coletados em lavouras de São Gabriel (RS), Maringá (PR) e Dourados (MS) durante a safra 2022/23, a pesquisa demonstrou que a integração dessas atividades é não apenas possível, mas também benéfica para ambas as partes.

    A pesquisa validou um protocolo de Boas Práticas Agrícolas, Apícolas e de Comunicação que guiou as ações de sojicultores e apicultores. “A convivência é vantajosa para ambos, desde que respeitem as boas práticas agrícolas e mantenham um diálogo contínuo”, afirmou Décio Gazzoni, pesquisador da Embrapa Soja (PR). O protocolo inclui o Manejo Integrado de Pragas de Soja (MIP-Soja), que visa reduzir os insetos-praga sem afetar os inimigos naturais.

    Ganhos em Rentabilidade e Sustentabilidade

    A presença de abelhas nas lavouras de soja pode aumentar a produtividade em até 13%, segundo estudos da Embrapa. As abelhas, ao coletarem néctar, atuam como polinizadoras, melhorando a qualidade e quantidade das vagens de soja. Apicultores também se beneficiam, com colheitas de mel que podem chegar a 50 kg por colmeia durante a florada da soja. Isso é mais do que o dobro da média nacional.

    plantação de soja
    Soja e abelhas podem conviver juntos.

    Rodrigo Casado, produtor de soja e mel em Maringá (PR), destacou que a polinização na soja resulta em uma renda extra significativa. Assim sendo, é permitido colheitas de mel de duas a três vezes ao ano. Além disso, a presença das abelhas contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa, beneficiando o meio ambiente.

    Importância das Abelhas

    As abelhas desempenham um papel crucial na agricultura, não apenas pela polinização, mas também por manter o equilíbrio dos ecossistemas. A preservação dos polinizadores é vital para garantir a produtividade agrícola e a sustentabilidade dos ecossistemas naturais. “É essencial encontrarmos maneiras efetivas de conservarmos os polinizadores, como as abelhas, para garantir a produtividade da agricultura e o equilíbrio dos nossos ecossistemas naturais”, afirmou Maurício do Carmo Fernandes, gerente de Stewardship e Sustentabilidade da BASF.

    Parceria BASF e Embrapa

    A colaboração entre BASF e Embrapa resultou em uma websérie disponível na Fazenda BASF, abordando temas como a união entre sojicultura e apicultura, qualidade do mel de soja, e tecnologia de aplicação de insumos. Essa parceria promove boas práticas agrícolas, segurança alimentar, sustentabilidade e desenvolvimento econômico, reforçando o legado da agricultura brasileira.

  • Crescimento populacional no mundo – Como isso favorece o Brasil?

    Crescimento populacional no mundo – Como isso favorece o Brasil?

    Crescimento populacional global é grande oportunidade para o agro brasileiro, afirma Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, o “Banco do Brics”. Ele será o palestrante do encerramento do 18º Circuito Aprosoja, que ocorrerá em Cuiabá no dia 24 de junho. Troyjo discutirá as oportunidades para o agro brasileiro, destacando a soja, principal cultura agrícola do país.

    Troyjo aponta que as mudanças econômicas e geopolíticas globais oferecem oportunidades significativas para o setor agropecuário brasileiro. Segundo ele, enquanto alguns países enfrentarão decréscimo populacional nos próximos 25 anos, outros, como Índia, Indonésia e China, aumentarão a população mundial em cerca de 2 bilhões de habitantes. “Isso é equivalente a acrescentar outra China, outros Estados Unidos e outra Rússia no mundo”, diz Troyjo.

    Demanda por Alimentos

    O economista ressalta que o crescimento econômico em países com grande densidade populacional impulsionará a demanda por alimentos. Ele destaca que o Brasil, se aproveitar essas oportunidades, tem potencial para se transformar de maneira significativa, assim como fez no passado, ao passar de importador para exportador de alimentos.

    Reprodução: Marcos Troyjo/X

    “Quando você tem uma expansão econômica nesses países, a maioria da renda adicional vai para o consumo de alimentos. Observamos uma mudança estrutural na procura por alimentos devido ao aumento da demanda asiática”, explica Troyjo.

    Relações Comerciais e Investimentos

    Troyjo enfatiza a importância de manter as relações comerciais com os mercados europeus e norte-americanos, apesar das barreiras protecionistas. Entretanto, ele argumenta que é crucial convencer os europeus de que o discurso de proteção ambiental é muitas vezes utilizado para justificar barreiras comerciais. “É uma pena utilizar a desculpa ambiental para criar barreiras protecionistas contra a exportação do agronegócio brasileiro. No entanto, tanto o Brasil quanto os países europeus têm muito a ganhar se continuarem a expandir seu comércio”, conclui o economista.

  • Crise? Porto de Santos bate recorde de movimentação

    Crise? Porto de Santos bate recorde de movimentação

    O Porto de Santos, o maior complexo portuário da América Latina, alcançou um recorde histórico na movimentação de cargas em maio de 2024, superando os números do mesmo mês no ano passado. De acordo com dados divulgados pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), o volume total de cargas movimentadas atingiu 15 milhões de toneladas. Isso representa um aumento de 5% em relação a maio de 2023.

    Análise do Crescimento

    Este crescimento significativo reflete a recuperação econômica e o aumento das exportações de produtos agrícolas e minerais. Os embarques de soja, milho e açúcar registraram aumentos expressivos, impulsionados pela alta demanda internacional. Além disso, o aumento na importação de fertilizantes e insumos industriais também contribuiu para o recorde alcançado.

    A movimentação de contêineres registrou um crescimento notável, com um aumento de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entretanto, este incremento é atribuído à eficiência operacional e às melhorias na infraestrutura do porto. Isso inclui a modernização de terminais e a ampliação da dragagem, permitindo o acesso de navios de maior porte.

    O recorde de movimentação de cargas no Porto de Santos tem um impacto direto na economia regional e nacional. O aumento das operações portuárias gera mais empregos diretos e indiretos, fomenta o comércio exterior e reforça a posição do Brasil como um importante player no mercado global de commodities.

    Perspectivas Futuras

    As expectativas para os próximos meses permanecem otimistas, com previsões de novos recordes devido à safra abundante de grãos e à contínua demanda por produtos brasileiros no exterior. Enquanto isso, as autoridades portuárias continuam a investir em infraestrutura e tecnologia. Isso para manter a eficiência e a competitividade do Porto de Santos no cenário internacional.

  • Projeto brasileiro: conheça pesquisa que permite alugar abelhas

    Projeto brasileiro: conheça pesquisa que permite alugar abelhas

    Alugar colmeias de abelhas sem ferrão para aumentar a produtividade da lavoura. Esta é a nova ferramenta já disponível aos produtores, que pretendem substituir a espécie Apis mellifera: a abelha com ferrão representa risco para trabalhadores rurais, além de ser menos eficiente em todas as culturas.

    Com o objetivo de aumentar a polinização nas lavouras,  a Embrapa desenvolveu uma tecnologia para multiplicação de colônias de abelhas sem ferrão. Portanto, a investida vai ampliar a produção de rainhas e colmeias para uso da polinização agrícola.

    A solução permite produzir – in vitro – cerca de 2 mil rainhas por mês a partir de uma única colônia, além de colmeias em escala comercial para culturas como berinjela, morango e tomate.

    Aluguel de Colmeias

    Divulgação – Epagri

    A solução é direcionada a meliponicultores, instituições e empresas de planejamento, transferência de tecnologia, extensão e assistência técnica. A tecnologia está disponível para transferência e capacitação, fortalecendo a meliponicultura e qualificando os meliponicultores.

    O projeto foi desenvolvido pela Embrapa em parceria com outras instituições, ampliando as possibilidades de uso em polinização agrícola.

    Abelhas sem Ferrão: Um Mundo Fascinante

    No Brasil, existem centenas de espécies de abelhas sem ferrão. Elas são conhecidas como indígenas e são fundamentais para a biodiversidade dos biomas brasileiros. De acordo com os estudos, as abelhas são responsáveis por polinizar cerca de 90% das espécies da Mata Atlântica.

    Características e Hábitos

    Primeiramente, é preciso saber: essas espécies de abelhas têm ferrão, mas é atrofiado. Portanto, é o que torna essas abelhas incapazes de ferroar. Dessa forma, não há problemas em criadar as abelhas sem ferrão nos quintais das casas, praças e áreas urbanas. Por isso, elas já são tão vistas nas cidades. No ambiente natural, as abelhas se alojam em cavidades de árvores, ninhos abandonados de cupins ou formigas ou em galhos.

    Organização Social

    A organização social das abelhas sem ferrão é composta por operárias que mantém a colmeia, alguns zangões e uma rainha, responsável pela postura, nascimento de novas abelhas e manutenção da colônia unida. Sendo assim, as colônias vivem em caixas pequenas, disponibilizadas pelo meliponicultor, e ali mantêm o controle da produção e a família fortalecida.

    Meliponicultura

    A meliponicultura é a criação racional de abelhas sem ferrão. Ela é uma alternativa de geração de renda em muitas propriedades. As abelhas sem ferrão são dóceis e de fácil manejo. Isso torna a produção dessas colmeia uma opção atraente para produtores. Além disso, a meliponicultura contribui para a conservação da biodiversidade e a produção de produtos como mel, própolis, geoprópolis, pólen e cera.

    Divulgação – Embrapa/Ronaldo Rosa

    Importância

    Essas abelhas são fundamentais para a reprodução de muitas plantas com flores, promovendo a polinização cruzada e a formação de frutos e sementes. Portanto, sem a colaboração dessas abelhas, a reprodução de muitas plantas com flores têm impacto negativo, ocasionando uma diminuição em suas populações, podendo inclusive chegar à extinção.

  • Usinas de Cana-de-Açúcar Promovem Projetos para Preservação das Abelhas no Brasil

    Usinas de Cana-de-Açúcar Promovem Projetos para Preservação das Abelhas no Brasil

    No mês de maio, comemora-se o Dia Mundial da Abelha e o Dia Internacional da Biodiversidade, respectivamente. Ambas as datas foram estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e alertam para a necessidade de preservação dos diversos ecossistemas ao redor do globo. No Brasil, as usinas de cana-de-açúcar mantêm projetos específicos voltados para a proteção desses insetos, de forma a garantir a convivência de apiários e meliponários com a produção agrícola. As abelhas são responsáveis pela polinização de mais de 90% das plantas nativas e 75% das lavouras, garantindo a conservação da biodiversidade e a segurança alimentar.

    Renata Camargo, gerente de Sustentabilidade da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), explica que os projetos desenvolvidos pelas usinas não só atendem às exigências da legislação vigente, com adoção de técnicas de manejo adequadas, como vão além dessas obrigações.”Os projetos incluem ações em diferentes frentes de atuação, desde medidas de segurança na aplicação aérea de defensivos agrícolas, até o cadastramento e monitoramento dos apiários e meliponários. Com uso de tecnologia, novos recursos de comunicação e ações de responsabilidade socioambiental, as usinas estão promovendo a coexistência harmoniosa e a preservação das abelhas”, pontua Renata.

    Protocolo Agroambiental Etanol Mais Verde

    Nos últimos anos, a UNICA desenvolveu ações junto às usinas associadas para incentivar a boa convivência não só com apicultores e meliponicultores, mas com produtores de alimentos orgânicos e de outras culturas no entorno das usinas. A instituição também participou diretamente da construção do regulamento das Diretivas Técnicas do Protocolo Agroambiental Etanol Mais Verde, elaborado em 2017, em parceria com o Governo do Estado de São Paulo.”O documento estabeleceu uma série de diretivas voltadas à garantia da sustentabilidade na cadeia produtiva da cana-de-açúcar, incluindo eliminação da queima como método agrícola pré-colheita e boas práticas no uso de agrotóxicos nas áreas de canaviais do estado. As usinas se adaptaram rapidamente às exigências deste protocolo e ainda foram além. Até hoje estamos colhendo os frutos. Há projetos muito importantes sendo desenvolvidos e aprimorados, que são cases de sustentabilidade, preservação da biodiversidade e convivência pacífica entre usinas e pequenos produtores do mel e derivados”, destaca a gerente de Sustentabilidade da UNICA.

    Mapeamento via satélite e GPS

    A COFCO International, empresa de agronegócio, lançou o Projeto Polinizar para conciliar a produção de cana-de-açúcar com a preservação das abelhas. O projeto utiliza tecnologia de ponta para identificar e georreferenciar apiários próximos aos canaviais, garantindo a proteção das colmeias durante a aplicação de defensivos agrícolas.

    O Projeto Polinizar realiza um mapeamento via satélite dos apiários que fazem divisa com as lavouras de cana da COFCO International. Os dados coletados são transmitidos ao GPS das aeronaves responsáveis pela pulverização, que contam com uma bomba de alta precisão equipada com um sistema de travamento automático ao identificar a aproximação das colmeias. Dessa forma, não há aplicação de inseticidas em áreas classificadas como de “restrição”.

    O projeto está dividido em quatro frentes principais: identificação de apicultores para o georreferenciamento dos apiários; capacitação de apicultores; mapeamento das colmeias para manejo das lavouras e apiários; e treinamentos para empresas de aviação agrícola sobre protocolos de segurança, aplicabilidade de defensivos e desenvolvimento de novas tecnologias.

    Desde a implementação do projeto, não houve mais registros de mortandade de abelhas relacionadas às aplicações da COFCO International nas regiões próximas às suas usinas de açúcar e etanol, localizadas no noroeste do estado de São Paulo. O projeto ganhou reconhecimento internacional e foi apresentado como case da UNICA na 14ª Conferência das Partes da Convenção Sobre Diversidade Biológica (COP-14), promovida pela ONU, no Egito, em 2018.

    Meio Bilhão de Abelhas Salvas

    A São Martinho, uma das maiores empresas do setor sucroenergético do país, estima que seu Projeto Abelhas tenha garantido a proteção de aproximadamente meio bilhão de abelhas desde 2019. A iniciativa, desenvolvida em conjunto com apicultores locais, monitora as áreas vizinhas às lavouras de cana-de-açúcar nas quatro unidades da companhia.”O Projeto Abelhas é uma ação contínua para a preservação de polinizadores no entorno das nossas unidades”, explica André Tebaldi, Assessor de Meio Ambiente da São Martinho.
    “O total controle e manejo das aplicações, associados à comunicação constante com os apicultores, foram fundamentais para garantir a efetividade do projeto.”

    A chave para o sucesso do projeto foi o investimento em novas tecnologias de comunicação. A companhia identificou os apicultores das áreas vizinhas e realizou um trabalho para auxiliar na melhor distribuição espacial dos apiários, usando georreferenciamento. Além disso, a usina utiliza um aplicativo para emitir alertas sobre as pulverizações, informando os apicultores com pelo menos 48 horas de antecedência. Desde 2019, a intensificação da gestão e comunicação junto aos apicultores conferiu uma melhora significativa nos indicadores, não sendo identificada qualquer tipo de mortandade de abelhas desde então”, destaca Tebaldi.

    Benefícios Socioambientais

    O Projeto Abelhas traz benefícios não apenas para a preservação das abelhas, mas também para a comunidade local. A São Martinho também desenvolve o Programa Ciclo do Mel, em parceria com a Associação de Apicultores de Botucatu, que fortalece a atividade econômica dos apicultores e beneficia crianças e jovens atendidos por um projeto social.”Como a espécie é muito sensível, a convivência saudável demonstra que a aplicação de defensivos agrícolas é realizada dentro da legislação, garantindo a proteção das abelhas e, consequentemente, que os níveis de polinização sejam suficientes para a permanência da biodiversidade do ecossistema”, explica Moacir Fernandes Filho, diretor da São Manoel. Além disso, o programa incentiva a apicultura regional, oferecendo apoio jurídico e acesso a crédito. Em contrapartida, a Associação de Apicultores doa anualmente o valor correspondente a 1kg de mel por colmeia instalada para uma instituição social que atende crianças e adolescentes em vulnerabilidade.