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  • Abelhas nativas elevam produção de acerola em até 103%

    Abelhas nativas elevam produção de acerola em até 103%

    Pesquisadores da Embrapa Semiárido (PE) descobriram que o manejo de abelhas solitárias nativas, especialmente as do gênero Centris, pode elevar a produção de acerola entre 32% e 103%, dependendo das condições de cultivo. Os estudos, realizados no Vale do São Francisco, propõem estratégias acessíveis para aumentar a presença desses polinizadores nos pomares,  com foco na oferta de recursos florais e na criação de locais adequados para nidificação.

    Foto: Lúcia Kiill/Embrapa

    Os benefícios apareceram após a instalação de 840 ninhos-armadilha em plantações irrigadas de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). A taxa de ocupação surpreendeu a equipe: 88,21% das estruturas atraíram abelhas, superando registros de estudos anteriores. O resultado reflete o comportamento das abelhas da tribo Centridini, especialistas na coleta de óleos florais e responsáveis por 91,7% das visitas às flores da acerola nas áreas avaliadas.

    “Mesmo em culturas autopolinizadas, como é o caso da aceroleira, a presença de polinizadores promove incremento significativo na produção. Nas áreas estudadas na Fase I do projeto, os ganhos foram expressivos, o que mostra o impacto direto desses insetos sobre a frutificação e o desenvolvimento dos frutos”, afirma Lúcia Kiill, pesquisadora e coordenadora do estudo.

    O Brasil lidera a produção e a exportação mundial de acerola, com 80% da produção concentrada no Nordeste. Principalmente em Pernambuco, Ceará e Sergipe. Nos perímetros irrigados de Petrolina e Juazeiro, a cultura ocupa cerca de 7 mil hectares e permite até oito colheitas por ano, abastecendo o mercado in natura e a indústria de sucos e polpas, e garantindo renda constante para pequenos e médios produtores.

    Por que as abelhas Centris são tão eficientes na acerola?

    As flores da aceroleira atraem preferencialmente abelhas do gênero Centris, que coletam os óleos florais para construir ninhos e alimentar larvas. Durante esse processo, transferem pólen de flor em flor, o que resulta em maior taxa de frutificação e frutos mais pesados.

    O estudo registrou 11 espécies de abelhas visitando a aceroleira, entre elas Centris aenea, C. tarsata, C. analis, C. obsoleta e C. maranhensis. A Centris aenea se destacou: respondeu por até 95% das visitas florais, demonstrando alta fidelidade à cultura.

    Ao contrário das abelhas melíferas, as do gênero Centris são solitárias. Cada fêmea constrói seu próprio ninho em cavidades naturais ou perfurações no solo. A pesquisa identificou ninhos sob as copas das plantas e em barrancos de canais de irrigação. O que reforça a necessidade de preservar áreas de refúgio próximas aos cultivos.

    Como manejar abelhas polinizadoras na acerola

    A Embrapa recomenda duas estratégias principais para aumentar a presença de Centris nos pomares.

    A primeira é manter, no entorno das plantações, espécies vegetais que forneçam pólen, néctar e óleos florais durante todo o ano. Especialmente nos períodos em que a aceroleira não está em floração. Murici, embira-rosa, pau-ferro, falsa-dormideira e malva-rasteira estão entre as plantas indicadas. A preservação de áreas de Caatinga também contribui como fonte complementar de recursos.

    A segunda estratégia envolve a instalação de ninhos-armadilha confeccionados em blocos de madeira perfurados. Os melhores resultados ocorreram com cavidades entre 10 e 12 milímetros de diâmetro e profundidade de 10 a 14 centímetros. “Orientamos que os ninhos sejam instalados em locais sombreados e protegidos, preferencialmente próximos às áreas onde os insetos nasceram. Essa prática estimula o retorno e a permanência das abelhas”, explica Kiill.

    Nova fase amplia o projeto para cultivos convencionais e orgânicos

    Em parceria com a Niagro, agroindústria líder no processamento de acerola na região, e outras 12 propriedades do Vale do São Francisco, o projeto entra em nova etapa para validar o uso de ninhos-armadilha em cultivos convencionais e orgânicos.

    As áreas passam por análise de cobertura vegetal, disponibilidade hídrica, infraestrutura e conectividade com fragmentos de Caatinga. O projeto também prevê capacitação para produtores, técnicos, jovens e mulheres rurais, com o objetivo de disseminar práticas de manejo e conservação de polinizadores.

    Para Kiill, a presença de abelhas nativas nos cultivos é um sinal de equilíbrio ambiental. “Preservá-las e manejá-las é investir em produtividade com responsabilidade. Esperamos que esse trabalho fortaleça a adoção de práticas que garantam a conservação dos polinizadores e ampliem os ganhos dos produtores do Semiárido”, conclui.

  • Polinização cruzada eleva qualidade e valor da macadâmia

    Polinização cruzada eleva qualidade e valor da macadâmia

    Um estudo internacional confirmou que a polinização cruzada exerce papel decisivo na produtividade e qualidade da macadâmia, elevando o tamanho das nozes, o rendimento e o teor de óleo. A pesquisa, conduzida na Austrália, no Brasil e na África do Sul, analisou mais de 1,3 mil frutos coletados em 23 pomares e apontou que, em 17 deles, entre 80% e 100% das nozes resultaram de polinização cruzada.

    Pomar de nogueira macadâmia em Dois Córregos, SP. Foto: Jeanne Scardini Marinho-Prado/Embrapa

    A polinização cruzada ocorre quando o pólen de uma planta fertiliza a flor de outra da mesma espécie. Segundo os cientistas, esse processo se mostra predominante entre as 19 cultivares comerciais de macadâmia avaliadas, o que revela alta dependência desse método reprodutivo para garantir frutos de qualidade comercial.

    Nozes maiores, mais óleo e maior rentabilidade

    Os resultados demonstraram que as nozes formadas por cruzamento entre cultivares apresentaram amêndoas maiores, mais pesadas e com até 3,5% a mais de óleo. O rendimento médio dos frutos foi entre 3,3% e 6,4% superior ao das nozes autopolinizadas. Diferença que pode representar ganho financeiro de até US$ 841 por tonelada, considerando o preço médio internacional de US$ 3 mil por tonelada com casca.

    Esse ganho de qualidade está ligado ao fenômeno xenia, em que o pólen influencia diretamente as características das sementes e frutos, como já se observou em outras culturas, a exemplo das amêndoas e avelãs.

    Desenho dos pomares influencia produção

    A pesquisa mostrou que o arranjo das cultivares dentro dos pomares afeta a produtividade. Em plantações compostas por grandes blocos de uma única cultivar, a autopolinização predomina no centro dos talhões, gerando menor rendimento. Para melhorar a eficiência, os cientistas recomendam intercalar diferentes cultivares e posicionar colmeias estrategicamente, favorecendo o transporte de pólen pelas abelhas.

    No Brasil, por exemplo, a cultivar IAC 4-12B apresentou 88% de frutos formados por polinização cruzada. Enquanto na África do Sul a cultivar A4 mostrou comportamento semelhante ao observado na Austrália. Já a cultivar ‘814’ teve apenas 10% de cruzamentos no local analisado.

    Abelhas como aliadas essenciais

    A pesquisa reforça que abelhas são fundamentais na polinização da macadâmia, uma cultura fortemente dependente de insetos polinizadores. A pesquisadora Kátia Braga, da Embrapa Meio Ambiente, destaca a necessidade de preservar a diversidade de abelhas silvestres e incorporá-la ao manejo dos pomares. “A polinização por diferentes insetos complementa, mas não é substituída pela abelha manejada”, afirmou.

    Ela recomenda o desenho de pomares com talhões menores e diversificados, intercalados com faixas de vegetação nativa para garantir a presença de várias espécies de polinizadores.

    Estudo premiado e parceria brasileira

    A Southern African Society for Horticultural Sciences premiou o trabalho e reconheceu o artigo como o melhor publicado em periódico científico revisado por pares na área de horticultura durante congresso realizado em janeiro de 2025, em Polokwane, na África do Sul.

    A publicação integra o projeto “Levantamento da entomofauna associada presente e identificação de insetos-pragas exóticos ausentes com potencial de dano ao cultivo de macadâmia em Dois Córregos (SP)”. Ele foi desenvolvido entre 2019 e 2024 pela Embrapa Meio Ambiente e pela Queen Nut Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. Também assinam o artigo os pesquisadores Thayne Munhoz (Embrapa) e Leonardo Moriya (Queen Nut).

  • Árvore que mata abelhas é proibida em Santa Catarina

    Árvore que mata abelhas é proibida em Santa Catarina

    O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) iniciou uma campanha para eliminar uma velha conhecida das ruas e praças do estado: a espatódea (Spathodea campanulata). Embora suas flores alaranjadas chamem atenção, a espécie esconde um perigo real para as abelhas. Por isso, o governo decidiu proibir o plantio, a produção e a manutenção dessa árvore em todo o território catarinense.

    A espatódea veio da África Ocidental e se espalhou pelo Brasil porque cresce rápido e tem aspecto ornamental. No entanto, pesquisadores descobriram que o néctar, o pólen e até a mucilagem das flores contêm substâncias tóxicas capazes de matar abelhas nativas. Além disso, o veneno também afeta a Apis mellifera, espécie exótica utilizada na produção de mel.

    Abelhas em risco e ameaça à agricultura

    As abelhas polinizam a maior parte das frutas, legumes e grãos produzidos no país. Por isso, quando morrem intoxicadas, toda a cadeia natural e agrícola sofre as consequências. Sem elas, muitas lavouras não produzem e as florestas têm dificuldade em se regenerar.

    “A publicação dessa lei é um passo importante para que cada vez mais a sociedade aprenda e se envolva no manejo consciente e responsável das espécies da flora e da fauna que lidam no dia a dia, buscando promover mais equilíbrio ambiental do que impactos”, afirma Elaine Zuchiwschi, coordenadora do Programa Estadual de Espécies Exóticas Invasoras do IMA.

    Foto: Divulgação – IMA/SC

    O que determina a lei catarinense

    A Lei Estadual nº 17694 de 2019 proíbe o plantio, a produção e a manutenção da espatódea em Santa Catarina. Dessa forma, os exemplares existentes devem ser cortados e substituídos por árvores nativas. O descumprimento da norma pode gerar multa.

    Nos espaços públicos, as prefeituras devem coordenar o manejo. Já nas propriedades privadas, o corte precisa de autorização municipal. Nas Áreas de Preservação Permanente, o morador pode fazer a remoção sem autorização, desde que realize o reflorestamento com acompanhamento técnico.

    Árvores nativas indicadas para substituição

    O IMA sugere que cada região priorize espécies nativas adaptadas ao clima e ao solo local. Essa substituição contribui para restaurar o equilíbrio ambiental e proteger a fauna.

    • Região litorânea: mangue formiga, aroeira e ingá cipó.

    • Mata Atlântica: ipê amarelo, pau angelim e corticeira.

    • Planalto e serra: canafístula, camboatá e caroba.

    • Região oeste: ipê roxo, timbaúva e canjerana.

    Sociedade é chamada a participar

    O IMA reforça que a colaboração da sociedade é essencial. Por isso, convida viveiristas, paisagistas e cidadãos a substituírem a espatódea por espécies nativas. A ação contribui diretamente para a proteção das abelhas e para a manutenção da polinização, processo vital para o equilíbrio ecológico e a produção de alimentos.

    Além disso, o órgão destaca que preservar as abelhas significa proteger a base da vida no campo e nas cidades. Elas garantem que as plantas se reproduzam, sustentam o alimento dos animais e mantêm o ciclo natural funcionando.

  • Ataques de abelhas: especialista orienta como se proteger

    Ataques de abelhas: especialista orienta como se proteger

    Os casos de ataques de abelhas em áreas urbanas chamam a atenção em Santa Catarina principalmente na primavera e no verão. Esses insetos, embora fundamentais para o equilíbrio ambiental e para a agricultura, podem gerar situações de risco quando as colônias se instalam próximo à circulação de pessoas.

    Durante as estações mais quentes, as colônias crescem e ficam mais populosas. Rodrigo Cunha, chefe da Divisão de Estudos Apícolas da Epagri, esclarece um ponto importante: as abelhas não são agressivas, são defensivas.

    “Elas só atacam quando percebem que sua colmeia está ameaçada”, explica o especialista. O problema ocorre quando enxames se instalam em telhados, árvores ocas, bueiros, entulhos ou galpões e acabam perturbados por barulho, vibrações ou movimentações comuns do dia a dia.

    Atividades rotineiras como corte de grama, obras ou simples movimentações podem perturbar um enxame. Quando isso acontece, as abelhas interpretam a situação como uma ameaça e desencadeiam uma reação de ataque para proteger a colônia.

    A compreensão desse comportamento defensivo ajuda a população a evitar situações de risco e a tomar as precauções necessárias ao identificar a presença de abelhas nas proximidades.

    O que fazer durante um ataque: orientações essenciais

    Se um enxame desencadear um ataque, a Epagri orienta:

    Ação imediata:
    • Afaste-se imediatamente do local, de preferência correndo em zigue-zague
    • Busque abrigo em ambiente fechado (casa, comércio ou veículo)
    Primeiros socorros:
    • Retire os ferrões raspando a pele com uma lâmina ou cartão
    • Nunca aperte os ferrões com os dedos
    • Lave a região com água corrente
    • Aplique gelo para reduzir o inchaço
    Quando buscar atendimento médico:
    • Em casos de múltiplas ferroadas
    • Se surgirem sinais de reação alérgica
    • Sintomas como falta de ar, inchaço generalizado ou queda de pressão

    Rodrigo alerta que qualquer pessoa pode entrar em risco de morte após uma grande quantidade de ferroadas. Indivíduos alérgicos podem sofrer reações graves até mesmo com apenas uma picada.

    Enxameação: fenômeno natural aumenta presença urbana

    A primavera e o verão trazem o fenômeno da enxameação. Nesse período, a colônia de abelhas se divide e parte da família migra para ocupar um novo local. Outro fenômeno comum é o abandono da colmeia, quando toda a família deixa a colônia em busca de outro abrigo.

    Em ambos os casos, esses enxames frequentemente se deslocam até ambientes urbanos procurando locais adequados para se instalar.

    Enxames temporários em árvores e varandas: como identificar

    A população catarinense observa com relativa frequência enxames de abelhas se amontoando temporariamente em árvores, varandas ou beirais de casas. Rodrigo explica que essas aglomerações representam apenas uma “parada” antes de seguirem para outro local.

    “Isso pode acontecer em poucas horas ou dias. Nessas situações, o ideal é não mexer e apenas manter distância e isolar o local”, recomenda o especialista.

    A situação muda quando o enxame se fixa em um ponto que oferece risco. Locais próximos a áreas de circulação de pessoas, escolas, creches ou ambientes com animais exigem atenção especial.

    Rodrigo recomenda acionar um serviço profissional para a retirada do enxame. “Nunca tente retirar a colmeia por conta própria. A falta de conhecimento e equipamentos de proteção pode desencadear um ataque grave”, alerta.

    Polinização: o serviço essencial que vai além do mel

    As abelhas prestam um serviço fundamental para a humanidade que ultrapassa a produção de mel: a polinização. Estudos estimam que 75% das plantas agricultáveis do mundo dependem desses insetos para produzir.

    As plantas nativas também dependem das abelhas para sobreviver. A taxa de dependência varia de 30 a 80% entre as diferentes espécies vegetais. “Sem esse trabalho, haveria queda na produção de frutas, hortaliças e grãos, além de impactos severos na biodiversidade”, ressalta Rodrigo.

    A compreensão da importância ecológica das abelhas ajuda a população a conviver de forma mais harmônica com esses insetos essenciais, respeitando seu papel na natureza enquanto adota medidas de segurança apropriadas.

  • Empresa investe em aluguel de abelhas para aumentar produtividade de maçãs

    Empresa investe em aluguel de abelhas para aumentar produtividade de maçãs

    A Rasip Agro, unidade da RAR Agro & Indústria e uma das maiores produtoras de maçãs do Brasil, aposta em um investimento inédito para a safra 2025: o aluguel de 300 milhões de abelhas para polinização de seus pomares. A iniciativa visa potencializar a florada em 1,5 mil hectares de cultivo na região de Vacaria (RS).

    Mais de 5,5 mil caixas ninho com abelhas da espécie Apis mellifera começam a ser distribuídas ainda em setembro, período que marca o início do ciclo de florescimento das macieiras. Serão disponibilizadas cerca de cinco colmeias por hectare, garantindo uma polinização eficiente e natural.

    Segundo Sergio Martins Barbosa, presidente executivo da RAR Agro & Indústria, o investimento em aluguel de abelhas reflete o compromisso da empresa com práticas agrícolas sustentáveis e inovadoras. “A polinização é fundamental para a qualidade e produtividade. A decisão de investir em um número expressivo de abelhas reflete nossa visão de longo prazo”, afirma.

    O executivo destaca que a empresa ampliou seus pomares em 10% em relação a 2024, o que torna ainda mais estratégico o uso de polinizadores naturais. “Queremos garantir não apenas altos índices de produção, mas também frutos com padrão superior, consolidando a Rasip Agro como referência nacional e internacional em maçãs de qualidade”, acrescenta.

    Como funciona a polinização com abelhas alugadas

    Celso Zancan, diretor da Rasip Agro e engenheiro agrônomo, explica que as abelhas desempenham papel essencial no processo de polinização. “Elas aumentam o pegamento das flores e influenciam diretamente na formação e no calibre das maçãs”, detalha.

    O especialista ressalta que essa interação natural resulta em frutos mais uniformes, com melhor qualidade e maior valor agregado. “O aluguel de colmeias garante eficiência e sustentabilidade ao manejo dos pomares”, completa Zancan.

    Expansão de 20% nas áreas de cultivo

    Além da introdução das colmeias alugadas, a Rasip Agro ampliou em 20% suas áreas de cultivo em relação ao ano anterior. Para Barbosa, a combinação entre expansão dos pomares e tecnologias sustentáveis, como a polinização com abelhas, fortalece a posição da companhia no mercado.

    “A expansão e o uso do aluguel de abelhas para polinização evidenciam o compromisso da Rasip em manter sua liderança no mercado. E promover o desenvolvimento da região de Vacaria”, finaliza o presidente executivo.

  • Agrotóxicos alteram milhares de genes em abelhas, revela pesquisa premiada da Unesp

    Agrotóxicos alteram milhares de genes em abelhas, revela pesquisa premiada da Unesp

    Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp, campus de Botucatu, ganhou reconhecimento nacional. O trabalho revelou como os defensivos agrícolas afetam os genes das abelhas. A tese conquistou menção honrosa no Prêmio Capes de Tese 2025.

    A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou o resultado em 29 de agosto. O prêmio recebeu 1.543 trabalhos inscritos nesta edição.

    Isabella Cristina de Castro Lippi desenvolveu a pesquisa no Programa de Pós-graduação em Zootecnia. Ela investigou os efeitos do imidaclopride no transcriptoma de abelhas Apis mellifera africanizadas. O professor Ricardo de Oliveira Orsi orientou o trabalho.

    Os resultados surpreenderam os pesquisadores. Milhares de genes das abelhas sofreram alterações após a exposição aos agrotóxicos. As doses subletais – que não matam imediatamente – causaram mais danos que as letais.

    Isabela Lippi durante a pesquisa. Foto: acervo pessoal

    “As alterações na expressão dos genes comprometem funções essenciais”, explica Isabella. “Imunidade, nutrição, metabolismo, comportamento, visão e capacidade de voo ficam prejudicados.”

    A pesquisadora destaca a importância das abelhas para a humanidade. Elas polinizam frutas, verduras e castanhas. Muitas plantas dependem exclusivamente da polinização realizada por esses insetos para se reproduzir.

    “Quando as abelhas enfrentam ameaças como os agrotóxicos, nossa segurança alimentar fica em risco”, alerta Isabella. “A biodiversidade também sofre consequências graves.”

    Metodologia rigorosa garante resultados confiáveis

    A equipe desenvolveu o trabalho nas colmeias experimentais da FMVZ, na Fazenda Lageado. Os testes de Biologia Molecular aconteceram no Instituto de Biotecnologia (IBETEC) da Unesp.

    Os pesquisadores coletaram quadros de cria com abelhas ainda não emergidas. Aguardaram a eclosão e marcaram as recém-nascidas com caneta colorida no dorso. Após 21 dias, buscaram essas abelhas marcadas entre milhares de indivíduos na colmeia.

    “Encontrar as abelhas marcadas era uma tarefa desafiadora”, conta Isabella. “Depois coletávamos com pinça e levávamos ao laboratório para os testes.”

    Durante o doutorado, Isabella passou um período na Universidade de Queensland, na Austrália. A parceria internacional resultou na publicação de um artigo científico relevante.

    Doses subletais causam mais prejuízos

    A descoberta mais alarmante foi sobre as doses subletais. Estas concentrações, que não matam imediatamente, provocaram mais alterações genéticas que as doses letais.

    “A abelha não morre logo após o contato, mas sofre efeitos danosos”, explica a pesquisadora. “A morte pode acontecer dias ou semanas depois. Muitas vezes ninguém associa isso ao agrotóxico.”

    Esse efeito preocupa especialmente os apicultores. Eles costumam levar colmeias para áreas de cultivo durante o período de floração. O Brasil possui legislação menos rígida sobre agrotóxicos que países europeus.

    “Estudos de avaliação de risco são fundamentais”, defende Isabella. “Precisamos de dados científicos sólidos para subsidiar decisões regulatórias.”

    NECTAR produz conhecimento para setor apícola

    O trabalho integra as atividades do Núcleo de Ensino, Ciência e Tecnologia em Apicultura Racional (NECTAR) da FMVZ/Unesp. Há anos o grupo desenvolve estudos importantes para a comunidade científica e criadores de abelhas.

    As pesquisas do NECTAR já serviram de base para restrições regulatórias. O Fipronil, agrotóxico usado no controle de insetos, teve seu uso limitado com base nos estudos do núcleo.

    “Testamos diversos agrotóxicos – inseticidas, herbicidas e fungicidas”, comenta o professor Orsi. “Demonstramos efeitos de doses baixíssimas que não causam mortalidade imediata, mas provocam distúrbios ao longo do tempo.”

    O orientador destaca a relevância do trabalho de Isabella. A pesquisa se alinha com o conceito de Saúde Única e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

    Pesquisa terá continuidade internacional

    Isabella atualmente trabalha como pesquisadora na Universidade de Queensland. Ela busca implementar projetos similares na Austrália, onde existem poucos estudos na área.

    No Brasil, o NECTAR continua desenvolvendo pesquisas sobre agrotóxicos e abelhas. O grupo tem objetivos duplos para o futuro.

    “Queremos contribuir para políticas públicas mais rigorosas sobre agrotóxicos”, afirma Isabella. “Também buscamos desvendar os mecanismos de ação em organismos não alvo.”

    A pesquisadora acredita que o trabalho pode abrir caminho para novas tecnologias. O desenvolvimento de produtos agrícolas menos prejudiciais ao meio ambiente representa uma meta importante para a sustentabilidade.

  • Conheça o primeiro meliponário educativo da Zona da Mata mineira

    Conheça o primeiro meliponário educativo da Zona da Mata mineira

    O Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) consolida-se como um dos principais destinos de educação ambiental da Zona da Mata mineira. Situado na Mata do Krambeck, um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica em área urbana do Brasil, o espaço ganhou uma nova atração que promete encantar visitantes de todas as idades: o Meliponário de Abelhas Nativas e a Trilha do Mel.

    Foto: Breno Moreira/Divulgação

    É o primeiro meliponário destinado à educação ambiental na Zona da Mata mineira, representando um marco na conservação e estudo das abelhas sem ferrão da região. O projeto, coordenado pela professora Ana Paula Gelli e viabilizado por meio de financiamento da FAPEMIG, oferece uma experiência educativa única aos visitantes.

    Um fragmento de Mata Atlântica preservado

    O Jardim Botânico da UFJF abriga mais de 400 espécies nativas da Mata Atlântica, oferecendo aos visitantes a oportunidade de compreender os usos, relações ecológicas e dimensões culturais dessa biodiversidade. O espaço funciona como um verdadeiro laboratório a céu aberto, onde ações de educação ambiental possibilitam a troca de saberes sobre a biodiversidade.

    Foto: Breno Moreira/Divulgação

    A visitação é gratuita e aberta ao público em geral. Horário de visitação de terça a domingo, das 8h às 17h, com última entrada de visitantes às 16h. O acesso se dá pela Rua Coronel Almeida Novaes 246, no Bairro Santa Terezinha.

    Trilha do Mel: uma jornada pelo mundo das abelhas nativas

    A Trilha do Mel conduz os visitantes através de um percurso educativo até o meliponário, onde podem observar de perto diferentes espécies de abelhas sem ferrão. O acesso ao início da trilha se dá pelo caminho à esquerda do primeiro lago do Jardim, sendo também possível percorrê-la próxima ao segundo lago.

    Ao longo do percurso, painéis interpretativos apresentam informações sobre a ecologia, o comportamento e a importância desses polinizadores para os ecossistemas. A experiência é complementada por oficinas e atividades educativas que sensibilizam o público para a necessidade de conservação da biodiversidade.

    O meliponário é formado por uma série de abrigos que simulam os ninhos naturais das abelhas da tribo Meliponini. Cada abrigo contém uma caixa de madeira modular, separada para abrigar o ninho e os potes de alimento – mel e pólen. As estruturas, instaladas sob telhado verde, se parecem com uma sequência de casinhas, construídas pelo criador de abelhas nativas e marceneiro Paulo César Munck.

    Foto: Breno Moreira/Divulgação

    Inicialmente, cinco espécies de abelhas nativas e sociais ocupam 13 casas do “condomínio”: jataí, mandaguari, uruçú-amarela e iraí. Das 550 espécies sem ferrão identificadas em países tropicais e subtropicais, cerca de 250 foram encontradas no Brasil, demonstrando a riqueza dessa fauna nacional.

    Na Trilha também é possível observar o “hotel” para abelhas solitárias, como a abelha da orquídea e a mamangava, ampliando ainda mais a diversidade de espécies apresentadas aos visitantes.

    A importância das abelhas sem ferrão

    Segundo Dr. Breno Moreira Motta, biólogo e diretor do Jardim Botânico UFJF, “O Meliponário foi planejado com foco na conservação das abelhas sem ferrão, espécies fundamentais da nossa biodiversidade. Além da conservação, o projeto desenvolve atividades de educação ambiental. Nessas ações, busca-se mostrar à comunidade a importância das abelhas para o equilíbrio dos ecossistemas. O espaço também contribui para a pesquisa científica e extensão universitária. Visitantes podem aprender sobre a biologia e os hábitos dessas espécies. O projeto aproxima ciência e sociedade, despertando consciência ambiental.”

    Foto: Breno Moreira/Divulgação

    As abelhas sem ferrão exercem papel fundamental nos processos de polinização, influenciando diretamente a regeneração natural, a manutenção da diversidade vegetal e a estabilidade dos ecossistemas tropicais. A perda de habitat, o uso indiscriminado de agrotóxicos e as mudanças climáticas têm impactado significativamente essas populações, reforçando a necessidade de projetos de conservação e educação ambiental.

    Experiência educativa para toda a família

    As visitas mediadas ocorrem de terça a sexta, em dois horários, das 8h às 11h e das 13h às 16h. São gratuitas, sendo necessário agendamento apenas para escolas e grupos organizados. O ambiente é acessível e pensado para acolher públicos diversos, desde famílias até pesquisadores.

    O Jardim Botânico oferece ainda trilhas ecológicas, estufas, coleções científicas e áreas de lazer. Entre suas principais ações estão a conservação da biodiversidade da Mata Atlântica e a realização de projetos de pesquisa. Oficinas, visitas guiadas e exposições são promovidas ao longo do ano, sempre com o objetivo de aproximar ciência e sociedade.

    Foto: Divulgação

    O projeto integra pesquisa, extensão e conservação, proporcionando oportunidades para estudos em taxonomia, comportamento, conservação genética e manejo racional de meliponíneos. O espaço reforça a compreensão de que a preservação das abelhas não se restringe apenas à produção de mel, mas está intrinsecamente associada à segurança alimentar e à manutenção da biodiversidade.

    “A criação do Meliponário sempre esteve entre os objetivos do Jardim Botânico da UFJF. Esse sonho foi concretizado graças à iniciativa da professora Ana Paula Gelli, coordenadora do projeto”, reforça Motta.

    Foto: Breno Moreira/Divulgação

    O Meliponário configura-se como um instrumento estratégico na promoção da conservação da fauna nativa e da educação ambiental de base científica, contribuindo para a formação de uma consciência ambiental crítica e voltada à sustentabilidade.

    A Trilha do Mel representa um convite ao conhecimento e à valorização da natureza. O espaço de harmonia e beleza cênica oferece uma experiência de aprendizado, lazer e contato direto com a sociobiodiversidade, consolidando o Jardim Botânico da UFJF como referência em educação ambiental na região.

    Serviço:

    Local: Jardim Botânico da UFJF

    Endereço: Rua Coronel Almeida Novaes, 246 – Santa Terezinha, Juiz de Fora/MG

    Funcionamento: Terça a domingo, das 8h às 17h (última entrada às 16h)

    Entrada: Gratuita

    Informações: Não é necessário agendamento para visitas individuais

    Contato: Site oficial do Jardim Botânico UFJF para agendamento de grupos escolares

  • Ataques de abelhas crescem 80% e já matam mais que serpentes

    Ataques de abelhas crescem 80% e já matam mais que serpentes

    O Brasil enfrenta uma crise silenciosa que vem ganhando proporções alarmantes: os ataques de abelhas africanizadas aumentaram 83% entre 2021 e 2024, saltando de 18.668 para 34.252 ocorrências registradas. Mais grave ainda é o número de mortes, que mais que dobrou no período, atingindo 125 óbitos tanto em 2023 quanto em 2024.

    Os dados, que colocam os ataques de abelhas acima dos registros de ataques de serpentes desde 2023, motivaram pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) a publicar um estudo na revista científica Frontiers in Immunology, classificando o envenenamento por picadas de Apis mellifera como um problema de saúde pública negligenciado.

    Problema cresce sem tratamento específico

    “Ainda hoje não existe um antídoto contra o veneno de abelhas, como os que temos para as picadas de serpentes, aranhas e escorpiões”. É o que explica Rui Seabra Ferreira Júnior, médico-veterinário e diretor do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Unesp. Ele coordenou a pesquisa.

    Apenas nos primeiros sete meses de 2024, o país já registrou mais de 18 mil acidentes com abelhas, evidenciando a gravidade crescente do problema. A ausência de um tratamento específico para essas vítimas é um dos principais argumentos dos pesquisadores para classificar a situação como questão negligenciada de saúde pública.

    Causas do crescimento ainda são investigadas

    Osmar Malaspina, biólogo do Instituto de Biociências da Unesp em Rio Claro e uma das maiores autoridades no estudo de abelhas no Brasil, aponta possíveis fatores para o aumento dos casos. “Especulamos sobre uma combinação entre o desmatamento, com perdas de habitat nas matas, e a procura por novos locais para ninhos próximos a áreas urbanas”, afirma o especialista.

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    O pesquisador também destaca a busca das abelhas por alimentos gerados pelas atividades humanas em determinadas épocas do ano como outro fator que intensifica o contato entre humanos e insetos.

    Efeitos variam conforme o sistema imunológico

    Benedito Barraviera, docente da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) e cofundador do Cevap, esclarece que os efeitos das picadas dependem fundamentalmente do sistema imunológico de cada pessoa. “Não é possível determinar quantas ferroadas irão colocar a pessoa em situação de risco”, alerta o médico.

    O especialista identifica dois tipos principais de acidentes:

    • Reações alérgicas: pessoas alérgicas podem desenvolver choque anafilático com apenas uma picada, situação que exige injeção imediata de adrenalina e atendimento médico de emergência.
    • Intoxicação por múltiplas picadas: quando uma pessoa não alérgica recebe muitas picadas simultaneamente, o excesso de veneno pode causar complicações neurológicas e renais. Isso além de torpor neurológico com risco de parada cardiorrespiratória.

    Tratamento atual é limitado e custoso

    A falta de um soro específico contra ferroadas de abelhas africanizadas torna o tratamento mais caro e imprevisível. “O protocolo atual é aplicar apenas o tratamento para os sintomas”, explica Barraviera. “Se o soro antiapílico desenvolvido pelo Cevap já estivesse disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), seria possível lidar com todas essas complicações de uma só vez e com mais segurança.”

    Na ausência de tratamentos específicos, os especialistas recomendam medidas preventivas rigorosas:

    • Nunca manusear colmeias sem equipamento adequado
    • Evitar uso de inseticidas e venenos próximos aos ninhos
    • Não fazer movimentos bruscos ou ruidosos near dos enxames
    • Isolar o local quando identificar ninhos
    • Contactar imediatamente a Defesa Civil, Bombeiros ou empresas especializadas em remoção

    As abelhas Apis mellifera, conhecidas como africanizadas, são essenciais para a polinização e produção de mel. Mas seu comportamento defensivo intenso quando sentem ameaça ao enxame torna os encontros com humanos potencialmente fatais. A conscientização sobre os riscos e a implementação de medidas preventivas são fundamentais para reduzir o número crescente de vítimas dessa crise silenciosa da saúde pública brasileira.

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  • Como a alimentação artificial no inverno salva abelhas

    Como a alimentação artificial no inverno salva abelhas

    O inverno exige cuidados especiais dos apicultores com as colmeias. Com a queda das temperaturas, as flores desaparecem, reduzindo o néctar e o pólen disponíveis para as abelhas. Sem alimento suficiente, os enxames podem enfraquecer ou até morrer.

    Rodrigo Durieux Cunha, chefe da Divisão de Estudos Apícolas da Epagri, explica que as abelhas ficam menos ativas no frio. Elas se agrupam dentro das caixas para manter o calor e saem pouco em busca de comida.

    “Se os estoques de mel e pólen forem baixos, o apicultor precisa fornecer alimentação artificial. Caso contrário, a colônia pode não resistir até a primavera”, alerta Rodrigo.

    Alimentação energética e proteica é a solução

    A suplementação ajuda a repor o que as abelhas não conseguem coletar no inverno. Se faltar mel, o apicultor deve oferecer xarope de açúcar (alimento energético). Se o pólen estiver escasso, é necessário fornecer suplemento proteico.

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    O alimento deve ser colocado dentro da colmeia, em recipientes próprios, para evitar desperdício e ataques de outros insetos. Apesar da eficácia da alimentação artificial, o especialista reforça: o melhor alimento sempre será o néctar e o pólen das flores.

    Cuidados no inverno garantem produtividade na primavera

    Enxames bem nutridos no inverno se recuperam mais rápido quando as flores voltam. Isso garante maior produção de mel e outros derivados na próxima estação.

    Para evitar perdas, os apicultores devem monitorar as reservas das colmeias antes do frio e iniciar a suplementação assim que necessário. O manejo correto no inverno é decisivo para uma apicultura lucrativa e sustentável.

    Confira algumas receitas de alimentação para as abelhas no inverno:

    Alimentação protéica – para suprir a falta de pólen 

    Fórula ração protéica – EPAGRI

    • 5kg de açúcar cristal moído ou açúcar refinado
    • 4kg de proteína de soja texturizada fina e sem corante
    • 1kg de levedura inativada de cerveja ou cana de açúcar
    • 5ml de extrato de própolis por Kg de alimento
    • Mel ou xarope grosso até dar o ponto de pasta mole

    Ou

    •  5kg de açúcar cristal moído ou açúcar refinado
    •  2,5kg de proteína de soja
    •  2,5kg de levedura inativada de cerveja ou cana
    •  5ml de extrato de própolis para cada 1 kg de pasta pronta
    •  Mel ou xarope grosso até dar o ponto de pasta mole

    Fórmula (Robson Raad) para a fabricação de 5 kg de bife de proteína

    Bife de proteína leva soja, levedura de cerveja e óleo de girassol, entre ouros ingredientes (Foto: Divulgação / Epagri)
    • 750g de proteína de soja
    • 750g de levedura de cerveja
    • 1,425g mel ou gludex (açúcar invertido líquido)
    • 1,650g  de açúcar
    • 250ml de óleo de girassol
    • 50g de aminomix (Haras)
    • 25ml de extrato de própolis
    • 100g de sal
    • água (o necessário até ficar no ponto de pasta)

    Modo de preparo e fornecimento:

    • Misturar bem os ingredientes secos, em seguida adicionar os ingredientes úmidos aos poucos e mexer até formar uma pasta mole porém que não escorra entre os dedos;
    • Separar em porções em forma de bife de 150 a 400 gramas, dependo do tamanho das colônias que serão alimentadas a cada 15 dias;
    • Os bifes que não serão utilizados imediatamente poderão ser envoltos em plástico e armazenados no freezer.
    • Obs. Pode-se substituir a levedura de cerveja por proteína de soja, porém a ração perderá um pouco em qualidade.

    O bife de proteína deve ser colocado sobre os quadros de cria. Ali se encontram as abelhas nutrizes que são as que fazem melhor aproveitamento dos suplementos.

    Alimentação Energética – para suprir a falta de mel

    Fórmula de xarope para manutenção

    Xarope leva poucos ingredientes e é fácil de fazer
    • 5 kg de açúcar
    • 2 litros de água
    • 300ml de suco de limão sem sementes
    • 5ml de extrato de própolis para cada litro de xarope pronto
    Modo de preparo

    Misturar o açúcar com água, aquecer até começar a levantar a fervura, desligar o fogo e adicionar o suco de limão e a própolis.

    Observação: Em substituição ao xarope de açúcar pode ser utilizado o açúcar VHP. O açúcar VHP é mais prático para ser fornecido, pois não precisa diluir, e tem mostrado ótimos resultados, exceto em colmeias fracas ou novas, com menos de 4 quadros cobertos com abelhas.

    Fornecimento

    Faltando mel, fornecer 2 litros de xarope a cada 7 dias ou de 2 a 6kg de açúcar VHP, quantidade suficiente para um período de 15 a 40 dias

    “Tijolinho” de açucar

    – Açúcar fino (quanto mais fino é melhor, moer numa forrageira até virar pó. Se não conseguir moer, use açúcar refinado mesmo).

    Adicionar ao açúcar:

    – 2% de amido de milho em relação ao peso do açúcar

    – 0,5% de sal fino

    – Água não clorada

    – Mel para melhor aceitação

    Modo de preparo:

    – Misture bem os ingredientes secos, adicione água misturada com o mel, mexendo bem, até o ponto de massa, sem desmanchar.

    – Faça blocos de mais ou menos 800g e coloque em pacotes de papel, usando um pacote por colmeia, no alimentador de teto. Fure o pacote para dar acesso às abelhas. Monitore as colmeias a cada 15 a 20 dias para avaliar o consumo, e se necessário repetir.

    Essa receita é para ser utilizada em enxames fracos e para formação de núcleos

    Consumo médio por colmeia com alta produtividade

    – 1 a 1,5Kg de proteína de soja e/ou levedura de cerveja ao ano

    – 8 a 10Kg de açúcar cristal, açúcar VHP ou glucomel (frutose de cana de açúcar) ao ano.

    *Observar cuidados na apicultura orgânica

    Nesta época, lembrar também  de fazer a termorregulação, através da instalação do alvado invertido, entretampa ou poncho, e também fazer o diagnóstico da infestação de varroa no final do inverno e se necessário controlar.

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  • Abelhas podem ajudar no combate ao Aedes aegypti

    Abelhas podem ajudar no combate ao Aedes aegypti

    Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Brasília (UnB) e de duas startups de Ribeirão Preto encontraram um composto capaz de matar larvas de Aedes aegypti na própolis da abelha sem ferrão conhecida como mandaçaia (Melipona quadrifasciata). Os resultados foram publicados na revista Rapid Communications in Mass Spectrometry.

    O trabalho é fruto de apoios da FAPESP e de um projeto financiado pelo Ministério da Saúde para a busca de agentes larvicidas naturais que combatam o mosquito causador de viroses como dengue, febre amarela, chikungunya e zika. Atualmente, esse combate é feito usando um inseticida químico bastante tóxico ao ambiente.

    “As abelhas são conhecidas por recolher materiais na natureza para compor a colônia, que em certos casos podem atuar protegendo contra bactérias e fungos invasores. Fizemos uma série de análises na geoprópolis, que mistura resinas vegetais com partículas de terra ou argila em sua composição [a própolis tradicional é feita apenas com resinas, cera e secreções das abelhas]. Observamos que o diterpeno presente nela era responsável pela atividade larvicida”, explica Norberto Peporine Lopes, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP).

    Lopes coordena o projeto “Inventariando o metabolismo secundário através da metabolômica: contribuição para a valoração da biodiversidade brasileira”, apoiado pela FAPESP no âmbito do Programa BIOTA.

    Própolis

    Em larvas de Aedes aegypti, os pesquisadores compararam a ação da própolis tradicional, produzida pela abelha-europeia (Apis mellifera), com a da geoprópolis da mandaçaia. A primeira teve uma atividade muito baixa, mesmo após 72 horas de exposição. Nos ensaios com a geoprópolis, porém, ocorreu a morte de 90% das larvas em 24 horas e de 100% em 48 horas.

    Análises realizadas com ferramentas computacionais apontaram o diterpeno como o mais provável agente larvicida entre os compostos presentes na geoprópolis. Ao estudar os hábitos das abelhas em Bandeirantes, no Paraná, onde a geoprópolis foi coletada, observou-se que as mandaçaias visitam frequentemente plantações de pinus (Pinus elliottii), espécie de árvore do hemisfério Norte cultivada no Brasil para a exploração de madeira e resina.

    “Era sabido que a composição química da própolis é influenciada pelas resinas coletadas para a construção e proteção dos ninhos. Assim como pela composição florística do ambiente, do bioma e de fatores sazonais. Nesse caso, ficou claro que a resina do pinus, processada pela saliva das mandaçaias, é que proporciona a ação larvicida”, conta Luís Guilherme Pereira Feitosa, primeiro autor do artigo, realizado com apoio da FAPESP durante doutorado na FCFRP-USP.

    Abelha brasileira

    As mandaçaias são especialmente interessantes porque são de fácil cultivo, não têm ferrão e são nativas do Brasil. Uma das ideias dos pesquisadores é a valoração de outros produtos produzidos por elas, além do mel.

    No caso da própolis, a da mandaçaia se diferenciou da de outras abelhas nativas analisadas no estudo, encontradas no mesmo município: a borá (Tetragona clavipes), a mirim (Plebeia droryana) e a jataí (Tetragonisca angustula). A própolis das três espécies, também nativas e sem ferrão, teve baixa atividade larvicida.

    Os pesquisadores explicam que o volume de geoprópolis produzido pelas mandaçaias é muito baixo, o que torna inviável seu uso como agente larvicida. No entanto, o fato de o diterpeno estar na resina do pinus é uma boa notícia. A indústria já produz essa resina em larga escala para aplicações como solventes e colas. Portanto, isso permite submetê-la a processos químicos que imitam as transformações realizadas pelas mandaçaias.

    “São modificações que podem formar moléculas com maior atividade do que o composto original. E que podem ser induzidas em biorreatores, equipamentos presentes na indústria farmacêutica”, afirma Lopes.

    Segundo Feitosa, o estudo utilizou um fluxo de trabalho que combina diferentes técnicas de espectrometria de massas, método que também serve para identificar compostos com os mais variados propósitos. “Atualmente, buscamos moléculas naturais com ação contra tumores”, diz o pesquisador, que agora realiza pós-doutorado na FCFRP-USP.

    Descoberta

    A professora Laila Salmen Espindola, da UnB, coordenou o projeto do Ministério da Saúde. E proporcionou ainda a descoberta de outro composto larvicida, presente no óleo essencial de uma planta já produzida em larga escala. O ministério mantém os dados da descoberta, que ainda aguarda publicação.

    Os pesquisadores, inclusive, produziram um pó e um comprimido à base do óleo essencial que protegem a água por até 24 dias. O pó mata imediatamente as larvas, enquanto o comprimido, de liberação lenta, se dissolve aos poucos e mantém a água livre dos mosquitos.

    É possível ler o artigo Characterization of larvicidal diterpene resin acids in Melipona quadrifasciata geopropolis via LC-ESI-MS/MS, GC–MS and computational analysis no seguinte link: https://analyticalsciencejournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/rcm.10025.

    Por André Julião | Agência FAPESP 

    Errata: fomos alertados pelo nosso leitor, o educador Gerson Pinheiro, que a foto que ilustrava essa matéria era de uma espécie invasora. Por isso a imagem foi alterada. Obrigado Gerson. 

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