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  • Safrinha começa com ataques da cigarrinha-do-milho

    Safrinha começa com ataques da cigarrinha-do-milho

    O início da safrinha 2025 traz desafios significativos para os produtores de milho no Brasil, com o avanço da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) sendo um dos principais problemas fitossanitários enfrentados. O engenheiro agrônomo José de Freitas, da Sipcam Nichino Brasil, alerta que a praga tem se espalhado por diversas regiões do país. Assim, exigindo uma nova abordagem no manejo.

    Freitas destaca que o controle da fase ninfa da cigarrinha é crucial para o sucesso das lavouras. “Estudos demonstram que focar na ninfa se tornou central na estratégia de manejo do produtor, permitindo a quebra do ciclo da praga e promovendo uma colheita mais produtiva”, afirma. Essa conclusão é resultado de quase 80 trabalhos de campo realizados em parceria com 24 consultorias e instituições de pesquisa, incluindo a Unesp de Botucatu.

    <h4>Inovação no manejo

    A Sipcam Nichino lançou recentemente o inseticida Fiera®, que visa combater efetivamente a cigarrinha em todas as suas fases, não apenas na fase adulta. “Historicamente, o manejo focava apenas na fase adulta do inseto. Agora, oferecemos um novo olhar técnico que considera todas as fases jovens da praga”, explica Freitas. Os testes mostraram que o produto pode controlar ninfas com eficácia entre 95% e 100%. “As reduções observadas foram significativas: 66% na postura de ovos e 92% na eclosão”, ressalta Freitas.

    A cigarrinha-do-milho se destaca como uma das pragas mais vorazes da agricultura. Ela é responsável pela disseminação de doenças que podem levar a perdas significativas nas lavouras. Portanto, com seu ciclo de vida rápido e alta capacidade de migração, a praga representa um desafio constante para os agricultores.

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  • Kappaphycus alvarezii: macroalga é usada em biofertilizante

    Kappaphycus alvarezii: macroalga é usada em biofertilizante

    A Kappaphycus alvarezii, uma macroalga vermelha amplamente cultivada, está se destacando no Brasil como uma alternativa inovadora para a biofertilização de hortas. Desde a autorização para seu cultivo pelo órgão ambiental estadual em 2022, o interesse pela algicultura tem crescido no litoral norte de São Paulo. O extrato dessa macroalga promove o desenvolvimento das plantas e oferece uma solução sustentável para o setor agrícola.

    Originária das Filipinas, a Kappaphycus alvarezii foi introduzida no Brasil em 1995 por meio de uma colaboração entre a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto de Pesca (IP-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O IP-Apta desenvolve diversos projetos na Fazenda Marinha Experimental e no Laboratório de Macroalgas Marinhas Ricardo Toledo Lima Pereira (LAMAMA), localizado em Ubatuba (SP).

    Pesquisa e resultados

    Uma pesquisa recente liderada pela pesquisadora Aline Nunes, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em parceria com o IP-Apta e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), demonstrou que o extrato aquoso da Kappaphycus alvarezii pode aumentar a produtividade e a qualidade das plantações agrícolas, especialmente da hortelã-pimenta (Mentha piperita). “O biofertilizante derivado da Kappaphycus alvarezii apresenta um grande potencial para aplicação na agricultura”, afirma Nunes.

    Os resultados indicam que a aplicação do extrato promoveu um aumento significativo na altura das plantas, no número de nós e no peso seco da parte aérea da hortelã-pimenta. A pesquisa também observou que as melhorias variaram conforme a concentração do extrato utilizado.

    Benefícios sustentáveis

    O uso do biofertilizante natural representa uma alternativa sustentável e eficaz para o cultivo da hortelã-pimenta. E permite um crescimento mais robusto sem depender de produtos químicos sintéticos. “Esse avanço demonstra o potencial das algas marinhas como aliadas na agricultura sustentável”, destaca Nunes.

    Valéria Gelli, pesquisadora científica do IP-Apta e coordenadora do Programa Algicultura SP, enfatiza que as pesquisas sobre o biofertilizante à base da Kappaphycus alvarezii têm sido realizadas desde 2015. “Este novo estudo reafirma sua eficiência agronômica como uma solução sustentável, com grande potencial para reduzir a dependência de produtos químicos”, conclui Gelli.

    Maricultor de Santa Catarina produz biofertilizante

    O maricultor Raulino de Souza Filho, conhecido como Nino, está inovando na agricultura ao cultivar a macroalga Kappaphycus alvarezii em Palhoça, na Grande Florianópolis. Desde a autorização para o cultivo dessa alga pelo órgão ambiental estadual em 2022, Nino decidiu investir no negócio e já montou uma fábrica para produzir extrato de alga destinado à fabricação de biofertilizantes.

    Com uma área de produção de 1,54 hectare, Raulino iniciou suas atividades de forma experimental em parceria com a Epagri. “A alga tem um grande potencial e estamos trabalhando em cima disso. Sou apaixonado por inovação e já tenho mais de 20 anos de parceria com a Epagri. Acreditei nesse projeto e vou ser pioneiro em Santa Catarina”, afirma Nino.

    Em 2022, enquanto ainda operava experimentalmente, ele produziu 36 mil litros do extrato de alga, vendendo cerca de 30% da produção. Para 2023, a previsão é aumentar a produção para 50 mil litros e futuramente comercializar o fertilizante pronto. “Há uma grande demanda por algas. Estou conversando com colegas maricultores que poderão produzir a macroalga consorciada com cultivos de ostras e mexilhões”, explica o empresário.

    Transformação das macroalgas

    Outro exemplo de sucesso no uso das macroalgas é a maricultora Tatiana Gama da Cunha, que também atua em Florianópolis. Ela utiliza as macroalgas para criar alimentos, cosméticos e biofertilizantes artesanais. Com o apoio da Epagri, Tatiana fundou a empresa Algama e inaugurou em 2023 a primeira unidade de beneficiamento de macroalgas para alimentação em Santa Catarina.

    O interesse pela Kappaphycus alvarezii surgiu como uma alternativa para melhorar a qualidade da água nos cultivos de moluscos na fazenda da família, localizada no Ribeirão da Ilha. “O trabalho com algas é mais leve”, comenta Tatiana.

    Tatiana tem explorado formas de agregar valor ao produto, desenvolvendo artesanalmente sabonetes, hidratantes, xampus, condicionadores e biofertilizantes. Em 2022, ela colheu 4 toneladas de macroalgas em uma área de 0,5 hectare e planeja expandir seu cultivo focando na produção alimentar e oferecendo oficinas culinárias sobre o uso das algas.

    “O consumo de alimentos à base de algas traz vários benefícios para a saúde. Elas são consideradas polivitamínicos naturais e têm propriedades antioxidantes”, defende Tatiana.

    Apoio Institucional

    O apoio da Epagri tem sido fundamental para o desenvolvimento desses negócios. Tatiana participou do curso “Mulheres em Ação” e elaborou um projeto que viabilizou sua unidade de beneficiamento. Com o financiamento obtido através do Programa Jovens e Mulheres em Ação da Secretaria da Agricultura, ela recebeu R$ 11 mil para dar início ao seu empreendimento.

    O cultivo da macroalga Kappaphycus alvarezii está se consolidando como uma alternativa sustentável e promissora para o setor maricultor em Santa Catarina. Com iniciativas como as de Raulino e Tatiana, as macroalgas não apenas contribuem para a saúde do meio ambiente, mas também oferecem novas oportunidades econômicas para os produtores locais. As perspectivas são otimistas para o futuro desse mercado emergente no estado.

    A utilização do biofertilizante derivado da macroalga Kappaphycus alvarezii não apenas promete aumentar a produtividade das plantações de hortelã-pimenta. Mas também representa um passo importante em direção à sustentabilidade na agricultura brasileira. Com o crescimento do interesse por práticas agrícolas ecológicas, essa inovação pode transformar o setor e contribuir para um futuro mais verde.

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  • Café – probióticos combatem doenças e estimula crescimento

    Café – probióticos combatem doenças e estimula crescimento

    Pesquisas recentes apontam que probióticos podem ser uma ferramenta promissora na proteção e no desenvolvimento de mudas de café. O estudo foi realizado em conjunto pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), o Instituto Biológico de São Paulo (IB) e a Embrapa. E demonstrou a eficácia de dois probióticos comerciais na redução de doenças que afetam a cultura do café, além de favorecer o crescimento das plantas.

    Os testes com dois produtos formulados com Bacillus, Colostrum BIO 21 MIX e Colostrum BS, mostraram uma redução significativa na severidade de doenças como ferrugem do cafeeiro, mancha de phoma e mancha aureolada. A ferrugem, responsável por grandes perdas na produção de café, teve sua severidade reduzida em até 95% com o uso desses probióticos. Já a mancha de phoma apresentou uma redução de até 79%, enquanto a mancha aureolada foi diminuída em 56%.

    Além de controlar doenças, os probióticos também estimularam o crescimento das mudas. Com isso, aumentando a massa fresca e seca da parte aérea, o volume das raízes e a área foliar das plantas. Esse efeito pode estar relacionado à produção de fitohormônios pelas bactérias. E também ao aumento da disponibilidade de nutrientes no solo, como fósforo e potássio, promovendo um crescimento mais robusto das mudas.

    Eficácia na prevenção

    Segundo o pesquisador Guilherme de Freitas, que conduziu o estudo em sua pesquisa de mestrado pela Unesp, os probióticos foram particularmente eficazes na prevenção da ferrugem do cafeeiro. Esse é um dos maiores problemas enfrentados pelos cafeicultores. Já o pesquisador Wagner Bettiol, da Embrapa Meio Ambiente, destaca que a aplicação dos probióticos pode ser uma alternativa sustentável ao uso de defensivos químicos. Contribuindo assimpara a saúde do solo e da planta sem a necessidade de grandes quantidades de agrotóxicos.

    A ferrugem do cafeeiro é uma das doenças mais devastadoras da cultura e pode causar perdas de até 50% na produção, de acordo com a pesquisadora Flavia Patrício, do Instituto Biológico. Ela explica que a ação de consórcios microbianos, como o presente no Colostrum BIO 21 MIX, combina microrganismos que atuam sinergicamente para impedir a proliferação de patógenos e proteger as plantas de forma mais eficiente.

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    No entanto, Flavia ressalta que, embora os resultados laboratoriais sejam promissores, mais estudos em campo são necessários para validar a eficácia desses produtos em grande escala e avaliar sua viabilidade econômica.

    Benefícios

    Os probióticos, conhecidos por suas propriedades benéficas na saúde humana e animal, também apresentam grande potencial na agricultura. Principalmente por serem microrganismos reconhecidos como seguros pela Administração Federal de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) e pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA). Esses produtos competem com patógenos, impedem sua adesão às plantas, produzem compostos antimicrobianos e modulam o sistema imunológico dos vegetais, tornando-os mais resistentes a doenças.

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    O uso de probióticos, além de trazer benefícios para a saúde das mudas de café, pode também contribuir para práticas agrícolas mais sustentáveis. Além de reduzir a dependência de defensivos químicos e promover a vitalidade das plantas desde os estágios iniciais de desenvolvimento.

  • Veja as 10 melhores faculdades de veterinária do Brasil

    Veja as 10 melhores faculdades de veterinária do Brasil

    O Dia do médico-veterinário, celebrado em 9 de setembro, é uma data que homenageia os profissionais que dedicam suas vidas ao cuidado e à saúde dos animais, além de desempenharem um papel crucial na saúde pública e na segurança alimentar.

    O Agro em Campo apresenta a lista com as dez melhores faculdades de medicina veterinária do Brasil. O ranking é publicado pela Edurank, tradicional instituição que avalia universidades em 183 países.

    Melhores Faculdades de Medicina Veterinária no Brasil

    1. Universidade de São Paulo (USP) – São Paulo
    2. Universidade Estadual Paulista (UNESP) – São Paulo
    3. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – Minas Gerais
    4. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) – Rio Grande do Sul
    5. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) – Rio de Janeiro
    6. Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) – Rio Grande do Sul
    7. Universidade Estadual de Londrina (UEL) – Paraná
    8. Universidade Federal de Viçosa (UFV) – Minas Gerais
    9. Universidade Federal de Paraná (UFPR) – Paraná
    10. Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) – São Paulo

    Dia do Médico-Veterinário

    Entre os dias 7 e 8 de setembro, o Senado iluminou-se de verde em homenagem ao Dia do Médico-Veterinário, celebrado hoje (09/09). Além disso, aqueles que passaram nas proximidades do local puderam perceber a campanha nacional intitulada “Uma profissão, várias formas de cuidar. Médico com V de valor. Médico com V de vida”, que foi lançada pelo Sistema Conselhos Federal e Regionais de Medicina Veterinária (CFMV/CRMVs).

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    Essa ação integra, portanto, uma iniciativa mais ampla do Sistema CFMV/CRMVs, que, além de ressaltar a relevância da Medicina Veterinária para a sociedade brasileira, busca também destacar a rica biodiversidade do país. Portanto, no Brasil, existem aproximadamente 200 mil médicos-veterinários, sendo que 58% são mulheres e 42% são homens.

    Ou seja, esses profissionais exercem um papel fundamental não só na saúde animal, mas também na produção sustentável, na proteção da vida selvagem e na saúde pública.

    Além disso, o Brasil abriga cerca de 150 milhões de animais domésticos, 234 milhões de bovinos, 45 milhões de suínos, 1,5 bilhão de aves e 29 milhões de ovinos e caprinos, sem contar aproximadamente 120 mil espécies de animais selvagens.

    Esses dados, por sua vez, enfatizam a importância da atuação dos médicos-veterinários em diversas áreas, refletindo o impacto significativo que esses profissionais têm na saúde e bem-estar dos animais, bem como na segurança alimentar e na preservação do meio ambiente.

  • Pesquisadores brasileiros sequenciam genoma do cupuaçu pela primeira vez

    Pesquisadores brasileiros sequenciam genoma do cupuaçu pela primeira vez

    Cientistas brasileiros alcançaram um marco importante ao sequenciar, pela primeira vez, o genoma do cupuaçu (Theobroma grandiflorum), uma fruta típica da Amazônia. Esse avanço promete revolucionar o melhoramento genético da espécie, permitindo identificar e manipular genes que conferem resistência a doenças e aumentam a produtividade, fundamentais para cultivos mais sustentáveis e resilientes às mudanças climáticas.

    O estudo, que envolveu pesquisadores da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), Universidade Federal do Pará (UFPA), Embrapa Amazônia Oriental e Universidade de São Paulo (USP), decodificou 31.381 genes distribuídos em 10 cromossomos. Entre as descobertas, está a confirmação genética de que o cupuaçu compartilha 65% de semelhança com o cacau (Theobroma cacao). A pesquisa também identificou genes ligados à produtividade e à defesa contra a vassoura-de-bruxa, uma doença devastadora causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa.

    Valorização da ciência nacional

    Segundo Alessandro Varani, professor de bioinformática e genômica da Unesp, o trabalho valoriza o potencial da ciência nacional. “Esse é, possivelmente, um dos primeiros artigos a descrever o genoma completo, telômero a telômero, de uma planta da nossa biodiversidade”, destacou Varani. A pesquisa também identificou bactérias do grupo Actinomycetota, que vivem nas folhas do cupuaçu e ajudam na defesa contra doenças.

    O pesquisador Rafael Alves, da Embrapa Amazônia Oriental, ressaltou que a decodificação genômica permite obter resultados em meses, algo que tradicionalmente levaria décadas. “O acesso a esse conhecimento permite saber, já nas primeiras brotações, quais mudas possuem as características mais desejáveis”, afirmou. Alves destacou ainda que os genótipos utilizados no estudo foram escolhidos criteriosamente para maximizar a resistência a doenças como a vassoura-de-bruxa e aumentar a produtividade.

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    A aplicação da bioinformática foi essencial para o sequenciamento genético do cupuaçu, e os desdobramentos dessa pesquisa poderão fortalecer práticas agrícolas mais eficientes e sustentáveis na Amazônia. “Com o genoma 100% sequenciado, abrem-se novas possibilidades para o melhoramento genético da espécie, visando aprimorar características de interesse comercial e ambiental”, explicou Vinícius Abreu, professor da Faculdade de Computação da UFPA.

    Importância econômica

    A relevância econômica do cupuaçu é evidente, especialmente no Pará, onde a fruta ocupa 8.900 hectares e gera uma produção anual de 29 mil toneladas. O estudo “Bioeconomia da sociobiodiversidade no estado do Pará” estimou que a cadeia produtiva do cupuaçu poderia gerar mais de R$ 170 bilhões em renda até 2040. Isso consolida o fruto como um ativo crucial para a bioeconomia da Amazônia.

    Este avanço científico não só protege a produção e aumenta a produtividade, mas também fortalece a bioeconomia da Amazônia. E, principalmente, contribui para a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável da região.

     

  • Mudanças climáticas podem acabar com café no Brasil

    Mudanças climáticas podem acabar com café no Brasil

    Os produtores de café têm enfrentado várias dificuldades com a colheita este ano, especialmente devido ao impacto do aquecimento global.

    Algumas dessas dificuldades incluem:

    • Declínio da produtividade em consequência do aquecimento global, que está afetando a produtividade das plantações de café, levando a uma redução nos rendimentos e qualidade dos grãos.
    • Mudanças climáticas, como alterações nas temperaturas e nos padrões de chuva, estão afetando a distribuição e a qualidade das plantações de café. Isso pode levar a uma redução na qualidade e na produtividade dos grãos.
    • O aquecimento global pode beneficiar a disseminação de pragas e doenças que afetam as plantações de café, o que pode reduzir a produtividade e a qualidade dos grãos.
    • O aquecimento global também está afetando a disponibilidade de áreas adequadas para a produção de café. Isso pode levar a uma redução na produtividade e na qualidade dos grãos em regiões que anteriormente eram produtivas, ocasionando a perda de áreas produtivas.

    Essas dificuldades podem ter impactos significativos nos produtores de café e na cadeia de suprimento global, impactando de forma direta o Brasil, principalmente a produção de café arábica.

    Estudos indicam perdas

    De acordo com um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e dos institutos federais do Mato Grosso do Sul e do Sul de Minas, o país poderá perder mais de 50% das áreas propícias ao cultivo do grão até 2080, mesmo nos cenários mais otimistas.

    Utilizando cinco cenários climáticos projetados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o estudo simulou alterações no regime de chuvas e na temperatura atmosférica para as próximas décadas. Nos cenários menos adversos, por exemplo, a área adequada para a cafeicultura sem irrigação poderá diminuir em mais de 50% até 2060. O cenário mais pessimista prevê um aumento contínuo das emissões de gases de efeito estufa. Isso pode resultar em um aumento de 4°C na temperatura média global até o final do século.

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    Atualmente, 8,72% do território brasileiro são aptos para o cultivo de café arábica. Contudo, projeções indicam que essa área poderá ser drasticamente reduzida. No cenário mais otimista, a área adequada cairia para 3,7% entre 2041 e 2060, e para 5,4% entre 2061 e 2080. No cenário mais pessimista, a área cultivável poderia ser reduzida a zero até 2080.

    Estados mais afetados

    Os estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, que são os maiores produtores de café do Brasil. E estão entre os mais vulneráveis às mudanças climáticas. Em São Paulo, por exemplo, metade das lavouras de café foi perdida nas últimas três décadas. Em 2024, a região Sudeste enfrentou quatro ondas de calor, afetando a produção e a qualidade do grão.

    A produção de café No Brasil representa 33% da produção mundial e 26% das exportações do país

    O engenheiro agrônomo Glauco de Souza Rolim, da Unesp, destacou para o  Jornal da Unesp a importância de estratégias de adaptação para preservar a produção de café no Brasil. “O café é muito suscetível ao clima e pode apresentar produtividades altas ou baixas dependendo da temperatura do ar e das chuvas durante seu ciclo de produção”, afirmou Rolim. Ele enfatizou a necessidade de desenvolver métodos de irrigação e outras tecnologias para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

    A produção de café é vital para a economia brasileira, representando 33% da produção mundial e 26% das exportações. A cadeia produtiva gera mais de 8 milhões de empregos e sustenta aproximadamente 287 mil cafeicultores, a maioria pequenos produtores. A redução das áreas cultiváveis terá sérios impactos econômicos e sociais, exigindo ações urgentes para garantir a sustentabilidade do setor.