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  • Falta de diversidade genética ameaça conservação do mico-leão-preto

    Falta de diversidade genética ameaça conservação do mico-leão-preto

    Pesquisadores brasileiros e internacionais descobriram um problema crítico na conservação do mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus). A espécie, que existe apenas em São Paulo, pode perder diversidade genética essencial nas próximas duas décadas.

    O grupo científico analisou populações da espécie mantidas em cativeiro no Brasil e exterior. Os resultados mostram cenários preocupantes para a sobrevivência do primata nos próximos 100 anos.

    “Uma população menos diversa geneticamente será mais sensível a qualquer fator externo”, explica Laurence Culot, pesquisadora do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro. A cientista integrou o estudo publicado na revista PLOS ONE.

    O mico-leão-preto enfrenta ameaças desde o século passado. Entre 1900 e 1970, especialistas consideravam a espécie extinta. Apenas em 1973, programas de reprodução em cativeiro começaram a reverter esse quadro.

    O sucesso do mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) inspirou essas estratégias. Esta espécie saltou de 200 indivíduos em 1970 para 4.800 exemplares em 2023, segundo dados da Associação Mico-Leão-Dourado.

    Metodologia revela cenários críticos

    Nathalia Bulhões Javarotti conduziu a pesquisa durante seu mestrado na UFSCar. A orientação ficou a cargo de Patrícia Domingues de Freitas, do Departamento de Genética e Evolução.

    Os pesquisadores criaram projeções baseadas em dados genéticos das populações em cativeiro. Também incluíram informações da população selvagem do Morro do Diabo, origem dos primeiros animais levados para reprodução ex-situ.

    As projeções mostram dois cenários distintos. No primeiro, eventos críticos como doenças reduziriam a população. Neste caso, a diversidade genética duraria apenas 10 a 15 anos.

    O segundo cenário, sem eventos extremos, também preocupa. A expectativa indica perda significativa da diversidade genética após 20 anos.

    Solução passa por animais selvagens

    Os pesquisadores propõem uma estratégia específica para reverter o quadro. A inserção de micos-leões-pretos selvagens nas populações de cativeiro representa a principal alternativa.

    “Geralmente nós não queremos tirar um indivíduo de vida livre para colocar no cativeiro”, admite Culot. “Mas, quando isso ocorre, é ‘sangue novo’, é um indivíduo que pode ter material genético diferente dos outros.”

    A diversidade genética funciona como proteção natural da espécie. Populações diversas resistem melhor a doenças e mudanças ambientais.

    Quando todos os indivíduos compartilham características genéticas similares, qualquer ameaça externa afeta toda a população igualmente. Isso reduz drasticamente as chances de sobrevivência da espécie.

    Manejo demanda planejamento urgente

    As pesquisadoras enfatizam a necessidade de ações imediatas. O planejamento de medidas de manejo deve começar agora para evitar os cenários projetados.

    O intercâmbio entre instituições conservacionistas já acontece atualmente. Porém, essa prática precisa incluir animais selvagens para garantir maior variabilidade genética.

    A criação em cativeiro representa uma das principais ferramentas de conservação para espécies criticamente ameaçadas. O regime ex-situ permite manter populações estáveis enquanto os habitats naturais se recuperam.

    No caso do mico-leão-preto, essa estratégia tem funcionado desde os anos 1970. Contudo, o sucesso a longo prazo depende do monitoramento genético constante.

    Próximos passos da pesquisa

    O estudo publicado na PLOS ONE estabelece bases científicas para futuras decisões de manejo. Os dados genéticos coletados orientarão estratégias de conservação nas próximas décadas.

    A equipe continua monitorando as populações para acompanhar mudanças na diversidade genética. Essas informações são fundamentais para ajustar as estratégias conforme necessário.

    O trabalho demonstra como a ciência pode guiar ações de conservação eficazes. No caso do mico-leão-preto, decisões tomadas hoje determinarão o futuro da espécie nos próximos 100 anos.

    Leia a reportagem completa no Jornal da Unesp.

  • Agrotóxicos alteram milhares de genes em abelhas, revela pesquisa premiada da Unesp

    Agrotóxicos alteram milhares de genes em abelhas, revela pesquisa premiada da Unesp

    Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp, campus de Botucatu, ganhou reconhecimento nacional. O trabalho revelou como os defensivos agrícolas afetam os genes das abelhas. A tese conquistou menção honrosa no Prêmio Capes de Tese 2025.

    A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou o resultado em 29 de agosto. O prêmio recebeu 1.543 trabalhos inscritos nesta edição.

    Isabella Cristina de Castro Lippi desenvolveu a pesquisa no Programa de Pós-graduação em Zootecnia. Ela investigou os efeitos do imidaclopride no transcriptoma de abelhas Apis mellifera africanizadas. O professor Ricardo de Oliveira Orsi orientou o trabalho.

    Os resultados surpreenderam os pesquisadores. Milhares de genes das abelhas sofreram alterações após a exposição aos agrotóxicos. As doses subletais – que não matam imediatamente – causaram mais danos que as letais.

    Isabela Lippi durante a pesquisa. Foto: acervo pessoal

    “As alterações na expressão dos genes comprometem funções essenciais”, explica Isabella. “Imunidade, nutrição, metabolismo, comportamento, visão e capacidade de voo ficam prejudicados.”

    A pesquisadora destaca a importância das abelhas para a humanidade. Elas polinizam frutas, verduras e castanhas. Muitas plantas dependem exclusivamente da polinização realizada por esses insetos para se reproduzir.

    “Quando as abelhas enfrentam ameaças como os agrotóxicos, nossa segurança alimentar fica em risco”, alerta Isabella. “A biodiversidade também sofre consequências graves.”

    Metodologia rigorosa garante resultados confiáveis

    A equipe desenvolveu o trabalho nas colmeias experimentais da FMVZ, na Fazenda Lageado. Os testes de Biologia Molecular aconteceram no Instituto de Biotecnologia (IBETEC) da Unesp.

    Os pesquisadores coletaram quadros de cria com abelhas ainda não emergidas. Aguardaram a eclosão e marcaram as recém-nascidas com caneta colorida no dorso. Após 21 dias, buscaram essas abelhas marcadas entre milhares de indivíduos na colmeia.

    “Encontrar as abelhas marcadas era uma tarefa desafiadora”, conta Isabella. “Depois coletávamos com pinça e levávamos ao laboratório para os testes.”

    Durante o doutorado, Isabella passou um período na Universidade de Queensland, na Austrália. A parceria internacional resultou na publicação de um artigo científico relevante.

    Doses subletais causam mais prejuízos

    A descoberta mais alarmante foi sobre as doses subletais. Estas concentrações, que não matam imediatamente, provocaram mais alterações genéticas que as doses letais.

    “A abelha não morre logo após o contato, mas sofre efeitos danosos”, explica a pesquisadora. “A morte pode acontecer dias ou semanas depois. Muitas vezes ninguém associa isso ao agrotóxico.”

    Esse efeito preocupa especialmente os apicultores. Eles costumam levar colmeias para áreas de cultivo durante o período de floração. O Brasil possui legislação menos rígida sobre agrotóxicos que países europeus.

    “Estudos de avaliação de risco são fundamentais”, defende Isabella. “Precisamos de dados científicos sólidos para subsidiar decisões regulatórias.”

    NECTAR produz conhecimento para setor apícola

    O trabalho integra as atividades do Núcleo de Ensino, Ciência e Tecnologia em Apicultura Racional (NECTAR) da FMVZ/Unesp. Há anos o grupo desenvolve estudos importantes para a comunidade científica e criadores de abelhas.

    As pesquisas do NECTAR já serviram de base para restrições regulatórias. O Fipronil, agrotóxico usado no controle de insetos, teve seu uso limitado com base nos estudos do núcleo.

    “Testamos diversos agrotóxicos – inseticidas, herbicidas e fungicidas”, comenta o professor Orsi. “Demonstramos efeitos de doses baixíssimas que não causam mortalidade imediata, mas provocam distúrbios ao longo do tempo.”

    O orientador destaca a relevância do trabalho de Isabella. A pesquisa se alinha com o conceito de Saúde Única e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

    Pesquisa terá continuidade internacional

    Isabella atualmente trabalha como pesquisadora na Universidade de Queensland. Ela busca implementar projetos similares na Austrália, onde existem poucos estudos na área.

    No Brasil, o NECTAR continua desenvolvendo pesquisas sobre agrotóxicos e abelhas. O grupo tem objetivos duplos para o futuro.

    “Queremos contribuir para políticas públicas mais rigorosas sobre agrotóxicos”, afirma Isabella. “Também buscamos desvendar os mecanismos de ação em organismos não alvo.”

    A pesquisadora acredita que o trabalho pode abrir caminho para novas tecnologias. O desenvolvimento de produtos agrícolas menos prejudiciais ao meio ambiente representa uma meta importante para a sustentabilidade.

  • Espécies mediterrâneas florescem até 18 dias antes por causa do aquecimento global

    Espécies mediterrâneas florescem até 18 dias antes por causa do aquecimento global

    Um estudo recente revelou que as espécies de plantas no Mediterrâneo estão florescendo até 18 dias mais cedo do que há três décadas. A pesquisa analisou 269 plantas no sul da Espanha e mostrou que o aquecimento global mudou o calendário da natureza na região.

    Pesquisadores da Universidade de Sevilha, na Espanha, e da Unesp repetiram um levantamento realizado nos anos 1980 na Andaluzia, região localizada no sul do país. Em comparação aos dados coletados em 1985, eles notaram que aproximadamente 90% das plantas anteciparam a floração em média 18 dias, entre 1985 e 2022. Além disso, 66,4% das espécies apresentaram períodos de floração mais longos.

    O estudo foi publicado em maio na revista científica Functional Ecology. A bióloga Patrícia Morellato, professora do Instituto de Biociências da Unesp e diretora do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças Climáticas (CBioClima), participou da pesquisa. Que também está no site do Jornal da Unesp.

    Segundo os autores, o aumento da temperatura média na Andaluzia – que passou de 15,9 ºC em 1985 para 18,3 ºC em 2022 – combinado com a redução das chuvas anuais, que caíram de 580 mm para 205 mm, pressiona as plantas a florescerem mais cedo.

    Prejuízos

    Essa antecipação pode prejudicar a polinização e a produção de frutos, alerta Morellato. “As mudanças na época de floração não acompanham necessariamente a presença dos polinizadores. Isso pode causar descompasso que afeta a reprodução das plantas.”

    O problema se agrava com a fragmentação da vegetação nativa, que força insetos e pássaros a percorrer distâncias maiores para encontrar néctar. Esse cenário já acontece em áreas do Centro-Oeste brasileiro, uma das principais regiões agrícolas do país.

    Foto: Daniel Pareja-Bonilla/Divulgação

    No estudo, os pesquisadores coletaram informações sobre quatro eventos do ciclo de floração das plantas: a primeira floração, a primeira floração intensa, a última floração intensa e a última floração. Eles constataram que a média da primeira data de floração avançou de 17 de abril para 30 de março.

    Além disso, a primeira data de floração intensa mudou de 27 de abril para 13 de março. A última floração intensa recuou de 20 para 11 de maio, e a última floração passou de 5 para 27 de maio.

    Características comuns

    Os cientistas identificaram características comuns às plantas que florescem mais cedo: são mais baixas, têm folhas largas, flores grandes e caules lenhosos. Espécies com floração precocemente tradicional ou com período curto também tendem a antecipar mais.

    A hipótese dos pesquisadores é que essas plantas respondem mais diretamente à temperatura ambiente para iniciar a reprodução. Espécies que dependem de outros fatores, como a duração do dia, tendem a manter seus ciclos regulares, já que essa variável não muda com o aquecimento.

    O estudo mostrou que 88,4% das espécies apresentaram avanço na primeira data de floração. A floração intensa adiantou em 85% das plantas, enquanto a última floração intensa e a última floração avançaram em 75,1% e 72% das espécies, respectivamente. Isso aumentou a duração total da floração em aproximadamente 64% das plantas analisadas.

    Esses dados reforçam o impacto direto das mudanças climáticas no funcionamento dos ecossistemas e na agricultura local, trazendo desafios para a preservação da biodiversidade e a segurança alimentar..

  • Avaliação por inteligência artificial indica nível de estresse de tambaquis

    Avaliação por inteligência artificial indica nível de estresse de tambaquis

    Pesquisadores da Unesp com colaboração da Embrapa desenvolvem ferramenta que pode ser usada para aumentar bem-estar animal ao avaliar tambaquis por meio da coloração da metade inferior do corpo; Brasil é o maior produtor mundial da espécie

    Um grupo liderado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Jaboticabal, em colaboração com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), desenvolveu uma ferramenta de inteligência artificial (IA) para avaliar o estresse do tambaqui (Colossoma macropomum), peixe nativo mais produzido no Brasil. O estudo foi publicado na revista Aquaculture.

    Os resultados podem ter impacto tanto para o aumento do bem-estar dos animais quanto para a seleção de exemplares mais tolerantes ao ambiente de cultivo. O tambaqui é uma espécie amazônica cultivada sobretudo nos Estados da região Norte. O Brasil é o maior produtor mundial da espécie, fornecendo 110 mil toneladas em 2022 (leia mais em: agencia.fapesp.br/54167 e agencia.fapesp.br/37902).

    “Primeiro verificamos que, em uma condição estressante, ou seja, em um ambiente mais confinado do que o normal, os peixes ficavam mais escuros. Depois, que a adição de um hormônio ligado ao estresse também alterava a coloração nas escamas. Então treinamos um software com mais de 3 mil imagens para chegarmos num limiar de estresse que pudesse orientar piscicultores e programas de seleção genética, pois vimos que essa é uma característica herdável”, explica Diogo Hashimoto, professor do Centro de Aquicultura da Unesp (Caunesp), que coordenou o estudo.

    Celma Lemos

    O trabalho tem como primeira autora Celma Lemos, que realiza doutorado na instituição, e integra projeto apoiado pela FAPESP no âmbito de um acordo com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

    Para desenvolver a ferramenta, os pesquisadores fotografaram 3.780 tambaquis de duas populações. Uma do Caunesp (1.280 indivíduos) e outra da Embrapa Pesca e Aquicultura, em Palmas, no Tocantins (2.500 indivíduos). E contou com a colaboração da equipe coordenada pela pesquisadora Luciana Shiotsuki.

    Em seguida, cada imagem teve marcada a região que deveria ser avaliada pelo software, a metade inferior do corpo. O contraste com a coloração da parte superior é bastante comum em peixes, provavelmente um atributo da seleção natural, que resultou numa espécie de camuflagem. O “countershading”, como é chamado em inglês, pode ser observado, por exemplo, em tubarões, que têm o ventre mais claro do que as costas.

    Os pesquisadores treinaram então um modelo de aprendizado profundo (deep learning) para chegar a um limiar que indica, pelo número de pixels pretos em relação aos brancos da imagem, o grau de estresse dos tambaquis.

    Uma vez que os exemplares do Tocantins tinham sido marcados quanto à sua ascendência, foi possível saber quanto a característica pode ser passada adiante. “Calculamos que a tolerância ao estresse é uma característica moderada a altamente herdável. Isso se reflete em ganho de peso e tolerância a doenças. Abrindo caminho para termos gerações com cada vez mais bem-estar em ambiente de cultivo”, avalia Hashimoto.

    Mecanismos fisiológicos

    A mudança na coloração sob estresse é uma característica encontrada em diversas espécies de peixe, mas ainda não havia sido comprovada no tambaqui. No caso das que se tornam mais escuras à medida que estão mais estressadas, como a tilápia (Oreochromis niloticus), um hormônio envolvido no estresse promove a expansão dos melanóforos, células que, a olho nu, são pequenas pintas pretas.

    Para comprovar o efeito no tambaqui, os pesquisadores coletaram escamas de seis indivíduos, da população de Jaboticabal, e as mergulharam em duas soluções. Numa delas, havia uma solução neutra e o α-MSH, uma versão do hormônio estimulante de melanóforos. Na outra, apenas a solução neutra. Depois de 30 minutos, os autores observaram que as banhadas no hormônio estavam mais escuras, com os melanóforos expandidos.


    Escamas antes e depois de 30 minutos mergulhadas em solução com hormônio ligado a estresse: indicado pela seta, expansão de melanóforos gera coloração mais escura (foto: Celma Lemos/Caunesp</em>)</p>

    Em outro experimento, seis tambaquis foram retirados dos tanques normais de criação, de 200 metros quadrados, fotografados e divididos em três reservatórios redondos muito menores, de 2 mil litros (85 centímetros de altura e 1,66 metro de diâmetro). Depois de dez dias, foram novamente fotografados e a diferença de coloração era evidente, confirmando que a espécie também fica mais escura à medida que se estressa.

    “A ferramenta de IA pode ser usada para monitorar o estresse dos peixes cultivados, num momento em que se cobra cada vez mais bem-estar animal. Apenas avaliando as fotos dos animais, seria possível obter essa medida e melhorar as práticas quando necessário, como reduzir o número de indivíduos por tanque, por exemplo”, diz o pesquisador.

    Por André Julião | Agência FAPESP

  • Ataques de abelhas crescem 80% e já matam mais que serpentes

    Ataques de abelhas crescem 80% e já matam mais que serpentes

    O Brasil enfrenta uma crise silenciosa que vem ganhando proporções alarmantes: os ataques de abelhas africanizadas aumentaram 83% entre 2021 e 2024, saltando de 18.668 para 34.252 ocorrências registradas. Mais grave ainda é o número de mortes, que mais que dobrou no período, atingindo 125 óbitos tanto em 2023 quanto em 2024.

    Os dados, que colocam os ataques de abelhas acima dos registros de ataques de serpentes desde 2023, motivaram pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) a publicar um estudo na revista científica Frontiers in Immunology, classificando o envenenamento por picadas de Apis mellifera como um problema de saúde pública negligenciado.

    Problema cresce sem tratamento específico

    “Ainda hoje não existe um antídoto contra o veneno de abelhas, como os que temos para as picadas de serpentes, aranhas e escorpiões”. É o que explica Rui Seabra Ferreira Júnior, médico-veterinário e diretor do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Unesp. Ele coordenou a pesquisa.

    Apenas nos primeiros sete meses de 2024, o país já registrou mais de 18 mil acidentes com abelhas, evidenciando a gravidade crescente do problema. A ausência de um tratamento específico para essas vítimas é um dos principais argumentos dos pesquisadores para classificar a situação como questão negligenciada de saúde pública.

    Causas do crescimento ainda são investigadas

    Osmar Malaspina, biólogo do Instituto de Biociências da Unesp em Rio Claro e uma das maiores autoridades no estudo de abelhas no Brasil, aponta possíveis fatores para o aumento dos casos. “Especulamos sobre uma combinação entre o desmatamento, com perdas de habitat nas matas, e a procura por novos locais para ninhos próximos a áreas urbanas”, afirma o especialista.

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    O pesquisador também destaca a busca das abelhas por alimentos gerados pelas atividades humanas em determinadas épocas do ano como outro fator que intensifica o contato entre humanos e insetos.

    Efeitos variam conforme o sistema imunológico

    Benedito Barraviera, docente da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) e cofundador do Cevap, esclarece que os efeitos das picadas dependem fundamentalmente do sistema imunológico de cada pessoa. “Não é possível determinar quantas ferroadas irão colocar a pessoa em situação de risco”, alerta o médico.

    O especialista identifica dois tipos principais de acidentes:

    • Reações alérgicas: pessoas alérgicas podem desenvolver choque anafilático com apenas uma picada, situação que exige injeção imediata de adrenalina e atendimento médico de emergência.
    • Intoxicação por múltiplas picadas: quando uma pessoa não alérgica recebe muitas picadas simultaneamente, o excesso de veneno pode causar complicações neurológicas e renais. Isso além de torpor neurológico com risco de parada cardiorrespiratória.

    Tratamento atual é limitado e custoso

    A falta de um soro específico contra ferroadas de abelhas africanizadas torna o tratamento mais caro e imprevisível. “O protocolo atual é aplicar apenas o tratamento para os sintomas”, explica Barraviera. “Se o soro antiapílico desenvolvido pelo Cevap já estivesse disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), seria possível lidar com todas essas complicações de uma só vez e com mais segurança.”

    Na ausência de tratamentos específicos, os especialistas recomendam medidas preventivas rigorosas:

    • Nunca manusear colmeias sem equipamento adequado
    • Evitar uso de inseticidas e venenos próximos aos ninhos
    • Não fazer movimentos bruscos ou ruidosos near dos enxames
    • Isolar o local quando identificar ninhos
    • Contactar imediatamente a Defesa Civil, Bombeiros ou empresas especializadas em remoção

    As abelhas Apis mellifera, conhecidas como africanizadas, são essenciais para a polinização e produção de mel. Mas seu comportamento defensivo intenso quando sentem ameaça ao enxame torna os encontros com humanos potencialmente fatais. A conscientização sobre os riscos e a implementação de medidas preventivas são fundamentais para reduzir o número crescente de vítimas dessa crise silenciosa da saúde pública brasileira.

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  • Sabesp aumenta 17% produção de fertilizante orgânico feito com lodo

    Sabesp aumenta 17% produção de fertilizante orgânico feito com lodo

    A Sabesp expandiu sua capacidade de produção de fertilizante orgânico em 17%. A empresa transforma lodo de esgoto tratado em adubo agrícola através do projeto Sabesfértil, desenvolvido em parceria com a Unesp e a Fapesp.

    O complexo da ETE Lageado, localizado no campus da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp em Botucatu, opera a 270 km da capital paulista. A unidade processa cerca de 15 m³ de resíduo diariamente. Cada lote de fertilizante leva entre 45 e 60 dias para ficar pronto e rende aproximadamente 600 toneladas.

    Expansão aumenta produção em 100 toneladas

    A ETE Lageado agora recebe resíduos de três estações adicionais. Os municípios de Águas de São Pedro, Conchas e Dourado contribuem com lodo que aumenta a produção em 100 toneladas por lote. Com essa ampliação, cada ciclo produtivo alcança 700 toneladas de fertilizante.

    O adubo orgânico atende as plantações do curso de Ciências Agronômicas da Unesp e as áreas verdes do campus. Agricultores podem aplicar o produto em diversos tipos de culturas. O fertilizante não deve ser usado em hortaliças, cultivares inundados, pastagens ou culturas onde a parte comestível toca o solo.

    Sustentabilidade guia projeto inovador

    “O que move a Sabesp é o seu compromisso pela busca constante por práticas cada vez mais sustentáveis em nossos processos”, explica Ivana Vidal, diretora de Tratamento de Esgoto da Sabesp. A ETE Lageado conquistou selo verde de sustentabilidade ambiental pela produção do fertilizante orgânico.

    Equipamento calha-esteira usado na produção de fertilizante – Foto: Divulgação Sabesp

    A empresa realiza estudos para replicar a iniciativa em outras estações do estado. Os técnicos identificam unidades com condições de produzir o fertilizante próximas a mercados consumidores e áreas com atividade agropecuária intensa.

    Composto rico elimina patógenos

    O Sabesfértil apresenta alta concentração de matéria orgânica e contém macronutrientes essenciais como nitrogênio, fósforo e potássio. O adubo melhora a capacidade de retenção de água do solo e favorece a troca catiônica.

    Roberto Lyra Villas-Bôas, professor titular da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, coordena os estudos científicos sobre o fertilizante. A Sabesp e a Fapesp dividem os custos da pesquisa. O trabalho comprova a eficácia do processo de compostagem que elimina organismos patogênicos e potencializa nutrientes benéficos.

    “A energia gerada pela atividade microbiana e pela ação de microorganismos naturais se converte em calor”, detalha o professor Lyra. A temperatura do material atinge 80°C durante o processo biológico. Essa transformação converte o lodo numa substância similar à terra, chamada de matéria orgânica compostada.

    Benefícios ambientais e econômicos

    A conversão do lodo de esgoto em fertilizante evita o descarte em aterros sanitários. O processo regenera o solo através da incorporação de matéria orgânica e nutrientes. A prática atende aos princípios da economia circular, previne contaminação ambiental e reduz gastos com logística.

    “Estamos diante de uma nova era do saneamento, em que resíduos podem se transformar em solução”, afirma Rachel Sampaio, diretora de Sustentabilidade da Sabesp. Segundo ela, o Sabesfértil simboliza o potencial transformador da empresa ao conectar inovação, ciência e cuidado com a terra.

    Controle de qualidade garante segurança

    A unidade de armazenamento recebe o produto final e o separa em lotes. Técnicos caracterizam qualitativamente cada lote conforme seu potencial agronômico, grau de higienização e estabilização. O fertilizante possui registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

    Laboratórios da universidade realizam exames que atestam a eficácia e viabilidade técnica do adubo. “Análises são feitas ao longo dos 45 dias de duração da compostagem para mensurar a redução dos microrganismos patogênicos”, conta o professor Lyra. O aumento de temperatura durante o processo elimina os patógenos e garante a qualidade do fertilizante sem riscos à saúde pública.

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  • Pesquisa brasileira identifica fungos do solo que eliminam 100% do mofo-branco

    Pesquisa brasileira identifica fungos do solo que eliminam 100% do mofo-branco

    Cientistas brasileiros descobriram espécies de fungos do gênero Trichoderma capazes de eliminar completamente o mofo-branco, doença causada pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum e considerada uma das principais ameaças à produção de soja, feijão e algodão no país. Os resultados laboratoriais apontam para uma alternativa biológica eficaz ao controle tradicional, que depende do uso intensivo de fungicidas químicos, geralmente caros e de alto impacto ambiental.

    O estudo, liderado por Laísy Bertanha, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), com orientação do pesquisador Wagner Bettiol, da Embrapa, identificou cepas de Trichoderma yunnanense e Trichoderma dorotheae com capacidade de inibir até 100% a germinação dos escleródios, estruturas de resistência do patógeno. O destaque ficou para o Trichoderma yunnanense, que atingiu 97,5% de eficácia, reforçando seu potencial como biofungicida para uso agrícola.

    Alternativa sustentável ao uso de químicos

    O mofo-branco é uma doença de difícil controle devido à longa sobrevivência dos escleródios no solo. Tradicionalmente, o manejo depende de fungicidas, que além do custo elevado, trazem riscos ambientais e podem induzir resistência nos patógenos. O uso de Trichoderma surge como solução mais segura e sustentável, podendo ser integrado a outras práticas de manejo para aumentar a eficiência e reduzir a presença da doença no solo.

    Mofo-branco na vagem do feijão. Foto: Sebastião Araújo/Embrapa

    Segundo Bertanha, a combinação de diferentes cepas de Trichoderma pode potencializar o controle biológico. A pesquisa também destaca a importância de isolar microrganismos do próprio ambiente agrícola, maximizando sua eficácia contra patógenos locais.

    Biocontrole integrado e práticas recomendadas

    O controle biológico deve ser associado a práticas como rotação de culturas — especialmente com gramíneas, que não hospedam o fungo — e ao uso de sementes de alta qualidade, livres de patógenos. A sanitização de máquinas agrícolas é outra medida fundamental para evitar a dispersão do mofo-branco. A adição de matéria orgânica ao solo também favorece o desenvolvimento de microrganismos benéficos, aumentando a resistência natural das áreas cultivadas.

    Solos colonizados pelos fungos antagonistas. Foto: Divulgação

    Além de eliminar o patógeno, os agentes biológicos do gênero Trichoderma reduzem a agressividade do mofo-branco ao interferir na produção de ácido oxálico, substância essencial para a virulência do fungo. Durante a pesquisa, os pesquisadores identificaram nove espécies diferentes de Trichoderma em áreas de agricultura orgânica, com destaque para T. yunnanense e T. atrobrunneum.

    Brasil lidera uso de bioinsumos agrícolas

    Atualmente, o Brasil lidera o mercado mundial de bioinsumos para controle biológico e responde por cerca de 20% do consumo global. O setor cresceu 67% entre 2021 e 2022, impulsionado pela busca por soluções sustentáveis e pela necessidade de reduzir resíduos químicos na agricultura. O uso de bioinsumos contribui para a preservação da biodiversidade, menor emissão de gases de efeito estufa e redução dos custos a longo prazo, além de estimular cadeias produtivas locais e a agricultura familiar.

    De acordo com Wagner Bettiol, “a diversidade microbiana do solo está diretamente relacionada à sua capacidade de suprimir patógenos. Tornando o biocontrole uma ferramenta valiosa para sistemas agrícolas mais equilibrados e resilientes”.

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  • Fertilizante orgânico de lodo de esgoto eleva eficiência da adubação mineral na cana-de-açúcar

    Fertilizante orgânico de lodo de esgoto eleva eficiência da adubação mineral na cana-de-açúcar

    O uso de fertilizante orgânico composto a partir de lodo de esgoto tem se destacado como alternativa sustentável para o aumento da produtividade e da eficiência da adubação mineral na cultura da cana-de-açúcar no Brasil, maior produtor mundial da cultura. Estudo realizado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), com apoio da Tera Ambiental, comprovou que o adubo orgânico melhora a fertilidade do solo. Além disso,  potencializa o aproveitamento dos fertilizantes minerais. E traz benefícios econômicos e ambientais para o setor sucroenergético.

    A pesquisa avaliou a aplicação do lodo de esgoto compostado (LEC) em solos tropicais de baixa fertilidade cultivados com cana-de-açúcar em Suzanápolis (SP). Os resultados mostraram aumento significativo da matéria orgânica e maior disponibilidade de nutrientes como fósforo, cálcio e magnésio. Além de redução da acidez do solo e elevação dos teores de micronutrientes como zinco e cobre. O tratamento que combinou 5 t/ha de LEC com 50% da fertilização mineral convencional apresentou os melhores resultados em produtividade e qualidade do solo.

    Potencializar o uso dos fertilizantes minerais

    O estudo destaca ainda que o LEC pode potencializar em até 50% o uso dos fertilizantes minerais. E assim promover economia de insumos e redução da dependência de produtos importados, um desafio recorrente no setor agrícola brasileiro. Além disso, a aplicação do composto contribui para a economia circular ao transformar resíduos urbanos em insumos agrícolas, reduzindo custos de produção e impactos ambientais.

    Fernando Carvalho Oliveira, engenheiro agrônomo e responsável técnico pelos fertilizantes orgânicos da Tera Ambiental, ressalta que o uso do lodo de esgoto compostado é um marco para a agricultura sustentável no Brasil. “Os fertilizantes orgânicos compostos representam uma alternativa viável para diminuir a dependência de fertilizantes minerais importados. Além de reduzir custos e promover a sustentabilidade do setor sucroenergético”, afirma.

    O experimento da Unesp testou diferentes doses de LEC e fertilização mineral, comprovando ganhos em matéria orgânica, pH, soma de bases e capacidade de troca de cátions do solo. A pesquisa reforça o potencial do LEC como fertilizante orgânico natural, promovendo produtividade agrícola, benefícios socioeconômicos e menor impacto ambiental, alinhando-se às práticas modernas de agricultura sustentável.

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  • Perigo: escorpiões invadem cidades brasileiras

    Perigo: escorpiões invadem cidades brasileiras

    Um estudo publicado na revista Frontiers in Public Health revela que os escorpiões estão se espalhando rapidamente pelas cidades brasileiras. Entre 2014 e 2023, o país registrou mais de 1,1 milhão de picadas, um aumento alarmante de 155%. Os pesquisadores alertam que o crescimento urbano acelerado e as alterações no clima são os principais responsáveis pela infestação.

    Reprodução: Instituto Butantan

    Por que os escorpiões estão se multiplicando nas cidades?

    Segundo a pesquisa liderada pela professora Manuela Berto Pucca, da Unesp, as áreas urbanas oferecem condições perfeitas para os escorpiões:

    • Abrigo fácil: eles se escondem em paredes, entulhos, bueiros e até dentro de casas.
    • Alimento abundante: baratas e outros insetos urbanos são sua principal fonte de comida.
    • Clima favorável: esgotos quentes, verões mais intensos e umidade ajudam na reprodução.

    Além disso, algumas espécies podem sobreviver mais de um ano sem comer e se reproduzir sem acasalamento, tornando seu controle ainda mais difícil.

    Números assustadores: 2 milhões de casos até 2033

    Dados preliminares de 2024 já apontam quase 200 mil picadas e 133 mortes no Brasil. Se o ritmo continuar, os pesquisadores estimam que 2 milhões de novos casos podem ocorrer entre 2025 e 2033.

    Reprodução: Instituto Butantan

    Crianças e idosos são os mais vulneráveis – apenas 0,1% das picadas são fatais, mas, nesses grupos, o risco é maior. Os sintomas mais comuns incluem:

    • Dor intensa e ardência
    • Inchaço e vermelhidão
    • Náuseas e formigamento

    Como se proteger?

    A prevenção é a melhor arma contra os escorpiões. Veja as recomendações dos especialistas:

    •  Mantenha a casa limpa, evitando acúmulo de lixo e entulho.
    •  Vede frestas em paredes, portas e janelas.
    •  Use telas em ralos e mantenha bueiros fechados.
    •  Sempre sacuda roupas, sapatos e toalhas antes de usar.
    •  Controle baratas e outros insetos, que atraem escorpiões.

    O que fazer se for picado?

    A recomendação é não esperar os sintomas piorarem. Procure imediatamente um hospital ou UPA, onde o soro antiveneno está disponível gratuitamente pelo SUS.

    “Uma única picada pode ser fatal para uma criança. Não subestime o perigo”, alerta a professora Eliane Candiani Arantes, da USP, uma das autoras do estudo.

    Escorpiões não são vilões, mas exigem atenção

    Apesar do risco, os pesquisadores destacam que os escorpiões têm papel importante no ecossistema, ajudando no controle de pragas. O problema é a convivência desprotegida em áreas urbanas.

    Reprodução: Instituto Butantan

    Países como Paraguai, Bolívia e México também enfrentam surtos semelhantes, transformando o “escorpionismo” em uma crise de saúde pública.

    Fique atento: com as mudanças climáticas, o problema tende a piorar. Tomar medidas preventivas agora pode salvar vidas no futuro.

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  • Fogo contra fogo: cientistas usam fungo que controla doenças agrícolas

    Fogo contra fogo: cientistas usam fungo que controla doenças agrícolas

    Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Embrapa Meio Ambiente anunciaram um avanço pioneiro no controle biológico de doenças agrícolas: um método sustentável para produção do fungo Trichoderma asperelloides, utilizando farinha de arroz como substrato. A técnica, que promete reduzir custos e ampliar a eficácia no combate a patógenos como o Sclerotinia sclerotiorum (causador do mofo branco), já é considerada um marco para a agricultura sustentável.

    O segredo está no uso de grânulos secos de farinha de arroz, subproduto agroindustrial de baixo custo, que servem como “sementes biológicas” para multiplicação do fungo. Armazenados sob refrigeração, esses grânulos mantêm a viabilidade por mais de 24 meses, garantindo estabilidade para aplicações em larga escala.

    Quando incorporados ao solo, os grânulos liberam gradualmente o Trichoderma, que suprime patógenos como o mofo branco — doença que causa perdas bilionárias em culturas como soja, feijão e algodão. “Além de ampliar a produção de conídios [estruturas reprodutivas do fungo], o método aumenta a estabilidade do produto, tornando-o mais acessível ao agricultor”, explica Lucas Guedes, autor da pesquisa pela Unesp.

    Vantagens econômicas e ambientais

    A adoção de fontes complexas de nitrogênio, como levedura hidrolisada, elevou em 0,1% a eficiência do processo, superando métodos tradicionais com sulfato de amônio. Embalagens especiais com controle de umidade e oxigênio também ajudaram a preservar os conídios, mesmo em temperatura ambiente.

    Bioproduto promove o controle de patógenos do solo como o mofo branco, doença que atinge a soja, feijão, algodão e tomate. Foto: Gerald Holmes/Embrapa

    Gabriel Mascarin, da Embrapa, destaca o alinhamento com a economia circular: “Usar subprodutos como arroz quebrado reduz custos e evita desperdícios, transformando resíduos em soluções”. Já Wagner Bettiol, também da Embrapa, ressalta que os grânulos atuam como biorreatores no solo, liberando o fungo sem gerar resíduos químicos.

    Impacto na agricultura: menos químicos, mais eficiência

    O Trichoderma é reconhecido como alternativa a fungicidas químicos, que geram resistência em patógenos e danos ambientais. A nova técnica amplia seu uso contra doenças como fusarium, rizoctonia e nematoides, beneficiando desde hortaliças até grandes lavouras.

    “A maioria dos produtos hoje usa grãos de arroz inteiros. Nossa abordagem reduz custos e diversifica métodos”, afirma Bettiol. Atualmente, o Brasil tem 75 produtos à base de Trichoderma registrados no Agrofit, plataforma do Ministério da Agricultura.

    Futuro promissor para o agro brasileiro

    Com a demanda global por soluções sustentáveis, a técnica posiciona o Brasil como líder em inovações agrícolas. Produtos derivados da pesquisa têm potencial para exportação, fortalecendo a economia e reduzindo a pegada ecológica do setor.

    Principais benefícios do trichoderma:

    • Combate ao mofo branco em soja, feijão e algodão;
    • Proteção contra fusarium, rizoctonia e nematoides;
    • Redução de químicos e melhoria da saúde do solo;
    • Aplicação em culturas diversas, de tomate a ornamentais.

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