Tag: São Paulo

  • Colheita de amendoim ganha versão virtual no Farming Simulator

    Colheita de amendoim ganha versão virtual no Farming Simulator

    A colheita mecanizada do amendoim ganhou espaço nos videogames. A partir de 28 de agosto, quatro equipamentos da Indústrias Colombo poderão integrar o Farming Simulator 25, dentro do Cerrado Edition, novo mapa desenvolvido pela brasileira Connect Modding. Com a novidade, os jogadores poderão acompanhar diferentes etapas da produção da cultura, incluindo arranquio, colheita e transporte.

    Pela primeira vez, o Farming Simulator terá equipamentos voltados especificamente à cultura do amendoim. A MIAC, marca da Indústrias Colombo especializada em soluções para a mecanização agrícola, fornece as máquinas reproduzidas no game.

    Além disso, o conteúdo chegará gratuitamente como mod para quem já possui o Farming Simulator 25. O jogo está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S. Já a plataforma oficial de mods do game disponibilizará o download do novo conteúdo.

    Máquinas reproduzem operações do campo

    A experiência reúne quatro equipamentos utilizados na mecanização da colheita do amendoim: o Arrancador C600, as colhedoras Twin Master Peanut Combine e Avanti e o transbordo CTA 6500.

    No game, os jogadores poderão utilizar as máquinas em diferentes momentos da operação. Primeiro, o processo começa com o arranquio das plantas. Depois, segue para a colheita e, por fim, chega ao transporte da produção.

    A reprodução digital das máquinas leva para o ambiente do jogo características de equipamentos que já fazem parte das operações agrícolas. Assim, o jogador consegue conhecer, de forma interativa, uma sequência de atividades que exige planejamento, máquinas específicas e integração entre diferentes etapas.

    Para Neto Colombo, COO da Indústrias Colombo, a presença dos equipamentos no jogo também ajuda a mostrar a tecnologia envolvida na produção agrícola.

    “O amendoim faz parte da história e da expertise da Colombo. Há 53 anos, desenvolvemos tecnologias para tornar sua colheita cada vez mais eficiente e levar as nossas soluções para dentro do Farming Simulator nos permite transformar uma operação que acontece todos os dias no campo em uma experiência que pode ser vivenciada por milhões de pessoas.”

    A empresa atua há 53 anos no desenvolvimento de máquinas e implementos agrícolas. Além disso, a cultura do amendoim está entre as áreas de especialização da companhia.

    Amendoim ganha espaço no game

    A Connect Modding, empresa brasileira e embaixadora do Farming Simulator no país, desenvolveu o Cerrado Edition. O novo mapa busca representar características da agricultura brasileira e amplia as possibilidades para os jogadores conhecerem culturas e operações presentes no campo nacional.

    Nesse contexto, a inclusão do amendoim também ajuda a apresentar uma cadeia produtiva que vai além das principais commodities agrícolas conhecidas pelo público em geral. A cultura está presente em diferentes regiões produtoras do Brasil e também possui relevância internacional.

    O amendoim é cultivado em mais de 100 países, entre eles China, Índia, Estados Unidos e Argentina. Com o novo conteúdo, os jogadores poderão explorar características da produção da cultura dentro do game.

    A franquia Farming Simulator já ultrapassou 40 milhões de cópias vendidas e reúne jogadores em diferentes países. Além disso, o game conta com mais de 150 fabricantes de equipamentos agrícolas representados em suas experiências.

    Tecnologia aproxima novas gerações do agro

    A presença das máquinas de amendoim no jogo também cria uma oportunidade para aproximar o agronegócio de um público que nem sempre tem contato direto com uma propriedade rural.

    Para muitos jogadores, o ambiente do game pode representar um primeiro contato com culturas agrícolas, máquinas e operações realizadas no campo. Dessa forma, a simulação permite conhecer as funções dos equipamentos e compreender a sequência de atividades necessárias para transformar uma lavoura em produção colhida e transportada.

    Joel Backes, diretor comercial e de marketing da Indústrias Colombo, considera que a participação no Cerrado Edition amplia o alcance da tecnologia desenvolvida pela empresa no Brasil.

    “Estar no Farming Simulator vai além da presença da marca em um game. É levar a tecnologia brasileira para uma plataforma global, conectando a Colombo a milhões de pessoas de diferentes países e gerações, fortalecendo nossa internacionalização e mostrando a capacidade da indústria brasileira de desenvolver soluções para o agronegócio mundial.”

    Ao mesmo tempo, a aproximação com os mais jovens também aparece como parte da estratégia. Ao reproduzir operações agrícolas em um ambiente familiar para esse público, o setor consegue apresentar conceitos de mecanização, produção e tecnologia de maneira mais acessível.

    “Quando um jovem entra no jogo, conhece uma cultura, entende uma operação e começa a perceber toda a tecnologia envolvida naquele processo, estamos ajudando a aproximar uma nova geração do agronegócio”, afirma Backes.

    Indústria brasileira amplia presença internacional

    A Indústrias Colombo possui unidades industriais em Pindorama e Catanduva, no interior de São Paulo. Além disso, o grupo mantém filiais internacionais em Adel, na Geórgia, nos Estados Unidos, e em Río Cuarto, na província de Córdoba, na Argentina.

    A companhia desenvolve máquinas para a colheita mecanizada de grãos, vagens e sementes por meio da MIAC. Também atua na produção de peças e componentes de transmissão agrícola pela AEMCO.

    Segundo a empresa, seus produtos estão presentes em mais de 60 países. Agora, parte dessa tecnologia também chega ao Farming Simulator 25, ampliando o contato do público internacional com soluções brasileiras para a mecanização do amendoim.

  • Chocolate vai ficar mais caro? Super El Niño preocupa produtores

    Chocolate vai ficar mais caro? Super El Niño preocupa produtores

    O avanço do El Niño voltou a colocar a produção de cacau no radar de produtores e fabricantes de chocolate. Apesar dos riscos climáticos, representantes do setor avaliam que a expansão do cultivo para novas áreas pode ajudar a reduzir os efeitos de uma eventual quebra de safra sobre a oferta da matéria-prima.

    Para Arcelia Gallardo, fundadora da Mission Chocolate, uma repetição da forte escalada de preços observada anteriormente não é inevitável.

    “No Equador, os produtores plantaram milhares de pés de cacau há quatro anos porque eles estavam entendendo o que iria acontecer. Por causa dos efeitos do clima, agora temos cacau também em São Paulo”, afirma. “Onde antes não tinha cacau, agora tem.”

    A avaliação de Gallardo é que a ampliação das regiões produtoras pode funcionar como um contraponto aos problemas provocados pelo clima. Isso, porém, não elimina os riscos que o El Niño representa para a cultura.

    Alta do cacau já mudou os chocolates

    Filha de agricultores mexicanos e nascida na Califórnia, nos Estados Unidos, Gallardo trabalha com o modelo bean-to-bar, expressão usada para fabricantes que compram os grãos de cacau e controlam sua transformação até a produção das barras.

    Com a forte valorização do cacau registrada no fim de 2024, a Mission Chocolate precisou rever parte de sua estratégia. Segundo Gallardo, algumas fórmulas foram modificadas e determinados produtos passaram a ter versões menores para absorver parte do aumento dos custos.

    Arcelia Gallardo é fundadora da Mission Chocolate (Foto: Divulgação)

    Além disso, outra alternativa foi aumentar a variedade do portfólio.

    “Conseguimos pensar em outros produtos que poderíamos fazer, como confeitos banhados em chocolate, que deram muito certo.”

    Segundo a empresária, essas mudanças ajudaram a evitar que toda a elevação dos custos fosse repassada ao consumidor.

    Caso uma nova onda de valorização da matéria-prima aconteça, a Mission também aposta em cookies e produtos banhados, que demandam uma quantidade menor de chocolate do que as barras tradicionais.

    Nestlé aposta em manejo para diminuir perdas

    Entre as grandes indústrias, uma das estratégias para reduzir a vulnerabilidade da cadeia está no preparo das propriedades rurais.

    A diretora de marketing de chocolates da Nestlé, Paula Munhoz, afirma que a prevenção de perdas passa pela adoção de melhores práticas pelos fornecedores de cacau.

    Entre as medidas mencionadas estão:

    • melhoria da gestão da água;
    • distribuição de mudas com maior potencial produtivo;
    • adoção correta de técnicas de poda;
    • orientação técnica aos produtores.

    Essas ações fazem parte da estratégia da empresa para aumentar a resiliência das propriedades diante de condições climáticas adversas.

    Por meio do Nestlé Cocoa Plan, a companhia mantém uma rede de mais de 6,5 mil fazendas parceiras no Brasil, com iniciativas de assistência técnica, capacitação e adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis.

    Com o El Niño no radar, produtores e fabricantes passam a acompanhar não apenas as cotações do cacau, mas também a distribuição das chuvas e o comportamento das lavouras nas principais regiões produtoras.

  • Ondas de calor preocupam; saiba como evitar incêndios

    Ondas de calor preocupam; saiba como evitar incêndios

    A onda de calor que atinge o Estado de São Paulo deve permanecer pelo menos até o fim desta quarta-feira (19/8), segundo a Defesa Civil paulista.

    No interior de São Paulo, onde as temperaturas podem ficar até 7°C acima da média, o cenário exige atenção redobrada dos produtores rurais.

    A combinação de ar quente e seco, baixa umidade relativa e vegetação ressecada aumenta as condições favoráveis à ocorrência e propagação de incêndios florestais e queimadas em áreas rurais.

    Diante do risco, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo reuniu recomendações para reduzir as chances de incêndios e proteger as propriedades rurais.

    Áreas em vermelho têm risco perigosíssimo de incêndio, segundo Instituto Nacional de Meteorologia (Foto: Inmet)

    Mantenha os aceiros limpos

    Uma das principais medidas é manter os aceiros limpos e conservados. Essas faixas sem vegetação funcionam como barreiras para dificultar que o fogo avance de uma área para outra.

    A orientação citada pela Secretaria prevê largura mínima de 3 metros entre talhões no interior da propriedade, 5 metros em cada lado de cercas e divisas e 6 metros no entorno de vegetação nativa.

    A manutenção deve ocorrer durante toda a estiagem. Quando tomado por vegetação seca, o aceiro perde eficiência como barreira contra a propagação do fogo.

    A legislação paulista também estabelece aceiros mínimos em situações envolvendo queima controlada e prevê que as dimensões sejam ampliadas quando condições ambientais, climáticas ou topográficas exigirem maior proteção.

    Vegetação seca aumenta o risco

    Outra recomendação é manter a vegetação bem roçada, principalmente nos limites da propriedade rural durante períodos de calor intenso.

    Mato alto e seco funciona como material combustível, facilitando a propagação das chamas e permitindo que um foco iniciado fora da propriedade alcance áreas produtivas.

    Redobre o cuidado com fontes de calor

    Durante a onda de calor, produtores e trabalhadores rurais devem redobrar os cuidados com qualquer fonte capaz de iniciar um incêndio.

    A recomendação é evitar churrasqueiras, fogueiras e velas próximas à vegetação, além de garantir o descarte adequado de cigarros, fósforos e cinzas de fornos a lenha.

    A queima de resíduos vegetais também exige atenção. O emprego de fogo em queima controlada está sujeito às regras ambientais e à autorização correspondente. A Cetesb mantém procedimento específico para autorização de queima controlada utilizada como fator de produção, manejo agrícola e florestal e para determinadas finalidades fitossanitárias e científicas.

    Em períodos de risco elevado de incêndios, autorizações também podem sofrer restrições ou suspensões, como já ocorreu no Estado em situações críticas.

    Reforce as rondas pela propriedade

    Nos dias mais quentes, a Secretaria de Agricultura recomenda aumentar a frequência do monitoramento das áreas consideradas mais vulneráveis.

    A atenção deve ser maior em locais com vegetação seca, divisas das propriedades e áreas próximas a estradas, onde um foco de incêndio pode se espalhar rapidamente.

    Identificar fumaça ou fogo ainda no início pode reduzir o tempo necessário para acionar as equipes responsáveis pelo combate.

    Se precisar, acione os bombeiros

    Focos de incêndio devem ser enfrentados apenas por pessoas treinadas e com equipamentos adequados. Tentar controlar as chamas sem preparo pode colocar trabalhadores e moradores em risco.

    Ao identificar fumaça suspeita ou um princípio de incêndio, a orientação é acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 ou a Defesa Civil pelo 199.

  • Etanol e açúcar sobem em São Paulo com oferta mais restrita

    Etanol e açúcar sobem em São Paulo com oferta mais restrita

    O mercado paulista de etanol registrou alta nos preços e maior ritmo de negociações nos últimos dias. Além disso, distribuidoras intensificaram as compras para recompor volumes e antecipar estoques. Segundo o Cepea, as usinas adotaram uma postura mais firme após sucessivas quedas nas cotações.

    A menor disponibilidade imediata em algumas unidades também contribuiu para fortalecer os preços do etanol. Ao mesmo tempo, o maior interesse comprador criou um ambiente mais favorável às negociações. O cenário externo também ajudou a sustentar a valorização do combustível no mercado paulista.

    Etanol de outros estados ganha espaço

    O mercado paulista também recebeu etanol produzido em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Segundo pesquisadores do Cepea, esse fluxo pode ganhar força com a alta dos preços em São Paulo. Nesse cenário, a valorização amplia a janela para operações interestaduais com o combustível.

    Açúcar cristal também registra alta em São Paulo

    Os preços do açúcar cristal branco também avançaram no mercado à vista paulista. De acordo com o Cepea, as usinas mantiveram uma postura mais firme nos pedidos nos últimos dias. A oferta mais restrita no Centro-Sul sustenta esse movimento de valorização do açúcar.

    Por outro lado, os compradores demonstraram maior cautela diante da rápida alta da commodity. No mercado doméstico, o cenário de menor disponibilidade de açúcar continua se confirmando. Além disso, o mercado externo mantém os preços do açúcar demerara sustentados.

    Na Bolsa de Nova York, o açúcar segue influenciado pelas condições climáticas adversas. Essas condições atingem importantes regiões produtoras e reduzem as projeções para a produção global.

  • Estado de São Paulo atualiza lista de flora em risco de extinção após 9 anos

    Estado de São Paulo atualiza lista de flora em risco de extinção após 9 anos

    O Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), ligado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), firmou um acordo de cooperação técnica com o Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, para atualizar a lista de espécies vegetais ameaçadas de extinção no território paulista.

    A parceria marca a retomada de um processo que estava parado desde 2016, ano da última publicação oficial da lista. Naquele levantamento, o Estado registrava 1.088 espécies sob algum grau de ameaça: 368 presumivelmente extintas, 15 extintas na natureza, 57 em perigo crítico, 271 em perigo e 377 vulneráveis.

    Novos critérios seguem padrão da UICN

    A partir de agora, as avaliações paulistas passam a seguir a metodologia da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), referência usada em levantamentos nacionais e globais de risco de extinção. O acordo prevê dois movimentos simultâneos: a análise de espécies que nunca haviam sido avaliadas e a reavaliação de todas as plantas já incluídas na lista de 2016, com base em estudos recentes sobre as espécies e os habitats onde ocorrem.

    Segundo o IPA, o Brasil concentra cerca de 37 mil espécies nativas de plantas, das quais aproximadamente 9.100 ocorrem em São Paulo. Esse patrimônio enfrenta pressões crescentes ligadas à mudança no uso do solo, à fragmentação de habitats e aos efeitos das mudanças climáticas. São fatores que reforçam a necessidade de listas atualizadas periodicamente, capazes de acompanhar novas descobertas científicas e mudanças na nomenclatura botânica.

    Primeira fase avalia 405 espécies exclusivas de SP

    A etapa inicial do projeto concentra os esforços em 405 espécies endêmicas do Estado de São Paulo. Ou seja, plantas que ocorrem exclusivamente em território paulista e que nunca foram avaliadas quanto ao risco de extinção, ou não passam por análise há mais de 12 anos. As pesquisadoras do IPA Cíntia Kameyama e Rosangela Simão Bianchini coordenam o trabalho no Estado.

    A iniciativa integra o Plano de Ação Territorial (PAT) Cinturão Verde de São Paulo. E deve fortalecer as políticas públicas de conservação da biodiversidade paulista, ao indicar quais espécies correm maior risco de desaparecer. E também ao gerar subsídios técnicos para ações de proteção de habitats, criação de áreas protegidas e programas de manejo e recuperação.

    “Além de orientar ações de conservação, as listas oficiais de espécies ameaçadas constituem importantes instrumentos para o planejamento ambiental”, afirma Cíntia Kameyama. Segundo a pesquisadora, os dados subsidiam a criação e gestão de unidades de conservação, a definição de reservas legais, o zoneamento ecológico-econômico, análises de impacto ambiental, projetos de restauração de áreas degradadas e processos de licenciamento e fiscalização ambiental.

    Capacitação prepara pesquisadores para os novos protocolos

    O CNCFlora conduziu um curso de quatro dias para transferir a metodologia a pesquisadores, assistentes de pesquisa, estagiários e alunos de pós-graduação do IPA. Eduardo Pinheiro Fernandez e Jaqueline Sousa Lima, do instituto carioca, ministraram o treinamento. Ele abordou os critérios internacionais de avaliação, a identificação e categorização de espécies ameaçadas e o uso de plataformas como ProFlora e Avalia, que vão dar suporte às análises futuras.

    Fernandez explica que o modelo usado anteriormente em São Paulo estava desatualizado em relação aos padrões internacionais vigentes. Ele destaca que a harmonização dos critérios busca capacitar os pesquisadores paulistas a aplicar a metodologia oficial de avaliação do risco de extinção.

    Jaqueline Sousa Lima reforça o caráter técnico do processo. Segundo ela, trata-se de um trabalho estritamente científico, que mede a probabilidade de as espécies desaparecerem diante das condições ambientais atuais. A padronização, afirma a pesquisadora, garante consistência às avaliações. E permite comparar os resultados de São Paulo com os de outras regiões do Brasil e do mundo.

    Mudanças climáticas devem ganhar peso nas próximas análises

    Os pesquisadores indicam que as próximas avaliações vão considerar de forma mais ampla os impactos das mudanças climáticas sobre a flora. Alterações na temperatura, no regime de chuvas e nas condições microclimáticas podem alterar a distribuição das espécies. E ampliar o risco de extinção de diversas plantas nativas.

    Fernandez resume o papel do diagnóstico no processo de conservação. Primeiro é preciso identificar quais espécies estão ameaçadas e por quê, para então definir ações efetivas de proteção.

    Proteção de habitats segue como estratégia central

    A conservação dos ambientes naturais continua sendo a principal ferramenta para evitar a extinção das espécies. Entre as prioridades apontadas pelo IPA estão a preservação de remanescentes de vegetação nativa, a criação e ampliação de unidades de conservação e a gestão adequada das áreas onde essas plantas ocorrem.

    O trabalho também prevê ações complementares, como a formação de bancos de sementes, a manutenção de coleções vivas em jardins botânicos, a produção de mudas, a implantação de viveiros e hortos, a reintrodução de espécies na natureza e estudos sobre genética da conservação e viabilidade populacional.

  • Leão-marinho é flagrado descansando em praia no litoral paulista

    Leão-marinho é flagrado descansando em praia no litoral paulista

    Um leão-marinho foi avistado na manhã desta quarta-feira (12) tirando uma ‘hydration break’ sobre uma pedra na Prainha, em Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo.

    O animal foi percebido pela moradora Maria Abgail Correa, que caminhava pela faixa de areia quando notou a presença do leão-marinho e registrou imagens.

    O leão-marinho é um excelente nadador e pode mergulhar por vários minutos em busca de alimento (Foto: Reprodução/Maria Abgail Correa)

    Segundo a moradora, a área foi isolada para evitar a aproximação de banhistas e garantir a segurança das pessoas e do próprio animal.

    Após a aparição, o leão-marinho permanece sendo monitorado pelas autoridades locais.

    O que fazer ao encontrar um animal marinho?

    A recomendação dos órgãos oficiais ao se deparar com um gigante da natureza é:

    • Não tocar ou tentar mover o animal;
    • Manter distância e evitar aglomerações;
    • Não oferecer comida ou água;
    • Manter cães e outros animais afastados;
    • Acionar equipes especializadas quando houver sinais de ferimento ou dificuldade para retornar ao mar.

    O Instituto Argonauta mantém serviço de atendimento a animais marinhos no Litoral Norte de São Paulo e orienta a população sobre como agir nesses casos.

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  • Veja o ranking do custo da cesta básica nas capitais

    Veja o ranking do custo da cesta básica nas capitais

    O custo de vida nas capitais brasileiras apresentou comportamentos distintos em junho, mas o balanço do primeiro semestre de 2026 revela um cenário de alerta para o consumidor. Fortaleza liderou a inflação da cesta básica no período, com uma alta acumulada de 10,34%, enquanto São Paulo se consolidou como a cidade mais cara do país, sendo a única a superar a marca de R$ 1.000,00.

    De acordo com os dados da Cesta de Consumo Neogrid & FGV IBRE, junho registrou altas em seis das oito capitais analisadas. Fortaleza também encabeçou o aumento mensal (+3,30%), elevando o preço médio para R$ 960,40, impulsionada principalmente pelos preços da carne bovina e do feijão.

    São Paulo: a cesta mais cara do país

    A capital paulista registrou alta de 0,96% em junho, atingindo o valor médio de R$ 1.010,55. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado em relação a maio, São Paulo mantém o posto de maior custo médio entre as cidades monitoradas. No acumulado do semestre, a alta paulistana chega a 6,01%, com uma aceleração mais nítida a partir de abril.

    tabela de preços da cesta básica
    Preços médios da cesta de consumo básica em junho/26, por capital

    Rio de Janeiro e Belo Horizonte trazem alívio pontual Na contramão da tendência de alta, o Rio de Janeiro apresentou a maior queda do mês de junho (-1,60%), com o valor recuando para R$ 974,51. Apesar da redução, a capital fluminense ainda detém a segunda cesta básica mais cara do levantamento.

    Variação acumulada da cesta de consumo básica
    Variação acumulada da cesta de consumo básica em junho/26, por capital

    Já Belo Horizonte permanece como a capital com o menor custo médio, registrando queda de 1,02% em junho, o que fixou o valor da cesta em R$ 761,97. No entanto, mesmo com o menor preço nominal, a capital mineira acumula uma alta de 6,20% no semestre.

    Os vilões e os aliados do orçamento

    O feijão e os legumes continuam como os principais responsáveis pela pressão nos preços. Em Manaus, os legumes dispararam 39,78% em apenas um mês, enquanto em Brasília o feijão subiu 25,16%. Fortaleza registrou o maior aumento na carne bovina, com alta de 16,03%.

    Maiores variações de preços da cesta básica em junho/2026, por capital.

    Por outro lado, alguns itens ajudaram a conter os custos:

    Frutas: tiveram queda expressiva em Salvador (-7,75%).

    Café: Curitiba registrou o maior recuo no preço do produto (-6,24%).

    Açúcar: o Rio de Janeiro apresentou a maior queda neste item (-5,77%).

    Visão do Especialista

    Marcelo Alves, Head de Insights da Neogrid, destaca que a inflação atual não é uniforme e reflete choques locais de oferta e logística. Portanto, para o especialista, o varejo precisa investir em abastecimento inteligente e dados para antecipar essas oscilações de demanda e garantir que os produtos essenciais cheguem ao consumidor sem rupturas críticas.

    Destaques por capital:

    • Belo Horizonte: verduras (+9,04%), água sanitária/alvejante (+2,13%);
    • Brasília: biscoito (+3,46%), refrigerante (+1,13%);
    • Curitiba: verduras (+16,85%), água sanitária/alvejante (+4,87%);
    • Fortaleza: detergentes (+4,41%), verduras (+4,26%);
    • Manaus: verduras (+4,78%), biscoito (+4,38%);
    • Rio de Janeiro: verduras (+2,71%), detergentes (+1,91%);
    • Salvador: verduras (+5,51%), biscoito (+2,76%);
    • São Paulo: verduras (+5,44%), detergentes (+3,31%).

    Infografico

  • Produtores afetados por temporal em Ribeirão Preto terão acesso a crédito emergencial

    Produtores afetados por temporal em Ribeirão Preto terão acesso a crédito emergencial

    Produtores rurais de Ribeirão Preto e região, no interior de São Paulo, atingidos pelo temporal do dia 24 de julho já podem solicitar uma linha de crédito emergencial de até R$ 150 mil, liberada pelo Governo do Estado.

    A linha faz parte do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP) e traz condições facilitadas para quem perdeu produção ou estrutura na propriedade. A taxa é de 3% ao ano, com prazo total de até 72 meses e carência de até três anos para o pagamento da primeira parcela. As parcelas são anuais, o que dá fôlego ao produtor para se reorganizar antes de começar a quitar o financiamento.

    Como solicitar o financiamento

    Para dar entrada no pedido, o produtor precisa reunir provas do prejuízo causado pela chuva. Fotos do estrago, notas fiscais, orçamentos de reposição e uma relação detalhada das perdas ajudam a compor o processo. Toda essa documentação deve ser levada até a Casa da Agricultura da CATI ou ao escritório do ITESP mais próximo da propriedade.

    Depois que a documentação é entregue, um técnico vai até o local para vistoriar os danos de perto. Só então a proposta de financiamento é montada junto com o produtor, já ajustada à realidade da propriedade afetada.

    Para que o dinheiro pode ser usado

    Os recursos liberados pelo FEAP têm uso amplo dentro da atividade rural. O produtor pode usar o crédito para comprar insumos, sementes e mudas, repor fertilizantes e garantir alimentação e medicamentos para os animais. O dinheiro também cobre reparos emergenciais na infraestrutura da propriedade, além da limpeza de áreas atingidas e da recomposição de servidões danificadas pela chuva.

    Municípios mais afetados pelo temporal

    Segundo a Secretaria de Agricultura do Estado, um levantamento preliminar já identificou danos em lavouras, pomares, estufas, canaviais, estoques e estruturas produtivas em pelo menos cinco cidades da região: Taquaritinga, Ribeirão Preto, Dumont, Jaboticabal e Guariba. Até o momento, Taquaritinga é o município que registra a situação mais crítica no meio rural, com prejuízos que ainda estão sendo apurados pela equipe técnica do Estado.

    A Secretaria informou que segue avaliando a extensão total dos danos e que novos municípios podem ser incluídos no levantamento nos próximos dias.

  • Como cães rurais estão mudando o comportamento de onças-pardas

    Como cães rurais estão mudando o comportamento de onças-pardas

    Cães e seres humanos mantêm uma das relações mais antigas da história da domesticação. Descendentes dos lobos, os cães figuram entre os primeiros animais domesticados, em um processo iniciado entre 15 mil e 50 mil anos atrás. Atualmente, a população mundial de cães ultrapassa 1 bilhão de indivíduos, espalhados por praticamente todos os ambientes ocupados pelo homem.

    A maioria desses animais vive dentro de casas e apartamentos, principalmente em áreas urbanas. Uma parcela menor, pouco comum no Brasil, corresponde a cães selvagens, sem vínculo com pessoas. Entre esses dois extremos, no entanto, existe um grupo bem mais numeroso do que costuma aparecer no debate público: os cães rurais de vida livre.

    Esses animais têm tutor, recebem alimento e possuem um local para retornar ao fim do dia, mas permanecem soltos, percorrendo fazendas, estradas, plantações e áreas de vegetação nativa. Durante esses deslocamentos, muitos acabam entrando em Unidades de Conservação e passam a interagir com a fauna silvestre.

    Estudo da Unesp investiga efeito dos cães sobre o maior predador do estado

    Essa dinâmica motivou uma pesquisa conduzida por cientistas da Unesp, que resultou no artigo “Puma in check: How domestic dogs influence the behavior of a top predator”, publicado na revista Biological Conservation. O estudo analisou como a presença de cães afeta o comportamento da onça-parda, o maior predador terrestre que ainda ocupa grande parte do estado de São Paulo.

    Matilha de cães transitando por unidade de conservação é observada por armadilhas fotográficas usadas no estudo
    Matilha de cães transitando por unidade de conservação é observada por armadilhas fotográficas usadas no estudo. Foto: Rodolpho Gonçalves da Silva

    O resultado surpreendeu os próprios pesquisadores: em vez de intimidar os cães, como se esperava de um predador de topo de cadeia, a onça-parda passou a modificar sua rotina para evitar locais onde os cachorros haviam passado.

    Onças demoram até seis dias para retomar áreas usadas por cães

    A equipe instalou 67 armadilhas fotográficas em duas unidades de conservação do interior paulista: a Estação Ecológica de Santa Bárbara e a Floresta Estadual de Águas de Santa Bárbara. As câmeras mostraram que, após a passagem de um cão, a onça-parda leva em média 74 horas para retornar ao mesmo ponto. O animal só retoma o uso rotineiro daquela área cerca de cinco a seis dias depois.

    Esse padrão indica uma estratégia consistente de afastamento em relação aos cães, mesmo sem a ocorrência de confronto direto entre as duas espécies.

    Cão é flagrado por armadilha fotográfica caminhado por unidade de conservação localizada no interior paulista
    Cão é flagrado por armadilha fotográfica caminhado por unidade de conservação localizada no interior paulista. Foto: Rodolpho Gonçalves da Silva

    A bióloga Rita Bianchi, professora da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp, no câmpus de Jaboticabal, explica que a ideia de analisar grandes felinos surgiu a partir do crescimento no número de registros de cães dentro de áreas já monitoradas pelo grupo de pesquisa. “Em algumas unidades de conservação percebemos que, a cada nova amostragem, aumentava o número de registros de cães. Isso despertou nossa preocupação. Queríamos entender por que eles estavam ocupando essas áreas e quais consequências isso poderia trazer para a fauna nativa”, conta a pesquisadora.

    Onça-parda foi escolhida por ser espécie adaptável e de dieta generalista

    Os cientistas escolheram a onça-parda como um dos focos do estudo não apenas por sua posição de predador de topo, mas também por sua adaptabilidade a diferentes habitats e por sua dieta generalista. As imagens obtidas pelas armadilhas fotográficas revelaram que cães e onças utilizam as mesmas áreas, mas em horários diferentes. Em vez de abandonar totalmente certos ambientes, a onça reorganiza o uso do espaço ao longo do tempo, o que reduz as chances de encontro com os cães.

    Foto: Rodolpho Gonçalves da Silva

    Rodolpho Gonçalves da Silva, primeiro autor do estudo e doutorando no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade da Unesp, admite que os resultados contrariaram suas expectativas iniciais. “Como um amante de grandes felinos, eu achava que a onça-parda ia impor respeito e controlar a área. Os cães poderiam ser uma ameaça para animais pequenos, mas quando chegasse um animal maior o cenário ia mudar. Então foi uma surpresa quando rodamos a análise e vimos que as onças demoravam para voltar a uma determinada área depois da passagem dos cães”, diz o pesquisador.

  • Estudo brasileiro descobre arma eficaz contra coral invasor no litoral

    Estudo brasileiro descobre arma eficaz contra coral invasor no litoral

    Pesquisadores paulistas testaram com sucesso uma nova estratégia de combate ao coral-sol, espécie invasora que ameaça a biodiversidade marinha em diversos pontos da costa brasileira. Com um jato de ar comprimido, a equipe removeu o tecido vivo de colônias de coral-sol no arquipélago de Alcatrazes, área protegida no litoral norte de São Paulo, e não observou regeneração dos organismos. Um resultado que contrasta com o método convencional de remoção mecânica, feito com marreta e talhadeira.

    Os resultados apontam o jateamento como alternativa mais prática e eficaz para o manejo do coral-sol, segundo os cientistas, que buscam conter a disseminação da espécie em áreas prioritárias de conservação no litoral brasileiro. Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) lideraram o estudo, realizado com apoio da FAPESP e publicado em abril na revista Ecological Solutions and Evidence.

    Como funciona a nova técnica

    Uma pistola de jato acopla-se a um cilindro de ar comprimido. É o mesmo equipamento usado por mergulhadores para respirar debaixo d’água. O mergulhador segura o cilindro sob um braço e aciona a pistola bem próxima às colônias, com a outra mão livre. O jato remove o tecido mole do coral e deixa apenas o esqueleto poroso no lugar.

    Segundo os autores, o novo método resolve dois problemas comuns do processo tradicional. A dificuldade de acesso a locais como fendas, tocas e grutas, e o risco de sobra de tecido vivo capaz de se regenerar. No método físico convencional, mergulhadores usam marreta e talhadeira,ou martelete pneumático, para destacar as colônias do substrato marinho, geralmente costões rochosos.

    “Nossos experimentos mostraram a eficácia do método numa comunidade desses corais. Ao remover o tecido, o nosso método lida com pelo menos duas fragilidades de outros: não promove a fragmentação da colônia e, portanto, evita a sua propagação involuntária. Além disso, elimina a necessidade de descartar a colônia removida. O esqueleto sem o tecido se mantém no ambiente e é rapidamente colonizado por espécies nativas do local”, afirma Gustavo Piazzaroli, primeiro autor do estudo, desenvolvido como parte de uma iniciação científica com bolsa da FAPESP no Instituto do Mar (IMar) da Unifesp, em Santos.

    Uma observação em mergulho originou a ideia

    A ideia de usar ar comprimido surgiu quase por acaso para o coordenador do estudo, Guilherme Pereira-Filho, professor do IMar-Unifesp, durante mergulhos no Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes. A unidade de conservação marinha, gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), utiliza a remoção física há mais de dez anos para combater a disseminação do coral-sol em seus ecossistemas. Duas espécies invasoras ocorrem na região, Tubastraea tagusensis e Tubastraea coccínea, ambas originárias do Indo-Pacífico e introduzidas por atividades humanas no Caribe e na costa brasileira.

    Esqueleto de coral-sol logo após tratamento com ar comprimido (à esq.), depois de 30 dias (centro) e 180 dias (à dir.), quando já está colonizado por algas. Foto: LabecMar-Unifesp

    “Os corais-sol ocorrem mais em rochas com orientação negativa, como fendas, tocas e grutas, difíceis de serem acessadas pela remoção física. Observamos que em alguns locais, onde mergulhadores passavam e deixavam bolhas de ar aprisionadas sob rochas submersas, as colônias branqueavam. Pensei se não seriam as bolhas de ar exaladas por nós que estariam causando esse efeito. E se algum método que envolvesse ar não seria uma possibilidade de remoção”, relata Pereira-Filho, que hoje coordena três projetos apoiados pela FAPESP, entre eles um vinculado ao Programa BIOTA. Pesquisadores do Centro de Biologia Marinha (Cebimar) da Universidade de São Paulo (USP) também integraram o trabalho.

    Vantagens

    Piazzaroli explica uma das vantagens práticas do novo processo: “Na remoção física, algum tecido pode ficar na rocha e se regenerar. Além disso, ainda que ele seja totalmente extraído, as colônias removidas têm de ser levadas para fora da água salgada, tratadas com água doce para matar o coral e só então o esqueleto pode ser devolvido para o mar, a fim de que o carbonato de cálcio que o compõe possa ser utilizado em outros processos naturais.”

    Quando expostas à água do mar, as colônias extraídas podem liberar células reprodutivas como resposta ao estresse causado pela remoção. Por isso, o mergulhador que realiza a remoção física precisa carregar as colônias em um saco ou recipiente fechado durante todo o trabalho. Um cuidado que o jateamento dispensa, já que o método destrói o tecido do coral de imediato. Qualquer fragmento de tecido que permaneça preso ao substrato no método convencional também pode originar uma nova colônia, dada a alta capacidade de regeneração do coral-sol. Esse risco cai bastante com o jateamento, segundo os autores.

    Colônia de coral-sol: metade (à esq.) não recebeu jateamento de ar comprimido, enquanto a da direita passou pelo procedimento. Foto: Gustavo Piazzaroli/LabecMar-Unifesp

    Os pesquisadores reforçam que a técnica ainda é experimental. Até agora, os testes cobriram apenas algumas dezenas de colônias em uma área restrita do arquipélago, enquanto as invasões de coral-sol costumam se estender por áreas muito maiores, com milhares de colônias.

    Do laboratório para o mar

    Ao ouvir o insight do orientador, Piazzaroli pesquisou a literatura científica e encontrou referências ao uso de jateamento de ar comprimido para separar tecido mole do esqueleto de corais, mas apenas em experimentos de laboratório, nunca em campo. “Eram estudos sobre estresse oxidativo e utilizavam aquele jato de ar e água usado por dentistas, conhecido como ‘water pik’. Não havia nada publicado sobre manejo de corais invasores por esse método”, conta o estudante de biologia e mergulhador. Ele participa como voluntário de ações de remoção de coral-sol em Ilha Grande (RJ) desde a adolescência.

    A equipe adaptou a técnica para uso com cilindros de mergulho. Ea testou em 48 colônias de coral-sol em Alcatrazes, deixando outras 14 sem tratamento como grupo de controle. As colônias passaram por análise logo após o jateamento, depois de 30 dia. E por fim, depois de 180 dias, com medição da área ocupada e contagem do número de colônias a cada visita.

    Na área sem remoção, a cobertura de coral-sol aumentou ao longo do tempo; na área tratada com ar comprimido, ela diminuiu. O número de colônias cresceu nos dois cenários, mas de forma bem mais lenta onde houve jateamento. Algas colonizaram rapidamente os esqueletos jateados  em até 30 dias, o que dificulta a recolonização ou regeneração dos corais invasores.

    Testes em aquário confirmam ausência de regeneração

    Restava uma dúvida: será que o tecido removido pelo jato de ar poderia recolonizar os esqueletos ou se regenerar em outro lugar? Para responder a essa pergunta, os pesquisadores conduziram experimentos em aquários por nove dias. Tempo mais do que suficiente para o tecido se regenerar ou morrer.

    Em um dos tratamentos, um esqueleto já jateado foi fervido para eliminar qualquer possibilidade de tecido vivo ou células reprodutivas remanescentes. Depositado em um aquário com água do local de origem da remoção, portanto, com possíveis células de coral-sol em suspensão, o esqueleto foi observado pelos nove dias seguintes, sem apresentar recolonização.

    Em outro tratamento, além do esqueleto e da água do mesmo local, os pesquisadores adicionaram pedaços de tecido de coral-sol removidos por ar comprimido. Após nove dias, quando o mau cheiro indicava que o tecido já estava morto, também não houve recolonização do esqueleto.

    Cada tratamento foi replicado quatro vezes. Análises de amostras de água ao microscópio não encontraram células reprodutivas nem tecidos vivos, com exceção de uma réplica, em que um pedaço de tecido vivo apareceu no primeiro dia e uma única célula reprodutiva, no último.

    Próximos passos

    “Os resultados são bastante promissores para aplicarmos o método numa área maior e obter uma validação ainda mais robusta”, comemora Pereira-Filho. Ele pondera, porém, que ainda é necessário desenvolver soluções para escalonar o método em grandes áreas, já que o jateamento consome rapidamente o ar comprimido dos cilindros. O grupo já conversa com gestores de outra área de proteção marinha para conduzir um novo estudo em escala ampliada.

    Fonte: André Julião | Agência FAPESP