A reta final da safra de milho demanda decisões rápidas e precisas no campo. Produtores que ajustam o momento da colheita, monitoram a umidade dos grãos e organizam a logística conseguem reduzir perdas e preservar a qualidade da produção.
Em um cenário de janelas climáticas mais curtas e instáveis, a colheita deixou de ser apenas uma etapa operacional e passou a exigir gestão estratégica. O alinhamento entre condições da lavoura, capacidade das máquinas e escoamento da produção impacta diretamente a rentabilidade.
Segundo Diego Braga, consultor de Desenvolvimento de Mercado da Conceito Agrícola, cada decisão tomada durante a colheita influencia o resultado final da safra. “O produtor precisa integrar operação e logística para garantir que o potencial produtivo se converta em grãos colhidos com qualidade”, afirma.
Umidade do grão define o momento ideal
A identificação do ponto certo de colheita começa no campo. Sinais como a formação da “linha preta”, o amarelecimento das folhas e a firmeza dos grãos indicam maturidade fisiológica. No entanto, a decisão depende da umidade.
Foto: Divulgação
A faixa ideal varia entre 13% e 15%, pois equilibra rendimento operacional e qualidade. Quando o milho apresenta umidade acima de 18%, aumentam os danos mecânicos e os custos com secagem. Já abaixo de 12%, os grãos ficam mais quebradiços, elevando perdas e reduzindo o peso comercial.
O monitoramento deve ocorrer por talhão, com uso de medidores calibrados. Diferenças de solo, relevo e clima afetam o ritmo de secagem, o que exige escalonamento da colheita em áreas desuniformes.
Regulagem das máquinas impacta produtividade
A regulagem correta das colhedoras reduz perdas e melhora a eficiência. O produtor deve revisar a plataforma, ajustar chapas e adequar o sistema interno conforme as condições do grão.
A velocidade também influencia o desempenho. O ideal fica entre 4 e 6 km/h. Acima disso, a máquina perde eficiência na separação e limpeza, aumentando o desperdício.
O acompanhamento constante no campo permite identificar perdas após a passagem da colhedora. O objetivo é manter o desperdício abaixo de meia saca por hectare.
Logística define qualidade final
A logística pós-colheita influencia diretamente o resultado. Atrasos no transporte e no descarregamento comprometem a qualidade, principalmente em grãos mais úmidos.
“Não adianta colher bem e perder qualidade no transporte. O tempo de espera pode gerar descontos na entrega”, alerta Braga.
Planejamento logístico e fluxo contínuo evitam gargalos e garantem melhor aproveitamento da produção.
Prevenção de incêndios deve ser prioridade
A colheita do milho coincide com períodos de baixa umidade do ar e alta presença de palhada seca, o que aumenta o risco de incêndios.
Entre os principais fatores estão acúmulo de resíduos nas máquinas, superaquecimento de peças, falhas elétricas e falta de manutenção.
Para reduzir riscos, o produtor deve:
Limpar as máquinas a cada turno
Manter extintores revisados
Disponibilizar caminhão-pipa ou trator com água
Construir aceiros ao redor dos talhões
Essas ações ajudam a conter focos e proteger áreas produtivas.
Manejo na colheita impacta a próxima safra
A forma como o milho é colhido interfere no ciclo seguinte. A distribuição uniforme da palhada favorece o plantio direto, conserva a umidade do solo e facilita a implantação da soja.
Além disso, o controle de perdas e a eliminação do milho voluntário reduzem a pressão de pragas, como a cigarrinha, e preservam o potencial produtivo das próximas lavouras.
O Brasil pode gerar 370 milhões de toneladas em créditos de carbono a partir da criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), instituído em 2024. O dado consta em um estudo que a PwC Brasil divulgou no ano passado e que coloca o país na liderança desse mercado. A consultoria também projeta um potencial de movimentação de R$ 1 trilhão e a geração de cerca de 3 milhões de empregos.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) apoiou e articulou o avanço do mercado regulado de carbono no Brasil. Deputados e senadores ligados à frente atuaram de forma expressiva para viabilizar a Lei nº 15.042/2024, que instituiu o SBCE e tirou a proposta do papel.
Um dos pontos centrais da legislação prevê a participação dos produtores rurais como geradores de créditos de carbono. A agricultura, assim como as florestas, figura entre as formas de capturar carbono e reduzir a presença de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera.
Durante a tramitação no Senado Federal, os parlamentares reconheceram o papel estratégico da agropecuária nesse processo e incluíram o setor no texto final, o que permite que parte dos créditos de carbono venha da produção rural. “O produtor rural é quem mais preserva no Brasil. Qualquer política ambiental precisa reconhecer esse esforço. E permitir que ele decida se quer ou não participar do mercado de carbono, sendo remunerado de forma justa”, destacou a vice-presidente da FPA, senadora Tereza Cristina (PP-MS).
O que são créditos de carbono
Os créditos de carbono representam certificados de redução ou captura de gases de efeito estufa. Cada crédito corresponde a uma tonelada de dióxido de carbono equivalente reduzida ou removida da atmosfera.
Diferentes metodologias definem essa métrica. Certificadoras avaliam os projetos geradores de créditos, verificam o cumprimento das regras e atestam a qualidade do que é produzido. O reflorestamento de uma área, por exemplo, integra as atividades com potencial para gerar créditos de carbono.
Foto: Rodarte/Agro em Campo
O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), ressaltou que a instituição do SBCE cria uma oportunidade para remunerar o produtor pelos serviços ambientais prestados. Um tema que ainda avança lentamente no país. “A estruturação do mercado de carbono é uma oportunidade para gerar renda ao produtor rural e contribuir para a preservação ambiental, com respeito ao direito de propriedade”, comentou.
Diferentes caminhos para gerar créditos no campo
O produtor rural conta com diferentes formas de gerar créditos de carbono. A captura de carbono no solo, os projetos de bioenergia, o tratamento de dejetos e a conservação de áreas além das obrigações legais figuram entre os principais exemplos.
O coordenador político da FPA no Senado, senador Marcos Rogério (PL-RO), apontou como uma conquista a possibilidade de gerar créditos de carbono em áreas preservadas dentro das propriedades rurais. A articulação garantiu essa inclusão durante a tramitação da matéria no Senado Federal.
“O Senado corrigiu um erro grave ao garantir que quem preserva seja devidamente remunerado. Portanto, não faria sentido criar um ativo ambiental sem assegurar o direito de propriedade”, afirmou o senador.
Mercado ainda depende de regulamentação
A expectativa aponta para o SBCE totalmente funcional em 2030. Na fase atual, o mercado aguarda a regulamentação do sistema, que deve definir as formas de monitoramento e verificação do cumprimento das regras pelos projetos geradores de créditos. “Mais do que uma nova fonte de receita, o crédito de carbono tornou-se um ativo estratégico. Que amplia a competitividade do produtor rural nos mercados nacional e internacional”, explica Pablo Feitosa, CEO do Carbon Group, e especialista em atender empresas que querem migrar para esse mercado.
A regulamentação também vai estabelecer o limite de créditos gerados pela produção rural que as empresas obrigadas a reduzir ou compensar emissões de gases de efeito estufa poderão utilizar. A lei busca estimular essas empresas a desenvolver ferramentas próprias de redução de emissões, sem depender apenas da compensação.
Portanto, produtores rurais interessados em gerar créditos de carbono também precisam acompanhar essa etapa. Os projetos deverão seguir metodologias reconhecidas e credenciadas, regra que garante validade aos créditos gerados apenas quando cumprem as especificações estabelecidas.
Pablo Feitosa é CEO do Carbon Group
“O crédito de carbono consolida-se como um diferencial estratégico para o produtor rural. Agregando valor à produção, fortalecendo práticas sustentáveis e ampliando a competitividade do agronegócio brasileiro. Portanto, em um mercado cada vez mais orientado por critérios ambientais, a capacidade de gerar e comercializar créditos de carbono deixa de ser apenas uma oportunidade. E passa a representar uma vantagem competitiva relevante, tanto no cenário nacional quanto no internacional”, conclui Feitosa.
O adiamento da obrigatoriedade de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) concede mais seis meses para que produtores rurais pessoas físicas revisem o enquadramento tributário e preparem as propriedades para as mudanças da Reforma Tributária. A nova data passa de 1º de julho de 2026 para 1º de janeiro de 2027.
Até lá, produtores podem manter os atuais mecanismos de identificação fiscal na emissão de documentos. No entanto, a prorrogação não dispensa a adaptação às novas regras do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que impactam diretamente a rotina fiscal no campo.
Segundo Giuliano Vendrúsculo, sócio da Guapo Sucessão Familiar, o período adicional deve ser estratégico para planejamento tributário. “Os produtores precisam avaliar o enquadramento como contribuintes, o impacto do IBS e da CBS no fluxo de caixa e ajustar sistemas de emissão de notas fiscais e escrituração”, afirma.
Pelas regras atuais, produtores com receita bruta anual inferior a R$ 3,6 milhões não serão considerados contribuintes do IBS e da CBS, exceto se optarem pelo regime regular. Já aqueles que atingirem ou superarem esse valor deverão cumprir todas as exigências, incluindo a apuração dos tributos e a adequação dos documentos fiscais.
Produtor integrado
No caso do produtor integrado, a condição de não contribuinte vale apenas para operações dentro do contrato de integração. Atividades realizadas fora desse vínculo poderão enquadrá-lo como contribuinte dos novos tributos.
A inscrição no CNPJ terá caráter exclusivamente cadastral e fiscal. A medida não altera a natureza jurídica do produtor rural, que permanece como pessoa física para fins tributários, trabalhistas e previdenciários. Mesmo com o novo registro, o enquadramento seguirá identificado pelo código 412-0.
Assim, o novo cadastro busca padronizar a identificação dos produtores e integrar os documentos fiscais eletrônicos ao sistema da Reforma Tributária. A mudança exige atenção à emissão de notas fiscais, à escrituração das operações e à organização das informações contábeis.
Produtores também devem revisar o fluxo de caixa, atualizar sistemas de gestão e garantir a compatibilidade entre cadastros federais e estaduais.
A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS devem disponibilizar, em novembro de 2026, um sistema simplificado para inscrição no CNPJ. Até a entrada em vigor da obrigatoriedade, produtores poderão continuar utilizando os modelos atuais de identificação fiscal enquanto acompanham as regulamentações e a abertura dos ambientes de teste.
Pesquisadores da Embrapa Cerrados (DF) testam novos sistemas de cultivo em consórcio que combinam o baruzeiro, o cafeeiro irrigado e culturas anuais e bianuais de ciclo curto. A iniciativa pode se tornar, em breve, uma alternativa viável para produtores de pequeno e grande porte que buscam diversificar a produção, ampliar a renda e usar de forma mais racional os insumos e a oferta ambiental do bioma.
Sistema integrado baru com café em linha dupla aos dois anos de campo. Foto: Tadeu Graciolli/Embrapa
O baruzeiro é uma árvore nativa do Cerrado brasileiro que produz uma castanha rica em proteínas, fibras e antioxidantes, classificada como superalimento. Apesar da alta demanda nacional e internacional, a espécie ainda não conta com safras previsíveis, já que sua produção depende basicamente da coleta em áreas naturais. Esse cenário reforça a necessidade de sistemas comerciais eficientes de cultivo.
A cafeicultura irrigada, por outro lado, já é uma atividade consolidada no Cerrado, onde o clima e a altitude favorecem a produção de cafés de alta qualidade e premiados mundialmente.
Pesquisa combina dois modelos de plantio
O pesquisador Tadeu Graciolli, criador do Sistema Filho — Fruticultura Integrada com Lavouras e Hortaliças, lançado em 2017, conduz os experimentos há quatro anos. Em uma área de 3.500 m² nos campos da Embrapa Cerrados, a equipe implantou dois sistemas: um de linha dupla (LD) e outro de linha simples (LS), cada um ocupando 45 m x 35 m.
Nos dois modelos, o espaçamento entre as plantas de baru e de café é o mesmo. A diferença está na disposição: no sistema LS, o baru foi plantado dentro da própria linha do café; no LD, uma linha de baru foi inserida entre cada duas linhas de café. Ao todo, os pesquisadores avaliam dez clones de baru e três variedades de café arábica, com o objetivo de identificar as plantas mais produtivas.
A equipe plantou as mudas de baruzeiro entre janeiro e fevereiro de 2022 e os cafeeiros entre fevereiro e março do mesmo ano. No sistema LD, a equipe realiza a irrigação por microaspersão e pode mecanizar a colheita.
Corredores de agricultura geram renda no curto prazo
As duas linhas vizinhas de cafeeiros do sistema LD formam o que Graciolli chama de “corredores de agricultura”: espaços onde a estrutura física e a irrigação disponível permitem o cultivo de culturas anuais e bianuais, como feijão, abacaxi e mandioca, enquanto o baru e o café ainda estão em desenvolvimento. Essas culturas são colhidas em poucos meses e ajudam a compensar o investimento inicial no plantio das árvores.
Plantas dos baruzeiros floresceram e produziram frutos quatro anos após o plantio. No meio natural, começam a produzir depois de sete a dez anos. Foto: Tadeu Graciolli/Embrapa
“O sistema LD foi pensado para obtenção de baru no longo prazo, café no médio prazo e culturas anuais e bianuais no curto prazo. Isso é para que o pequeno produtor se sinta seguro em entrar na atividade de plantio de baru”, explica Graciolli.
Baruzeiros floresceram em menos de três anos
Os pesquisadores colheram a primeira safra de café dos sistemas em maio de 2024, com produtividade média de cerca de 40 sacas por hectare. Em maio de 2025, enquanto se preparavam para colher a terceira safra de café, eles registraram o desenvolvimento acelerado dos baruzeiros: nove plantas floresceram e começaram a produzir frutos pouco mais de quatro anos após o plantio, bem antes dos sete a dez anos que o baru normalmente leva para frutificar em condições naturais. Algumas plantas floresceram com apenas dois anos e dez meses.
Segundo Graciolli, esse ritmo só é possível graças ao manejo intensivo do ambiente; irrigação, adubação, controle de invasoras e podas. E mesmo que o baruzeiro em si não receba adubação direta. “Ele se aproveita dos nutrientes residuais da adubação do café, do feijão, do abacaxi”, afirma o pesquisador.
A água do sistema de irrigação também não é destinada diretamente ao baru. “A irrigação é dirigida para o café e as culturas de ciclo curto. O baru entra como um convidado do sistema, aproveitando a água que sobra dessas outras culturas”, explica.
Consórcio amplia biodiversidade e sustentabilidade econômica
Para Graciolli, sistemas integrados como esse permitem maior eficiência no uso de água e nutrientes, além de aumentar a biodiversidade dos cultivos e reduzir a incidência de pragas e doenças. “São produzidos diversos produtos numa mesma área, o que traz sustentabilidade econômica. Isso favorece o pequeno produtor rural para que ele consiga viver da exploração agrícola”, destaca.
Embora a agricultura familiar tenha concebido originalmente os consórcios, o pesquisador ressalta que propriedades maiores também podem adaptá-los.
Próximos passos incluem nova safra e seleção de variedades
A terceira safra de café e a próxima, prevista para 2027, ainda serão acompanhadas pela equipe. “Depois da quarta safra, faremos a poda e o rebaixamento das plantas de café. E esperamos que o baru já tenha mais plantas atingindo a idade adulta e entrando em produção”, projeta Graciolli.
Após cinco anos de implantação, a estratégia passará por nova avaliação, com possível reabertura dos corredores de agricultura para o plantio de culturas como mandioca, quiabo ou abóbora. Paralelamente, os pesquisadores selecionam as plantas de baru mais produtivas e de crescimento mais rápido, com vistas à produção de mudas por enxertia e ao lançamento futuro de variedades superiores da espécie.
“Em sistemas dessa natureza, espera-se que o investimento financeiro seja amortizado pelas culturas de ciclo mais curto. E assim que os baruzeiros atingirem a fase adulta, se estabilizarem e entrarem em franca produção, se tornem uma cultura agronômica rentável”, projeta o pesquisador.
Feijão, abacaxi e mandioca reforçam o desempenho do sistema
Nos experimentos, três cultivares de feijão alcançaram produtividade média de 1,8 a 2,2 toneladas por hectare. Resultado que, segundo Graciolli, poderia ter superado 3 toneladas por hectare não fosse o ataque de veados campeiros às plantações.
Foto: Tadeu Graciolli/Embrapa
Já os testes com abacaxi mostraram bom desempenho das cultivares Smooth Cayenne (ou Havaí) e Pérola. Os frutos do Smooth Cayenne pesaram entre 1,8 e 2,2 quilos, com boa aparência e sabor. Enquanto os do Pérola variaram de 1,3 a 1,8 quilo, com equilíbrio entre doçura e acidez.
A mandioca, cultivada em uma área do corredor de agricultura originalmente não destinada ao plantio, teve produção de raízes que evoluiu de 4,5 kg para 7,5 kg por cova entre os 10 e os 16 meses após o plantio. O equivalente a um potencial de sete toneladas por hectare.
Sistema de linha simples serve como referência de comparação
No sistema LS, o espaçamento de 4 metros entre as linhas de café e o baru, plantados alternadamente na mesma linha, impede o cultivo de espécies de ciclo curto entre as linhas e inviabiliza a colheita mecanizada. O modelo funciona como tratamento testemunha, permitindo avaliar o impacto da proximidade entre baru e café na produtividade.
Assim, segundo Graciolli, nas duas primeiras safras, os pés de café mais próximos do baruzeiro registraram queda de produção de até 30%, atribuída à competição por água e nutrientes, e não à disputa por luz solar. No sistema LS, a irrigação por gotejamento é destinada ao café, mas também beneficia o baruzeiro. “Nesse sistema, o produtor pode produzir café gourmet em 1 a 2 hectares. E após cinco anos, ele terá o início de produção dos frutos de baru”, conclui o pesquisador.
Enquanto muitas crianças passam o tempo brincando com carrinhos, videogames ou bola, Luiz Miguel Nohatto Lorenzetti, de apenas sete anos, encontrou sua diversão no campo.
Morador de Santa Terezinha do Progresso, em Santa Catarina, ele trocou a coleção de carrinhos pela criação de garnizés e hoje ajuda a cuidar de mais de 20 aves na propriedade da família.
Segundo a mãe, Karine Nohatto, Luiz Miguel sempre teve contato com animais, principalmente cavalos. Porém, a paixão pelos garnizés surgiu por volta dos três anos.
Inicialmente, ele ganhou um galo de porte maior como presente. Como a ave era grande para a idade do garoto, um amigo da família resolveu presenteá-lo com um casal de garnizés. Desde então, a criação só aumentou.
Atualmente, o galinheiro da propriedade reúne mais de 20 aves, todas acompanhadas de perto pelo menino.
Quando não está na escola, Luiz Miguel participa dos cuidados diários com os animais.
Com a orientação da família, ele prepara a alimentação das aves, cuida da água, recolhe ovos e acompanha a criação dos garnizés.
Além das responsabilidades, as aves também fazem parte das brincadeiras. Soltas ao redor da propriedade, elas acompanham o garoto em sua tradicional “fazendinha”, onde ele monta pequenas estruturas e cria cenários inspirados na vida no campo.
“Piá do Garnizé” virou sucesso nas redes sociais
A rotina simples da família também conquistou espaço nas redes sociais.
Conhecido como “Piá do Garnizé”, Luiz Miguel costuma aparecer em vídeos mostrando o dia a dia da criação e até leva uma das aves para eventos de cavalgada.
Segundo Karine, o conteúdo retrata exatamente a realidade da família.
“Não imaginávamos que teria uma repercussão tão grande e que tantas pessoas se encantariam com a história e com a relação dele com os animais.”
Sonho é seguir carreira no agronegócio
Apesar da pouca idade, Luiz Miguel já faz planos para o futuro.
De acordo com a mãe, ele deseja cursar Medicina Veterinária, ampliar a criação de aves da propriedade e também se tornar fazendeiro.
O garoto sonha em criar garnizés de diferentes tamanhos, cores e raças, além de continuar convivendo com os cavalos, outra grande paixão desde a infância.
A dedicação aos animais também se reflete nos momentos de lazer. Quando usa a internet ou assiste à televisão, Luiz Miguel prefere conteúdos relacionados à criação de aves, cuidados com os animais e curiosidades sobre o universo rural.
A história do menino mostra como a convivência com o campo e a agricultura familiar pode despertar responsabilidades desde cedo e fortalecer o vínculo das novas gerações com o agronegócio brasileiro.
Um produtor rural de Santo Antônio do Aracanguá, no interior de São Paulo, teve a oportunidade de acompanhar uma partida da Seleção Brasileira ao lado de um dos maiores ídolos do futebol nacional. Aos 74 anos, Edemir Rubens Doná recebeu o ex-goleiro Marcos, pentacampeão mundial em 2002, após vencer a campanha “Pronto Pro Jogo”, promovida pela Massey Ferguson.
O encontro aconteceu no dia 24 de junho, durante a partida entre Brasil e Escócia. Na ocasião, Edemir reuniu familiares para um churrasco em sua propriedade rural. Assim, acompanhou o jogo e compartilhou momentos de descontração com o ex-jogador.
Com mais de 50 anos de atuação no agronegócio, o produtor cultiva soja, milho e cana-de-açúcar. Além disso, é cliente da Massey Ferguson há vários anos. Ele já utilizava um trator MF 275 e garantiu a participação na campanha ao adquirir um MF 4408.
Encontro com ídolo marcou a família
Palmeirense, Edemir conta que recebeu a notícia de que havia sido contemplado com a promoção com muita alegria. Segundo ele, a oportunidade de conhecer Marcos pessoalmente tornou a experiência ainda mais especial.
“Gostamos demais da experiência. O Marcão é uma pessoa espetacular, muito simples e atenciosa. Ficamos muito felizes com a presença dele aqui. Foi um momento que vai ficar para sempre na memória da nossa família”, afirma.
A campanha “Pronto Pro Jogo” foi criada pela Massey Ferguson para aproximar a marca dos produtores rurais, concessionários e clientes durante a Copa do Mundo. Dessa forma, a empresa uniu a paixão pelo futebol ao universo do agronegócio.
De acordo com Breno Cavalcanti, diretor de Marketing da Massey Ferguson, a iniciativa buscou oferecer uma experiência diferenciada aos clientes da empresa.
“Buscamos proporcionar uma experiência diferenciada para os nossos clientes, unindo entretenimento e a paixão nacional pelo futebol. Marcos representa atributos muito alinhados aos valores da Massey Ferguson, como confiança, proximidade e autenticidade”, destaca.
Campanha fortalece relacionamento com clientes
A ação faz parte das iniciativas de relacionamento desenvolvidas pela Massey Ferguson para fortalecer os vínculos com os produtores rurais. Além da comercialização de máquinas agrícolas, a empresa investe em campanhas que valorizam a proximidade com seus clientes. Também promove experiências ligadas ao cotidiano no campo.
Atualmente, a Massey Ferguson integra o grupo AGCO e está presente no Brasil há seis décadas. A empresa fabrica tratores, colheitadeiras, plantadeiras, pulverizadores, implementos agrícolas e soluções de agricultura de precisão. Além disso, mantém mais de 200 concessionárias no País. Por fim, exporta máquinas para mais de 80 países.
A Embrapa anunciou o lançamento do projeto “Do risco à decisão”, iniciativa que pretende fortalecer o monitoramento dos principais riscos climáticos enfrentados pela agricultura brasileira e oferecer informações que auxiliem o produtor rural na tomada de decisões.
O projeto será iniciado em julho e terá duração de 48 meses, reunindo uma rede formada por 39 pesquisadores e analistas da empresa pública de pesquisa agropecuária. A coordenação ficará sob responsabilidade da Embrapa Agropecuária Oeste.
Projeto vai monitorar eventos climáticos que afetam a produção
O objetivo é ampliar a capacidade de prever e acompanhar fenômenos que causam prejuízos recorrentes às lavouras brasileiras.
Entre os principais eventos monitorados estão as geadas, secas, oscilações climáticas e riscos associados às mudanças no clima.
Segundo a Embrapa, as informações deverão contribuir para que produtores adotem medidas preventivas antes que os impactos climáticos causem perdas significativas.
O projeto concentrará esforços em algumas das principais culturas da agricultura brasileira.
Entre elas estão soja, milho, trigo, arroz, feijão-comum, feijão-caupi, mandioca, uva e maçã.
Essas culturas representam parte significativa da produção nacional e estão frequentemente expostas aos efeitos de eventos climáticos extremos.
Geadas e seca estão entre as maiores ameaças ao campo
A iniciativa ganha relevância em um momento em que diferentes regiões do país registram episódios de frio intenso e estiagem.
As geadas registradas recentemente em municípios como Lages (SC) reforçam a necessidade de sistemas capazes de antecipar riscos e fornecer informações técnicas para reduzir prejuízos nas lavouras.
Além das geadas, a seca continua sendo um dos fatores que mais comprometem a produtividade agrícola brasileira, afetando desde o desenvolvimento das plantas até a rentabilidade do produtor.
Objetivo é fortalecer a tomada de decisão no campo
Ao integrar pesquisadores de diversas unidades da Embrapa, o projeto busca transformar dados climáticos em informações práticas para apoiar o planejamento agrícola.
A expectativa é ampliar a capacidade de resposta do setor diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, aumentando a segurança das decisões tomadas pelos produtores rurais.
Uma máquina parada durante o plantio ou a colheita pode comprometer o cronograma da propriedade e gerar prejuízos ao produtor rural. Além disso, a mecanização das lavouras tornou as operações mais dependentes dos equipamentos. Por isso, reduzir o tempo de inatividade passou a ser um dos principais desafios da manutenção agrícola. Nesse cenário, a Milwaukee Tool Brasil e a Baldan apresentam uma oficina móvel voltada ao atendimento de máquinas e implementos diretamente no campo.
A proposta reúne ferramentas profissionais sem fio, equipamentos de apoio e uma estrutura de atendimento móvel. Dessa forma, os reparos podem ser realizados onde a máquina está. Com isso, em muitos casos, o deslocamento até uma oficina deixa de ser necessário. A iniciativa já integra as operações de pós-venda da Baldan por meio dos Caminhões Oficina utilizados em atendimentos técnicos nas propriedades rurais.
Segundo as empresas, o projeto será apresentado ao longo de 2026 nas principais feiras do agronegócio brasileiro. Parte da programação já passou pelo Show Rural Coopavel, Expodireto, Tecnoshow, Agrishow e mais recentemente pela Bahia Farm Show. As próximas datas já foram divulgadas: Coopercitrus Expo, de 27 a 31 de julho, em Bebedouro (SP), e para a Expointer, de 29 de agosto a 6 de setembro, em Esteio (RS).
Manutenção mais ágil durante a safra
A proposta da oficina móvel acompanha uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais. Os equipamentos estão maiores, mais tecnológicos e indispensáveis para manter o ritmo das operações agrícolas. Ao mesmo tempo, qualquer interrupção pode afetar o desempenho da atividade, especialmente durante os períodos de maior demanda.
Durante as demonstrações, a Milwaukee apresenta ferramentas desenvolvidas para intervenções em máquinas agrícolas. Entre os destaques estão equipamentos de alto torque para remoção de porcas de rodas de tratores, sistemas profissionais de fixação, iluminação portátil para trabalhos noturnos e a plataforma modular PACKOUT™, utilizada para organizar e transportar os equipamentos. Além disso, a tecnologia sem fio amplia a mobilidade das equipes de manutenção em campo.
De acordo com Paula Cristina Dani, CEO da Milwaukee Brasil, o objetivo é aproximar a manutenção das operações agrícolas. “Cada minuto de inatividade durante a safra impacta diretamente a produtividade da operação. Nosso objetivo é aproximar a manutenção do campo com soluções profissionais que entregam potência, autonomia e rapidez para as equipes técnicas”, afirma.
Paula Cristina Dani, CEO da Milwaukee Brasil – Foto: Reprodução/ Divulgação
Além das ferramentas voltadas à manutenção pesada, a empresa também leva às feiras equipamentos utilizados na rotina das propriedades. Entre eles estão sopradores, motosserras e podadores a bateria destinados às atividades de manejo e conservação.
Assistência técnica acompanha a evolução do agro
A crescente mecanização da agricultura também elevou a importância dos serviços de pós-venda e da assistência técnica. Hoje, mais do que oferecer equipamentos, fabricantes e concessionárias buscam reduzir o tempo de resposta quando surgem falhas durante a operação. Dessa maneira, o atendimento passa a acompanhar o ritmo das atividades no campo.
Nesse contexto, a oficina móvel surge como uma alternativa para acelerar os atendimentos e ampliar a disponibilidade das máquinas nas propriedades. Assim, as equipes técnicas conseguem atuar mais próximas do local onde o trabalho acontece, reduzindo o tempo de deslocamento e tornando os reparos mais ágeis.
“Antes, a ferramenta estava restrita à oficina. Hoje, ela acompanha a operação onde o trabalho acontece: no campo, pronta para uso e preparada para responder rapidamente às demandas da manutenção agrícola”, conclui Paula Cristina Dani.
Uma propriedade rural de Brumadinho, em Minas Gerais, chamou atenção ao transformar a produção de hortaliças em uma homenagem à Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo de 2026.
O agricultor Djalma Cordeiro utilizou mais de 39 mil mudas de alface e almeirão para formar uma bandeira gigante do Brasil nos canteiros da lavoura. O projeto, que une criatividade, agricultura familiar e paixão pelo futebol, rapidamente ganhou repercussão na região.
Sonho guardado por quase 30 anos
Segundo Djalma, a ideia surgiu durante a Copa do Mundo de 1998.
Por quase três décadas, o agricultor manteve o sonho de criar uma bandeira brasileira utilizando plantas cultivadas na própria terra.
“Eu sonhava em fazer isso muito antes de chegar aqui, mas nunca tive a oportunidade. Também é uma demonstração da minha torcida pelo hexa.”
Além da confiança na Seleção Brasileira, Djalma afirma que a expectativa de ver Neymar em campo aumentou ainda mais o entusiasmo para realizar o projeto.
Como a bandeira foi construída
Para transformar a ideia em realidade, o agricultor contou com a ajuda do filho, Djordyan Cardoso.
A etapa de marcação do terreno levou aproximadamente dez dias e exigiu precisão para reproduzir o formato da bandeira.
Depois disso, foram plantadas cerca de 39,2 mil mudas de alface crespa, alface roxa e almeirão.
Ao todo, foram utilizadas 140 bandejas de mudas, cada uma com capacidade para 280 plantas.
O resultado final superou as expectativas do agricultor.
A bandeira formada pelas hortaliças passou a atrair visitantes, moradores da região e até grupos de estudantes interessados em conhecer o trabalho desenvolvido na propriedade.
“Eu nunca imaginei que teria tanta repercussão. Parece algo simples, mas acabou virando uma atração.”
Há 26 anos trabalhando no local, Djalma também cultiva outras culturas agrícolas ao longo do ano, como pimentão, abobrinha e tomate.
Além de valorizar o trabalho no campo, iniciativas desse tipo aproximam a população urbana da realidade dos produtores e ajudam a destacar a importância do agronegócio brasileiro.
A busca por eficiência energética e redução de custos no campo ganha espaço na Expocitros 2026, em Cordeirópolis, interior de São Paulo, com a participação da Azzon Energia Solar. A empresa apresenta soluções voltadas à geração de energia limpa e ao armazenamento energético, com foco na segurança operacional das propriedades rurais e na diminuição da dependência de geradores a diesel.
Fundada em 2018 pelo engenheiro eletricista Lucas Fernandes, a Azzon nasceu com a proposta de oferecer atendimento especializado e soluções completas em energia fotovoltaica. Além disso, a empresa aposta em tecnologia para atender diferentes perfis de produtores rurais. Com experiência no setor elétrico desde 2012, incluindo atuação na GE no desenvolvimento de produtos para hidrelétricas, petroleiras e energia eólica, Fernandes identificou a demanda crescente por alternativas energéticas mais econômicas e sustentáveis no agronegócio.
Durante a Expocitros, a empresa destaca sistemas de energia solar e também o BESS (Battery Energy Storage System), tecnologia de armazenamento de energia em baterias que garante o fornecimento energético em situações de queda de energia.
“O sistema serve para trabalhar nos momentos em que falta energia, trazendo segurança energética para o produtor”, afirma Lucas Fernandes, CEO da Azzon Energia Solar.
Segundo ele, o sistema armazena energia em baterias e auxilia diretamente operações essenciais da fazenda, como irrigação, bombeamento e demais estruturas elétricas da produção agrícola.
“Se a luz acabar, o BESS está ali para suprir tudo isso. Se tem energia solar, ela carrega o BESS. Caso não tenha energia da rede, ele continua ali para ajudar”, explica.
Tecnologia reduz dependência de diesel no campo
A proposta da empresa é substituir gradualmente o uso de geradores movidos a diesel, comuns em propriedades rurais que sofrem com oscilações ou interrupções no fornecimento de energia elétrica.
“A gente trouxe essa solução justamente para que o produtor não dependa mais de gerador a diesel. Estamos falando de meio ambiente, de lavouras, de agricultura”, destaca Fernandes.
Além da questão ambiental, o executivo ressalta que a tecnologia elimina problemas relacionados ao armazenamento e transporte de combustível. Dessa forma, também reduz a emissão de gases poluentes.
“É um sistema que veio para revolucionar a energia no campo”, afirma.
A energia solar também surge como alternativa para reduzir os custos fixos das propriedades. De acordo com a empresa, os sistemas fotovoltaicos possuem longa durabilidade, com eficiência estimada em até 25 anos, além de baixa necessidade de manutenção.
Equipe Azzon na Expocitros – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo
Mesmo em dias nublados, os painéis seguem produzindo energia, já que utilizam os raios solares que atravessam as nuvens. Além disso, a manutenção preventiva deve ocorrer cerca de duas vezes por ano, principalmente em regiões com grande concentração de poeira ou fuligem.
Outro ponto destacado pela Azzon é a possibilidade de compensação energética prevista na Lei 14.300/2022. A regulamentação permite que créditos de energia gerados em uma unidade consumidora sejam utilizados em outros imóveis do mesmo titular e dentro da mesma concessionária.
Solução atende pequenos e grandes produtores
O custo-benefício do sistema varia conforme o dimensionamento realizado para cada propriedade. Ainda assim, a empresa avalia que o investimento substitui despesas frequentes com diesel, manutenção de geradores e perdas provocadas por falhas energéticas.
“Basicamente, ele troca a conta do gerador, daquele diesel, daquela manutenção e das várias vezes que o produtor perdeu algum insumo ou produção porque o gerador não funcionou”, afirma o CEO.
Segundo Fernandes, a economia gerada e a estabilidade no fornecimento de energia contribuem diretamente para a continuidade das operações agrícolas e para a proteção da produção.
Além dos benefícios financeiros, o sistema também amplia a segurança energética das propriedades rurais. Com isso, o produtor consegue manter equipamentos e estruturas funcionando mesmo em situações de interrupção no fornecimento de energia.
A Azzon atende produtores de diferentes portes e aposta no crescimento da demanda por soluções energéticas sustentáveis no campo.
“A Azzon Energia está aqui no campo para trazer solução e segurança para o produtor rural”, finaliza Lucas Fernandes.