Tag: produtor rural

  • Perigo: porco de 40kg é atacado em fazenda

    Perigo: porco de 40kg é atacado em fazenda

    Um ataque durante a madrugada terminou com um porco de aproximadamente 40 quilos morto e parcialmente devorado dentro de uma propriedade rural em Alto Santo Antônio, em Santa Teresa, na Região Centro Serrana do Espírito Santo. O responsável pelo ataque não foi identificado, mas o fazendeiro Gilmar Nandorf suspeita da presença de uma onça.

    O caso ocorreu na noite da última segunda-feira (24). Durante a madrugada, Gilmar ouviu os cães latindo e percebeu uma movimentação diferente na propriedade. A agitação teria continuado até por volta de 1h, mas somente na manhã seguinte o que havia acontecido começou a ser descoberto.

    Na terça-feira (25), o caseiro encontrou a carcaça do porco a cerca de 30 metros do chiqueiro, próxima a uma área de vegetação. Segundo o proprietário, o animal teria sido arrastado até o local e parcialmente devorado.

    Outro detalhe chamou a atenção: a cabeça do porco foi encontrada posteriormente em outro ponto da propriedade.

    Suspeita de onça surge após relatos na região

    Gilmar afirmou que nunca havia registrado um ataque semelhante contra os animais de sua propriedade. A possibilidade de uma onça estar por trás do episódio ganhou força, segundo ele, por causa de relatos de moradores e vizinhos.

    Pessoas da região já teriam avistado uma onça circulando pelas proximidades, inclusive acompanhada de dois filhotes. A fazenda também fica próxima a uma área de mata conectada a outras regiões de reserva, o que permite a circulação de animais silvestres.

    Imagens do ataque chegaram às redes sociais

    Após encontrar o porco, o fazendeiro publicou imagens da carcaça restante nas redes sociais. O material começou a circular na internet e chegou ao conhecimento da Polícia Militar Ambiental.

    A corporação, no entanto, informou que não recebeu ocorrência ou pedido de atendimento relacionado ao caso. O proprietário também não havia acionado outros órgãos ambientais para avaliar a situação.

     

  • Crédito rural vira termômetro para vendas na Expointer 2026

    Crédito rural vira termômetro para vendas na Expointer 2026

    A liberação efetiva do crédito rural deve ser um dos principais indicadores para medir o ritmo das vendas de máquinas agrícolas na 49ª Expointer. O evento será realizado de 29 de agosto a 6 de setembro, em Esteio (RS).

    Em um cenário de cautela, produtores e fabricantes acompanham a chegada dos recursos do Plano Safra 2026/2027. Além disso, o setor avalia se as novas medidas de apoio terão efeito sobre as decisões de investimento no segundo semestre.

    A avaliação é da Agritech, fabricante de soluções para a agricultura familiar. Durante a feira, a empresa apresentará os tratores AGT-20 e AGT-25 Cabinado.

    Para a fabricante, entretanto, o anúncio de novas linhas de financiamento não é suficiente. Nesse sentido, a velocidade de liberação dos recursos será fundamental para definir o comportamento do mercado.

    Segundo o gerente de Vendas e Marketing da Agritech, Cesar Roberto Guimarães de Oliveira, as medidas anunciadas pelo governo federal melhoram as perspectivas para o setor. Ainda assim, produtores e indústria mantêm uma postura de cautela.

    “Vivemos um momento de cautela, tanto para os produtores quanto para a indústria. Vamos revisar nossas metas de vendas para este ano, mas vemos com otimismo o lançamento do Plano Safra. Agora, é fundamental acompanhar a velocidade com que o crédito chegará ao agricultor familiar”, afirma.

    Crédito rural pode destravar investimentos

    O cenário ganha importância no Rio Grande do Sul. Afinal, a agricultura familiar tem forte participação na produção agropecuária do Estado.

    Além disso, parte dos produtores enfrenta dificuldades para retomar investimentos após perdas provocadas por eventos climáticos. Por isso, o acesso ao crédito rural pode ter impacto direto na capacidade de recuperação das propriedades.

    Para o ciclo 2026/2027, o governo federal destinou R$ 85,2 bilhões ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O pacote também reúne medidas voltadas aos produtores que registraram perdas de safra.

    Entre as ações está a possibilidade de renegociação de dívidas rurais em até dez anos. A medida também prevê período de carência para agricultores que tiveram perdas decorrentes de eventos climáticos.

    Nessas condições, as operações do Pronaf podem ter juros de até 5% ao ano. Assim, a expectativa é facilitar a reorganização financeira dos produtores e abrir espaço para novos investimentos.

    Outra medida é a prorrogação do prazo de adesão ao Desenrola Rural até 20 de dezembro de 2026. O programa permite regularizar débitos do crédito rural da agricultura familiar com descontos sobre juros e encargos.

    Dessa forma, as medidas podem ajudar a recuperar a capacidade de investimento das propriedades. Ao mesmo tempo, podem estimular a renovação da frota e a mecanização no campo.

    Máquinas agrícolas ganham espaço na feira

    É nesse contexto que a Agritech chega à Expointer 2026. A fabricante apresentará dois modelos destinados a pequenas e médias propriedades.

    Um deles é o AGT-20, trator 4×4 de 17 cavalos de potência. O modelo possui bitola superestreita e foi desenvolvido para trabalhar em lavouras com espaçamento reduzido.

    Além disso, o equipamento conta com transmissão 9×3, sistema hidráulico universal e tomada de potência de 540 e 1.000 rpm. Entre as aplicações estão atividades como pulverização, roçada e acionamento de trincha.

    A empresa também levará o AGT-25 Cabinado. O modelo foi desenvolvido para propriedades de pequeno porte e conta com cabine climatizada.

    Foto: Divulgação

    Nesse caso, o foco está nas condições de trabalho e no conforto do operador. Assim, a fabricante amplia as opções para produtores que buscam mecanizar as atividades sem abrir mão de melhores condições durante a operação.

    Expointer será termômetro do mercado

    Para a Agritech, a participação na Expointer ocorre em um momento estratégico. A feira permitirá acompanhar de perto a reação dos produtores às medidas anunciadas no Plano Safra.

    Além disso, o evento deve ajudar a indústria a avaliar o ritmo das decisões de compra. A expectativa é identificar se o crédito rural terá condições de transformar a cautela atual em novos investimentos.

    “A expectativa é que a efetiva ampliação do acesso ao crédito seja determinante para impulsionar a renovação da frota e a mecanização das pequenas propriedades nos próximos meses”, conclui Oliveira.

    Portanto, a liberação dos recursos será um dos pontos de atenção para o mercado de máquinas agrícolas durante a Expointer. Para fabricantes e produtores, a velocidade do crédito pode definir o ritmo dos investimentos no segundo semestre.

  • Lambari vira grande negócio e produtor revela margem de 35%

    Lambari vira grande negócio e produtor revela margem de 35%

    Pequeno, resistente e conhecido por muitos brasileiros desde a primeira pescaria, o lambari encontrou um mercado lucrativo longe dos rios: a criação em cativeiro para ser vendido como isca viva.

    Embora ainda represente menos de 1% da piscicultura brasileira, segundo dados do IBGE, a lambaricultura cresce de 5% a 8% ao ano. A expansão é impulsionada principalmente pela procura de pescadores por iscas destinadas à captura de espécies maiores, como o tucunaré.

    O zootecnista Fábio Sussel, pesquisador do Instituto de Pesca de São Paulo, considera a atividade extremamente rentável. No entanto, os resultados variam de acordo com a escala, o manejo, a mortalidade dos peixes e o mercado atendido.

    O que é a lambaricultura?

    Lambari não é o nome de uma única espécie. A denominação popular abrange mais de 80 espécies de pequenos peixes da família Characidae, encontradas em rios da América do Sul.

    Na criação comercial, os peixes podem ser vendidos como alevinos, iscas vivas, alimento para espécies de aquário ou produto destinado ao consumo humano.

    A venda por unidade, em vez de peso, é um dos fatores que tornam a atividade interessante para produtores menores. Pesquisas do Instituto de Pesca também indicam que sistemas de baixo custo podem viabilizar o cultivo em pequena escala.

    Produtor cria 20 milhões de lambaris por ano

    Maior produtor de lambaris do Brasil, Jomar Delefrate começou a investir na atividade ainda na década de 1990.

    Na época, ele criava pacu, tilápia e outras espécies em sua fazenda, localizada em Buritizal, no interior de São Paulo. Ao perceber que havia muitos lambaris nos tanques e uma procura crescente pelo peixe como isca viva, decidiu mudar o foco do negócio.

    “Na década de 1990, comecei a migração para a criação comercial de lambaris. Hoje, crio exclusivamente lambaris em 12 fazendas integradas em Buritizal, com um produção anual de pelo menos 20 milhões de unidades, que são comercializadas como iscas vivas para a pesca desportiva em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.”

    Jomar mantém 42 tanques na própria fazenda, mas administra aproximadamente 170 estruturas com produtores parceiros. Parte desses viveiros estava desativada após antigos criadores abandonarem a produção de peixes maiores.

    Tentativa de vender o peixe para consumo

    Em 2017, Jomar construiu um frigorífico para processar os lambaris e entrar no mercado de alimentação.

    A unidade utilizava uma máquina desenvolvida a partir de pesquisas de Fábio Sussel para automatizar a evisceração. O equipamento reduzia um dos principais gargalos do processamento: a dificuldade de limpar manualmente um peixe tão pequeno.

    O frigorífico, porém, encerrou as atividades depois de dois anos e meio. Jomar concluiu que sua principal especialidade era a produção de iscas vivas. O prédio foi desativado e os equipamentos, vendidos para uma indústria de Goiás.

    Como funciona a produção

    A reprodução dos lambaris é induzida em laboratório. Depois da fecundação, os embriões seguem para o berçário, onde passam pela fase inicial de desenvolvimento.

    Posteriormente, os peixes são transferidos para tanques escavados, nos quais ocorre a engorda. O ciclo até a fase adulta leva de três a quatro meses durante o verão, dependendo de fatores como:

    • Temperatura;
    • Qualidade da água;
    • Alimentação;
    • Densidade dos tanques;
    • Condições ambientais.

    Embora seja considerado resistente, o lambari cresce mais lentamente durante o inverno.

    Margem relatada chega a 35%

    Jomar afirma que a rentabilidade atual de sua operação é de aproximadamente 35%. O percentual diz respeito ao negócio do produtor e não deve ser interpretado como uma margem garantida para toda criação.

    Segundo ele, o resultado chegou a ser maior até 2015, quando o lambari teria perdido para os peixes de aquário a posição de atividade mais rentável da piscicultura.

    Outra vantagem observada pelo criador é o menor risco de furto. Por ser pequeno e exigir muito trabalho para limpeza, o peixe não costuma despertar o mesmo interesse criminoso que espécies maiores.

    “Meus parceiros cederam os tanques que estavam desativados em suas fazendas, onde criavam peixes grandes. Muitos sofreram perdas com furtos e desistiram do negócio. Já o lambari não tem esse problema. Ninguém quer limpar o peixinho. Em 30 anos, nunca tive furtos.”

    As iscas deixam as propriedades com peso entre 15 e 30 gramas. Jomar também vende alevinos para outros criadores e trabalha com o filho, Thiago Delefrate, engenheiro agrônomo especializado em piscicultura.

    Além da criação, a família faz o transporte até revendedores e pousadas. Durante a entressafra, também compra lambaris de terceiros para manter o fornecimento aos clientes.

    Jovem investe R$ 150 mil na atividade

    Em Morada Nova de Minas, o produtor Rian Gabriel Alves de Souza começou a criar lambaris artesanalmente quando ainda trabalhava com o pai em um provedor de internet.

    Após conseguir capital e um sócio, ele investiu R$ 150 mil na compra de matrizes e na instalação de tanques escavados. As estruturas recebem as larvas durante os primeiros 30 dias.

    “Escolhi o lambari porque é um peixe que não precisa de muito investimento e dá uma margem de lucro disparada na comparação com os outros.”

    A etapa de engorda acontece em tanques-rede instalados na represa de Três Marias. A propriedade fica em Morada Nova de Minas, município que ocupa posição de destaque na produção brasileira de tilápia.

    Com orientação técnica, Rian passou a realizar a reprodução induzida e a seguir protocolos de manejo.

    “Antes eu era um aventureiro. Busquei orientação com o pesquisador Sussel, passei a fazer a reprodução induzida e seguir os protocolos para a criação e engorda. Já cheguei a produzir 120 mil lambaris em um mês, mas a média é de 50 a 60 mil.”

    O custo informado pelo criador varia entre R$ 0,10 e R$ 0,15 por peixe. A isca viva, com aproximadamente sete a oito centímetros, é repassada por R$ 0,50.

    Essa diferença não corresponde automaticamente ao lucro líquido. Mortalidade, alimentação, mão de obra, manutenção, transporte e demais despesas também precisam ser consideradas.

    Rian pretende instalar novos tanques e quadruplicar a produção. O plano inclui ainda a entrada na engorda de tilápias. Apesar das boas perspectivas, ele diz que a atividade ainda sofre com falta de reconhecimento.

    “Ninguém te leva a sério quando você diz que é criador de lambari.”

    Mão de obra e transporte são desafios

    Apesar do ciclo curto e da possibilidade de aproveitamento de tanques menores, a criação comercial exige conhecimento técnico.

    A mão de obra precisa ser treinada para alimentação, manejo, despesca e transporte. Como o produto é vendido vivo, qualquer falha pode provocar mortalidade e prejuízo antes da entrega.

    No estado de São Paulo, o Decreto nº 60.582, de 2014, reconhece a aquicultura como atividade de interesse social e econômico. A norma também estabelece regras de licenciamento e condições para o desenvolvimento sustentável da produção aquícola.

    Para Fábio Sussel, os lambaris que aparecem espontaneamente em viveiros de espécies maiores não devem ser encarados apenas como invasores.

    “Mas o lambari não é um problema e sim uma solução. Oferece uma grande oportunidade de renda para o produtor porque não demanda grande estrutura para criação, mas a produção comercial exige muito profissionalismo, com uso de técnicas e protocolos.”

    — Fábio Sussel, pesquisador do Instituto de Pesca.

    A diversificação mostra que, apesar de pequeno, o peixe pode abrir diferentes fontes de receita. O potencial, entretanto, depende de manejo profissional, mercado próximo e controle rigoroso dos custos.

  • Renegociação de dívidas rurais: consulte bancos e valores

    Renegociação de dívidas rurais: consulte bancos e valores

    O Ministério da Fazenda autorizou instituições financeiras a operar linhas de crédito destinadas à renegociação de dívidas rurais, previstas na Medida Provisória (MP) 1.376/2026.

    A portaria publicada em 13 de agosto detalha as instituições autorizadas e os montantes destinados às operações de crédito para agricultura empresarial e agricultura familiar.

    A medida era aguardada desde a publicação da MP, em julho, para permitir a operacionalização das linhas pelos bancos.

    Quais bancos poderão operar a renegociação?

    Segundo o texto-base da portaria, dez instituições financeiras foram autorizadas a operar as linhas destinadas à agricultura empresarial:

    • Banco DLL
    • Banco do Brasil
    • Banpará
    • Banrisul
    • Banco da Amazônia (Basa)
    • BRB
    • Credicoamo
    • Cresol
    • Sicoob
    • Sicredi

    O Banco do Brasil concentra a maior parcela dos recursos destinados a médios e grandes produtores, com cerca de R$ 12,433 bilhões, segundo os valores informados na portaria.

    Na sequência aparecem Sicoob, com R$ 4,429 bilhões; Banrisul, com R$ 3,960 bilhões; e Sicredi, com R$ 2,5 bilhões.

    Também estão previstos R$ 331,214 milhões para a Cresol; R$ 250 milhões para o Banco DLL; R$ 225,2 milhões para o Basa; R$ 15 milhões para o BRB; R$ 15 milhões para o Banpará; e R$ 6,7 milhões para a Credicoamo.

    Agricultura familiar também terá linhas de crédito

    Para a agricultura familiar, sete instituições financeiras poderão operar os recursos com taxas equalizadas.

    O Sicredi aparece com o maior montante, de mais de R$ 1,191 bilhão, seguido pelo Sicoob, com R$ 362 milhões.

    Os demais valores informados no texto-base são:

    • Banrisul: R$ 72,750 milhões
    • Banco DLL: R$ 20 milhões
    • Cresol: R$ 4,144 milhões
    • Banpará: R$ 1 milhão
    • Credicoamo: R$ 300 mil

    Qual é o prazo para renegociar as dívidas rurais?

    Os financiamentos destinados à renegociação deverão ser contratados até 12 de novembro de 2026.

    O prazo está relacionado à MP 1.376/2026, publicada em 15 de julho. A medida criou linhas especiais de crédito para composição e renegociação de dívidas de produtores afetados por perdas de safra, eventos climáticos adversos e redução dos preços de comercialização.

    O que prevê a MP 1.376/2026?

    A medida provisória prevê condições diferentes de acordo com o perfil do produtor e o nível de perdas registrado.

    Para produtores enquadrados no Pronamp, por exemplo, a MP estabelece operações de até R$ 2 milhões, com juros de 9% ao ano, em uma das situações previstas. Em casos de perdas mais severas, o limite pode chegar a R$ 2,5 milhões, com juros de 8% ao ano e prazo de até dez anos.

    Para agricultores familiares enquadrados no Pronaf, as condições também variam. Uma das modalidades prevê crédito de até R$ 400 mil, com juros de 6% ao ano e prazo de até oito anos. Em situações específicas de perdas mais severas, o limite pode chegar a R$ 500 mil, com juros de 5% ao ano e prazo de até dez anos.

    Já para os demais produtores, a MP prevê operações que podem chegar a R$ 8 milhões, conforme os critérios de enquadramento e perdas.

    Quem poderá acessar as linhas?

    O acesso não é automático para todos os produtores com dívidas rurais.

    A MP estabelece critérios relacionados às perdas de safra, redução da renda agropecuária e causas dos prejuízos. Entre os fatores considerados estão eventos climáticos extremos e redução dos preços de comercialização.

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também destaca que a regulamentação e a disponibilidade de recursos são condições necessárias para a efetiva contratação das operações.

    O que significa a equalização de juros?

    A equalização de taxas de juros é o mecanismo utilizado pelo governo para reduzir o custo financeiro de determinadas operações de crédito rural.

    Na prática, o Tesouro Nacional arca com parte do custo financeiro da operação, permitindo que o produtor tenha acesso a uma taxa inferior àquela que poderia ser praticada em uma operação convencional.

    No caso da MP 1.376/2026, as linhas foram criadas para auxiliar produtores afetados por perdas e dificuldades econômicas relacionadas às atividades rurais.

    Renegociação também envolve CPRs

    A MP 1.376/2026 também estabeleceu regras relacionadas às Cédulas de Produto Rural (CPRs).

    As instituições financeiras poderão adquirir novas CPRs com liquidação financeira para ajudar na amortização de dívidas anteriores, desde que sejam cumpridos os critérios estabelecidos pela medida provisória.

    Entre as exigências está a emissão da CPR até 31 de dezembro de 2025 e a existência de condições específicas relacionadas ao pagamento das cédulas anteriores.

    O que o produtor deve fazer?

    O produtor interessado deve procurar a instituição financeira que opere a linha e verificar se a dívida e as perdas se enquadram nos critérios da MP 1.376/2026.

    Também é importante conferir a documentação exigida pelo banco e as condições específicas da operação antes da contratação.

    Como se trata de uma linha de crédito com regras próprias, o enquadramento deve ser analisado individualmente pela instituição financeira.

  • Governo libera R$ 1,3 bilhão para combater efeitos do El Niño

    Governo libera R$ 1,3 bilhão para combater efeitos do El Niño

    O avanço do El Niño sobre o clima brasileiro colocou o Governo Federal em alerta para os possíveis impactos na produção agropecuária durante a safra 2026/27. Diante do risco de alterações nas chuvas e nas temperaturas, o Executivo prepara ações para reduzir os efeitos do fenômeno e evitar problemas de abastecimento.

    O governo anunciou um pacote de R$ 1,335 bilhão para medidas relacionadas ao fenômeno. O planejamento inclui a formação de estoques públicos, distribuição de alimentos, monitoramento de rios, ações de saúde e prevenção e combate a incêndios florestais.

    No entanto, um dos principais instrumentos de proteção do produtor ainda enfrenta restrições. O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) permanece com R$ 461,7 milhões bloqueados em 2026.

    Seguro rural entra no centro das preocupações

    O orçamento original do PSR para este ano era de aproximadamente R$ 1,01 bilhão. Depois de cancelamentos e do bloqueio de recursos, a disponibilidade operacional caiu para cerca de R$ 473,8 milhões.

    A situação preocupa porque o seguro rural permite ao produtor reduzir parte do risco financeiro provocado por eventos climáticos. Além disso, o período entre julho e setembro concentra uma parcela importante das operações de custeio e da contratação de apólices para a safra de verão.

    Segundo dados da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), as contratações de seguro agrícola caíram 13,9% entre janeiro e maio de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

    O cenário pode se tornar ainda mais delicado caso o El Niño apresente forte intensidade.

    Governo monitora impactos sobre a agricultura

    O Ministério da Agricultura e Pecuária criou um grupo de trabalho para acompanhar os possíveis efeitos do fenômeno sobre o setor agropecuário. A iniciativa envolve órgãos como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

    A equipe deve avaliar vulnerabilidades regionais e por cultura, além de propor estratégias de adaptação e redução dos impactos. Entre as atividades analisadas estão lavouras de soja, milho, trigo, feijão, cana-de-açúcar, café e mandioca.

    A preocupação é justificada porque o El Niño pode provocar efeitos diferentes conforme a região. No Sul, por exemplo, o fenômeno costuma aumentar o risco de chuvas acima da média. Já em áreas do Norte e do Nordeste, pode favorecer condições mais secas. No Centro-Oeste, as alterações no regime de chuvas também podem afetar o calendário e o desenvolvimento das lavouras.

    Onde será aplicado o R$ 1,3 bilhão

    Do total anunciado pelo governo, R$ 850 milhões serão destinados à compra de arroz e milho para formação de estoques públicos. A medida busca aumentar a capacidade de resposta do país diante de uma eventual redução da oferta de alimentos.

    Outros R$ 65 milhões estão previstos para a aquisição e distribuição de 350 mil cestas de alimentos. A ação contempla povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.

    Também foram previstos recursos para monitoramento de rios e ações na área de saúde. Além disso, R$ 337 milhões, autorizados anteriormente por crédito extraordinário, serão utilizados em fiscalização ambiental e prevenção e combate a incêndios florestais.

    Apesar do volume anunciado, a principal crítica do setor está na ausência de uma recomposição imediata do orçamento destinado ao seguro rural.

    FGV alerta para redução da área protegida

    O Observatório do Crédito e Seguro Rural da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) avalia que, caso os recursos atualmente disponíveis sejam mantidos, a área agrícola protegida pelo seguro pode cair para aproximadamente 2,7 milhões de hectares em 2026.

    O número representaria menos de 3% da área agrícola brasileira. Para o observatório, o cenário aumenta a exposição dos produtores aos eventos climáticos justamente em um período de maior risco para a próxima safra.

    A instituição defende não apenas o desbloqueio dos recursos, mas também uma suplementação do orçamento. A proposta é elevar o PSR para cerca de R$ 2,3 bilhões, o que permitiria ampliar novamente a área protegida.

    A urgência está no calendário agrícola. Quanto mais próxima a decisão estiver do plantio, maior é a necessidade de que os recursos estejam disponíveis para que o produtor consiga contratar a proteção antes de assumir o risco climático.

  • ITR 2026: prazo começa hoje; veja como declarar

    ITR 2026: prazo começa hoje; veja como declarar

    Começa nesta segunda-feira (10) o prazo para a entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) 2026. Produtores rurais e demais contribuintes obrigados têm até 30 de setembro para enviar o documento à Receita Federal.

    A declaração é obrigatória para pessoas físicas e jurídicas que sejam proprietárias, titulares do domínio útil ou possuidoras de imóveis rurais, com exceção dos casos de imunidade ou isenção previstos na legislação.

    O prazo termina às 23h59min59s de 30 de setembro, no horário de Brasília. Por isso, quem precisa prestar as informações deve ficar atento para não perder a data.

    Quem precisa declarar o ITR?

    A obrigação da DITR 2026 alcança pessoas físicas e jurídicas que tenham determinadas formas de relação com um imóvel rural.

    Entre os contribuintes obrigados estão:

    • proprietários de imóveis rurais;
    • titulares do domínio útil;
    • possuidores de imóveis rurais;
    • usufrutuários;
    • situações específicas envolvendo condomínio, composse e espólio.

    As regras também contemplam contribuintes que perderam a posse ou a propriedade do imóvel rural em determinadas situações entre 1º de janeiro de 2026 e a data da apresentação da declaração.

    Imóveis que estejam enquadrados nas hipóteses legais de imunidade ou isenção ficam fora da obrigação.

    Como fazer a declaração do ITR 2026?

    Uma das novidades deste ano é a possibilidade de fazer todo o procedimento pela internet por meio do serviço Minhas Declarações do ITR.

    A ferramenta está disponível no Portal de Serviços da Receita Federal e permite preencher, transmitir, retificar e consultar a DITR sem a necessidade de instalar um programa no computador. O acesso exige autenticação com conta gov.br nos níveis Prata ou Ouro.

    Além do preenchimento online, a Receita Federal mantém o Programa ITR 2026 para pessoas físicas que possuem imóvel rural com área de até 100 hectares. Nesse caso, a transmissão também pode ser feita pelo próprio programa ou pelo Receitanet.

    O que acontece se perder o prazo?

    Quem estiver obrigado a apresentar a DITR e entregar o documento depois do prazo fica sujeito a multa de 1% ao mês-calendário ou fração de atraso, calculada sobre o total do imposto devido.

    Atualmente, o valor mínimo da multa é de R$ 50.

    Por isso, deixar a declaração para os últimos dias pode causar dores de cabeça, principalmente para quem ainda precisa reunir informações do imóvel e dos responsáveis pela propriedade.

    É possível corrigir a declaração depois do envio?

    Sim, é possível!

    Se o contribuinte identificar algum erro, omissão ou informação incorreta depois da transmissão, é possível apresentar uma DITR retificadora, desde que ainda não tenha sido iniciado um procedimento de lançamento de ofício.

    A declaração retificadora substitui integralmente a declaração original. Por isso, a recomendação é conferir as informações antes da transmissão e guardar o recibo de entrega.

    Como funciona o pagamento do ITR?

    A entrega da DITR e o pagamento do imposto são etapas relacionadas, mas diferentes.

    O valor do ITR apurado pode ser pago em até quatro quotas iguais, mensais e consecutivas. Porém, cada quota precisa ter valor mínimo de R$ 50.

    Quando o imposto for inferior a R$ 100, o pagamento deve ser feito em quota única.

    A primeira quota ou a quota única vence em 30 de setembro de 2026, mesma data final para a apresentação da declaração.

    As demais quotas, quando houver, têm vencimento no último dia útil de cada mês e recebem os acréscimos previstos na legislação, incluindo juros calculados com base na taxa Selic e 1% no mês do pagamento.

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  • PIB do agronegócio sofreu queda de 2% no primeiro trimestre de 2026

    PIB do agronegócio sofreu queda de 2% no primeiro trimestre de 2026

    O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro caiu 2,01% no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    O resultado chama atenção porque ocorre depois de um avanço superior a 12% do setor em 2025. De acordo com os pesquisadores, a principal explicação para a retração está na redução dos preços de diversos produtos agropecuários, que acabou superando os ganhos esperados de produção em diferentes atividades.

    Todos os segmentos agrícolas registraram queda

    O recuo não ficou concentrado em apenas uma área da cadeia. Todos os segmentos que formam o PIB do agronegócio apresentaram resultado negativo nos primeiros três meses do ano.

    O maior impacto veio do segmento primário, que reúne as atividades diretamente ligadas à produção agropecuária. A queda foi de 4,15%. Na sequência aparecem os insumos, com retração de 2,15%, os agrosserviços, com baixa de 1,25%, e a agroindústria, que recuou 1,03%.

    Para o produtor rural, o cenário mostra que uma produção maior nem sempre significa aumento proporcional da receita. Isso acontece porque a valorização ou desvalorização dos produtos tem peso importante no resultado econômico de toda a cadeia.

    Agricultura sente mais o impacto

    Quando a análise é dividida entre os dois grandes ramos do agronegócio, a agricultura foi a principal responsável pela retração.

    O PIB do ramo agrícola recuou 3,62% no primeiro trimestre de 2026. Já a pecuária apresentou comportamento diferente e registrou um crescimento de 0,70% no período.

    A diferença ajuda a explicar por que o resultado geral do agro foi negativo mesmo com algumas atividades apresentando desempenho positivo. Afinal, o PIB do agronegócio considera uma cadeia ampla, que vai desde a fabricação de insumos até a produção no campo, a indústria e os serviços relacionados ao setor.

    Preços pesaram sobre o resultado

    Segundo o Cepea e a CNA, a expectativa para 2026 é de redução no valor da produção agropecuária. O principal fator apontado é justamente a queda dos preços, que superou os ganhos previstos em volume produzido em diferentes atividades agrícolas e pecuárias.

    Na prática, isso significa que o aumento da produção esperado para algumas culturas e criações não foi suficiente para compensar a desvalorização dos produtos.

    O cenário reforça a importância dos preços agrícolas para o desempenho econômico do setor. Mesmo com o Brasil mantendo uma posição de destaque na produção agropecuária, mudanças nas cotações podem afetar diretamente produtores, indústrias, fornecedores e empresas de serviços ligados ao campo.

    Agro ainda representa uma parcela importante da economia

    Apesar da queda, o agronegócio continua responsável por uma fatia expressiva da economia brasileira.

    Considerando os resultados do primeiro trimestre e o desempenho do PIB nacional, a participação do setor é estimada em 22,8% da economia brasileira em 2026. Em 2025, essa participação havia sido calculada em 25,2%.

    O PIB do agronegócio foi estimado em cerca de R$ 3,13 trilhões no período analisado. Desse total, aproximadamente R$ 1,88 trilhão corresponde ao ramo agrícola e R$ 1,25 trilhão ao ramo pecuário.

  • Agro pode gerar R$ 314 milhões em créditos de carbono até 2035

    Agro pode gerar R$ 314 milhões em créditos de carbono até 2035

    O agronegócio brasileiro pode gerar até R$ 314,3 milhões em créditos de carbono até 2035, segundo um estudo apresentado nesta quinta-feira (6), durante o Fórum de Agro & Sistemas Alimentares, realizado na São Paulo Climate Week. Apesar do potencial, o setor ainda enfrenta um obstáculo para transformar essa oportunidade em negócios: a falta de regras operacionais para autorizar e comercializar esses ativos no mercado internacional.

    O levantamento foi elaborado pela Carbonn Nature, com apoio do Instituto Equilíbrio e do IEAg (Instituto de Estudos do Agronegócio), da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio). A análise aponta que o Brasil tem condições de ampliar a participação do agro no mercado de carbono sem comprometer suas metas climáticas estabelecidas no âmbito do Acordo de Paris.

    Agro brasileiro pode movimentar bilhões com mercado de carbono

    De acordo com o estudo, uma estratégia considerada moderada permitiria ao Brasil autorizar transferências equivalentes a até 4% da segunda Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do país.

    Nesse cenário, seria possível negociar cerca de 15,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) no mercado internacional. A operação poderia gerar até R$ 2,4 bilhões por meio dos chamados Resultados de Mitigação Transferidos Internacionalmente, conhecidos como ITMOs.

    Os valores podem ser ainda maiores caso os créditos sejam direcionados ao Corsia, programa internacional criado para compensar as emissões da aviação civil. Nesse mercado, a estimativa apresentada pelo estudo chega a R$ 3,5 bilhões.

    Os números, entretanto, representam diferentes cenários e potenciais de mercado. Não se trata de uma receita garantida para produtores rurais ou para o setor como um todo.

    Três áreas concentram potencial

    O estudo identifica três principais frentes para ampliar a geração de créditos de carbono no agronegócio brasileiro.

    A primeira é o manejo aprimorado de terras agrícolas, que reúne práticas capazes de contribuir para a redução ou remoção de emissões. A segunda envolve a recuperação de áreas degradadas, uma estratégia que também pode ampliar o armazenamento de carbono no solo e na vegetação.

    A terceira frente está relacionada à redução das emissões de metano provenientes do manejo de dejetos animais. Segundo os pesquisadores, essas atividades já contam com metodologias reconhecidas internacionalmente e possuem projetos em desenvolvimento no Brasil.

    Para a pesquisadora responsável pelo levantamento, Natascha Trennepohl, o estudo mostra uma transformação na maneira como o agronegócio é inserido na agenda climática.

    “O agronegócio brasileiro deixou de ser discutido apenas como fonte de emissões e passa a ocupar o centro da conversa sobre soluções. Não existe uma escolha binária entre gerar receita com carbono e proteger a meta climática do País. Com critérios de autorização bem definidos e volumes graduais, as duas coisas caminham juntas.”

    Falta de regulamentação ainda trava mercado

    Apesar do potencial financeiro, os pesquisadores destacam que a geração de créditos de carbono pelo agro depende de uma série de fatores. Entre eles estão a autorização do governo brasileiro para que os créditos sejam reconhecidos como ITMOs, a existência de compradores internacionais e as próprias condições do mercado.

    Por isso, o principal desafio identificado pelo estudo não estaria na capacidade do agronegócio de gerar créditos ou na demanda internacional, mas na regulamentação necessária para colocar essas operações em prática.

    Entre as medidas apontadas como prioritárias estão a regulamentação do Artigo 6 do Acordo de Paris, a definição de critérios para autorização dos ITMOs e o reconhecimento das metodologias utilizadas pelo agronegócio no Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE).

    O estudo também defende a criação de limites de créditos compatíveis com as metas climáticas brasileiras, além da emissão das cartas de autorização pelo governo federal e do fortalecimento dos sistemas de monitoramento, reporte e verificação dos projetos.

    Demanda por créditos pode crescer com aviação internacional

    Outro ponto destacado no levantamento é a preparação dos projetos brasileiros para o aumento da demanda do Corsia a partir de 2027. O programa prevê compensações obrigatórias para grande parte dos voos internacionais, o que pode ampliar a procura por ativos ambientais.

    Para Trennepohl, o Brasil já possui condições técnicas para disputar esse mercado, mas precisa avançar na regulamentação.

    “O Brasil já fez a parte mais difícil, que é comprovar que tem escala, metodologia e integridade ambiental para competir nesse mercado. O que falta agora é essencialmente operacional: destravar a regulamentação para que esse potencial vire projeto, investimento e renda para o produtor rural.”

  • Geleia de pimenta: aposta rentável do pequeno produtor rural

    Geleia de pimenta: aposta rentável do pequeno produtor rural

    O tamanho reduzido da pimenta esconde uma das maiores qualidades econômicas desse alimento: a versatilidade. Os povos originários já cultivavam pimentas no Brasil, e essa tradição segue viva hoje, o que faz da pimenta um ótimo produto para os pequenos agricultores.

    Pimenta habanero
    Pimenta habanero. Foto: Jaque Ornelas/Agro em Campo

    A versatilidade aparece nos diversos tipos existentes, com diferentes graus de ardência para a culinária e também para uso medicinal – a substância capsaicina, por exemplo, oferece efeito analgésico e anti-inflamatório. Quanto ao cultivo, a EMBRAPA destaca que a pimenta se adapta a diversos sistemas de plantio ou à combinação de parte deles; o sistema convencional envolve aragem, gradagem e o uso de fertilizantes minerais de alta solubilidade ou adubos orgânicos. A rentabilidade da cultura, por sua vez, torna a pimenta uma excelente opção mesmo para espaços modestos.

    A geleia de pimenta como oportunidade econômica

    Falar sobre o consumo de pimenta no Brasil é chover no molhado: o produto marca presença garantida em lanchonetes e conquista as cozinhas brasileiras. Além do consumo interno, produtores também exportam a pimenta em pastas desidratadas e conservas.

    A EMBRAPA estimava, ainda em 2022, uma produção nacional de cerca de 75 mil toneladas, com destaque para a pimenta-do-reino e a pimenta biquinho. Nesse cenário, o investimento em geleia de pimenta surge como uma boa alternativa: ela amplia o período de comercialização, tem produção relativamente fácil e agrega valor ao produto.

    As variedades, combinações e cuidados básicos

    Produtores utilizam principalmente as pimentas dedo-de-moça e Jalapeño no preparo da geleia. Eles podem usar essas variedades isoladamente ou combiná-las, por exemplo, com frutas como maçã ou abacaxi. O resultado são propostas sensoriais e gastronômicas interessantes, ideais para acompanhar queijos, carnes, lanches e porções.

    A qualidade da geleia de pimenta depende diretamente da matéria-prima e do processo de fabricação. Os produtores devem lavar e conservar bem os ingredientes e combiná-los de forma adequada durante o processamento – o que inclui, quando necessário, a mistura de pectina e ácido cítrico para corrigir o pH. Por fim, o produtor precisa seguir as recomendações sanitárias e adotar corretamente os padrões químicos e físicos exigidos.

    Esse cuidado é essencial para otimizar as oportunidades econômicas que a geleia de pimenta oferece ao pequeno produtor.

  • Cuidados na entressafra ajudam a preservar máquinas agrícolas

    Cuidados na entressafra ajudam a preservar máquinas agrícolas

    O armazenamento adequado de máquinas agrícolas durante a entressafra ou em períodos de inatividade ajuda a reduzir desgastes prematuros, evitar falhas e diminuir os custos de manutenção no campo. Tratores participam de diversas etapas da produção e, por isso, precisam de cuidados mesmo quando permanecem parados por semanas ou meses.

    Além das revisões e inspeções periódicas, a conservação durante a parada também influencia diretamente o desempenho e a vida útil dos equipamentos. A exposição prolongada ao sol, à chuva e à umidade pode acelerar a corrosão. Da mesma forma, essas condições podem comprometer sistemas elétricos, peças de borracha e outros componentes.

    Segundo Eder Pinheiro, coordenador de Marketing de Produto Trator da Massey Ferguson, medidas simples ajudam a manter a máquina em boas condições e pronta para voltar ao trabalho quando necessário. Dessa forma, o produtor reduz o risco de falhas e evita despesas inesperadas no início das operações.

    Limpeza deve anteceder o período de parada

    O primeiro passo recomendado pelo especialista é realizar uma limpeza completa do equipamento antes de iniciar o armazenamento. A retirada de resíduos acumulados durante o trabalho no campo contribui para preservar diferentes componentes da máquina.

    “A remoção de resíduos de terra, palha, fertilizantes e defensivos evita o acúmulo de umidade e reduz o risco de corrosão em partes metálicas”, detalha Pinheiro.

    Por isso, a limpeza deve fazer parte da preparação do trator para períodos prolongados de inatividade. Além de remover sujeiras, o procedimento permite identificar possíveis danos que poderiam passar despercebidos durante a rotina de trabalho.

    Na sequência, o produtor deve escolher um local adequado para guardar o equipamento. Ambientes cobertos, ventilados e protegidos das intempéries oferecem melhores condições de conservação.

    “Ambientes cobertos, ventilados e protegidos das intempéries ajudam a preservar a pintura, os componentes eletrônicos e os elementos de borracha. Quando possível, a máquina deve permanecer protegida da incidência direta do sol e da chuva”, afirma o especialista.

    Pneus, fluidos e funcionamento exigem atenção

    Os cuidados durante a entressafra também envolvem pneus e fluidos. A calibragem correta dos pneus ajuda a evitar deformações provocadas pelo peso do próprio equipamento durante longos períodos de parada.

    Além disso, o produtor deve verificar as condições do óleo do motor, do fluido hidráulico e do líquido de arrefecimento. Essas inspeções permitem identificar necessidades de manutenção antes que pequenos problemas afetem a operação da máquina.

    Outra recomendação é ligar o trator a cada 15 dias por aproximadamente 20 minutos. Segundo a orientação apresentada, o procedimento favorece a circulação do lubrificante pelos componentes internos. Assim, contribui para manter a proteção das peças e preservar as condições de funcionamento do equipamento.

    Ainda durante o período de armazenamento, o produtor deve realizar inspeções periódicas. A verificação de possíveis vazamentos, sinais de corrosão e presença de animais em componentes da máquina pode evitar problemas futuros.

    “Pequenos cuidados podem gerar ganhos significativos ao produtor. Além de contribuir para a disponibilidade operacional da máquina, eles ajudam a reduzir custos de manutenção e preservam o valor do equipamento ao longo dos anos”, destaca Pinheiro.

    Portanto, a preparação adequada para a entressafra não deve ser vista apenas como uma etapa de conservação. O cuidado durante a inatividade também contribui para que o equipamento retorne ao trabalho em melhores condições. Com isso, o produtor pode reduzir riscos de paradas inesperadas e preservar o investimento realizado na máquina.

    Sobre a Massey Ferguson

    A Massey Ferguson, marca pertencente ao grupo AGCO, acumula mais de 175 anos de experiência global na produção para a indústria agrícola. A empresa é apresentada como a maior exportadora de máquinas agrícolas da América Latina e atua no mercado brasileiro há seis décadas.

    A marca comercializa tratores, colheitadeiras, plantadeiras, implementos, pulverizadores, enfardadoras e produtos e serviços de agricultura de precisão para mais de 80 países.

    Na América do Sul, a empresa possui fábricas no Brasil e na Argentina. No território brasileiro, as unidades estão localizadas em Canoas (RS), Santa Rosa (RS), Ibirubá (RS) e Mogi das Cruzes (SP). A empresa também mantém uma unidade em General Rodríguez, na Argentina.

    No Brasil, a Massey Ferguson conta ainda com uma rede de concessionárias com mais de 200 lojas.