O clima favorece a safra brasileira de café 2026/27 na maioria das regiões produtoras. Após um dezembro desafiador, 2026 trouxe condições climáticas mais favoráveis ao campo. Em dezembro, altas temperaturas e poucas chuvas prejudicaram o desenvolvimento das lavouras. Desde o início de 2026, no entanto, o cenário climático confirma perspectivas positivas aos produtores.
Segundo pesquisadores do Cepea, chuvas marcaram a primeira quinzena de março nas regiões produtoras.
Essas precipitações ajudaram o enchimento dos grãos de café arábica. Além disso, as chuvas contribuíram para o desenvolvimento final do café robusta.
Com isso, o clima favorável reforça a expectativa de safra recorde de café em 2026/27. A produção de arábica deve impulsionar principalmente esse resultado positivo.
No caso do robusta, pesquisadores indicavam uma expectativa inicial menos promissora para a temporada.
Apesar disso, as condições climáticas também favoreceram o desenvolvimento dessa variedade.
Embora março registre chuvas menos volumosas, o cenário ainda sustenta projeções otimistas. Assim, agentes do setor passaram a apostar em uma colheita próxima à safra passada.
O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul registra oferta restrita e baixa liquidez. O levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada mostra preocupação crescente entre agentes do setor.
Além da escassez do cereal, a alta do diesel pressiona os custos de frete e logística. Esse aumento ocorre justamente durante a intensificação da colheita e do transporte da produção.
Compradores elevam ofertas para garantir produto
Nos últimos dias, compradores elevaram as ofertas para garantir abastecimento. Alguns agentes reajustaram os preços de aquisição mais de uma vez. Mesmo assim, a disponibilidade de arroz no mercado permaneceu limitada.
Segundo pesquisadores do Cepea, parte dos produtores mantém postura retraída. Ou seja, esses produtores aguardam sinais mais claros do mercado antes de negociar. Ao mesmo tempo, outra parcela concentra esforços nos trabalhos de colheita. Em algumas regiões, produtores relatam produtividade menor nas lavouras.
Alta do diesel preocupa cadeia do arroz
Agentes consultados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada também demonstram preocupação com o diesel mais caro. Os relatos indicam inclusive desabastecimento regional do combustível.
As tensões geopolíticas globais impulsionam essa alta de preços.
Colheitas simultâneas ampliam pressão logística
O cenário preocupa especialmente o setor no Rio Grande do Sul. No estado, a colheita de arroz ocorre ao mesmo tempo que a safra de soja. Essa coincidência aumenta a demanda por transporte e amplia os custos logísticos do agronegócio.
Os preços da soja caíram no fim de fevereiro no mercado brasileiro. A desvalorização do dólar frente ao real reduziu a paridade de exportação. Além disso, o câmbio menor diminuiu a competitividade da soja brasileira frente à norte-americana. As expectativas de oferta volumosa no Brasil também pressionaram as cotações.
O levantamento do Cepea mostra que a média de fevereiro recuou em termos reais. Com isso, os valores voltaram aos patamares observados em 2024. Apesar das adversidades climáticas em regiões produtoras, agentes mantêm otimismo sobre a safra.
Segundo o Cepea, o volume final deve permanecer elevado. A perda produtiva no Sul e no Sudeste tende a ser compensada. Outras regiões registram bom desempenho nas lavouras. Assim, a produção total deve sofrer impacto limitado.
Milho
No mercado de milho, produtores priorizam a colheita e o escoamento da soja. Por isso, a oferta de milho permanece restrita no mercado spot nacional. Os pesquisadores do Cepea afirmam que a demanda sustenta os preços em São Paulo. Nas regiões consumidoras, a oferta abaixo da demanda mantém valores firmes.
Por outro lado, no Sul do Brasil, os preços registram queda. A colheita da safra de verão amplia a disponibilidade do cereal. Mesmo assim, a retração dos produtores limita desvalorizações mais intensas. Muitos vendedores retêm o milho à espera de reação das cotações. Além disso, diversos agentes priorizam a comercialização da soja no curto prazo.
O Projeto de Lei 6463/25 estabelece diretrizes para a produção, o beneficiamento e a comercialização sustentável de tilápias no Brasil. A proposta busca aliar o crescimento da piscicultura à preservação ambiental e ao uso responsável dos recursos hídricos.
O texto autoriza o governo federal a adotar uma série de medidas de incentivo. Como oferta de apoio técnico e extensão rural aos produtores, estímulo à formalização da cadeia produtiva, criação de linhas de crédito específicas e apoio à certificação sanitária, ambiental e de origem do pescado.
As atividades contempladas deverão seguir práticas que garantam o monitoramento da qualidade da água, o manejo correto de resíduos e efluentes, a prevenção da dispersão de espécies em ambientes naturais e a proteção da biodiversidade aquática.
Autor do projeto, o deputado Clodoaldo Magalhães (PV-PE) ressalta que as tilápias, espécie amplamente adaptada ao clima brasileiro, desempenham papel estratégico para a segurança alimentar e o desenvolvimento regional. Ele cita como exemplo o êxito do modelo adotado no município de Jatobá (PE).
O autor da proposta, deputado Clodoaldo Magalhães (PV-PE). Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
“A expansão da produção aquícola exige atenção constante aos aspectos ambientais. O uso responsável da água, o controle de resíduos e a adoção de boas práticas de manejo são fundamentais para garantir a sustentabilidade da atividade e preservar os ecossistemas aquáticos”, afirmou o parlamentar.
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para se tornar lei, o texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.
O cultivo de café canéfora, que abrange as variedades robusta e conilon, está se expandindo rapidamente no Brasil e ganhando espaço em regiões fora de seu berço tradicional, o Espírito Santo. O país, atualmente segundo maior produtor mundial dessa espécie, vem reduzindo a distância em relação ao Vietnã, líder global do segmento.
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Minas Gerais e Mato Grosso registraram forte crescimento na produção desde 2020. O movimento reflete os preços elevados e o aumento do consumo mundial de cafés diferenciados, fatores que motivam agricultores a apostar no canéfora.
“O cenário é favorável para que esse avanço continue”, afirma Ricardo Schneider, presidente da Câmara de Café de Minas Gerais. Ele destaca que a demanda aquecida e a disponibilidade de áreas agrícolas impulsionam o ritmo de expansão. Analistas acrescentam que a melhora na qualidade dos grãos tem reforçado o interesse das torrefações e exportadores.
Conhecido como o principal produtor de café arábica do país, Minas Gerais também começa a se destacar na produção de canéfora. A safra mineira deve alcançar 602,2 mil sacas de 60 quilos em 202. Um salto de 94% em relação a 2020, segundo dados da Conab.
Mato Grosso mira produtividade de Rondônia
O Mato Grosso, referência na produção de grãos como soja e milho, agora mira o exemplo do vizinho Rondônia para aumentar sua produtividade no café robusta. “Nossa meta é elevar a média atual de 23 sacas por hectare para o nível de 50 sacas obtido em Rondônia”, explica Dalilhia Nazare dos Santos, engenheira agrônoma da Empaer-MT.
A Conab projeta que o estado colha 298,7 mil sacas neste ano, ante 158,4 mil em 2020. O avanço confirma o movimento de diversificação agrícola no Centro-Oeste.
Ceará e Norte entram no mapa do café
O café canéfora também começa a ganhar espaço no Norte e Nordeste do país. O Ceará, por exemplo, testa o cultivo de conilon e robusta amazônico, variedade tradicionalmente produzida em Rondônia. A produção combinada de Ceará, Acre e Pará deve chegar a 118,7 mil sacas em 2026. Quase o triplo do registrado em 2020.
“Esperamos alcançar cerca de mil hectares de café conilon até 2026, com potencial para atingir 5 mil hectares”, afirma Silvio Carlos Ribeiro Vieira Lima, secretário executivo do Agronegócio do Ceará. Ele ressalta que a proximidade de portos e infraestrutura logística coloca o estado em posição estratégica para exportar.
Com o arábica ainda como principal variedade, o Brasil reforça sua posição de destaque no cenário internacional ao diversificar sua produção de canéfora. O país se consolida como competidor direto do Vietnã, ampliando a oferta para atender à crescente demanda global por robusta e conilon, usados em cafés solúveis e espressos.
O estado da Flórida, nos Estados Unidos, registra temperaturas extremamente baixas desde o fim de janeiro. Além disso, o início de fevereiro mantém o clima muito frio na região. Os pesquisadores do Cepea avaliam os efeitos desse cenário no setor citrícola. Eles relatam forte preocupação com a já limitada produção local.
A atual onda de frio amplia os riscos para os pomares. As temperaturas abaixo do ponto de congelamento prejudicam as árvores. O problema ocorre quando o frio dura mais de quatro horas. Nessas condições, as plantas sofrem danos significativos em sua estrutura.
O frio intenso afeta células do tronco e dos galhos. Ele também compromete folhas e frutos das laranjeiras. Diante desse quadro, citricultores adotam medidas de proteção nas lavouras.
Os produtores utilizam irrigação por aspersão para proteger os pomares. A técnica forma uma camada isolante de gelo sobre as plantas. Além disso, agricultores recorrem ao uso de aquecedores nos campos. Mesmo assim, o Cepea alerta para a eficácia limitada dessas estratégias. As medidas funcionam melhor em períodos curtos de frio. Entretanto, o frio intenso por muito tempo reduz os resultados.
Nesta semana, as temperaturas voltaram a subir na Flórida. Além disso, chuvas devem ocorrer nos próximos dias na região. A mudança acontece com a chegada de uma nova frente fria. Apesar da melhora no clima, os impactos ainda são incertos. Somente com o passar dos dias o setor avaliará os prejuízos. Assim, produtores aguardam para contabilizar as perdas na produção.
O mercado de ovos mantém ritmo aquecido neste início de mês. Os preços avançam pela segunda semana consecutiva nas regiões pesquisadas. As altas chegam a 28%, segundo dados divulgados pelo Cepea. O aumento ocorre por causa do maior fluxo de vendas. Além disso, o recebimento de salários impulsiona o consumo da população. Como resultado, os produtores registram crescimento na procura pelo produto.
Em algumas regiões, granjas enfrentam dificuldade para atender pedidos. A oferta interna fica limitada e a demanda segue elevada. Esse cenário permite novos reajustes nos valores dos ovos. Os pesquisadores apontam recuperação nos preços da proteína. Os valores vinham em queda desde setembro do ano passado. A desvalorização ficou mais intensa em dezembro e janeiro.
O preço do frango congelado recua pelo terceiro mês seguido. Em janeiro, o produto voltou a níveis observados em 2025. A baixa demanda interna pressiona as cotações do frango. Por outro lado, as exportações permanecem firmes no período. Mesmo assim, o mercado doméstico define a tendência de queda.
Na Grande São Paulo, o frango congelado fechou janeiro mais barato. O produto registrou média de R$ 7,36 por quilo. O valor caiu 4,5% em relação ao mês de dezembro. O preço atual se aproxima do patamar de junho de 2025. Naquele período, o frango foi negociado a R$ 7,47. Os números também fazem parte do levantamento do Cepea.
Janeiro tradicionalmente apresenta consumo mais fraco de frango. A população enfrenta despesas extras no começo do ano. Esse fator reduz o poder de compra e limita as vendas.
Os pesquisadores do Cepea apontam melhora nas condições climáticas que beneficiaram as lavouras de café em janeiro. As chuvas regulares devem favorecer o enchimento dos grãos. Fevereiro começa com expectativa de continuidade da umidade. Esse período é crucial para a temporada de café.
O cenário produtivo mais positivo pressiona as cotações. Os preços do café registram queda no mercado brasileiro. O indicador CEPEA/ESALQ do arábica recuou 3,7%. O preço caiu R$ 80,19 por saca em janeiro. O indicador encerrou janeiro a R$ 2.094,55 por saca. Já a média mensal atingiu R$ 2.178,82 por saca. O valor foi o menor desde outubro de 2025.
No campo, produtores esperam safra maior em 2026/27. O clima adverso ainda pode trazer riscos à produção.
O mês de dezembro teve calor intenso e baixa umidade. Ou seja, essas condições podem gerar grãos mal formados. Os especialistas alertam para possibilidade de cafés chochos.
Os preços do feijão avançaram com força no fim de janeiro. O movimento ocorreu em quase todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. O feijão preto e o carioca de melhor qualidade lideraram as altas.
A restrição de oferta impulsionou as cotações no mercado interno. A colheita lenta da primeira safra também pressionou os valores. A produção menor em relação a 2025 reforçou o cenário altista. O problema afeta especialmente os estados do Sul do Brasil.
No balanço do mês, o feijão carioca teve forte valorização. A média mensal registrou a maior alta dos últimos quatro meses. O feijão preto apresentou a variação mais intensa da série. O Cepea iniciou esse levantamento em setembro de 2024. Os pesquisadores comparam o quadro atual ao de janeiro passado. Naquele período, os preços do feijão mostraram retração. Agora, o mercado segue direção oposta e registra disparada.
Dentro da porteira
No campo, produtores enfrentam dificuldades na colheita nacional. Interferências climáticas atrasam os trabalhos em várias regiões. A Conab acompanha o ritmo da safra em todo o país. Até o dia 24, a colheita alcançou 28,3% da área. No ano passado, o índice atingiu 39% no mesmo período. A média dos últimos cinco anos chegou a 38,1%. O atraso reduz a oferta disponível no mercado brasileiro. Com menos produto, compradores disputam lotes de melhor qualidade. Esse cenário sustenta a alta dos preços do feijão.
O IBGE estima produção de 346,1 milhões de toneladas de grãos em 2025. O volume representa alta de 18,2% frente a 2024. Em relação a novembro, a projeção avançou 0,1%. Em geral, a área colhida deve alcançar 81,6 milhões de hectares. Ou seja, O número indica crescimento de 3,2% sobre o ano anterior. Na comparação mensal, houve aumento de 0,1%.
Soja, milho e arroz concentram produção
Soja, milho e arroz respondem por 92,7% da produção estimada. Essas culturas ocupam 87,9% da área a ser colhida. A soja deve atingir 166,1 milhões de toneladas. O volume estabelece novo recorde histórico.
O milho também alcança marca recorde, com 141,7 milhões de toneladas. A primeira safra soma 25,7 milhões de toneladas. A segunda safra totaliza 116,0 milhões de toneladas.
O algodão em caroço chega a 9,9 milhões de toneladas. O resultado também é o maior da série histórica.
O arroz em casca deve alcançar 12,7 milhões de toneladas. Já o trigo soma 7,8 milhões de toneladas. O sorgo atinge 5,4 milhões de toneladas. Frente a 2024, o sorgo cresce 35,5%. O milho avança 23,6% e a soja sobe 14,6%.
O feijão apresenta queda de 2,7% na produção.
Centro-Oeste lidera a safra de 2025
O Centro-Oeste lidera a produção nacional, com 178,7 milhões de toneladas. A região responde por 51,6% do total. O Sul aparece em seguida, com 86,3 milhões de toneladas. O Sudeste produz 31,1 milhões de toneladas.
O Nordeste soma 27,7 milhões de toneladas. O Norte alcança 22,3 milhões de toneladas. Todas as regiões registram crescimento anual.
Estados com maior participação
O Mato Grosso lidera a produção nacional de grãos. O estado responde por 32,0% do total.
Na sequência aparecem Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul. Juntos, seis estados concentram 79,7% da produção brasileira.
Safra de 2026 deve recuar após recorde
Para 2026, o IBGE projeta produção de 339,8 milhões de toneladas. O volume representa queda de 1,8% frente a 2025. Apesar do recuo anual, a estimativa subiu 1,2% em relação ao prognóstico anterior. O levantamento inclui canola e gergelim pela primeira vez.
Milho puxa redução em 2026
Foto: Agência Agro em Campo
A produção de milho deve cair 6,0% em 2026. O recuo equivale a 8,5 milhões de toneladas.
O sorgo deve recuar 13,0%. O arroz deve cair 8,0%. O algodão em caroço deve reduzir 10,5%.
A soja segue em alta e cresce 2,5%.
Área plantada cresce em 2026
A área colhida deve alcançar 82,7 milhões de hectares. O número representa aumento de 1,4%.
O milho amplia área em 2,3%. A soja cresce 0,4%. O algodão e o arroz reduzem área plantada.
Soja deve bater novo recorde em 2026
A produção de soja pode atingir 170,3 milhões de toneladas. O volume configura novo recorde nacional.
A recuperação de áreas afetadas por estiagens em 2025 sustenta o avanço. O Rio Grande do Sul lidera essa retomada.
Café avança com bienalidade positiva
Foto: divulgação – ApexBrasil
A produção total de café deve alcançar 61,8 milhões de sacas. O volume cresce 7,3% frente a 2025.
O café arábica se beneficia da bienalidade positiva. O café canephora recua após safra recorde anterior.
Resumo do cenário agrícola
O IBGE confirma safra histórica em 2025. Para 2026, o órgão projeta ajuste após recordes consecutivos.