Tag: pecuária

  • Preços da carne bovina e suína caem; frango sobe

    Preços da carne bovina e suína caem; frango sobe

    O mercado atacadista da Grande São Paulo registra queda nos preços das carnes bovina e suína nesta parcial de julho. Em contrapartida, o frango resfriado acumula alta no mesmo período. O levantamento do Cepea considera as negociações realizadas entre 30 de junho e 14 de julho.

    O consumo doméstico moderado explica a retração das cotações das carnes bovina e suína. Além disso, o atacado costuma repor estoques com mais cautela na primeira quinzena de julho.

    No mercado bovino, a queda do preço da arroba reduz o ritmo das negociações. Ao mesmo tempo, a dificuldade para repassar os preços ao varejo também limita os negócios. Por outro lado, a oferta mais restrita de animais terminados e o bom desempenho das exportações impedem desvalorizações mais acentuadas da carne bovina.

    Carnes suína e de frango

    Na carne suína, as exportações seguem aquecidas. Entretanto, a demanda doméstica enfraquecida continua pressionando as cotações no mercado interno.

    Já o frango apresenta desempenho mais favorável. Conforme o Cepea, a proteína mantém preço mais competitivo que as demais carnes.

    Com isso, muitos consumidores substituem a carne bovina e a suína pelo frango. Como resultado, a demanda permanece firme e sustenta os preços.

    O que vem pela frente?

    Para a segunda quinzena de julho, o Cepea avalia que o mercado da carne bovina dependerá da demanda doméstica e da oferta de animais para abate. Se o consumo não reagir de forma consistente, a pressão sobre os preços das carnes bovina e suína deve continuar no atacado. Enquanto isso, o frango poderá manter a valorização caso a procura permaneça aquecida.

  • Gestão da pecuária de corte ganha sistema com rastreabilidade

    Gestão da pecuária de corte ganha sistema com rastreabilidade

    O Broto e a agtech iRancho lançaram o Broto Gestão Pecuária, novo sistema de gestão da pecuária de corte. A plataforma oferece rastreabilidade individual dos animais e uma visão completa da produção. A solução permite ao pecuarista controlar o rebanho com mais eficiência. Além disso, melhora a produtividade e apoia decisões baseadas em dados confiáveis.

    Segundo empresas responsáveis pelo sistema, clientes relatam redução de até 50% no tempo dedicado ao manejo. Além disso, informam aumento de até duas vezes no giro de caixa com o abate precoce. De acordo com o CEO da iRancho, Thiago Parente, a ferramenta busca transformar a gestão da pecuária brasileira.

    Segundo ele, o sistema ajuda o produtor a identificar perdas financeiras. Também permite conhecer os custos reais e tomar decisões baseadas em informações concretas. Ainda conforme Parente, muitos pecuaristas movimentam altos valores. No entanto, enfrentam dificuldades para acompanhar a gestão interna da propriedade.

    Para Alberto Martinhago, diretor de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, o Broto Gestão Pecuária fortalece o ecossistema de inovação no campo. Ele afirma que sistemas de gestão ajudam a reduzir riscos na atividade rural. Além disso, incentivam uma pecuária mais rentável, eficiente e sustentável.

    José Evaldo Gonçalo, presidente do Broto, destaca que a plataforma amplia o acesso dos pecuaristas à tecnologia. Segundo ele, a gestão eficiente e a rastreabilidade definirão o futuro da pecuária brasileira. A integração da tecnologia da iRancho amplia esse acesso.

    Sistema organiza dados da fazenda

    O Broto Gestão Pecuária reúne informações que antes permaneciam dispersas na propriedade. Assim, o produtor consegue organizar melhor a gestão da fazenda.

    A plataforma funciona mesmo sem conexão com a internet. Dessa forma, o manejo e a coleta de dados podem ocorrer totalmente offline. Além disso, o sistema apresenta interface simples. Com isso, equipes de diferentes tamanhos podem adotar a gestão digital com facilidade.

    Rastreabilidade bovina avança no Brasil

    O lançamento ocorre em um momento de mudanças na pecuária. A rastreabilidade deixa de ser diferencial e passa a integrar as exigências do mercado. Em 2025, a Federação Brasileira de Bancos publicou norma para impedir o financiamento de atividades ligadas ao desmatamento ilegal.

    Além disso, a Lei Antidesmatamento da União Europeia proibirá, a partir de dezembro de 2026, produtos provenientes de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. Ao mesmo tempo, o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos estabelece a identificação individual obrigatória dos animais até 2032. A iniciativa, criada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, busca ampliar a rastreabilidade dos bovinos e búfalos em todo o país.

  • Brasil busca acordo para evitar veto da UE à carne brasileira

    Brasil busca acordo para evitar veto da UE à carne brasileira

    Representantes da indústria da carne, pecuaristas e integrantes do Ministério da Agricultura se reúnem nesta quarta-feira (8), na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, para definir uma estratégia que evite um bloqueio da União Europeia às exportações brasileiras de proteínas animais. Se não houver acordo, o impacto comercial poderá chegar a US$ 1,8 bilhão por ano.

    A União Europeia passou a exigir que carnes e derivados importados sejam produzidos sem determinados antimicrobianos. Por isso, o bloco poderá barrar produtos brasileiros a partir de setembro caso o país não comprove o cumprimento das novas regras.

    Governo tenta unificar posição da cadeia pecuária

    O tema divide a cadeia pecuária há vários meses. De um lado, os frigoríficos defendem o banimento dos antimicrobianos exigidos pela União Europeia para preservar o acesso ao mercado europeu. Do outro, os pecuaristas rejeitam a proposta por temerem prejuízos à produtividade.

    Enquanto isso, o Ministério da Agricultura passou a exigir, desde a semana passada, o controle de todo o ciclo produtivo dos animais destinados à Europa. Além disso, determinou a segregação desses rebanhos.

    A senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina articulou a reunião para aproximar governo, indústria e produtores. Assim, ela busca construir uma estratégia única para enfrentar o impasse.

    Ministério cobra participação do setor produtivo

    Na terça-feira (7), o ministro da Agricultura, André de Paula, respondeu ao requerimento apresentado pelo deputado Evair de Melo sobre o risco de o Brasil perder a autorização para exportar carnes e derivados à União Europeia.

    Segundo o ministério, a solução depende também do setor produtivo. A pasta explicou que alguns antimicrobianos proibidos pelos europeus continuam registrados para uso na bovinocultura, avicultura e suinocultura brasileiras.

    Dessa forma, os próprios produtores precisam criar sistemas capazes de separar os animais destinados ao mercado europeu e comprovar que cumprem todas as exigências sanitárias.

    Governo afirma que alertou o setor desde 2023

    O Ministério da Agricultura informou que mantém reuniões e trocas de informações com entidades da cadeia pecuária desde 2023.

    Ao todo, o governo realizou pelo menos 32 encontros para discutir o tema. Além disso, a pasta afirmou que alertou o setor sobre a necessidade de desenvolver mecanismos próprios de controle.

    Segundo o ministério, não existia perspectiva de proibir esses medicamentos no Brasil. Por isso, o setor privado precisaria organizar sistemas de rastreabilidade e segregação para atender às exigências europeias.

    Pecuaristas rejeitam banimento da monensina

    A principal discussão envolve a monensina, substância utilizada para melhorar o desempenho e a eficiência alimentar do rebanho.

    A CNA mantém posição contrária ao banimento do produto. Segundo representantes dos pecuaristas, a retirada da monensina pode comprometer a produção de animais destinados ao chamado boi China.

    Esse mercado exige bovinos abatidos com até 30 meses de idade. Como a substância acelera o ganho de peso, muitos produtores acreditam que a proibição dificultará o atendimento desse requisito.

    Países vizinhos já adotaram outro modelo

    Argentina e Uruguai proibiram o uso dos antimicrobianos exigidos pela União Europeia. Entretanto, laboratórios desses países passaram a oferecer produtos alternativos aos pecuaristas.

    No Brasil, por outro lado, representantes do setor afirmam que ainda não existem substitutos economicamente viáveis.

    Além disso, a pecuária brasileira utiliza principalmente zebuínos. Essas raças levam mais tempo para atingir o peso ideal de abate do que as raças europeias criadas na Argentina e no Uruguai. Por esse motivo, muitos produtores consideram a monensina uma ferramenta importante para manter a competitividade das exportações brasileiras.

  • Raça Sardo Negro: conheça o gado mexicano de origem brasileira

    Raça Sardo Negro: conheça o gado mexicano de origem brasileira

    Uma raça bovina criada no México, mas com forte DNA brasileiro, chama atenção pela aparência incomum e pela capacidade de produzir carne e leite. O nome ainda é pouco conhecido por aqui. No entanto, o Sardo Negro se tornou um dos exemplos mais curiosos de como a genética desenvolvida no Brasil ganhou espaço além das fronteiras.

    Enquanto o Nelore domina as pastagens nacionais e o Gir se consolidou como referência na pecuária leiteira tropical, uma raça criada do outro lado da América Latina chama atenção justamente por carregar parte desse patrimônio genético brasileiro. O nome pode soar estranho para muitos produtores, mas o Sardo Negro já ocupa espaço importante na pecuária mexicana.

    À primeira vista, ele até pode lembrar outras raças zebuínas. Porém, basta observar com mais atenção para perceber que há algo diferente. A pelagem branca contrasta com manchas negras bem definidas. A cabeça escura parece ter sido desenhada à mão. O conjunto faz o animal se destacar no pasto como poucos.

    Touro Sardo Negro de propriedade do Rancho Oro Verde, no México
    Foto: Rancho Oro Verde

    Por trás da aparência existe uma história que atravessa fronteiras e mostra como a genética desenvolvida no Brasil ajudou a moldar uma nova raça no continente.

    Como surgiu o Sardo Negro

    A história começa nas primeiras décadas do século XX.

    Na época, o México buscava animais mais adaptados ao calor, aos parasitas e às longas estiagens. A solução veio do Brasil, que já investia na criação e no melhoramento de raças zebuínas originárias da Índia.

    Diversos exemplares de Gir, Guzerá, Indubrasil e Nelore foram levados para fazendas mexicanas. Durante anos, criadores selecionaram os animais que apresentavam melhor desempenho produtivo, maior fertilidade e melhor adaptação ao ambiente tropical.

    @sardonegrodeoroverde

    Ejemplares de la raza Sardo Negro, Baluarte de OV. 36 meses y Comodin de OV. 26 meses. #sementales sardonegro semen #ganaderiamexicana #sardonegrodeoroverde #mexico #veracruz #rancho #ranchlife

    ♬ Epic Music(836381) – Pavel

    O resultado desse trabalho apareceu décadas depois.

    Em 1978, a Associação Mexicana de Criadores de Zebu reconheceu oficialmente o Sardo Negro como uma raça própria, resultado de um longo processo de seleção genética conduzido no país.

    Mais do que uma mistura de raças, o Sardo Negro passou a reunir características próprias e estabilidade genética suficiente para ser criado como uma população independente.

    A raça aposta na dupla aptidão

    Ao contrário de muitas raças especializadas, o Sardo Negro foi desenvolvido para entregar equilíbrio.

    As vacas apresentam boa produção de leite para sistemas tropicais, enquanto os machos oferecem desempenho satisfatório para produção de carne. Essa dupla aptidão tornou a raça especialmente interessante para propriedades que buscam diversificar a renda.

    Sardo Negro tem comportamento equilibrado
    Foto: Rancho Oro Verde

    Além disso, produtores mexicanos destacam outras características frequentemente associadas ao Sardo Negro:

    • rusticidade em ambientes quentes;
    • boa fertilidade;
    • habilidade materna;
    • resistência a parasitas;
    • longevidade produtiva;
    • facilidade de adaptação a diferentes sistemas de criação.

    Esses atributos ajudam a reduzir custos de manejo e explicam por que a raça conquistou espaço em diversas regiões mexicanas.

    A genética brasileira continua presente

    Embora tenha sido desenvolvida no México, a influência brasileira permanece evidente.

    Grande parte das características funcionais do Sardo Negro vem diretamente das linhagens de zebuínos importadas do Brasil durante o século passado. Isso faz da raça uma espécie de “prima distante” do rebanho brasileiro.

    Na prática, ela representa um exemplo de como programas de melhoramento genético podem transformar um conjunto de animais importados em uma nova população adaptada às necessidades locais.

    É como se a genética brasileira tivesse atravessado a fronteira, aprendido um novo sotaque e construído uma identidade própria.

    Por que a raça quase não existe no Brasil?

    Curiosamente, o país que forneceu boa parte da base genética praticamente não cria o Sardo Negro.

    Não há uma associação brasileira dedicada à raça nem registros de criação comercial em larga escala. A preferência dos pecuaristas nacionais continua concentrada em raças já consolidadas, como Nelore, Gir, Guzerá, Brahman e Tabapuã.

    Além disso, o Brasil desenvolveu programas próprios de seleção genética capazes de atender às necessidades da pecuária nacional, reduzindo o interesse pela importação de uma raça formada no exterior.

    Ainda assim, o Sardo Negro desperta curiosidade justamente por mostrar um caminho diferente para a utilização da genética zebuína brasileira.

    Um exemplo de como a genética viaja pelo mundo

    No agronegócio, a genética circula quase tanto quanto as commodities.

    Sêmen, embriões e animais vivos cruzam oceanos há décadas. Em muitos casos, ajudam a construir novas raças adaptadas a diferentes realidades produtivas.

    O Sardo Negro é um retrato desse movimento. Sua história mostra que o legado do zebu brasileiro não ficou restrito às fazendas nacionais. Pelo contrário. Ele ajudou a escrever um capítulo importante da pecuária mexicana.

    Enquanto isso, muitos brasileiros sequer ouviram falar dessa raça.

    Talvez esse seja o aspecto mais curioso de toda a história: um gado criado com forte influência genética do Brasil tornou-se conhecido fora do país antes mesmo de despertar atenção por aqui. Às vezes, a própria genética encontra caminhos inesperados para contar sua história.

  • Milhões de aves morrem na França após onda de calor

    Milhões de aves morrem na França após onda de calor

    As primeiras notícias não vieram das plantações nem dos rebanhos. Vieram dos aviários.

    Em poucos dias, granjas de diferentes regiões da França começaram a registrar uma sequência incomum de mortes de frangos. À medida que o calor aumentava, as temperaturas permaneciam elevadas mesmo durante a madrugada e, pouco a pouco, milhares de aves deixavam de resistir. Em algumas áreas, o número de animais mortos cresceu tão rapidamente que a estrutura responsável pelo recolhimento das carcaças entrou em colapso.

    Como resultado, o problema ganhou dimensão nacional e passou a simbolizar uma crise que já alcança boa parte do campo francês. Reportagem publicada pelo jornal Le Monde mostra que a onda de calor provocou perdas expressivas na avicultura, afetou a produção de leite, castigou lavouras e obrigou agricultores a rever, mais uma vez, como enfrentar um clima que se tornou menos previsível.

    Milhraes de frangos na França
    Reprodução: ciwf.fr

    Embora as autoridades ainda consolidem os levantamentos, entidades do setor afirmam que a mortalidade registrada nas granjas está entre as mais severas associadas a episódios recentes de calor intenso no país.

    O calor chegou antes do esperado

    O verão europeu sempre exige atenção dos produtores rurais, mas, neste ano, o calor apareceu mais cedo e com intensidade acima da média em várias regiões francesas.

    Além disso, dias consecutivos de temperaturas elevadas foram seguidos por noites abafadas. Para a avicultura, essa combinação costuma ser uma das mais difíceis de enfrentar. Sem o resfriamento natural durante a madrugada, as aves permanecem sob estresse por muito mais tempo.

    Foi justamente esse cenário que se repetiu nas principais áreas produtoras.

    Na Bretanha, região que concentra grande parte da produção francesa de frangos, produtores passaram a relatar perdas em diferentes sistemas de criação. Ao mesmo tempo, à medida que os dias avançavam, aumentava também a dificuldade para retirar rapidamente os animais mortos das propriedades.

    Segundo o Le Monde, algumas autoridades locais autorizaram medidas excepcionais para evitar problemas sanitários, incluindo o enterramento das carcaças em determinadas situações. A decisão foi tomada porque o volume de aves mortas ultrapassou a capacidade operacional das empresas encarregadas da coleta.

    Por que as aves sofrem tanto com o calor

    Entre os animais criados para produção de alimentos, poucos reagem tão rapidamente ao calor quanto as aves.

    Diferentemente dos bovinos e dos suínos, elas praticamente não conseguem dissipar calor pela pele. Como não transpiram, dependem da respiração para tentar reduzir a temperatura corporal.

    Quando o ambiente permanece muito quente, o organismo acelera a frequência respiratória. Ao mesmo tempo, o consumo de ração diminui e a necessidade de água aumenta. Se o calor persiste por muitas horas, especialmente sem alívio durante a noite, o sistema deixa de compensar o excesso de temperatura. É nesse momento, portanto, que cresce o risco de hipertermia e de mortalidade.

    Por isso, ondas de calor prolongadas costumam atingir primeiro a avicultura. Mesmo granjas equipadas com ventiladores, exaustores e sistemas de resfriamento evaporativo podem enfrentar dificuldades quando as temperaturas permanecem elevadas por vários dias consecutivos.

    O prejuízo vai além da perda dos animais

    A morte das aves representa apenas parte do problema.

    Cada lote perdido interrompe o ciclo de produção, reduz a oferta de carne de frango e aumenta os custos das granjas. Além do impacto econômico direto, os produtores precisam lidar com questões sanitárias, logística para retirada das carcaças e limpeza completa das instalações antes da chegada de um novo plantel.

    Foi justamente essa sequência de desafios que chamou a atenção na França. Em diversas propriedades, o esforço deixou de ser apenas salvar os animais que ainda permaneciam vivos. Além disso, passou a incluir medidas emergenciais para evitar que o acúmulo de carcaças provocasse novos riscos à saúde animal e ao meio ambiente.

    Enquanto isso, a previsão de novas temperaturas elevadas mantinha produtores e autoridades em estado de alerta. Com isso, a preocupação já não se limitava aos aviários. Aos poucos, outros setores da agricultura francesa começavam a sentir os efeitos da mesma onda de calor.

  • Exportação de carne bovina cresceu 15,5% no primeiro semestre

    Exportação de carne bovina cresceu 15,5% no primeiro semestre

    A exportação de carne bovina brasileira segue em ritmo recorde em 2026. O Brasil embarcou 1,705 milhão de toneladas entre janeiro e junho, volume 15,5% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A receita alcançou US$ 9,85 bilhões, crescimento de 36,2%.

    Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (6) pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), com base nas estatísticas do Governo Federal.

    Somente em junho, o país exportou 317,3 mil toneladas de carne bovina, alta de 16,6% na comparação anual. A receita somou US$ 1,975 bilhão, avanço de 38,1%, estabelecendo o melhor resultado mensal da série histórica tanto em volume quanto em faturamento.

    China impulsiona as exportações brasileiras

    A China permaneceu como o principal destino da carne bovina brasileira no primeiro semestre.

    Entre janeiro e junho, o país asiático importou 794,7 mil toneladas, crescimento de 24% em relação ao mesmo período de 2025. A receita gerada pelas vendas ao mercado chinês atingiu US$ 4,87 bilhões, alta de 49,4%.

    Em junho, os chineses compraram 161,9 mil toneladas da proteína brasileira, aumento de 19% na comparação anual. O faturamento chegou a US$ 1,08 bilhão, crescimento de 39,5%.

    Segundo a Abiec, o desempenho foi favorecido pela intensificação das compras dentro da cota chinesa de importação com tarifa reduzida, de 1,1 milhão de toneladas.

    Estados Unidos mantêm segunda posição

    Os Estados Unidos seguiram como o segundo maior comprador da carne bovina brasileira.

    No primeiro semestre, o mercado norte-americano importou 205 mil toneladas, gerando US$ 1,35 bilhão em receita. O crescimento foi de 13% em volume e de 29,8% em valor.

    Apesar do avanço no acumulado do ano, o desempenho de junho foi mais moderado. O Brasil embarcou 26,4 mil toneladas para os Estados Unidos, queda de 8,3% frente ao mesmo mês de 2025.

    Mesmo com o recuo no volume, a receita aumentou 16,4%, alcançando US$ 192,9 milhões.

    Outros mercados ampliam compras

    Além de China e Estados Unidos, outros destinos ampliaram significativamente as compras de carne bovina brasileira em junho.

    O Chile ocupou a terceira posição, com 12,9 mil toneladas embarcadas, crescimento de 67,5%, enquanto a receita avançou 56,8%, chegando a US$ 81,7 milhões. Já o México apareceu em seguida, com 11,8 mil toneladas, alta de 153,9%.

    O faturamento alcançou US$ 74 milhões, avanço de 136,6%.

    Em receita, a União Europeia ocupou a quarta colocação em junho, com US$ 75,2 milhões, atrás apenas de China, Estados Unidos e Chile.

    Exportações seguem fortalecidas no agronegócio

    No acumulado do semestre, o Chile importou 70,7 mil toneladas, movimentando US$ 420,2 milhões, com crescimento de 20% em volume e de 33,2% em receita.

    A Rússia adquiriu 62,2 mil toneladas, alta de 53,8% no volume e de 58,9% no faturamento, que chegou a US$ 284,1 milhões.

    Já a União Europeia importou 51,2 mil toneladas de carne bovina brasileira no período, gerando US$ 452,3 milhões. O bloco registrou crescimento de 18,2% em volume e de 53,5% em receita.

    Com os resultados do primeiro semestre, a exportação de carne bovina reforça o bom desempenho do agronegócio brasileiro no mercado internacional e mantém a proteína entre os principais produtos da pauta exportadora do país.

  • Primeiro clube de Haaland virou símbolo do agro com premiações inusitadas

    Primeiro clube de Haaland virou símbolo do agro com premiações inusitadas

    O Bryne, primeiro clube da carreira de Erling Haaland, ganhou fama por transformar a tradição agrícola da região em uma marca registrada. Localizada no sul da Noruega, a equipe ficou conhecida por substituir troféus convencionais por produtos do campo nas premiações aos melhores jogadores.

    A curiosidade voltou aos holofotes após a classificação da Noruega para as quartas de final da Copa do Mundo, conquistada com a vitória por 2 a 1 sobre o Brasil nas oitavas de final.

    Bryne transformou o agro em tradição

    A iniciativa começou a chamar a atenção do futebol internacional em 2025. Naquele ano, o Bryne passou a distribuir recompensas ligadas ao agronegócio local para valorizar a identidade da região.

    O primeiro jogador a receber uma das premiações inusitadas foi o goleiro Jan de Boer. Apesar da derrota por 1 a 0 para o FK Bodø/Glimt, ele foi eleito o melhor em campo após defender um pênalti e realizar outras intervenções decisivas. Como reconhecimento pelo desempenho, voltou para casa com quatro bandejas de ovos.

    Equipe feminina do Bryne também recebe as “premiações” — Foto: Reprodução/@brynefotbal

    Pouco tempo depois, o zagueiro Alex Kryger também entrou para a lista de premiados. O defensor marcou o primeiro gol da vitória por 3 a 1 sobre o Haugesund. Desta vez, o prêmio foi um cordeiro vivo.

    Frutas e verduras substituem os troféus

    As homenagens não pararam por aí. Ao longo da temporada, o Bryne distribuiu caixas de morangos, litros de leite, madeira para lareira, couve-flor, 500 quilos de cenoura, repolho, aveia, alho-poró, mel, grama, maçãs, batatas e queijos.

    Mesmo após o rebaixamento para a segunda divisão, a tradição foi mantida em 2026.

    Haaland e Bryne

    Embora tenha nascido em Leeds, na Inglaterra, em julho de 2000, Erling Haaland mudou-se para a Noruega ainda criança. Isso aconteceu quando seu pai, Alf-Inge Haaland, encerrou a passagem pelo futebol inglês e retornou ao país.

    Foi em Bryne que o atacante cresceu e iniciou sua trajetória no futebol. Antes dos 10 anos, ingressou nas categorias de base do clube.

    Haaland é reconhecido como um dos atacantes de elite no futebol mundial — Foto: Reprodução/Instagram

    Desde então, Haaland construiu uma carreira em ascensão. O atacante passou por Molde, Red Bull Salzburg e Borussia Dortmund. Atualmente, defende o Manchester City e se consolidou como um dos principais jogadores do futebol mundial.

  • Wagyu: carne de luxo ficou famosa por receber massagem e até cerveja

    Wagyu: carne de luxo ficou famosa por receber massagem e até cerveja

    A carne wagyu é considerada uma das mais valorizadas do mundo e pode ultrapassar R$ 1.000 por quilo em cortes especiais vendidos no Brasil. Originária do Japão, a raça bovina ficou famosa pelo alto grau de marmoreio, característica que garante maciez, suculência e sabor diferenciados.

    Ao longo dos anos, diversas curiosidades passaram a cercar esses animais, incluindo a ideia de que recebiam massagens e até cerveja durante a criação. Mas será que isso realmente acontece?

    Wagyu recebe massagens e cerveja

    A fama de que os bois wagyu recebem tratamentos especiais surgiu no Japão há décadas.

    Na época, alguns criadores utilizavam massagens para estimular o bem-estar dos animais e ofereciam pequenas quantidades de cerveja durante períodos de calor intenso, acreditando que isso poderia estimular o apetite.

    No entanto, essas práticas não fazem parte da criação moderna da maioria das fazendas.

    Segundo Daniel Steinbruch, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Wagyu (ABCWagyu), não há comprovação científica de que massagens ou cerveja sejam responsáveis pela qualidade da carne.

    O principal diferencial do wagyu está na genética da raça e no manejo nutricional.

    O segredo da carne está no marmoreio

    A principal característica do wagyu é o intenso marmoreio, nome dado à gordura distribuída entre as fibras musculares.

    Esse padrão proporciona uma carne extremamente macia, suculenta e saborosa, considerada referência no mercado de carnes premium.

    A alimentação dos animais inclui grãos ricos em amido, como milho, sorgo, trigo, arroz e cevada — Foto: ABS Global

    Quanto maior o grau de marmoreio, maior costuma ser o valor comercial dos cortes.

    No Brasil, é possível encontrar cortes como picanha, ancho, chorizo, fraldinha e contrafilé.

    Os preços variam conforme a classificação da carne e o nível de marmoreio.

    Como a raça surgiu

    O nome wagyu significa literalmente “gado do Japão”, resultado da união das palavras japonesas wa (Japão) e gyu (gado).

    Os ancestrais da raça chegaram ao arquipélago japonês por volta do século II, vindos da Península Coreana.

    Durante séculos, esses animais permaneceram isolados no Japão.

    A partir de 1868, cruzamentos com raças europeias deram origem ao wagyu moderno. Já na década de 1970, os primeiros exemplares foram exportados para os Estados Unidos e, nos anos 1990, a raça começou a se expandir para diversos países.

    Criação no Brasil

    A criação da raça vem crescendo no país.

    Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Wagyu (ABCWagyu), o rebanho nacional conta atualmente com cerca de 5 mil animais puros e 30 mil bovinos oriundos de cruzamentos com wagyu.

    O aumento da produção acompanha o crescimento da demanda por carnes premium no mercado brasileiro.

  • Fazendeiro cria “armadura” para proteger ovelhas de ataques de lobos

    Fazendeiro cria “armadura” para proteger ovelhas de ataques de lobos

    Uma espécie de armadura para ovelhas chamou a atenção de produtores rurais e especialistas em fauna na Europa. Desenvolvido na Áustria, o equipamento funciona como uma cota de malha moderna: uma rede com pontas de plástico que envolve o animal e promete impedir que lobos consigam alcançar sua garganta durante um ataque.

    A invenção é obra do austríaco Rudolf Schaubach, de 72 anos, ex-agricultor e ex-caçador. Depois de três anos de testes, ele registrou a tecnologia no Escritório Europeu de Patentes e passou a defendê-la como uma alternativa para reduzir os prejuízos causados pelos ataques aos rebanhos sem recorrer ao abate dos predadores.

    Ao jornal austríaco Kronen Zeitung, resumiu a proposta em uma frase: buscava uma forma de fazer com que “os dois possam viver livres”, em referência às ovelhas e aos lobos.

    A ideia, no entanto, saiu rapidamente do campo para os tribunais. O primeiro teste com animais acabou interrompido após denúncias de entidades de proteção animal, que acusaram o inventor de maus-tratos.

    ovelha com armadura de proteção
    Foto: Rudolf Schaubach

    O caso passou a ser investigado pelas autoridades austríacas e reacendeu um debate que cresce em diversos países europeus: como proteger os rebanhos diante do avanço da população de lobos sem comprometer o bem-estar dos animais nem a conservação da espécie.

    A discussão ganhou força justamente em um momento de mudança nas políticas ambientais da União Europeia. Com o aumento dos ataques ao rebanho em vários países, governos vêm flexibilizando regras para o controle da espécie, enquanto produtores buscam novas formas de convivência com um predador que voltou a ocupar antigas áreas de ocorrência.

    Proteção busca impedir a mordida fatal

    A estrutura mede cerca de 1,5 metro por 1,6 metro e pesa entre dois e três quilos, valor semelhante ao peso da lã produzida por uma ovelha adulta.

    A rede utiliza pontas de plástico revestidas por mangueiras de borracha e permanece presa ao corpo por faixas elásticas. Segundo o inventor, a intenção não é ferir o lobo, mas tornar a mordida desconfortável.

    Em entrevista à revista Der Spiegel, Schaubach explicou que a proteção foi projetada para defender justamente a região onde o predador costuma atacar. “O lobo sempre morde o pescoço. Quando ele encontrar as pontas, vai sentir dor, mas não ficará gravemente ferido”, afirmou.

    Na avaliação dele, a experiência tende a mudar o comportamento do animal. “Ele vai se lembrar disso”, disse o inventor à publicação alemã, ao defender que o desconforto provocado pelas pontas pode ser suficiente para evitar novos ataques.

    Teste terminou antes do esperado

    O primeiro teste ocorreu em maio de 2026 em uma propriedade localizada na região de Gailtal, no estado austríaco da Caríntia.

    O produtor equipou três ovelhas com a proteção e levou os animais para uma área onde lobos já haviam atacado rebanhos. A ovelha “Ananas”, seu cordeiro “Cabanossi” e outro animal passaram a usar a proteção enquanto câmeras monitoravam o local para registrar um eventual encontro com o predador.

    Infográfico sobre o projeto

    Entretanto, o experimento durou poucos dias.

    Após denúncias de entidades de proteção animal, um veterinário oficial determinou a retirada do equipamento antes que as câmeras registrassem qualquer ataque de lobo.

    Entidade aponta riscos ao bem-estar das ovelhas

    A organização Tierschutz Austria protocolou uma denúncia contra o inventor e também contra o produtor responsável pelo teste.

    A ativista Madeleine Petrovic classificou a invenção como “uma péssima ideia”. Segundo ela, um perito judicial concluiu que a estrutura compromete a movimentação das ovelhas e pode aumentar o risco de acidentes durante uma fuga, principalmente em áreas com vegetação densa.

    Os críticos também afirmam que a proteção cobre apenas parte do corpo, deixando patas e úbere vulneráveis. Dessa forma, o equipamento não impediria completamente os ataques.

    Além disso, a entidade pediu a abertura de um procedimento administrativo por suposta violação da legislação austríaca de proteção animal.

    Inventor rejeita as acusações

    Schaubach contesta todas as críticas e afirma que muitos dos questionamentos partiram de pessoas que nunca acompanharam os testes de perto.

    Em entrevista ao Der Spiegel, ele disse que as ovelhas usaram o equipamento durante três ou quatro dias sem apresentar qualquer dificuldade. “A ovelha deitou, levantou e o cordeiro mamou normalmente. Não vejo o que haveria de inadequado nisso”, afirmou.

    O inventor também criticou a forma como o projeto passou a ser avaliado. “Ninguém entrou em contato comigo”, declarou à revista alemã, ao afirmar que boa parte das críticas foi feita por pessoas que apenas assistiram a vídeos ou viram fotografias divulgadas na internet.

    Schaubach rejeitou ainda os argumentos de que o equipamento poderia provocar desidratação, impedir que as ovelhas se deitassem ou ser pesado demais para os animais. “Isso é um absurdo”, disse ao Der Spiegel.

    Enquanto a investigação segue em andamento, ele trabalha em uma segunda versão do projeto. A nova proposta protegerá principalmente o pescoço e a parte inferior do corpo, reduzindo o peso da estrutura e facilitando o uso nas propriedades.

    Investimento já supera 50 mil euros

    O desenvolvimento da tecnologia consumiu entre 50 mil e 60 mil euros, incluindo despesas com patente e assessoria jurídica.

    Até agora, nenhuma unidade foi comercializada. O inventor procura uma empresa para fabricar o equipamento em escala industrial.

    Em entrevista ao Der Spiegel, Schaubach afirmou que a adoção em larga escala dependerá de incentivos públicos. “Essas redes precisariam receber subsídios da União Europeia para que os produtores pudessem comprá-las”, afirmou.

    Segundo ele, a expectativa é que cada unidade tenha vida útil de várias décadas e possa acompanhar os animais durante toda a temporada de pastejo, reduzindo o custo para os pecuaristas ao longo do tempo.

    Ataques de lobos continuam pressionando a pecuária

    ovelha com armadura de proteção
    Foto: Rudolf Schaubach

    O debate ocorre em um momento de crescimento da população de lobos em diferentes regiões da Europa.

    Na Alemanha, registros oficiais mostram que mais de 4 mil animais de produção foram mortos por lobos em 2024. Mais de 90% das vítimas eram ovelhas e cabras.

    Na Áustria, especialmente na Caríntia, cerca de 2 mil criadores mantêm aproximadamente 50 mil ovelhas. Mesmo com cercas elétricas, cães de guarda e outras medidas de proteção, os ataques continuam ocorrendo.

    Esse cenário aumentou a pressão por soluções que permitam reduzir as perdas sem eliminar os predadores.

    Europa flexibiliza regras para controle do lobo

    O avanço dos conflitos também influenciou a política ambiental europeia.

    Em maio de 2025, os países da União Europeia aprovaram a redução do nível de proteção do lobo. A espécie deixou de ser considerada “estritamente protegida” para passar à categoria de “protegida”, o que facilita o controle populacional em regiões onde os ataques aos rebanhos são recorrentes.

    Na Alemanha, novas regras aprovadas em março de 2026 também ampliaram a possibilidade de abate sob condições específicas. Em áreas com excesso de lobos e histórico de ataques, a legislação passou a permitir a retirada dos animais de forma mais rápida.

    Mesmo assim, organizações ambientalistas defendem que o fortalecimento das medidas de proteção dos rebanhos continua sendo a estratégia mais eficiente para reduzir os prejuízos dos produtores.

    Debate continua sem consenso

    A invenção de Rudolf Schaubach transformou uma solução experimental em um debate que ultrapassou as fronteiras da Áustria.

    De um lado, produtores enxergam na proteção uma alternativa para diminuir as perdas sem recorrer ao abate de lobos. De outro, entidades de defesa animal questionam se o equipamento realmente respeita o bem-estar das ovelhas.

    Enquanto as autoridades austríacas analisam a denúncia, o inventor aperfeiçoa o projeto e aguarda uma oportunidade para retomar os testes. O resultado poderá indicar se a chamada “armadura” para ovelhas representa uma nova ferramenta de proteção dos rebanhos ou apenas mais um capítulo na busca por um equilíbrio entre a produção pecuária e a conservação da fauna europeia.

  • “Tô acreditando, não”: Vacas comem pimenta e reação viraliza

    “Tô acreditando, não”: Vacas comem pimenta e reação viraliza

    Um vídeo gravado em uma fazenda na cidade de Araras viralizou ao mostrar um grupo de vacas reagindo de forma inesperada após terem contato com uma plantação de pimenta.

    O registro foi feito pela internauta Rayssa Reis e rapidamente ganhou destaque nas redes sociais pelo tom cômico da situação.

    Os animais estavam próximos a uma área onde a especiaria havia sido cultivada. A proximidade foi suficiente para despertar a curiosidade do rebanho, que acabou entrando em contato com a plantação.

    https://www.instagram.com/reel/DaGiEPFBYay/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

    No vídeo, uma das vacas chama atenção ao demonstrar desconforto logo após mastigar a pimenta.

    O animal aparece colocando a língua para fora repetidas vezes, em uma tentativa clara de aliviar a ardência.

    Enquanto isso, a pessoa que grava não consegue conter as risadas diante da cena inusitada.