Tag: pecuária

  • Com novo caso de raiva bovina, SC já tem 27 mortes pela doença em 2026

    Com novo caso de raiva bovina, SC já tem 27 mortes pela doença em 2026

    Um novo caso de raiva bovina foi confirmado em Santa Catarina. Segundo a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola (Cidasc), o animal que morreu e teve diagnóstico positivo para a doença estava na mesma propriedade rural de Itapiranga, na região Oeste do Estado, onde um foco já havia sido registrado em julho.

    Com a nova ocorrência, o número de mortes de animais provocadas pela enfermidade em Santa Catarina em 2026 subiu para 27. O caso reforçou o alerta das autoridades sanitárias para que os pecuaristas vacinem os rebanhos e monitorem a presença de morcegos hematófagos, principais transmissores do vírus.

    Onde os casos foram registrados

    Os municípios catarinenses com ocorrências confirmadas de raiva bovina em 2026 são Pescaria Brava, com seis casos, e Chapecó, com quatro. Orleans registrou três ocorrências, enquanto Angelina, Gravatal e Itapiranga somam dois casos cada.

    Já Apiúna, Bocaína do Sul, Caçador, Criciúma, Indaial, Major Gercino, São Francisco do Sul e São José do Cedro tiveram um caso confirmado cada um.

    Doença sem cura também atinge humanos

    A raiva bovina, também chamada de raiva dos herbívoros, é uma doença viral que afeta o sistema nervoso central e não tem cura.

    Os bovinos não são os únicos animais de produção envolvidos no ciclo da doença: equinos, ovinos, caprinos e suínos, além de animais silvestres e seres humanos, também podem ser acometidos pela enfermidade.

    Como o vírus é transmitido?

    O transmissor da raiva bovina é o Desmodus rotundus, conhecido como morcego-vampiro. O animal transmite o vírus por meio da saliva durante a mordida, quando tenta se alimentar do sangue do hospedeiro. Depois da infecção, o período de incubação costuma variar entre 30 e 90 dias.

    Portanto, a principal medida de prevenção continua sendo a vacinação dos rebanhos. A Cidasc também orienta os produtores a observarem possíveis abrigos de morcegos hematófagos, como troncos ocos de árvores, cavernas, telhados e casas abandonada.

    Sintomas que merecem atenção

    Entre os principais sinais da raiva bovina em animais infectados estão a mudança de comportamento e a perda de apetite, seguidas de salivação excessiva e falta de coordenação motora. Em estágios mais avançados, o animal costuma apresentar fraqueza generalizada e dificuldade para se levantar.

    Diante de qualquer um desses sintomas, a orientação é isolar o animal suspeito e acionar imediatamente a Cidasc ou o serviço veterinário local.

  • Parasita que devora animais vivos faz EUA investirem milhões

    Parasita que devora animais vivos faz EUA investirem milhões

    Uma das pragas mais temidas da pecuária voltou ao centro das atenções nos Estados Unidos. O governo americano anunciou um novo pacote de investimentos para impedir o avanço da mosca-da-bicheira-do-Novo-Mundo, inseto capaz de provocar ferimentos graves e até matar animais quando o tratamento não ocorre a tempo.

    Desta vez, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) destinou US$ 25 milhões para construir uma unidade de distribuição de moscas estéreis em Douglas, no Arizona. A medida fortalece a barreira sanitária na fronteira com o México e amplia a capacidade de resposta diante da ameaça.

    Como a mosca-da-bicheira ameaça os rebanhos

    O perigo não está na mosca adulta, mas nas larvas.

    As fêmeas procuram feridas abertas em bovinos, ovinos, caprinos, equinos e outros animais de sangue quente. Em seguida, depositam os ovos sobre esses machucados.

    Pouco tempo depois, as larvas eclodem e passam a consumir tecido vivo. Como consequência, a lesão aumenta rapidamente e favorece infecções secundárias.

    Sem tratamento imediato, o quadro se agrava. Além de perder peso, o animal sofre intenso estresse e pode morrer nos casos mais graves.

    Embora a pecuária concentre a maior parte dos prejuízos, o parasita também pode atingir animais silvestres, cães, gatos e, em situações raras, seres humanos.

    Técnica reduz a população do inseto

    Em vez de depender apenas de produtos químicos, os Estados Unidos apostam em uma estratégia biológica desenvolvida há décadas.

    O método consiste na criação de milhões de machos estéreis em laboratório.

    Depois disso, equipes especializadas liberam esses insetos nas áreas de risco.

    Ao cruzarem com as fêmeas selvagens, eles impedem o nascimento de novas gerações. Assim, a população da praga diminui gradualmente até desaparecer em determinadas regiões.

    Por isso, especialistas consideram essa tecnologia uma das ferramentas mais eficientes já utilizadas no controle da mosca-da-bicheira.

    Nova estrutura amplia a defesa na fronteira

    O novo centro funcionará em Douglas, cidade localizada na divisa entre os Estados Unidos e o México.

    A escolha não ocorreu por acaso. A região representa uma das principais portas de entrada para animais provenientes do território mexicano.

    Com a nova unidade, o USDA espera acelerar a distribuição das moscas estéreis sempre que surgirem focos da praga.

    Ao mesmo tempo, o governo mantém outro projeto estratégico em andamento: a construção de uma fábrica de grande porte no Texas, responsável pela produção em larga escala desses insetos.

    Juntas, as duas estruturas deverão ampliar significativamente a capacidade de resposta das autoridades sanitárias.

    Avanço da praga elevou o nível de alerta

    Foto: USDA

    Nos últimos meses, a identificação de novos focos na América Central e no México aumentou a preocupação do setor pecuário americano.

    Diante desse cenário, o USDA endureceu temporariamente as regras para a entrada de bovinos mexicanos.

    Agora, entretanto, o governo iniciou uma reabertura gradual das importações.

    Douglas será o primeiro ponto autorizado a receber animais novamente. Ainda assim, cada etapa dependerá do cumprimento rigoroso das medidas sanitárias estabelecidas pelas autoridades americanas.

    Restrição também afetou o mercado

    As limitações impostas às importações reduziram a oferta de bovinos para frigoríficos dos Estados Unidos.

    Como resultado, os preços da carne permaneceram elevados durante vários meses.

    Mesmo assim, técnicos do governo avaliam que reforçar o controle sanitário continua sendo mais vantajoso do que enfrentar uma disseminação ampla da praga em regiões produtoras.

    Segundo eles, um surto de grandes proporções poderia provocar prejuízos muito superiores aos impactos temporários sobre o mercado.

    Brasil também acompanha a situação

    Embora o investimento tenha como foco o território americano, o assunto interessa diretamente aos pecuaristas brasileiros.

    A mosca-da-bicheira ocorre em diversos países das Américas e exige monitoramento permanente das propriedades rurais.

    Por isso, veterinários orientam os produtores a examinarem qualquer ferida identificada nos animais.

    Quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, maiores serão as chances de recuperação e menores tendem a ser os prejuízos econômicos.

    Além disso, boas práticas de manejo, inspeções frequentes e programas de vigilância sanitária continuam sendo fundamentais para preservar a saúde dos rebanhos e garantir a competitividade da pecuária no mercado internacional.

  • Boi gordo abre a semana estável

    Boi gordo abre a semana estável

    O mercado do boi gordo iniciou a semana com pouca movimentação e preços praticamente estáveis em todo o país. Levantamento divulgado pela Scot Consultoria nesta segunda-feira (28) mostra que, das 33 regiões acompanhadas, 29 mantiveram as cotações inalteradas.

    As únicas altas foram registradas no norte de Minas Gerais, no sudoeste de Mato Grosso e no Rio de Janeiro. Já a única queda ocorreu em Roraima.

    Preço do boi gordo segue em R$ 344 nas principais praças

    Nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), que servem de referência para o mercado nacional, o boi gordo permaneceu cotado em R$ 344 por arroba, considerando o pagamento a prazo.

    As cotações do chamado “boi China”, além da vaca gorda e da novilha, também permaneceram estáveis ao longo do dia.

    Segundo a Scot Consultoria, parte das indústrias ainda não retomou as compras nesta semana e concentrou esforços na definição das estratégias comerciais. Entre os frigoríficos que atuaram no mercado, prevaleceram as mesmas referências de preços observadas na sexta-feira anterior.

    Algumas unidades chegaram a oferecer valores inferiores, mas não houve fechamento de negócios nesses patamares.

    Atacado registra valorização da carne bovina

    Enquanto o mercado do boi gordo permaneceu estável, o atacado apresentou alta nas cotações da carcaça bovina.

    De acordo com a Scot, o movimento foi impulsionado pela combinação entre maior procura e menor oferta de carne, resultado da redução no ritmo dos abates.

    Mesmo com o avanço dos preços, os atacadistas mantiveram as compras de forma moderada para evitar excesso de estoques. A expectativa é que os valores permaneçam firmes até o início de agosto.

    Exportações seguem em ritmo forte

    O desempenho das exportações continua sendo um dos principais fatores de sustentação do mercado pecuário brasileiro.

    Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, nos primeiros 18 dias úteis de julho, o Brasil embarcou 195,214 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária de 10,845 mil toneladas.

    Além do elevado volume exportado, o preço médio pago pelo produto segue em um dos maiores patamares do ano, alcançando US$ 6.368,90 por tonelada.

    Brasil avança para abrir mercado na Coreia do Sul

    Outro fator acompanhado pelo setor é o avanço das negociações para ampliar os mercados compradores da carne bovina brasileira.

    Uma missão técnica da Coreia do Sul deve visitar o Brasil em agosto para inspecionar frigoríficos nacionais. A etapa é considerada decisiva para a abertura do mercado sul-coreano às exportações brasileiras.

    Caso o processo seja concluído, o país poderá ampliar sua presença na Ásia e diversificar ainda mais os destinos da carne bovina produzida no Brasil, fortalecendo a competitividade do setor no comércio internacional.

  • Brasil deve exportar quase 6 milhões de toneladas de frango em 2026

    Brasil deve exportar quase 6 milhões de toneladas de frango em 2026

    A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta um novo avanço da produção e das exportações brasileiras de proteínas animais nos próximos anos. As estimativas, divulgadas nesta terça-feira (28), indicam crescimento para os setores de frango, carne suína e ovos, reforçando a posição do Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos.

    No caso da carne de frango, a expectativa é que o país exporte até 5,875 milhões de toneladas em 2026, volume 10,3% superior ao embarcado no ano anterior, quando foram exportadas 5,324 milhões de toneladas.

    Segundo a entidade, as vendas externas deverão continuar avançando em 2027, embora em ritmo mais moderado, alcançando 6,050 milhões de toneladas, alta de 3%.

    Produção de frango também deve crescer

    A ABPA estima que a produção brasileira de carne de frango fique entre 16 milhões e 16,150 milhões de toneladas em 2026, representando crescimento de até 5,6% em relação ao ano anterior.

    Para 2027, a previsão é de nova expansão, desta vez de 2,8%, elevando a produção para aproximadamente 16,6 milhões de toneladas.

    No mercado interno, a disponibilidade de carne de frango também deve aumentar. A projeção é de 10,275 milhões de toneladas em 2026, alta de 3,1%. Em 2027, a oferta pode atingir 10,550 milhões de toneladas, avanço de 2,7%.

    Carne suína mantém trajetória de expansão

    As perspectivas também são positivas para a carne suína.

    A produção brasileira deve chegar a 5,870 milhões de toneladas em 2026, crescimento de 5% sobre o ano anterior. Em 2027, a expectativa é de aumento de 3,1%, totalizando cerca de 6,050 milhões de toneladas.

    Nas exportações, a ABPA projeta embarques de 1,6 milhão de toneladas em 2026, resultado 5,9% superior ao registrado anteriormente.

    Para 2027, a previsão é de novo avanço, com exportações próximas de 1,7 milhão de toneladas, crescimento estimado em 6,3%.

    Produção de ovos continua em alta

    A produção brasileira de ovos deverá alcançar 64,8 bilhões de unidades em 2026, volume 4,1% maior que o registrado no ano anterior.

    Em 2027, a ABPA prevê novo crescimento, desta vez de até 2,6%, levando a produção para aproximadamente 66,5 bilhões de unidades.

    Exportações de ovos devem se recuperar em 2027

    Ao contrário do desempenho esperado para frango e carne suína, as exportações de ovos devem recuar em 2026.

    A associação estima embarques de 30 milhões de unidades, queda de 26,6% em relação ao ano anterior.

    Para 2027, entretanto, a expectativa é de recuperação. A ABPA projeta crescimento de 15% nas exportações, que poderão atingir cerca de 64,5 milhões de unidades.

    O que indicam as projeções da ABPA

    As estimativas reforçam a expectativa de continuidade da expansão da proteína animal brasileira nos mercados nacional e internacional. O avanço da produção e das exportações de frango e carne suína demonstra a competitividade do setor, enquanto o mercado de ovos deve recuperar parte das perdas registradas em 2026, segundo as projeções apresentadas pela ABPA.

  • Henrique e Juliano levam vaca de R$ 3 milhões à Expo Rio Preto

    Henrique e Juliano levam vaca de R$ 3 milhões à Expo Rio Preto

    A Fazenda Terra Prometida, propriedade da dupla sertaneja Henrique e Juliano, participará da 63ª Expo Rio Preto, em agosto, levando cerca de 20 animais da raça Nelore para disputar o Ranking Nelore Ouro, um dos principais circuitos nacionais da pecuária de elite.

    Entre os destaques está a estreia em pista da vaca Beatrice FIV do HEJ, que ganhou notoriedade após ter 50% de sua participação comercializada por R$ 1,5 milhão durante o Leilão Terra Prometida 2026, quando tinha apenas cinco meses de idade.

    Os animais chegarão ao Recinto de Exposições Alberto Bertelli Lucatto, em São José do Rio Preto (SP), no dia 31 de julho, dando início à preparação para as avaliações da feira.

    Genética de alto desempenho

    Segundo Luan Paulo Padun da Silva, diretor da Fazenda Terra Prometida e responsável por representar a propriedade nos eventos agropecuários, a participação na Expo Rio Preto faz parte da estratégia de fortalecer a marca entre os principais criatórios de Nelore do país.

    “Cada resultado é fruto de muito trabalho, seleção genética e investimento contínuo para alcançar alta performance e consolidar nossa marca como referência na pecuária brasileira”, afirmou.

    Criadores de Nelore de elite, os músicos investem em genética bovina e movimentam o mercado de leilões agropecuários

    A fazenda tem investido continuamente em melhoramento genético e na participação em exposições nacionais, consolidando sua presença no segmento de gado de elite.

    Expo Rio Preto reúne criadores de todo o Brasil

    A 63ª Expo Rio Preto será realizada entre 1º e 16 de agosto, no Recinto de Exposições Alberto Bertelli Lucatto, em São José do Rio Preto.

    Considerada uma das maiores feiras agropecuárias do estado de São Paulo, a exposição reúne criadores de diversas regiões do país e recebe julgamentos de importantes raças bovinas, além de leilões, exposições e atrações voltadas ao agronegócio.

    A feira terá entrada gratuita e é promovida pela Prefeitura de São José do Rio Preto, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, com apresentação da Faesp/Senar e correalização da Gaetan Shows e Eventos.

    Fazenda Terra Prometida pertence à dupla sertaneja

    Formada pelos irmãos Ricelly Henrique Tavares Reis e Edson Alves dos Reis Junior, a dupla Henrique e Juliano também mantém forte atuação no agronegócio.

    A Fazenda Terra Prometida está localizada em Porto Nacional (TO) e possui mais de 1.300 hectares destinados à criação de gado Nelore. O criatório investe em seleção genética e participa de exposições e leilões voltados ao melhoramento da raça, tornando-se uma referência no segmento da pecuária de corte.

  • Governo endurece posição contra exigência da UE para exportação de carnes

    Governo endurece posição contra exigência da UE para exportação de carnes

    O Ministério da Agricultura endureceu o discurso contra a União Europeia e classificou como “inaceitável” a exigência de uma comprovação prévia do controle de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação de carnes. Em nota divulgada nesta quinta-feira (24), a Pasta também defendeu a permanência do Brasil na lista de países habilitados a exportar para o bloco europeu.

    Segundo o ministério, o reconhecimento do sistema sanitário brasileiro deve ser mantido, mesmo que parte da produção ainda precise de tempo para cumprir os novos requisitos exigidos pela União Europeia. Além disso, o governo afirmou que a implementação das medidas ocorre de forma gradual ao longo dos ciclos produtivos.

    Ministério critica exigências europeias

    O Ministério da Agricultura afirmou que as relações sanitárias internacionais devem ser baseadas na confiança e na transparência entre as autoridades responsáveis pelos sistemas oficiais de fiscalização. Por isso, considerou inadequada a exigência de uma comprovação integral antes da conclusão do processo de adaptação.

    Recentemente, o governo passou a fiscalizar todo o ciclo de produção das diferentes cadeias pecuárias em relação ao uso de antimicrobianos. Na bovinocultura, por exemplo, a certificação de animais livres das substâncias proibidas pela União Europeia pode levar pelo menos dois anos. Já na avicultura, esse período é de aproximadamente 40 dias.

    “O Brasil defende a manutenção deste sistema e considera inaceitável a exigência de comprovação prévia da implementação integral de medidas cuja execução ocorre de forma progressiva ao longo dos ciclos produtivos”, afirmou o Ministério da Agricultura.

    Além disso, a Pasta destacou que os sistemas oficiais de fiscalização têm a responsabilidade de verificar o cumprimento das normas e certificar apenas os produtos que atendem integralmente às exigências sanitárias.

    “As relações sanitárias internacionais são estruturadas sobre um princípio fundamental: confiança e transparência entre autoridades competentes. O reconhecimento internacional dos sistemas oficiais de controle sanitário baseia-se na capacidade demonstrada pelo país de estabelecer normas, fiscalizar seu cumprimento, adotar medidas corretivas e certificar, com credibilidade, os produtos que atendem aos requisitos acordados bilateralmente”, informou a nota.

    Governo mantém diálogo técnico com o bloco

    Enquanto as negociações continuam, o Ministério da Agricultura informou que segue em tratativas técnicas com a União Europeia sobre os critérios sanitários relacionados ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal.

    Ao mesmo tempo, a Pasta reforçou que o Brasil não solicitou flexibilização das normas europeias. Pelo contrário, reafirmou o compromisso de atender integralmente às exigências impostas pelos mercados importadores.

    Representantes da indústria frigorífica e do setor pecuário avaliam que a posição do governo fortalece a credibilidade do sistema sanitário brasileiro. Segundo fontes do setor, o país deve permanecer na lista de exportadores da União Europeia, mesmo que ainda não existam animais aptos para atender imediatamente aos novos critérios.

    Outro representante do setor disse que o governo adotou uma postura mais firme durante as negociações. Segundo ele, o Brasil não aceitará que a confiabilidade do sistema sanitário nacional seja colocada em dúvida.

    Permanência na lista não libera exportações automaticamente

    O Ministério da Agricultura esclareceu que integrar a lista de países autorizados não significa que todos os produtos brasileiros estejam automaticamente aptos para exportação.

    Na prática, esse reconhecimento demonstra que o país possui um sistema oficial considerado confiável para certificar apenas os produtos que cumprem os requisitos sanitários exigidos pelo mercado europeu.

    Além disso, a Pasta explicou que a disponibilidade de produtos varia conforme o ciclo produtivo de cada cadeia. Portanto, o tempo necessário para atender às exigências pode ser diferente entre bovinos, aves e outras produções.

    Segundo o ministério, a credibilidade do sistema está justamente na capacidade de impedir a certificação de produtos que ainda não atendem às normas estabelecidas.

    Comissão Europeia retirou o Brasil da lista em maio

    Em maio, a Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados para o bloco a partir de 3 de setembro. A decisão ocorreu após questionamentos sobre a comprovação do não uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas brasileiras.

    Depois do anúncio, representantes da indústria frigorífica defenderam o banimento dessas substâncias como forma de demonstrar o compromisso do Brasil com as exigências europeias. No entanto, estimativas do setor indicam que a medida poderia elevar os custos da pecuária em cerca de US$ 2 bilhões por ano, principalmente com alimentação e medicamentos.

    Exportações movimentam US$ 1,8 bilhão

    A União Europeia importou 128 mil toneladas de carne bovina brasileira em 2025, volume que movimentou aproximadamente US$ 1 bilhão. Ao considerar todas as proteínas animais, o comércio entre Brasil e União Europeia alcançou US$ 1,8 bilhão no período.

    Além disso, o Ministério da Agricultura informou que já encaminhou à Comissão Europeia uma documentação técnica detalhando os mecanismos oficiais de fiscalização, rastreabilidade, monitoramento e certificação adotados nas cadeias de carne bovina, aves, ovos, mel e produtos da pesca.

    Segundo a Pasta, os documentos demonstram como o sistema brasileiro garante o cumprimento dos requisitos sanitários exigidos pelo bloco europeu. Entretanto, as autoridades da União Europeia ainda não apresentaram uma manifestação conclusiva sobre o material enviado.

    Por fim, o ministério reafirmou o compromisso do Brasil com o atendimento integral das exigências sanitárias internacionais. Também destacou que continuará mantendo diálogo técnico com a União Europeia com base na ciência, na transparência e na cooperação entre as autoridades competentes.

  • Brasil atinge quase 80% da cota de carne bovina na China

    Brasil atinge quase 80% da cota de carne bovina na China

    O Brasil já utilizou 78,86% da cota anual de exportação de carne bovina para a China, segundo dados divulgados pelo governo chinês. O avanço do volume importado pelo principal comprador da proteína brasileira fez exportadores considerarem que o limite está praticamente esgotado, o que já provoca mudanças na rotina dos frigoríficos.

    As informações da Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC) e do Ministério do Comércio (Mofcom) mostram que 872,2 mil toneladas de carne bovina in natura produzida no Brasil foram internalizadas no país asiático entre janeiro e junho. Somente em junho, entraram 148,7 mil toneladas.

    A cota brasileira para 2026 é de 1,106 milhão de toneladas, com tarifa de importação de 12%. Acima desse limite, os embarques ficam sujeitos a sobretaxa de 55%, além da possibilidade de devolução das cargas ou atraso na liberação aduaneira.

    Frigoríficos já reduzem produção e embarques

    Mesmo antes do preenchimento total da cota, frigoríficos habilitados a exportar para a China começaram a adaptar suas operações.

    Entre as medidas adotadas estão:

    • redução do ritmo de abates;
    • férias coletivas;
    • ajustes na produção;
    • suspensão de cortes específicos destinados ao mercado chinês;
    • diminuição dos embarques durante julho.

    A estratégia busca evitar que a carne chegue à China após o esgotamento do limite tarifário, o que elevaria significativamente os custos de importação.

    Diferença entre embarques e cargas já internalizadas

    Existe uma diferença entre os dados brasileiros de exportação e os números divulgados pelas autoridades chinesas.

    Enquanto o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) registra 774,1 mil toneladas exportadas em 2026, o governo chinês contabiliza volumes embarcados ainda em 2025 que foram desembarcados somente neste ano.

    Segundo exportadores, cerca de 227,7 mil toneladas seguem em trânsito para a China. Considerando esse volume, restariam aproximadamente 5,9 mil toneladas livres dentro da atual cota.

    Mercado espera esgotamento da cota em agosto

    A expectativa do setor é que a China confirme ainda nesta semana o preenchimento de 80% da cota brasileira e alcance 100% durante agosto.

    O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou na semana passada que o Brasil deve encerrar 2026 com aproximadamente 900 mil toneladas exportadas para o mercado chinês.

    A previsão é que a produção destinada ao país asiático seja retomada em outubro, com novos embarques previstos para novembro, já considerando a abertura da cota de 2027.

    Analistas acompanham ritmo da logística

    O mercado também monitora o ritmo de internalização das cargas.

    Para Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras e Mercado, o Brasil deveria ter alcançado esse percentual anteriormente.

    Segundo ele, o atraso pode estar relacionado ao tempo maior de transporte marítimo ou à demora nos procedimentos alfandegários realizados pelas autoridades chinesas.

    Outros países ainda utilizam pequena parte de suas cotas

    Enquanto o Brasil se aproxima do limite anual, outros grandes fornecedores ainda utilizam apenas parte das cotas disponíveis.

    No primeiro semestre:

    • Estados Unidos: 876 toneladas (0,53% da cota);
    • Nova Zelândia: 59,5 mil toneladas (29%);
    • Uruguai: 82,3 mil toneladas (25,4%);
    • Argentina: 239,5 mil toneladas (47%).

    Já a Austrália ultrapassou sua cota e registrou 588 toneladas acima do limite estabelecido.

    Cenário pode beneficiar concorrentes

    A Safras e Mercado avalia que o esgotamento da cota brasileira poderá abrir espaço para o aumento das exportações de países como Argentina, Uruguai e Nova Zelândia.

    A consultoria também observa crescimento da demanda por carne bovina brasileira em mercados como Estados Unidos, Hong Kong, Uruguai e Argentina. Segundo a análise, parte desse movimento pode indicar operações de triangulação comercial, permitindo que o produto alcance o mercado chinês de forma indireta.

    Ao todo, a China importou 1,5 milhão de toneladas de carne bovina in natura entre janeiro e junho, o equivalente a 56,9% da cota global de 2,6 milhões de toneladas destinada aos fornecedores internacionais em 2026. Esse cenário reforça a importância do mercado chinês para o agronegócio brasileiro e mantém o setor atento aos próximos anúncios sobre o limite de importações.

  • Brasil ativa banco contra febre aftosa na Argentina; entenda

    Brasil ativa banco contra febre aftosa na Argentina; entenda

    O Brasil colocou em operação o Banco Nacional de Antígenos para Febre Aftosa, instalado em Garín, na Argentina. A medida reforça a resposta do país diante de emergências sanitárias e fortalece a proteção do rebanho nacional.

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, participou da entrega da estrutura. Segundo ele, a iniciativa amplia a credibilidade da defesa agropecuária brasileira. O banco armazenará antígenos usados na produção de vacinas contra a febre aftosa. Assim, o país poderá reagir rapidamente caso registre um foco da doença.

    A estrutura integra o plano de contingência brasileiro. O projeto ganhou importância após o reconhecimento, em 2025, de país livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Esse status é estratégico para manter o acesso aos principais mercados importadores de proteína animal.

    Segundo o ministro, o governo escolheu a Biogénesis Bagó pela experiência internacional na produção de imunobiológicos para saúde animal. Além disso, André de Paula afirmou que o banco representa mais um avanço na consolidação da defesa sanitária brasileira.

    O ministro destacou que o reconhecimento internacional resultou de décadas de trabalho conjunto entre produtores, governos e serviços de defesa agropecuária. “O reconhecimento foi a coroação de muitos anos de esforço”, afirmou.

    Banco reforça confiança na carne brasileira

    André de Paula também comentou as restrições impostas pela União Europeia às exportações brasileiras de produtos de origem animal. Segundo ele, a criação do banco comprova o compromisso do Brasil com a sanidade animal. Além disso, fortalece a confiança internacional no sistema brasileiro de fiscalização. “Ninguém se torna o maior exportador de proteína animal do mundo sem ser muito rigoroso”, disse.

    O ministro afirmou ainda que a defesa sanitária exige aperfeiçoamento contínuo para acompanhar as exigências dos mercados internacionais. “Esse é um processo de evolução. Vamos trabalhar sempre com novas exigências e nos adaptar”, declarou.

    Reino Unido mantém compras brasileiras

    André de Paula informou que o Reino Unido continua importando produtos brasileiros normalmente. Segundo ele, essa decisão demonstra confiança na produção nacional, apesar das discussões envolvendo parte do mercado europeu.

    O ministro também afirmou que o Brasil trabalha para solucionar as divergências com a União Europeia. Sobre as cotas de exportação sem tarifas para o bloco, ele avaliou que conflitos fazem parte das negociações comerciais. “É natural que existam conflitos de interesse. Para isso existem as negociações”, afirmou. Ele acrescentou que o governo acredita em uma solução capaz de atender todas as partes.

    China e Estados Unidos permanecem no foco

    Ao comentar o mercado chinês, André de Paula afirmou que o governo busca ampliar as exportações brasileiras. Segundo ele, as oscilações nas compras da China refletem a dinâmica daquele mercado. O ministro ressaltou que essas mudanças não estão relacionadas à qualidade da carne brasileira. “O importante é a credibilidade da nossa carne”, afirmou.

    Questionado sobre as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, André de Paula disse que o governo continuará apoiando os setores mais afetados pelas restrições comerciais.

    Estrutura acelera resposta sanitária

    O Banco Nacional de Antígenos figura entre os principais instrumentos de contingência para países livres de febre aftosa sem vacinação. Em caso de emergência sanitária, o estoque permitirá acelerar a produção de vacinas.

    Com isso, as autoridades reduzirão o tempo de resposta e preservarão a sanidade do rebanho brasileiro. Além disso, a estrutura ajudará a manter o acesso da proteína animal brasileira aos mercados internacionais.

  • Seca acelera confinamento e muda a pecuária brasileira

    Seca acelera confinamento e muda a pecuária brasileira

    A seca no Brasil já transforma a pecuária e acelera investimentos em sistemas mais resilientes. Além disso, produtores reforçam o confinamento para manter a produtividade e reduzir riscos climáticos. O movimento ganhou força após 2024 registrar uma das secas mais severas das últimas quatro décadas.

    Agora, a previsão de retorno do El Niño aumenta a preocupação no campo. O fenômeno altera os padrões de chuva e amplia os desafios para a produção agropecuária. Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), 2024 entrou para a história como um dos anos mais secos das últimas quatro décadas. O órgão também alerta que esse cenário pode voltar durante novos ciclos climáticos adversos.

    Impactos das mudanças climáticas na pecuária

    As mudanças climáticas já afetam diretamente a pecuária de corte, um dos principais segmentos do agronegócio brasileiro. Além da redução das chuvas, os incêndios agravam os prejuízos nas propriedades rurais.

    Um estudo do Climate Policy Initiative, da PUC-Rio e do projeto Amazônia 2030, estima perdas de R$ 14,7 bilhões no campo em 2024. Desse total, R$ 8 bilhões atingiram diretamente a pecuária e as pastagens. Os pesquisadores atribuem o agravamento dos incêndios à influência do El Niño.

    Impactos da seca na pecuária

    Segundo Bruno Nolasco, gerente de negócio agro da Belgo Arames, os impactos da seca começam antes dos incêndios. Ele explica que a falta de chuva reduz a qualidade das pastagens e limita a oferta de alimento. Com isso, os pecuaristas precisam adaptar o manejo para preservar o desempenho do rebanho.

    Nesse cenário, o confinamento avança como uma das principais estratégias da pecuária brasileira. O sistema garante alimentação balanceada, acelera o ganho de peso e reduz o tempo até o abate. Além disso, melhora a previsibilidade da produção e otimiza o uso das áreas disponíveis.

    Entretanto, o confinamento exige planejamento nutricional, água disponível e manejo sanitário eficiente. A infraestrutura também exerce papel decisivo para o sucesso da atividade. Segundo Nolasco, cercamentos bem planejados organizam a operação, reduzem o estresse animal e evitam perdas.

    Além disso, materiais mais resistentes aumentam a segurança e diminuem a necessidade de manutenção. As estruturas de sombreamento também ganharam importância nos confinamentos. Elas proporcionam conforto térmico e bem-estar animal durante períodos de temperaturas elevadas. Por isso, essas estruturas exigem materiais duráveis e preparados para as condições do ambiente rural.

    Soluções focadas na eficiência

    Diante desse cenário, soluções voltadas à resistência e à eficiência operacional ganham espaço na pecuária. A Belgo Arames desenvolve cordoalhas Belgo Cordaço e Belgo Remanga para suportar condições adversas. Para Bruno Nolasco, a escolha dos materiais influencia diretamente a segurança da operação e a durabilidade das estruturas.

  • VBP agropecuário atinge R$ 1,4 trilhão em junho

    VBP agropecuário atinge R$ 1,4 trilhão em junho

    O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) brasileira foi estimado em R$ 1,4 trilhão em junho, segundo levantamento mensal divulgado pelo Ministério da Agricultura. O indicador mede o faturamento da produção agropecuária dentro dos estabelecimentos rurais e especialistas o consideram um dos principais termômetros do desempenho do setor.

    Do total estimado, R$ 893,1 bilhões são provenientes das lavouras, que respondem por 64% do VBP nacional. Já a pecuária representa R$ 511,1 bilhões, equivalente a 36% do faturamento agropecuário.

    Entre os principais produtos que impulsionam o VBP, a soja lidera com valor estimado de R$ 335,8 bilhões, representando 23,9% do total. Na sequência aparecem os bovinos, com R$ 249,5 bilhões (17,5%), seguidos pelo milho (R$ 155,3 bilhões), cana-de-açúcar (R$ 108,7 bilhões) e frangos (R$ 107,3 bilhões).

    Juntos, esses cinco segmentos concentram 68,3% do valor total da produção agropecuária brasileira, evidenciando a forte dependência do setor em relação às principais commodities.

    No recorte por estados, Mato Grosso lidera o ranking nacional, com VBP estimado em R$ 213,5 bilhões, o equivalente a 15,2% do total. Minas Gerais aparece na segunda posição, com R$ 167,8 bilhões (12%), seguido por São Paulo, com R$ 158,4 bilhões, representando 11,3% do indicador.