Tag: Paraná

  • Queijos brasileiros disputam título mundial na Suíça

    Queijos brasileiros disputam título mundial na Suíça

    Entre os dias 13 e 15 de novembro, Berna, capital da Suíça, receberá o World Cheese Awards 2025, o maior concurso de queijos do mundo. Pela primeira vez em solo suíço, a competição reunirá mais de 5 mil amostras de queijos de mais de 50 países. E o Brasil terá representantes de peso: queijos finos desenvolvidos no Paraná, que já acumulam dezenas de premiações internacionais.

    O Laboratório de Queijos Finos do Biopark Educação, localizado em Toledo, no Paraná, é o responsável por levar três queijos inéditos ao concurso suíço. O projeto, que existe há seis anos, já conquistou 69 medalhas em premiações nacionais e internacionais. E vem transformando a produção leiteira regional em um caso de sucesso que atrai atenção de investidores e formuladores de políticas públicas.

    Entre as criações que competirão na Suíça estão o Guarandu, com aroma de guaraná; o Garoa Tropical, que utiliza fruta cítrica no processo de coagulação; e o Florescer, de casca lavada e coloração marcante. Os produtos unem identidade brasileira e sofisticação gastronômica, já despertando interesse de importadores e chefs europeus.

    “Os produtores associados recebem suporte técnico integral e gratuito, desde a melhoria da qualidade do leite até a produção dos queijos, com transferência completa das tecnologias desenvolvidas no laboratório”, explica Kennidy de Bortoli, pesquisador do Laboratório de Queijos Finos do Biopark Educação. Durante todo o período de participação, há monitoramento contínuo dos padrões de qualidade para garantir a excelência dos produtos.

    Carolina Trombini, gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Biopark Educação, destaca que o projeto também oferece orientação para investimentos em infraestrutura. “Auxiliamos na escolha de equipamentos e layouts mais adequados, de acordo com os objetivos e o porte de cada produtor. Há acompanhamento permanente para o fortalecimento técnico e gerencial dos negócios”, afirma.

    Parceria estratégica fortalece cadeia produtiva

    Os encontros bimestrais abordam temas estratégicos como marketing digital, vendas, abertura de novos mercados e boas práticas de fabricação, oferecendo aos produtores uma formação empresarial completa.

    O projeto é resultado de uma coalizão entre o Biopark, o Biopark Educação, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), o Sebrae/PR, o Sistema Faep/Senar e a Prefeitura de Toledo. Juntos, eles formam uma rede colaborativa que promove inovação, qualificação técnica e valorização da produção local.

    A iniciativa transforma a cadeia leiteira paranaense, segundo maior produtor de leite do Brasil, com foco em diferenciação de mercado, valorização do terroir e acesso a certificações como SIM, SUSAF e SISBI. Cada produtor recebe indicações personalizadas de tecnologia queijeira conforme as características do seu leite. Portanto, favorecendo a diversidade e a formação de uma Rota de Queijos Finos na região.

    Em 2024, o queijo maturado Passionata, desenvolvido pelo projeto e produzido pela Queijaria Flor da Terra, de Toledo, foi eleito o melhor da América Latina e o 9º melhor do mundo no World Cheese Awards. O feito consolidou a qualidade dos queijos paranaenses no cenário internacional.

    Atualmente, o projeto conta com 27 produtores integrados e 26 tipos de queijos no mercado. Além disso, os planos de expansão estadual já estão em curso, com apoio do governo do Paraná, sinalizando o potencial de crescimento da iniciativa.

    “Conseguimos criar um modelo escalável, com baixa barreira de entrada para os produtores, retorno rápido e forte apelo de marca. Ao mesmo tempo, servimos de referência de política integrada de desenvolvimento rural, segurança alimentar e inovação tecnológica no campo”, afirma Carmen Donaduzzi, idealizadora do projeto.

  • O reino do Oink: Toledo (PR) tem quase 6 porcos por pessoa

    O reino do Oink: Toledo (PR) tem quase 6 porcos por pessoa

    O dia em Toledo, no oeste do Paraná, começa cedo, antes que o sol se desprenda do horizonte e espane a névoa sobre as plantações. O orvalho escorre das folhas de soja, o motor dos tratores rompe o silêncio, e o ar já carrega aquele cheiro inconfundível: mistura de ração, terra úmida e promessas de fartura. Seja bem-vindo(a) ao Reino do Oink.

    À distância, há quem jure ouvir um murmúrio que vem do campo. Um rumor ritmado, quase orquestral. É o som de 950 mil porcos respirando, comendo, crescendo, existindo.

    No mapa, a simpática Toledo é um ponto distante de Curitiba, no interior paranaense. Mas, na prática, é a capital invisível dos suínos. Um lugar onde há quase seis porcos para cada pessoa.

    Os 160.701 habitantes, segundo estimativa do IBGE para 2025, vivem cercados por um oceano de grunhidos e silos metálicos. Os animais são tantos que parecem se multiplicar no eco dos currais e no vapor que sai das granjas nas manhãs frias.

    O trono dos porcos

    Foto: Ari Dias/AEN

    Há uma ironia silenciosa na paisagem. A cidade foi erguida por gente, mas quem reina por aqui é o porco. O IBGE confirma: 950 mil suínos dividem o território com pouco mais de 160 mil moradores. Se cada habitante decidisse adotar um, ainda sobrariam quase 790 mil focinhos sem dono. É a cidade brasileira com a maior quantidade de suínos.

    O contraste é poético e brutal. O mesmo animal que já foi símbolo de fartura nas mesas do interior hoje sustenta uma indústria de bilhões. Toledo produz proteína como quem produz destino, no compasso dos caminhões frigoríficos que cruzam a BR-467, levando o cheiro e a riqueza do campo para longe.

    O império do oink

    Dizem que é fácil saber quando se está chegando a Toledo. O vento entrega. Ele sopra carregado de um aroma ácido, mistura de vida, trabalho e exaustão. Para uns, é incômodo; para outros, é sinal de prosperidade. Aqui, o cheiro do ar é o cheiro do sustento.

    Entre as faixas de milho e soja, surgem granjas que mais parecem fortalezas: portões automáticos, silos reluzentes, sistemas de ventilação que nunca param. Lá dentro, máquinas alimentam, climatizam e registram cada movimento. O que era natureza virou cálculo. O que era instinto virou estatística.

    Foto: Ari Dias/AEN

    Mesmo assim, há uma harmonia discreta nesse cotidiano. É como se homem e animal tivessem firmado um pacto silencioso. Cada porco alimentado é uma engrenagem da economia, uma batida no coração do município, uma pequena parte do futuro que Toledo constrói com paciência e precisão.

    O cheiro, o som e o sustento

    Com o tempo, os moradores se acostumaram. A suinocultura não é apenas um negócio, é uma espécie de identidade. O caminhoneiro sabe o caminho de cor; o agricultor reconhece no ar quando as granjas estão cheias; o comerciante mede as vendas pelo número de abates da semana.

    Toledo respira em oinks. O som é constante, mas não ensurdece. É o bater de um coração coletivo, pulsando do campo para o centro, atravessando os milharais e as ruas largas da cidade.O Paraná é o segundo estado que mais abate suínos no Brasil, responsável por 21,5% da produção nacional. Mas Toledo é um caso à parte. Nenhum outro município reúne tantos animais por habitante. Aqui, o porco é mais presente que o poste, mais numeroso que as janelas e tão essencial quanto a chuva que molha o milho.

    Entre o barro e o brilho

    Nada disso seria possível sem as mãos que trabalham na sombra. Homens e mulheres que acordam antes do amanhecer, lavam as botas com pressa e entram nas granjas como quem entra num templo. O cheiro forte que muitos evitam é, para eles, o perfume da estabilidade.

    Foto: Ari Dias/AEN

    Cada porco adulto produz de cinco a sete litros de dejetos por dia. É muito e Toledo aprendeu a lidar com o excesso. Biodigestores transformam o que antes era problema em energia. O que era sujeira, por exemplo, hoje ilumina casas, move motores e fertiliza plantações.

    O ciclo se fecha com uma elegância quase poética: o porco alimenta o homem, e o homem devolve o que sobra à terra.

    O futuro em tom de rosa

    Toledo carrega um desafio constante: crescer sem sufocar. O mundo exige carne, mas também cobra sustentabilidade. A cidade aposta em tecnologia, pesquisa e vigilância sanitária. A Embrapa Suínos e Aves desenvolve rações que reduzem emissões, enquanto cooperativas testam sistemas de reuso de água e manejo inteligente de resíduos.

    Foto: Ari Dias/AEN

    Mesmo assim, o risco ronda: a peste suína africana, as oscilações de mercado, as mudanças no clima. Tudo pode mudar de uma safra para outra. Ainda assim, Toledo segue firme — resiliente, teimosa, obstinada, como os próprios animais que cria.

    Entre o sol e o som

    Quando o entardecer cobre o oeste do Paraná de dourado, então a cidade parece suspensa no tempo. Enquanto isso, os silos brilham sob a luz oblíqua, e ao mesmo tempo os caminhões passam levantando poeira. Por fim, ao fundo, ainda se ouve o mesmo coro grave, contínuo, quase ritual.

    Toledo é mais que uma cidade. É uma metáfora viva do Brasil agrícola. Um lugar onde o homem e o porco dividem o mesmo destino. Ou seja, um produz, o outro sustenta; um respira, o outro transforma.

    E, no fim do dia, quando o vento muda de direção e traz de volta o cheiro do campo, fica clara a essência de tudo: é uma cidade de gente, movida a oinks.

  • Três cidades dominam produção de camomila e faturam R$ 15 milhões

    Três cidades dominam produção de camomila e faturam R$ 15 milhões

    O Paraná consolidou sua posição como maior produtor de camomila do Brasil, respondendo por 79,5% de toda a produção nacional, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral). Em 2024, o estado colheu 1,1 mil toneladas da planta medicinal em 2,3 mil hectares, gerando um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 15 milhões.

    A cultura está concentrada em três municípios da Região Metropolitana de Curitiba: Mandirituba, São José dos Pinhais e Contenda, que juntos respondem por mais de 70% da produção estadual. A colheita da safra 2025 já foi concluída. E a comercialização acontece de forma contínua ao longo do ano, seguindo a demanda da indústria e do mercado externo.

    Apesar de ter escala menor em comparação a outras culturas do agronegócio paranaense, a camomila representa uma potência econômica regional, com forte participação da agricultura familiar e alto potencial de agregação de valor na cadeia produtiva de plantas medicinais.

    Grãos avançam com boas condições climáticas

    Enquanto a camomila já encerrou sua safra, outras culturas seguem em ritmo acelerado no campo. O plantio da soja 2025/26 atingiu 52% da área prevista de 5,77 milhões de hectares, impulsionado pelas chuvas das últimas semanas, conforme o Boletim Semanal do Deral.

    O milho de primeira safra está praticamente concluído, com 94% da área de 333 mil hectares já semeada. As lavouras apresentam boas condições de desenvolvimento.

    A fruticultura paranaense registrou VBP de R$ 3,9 bilhões em 2024, com 1,3 milhão de toneladas colhidas em 53,8 mil hectares. A citricultura lidera o segmento, respondendo por mais da metade da área e da produção, além de 39% do valor total da atividade.

    Laranja, morango, uva, goiaba e banana concentraram mais de 70% do VBP estadual da fruticultura, reforçando a diversidade e a capacidade de geração de renda do setor.

    Erva-mate mantém tradição e relevância econômica

    Símbolo da cultura paranaense, a erva-mate movimentou R$ 1,2 bilhão em 2024, representando 0,67% da agricultura estadual. No Sul do Paraná, a cultura tem importância ainda maior: em Cruz Machado, corresponde a 25% da riqueza agrícola local . Enquanto em São Mateus do Sul e Bituruna representa cerca de 18%.

    O Deral destaca o peso cultural e histórico da erva-mate, fortemente associada à identidade regional e à agricultura familiar.

    Suinocultura e pecuária em alta

    O custo médio de produção na suinocultura paranaense subiu 0,7% em setembro, chegando a R$ 5,77 por quilo vivo, segundo a Embrapa Suínos e Aves. Apesar da alta, o Paraná mantém o segundo menor custo entre os principais estados produtores, garantindo competitividade no setor.

    Na pecuária de corte, o Brasil bateu recorde de exportações de carne bovina em setembro, com 348 mil toneladas embarcadas. Volume 15% superior ao acumulado de 2024. A demanda da China e de Hong Kong impulsionou os embarques.

  • Litoral do Paraná luta para salvar espécies ameaçadas

    Litoral do Paraná luta para salvar espécies ameaçadas

    O programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP) financia projetos estratégicos que monitoram espécies terrestres e marinhas ameaçadas na região. As iniciativas fortalecem Unidades de Conservação e ampliam o conhecimento científico sobre a biodiversidade local.

    O MegaCoast-PR, que a Associação MarBrasil coordena, acompanha a megafauna marinha, incluindo golfinhos, baleias, tartarugas, aves e tubarões. O projeto One Blue Health avalia a saúde dos ecossistemas através de análises integradas de fauna, ambiente e seres humanos. Em terra, o Monitora Serra do Mar observa grandes mamíferos e aves ameaçadas, como onça-pintada, anta, queixada, puma, veado, cateto, macuco, inhambus, urus e jacutinga, além de monitorar o ecossistema de Floresta Atlântica.

    Região abriga patrimônio natural da humanidade

    O litoral paranaense representa uma das regiões mais singulares do Brasil. A Unesco reconhece a área como Patrimônio Natural da Humanidade. O território abriga áreas Ramsar, sítios de relevância internacional para conservação de áreas úmidas, e integra a Grande Reserva Mata Atlântica — maior remanescente protegido do bioma no mundo, com quase 3 milhões de hectares de áreas naturais, florestas, manguezais e águas costeiras preservadas no Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

    A região funciona como berçário, área de alimentação e rota migratória para espécies raras, endêmicas e ameaçadas.

    “A região abriga espécies que só ocorrem aqui, como o papagaio-de-cara-roxa, uma ave endêmica do litoral norte do Paraná e sul de São Paulo. Também serve de rota para baleias-francas, golfinhos, tubarões-martelo, raias-manta e aves migratórias que vêm da Antártica e da Europa”, explica Camila Domit, pesquisadora do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da UFPR e da Associação MarBrasil, coordenadora do projeto MegaCoast-PR.

    A Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) protege o papagaio-de-cara-roxa há mais de 20 anos e conseguiu reverter a tendência de desaparecimento da espécie.

    DNA ambiental revoluciona monitoramento marinho

    O projeto MegaCoast emprega DNA ambiental, metodologia inovadora que revoluciona o monitoramento de espécies marinhas. Os pesquisadores coletam amostras de água e identificam, por meio de fragmentos genéticos presentes no líquido, quais espécies de animais ou microrganismos circulam naquele ecossistema.

    O método já detectou bactérias que sinalizam riscos não apenas para a fauna, mas também para a saúde humana.

    “Detectamos bactérias com alta resistência a antibióticos, o que levanta questões sobre a relação entre saúde do ecossistema, da fauna e dos humanos. Golfinhos compartilham conosco a cadeia alimentar e funcionam como sentinelas da saúde ambiental. Quando eles adoecem, nós também ficamos vulneráveis”, afirma Camila Domit.

    Rastreamento acústico conecta Paraná a rede nacional

    O MegaCost-PR inova também com rastreamento acústico de animais marinhos, em parceria com o LEC/UFPR e o Projeto Meros do Brasil. A iniciativa conecta o Paraná a uma rede de telemetria que se estende do Norte ao Sul do país.

    Foto: Divulgação

    O sistema permite identificar áreas prioritárias para conservação e acompanhar trajetos de espécies migratórias ameaçadas, como peixes ósseos, tubarões, raias e tartarugas marinhas. Essas informações subsidiam políticas públicas brasileiras e convenções internacionais das quais o Brasil participa, como a Comissão de Espécies Migratórias (CMS).

    Ciência cidadã aproxima comunidade da conservação

    O projeto incentiva a participação popular no monitoramento. “Qualquer pessoa pode contribuir registrando avistagens de golfinhos, baleias e tartarugas em nosso site ou comunicando via perfil de mídia social @lecufpr. A ciência cidadã colabora com o monitoramento e aproxima comunidades pesqueiras e litorâneas do processo de construção do conhecimento regional da biodiversidade”, completa a pesquisadora.

    O diálogo com comunidades tradicionais e pescadores artesanais locais também ajuda a mitigar conflitos pelo uso de áreas comuns entre espécies ameaçadas e atividades econômicas. “As mesmas áreas de alta produtividade pesqueira servem de alimentação para fauna marinha. Mapeamos essas sobreposições e construímos, junto com as comunidades, soluções que conciliem direitos e usos, integrando conservação, aspectos culturais e segurança alimentar”, explica Camila.

    Grandes mamíferos desaparecem da Mata Atlântica

    A floresta litorânea também emite sinais de alerta. O Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar, que reúne diferentes iniciativas voltadas à conservação de espécies-chave da Mata Atlântica, inclui o projeto Monitora Serra do Mar. O BLP apoia a iniciativa, que o IPeC – Instituto de Pesquisas Cananeia executa com o Instituto Manacá.

    O projeto acompanha quatro espécies emblemáticas: onça-pintada, onça-parda, anta e queixada. Todas enfrentam ameaças na Mata Atlântica, sendo que três delas já aparecem classificadas como “criticamente ameaçadas” no Paraná.

    “A anta praticamente desapareceu das florestas de terras baixas do litoral, e a onça-pintada mantém hoje uma população muito baixa, restrita a áreas remotas da Serra do Mar”, alerta Roberto Fusco, coordenador do projeto Monitora Serra do Mar.

    Espécies funcionam como sentinelas ambientais

    Especialistas consideram essas espécies como sentinelas ambientais. Por serem mais vulneráveis à caça e à perda de habitat, esses animais desaparecem primeiro, indicando assim a qualidade de conservação de uma floresta. Além disso, são espécies-guarda-chuva: sua proteção garante a conservação de diversos outros organismos e do próprio habitat.

    Apesar do cenário crítico, Fusco vê sinais de esperança. “Em áreas com fiscalização intensiva, identificamos indícios de recuperação. Esses dados nos permitem recomendar regiões estratégicas para reforço populacional, com solturas de antas e queixadas. No caso da onça-pintada, os desafios logísticos e genéticos são maiores, mas não descartamos essa possibilidade”.

    Plataforma SMART digitaliza monitoramento

    As novas ferramentas de monitoramento formam parte central da estratégia de conservação que o BLP apoia. Uma delas é o SMART (Spatial Monitoring and Reporting Tools), plataforma que dezenas de países usam e que digitaliza e padroniza dados de campo. O sistema permite que patrulhas registrem em tempo real desde avistamentos de fauna até atividades ilícitas como caça e extração de palmito.

    Foto: Divulgação

    No Paraná, essa tecnologia se integrou ao Programa Monitora, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), iniciativa nacional que coleta e analisa informações sobre biodiversidade em UCs de todo o país. Em parceria com o Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar, gestores de UCs da região receberam treinamento para aplicar o SMART, utilizar armadilhas fotográficas e sistematizar dados na produção de indicadores sobre médios e grandes mamíferos ameaçados de extinção e alvos de caça ilegal.

    Comunidades locais reforçam fiscalização

    Essa integração fortaleceu a fiscalização e o manejo da biodiversidade e abriu espaço para o engajamento da sociedade. “Ao capacitar comunidades locais para usar essas ferramentas, consolidamos Agentes de Monitoramento que reforçam a fiscalização, ampliam a intolerância à caça ilegal e ainda geram renda”, explica Roberto Fusco.

    Para Camila Domit, o diálogo que nasce a partir desses resultados também é político. “Os dados do projeto devem orientar gestores públicos, empreendedores e órgãos licenciadores. Trata-se de qualificar as metodologias de monitoramento, reduzir custos e, sobretudo, harmonizar os diferentes usos do território sem perder de vista a vida que depende dele”.

    Programa transforma passivo ambiental em investimento

    O Programa Biodiversidade Litoral do Paraná surgiu em 2021 e promove conservação, pesquisa e uso responsável dos recursos naturais, fortalecendo Unidades de Conservação e impulsionando o desenvolvimento sustentável do litoral paranaense.

    O Termo de Acordo Judicial (TAJ), firmado após o vazamento de óleo ocorrido em 2001, financia o Programa. A iniciativa transformou um passivo ambiental em investimento histórico em conservação: mais de R$ 110 milhões destinados a iniciativas estratégicas ao longo de dez anos.

  • Paraná recebe a 4ª Feira Internacional da Mandioca

    Paraná recebe a 4ª Feira Internacional da Mandioca

    Paranavaí, conhecida como a Capital da Mandiocultura Industrial, sedia entre os dias 25 e 27 de novembro a maior feira do setor da mandioca no Brasil. O evento, realizado no Parque Internacional de Exposições Costa e Silva, espera superar os 7 mil visitantes e movimentar mais de R$ 250 milhões em negócios.

    O setor da mandioca brasileiro movimentou mais de R$ 18 bilhões em 2024, com a colheita de 19 milhões de toneladas, beneficiando quase um milhão de estabelecimentos rurais. O evento trará debates sobre inovação, sustentabilidade e o papel do país como o quinto maior produtor global, responsável por 5,7% da produção mundial.

    Desenvolvimento e integração impulsionam setor em Paranavaí

    Ivo Pierin, vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Paranavaí (ACIAP) e presidente do Sindicato Rural local, afirma que a feira promove o encontro da cadeia produtiva. Reunindo indústrias, fornecedores e institutos de pesquisa para apresentar novidades em variedades e maquinários.

    O prefeito Mauricio Gehlen destaca o reconhecimento internacional de Paranavaí pela produção inteligente da mandioca. E também a expectativa de receber representantes de mais de 20 países. Ele ressalta que o evento facilita parcerias e impulsiona o desenvolvimento da mandiocultura industrial, fundamental para a segurança alimentar.

    Paraná lidera produção de fécula no Brasil com alta eficiência

    Segundo dados do IBGE, o Paraná alcançou, em 2024, rendimento médio de 26.822 kg por hectare, quase 74% acima da média nacional. O que sustenta a produção de fécula que chegou a 689,3 mil toneladas, representando 65,6% do total nacional.

    A Fiman 2025 oferecerá entrada gratuita das 13h às 20h. E incluirá rodadas de negócios organizadas pelo Sebrae, Dia de Campo, Ideathon e palestras técnicas focadas em inovação e sustentabilidade. Expositores nacionais e internacionais, como Cresol, Marquesfund, Secamaq, Sin Food (China) e Bosida, já confirmaram presença.

  • INmet emite alerta de perigo potencial para chuva, ventania e granizo

    INmet emite alerta de perigo potencial para chuva, ventania e granizo

    O Instituto Nacional de Meteorologia (INmet) emitiu um alerta amarelo de perigo potencial para uma extensa área do Sul e Sudeste do Brasil. O aviso, válido para os estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, prevê a ocorrência de chuvas intensas, com acumulados que podem atingir até 50 milímetros (mm) em um único dia, acompanhadas de ventos fortes e queda de granizo.

    O alerta amarelo, de nível “perigo potencial”, é o segundo na escala de três níveis do INmet e indica risco moderado para o período. As principais ameaças associadas a essa frente fria e instabilidade atmosférica são:

    • Chuvas intensas: os volumes previstos, de até 50 mm/dia, representam um volume significativo de água em um curto espaço. Esse cenário eleva substancialmente os riscos de alagamentos, enxurradas em áreas de declive e deslizamentos de terra em encostas e morros.
    • Ventos fortes: rajadas de vento podem causar danos como a queda de árvores, destelhar construções e interromper o fornecimento de energia elétrica. A população deve evitar estacionar veículos próximos a placas de propaganda, árvores antigas ou estruturas frágeis.
    • Granizo: a precipitação de pedras de gelo, típica de nuvens de grande desenvolvimento vertical (cumulonimbus), pode danificar veículos, lavouras e telhados, além de representar perigo para pessoas e animais que estiverem ao ar livre sem proteção.

    Como se proteger e onde buscar informações

    Diante de um alerta deste nível, a adoção de medidas de precaução é fundamental. O INmet e a Defesa Civil recomendam:

    • Evite áreas de risco, como baixadas sujeitas a alagamentos e encostas.
    • Não atravesse ruas alagadas ou pontes inundadas.
    • Procure abrigo seguro em caso de ventania ou início de chuva de granizo.
    • Mantenha-se informado por fontes oficiais, como a Defesa Civil Municipal (telefone 199) e o próprio site do INmet.

    A previsão do tempo é uma ferramenta essencial para a prevenção de desastres. A divulgação em massa de alertas como este permite que a população e as autoridades se preparem, minimizando os impactos humanos e materiais dos eventos climáticos severos.

  • Aproveitamento integral da tilápia transforma resíduos em oportunidades no Brasil

    Aproveitamento integral da tilápia transforma resíduos em oportunidades no Brasil

    A tilápia do Nilo, espécie que lidera a piscicultura brasileira, surpreende o mercado com aplicações que vão muito além do tradicional filé. Pesquisadores e empresas transformam pele, carne e outros subprodutos do pescado em itens inovadores: curativos para queimaduras, couro para calçados, cosméticos e até sorvete proteico.

    O Paraná concentra um terço de toda a produção nacional de tilápia. O Estado produziu 188 mil toneladas em 2021 e projeta alcançar 376 mil toneladas até 2027, consolidando sua liderança no setor.

    “A aquicultura é uma cadeia estruturada e consolidada aqui no Paraná, na qual somos referência nacional. Essa relevância também se sustenta pela diversificação propiciada pelo produto. Hoje, diversas utilizações do peixe aproveitam todas suas partes em diferentes processos. Tudo isso valoriza ainda mais a cadeia produtiva”, afirma Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino do Sistema FAEP.

    Pele de tilápia revoluciona tratamento de queimaduras

    Pesquisadores do Ceará desenvolveram curativos biológicos feitos com pele de tilápia para tratar queimaduras. O material funciona como proteção que previne perda de líquidos, impede contaminações e reduz o tempo de tratamento em até dois dias. A aplicação dispensa trocas diárias, o que diminui a dor dos pacientes.

    “O Brasil nunca teve nenhuma pele animal registrada na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para tratamento de queimaduras. Temos quatro bancos de pele humana. Porém, a quantidade produzida por eles é insuficiente para os tratamentos. Tenho 44 anos de labuta na área de queimaduras e só utilizei pele humana duas vezes”, revela Edmar Maciel Lima Jr., médico que coordena a pesquisa.

    Foto: Comunicação Sistema FAEP

    A escolha da tilápia se baseou na disponibilidade do pescado e nos resultados promissores dos testes. “No estudo histológico vimos que a pele da tilápia tem a proteína colágeno tipo 1 em maior quantidade do que a pele humana, além de ser resistente à tração e ter um bom grau de umidade”, explica Lima.

    A pesquisa já se expandiu para nove países, envolve 300 pesquisadores e conquistou 19 prêmios. “Começou com os estudos na área de queimaduras, hoje em dia é sucesso nas feridas de animais, na ginecologia e na odontologia”, destaca o médico.

    Sorvete proteico ajuda pacientes em quimioterapia

    Em 2019, a doutoranda Ana Maria da Silva, do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural Sustentável da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), criou um sorvete enriquecido com proteína de tilápia. A inovação surgiu da necessidade de alimentar sua filha, que enfrentava um câncer e sofria com feridas na boca causadas pela quimioterapia.

    O tratamento dificultava a alimentação da jovem, que encontrava alívio apenas em alimentos gelados como sorvete. Porém, o valor nutricional da sobremesa convencional era insuficiente. Ana Maria transformou a carne da tilápia em líquido e incorporou a proteína ao sorvete, mantendo o sabor e as características da sobremesa.

    Em outubro, o sorvete de tilápia conquistou o terceiro lugar na Maratona de Inovação do Pescado no AgriFutura, principal encontro da cadeia produtiva do pescado da América Latina.

    Moda e cosméticos apostam no couro de peixe

    No litoral do Paraná, empreendedores transformam pele de tilápia e outras espécies em couro para bolsas, sapatos e artesanato. O cantor de pagode Rodriguinho recentemente estreou um tênis totalmente produzido em couro de tilápia nas cores da bandeira brasileira.

    As cooperativas, responsáveis pela maior parte da produção estadual, já identificaram o potencial comercial desses subprodutos. A C.Vale exporta 75 toneladas mensais de pele de tilápia para Taiwan, onde a indústria cosmética processa o material.

    Assim como a pecuária bovina aproveita todas as partes do animal, a piscicultura demonstra potencial semelhante. O aproveitamento integral da tilápia transforma o que antes era descartado no processo industrial em produtos de alto valor agregado, fortalecendo toda a cadeia produtiva no Paraná e no Brasil.

  • Safra recorde de grãos consolida Paraná como potência agrícola

    Safra recorde de grãos consolida Paraná como potência agrícola

    O Paraná caminha para colher 46,3 milhões de toneladas de grãos na safra 2024/2025, um volume inédita para o estado. O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, divulgou os dados nesta semana. A previsão supera a safra anterior (38,48 milhões de toneladas) e bate o recorde de 45,48 milhões de toneladas registrado em 2022/2023.

    Soja, milho e feijão tiveram produções excepcionais. O estado colheu 21 milhões de toneladas de soja no último ciclo. A produção de milho atingiu 20,4 milhões de toneladas, e a de feijão, 841 mil toneladas. O arroz (136 mil t) e o café (44,9 mil t) também integraram a cesta da safra histórica.

    Culturas de inverno impulsionam resultado final

    A colheita das culturas de inverno, ainda em andamento, consolidará o recorde. Os produtores já colheram 41% da área de trigo, com rendimento médio saltando de 2.139 kg/ha para 3.258 kg/ha na comparação com a safra passada. A produtividade da cevada também aumentou, subindo de 3.841 kg/ha para 4.333 kg/ha.

    “As últimas chuvas colaboraram para que essas produtividades pudessem ser alcançadas”, afirmou Hugo Godinho, chefe da Divisão de Conjuntura do Deral. Ele ponderou que os ventos fortes causaram acamamento em algumas lavouras. A expectativa é de uma safra de 449 mil toneladas de cevada.

    O Paraná mantém sua posição como o segundo maior produtor de grãos do Brasil, responsável por 13,3% da produção nacional, atrás apenas do Mato Grosso.

    As previsões para a safra de verão 2025/2026 também são positivas. As chuvas recentes umedeceram o solo para o plantio, que deve se intensificar nos próximos dias. O estado espera produzir 25,7 milhões de toneladas na próxima safra, com a soja como carro-chefe (21,9 milhões de toneladas estimadas).

  • Paraná aposta em inteligência artificial para impulsionar exportações à Europa

    Paraná aposta em inteligência artificial para impulsionar exportações à Europa

    O Paraná prepara uma proposta para o Parlamento Europeu que visa simplificar as exigências para exportação de produtos à União Europeia (UE). Atualmente, o Brasil está classificado no grau padrão, que exige regras rigorosas de qualidade, segurança, sustentabilidade e rastreabilidade para acessar o mercado europeu. O Estado quer avançar para flexibilizar essas normas.

    Nesta semana o Sistema Estadual de Agricultura (Seagri) reuniu representantes do setor produtivo, incluindo Faep, Fiep, Fetaep e Ocepar. O encontro discutiu demandas do setor e apresentou o potencial do Paraná para ampliar suas vendas à UE.

    Natalino Avance de Souza, presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), destacou o momento estratégico. “Abrir mercado para os produtores paranaenses é essencial. Queremos fortalecer as vendas e mostrar a qualidade que rendeu ao Paraná o título de Supermercado do Mundo”, declarou.

    Benno Doetzer, superintendente-geral de Ordenamento Territorial, explicou a estratégia central: utilizar dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para monitorar a conformidade ambiental e produtiva dos imóveis rurais. A plataforma reunirá informações sobre uso de agrotóxicos, licenciamento ambiental, CAR, além de dados geoespaciais para identificar desmatamento e uso do solo.

    Parceria com o Google

    Em parceria com o Google, o Governo do Paraná implantará uma plataforma baseada em inteligência artificial. A empresa contratada, financiada pelo Google, fornecerá a ferramenta gratuitamente. Ela integrará dados da Celepar e permitirá o processamento automático das informações, facilitando a criação e o monitoramento de políticas públicas.

    “Esse sistema reduzirá a necessidade de grandes equipes para análise, pois a inteligência artificial gerará insights que orientarão decisões governamentais e acompanharão resultados”, explicou Doetzer.

    O setor produtivo recepcionou a proposta com entusiasmo, assim como as instituições públicas envolvidas. O próximo passo será enviar uma carta de apresentação ao governador Carlos Massa Ratinho Junior para autorizar o avanço do projeto.

  • Paraná bate recorde histórico na produção de carne bovina e suína no 2º trimestre

    Paraná bate recorde histórico na produção de carne bovina e suína no 2º trimestre

    O Paraná estabeleceu novos recordes na pecuária durante o segundo trimestre de 2025. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quarta-feira (10), mostram números históricos no abate de bovinos e suínos.

    O estado superou as marcas do primeiro trimestre e consolidou sua posição de liderança nacional no setor de frangos. A produção de leite, ovos e couro também permanece entre as maiores do Brasil.

    O Paraná abateu 3,25 milhões de suínos no período. O número representa um aumento de 60,09 mil cabeças em relação ao primeiro trimestre. Este volume configura o maior registro para três meses na série histórica.

    O estado mantém a vice-liderança nacional no setor. Responde por 21,7% da produção brasileira, ficando atrás apenas de Santa Catarina, que detém 28%.

    Bovinos registram melhor trimestre desde 1997

    A produção de carne bovina atingiu 394 mil cabeças abatidas entre abril e junho. O resultado marca o melhor trimestre produtivo da série histórica do IBGE, iniciada em 1997.

    O crescimento alcançou 27,5 mil unidades a mais que o trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período de 2024, o aumento chegou a 30 mil cabeças.

    O Paraná mantém a posição de maior produtor nacional de frangos. Abateu 558,6 milhões de unidades no segundo trimestre, equivalente a 34,1% de toda a produção do país.

    Santa Catarina (13,7%) e Rio Grande do Sul (11,4%) completam o pódio. Os três estados da região Sul reforçam o peso da região neste segmento produtivo.

    Leite cresce 120 milhões de litros

    A produção de leite alcançou 1,017 bilhão de litros no período. O crescimento de 120,04 milhões de litros em relação ao trimestre anterior representa a segunda maior elevação entre os estados brasileiros.

    Apenas o Rio Grande do Sul superou o Paraná, com crescimento de 122,06 milhões de litros. O estado paranaense mantém a vice-liderança nacional com 15,7% de participação, atrás de Minas Gerais (23,8%).

    Do volume total produzido, 99,8% teve destino industrial. O estado completa quatro trimestres consecutivos acima da marca de 1 bilhão de litros de leite adquiridos e industrializados.

    Ovos e couro também crescem

    O Paraná produziu 115,6 milhões de dúzias de ovos de galinha no segundo trimestre. O resultado coloca o estado na terceira posição nacional, com 9,3% da produção.

    São Paulo lidera com 25,6%, seguido por Minas Gerais com 9,9%. O número de granjas participantes da pesquisa cresceu, assim como a quantidade de galinhas poedeiras, que atingiu 22,48 milhões de unidades – recorde da série histórica.

    Na indústria do couro bovino, a quantidade adquirida para curtimento subiu de 788,9 mil para 807,2 mil unidades. Do total, 594,2 mil passaram pelo processo de curtimento nos curtumes paranaenses até junho.

    O IBGE realiza trimestralmente as estatísticas oficiais da conjuntura agropecuária. Inclui a Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, a Pesquisa Trimestral do Leite, a Pesquisa Trimestral do Couro e a Pesquisa de Produção de Ovos de Galinha.

    As informações completas estão disponíveis no Sidra, banco de dados oficial do instituto. Os dados podem ser consultados em nível nacional, regional e estadual.