Tag: Paraná

  • Cerveja garantida: Brasil vai produzir quase 680 mil toneladas de cevada

    Cerveja garantida: Brasil vai produzir quase 680 mil toneladas de cevada

    A cerveja brasileira tem garantia de matéria-prima. O Paraná caminha para uma safra histórica de cevada em 2026, com projeção de 550 mil toneladas. Um volume que impulsiona diretamente a produção de malte e, consequentemente, de cerveja no país.

    Foto:Jaelson Lucas / AEN

    O Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), divulgou nessa semana que o plantio já cobre 44% da área estimada para este ano. O avanço ocorre graças ao clima seco e à umidade adequada do solo nas últimas semanas.

    A área total de plantio deve alcançar 126 mil hectares. Ou seja, 21% superior aos 104 mil hectares cultivados em 2025. Trata-se da maior extensão já registrada no estado para a cultura da cevada.

    O Paraná concentra a maior produção nacional do grão, enquanto o Rio Grande do Sul ocupa o segundo lugar, com cerca de 100,4 mil toneladas estimadas. Juntos, os dois estados sustentam a base da cadeia cervejeira brasileira. O Brasil deve fechar 2026 com 678,7 mil toneladas de cevada, conforme estimativas do IBGE. Um crescimento de 7,2% sobre o volume de 2025.

    “O plantio evoluiu bem nessa semana porque tivemos um tempo mais seco, diferente de maio, quando as chuvas foram intensas. Mas essas chuvas de maio também foram importantes, porque disponibilizaram umidade no solo para que os trabalhos acontecessem de forma plena”, afirma Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral.

    Por que a cevada importa para a cerveja brasileira

    A cevada é a principal matéria-prima do malte, ingrediente essencial em qualquer cerveja. O Brasil historicamente dependeu de importações do grão, especialmente da Argentina e do Uruguai, para abastecer as cervejarias nacionais. O crescimento da produção paranaense representa um passo relevante na redução dessa dependência e na consolidação de uma cadeia produtiva nacional mais robusta.

    O cenário positivo traz um alerta: o fenômeno El Niño pode provocar chuvas excessivas na primavera, período crítico para a qualidade dos grãos durante a colheita. O excesso de umidade nessa fase compromete a qualidade do grão para a produção de malte cervejeiro. Portanto, um risco que produtores e técnicos monitoram de perto.

  • Em ano de El Niño, governo trava quase 50% do orçamento do seguro rural

    Em ano de El Niño, governo trava quase 50% do orçamento do seguro rural

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) bloqueou R$ 461,6 milhões do orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) em 2026. A medida retira quase metade dos recursos previstos para subsidiar apólices de seguro rural, em um cenário de aumento dos riscos climáticos no campo.

    O orçamento inicial do programa era de R$ 1,01 bilhão. Após um corte definitivo de R$ 25 milhões, o valor disponível caiu para R$ 991,1 milhões. Agora, com o bloqueio de 46,5% desse montante, os recursos ficam temporariamente indisponíveis para contratação de novas apólices.

    Impacto significativo

    Embora o bloqueio não represente um corte definitivo, o setor vê semelhanças com o que ocorreu em 2025. Naquele ano, o seguro rural também enfrentou restrições orçamentárias e encerrou o período com aplicação de R$ 565,4 milhões.

    Mesmo após reforços de caixa no fim do ano passado, que ampliaram a cobertura de culturas como a soja, o programa alcançou apenas 3,2 milhões de hectares segurados e pouco mais de 60 mil apólices subsidiadas.

    PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) chegou a atender 13,7 milhões de hectares — Foto: GOV Goiás

    Uma fonte do setor afirmou que o impacto pode ser expressivo caso os recursos não sejam liberados.

    “Ainda não temos estimativas, mas certamente o impacto será significativo caso esse bloqueio não seja revertido. A situação é muito parecida com a de 2025”, declarou.

    A contenção faz parte do ajuste fiscal conduzido pelo governo federal. Até o momento, foram bloqueados R$ 23,7 bilhões do orçamento da União para 2026. No âmbito do Ministério da Agricultura, o total bloqueado alcança R$ 788,4 milhões, incluindo ainda R$ 293 milhões do programa de Fomento Agropecuário, R$ 550 mil em pesquisas da Embrapa e R$ 33,1 milhões destinados à modernização da infraestrutura da estatal.

    Pressão do setor produtivo

    Diante do cenário, a bancada da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) solicitou ao ministro da Agricultura, André de Paula, garantias de que os recursos do seguro rural serão executados integralmente neste ano.

    Além disso, a entidade reforçou apoio ao Projeto de Lei 2.951/2024, que busca modernizar o sistema e impedir futuros cortes, bloqueios ou contingenciamentos nos recursos do programa.

    Segundo a FPA, o seguro rural é essencial para proteger a renda dos produtores, fortalecer o crédito rural, garantir a continuidade da produção e reduzir a necessidade de renegociação de dívidas.

    Paraná critica bloqueio

    A Federação da Agricultura e Pecuária do Paraná (Faep) classificou a medida como um “novo golpe no seguro rural” e pediu a reversão imediata da decisão.

    Em nota, a entidade destacou que cerca de 42% dos recursos previstos para o PSR em 2025 foram bloqueados, enquanto em 2024 a execução ficou aproximadamente 40% abaixo do valor aprovado pelo Congresso.

    O presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que a efetivação do corte trará dificuldades ao produtor paranaense.

    “Especificamente no Paraná, o impacto seria enorme para a produção rural, pois nós somos o Estado que mais contrata o seguro rural no país”.

    Em 2025, o Paraná registrou 28,02 mil apólices, o equivalente a 43,7% dos 64,17 mil contratos firmados via PSR em todo o Brasil.


    Para Ágide, um novo corte será um ‘golpe duro no produtor rural’ — Foto: Divulgação/Sistema Faep

    Brasil tem seguro rural mais frágil entre os produtores agrícolas

    Um estudo do FGV Agro apontou que o Brasil possui o sistema de seguro rural mais vulnerável entre os principais produtores agrícolas do mundo. A análise comparou o modelo brasileiro com os de Argentina, Chile, Espanha, Estados Unidos, Índia, México e Peru.

    De acordo com Anna Cortellini, pesquisadora do Observatório do Crédito e Seguro Rural (OCSR), os produtores brasileiros contam com menor apoio e cobertura quando comparados aos concorrentes internacionais.

    “Entre os grandes países produtores, o Brasil está em uma posição de maior fragilidade em seguro rural. Aqui, os produtores rurais têm menor apoio, e há menor cobertura de seguro”, afirmou.

    A especialista ressalta que não existe um modelo único. No entanto, destaca que o Brasil poderia buscar inspiração no sistema da Espanha, que combina recursos públicos e privados para ampliar a proteção ao produtor rural.

     

  • Mês junino: Pinhão abre novas oportunidades de renda no Paraná

    Mês junino: Pinhão abre novas oportunidades de renda no Paraná

    Tradicional nas festas juninas, o pinhão, semente da araucária, vem conquistando espaço na gastronomia. No Paraná, maior produtor nacional, a cadeia produtiva da semente tem sido fortalecida por iniciativas que impulsionam o turismo rural.

    A safra do pinhão ocorre entre os meses de maio e julho. Nesse período, municípios paranaenses promovem atividades que aproximam visitantes da cultura regional. Trilhas em áreas de araucária, colheitas guiadas, oficinas culinárias e festivais gastronômicos fazem parte das atrações oferecidas em diferentes localidades do estado.

    Sapecada

    Nos municípios de Pinhão, Inácio Martins e Turvo, considerados os maiores produtores paranaenses, os turistas também podem participar da tradicional sapecada, prática transmitida entre gerações.

    Segundo José Augusto Zanchetta, fundador e integrante da diretoria da Associação dos Produtores Rurais, Artesãos e Empreendedores de Turismo da Campina do Taquaral e Região (Acamp), a técnica consiste em assar o pinhão utilizando fogo produzido com galhos secos da própria araucária.

    “O ritual consiste no preparo do pinhão no fogo feito a partir dos galhos secos do próprio pinheiro”. Assim, a semente ganha casca tostada, interior macio e um sabor característico.

    A tradicional sapecada de pinhão é preparada em uma fogueira contínua de aproximadamente dois quilômetros de extensão — Foto: Divulgação/Gralha Azul

    Na mesa do povo

    Além da forma tradicional de consumo, o pinhão tem ampliado sua presença na gastronomia regional. Atualmente, chefs e cozinheiros utilizam o ingrediente em receitas como lasanhas, carneiro, costela, bolinho de rabada, sopas, bolachas e sorvetes. Em preparações com carnes, a semente pode ser adicionada cozida, inteira ou em lascas, principalmente em pratos com molhos, ensopados e recheios.

    Para a nutricionista e chef de cozinha Fátima Negre, de Curitiba, o pinhão reúne atributos que vão além da alimentação.

    “O pinhão não é apenas um ingrediente, ele representa cultura, sustentabilidade, inovação gastronômica e desenvolvimento regional”, afirma.

    Chef de cozinha Fátima Negre destaca ainda o potencial de uso do pinhão como alimento sem glúten — Foto: Divulgação

    A especialista destaca ainda que o alimento possui características valorizadas pelo mercado consumidor. “Pode ser utilizado em preparações doces e salgadas, de receitas tradicionais a pratos sofisticados”, ressalta.

    Segundo Negre, existe atualmente um movimento crescente de valorização dos ingredientes regionais brasileiros, e o pinhão se destaca.

    Embrapa Florestas

    Enquanto isso, a Embrapa Florestas, sediada em Colombo (PR), avança em um projeto voltado ao fortalecimento da cadeia produtiva da semente. A iniciativa prevê a instalação de uma agroindústria de processamento de pinhão na região da Terra dos Pinheirais, que reúne 11 municípios do centro-sul do Paraná.

    A unidade está em construção em Inácio Martins, segundo maior produtor estadual. Em 2024, o município registrou uma colheita de 750 toneladas. Já a cidade de Pinhão liderou a produção paranaense com 880 toneladas.


    Em todo o estado, a cultura movimentou R$ 25,7 milhões em 2024, com uma produção aproximada de 4 mil toneladas — Foto: Embrapa

    O projeto da Embrapa também contempla treinamentos voltados ao processamento da semente e à produção de mudas enxertadas de araucária. Inicialmente, a agroindústria fabricará farinha de pinhão, mas o plano prevê a expansão para produtos como snacks, salgadinhos, pães e pré-misturas para panificação.

    Agroindústria

    No campo, os produtores acompanham com expectativa a implantação da agroindústria. O coletor Rui Sérgio Czanovski, de Inácio Martins, acredita que o novo empreendimento poderá ampliar sua rentabilidade. Atualmente, a comercialização do pinhão representa cerca de 10% da renda da propriedade, cuja principal atividade é o cultivo de erva-mate.

    “Para melhorar o preço que recebo pelo pinhão, tirei o atravessador e vendo direto ao cliente”, relata. Hoje, ele comercializa o produto por R$ 8 o quilo.

    Já o produtor Sílvio de Godoy ainda depende da venda para intermediários, o que reduz sua remuneração para R$ 6,40 por quilo. Assim, ele vê na nova estrutura uma oportunidade de aumentar os ganhos. “Espero um melhor rendimento com a agroindústria”, afirma.

  • FAB se pronuncia sobre OVNI flagrado em fazenda no Paraná

    FAB se pronuncia sobre OVNI flagrado em fazenda no Paraná

    A Força Aérea Brasileira (FAB) se pronunciou sobre o vídeo que ganhou grande repercussão nas redes sociais ao mostrar um suposto objeto voador não identificado (OVNI) no céu de Campo Largo, área rural de Curitiba (PR).

    As imagens foram registradas pelo influenciador Myke Leão na noite do último domingo (31). Desde então, o conteúdo tem despertado curiosidade e gerado debates entre internautas.

    Em nota oficial, a FAB informou, por meio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), que não detectou qualquer objeto desconhecido na região durante o período citado.

    “A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), informa que, no dia 31 de maio, nenhum objeto foi identificado pelos radares de defesa aérea ou reportado por aeroportos locais com informações de objetos desconhecidos. O controle do espaço aéreo ocorreu dentro da normalidade”, declarou o órgão.

     

    Registro mostra luzes agrupadas sobre uma área elevada — Foto: Instagram

    Leia mais: “Coisa mais linda que já vi”, disse influenciador após flagrar OVNI

    Entenda o caso

    Segundo Myke Leão, os acontecimentos começaram quando ele percebeu uma movimentação incomum de aeronaves sobrevoando o espaço aéreo próximo à sua residência.

    Além disso, o influenciador afirmou ter ouvido sons diferentes do habitual. De acordo com seu relato, os ruídos lembravam alguém se “engasgando” ou até mesmo uma “corda arrebentando”.

    Diante da sequência de eventos, ele decidiu observar o céu com mais atenção. Mais tarde, durante a noite, realizou gravações utilizando zoom e registrou o que acredita ser um possível OVNI.

    Nas imagens divulgadas, é possível observar um conjunto de luzes concentradas em um ponto elevado da região.

    Reprodução do objeto voador feita por Myke — (Foto: Instagram)

    Segundo objeto teria sido avistado

    Pouco depois do primeiro registro, o influenciador relatou ter identificado um segundo objeto no céu.

    Segundo ele, o suposto OVNI apresentava luzes vermelhas e parecia ser ainda maior do que o primeiro avistamento.

    Apesar da repercussão do vídeo, a FAB reforçou que não houve qualquer ocorrência registrada pelos sistemas de monitoramento aéreo nem comunicados de aeroportos da região sobre objetos desconhecidos.

  • “Coisa mais linda que já vi”, diz influenciador após flagrar OVNI em área rural

    “Coisa mais linda que já vi”, diz influenciador após flagrar OVNI em área rural

    Um suposto objeto voador não identificado (OVNI) registrado na zona rural de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, ganhou grande repercussão nas redes sociais nos últimos dias.

    A gravação foi feita pelo influenciador digital Mayk Leão, no início da noite de domingo (31), em uma área cercada por morros na direção de São Luiz do Purunã. Nas imagens, um ponto luminoso aparece sobre o relevo enquanto o rapaz tenta aproximar o enquadramento com o celular.

    Influenciador relatou movimentação estranha no sítio

    Antes de filmar o objeto, Mayk compartilhou vídeos mostrando animais agitados na propriedade e relatou que uma cerca elétrica havia sido derrubada. Além disso, o influenciador afirmou ter ouvido sons incomuns nas proximidades durante o dia.

    “Gente, tem algo aqui. Senhor. Meu Deus, o que é isso”, disse em uma sequência de vídeos publicados nas redes sociais.

    Já durante a noite, ele registrou uma luz brilhante sobrevoando a área de mata próxima à propriedade.

    https://www.instagram.com/reel/DZBU8a5udbU/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==

    Objeto teria permanecido parado por cerca de 20 minutos

    Segundo o jovem, o objeto permaneceu praticamente imóvel sobre uma região próxima a um rio.

    “Ele ficou parado no rio e apagou as ruas. É um rio, uma área fechada, de mata. Não tem nada ali. Ficou cerca de 20 minutos ali em cima do rio”, relatou.

    Mayk também afirmou que, após desaparecer momentaneamente, o objeto teria passado sobre sua residência. Posteriormente, ele publicou nas redes sociais um desenho representando como seria a suposta aeronave observada.

    De acordo com sua estimativa, o objeto teria entre 50 e 70 metros de comprimento.

    Reprodução do objeto voador — (Foto: Instagram)

    Ameaças e censura

    Após a grande repercussão, Mayk publicou um novo vídeo afirmando estar recebendo mensagens ofensivas e ameaças. Emocionado, ele relatou que parte dos ataques também teria atingido familiares.

    Segundo o influenciador, sua intenção nunca foi obter ganhos financeiros ou aumentar o engajamento nas redes sociais.

    Além disso, ele afirmou ter percebido supostas instabilidades no Instagram durante a divulgação do caso. De acordo com seu relato, algumas publicações relacionadas ao episódio teriam sido removidas pela plataforma. Até o momento, não há manifestação oficial da rede social sobre essas alegações.

     

  • Produção de tilápia no Brasil cresce; Paraná lidera ranking nacional

    Produção de tilápia no Brasil cresce; Paraná lidera ranking nacional

    O Paraná manteve a liderança na produção de tilápia no Brasil em 2025, com 273,1 mil toneladas, segundo dados da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). O volume representa um crescimento de 9,1% em relação a 2024 e reforça o protagonismo do estado no setor aquícola nacional.

    De acordo com o presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros, o avanço da produção reflete a atuação conjunta de cooperativas, agroindústrias e empresas privadas, além do uso crescente de tecnologia no campo.

    “O movimento liderado por cooperativas e empresas mostra a força do setor no Paraná. Fatores como inovação tecnológica, assistência técnica e organização produtiva têm impulsionado o crescimento de forma consistente nos últimos anos”, afirma.

    Ranking dos maiores produtores de tilápia

    Após o Paraná, São Paulo ocupa a segunda posição entre os maiores produtores de tilápia do país. Em 2025, o estado alcançou 93,7 mil toneladas, com avanço expressivo de 54% na comparação anual.

    Minas Gerais aparece na sequência, com produção de 77,5 mil toneladas, seguido por Santa Catarina (63,4 mil toneladas) e Maranhão (59,6 mil toneladas), que subiu uma posição e fechou o top 5 nacional.

    Crescimento regional e destaques do setor

    Entre os dez maiores produtores, o Maranhão registrou o maior crescimento percentual em 2025, com alta de 9,36%, superando inclusive o desempenho do Paraná.

    “O Maranhão tem mostrado um arranjo produtivo eficiente, que sustenta essa expansão nos últimos anos”, destaca Medeiros.

    Santa Catarina e Minas Gerais também apresentaram crescimento relevante, com aumentos de 7,28% e 6,46%, respectivamente.

    Outro destaque foi o Ceará, que ampliou sua produção em 29,3% e subiu para a 18ª posição no ranking nacional.

  • Operação apreende milhares de garrafas de vinho irregular e cervejas falsificadas

    Operação apreende milhares de garrafas de vinho irregular e cervejas falsificadas

    Uma operação conjunta entre a Polícia Civil do Paraná (PCPR) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apreendeu cerca de 8,4 mil garrafas de vinho irregular e um número ainda não contabilizado de cervejas com indícios de falsificação em um depósito de Curitiba na última terça-feira (13).

    O Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Paraná (Sipov/PR) e o Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais (Vigifronteiras) conduziram a ação, com apoio da Vigilância Sanitária Municipal, da Receita Estadual do Paraná e da Secretaria Municipal de Urbanismo. O alvo foi um galpão que funcionava como centro de armazenamento e distribuição de bebidas suspeitas destinadas a comércios e eventos na capital e na região metropolitana.

    Vinhos sem registro e sem rótulo

    Auditores fiscais federais agropecuários inspecionaram todas as bebidas armazenadas no local com base na legislação federal que regula produção, comercialização e rotulagem de vinhos e bebidas em geral. Os fiscais encontraram vinhos classificados como “vinho colonial” sem registro no Mapa e sem informações obrigatórias nos rótulos. Composição, lote, validade, marca e rastreabilidade estavam ausentes. Os responsáveis pelo depósito também não apresentaram notas fiscais de aquisição dos produtos.

    As garrafas apreendidas, dos sabores Bordô e Niágara, estavam acondicionadas em caixas com seis unidades de dois litros cada. Segundo o Mapa, a falta de identificação e rastreabilidade impede verificar a origem e a qualidade das bebidas, o que representa risco à saúde pública.

    O Mapa é o órgão responsável pelo registro e pela fiscalização de estabelecimentos produtores de bebidas no Brasil. Toda bebida comercializada no país deve vir de um estabelecimento previamente registrado no Ministério, e os rótulos precisam trazer o número de registro. Exigência que vale também para produtos coloniais e artesanais.

    Cervejas com rótulos adulterados

    A operação também encontrou diversas garrafas de cerveja com fortes indícios de falsificação. Rótulos mal colados, bolhas e rugosidades na embalagem, ausência de lote e validade e características incompatíveis com os padrões industriais das marcas indicam adulteração. As autoridades ainda apuram a quantidade exata de unidades.

    Um representante da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) participou da análise técnica. Amostras das bebidas seguiram para o Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Paraná, que vai elaborar o laudo pericial oficial.

    Preso em flagrante

    Agentes prenderam um homem em flagrante durante a operação. Ele pode responder pelos crimes de falsificação de produtos destinados ao consumo, receptação qualificada e crimes contra as relações de consumo. Os produtos permanecem apreendidos sob responsabilidade da autoridade policial, e uma eventual destruição depende de autorização judicial.

    O Mapa reforça que a fiscalização de bebidas protege a saúde do consumidor, garante a qualidade dos produtos no mercado e combate a concorrência desleal. E que a integração entre órgãos públicos é fundamental para enfrentar a circulação de bebidas clandestinas ou falsificadas no país.

  • Crise no leite: Câmara debate criação de fundo nacional e tarifas

    Crise no leite: Câmara debate criação de fundo nacional e tarifas

    Representantes do setor de produção de leite pressionaram o Congresso Nacional nesta quinta-feira (7) por medidas urgentes de proteção à produção nacional. Em audiência na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, produtores, cooperativas e entidades rurais defenderam a criação de um fundo nacional financiado com recursos do Imposto de Importação de produtos lácteos, além de tarifas compensatórias contra o que chamam de concorrência desleal de países do Mercosul.

    Deputado Welter (PT-PR). Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

    No centro do debate está o Projeto de Lei 431/26, apresentado em fevereiro pelo deputado Welter (PT-PR). A proposta cria um fundo destinado a financiar ações de fortalecimento da produção nacional, estabilidade econômica dos produtores e desenvolvimento sustentável do setor.

    Para o coordenador do ramo agropecuário da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Rodolfo Jordão, o mecanismo é essencial para garantir resiliência ao setor. “É um instrumento para que, nos momentos de crise, a gente consiga reagir e, nos de bonança, fortalecer a cadeia produtiva”, afirmou.

    Das 1.200 cooperativas agropecuárias existentes no país, 150 atuam na produção de leite e respondem por mais de 50% da produção nacional, o que evidencia o peso estratégico do setor para o agronegócio brasileiro.

    Dumping e importação clandestina: a ameaça que vem de fora

    O consultor da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ronei Volpi, revelou que a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) protocolou, há dois anos, um pedido formal de investigação antidumping junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sem resposta até o momento.

    Dumping é a prática de exportar produtos abaixo do custo de produção para conquistar mercados e eliminar concorrentes locais. “Se houve dumping, nós precisamos, antes tarde do que nunca, impor tarifas compensatórias para a importação do leite”, cobrou Volpi.

    Luis Corti: setor enfrenta custos elevados de produção e baixos preços pagos aos produtores. Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

    A situação é ainda mais grave no Paraná. O deputado estadual Luis Corti (PSD) informou que o estado, segundo maior produtor de leite do Brasil, já perdeu 40% de seus produtores. Ele denunciou que o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai chega ao Brasil para ser reidratado e, em alguns casos, entra clandestinamente próximo ao vencimento ou já vencido. “Como a polícia já denunciou, isso representa riscos reais à saúde pública”, alertou.

    Projetos em tramitação: o que muda para o produtor

    Além do fundo nacional, outros dois projetos foram debatidos na sessão:

    • PL 5738/25 — Já aprovado pela Comissão de Agricultura, proíbe a reconstituição de leite em pó importado para produção de leite líquido e queijo no Brasil.
    • PL 20/26 — Propõe a criação do Instituto Nacional do Leite, com foco no planejamento estratégico de toda a cadeia produtiva.
    • PLP 4/26 — Proíbe incentivos fiscais a empresas que utilizem leite em pó ou derivados importados em sua produção.
    Vânia Marques apontou riscos para agricultores familiares. Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

    A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais (Contag), Vânia Marques Pinto, foi enfática ao defender o instituto. “Se não houver medidas que garantam a criação de um fundo e de um instituto que planeje essa cadeia produtiva, num futuro próximo teremos uma redução significativa dos agricultores familiares que hoje produzem leite.”

    O que o governo já faz e o que o setor ainda cobra

    O diretor do Departamento de Assistência Técnica do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Marenilson Batista da Silva, destacou iniciativas em andamento, como a Rede ATER Leite, parceria entre o ministério e a Embrapa para transferência de tecnologias ao setor, e o programa Da Terra à Mesa, lançado no ano passado para fortalecer a agricultura familiar.

    Ainda assim, para o deputado Welter, as medidas em vigor são insuficientes diante da crise. “Temos que achar o caminho para uma política nacional do leite. A Câmara dos Deputados tem que dar uma resposta para esse setor”, disse o parlamentar.

    Os projetos seguem em análise nas comissões temáticas da Câmara.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Agricultores descobrem que o fruto da juçara vale mais do que o palmito ilegal

    Agricultores descobrem que o fruto da juçara vale mais do que o palmito ilegal

    Pequeno, roxo e nutritivo, o fruto da palmeira juçara (Euterpe edulis) conquista espaço crescente na gastronomia brasileira e desponta como alternativa econômica sustentável no litoral do Paraná. Historicamente devastada pelo corte ilegal para extração do palmito, a espécie, ameaçada de extinção, encontra no aproveitamento do seu fruto uma nova forma de protagonismo: gerar renda para agricultores familiares sem derrubar uma única árvore.

    O movimento ganha força com o projeto Paisagens Multifuncionais da Grande Reserva Mata Atlântica, conduzido pela SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental) e financiado pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP). A iniciativa promove o uso sustentável da juçara no território da Grande Reserva da Mata Atlântica (GRMA), bioma do qual resta pouco mais de 7% da cobertura original, parte significativa localizada justamente no litoral paranaense.

    “O fruto da juçara tem potencial de se tornar o principal produto da bioeconomia do litoral paranaense”, afirma Rodrigo Condé, coordenador de projetos da SPVS. Segundo ele, a versatilidade e a disponibilidade da espécie na região permitem integrá-la a sistemas agroflorestais, reduzindo a pressão pelo corte ilegal, sua principal ameaça.

    De sorvete a drink espumante: a juçara chega às cozinhas criativas

    Na gastronomia, o fruto aparece em preparos que vão de bolos, pães e sorvetes a molhos, pratos com peixe e bebidas sofisticadas. A coloração intensa e o sabor marcante diferenciam os produtos e ampliam o apelo comercial.

    O barista e influenciador digital Léo Oliva é um dos que experimenta a juçara em drinks para comercialização. “Por ter muitas antocianinas e taninos, a juçara me remete ao vinho. Tentei trazer essa referência com uma acidez diferente, semelhante à de um espumante, dentro de uma soda de juçara”, explica.

    Em Antonina, a empresária Maristela Mendes, fundadora da Bananina, produtora de balas tradicionais de banana, acaba de lançar uma versão com juçara. “Buscamos valorizar a juçara, que é típica da região e traz sabor e tonalidade roxa. O que agrega valor e contribui para incluir pequenos agricultores familiares”, diz ela, que aceitou o convite da SPVS para desenvolver o produto.

    Preservar compensa mais do que cortar

    A lógica econômica favorece a conservação. Enquanto o corte ilegal da palmeira para extração do palmito rende cerca de R$ 10 ao extrativista e ainda exige mais de oito anos para a espécie se regenerar, a venda da polpa do fruto pode atingir R$ 40 o quilo, com ganhos recorrentes a cada safra.

    “Não compensa cortar a palmeira, compensa preservá-la e coletar o fruto para comercialização”, resume Antonio Ozaki, o Tiba, da Cooperativa dos Pequenos Produtores Rurais de Antonina (ASPRAN), pioneira na despolpa da juçara no Paraná.

    Phablo Bittencourt, do Instituto Juçara, parceiro da SPVS na região desde 2012, reforça a vantagem do modelo. “Ao trabalhar somente com o fruto, além de manter a planta em pé, é possível explorá-la por anos após a frutificação. Assim, gerando renda de forma regular, sem riscos e com retorno muito superior”, explica.

    Cada palmeira produz, em média, até 3,5 kg de frutos por safra, podendo ultrapassar 10 kg em alguns casos. A coleta acontece de forma artesanal entre março e maio, e o processamento da polpa exige rapidez para preservar a qualidade.

    Cozinha laboratório impulsiona cadeia produtiva local

    O fortalecimento da cadeia produtiva da juçara já gera infraestrutura concreta na região. O BLP financia a criação de uma cozinha laboratório em Antonina dedicada a estudos e treinamentos com frutas nativas. Portanto, ampliando as oportunidades para agricultores familiares do litoral paranaense.

    “Essa cozinha está se moldando para ser um espaço coletivo e comunitário para a juçara, que oferece um alimento riquíssimo”, comenta Rayen Mourão, agrofloresteira e moradora de Morretes, integrante do Coletivo de Convivências Agroecológicas do Litoral Paranaense (CCA) e participante do projeto de agroflorestas BioSAF, em parceria com a SPVS.

  • Você sabia que há um refúgio de gatos selvagens no Brasil?

    Você sabia que há um refúgio de gatos selvagens no Brasil?

    No interior do Paraná, um espaço pouco conhecido reúne alguns dos felinos mais raros da fauna brasileira. O Parque Ecológico Klabin, em Telêmaco Borba, se consolidou como área estratégica para conservação, pesquisa e reabilitação de espécies ameaçadas, com destaque para os chamados gatos selvagens.

    Entre eles estão o gato-maracajá e o gato-do-mato-pequeno, espécies nativas que enfrentam pressão crescente na natureza, seja pela perda de habitat ou por conflitos com atividades humanas. No parque, esses animais não aparecem apenas como atração. Eles ocupam papel central em programas técnicos de manejo e conservação.

    O gato-do-mato-pequeno é um dos menores felinos do Brasil, de hábitos discretos e majoritariamente noturnos. (Foto: @bioklabin)

    Felinos são o centro da estratégia

    A Klabin utiliza o parque como base para monitoramento e estudo desses felinos, com acompanhamento especializado e estrutura voltada ao bem-estar e à reprodução. Em comunicações recentes, a empresa destacou a presença de diferentes espécies de gatos selvagens como um dos principais diferenciais do espaço.

    Um exemplo desse trabalho envolve a chegada de um casal de gato-maracajá, resultado de intercâmbio com o Refúgio Biológico Bela Vista, ligado à Itaipu Binacional. A iniciativa integra esforços para fortalecer programas de reprodução e ampliar as chances de conservação da espécie.

    O gato-maracajá é um felino ágil e arborícola da fauna brasileira, conhecido pela habilidade de se movimentar entre as árvores e pela pelagem marcada que favorece sua camuflagem na mata.
    (Foto: @bioklabin)

    Mais do que abrigo, um elo com a biodiversidade

    A presença desses animais tem impacto direto na preservação da biodiversidade regional. O parque funciona como ambiente controlado onde espécies ameaçadas podem se recuperar, se reproduzir e contribuir para estratégias mais amplas de conservação.

    O gato-mourisco é um felino de porte médio e hábitos mais terrestres, reconhecido pela pelagem uniforme e pela capacidade de se adaptar a diferentes ambientes, do cerrado às áreas florestais. (Foto: @bioklabin)

    Esse tipo de trabalho exige estrutura contínua, decisões técnicas e acompanhamento rigoroso. Sem esse suporte, animais resgatados ou mantidos em cativeiro perdem relevância ambiental e deixam de cumprir seu papel ecológico.

    Experiência que vai além da visita

    Para o público, a visita ao parque oferece mais do que a observação de animais. O espaço aposta em educação ambiental e organiza o acesso em horários controlados, o que reduz o estresse dos bichos e reforça a proposta de conservação.

    Nesse cenário, os gatos selvagens se tornam o símbolo mais forte do local. Chamam atenção pela raridade, mas principalmente pelo que representam. Um retrato da fauna brasileira que ainda depende de iniciativas técnicas e estruturadas para continuar existindo.