Câmeras de monitoramento do Instituto Homem Pantaneiro registraram um momento raro e impressionante no Pantanal. Um grupo de queixadas perseguiu a onça-pintada Acuri, um macho que frequenta a reserva da RPPN Acurizal.
Esse comportamento chama atenção, mas faz parte da dinâmica natural entre predadores e presas. As queixadas vivem em grandes bandos. Quando se sentem ameaçadas, elas se juntam para afastar até grandes felinos.
Acuri é um macho conhecido da região, onde a onça-pintada domina o topo da cadeia alimentar. Mesmo assim, as queixadas demonstraram coragem e uma estratégia eficaz para proteção.
Esse tipo de reação coletiva ajuda a equilibrar o ecossistema, mostrando a força dos grupos de presas na defesa contra predadores. O registro também traz uma nova visão sobre a interação entre essas espécies no Pantanal.
O Instituto Homem Pantaneiro monitora diversas áreas da região, documentando comportamentos que são fundamentais para entender a vida selvagem local. O flagrante reforça a importância da conservação dos habitats naturais.
Um registro extraordinário da vida selvagem pantaneira chamou atenção nas redes sociais no último fim de semana. A onça-pintada conhecida como “Medrosa” protagonizou uma cena impressionante no Parque Estadual Encontro das Águas, localizado no Pantanal mato-grossense.
O biólogo e guia especializado Ailton Lara, acompanhado pelo piloto de barco Gabriel Felipe, capturou o momento exato em que a fêmea de 9 anos e aproximadamente 90 quilos saltou de uma árvore diretamente no rio. A onça surpreendeu um jacaré antes de nadar em direção à margem.
O passeio também mostraoutro momento marcante: o macho “Bororo” capturando um jacaré em uma gravação separada. Os registros destacam a habilidade natural desses predadores e sua adaptação ao ambiente aquático do Pantanal.
Ailton Lara é reconhecido como um dos melhores guias especializados em turismo de observação de onças no Pantanal. O biólogo combina conhecimento científico com experiência prática para oferecer tours de alta qualidade na região.
Lara demonstra impressionante conhecimento da vida selvagem local, conseguindo “chamar” jaguatiricas e identificar a presença de onças através do comportamento de outros animais, como capivaras. Sua expertise permite aos visitantes experiências únicas de observação da fauna pantaneira.
O profissional opera principalmente no Pantanal Jaguar Camp, localizado em Porto Jofre, região considerada estratégica para avistamento de onças-pintadas.
Porto Jofre: destino mundial para observação de onças
O Parque Estadual “Encontro das Águas”, localizado no encontro dos rios Cuiabá e Piquiri na região do Porto Jofre, abriga hoje a maior quantidade de onças pintadas do mundo. Este território tornou-se referência internacional para turismo de observação da espécie.
Porto Jofre situa-se no final da Estrada Transpantaneira, no km 147, na divisa entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A localização estratégica facilita o acesso aos rios onde as onças costumam caçar e descansar.
A observação de onças-pintadas envolve safaris fluviais e terrestres, sempre conduzidos por especialistas locais. Os passeios percorrem diversos rios da região, incluindo Cuiabá, Três Irmãos, Corixo Negro, Piquiri e Negrinho.
Crescimento da população de onças
Moradores locais relatam que nos últimos cinco anos a população de onças-pintadas aumentou significativamente na região. O crescimento populacional favorece as chances de avistamento durante os passeios turísticos.
Foto: Ailton Lara/Instagram
O turismo de observação contribui diretamente para a conservação da espécie. As atividades geram renda para comunidades locais e incentivam a preservação do habitat natural das onças.
Experiência completa no pantanal
Diversos hotéis e pousadas especializaram-se em safaris fluviais para observação das onças. Os estabelecimentos oferecem infraestrutura completa, incluindo campos de pouso para facilitar o acesso à região.
O Pantanal concentra 65% de seu território em solo brasileiro, formando uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta. A biodiversidade local inclui, além das onças, centenas de espécies de aves, mamíferos e répteis.
Os registros de Ailton Lara demonstram a importância do turismo científico responsável. Essas imagens educam o público sobre o comportamento natural dos predadores e valorizam a conservação do Pantanal como patrimônio natural brasileiro.
O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) do Rio de Janeiro registrou a aparição de uma onça-pintada no Parque Estadual da Serra da Concórdia, em Valença, a 220 km da capital. O felino macho adulto é o primeiro visto no estado desde a década de 1970.
Pesquisadores associam o desaparecimento da espécie ao avanço urbanístico sobre áreas de mata. Agora, especialistas do governo estadual atribuem o retorno ao aumento da cobertura da vegetação nativa da Mata Atlântica, que passou de 30% para 32% entre 1985 e 2024.
O animal está sendo monitorado desde dezembro de 2024, utilizando câmeras do Inea e do projeto Aventura Animal, parceiro do órgão. Técnicos analisam as imagens e rastros deixados pela onça, como pegadas e fezes. A dieta identificada inclui capivaras, catetos (porco-do-mato) e tapitis (coelho-do-mato).
Até o momento, o Inea não registrou nenhum ataque a animais domésticos ou de criação na região. A espécie é considerada ameaçada de extinção e a população estimada na Mata Atlântica conta com menos de 300 indivíduos.
Monitoramento
O governo do estado planeja, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), uma captura temporária para colocar um colar de monitoramento e realizar exames laboratoriais. O objetivo é acompanhar os hábitos do animal e proteger sua sobrevivência.
O Inea também desenvolve um plano de educação ambiental para a população local. Educadores e agentes de fiscalização orientam a comunidade sobre a importância da preservação da onça-pintada. O instituto alerta para que moradores não tentem fotografar ou atrair o animal com comida ou objetos. Pois ele mantém hábitos discretos e evita contato com pessoas.
Foto: Divulgação Inea
“Estamos garantindo o monitoramento e a proteção da onça, além de trabalhar para a segurança da população”, disse Bernardo Rossi, secretário estadual do Ambiente e Sustentabilidade.
O avanço da cobertura de vegetação no estado é um case positivo de conservação. A meta é ampliar a Mata Atlântica para 40% até 2050, restaurando cerca de 400 mil hectares e contribuindo para a absorção de 159 milhões de toneladas de CO².
Um encontro raro e surpreendente entre uma tamanduá-bandeira e uma família de onças-pintadas foi registrado no Refúgio Ecológico Caiman, no Mato Grosso do Sul. O biólogo e guia do Onçafari, Bruno Sartori Reis, acompanhava um grupo de turistas quando testemunhou uma cena inusitada: a onça-pintada Aroeira e seus dois filhotes, Jatobá e Jacarandá, recuaram diante da coragem de uma fêmea de tamanduá-bandeira, que os afugentou com vocalizações intensas e postura agressiva.
“Ela veio em cima da Aroeira e dos filhotes, colocando todo mundo para correr”, relatou Bruno ao Conexão Planeta. Segundo ele, os felinos, que inicialmente pareciam curiosos com o tamanduá, recuaram diante da reação inesperada. “Não era uma tentativa de caça, mas sim uma curiosidade natural dos filhotes”, explicou.
Tamanduás: presas difíceis para onças
Embora as onças-pintadas considerem os tamanduás-bandeira como presas em potencial, esses animais oferecem uma defesa formidável. Com garras afiadas nas patas dianteiras e um instinto protetor aguçado – especialmente quando acompanhados por filhotes –, eles podem se tornar adversários perigosos. “O tamanduá encara a onça, usa suas garras e não é uma presa fácil”, destacou Bruno, que já presenciou outros episódios semelhantes, mas nunca com três onças envolvidas.
Gigantes em risco
O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) é o maior representante da família dos tamanduás, podendo atingir até 2 metros de comprimento (incluindo a cauda) e 40 kg. Esses animais solitários, típicos de biomas como o Cerrado e o Pantanal, alimentam-se principalmente de formigas e cupins, usando sua língua longa e pegajosa para capturar as presas.
Apesar de sua força e comportamento defensivo, a espécie está classificada como “vulnerável” pela IUCN, devido à perda de habitat e atropelamentos. Encontros como o registrado em Caiman reforçam a importância da conservação desses animais únicos, que desempenham um papel crucial no equilíbrio ecológico.
Um novo registro extraordinário de Arruda Branco mostra mais uma vez a supremacia da onça-pintada sobre o jacaré. O documentarista capturou um combate intenso entre os dois predadores dentro da água. O felino demonstra força impressionante ao dominar o réptil em seu próprio habitat.
A onça surpreende pela agilidade aquática. O animal mergulha sem hesitação e agarra o jacaré com precisão mortal. O confronto revela a adaptabilidade única deste felino brasileiro.
Os registros de Arruda Branco transformaram a internet. Cada vídeo de onça caçando jacaré alcança milhões de reproduções nas redes sociais. O público mundial se fascina com estes encontros selvagens no Pantanal.
A audiência cresce exponencialmente a cada novo registro. Especialistas em vida selvagem elogiam a qualidade técnica das filmagens. Os vídeos educam sobre comportamentos naturais raramente documentados.
Turistas procuram experiências similares no Pantanal. A região registra aumento significativo de visitantes interessados em avistar onças. Operadoras de turismo relatam crescimento na demanda por safáris fotográficos.
Documentarista captura comportamentos raros da vida selvagem
Arruda Branco dedica anos ao estudo da onça-pintada. O fotógrafo e cinegrafista conhece profundamente os hábitos destes felinos. Sua experiência permite capturar momentos únicos da natureza selvagem.
O documentarista utiliza equipamentos profissionais de última geração. Câmeras com zoom potente registram detalhes impressionantes dos combates. A qualidade das imagens rivaliza com grandes produções internacionais.
Cada expedição exige paciência e conhecimento técnico. Arruda Branco passa horas aguardando o momento perfeito. O resultado são registros que impressionam cientistas e leigos igualmente.
Os vídeos contribuem para pesquisas científicas sobre predação. Universidades utilizam as imagens para estudar comportamento animal. A documentação serve como material educativo valioso para conservação.
Pantanal se consolida como palco natural espetacular
O bioma pantaneiro oferece cenários únicos para estes encontros. A região concentra a maior população de onças das Américas. Jacarés abundam nos rios e lagoas da planície alagável.
A interação entre predadores cria espetáculos naturais raros. Outros documentaristas tentam replicar o sucesso de Arruda Branco. Poucos conseguem capturar momentos com igual intensidade dramática.
A conservação do Pantanal garante a continuidade destes registros. Organizações ambientais destacam a importância da preservação. O ecoturismo fortalece a economia local e protege a biodiversidade.
Um vídeo gravado no Pantanal do Mato Grosso registrou o momento em que uma onça-pintada dá um bote preciso e captura um jacaré. A cena, filmada às margens de um rio, mostra a habilidade do maior felino das Américas em ação e já se espalhou nas redes sociais.
As imagens revelam a onça se preparando silenciosamente antes de atacar o réptil com um movimento rápido. O vídeo impressionante registra o momento exato do ataque às margens de um rio. E pela tranqüilidade da onça, que não se incomoda com os turistas acompanhando.
O registro emocionou internautas e especialistas, que destacam o equilíbrio delicado da vida selvagem no Pantanal. Cenas como essa lembram por que o Brasil precisa proteger seus tesouros naturais.
A região abriga uma das maiores concentrações de vida selvagem do planeta.
O bioma é conhecido por sua biodiversidade, e abriga uma das maiores populações de onças-pintadas do mundo. O vídeo reforça a importância da preservação desse ecossistema, ameaçado por queimadas e desmatamento.
O Pantanal enfrenta constantes ameaças de desmatamento e queimadas. A proteção do bioma garante a sobrevivência de espécies como a onça-pintada.
Uma onça-pintada demonstrou suas impressionantes habilidades aquáticas ao mergulhar por mais de 30 segundos e emergir com um jacaré firmemente preso em sua mandíbula. O registro foi feito por Branco Arruda (@arrudabranco) no Pantanal, bioma que abriga a maior concentração desses felinos no mundo.
A onça-pintada (Panthera onca) é o único felino do mundo que regularmente caça na água. Sua habilidade de nadar é excepcional em comparação com outros felinos, o que lhe permite caçar presas aquáticas, como peixes e jacarés.
Este comportamento aquático diferencia a espécie de todos os outros grandes felinos. Enquanto leões, tigres e leopardos evitam a água, a onça-pintada a utiliza como ferramenta de caça estratégica.
As onças pintadas possuem mandíbulas excepcionalmente fortes, apresentando as mais poderosas mordidas dentre todos os grandes felinos. Proporcionalmente, levando em conta seu peso e tamanho do crânio, a onça-pintada tem a mordida mais forte do mundo, ultrapassando felinos como o tigre e o leão.
Sua mordida é considerada uma das mais fortes do reino animal. A mandíbula desse animal é tão forte que é capaz de perfurar facilmente a carapaça de uma tartaruga e quebrar cascos de répteis.
Estratégia de caça eficiente
Atacam geralmente a cabeça e o pescoço do animal que pode morrer na hora por lesões cerebrais. Esta técnica garante que a presa seja neutralizada rapidamente, evitando ferimentos ao predador.
A onça-pintada utiliza o elemento surpresa como principal estratégia. Em imagens gravadas, é possível ver a onça esperando em cima de uma árvore para dar o bote no jacaré que nada tranquilamente em rio.
São animais solitários e noturnos, o que torna avistá-las uma tarefa desafiadora. Este comportamento esquivo torna registros como o de Branco Arruda ainda mais valiosos para a pesquisa científica.
A presença da onça-pintada no Pantanal indica um ecossistema saudável. Como predador de topo, ela controla as populações de herbívoros e mantém o equilíbrio da cadeia alimentar.
Conservação da espécie
A onça-pintada é considerada “quase ameaçada” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A perda de habitat e conflitos com atividades humanas representam as principais ameaças à espécie.
O Pantanal brasileiro concentra cerca de 17% da população mundial de onças-pintadas, tornando a região fundamental para a conservação da espécie. Registros como este demonstram a importância da preservação deste bioma único.
Fisicamente semelhante ao leopardo, dele se diferencia pelo padrão de manchas na pele e pelo maior tamanho. A onça-pintada é o maior felino das Américas e o terceiro maior do mundo, perdendo apenas para tigres e leões.
As onças-pintadas também têm mandíbulas e dentes enormes e a força de mordida mais forte de todos os grandes felinos, características que permitem sua estratégia de caça única contra presas com carapaças resistentes como jacarés e tartarugas.
Quem é Branco Arruda?
Branco Arruda é um fotógrafo e guia turístico brasileiro especializado em vida selvagem, reconhecido nacional e internacionalmente por seus registros impressionantes da fauna pantaneira. Atua há mais de 15 anos como guia no Pantanal mato-grossense, consolidando-se como uma das principais referências em fotografia de natureza da região.
Conhecido por sua habilidade em capturar momentos únicos da vida selvagem, Arruda desenvolveu uma especialização particular em fotografar onças-pintadas. Com um portfólio repleto de fotos que falam por si mesmas, Arruda Branco continua a encantar amantes da natureza e da fotografia.
Sua expertise combina conhecimento técnico fotográfico com profundo entendimento do comportamento animal, permitindo antecipar e capturar cenas raras que poucos profissionais conseguem registrar.
Arruda mantém presença ativa no Instagram (@arrudabranco), onde compartilha seus registros e conquista reconhecimento de amantes da vida selvagem. Branco Arruda compartilhou o registro em suas redes sociais, e o vídeo logo ganhou destaque entre amantes da vida selvagem.
Para ele, mais do que uma foto, o momento representa uma lição: “A natureza não precisa de filtros ou efeitos. Ela é espetacular por si só.”
Era agosto de 2024. O Pantanal pegava fogo, mais uma vez. Com a fumaça densa e a vegetação seca, os animais corriam como podiam ou nem isso. Foi nesse cenário que Miranda, uma jovem onça-pintada, apareceu: ferida, exausta e encolhida dentro de uma manilha de concreto, no município de Miranda, em Mato Grosso do Sul.
Estava queimada nas quatro patas. A pele chamuscada. As patas em carne viva. Tinha, na época, pouco mais de dois anos. Jovem demais para morrer daquele jeito. Mas, ao contrário do que parecia, aquela onça ainda não estava pronta para desistir.
O resgate durou 26 horas
Veterinários, bombeiros, biólogos. Gente experiente, acostumada a ver de tudo. Mas o resgate de Miranda foi diferente. A operação começou de madrugada e só terminou no fim da tarde. Foram quase 26 horas de tensão, silêncio e cuidado extremo.
Depois da sedação, veio a corrida contra o tempo. Ela foi levada para o Centro de Recuperação de Animais Silvestres (CRAS), em Campo Grande. Chegou com as patas queimadas até o osso. Ninguém sabia se iria sobreviver.
Tratamento diário, dor e paciência
Durante mais de 40 dias, Miranda foi tratada com tudo o que a medicina veterinária podia oferecer. Curativos todos os dias, pomadas cicatrizantes, sessões de ozonioterapia e muita paciência.
Foto: Alvaro Rezende
Ela não se rendia. Mesmo com dor, aceitava a comida, reagia aos cuidados e, aos poucos, voltava a caminhar. Cada passo era uma conquista.
Os profissionais evitavam criar expectativas. Mas, no fundo, torciam. E torciam muito.
De volta à mata com um segredo
Quando foi solta de novo no Pantanal, em setembro, Miranda já estava inteira. Havia vencido a fase mais crítica da recuperação. Na ocasião, recebeu um colar com GPS, o que permitiu que fosse monitorada à distância, sem interferências diretas em sua rotina. A partir dali, retomou sua liberdade e seguiu seu caminho pela mata.
No entanto, nos meses seguintes, a equipe da ONG Onçafari começou a perceber algo diferente. Ao contrário do que acontece com animais recém-reintroduzidos, Miranda não vagava grandes distâncias. Em vez disso, ela havia escolhido uma área de mata fechada e permanecia por ali, dia após dia, sempre circulando em torno de pontos muito próximos.
Esse padrão, aliás, chamou a atenção justamente por destoar do comportamento típico de onças em fase de readaptação. Por isso, os especialistas passaram a suspeitar de algo a mais.
Esse comportamento era conhecido. As fêmeas costumam agir assim quando têm filhotes. Mas ninguém queria se antecipar. Era cedo demais para comemorar.
A surpresa que emocionou o país
Demorou. Mas, um dia, as imagens vieram. As câmeras instaladas na mata captaram Miranda caminhando com um filhote. Pequeno, curioso, seguindo os passos da mãe.
O registro correu o país. Era mais do que uma boa notícia. Era um milagre.
Miranda, que quase morreu no fogo, tinha sobrevivido. Mais do que isso: tinha gerado vida.
Um símbolo da resistência pantaneira
A história de Miranda é o retrato do Pantanal em tempos difíceis. Ela resistiu às chamas, às dores, ao confinamento, ao medo e voltou à mata mais forte do que saiu.
Sua sobrevivência é mérito de quem agiu rápido. Mas também é um lembrete: sem prevenção, sem fiscalização, sem investimento, o Pantanal vai continuar sangrando.
Porque, no fim, Miranda sobreviveu. Mas nem todos os bichos têm a mesma sorte.
Fazendeiros do Pantanal têm recorrido ao uso de búfalos como estratégia para proteger rebanhos bovinos contra ataques de onças-pintadas. A prática consiste em introduzir búfalos junto ao gado, especialmente próximos a matas ciliares, formando uma espécie de “barreira de proteção” natural. Diferentemente dos bovinos, que costumam fugir e se tornam presas fáceis, os búfalos reagem em grupo diante da presença do predador, chegando a enfrentar e espantar as onças.
Na Fazenda Porto Jofre, por exemplo, o proprietário relata que, após adotar a convivência de 20 búfalos com cerca de 300 cabeças de gado nelore, deixou de perder aproximadamente 70 bezerros por ano devido à predação. Os búfalos, mais pesados e agressivos, cercam os filhotes e intimidam as onças, reduzindo os ataques.
Falta comprovação
Apesar dos relatos de sucesso, especialistas alertam para a ausência de comprovação científica de que a presença dos búfalos realmente diminua as mortes de bovinos. Segundo veterinários e pesquisadores, o instinto de proteção deles é mais voltado para indivíduos da própria espécie, e não necessariamente se estende ao gado. Além disso, a criação de búfalos traz riscos ambientais e sanitários: animais que escapam do manejo podem formar bandos selvagens, sem predadores naturais, causando impactos como assoreamento de rios, transmissão de doenças e competição com espécies nativas.
Outro desafio é o manejo. Os búfalos exigem contato diário para se manterem dóceis, e a cultura local do Pantanal, baseada em criação extensiva, dificulta esse controle.
Portanto, embora a ideia de usar búfalos como proteção contra onças tenha ganhado espaço entre alguns produtores, não há consenso sobre sua eficácia e segurança. Assim, a recomendação de especialistas é que a decisão seja tomada com cautela, considerando os potenciais impactos ambientais, sanitários e de manejo na região.
Uma cena impressionante da natureza brasileira está viralizando nas redes sociais. Um vídeo mostra o momento exato em que uma onça-pintada salta na água para atacar um jacaré, protagonizando um dos confrontos mais impactantes da vida selvagem. O registro foi feito por Ítalo Garcia Alves, criador do perfil Roceiro Viajante, após 4 horas e 11 minutos de espera paciente à beira de um rio.
Nas imagens, a onça surge sorrateira, mergulha de surpresa e ataca o jacaré. O embate nas águas é tenso, com direito a mordidas, resistência e tentativas de fuga. Apesar da técnica e da força da onça, o jacaré consegue se livrar e escapar — o que obriga a felina a retomar a caçada.
Quem é Roceiro Viajante, o autor do vídeo viral?
Por trás desse flagrante está Ítalo Garcia Alves, conhecido como Roceiro Viajante, um dos maiores criadores de conteúdo sobre vida selvagem no Brasil.
Atualmente morando na Dinamarca, Ítalo mantém uma forte conexão com o Brasil e viaja com frequência para registrar a biodiversidade nacional. Seu trabalho mistura aventura, conservação ambiental e storytelling, atraindo milhares de seguidores nas redes.
Italo Garcia Alves, criador da conta Roceiro Viajante. Foto: Redes Sociais
Ítalo registra onças, jacarés e diversos outros animais em seus flagras, além de produzir alguns dos vídeos mais assistidos sobre fenômenos naturais — como a aurora boreal — durante suas viagens pelo norte da Europa.
A importância do flagrante para a preservação da natureza
O vídeo não é apenas um espetáculo da vida selvagem. Ele reforça a importância da onça-pintada (Panthera onca) como predador de topo, essencial para o equilíbrio dos ecossistemas, especialmente no Pantanal, na Amazônia e no Cerrado.
Esse tipo de registro ajuda a conscientizar sobre a necessidade de preservar nossos biomas, muitas vezes ameaçados pelo desmatamento, queimadas e atividades ilegais.
Quem vence: onça ou jacaré? Entenda esse duelo na natureza
• 🐆 A onça-pintada é o maior felino das Américas e tem a mordida mais poderosa entre todos os felinos, capaz de perfurar até carapaças de tartarugas.
• 🐊 Já o jacaré possui uma mordida extremamente forte, couro grosso e uma capacidade incrível de resistência na água.
• ✅ Na natureza, o desfecho depende de vários fatores: tamanho, idade, surpresa no ataque e até da sorte. No vídeo, apesar da força da onça, o jacaré escapou — mostrando que na selva não existe vitória garantida.
O vídeo completo foi publicado no perfil oficial do @roceiroviajante no Instagram. E também está disponível em outras redes sociais do criador.