Tag: onça-pintada

  • Onça-pintada que interpretou Maria Marruá em ‘Pantanal’ espera filhotes em Goiás

    Onça-pintada que interpretou Maria Marruá em ‘Pantanal’ espera filhotes em Goiás

    Mati, a onça-pintada que ficou conhecida nacionalmente após participar do remake de Pantanal, está prenha. O animal vive atualmente sob os cuidados do Instituto NEX No Extinction, em Corumbá de Goiás (GO).

    A gestação foi anunciada pelo instituto em 21 de agosto. Segundo a equipe responsável por Mati, ela já estava com pouco mais de 80 dias de gestação.

    Como a gestação de uma onça-pintada dura aproximadamente 100 a 110 dias, a estimativa do NEX é que os filhotes nasçam em até 20 dias após o anúncio.

    https://www.instagram.com/reel/DcJ-kgcv4sb/?utm_source=ig_web_copy_link&igsi=NTc4MTIwNjQ2YQ==

    Gestação de Mati faz parte de trabalho de conservação

    A gravidez vai além da curiosidade em torno da antiga estrela da televisão. Mati integra um trabalho voltado à conservação da onça-pintada e à manutenção de uma população geneticamente saudável sob cuidados humanos.

    O Instituto NEX destacou que o animal tem origem ligada ao Cerrado, o que aumenta sua relevância para os esforços de conservação da espécie nesse bioma.

    Mati vive no criadouro conservacionista do instituto, localizado em Corumbá de Goiás, a cerca de 110 quilômetros de Goiânia.

    Esta é a segunda gestação da onça, segundo informações divulgadas pelo NEX. Durante esse período, ela é acompanhada pela equipe responsável, inclusive com atenção à alimentação.

    Estrela de Pantanal

    Mati ficou conhecida do grande público em 2022, quando participou do remake de Pantanal, exibido pela TV Globo.

    Na novela, a onça aparecia nas sequências que representavam as transformações de Maria Marruá e Juma Marruá, personagens interpretadas por Juliana Paes e Alanis Guillen, respectivamente.

    Matí é a onça-pintada que estrela ‘Pantanal’ (Foto: Divulgação/Instituto NEX)

    Daniela Gianni, coordenadora de Projetos e Atividades do instituto, revela que Mati nasceu em cativeiro e viveu durante toda a vida sob cuidados humanos. Antes de participar da produção, ela passou por um período de preparação.

    “Foram necessários oito meses de condicionamento intenso, todos os dias, para que ela pudesse executar as cenas sem gerar estresse para ela”, explicou Daniela.

    Segundo o NEX, a onça foi encontrada sozinha e resgatada em uma rodovia quando ainda era um filhote. Ela teria crescido cercada de humanos, o que impossibilitaria sua soltura na natureza. mas também tornou possível sua participação na novela.

    Além disso, a atriz Juliana Paes também deu mais detalhes de como foi contracenar com Matí para a novela.

    “A gravação com a onça foi diferente porque nós tivemos interação com a Matí. Foi cercada de protocolos e muito cuidado para não estressar o animal. A emoção com a onça foi a emoção de criar um contato íntimo com o bicho através do olhar.”

    A proximidade entre as duas na cena, porém, foi feita através de computação gráfica e efeitos visuais.

  • Onça-vidente aposta em derrota do Brasil contra o Haiti

    Onça-vidente aposta em derrota do Brasil contra o Haiti

    Uma brincadeira realizada no Gramado Zoo, no Rio Grande do Sul, viralizou nas redes às vésperas de mais uma partida da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026. Desta vez, a onça-pintada que costuma participar da atividade indicou um resultado desfavorável para o Brasil no confronto contra o Haiti, marcado para esta sexta-feira (19).

    Segundo o zoológico, a onça chegou a se aproximar da caixa do Brasil, mas acabou escolhendo a que representava o Haiti, indicando uma possível vitória da equipe adversária.

    A onça ficou famosa por acertar os resultados dos jogos do Brasil durante a Copa de 2022 e também o placar do amistoso mais recente da seleção contra o Marrocos — Foto: Reprodução/Gramado Zoo

    A bióloga Tathiana Gosaric de Barros, responsável técnica pelo Gramado Zoo, destaca que não existe qualquer comprovação científica para esse tipo de previsão.

    “Não há evidências científicas de que a onça-pintada possua algum tipo de capacidade sensitiva para prever acontecimentos, como o resultado de uma partida de futebol. O que observamos durante essas atividades são comportamentos naturais de exploração e interação com os estímulos oferecidos”.

    Como funciona a dinâmica

    Para realizar a atividade, os tratadores posicionam duas caixas de papelão contendo iscas de carne. Uma delas recebe a bandeira da Seleção Brasileira, enquanto a outra é identificada com a bandeira do país adversário.

    Em seguida, a onça é liberada no recinto e escolhe uma das opções. A seleção feita pelo animal é interpretada como um palpite para o resultado da partida.

    Além disso, a ação integra o programa de enriquecimento ambiental desenvolvido pelo zoológico. O principal objetivo é estimular comportamentos naturais da espécie e promover o bem-estar animal.

    Acertou tudo

    A onça-pintada foi transferida para o Gramado Zoo em 2012, onde permanece sob cuidados especializados.

    Durante a Copa do Mundo de 2022, a fêmea escolheu a caixa do Brasil antes da estreia da seleção. Na ocasião, o palpite coincidiu com a vitória brasileira por 2 a 0 sobre a Sérvia.

    Fêmea já previu vitória da Croácia sobre o Brasil, em 2022 — Foto: Reprodução/Gramado Zoo

    O zoológico também repetiu a experiência para a partida diante de Camarões. Dessa vez, a onça demonstrou indecisão, aproximando-se das duas caixas antes de fazer a escolha. O resultado em campo foi a derrota do Brasil por 1 a 0.

    Agora, a expectativa é acompanhar se o novo palpite se confirmará. A Seleção Brasileira enfrenta o Haiti às 21h30 (horário de Brasília), no estádio Lincoln Financial Field, na Filadélfia, nos Estados Unidos.

  • Onça-pintada doa sangue em procedimento inédito no Brasil

    Onça-pintada doa sangue em procedimento inédito no Brasil

    Uma ação conjunta entre especialistas do Zoológico de São Paulo e da Unesp de Botucatu resultou em um marco para a medicina veterinária de animais silvestres no Brasil. As instituições realizaram a primeira transfusão de sangue entre onças-pintadas registrada no país, em um procedimento que ajudou a estabilizar um animal em estado crítico.

    A doadora foi Ruana, uma onça-pintada fêmea de quatro anos que vive no Simba Safari. Ela cedeu 800 mililitros de sangue para Jack, um macho de 18 anos que enfrenta uma doença renal crônica. O procedimento foi considerado bem-sucedido e representa um avanço importante para o atendimento clínico de grandes felinos.

    Onça-pintada Jack, de Sorocaba (SP), sedado para a realização da primeira transfusão de sangue da espécie no Brasil — Foto: Zoo São Paulo/Divulgação

    Além disso, a iniciativa envolveu uma operação logística cuidadosa. A coleta ocorreu no hospital veterinário do Zoo São Paulo, e as bolsas de sangue foram transportadas sob rígido controle até o Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens (CEMPAS), em Botucatu, onde Jack recebeu a transfusão.

    Procedimento pioneiro auxilia tratamento de onça idosa

    O caso entrou para a história por ser o primeiro relato de uma transfusão sanguínea entre indivíduos da espécie realizada em território brasileiro.

    Jack, que recebeu o sangue, tem 18 anos, uma idade considerada avançada para a espécie. O animal sofre com um quadro de insuficiência renal e necessitava de suporte emergencial para continuar o tratamento, que inclui sessões de hemodiálise.

    Por outro lado, Ruana foi escolhida como doadora após avaliações que confirmaram seu excelente estado de saúde. Após a coleta, ela passou por uma série de exames complementares, incluindo avaliações de imagem e odontológicas.

    Ruana contribuiu com cerca de 800 ml de sangue para Jack — Foto: Zoo São Paulo/Leandro Ferreira Amaral

    A recuperação dos dois felinos apresentou resultados positivos. Enquanto Ruana retornou normalmente à sua rotina, Jack demonstrou melhora em aspectos importantes, como alimentação e postura.

    Além do impacto imediato no tratamento, as equipes envolvidas pretendem publicar um relato científico conjunto sobre o caso. Dessa forma, o procedimento poderá servir de referência para futuros atendimentos clínicos de onças-pintadas no Brasil.

    “A iniciativa reforça a importância da cooperação entre instituições na promoção da saúde e do bem-estar de animais sob cuidados humanos”, destacaram as equipes técnicas em nota.

    Conservação da espécie

    Os ganhos do procedimento não ficaram restritos à área clínica. Durante a sedação de Ruana, os veterinários aproveitaram a oportunidade para coletar material genético da onça.

    Esse material será incorporado ao studbook, o livro de registros genealógicos da espécie. A ferramenta é fundamental para o manejo populacional e para a manutenção da diversidade genética das onças-pintadas, classificadas atualmente como vulneráveis na lista nacional de espécies ameaçadas de extinção.

    Enquanto isso, Jack permanece sob monitoramento constante em Botucatu. A expectativa é que ele inicie sessões de hemodiálise para auxiliar o funcionamento dos rins e melhorar sua qualidade de vida.

    Além disso, o Zoo São Paulo segue colaborando com o Plano de Ação Nacional do ICMBio, participando de programas de reprodução e conservação voltados à proteção da espécie. O objetivo é fortalecer a população de onças-pintadas e contribuir para que o maior felino das Américas continue presente em seu habitat natural.

     

  • Filhote de onça-pintada resgatado no Amazonas segue para reabilitação

    Filhote de onça-pintada resgatado no Amazonas segue para reabilitação

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) transferiu no dia 7 de maio um filhote de onça-pintada (Panthera onca) do Amazonas para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Brasília (DF). O animal, resgatado na zona rural de Itacoatiara (AM), permanecerá em quarentena e passará por novas avaliações clínicas e comportamentais. O objetivo é verificar se ele reúne condições para uma futura soltura na natureza.

    Moradores da região, a Superintendência do Ibama no Amazonas, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Itacoatiara, o Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs) e a companhia aérea Latam atuaram em conjunto no resgate, recuperação inicial e transporte do felino.

    A secretaria municipal prestou os primeiros atendimentos ao animal, oferecendo alimentação e hidratação emergenciais antes de enviá-lo para Manaus.

    Quando chegou ao Cetas Manaus, uma equipe técnica do Ibama, junto com profissionais do Zoológico do Cigs (Exército Brasileiro), realizou exames clínicos. Os testes revelaram que se tratava de um macho. Ele apresentava desidratação, baixo peso corporal, proeminência óssea acentuada e miíase (infestação por larvas) na pata traseira esquerda. A equipe também coletou amostras de sangue, fez exames laboratoriais e avaliação radiográfica.

    Melhora

    O Zoológico do Cigs assumiu os cuidados especializados do filhote. Durante o acompanhamento, o animal recuperou-se progressivamente: seu peso subiu de 8 kg para 22 kg.

    Equipe envolvida na operação de traslado do animal . Foto: Divulgação/Ibama

    A Latam forneceu o apoio logístico para a transferência aérea a Brasília. No Cetas Brasília, uma equipe do Ibama dará continuidade ao monitoramento clínico e comportamental da onça-pintada. Os técnicos avaliarão se o animal pode integrar um programa de reabilitação que permita sua futura soltura em ambiente natural, desde que as condições clínicas e comportamentais se mostrem adequadas.

  • Onça-pintada: o olhar feroz que parou a internet

    Onça-pintada: o olhar feroz que parou a internet

    Uma foto, uma onça e um confronto de olhares que ninguém esperava. Uma imagem registrada no Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva, o CIGS, em Manaus, viralizou ao mostrar uma onça-pintada encarando diretamente a câmera, com a intensidade fria de quem sabe exatamente o que está fazendo. O registro correu as redes, acumulou compartilhamentos e abriu uma janela rara para o mundo de um dos predadores mais poderosos das Américas.

    Afinal, não é todo dia que um animal assim olha de volta.

    https://www.instagram.com/p/DXWrvuWksd5/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

    Quem é Mura, a onça do CIGS

    Por trás do olhar que impressionou tanta gente há uma história que começa pequena, literalmente. Mura é uma fêmea e nasceu em 1º de junho de 2022 dentro do zoológico do CIGS, uma data simbólica por coincidir com o Dia do Guerreiro de Selva. Filha de Pituca e Máximus, ela chegou ao mundo pesando cerca de 300 gramas. Hoje, já adulta, ultrapassa os 75 quilos.

    Durante os primeiros cinco meses de vida, Mura foi amamentada de forma espontânea pela mãe. Atualmente, sua dieta inclui carne bovina, suína, frango, pescado e carnes de caça, respeitando os padrões nutricionais estabelecidos para a sua espécie. Ela segue no recinto ao lado da mãe e apresenta crescimento saudável, segundo o próprio CIGS.

    O nascimento de Mura, aliás, marcou história no zoológico. A reprodução da onça-pintada em cativeiro é considerada um evento raro. “O nascimento de Mura foi o primeiro registrado no zoológico do CIGS, o que evidencia as condições favoráveis do local para a preservação da espécie,” informou a equipe do centro.

    Um felino que não tem medo de câmera

    Nas imagens que circulam pelas redes sociais, a onça revela um lado descontraído, nadando e interagindo com os visitantes. Seus giros na água e olhares conquistaram o público, rendendo comentários bem-humorados. Entre os mais compartilhados, um usuário escreveu: “Minha namorada se fingindo de fofa.” Outro arriscou: “Bota a mão, mana, ela não morde.”

    Embora o flagrante seja raro, o comportamento é comum entre as onças-pintadas, conhecidas por sua afinidade com a água. Diferente de outros felinos que evitam se molhar, esse predador é um nadador excepcional. No Pantanal, a água faz parte da estratégia de caça. No CIGS, serve para se refrescar e, aparentemente, para virar estrela das redes sociais.

    O zoológico que poucos conhecem

    O CIGS não é um zoológico qualquer. Criado e administrado pelo Exército Brasileiro, abriu suas portas ao público em 1967 e, em 2014, foi classificado entre os 25 melhores zoológicos e aquários da América do Sul, conquistando o prêmio Travelers’ Choice. Fica na zona oeste de Manaus, no bairro São Jorge, em meio a mata fechada.

    Administrado pela Divisão de Veterinária do CIGS, o zoológico também promove atividades de pesquisa e acolhimento de animais, reforçando seu compromisso com a preservação da floresta e suas espécies. Além das onças, o espaço abriga araras-azuis, gaviões-reais, macacos-prego e dezenas de outras espécies da fauna amazônica. Os felinos podem ser observados no seu habitat natural do alto de uma passarela de concreto, o que garante uma experiência de observação sem colocar visitantes nem animais em risco.

    O que esse olhar diz sobre a conservação?

    Há algo perturbador e necessário nessa foto. A onça-pintada está na lista de espécies vulneráveis no Brasil. O animal precisa de grande extensão de selva para sobreviver e vive ameaçado pela caça predatória, pelas queimadas e pelo desmatamento da floresta. Na Amazônia, onde o desmatamento avança e os corredores ecológicos encolhem, a presença de um zoológico com programa de reprodução ativa faz diferença concreta.

    Mura nasceu em cativeiro, cresceu na selva urbana de Manaus e hoje protagoniza um dos registros mais virais da fauna brasileira. “O vídeo de sua interação com a água reforça a importância da conservação da espécie e da educação ambiental promovida pelo zoológico,” destacou o CIGS.

    Às vezes, um olhar diz o que nenhum relatório consegue. O de Mura diz: estou aqui. Por enquanto.

  • Bombeiros resgatam onça-pintada presa em canal de usina hidrelétrica

    Bombeiros resgatam onça-pintada presa em canal de usina hidrelétrica

    O Corpo de Bombeiros de Juscimeira, município a 160 quilômetros de Cuiabá (MT), atendeu na tarde desta quinta-feira (19/3) uma ocorrência incomum: uma onça-pintada presa em um dos canais da Usina do Prata, em situação de risco de afogamento.

    https://www.instagram.com/p/DWGxOsIkign/

    Ao chegar ao local, os militares identificaram que o animal não conseguia sair da água sozinho. A situação exigiu reforço: a Polícia Ambiental e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) também mobilizaram equipes para apoiar o resgate, diante do risco que o animal representava para moradores da região.

    A captura não foi simples. A onça resistiu à abordagem inicial, e a equipe precisou recorrer à sedação controlada para concluir o resgate com segurança. Após os procedimentos, o Corpo de Bombeiros informou que o animal será transportado e solto em área adequada, longe de zonas habitadas.

  • Onça-pintada resgatada se prepara para voltar para vida selvagem

    Onça-pintada resgatada se prepara para voltar para vida selvagem

    Após 14 meses de reabilitação, uma onça-pintada resgatada no sul de Roraima chegou na última quinta-feira (12) ao Instituto Nex, em Corumbá de Goiás (GO), a 80 quilômetros de Brasília. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) conduziu a transferência a partir do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Brasília, onde o animal se recuperou. O objetivo é avançar o processo de reabilitação em um espaço maior, mais isolado e dentro da mata. Condições essenciais para preparar o felino para a soltura no bioma amazônico.

    Foto: Paula Rafiza/Ibama

    Policiais ambientais resgataram a onça em janeiro de 2024, em uma chácara no município de Caroebe, região sul de Roraima. O animal tinha pouco mais de um mês de vida e chegou ao Cetas de Boa Vista desidratado, ferido, com escoriações e fungos pelo corpo.

    A equipe realizou exames de sangue, radiografias e análise de parasitas antes de iniciar o tratamento. Já recuperado, o felino seguiu em abril para o Cetas Brasília, que conta com recintos estruturados para grandes felinos e equipe especializada.

    Hoje, o animal pesa cerca de 40 quilos, está em excelentes condições de saúde e demonstra comportamento selvagem. Ela caça presas e evita o contato humano, dois indicadores fundamentais para uma futura reintrodução na natureza. “É a primeira vez que aplicamos esse programa em um filhote de onça-pintada”, afirma Júlio César Montanha, chefe do Cetas de Brasília.

    Como funciona o protocolo de reabilitação

    O processo começa com um período de quarentena, durante o qual a equipe monitora o estado clínico e comportamental do animal. Na sequência, atividades de enriquecimento ambiental estimulam o felino a usar seus instintos naturais e a se desenvolver fisicamente.

    No Instituto Nex, a onça entra em uma nova fase: recintos maiores e mais isolados, dentro da mata, onde a presença humana é reduzida ao mínimo. “Esse isolamento é importante porque a presença humana acaba afetando o processo”, explica Júlio. A previsão é que o animal permaneça no local entre seis e oito meses.

    Foto: Paula Rafiza/Ibama

    Segundo o chefe do Cetas, esse período mais longo em ambiente amplo vai permitir avaliar com profundidade quais comportamentos naturais o animal ainda precisa desenvolver para ganhar autonomia suficiente e retornar ao habitat natural na Amazônia.

  • Pantanal abriga 190 espécies de aves migratórias

    Pantanal abriga 190 espécies de aves migratórias

    O Pantanal mato-grossense, maior área úmida contínua do planeta e um dos biomas mais preservados do Brasil, é ponto de parada obrigatório para 190 espécies de aves migratórias. Vindas do Canadá e dos Estados Unidos ou em sentido contrário, partindo da Patagônia, essas aves encontram no bioma alimento, descanso e segurança durante suas longas jornadas continentais.

    Foto: Saul Shramm / ASCOM

    É justamente essa relevância ecológica que levou a Organização das Nações Unidas (ONU) a escolher Campo Grande para sediar a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15). O evento será realizado entre os dias 23 e 29 de março. O evento deve reunir entre 2 mil e 3 mil especialistas de aproximadamente 100 países. A chamada Zona Azul (Blue Zone) funcionará no Expo Bosque, no Shopping Bosque dos Ipês, com atividades paralelas em outros pontos da cidade.

    Rota pantaneira: uma parada no coração da América do Sul

    Pesquisadores da Embrapa Pantanal identificaram 27 espécies, a maioria maçaricos (família Scolopacidae). Elas cruzam Mato Grosso do Sul durante suas migrações entre o Hemisfério Norte e o extremo sul do continente. Essas aves chegam da Argentina, Chile, Uruguai e do Rio Grande do Sul. E fazem uma escala no Pantanal, que pode durar dias ou semanas e seguem rumo à Colômbia e à Venezuela.

    Segundo os pesquisadores Alessandro Pacheco Nunes e Walfrido Moraes Tomas, espécies ligadas a ambientes aquáticos representam 18% da comunidade de aves de Mato Grosso do Sul. E estão concentradas principalmente no bioma pantaneiro e na planície de inundação do alto rio Paraná. O Pantanal abriga, segundo os especialistas, as maiores populações de aves aquáticas continentais do Brasil.

    Além das aves, o bioma também é caminho para peixes migratórios como o pintado (Pseudoplatystoma corruscans) e o dourado (Salminus brasiliensis), que realizam a piracema, a migração sazonal para reprodução. E ainda é lar de uma das maiores populações de onça-pintada (Panthera onca) do mundo. A espécie depende da conectividade de habitats entre países para garantir sua sobrevivência genética.

    Foto: Saul Shramm / ASCOM

    COP15: cooperação internacional para proteger espécies em risco

    A Conferência das Partes debate medidas de proteção para espécies migratórias ameaçadas de extinção, unindo esforços de todos os países por onde elas transitam. Atualmente, 133 nações são signatárias do Tratado de Proteção às Espécies Migratórias. Um número ainda inferior às 198 partes da Convenção sobre Mudanças Climáticas, conforme destacou Rita Mesquita, secretária de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

    O secretário estadual Jaime Verruck, da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), ressalta que preservar habitats conectados é condição essencial para a sobrevivência das espécies em trânsito. “Ao proteger áreas úmidas do Pantanal, assim como remanescentes do Cerrado e da Mata Atlântica, Mato Grosso do Sul contribui diretamente para a segurança das rotas migratórias de aves, mamíferos e peixes que atravessam fronteiras em suas rotas de sobrevivência”, afirmou.

    Lei do Pantanal protege salinas, landizais e corredores ecológicos

    Com cerca de 150 mil quilômetros quadrados, a planície pantaneira é regulada pela Lei Estadual nº 6.160, de dezembro de 2023, a Lei do Pantanal. A legislação classifica as salinas como Área de Proteção Permanente (APP), incluindo o corpo d’água e uma faixa de 100 metros ao redor. Proprietários rurais são obrigados a manter ao menos 40% da vegetação nativa intacta. Enquanto os landizais, áreas inundáveis com densa cobertura vegetal, têm proteção total, tanto do curso d’água quanto de suas margens.

    A lei também prioriza a criação de corredores ecológicos, conectando reservas ambientais e áreas de proteção para favorecer o deslocamento da fauna. Entre as espécies beneficiadas está a onça-pintada, que a convenção da Organização das Nações Unidas passou a reconhecer formalmente como espécie migratória ameaçada de extinção durante a COP14 da Convenção sobre Espécies Migratórias, realizada em 2024.

    A bióloga Bruna Oliveira, da Semadesc, explica que, apesar de não realizar migrações sazonais de longa distância como aves ou baleias, a onça-pintada tem populações cujas áreas de vida atravessam fronteiras nacionais de forma regular. “Ela depende da conectividade internacional de habitats para garantir o fluxo gênico da espécie”, detalhou.

  • Falta de presas ameaça extinção da onça-pintada na Mata Atlântica

    Falta de presas ameaça extinção da onça-pintada na Mata Atlântica

    A onça-pintada (Panthera onca) enfrenta, na Mata Atlântica, uma ameaça que vai além da destruição de habitat e da caça direta ao animal: a escassez de alimento. Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros revelou que a disponibilidade de presas do maior felino das Américas caiu a níveis críticos mesmo dentro de áreas protegidas do bioma, que cobre cerca de 15% do território nacional e se estende por 17 estados nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, além de partes da Argentina e do Paraguai.

    Os pesquisadores apontam que espécies fundamentais para a dieta da onça, como o porco-do-mato (Tayassu pecari), o cateto (Dicotyles tajacu) e os cervídeos, sofrem pressão intensa de caça humana. A situação já chegou a um nível que provavelmente não sustenta populações viáveis do felino no bioma, que hoje abriga menos de 300 exemplares. Se o quadro piorar, a Mata Atlântica pode se tornar o primeiro bioma do mundo a perder um predador de topo da cadeia alimentar.

    Os resultados foram publicados na revista Global Ecology and Conservation com apoio da FAPESP. E contaram com a participação de pesquisadores do Instituto de Pesquisas Cananeia (IPeC), do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap/ICMBio), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e do Projeto Onças do Iguaçu – Instituto Pró-Carnívoros.

    Armadilhas fotográficas revelam cenário alarmante

    A equipe combinou dados sobre a dieta e os hábitos alimentares da onça-pintada com um levantamento de campo realizado em nove áreas protegidas da Mata Atlântica, usando armadilhas fotográficas. A partir dessas informações, os pesquisadores estimaram a abundância e a biomassa de 14 espécies de presas em regiões com diferentes densidades populacionais do felino.

    Os resultados expõem uma disparidade brutal. No Corredor Verde, a biomassa de presas chega a 638 kg, enquanto nas áreas costeiras, como a Serra do Mar, o índice despenca para míseros 8,2 kg. Não por acaso, é justamente nessas regiões costeiras que a onça-pintada está ausente ou ocorre em densidades extremamente baixas.

    “Constatamos uma situação alarmante de baixa abundância de espécies-chave de presas da onça-pintada. Mesmo em áreas protegidas, onde se esperava que a situação fosse melhor em termos de conservação”, afirma Katia Ferraz, professora da Esalq-USP e coordenadora do estudo. “Muito provavelmente, o declínio dessas presas é uma das principais causas para a situação crítica em que a onça-pintada se encontra nesse bioma.”

    Acesso humano às áreas protegidas explica a escassez

    O estudo identificou um padrão claro: as presas são mais abundantes onde o acesso humano é mais difícil. Regiões de relevo acidentado e distantes de centros urbanos concentram mais animais. Já as áreas próximas a vilas e cidades, ou com relevo que facilita a entrada de pessoas, apresentam drasticamente menos presas. Sinal direto da pressão da caça ilegal, que persiste mesmo dentro das unidades de conservação.

    “A baixa disponibilidade de presas está relacionada ao maior acesso das pessoas às áreas protegidas. Isso sugere uma relação direta com a pressão de caça”, explica Ferraz. “Além da pressão sobre a própria onça, há uma pressão muito forte sobre as populações de presas, o que leva ao declínio do felino.”

    No Corredor Verde, a combinação de áreas mais isoladas, melhor conectividade entre parques e iniciativas contínuas de combate à caça ilegal, como o Projeto Onças do Iguaçu, ajuda a manter uma base de presas capaz de sustentar populações viáveis. Já na faixa costeira, a proximidade de metrópoles como São Paulo e Curitiba e o histórico de pressão humana explicam a escassez persistente, apesar dos esforços de conservação em curso.

    Parque Nacional do Iguaçu: um oásis em meio à crise

    Entre as áreas analisadas, o Parque Nacional do Iguaçu se destacou como um dos últimos refúgios da Mata Atlântica onde predador e presas coexistem em níveis relativamente saudáveis. A menor altitude do parque favorece maior abundância de fauna , padrão observado em outras áreas do bioma. E a atuação do Projeto Onças do Iguaçu faz diferença concreta no campo.

    O projeto atua em três frentes. A primeira é a pesquisa aplicada sobre ecologia alimentar e corredores de vegetação. Depois, engajamento comunitário para transformar o medo em conhecimento. E por fim coexistência, com orientações a produtores rurais sobre manejo do gado para reduzir conflitos com o felino.

    Os resultados são visíveis. “Em 2009, tínhamos entre 9 e 11 animais no parque. Nos últimos 15 anos, a população quase dobrou”, conta Yara Barros, coordenadora-executiva do projeto. O avanço da agricultura e a redução da pecuária no entorno também contribuíram, já que diminuíram as mortes por retaliação de fazendeiros. “A caça representa uma grande ameaça porque, muitas vezes, quem entra na floresta para caçar as presas da onça acaba matando o animal incidentalmente”, explica Barros.

    A iniciativa já inspira vizinhos. “Estamos criando uma rede trinacional com parceiros do Paraguai e da Argentina para compartilhar e replicar nossa experiência”, afirma a coordenadora.

    Para os autores do estudo, os dados apontam um caminho claro. Enquanto algumas regiões ainda funcionam como refúgios ecológicos, outras exigem ações urgentes de controle da caça, recuperação da fauna e gestão do uso humano. Sem isso, o maior predador das Américas corre o risco real de desaparecer definitivamente da Mata Atlântica.

    Elton Alisson | Agência FAPESP

  • Tamanduá-bandeira enfrenta onça-pintada no Pantanal; veja o vídeo

    Tamanduá-bandeira enfrenta onça-pintada no Pantanal; veja o vídeo

    Um estudante de engenharia elétrica registrou, na madrugada da última sexta-feira (27/2), um confronto raro entre um tamanduá-bandeira e uma onça-pintada no Pantanal mato-grossense. Olavo Arruda capturou as imagens nas proximidades da rodovia Transpantaneira, em Poconé (MT). E o vídeo rapidamente surpreendeu internautas, principalmente pelo desfecho: o tamanduá saiu vencedor.

    https://www.instagram.com/p/DVUxwcmEuQc/

    Nas imagens, os dois animais se encaram antes de iniciarem o embate. O tamanduá avança e consegue afastar o felino, que recua e segue em direção à mata.

    O fotógrafo e gestor ambiental Ailton Lara divulgou o registro em seu perfil no Instagram e classificou o encontro como “raro”. Segundo ele, o resultado desse tipo de confronto depende menos de força bruta e mais de técnica.

    “A onça-pintada está no topo da cadeia alimentar, mas confrontos com tamanduás são raros. De um lado, a onça possui mordida extremamente forte; do outro, o tamanduá conta com garras enormes e afiadas. O vencedor depende muito mais de técnica e estratégia do que apenas força”, afirmou Ailton.

    O tamanduá-bandeira: o gigante sem dentes que não tem medo de nada

    O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) é o maior das quatro espécies de tamanduás existentes. O animal mede entre 1,8 e 2,1 metros de comprimento e pode pesar até 41 kg. Apesar do porte imponente, um detalhe surpreende: o animal não possui dentes. Sua língua, porém, pode chegar a 1 metro de comprimento, com saliva viscosa e pegajosa. Isso é essencial para capturar os insetos de que se alimenta.

    O tamanduá consome cerca de 35 mil insetos por dia, principalmente formigas e cupins. Para capturá-los, consegue esticar e retrair a língua até 150 vezes por minuto. Ao se locomover, dobra as garras para dentro e pisa sobre o dorso das patas, evitando desgastá-las, pois são sua principal arma de defesa.

    E armas não faltam: quando se sentem ameaçados, os tamanduás sentam sobre as patas traseiras e atacam com suas imensas garras. A expressão “abraço de tamanduá” vem justamente dessa técnica de ataque, em que o animal encrava as garras nas costas do adversário.

    Os filhotes ficam nas costas da mãe durante os primeiros meses de vida, parecendo uma mochila. E o padrão de pelagem os camufla com o corpo da progenitora. A espécie é solitária, vista em duplas apenas no acasalamento e durante a amamentação.

    Apesar da aparência lenta e pacata, o tamanduá-bandeira consegue nadar e, com suas imensas garras, também sobe em árvores. Seu olfato é altamente desenvolvido, o que compensa a visão precária.

    Em termos de conservação, o cenário é preocupante. A população de tamanduás diminuiu cerca de 30% nos últimos 26 anos, com a perda de quase 50% do Cerrado, bioma que abriga a maior parte da espécie. Desmatamento, caça, atropelamentos em estradas e incêndios florestais figuram entre as principais ameaças.

    A onça-pintada: o maior felino das Américas e símbolo de poder

    Do outro lado do confronto estava um dos animais mais icônicos do Brasil. A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas e o terceiro maior do mundo, ficando atrás apenas do tigre e do leão.

    Considerada predadora do topo da cadeia, a onça se alimenta de pequenos tatus e cutias a jacarés e antas, controlando populações de presas e sendo fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas. Sua mordida é a mais forte entre todos os felinos do planeta, força suficiente para perfurar o crânio de presas como os jacarés.

    Os animais têm hábitos predominantemente crepusculares e noturnos, com pico de atividade ao fim da tarde e início da noite. Isso explica o horário do confronto registrado na Transpantaneira.

    Cada onça-pintada tem um padrão único de manchas, funcionando como uma verdadeira “impressão digital”. São animais solitários e territorialistas, demarcando sua área com urina, excrementos e marcas de garras nas árvores.

    Cerca de 50% da população mundial de onças-pintadas vive no Brasil. O Pantanal concentra cerca de 20 mil indivíduos, a maior densidade da espécie no mundo. Mesmo assim, a espécie enfrenta sérias ameaças: a perda de habitat, a caça e a demanda crescente por partes do animal para uso na medicina tradicional chinesa colocam as onças em risco.

    Dois ícones ameaçados

    O confronto registrado em Poconé vai além do espetáculo visual. Reúne dois dos animais mais emblemáticos da fauna brasileira em um momento que especialistas classificam como excepcional. Ambas as espécies enfrentam pressão crescente pela destruição de habitats e, paradoxalmente, dividem o mesmo território cada vez mais reduzido.

    O vídeo serve como lembrete de que o Pantanal ainda guarda cenas que surpreendem até os mais experientes pesquisadores. E de que preservar esse bioma é essencial para que encontros como esse continuem acontecendo.