Tag: Mudanças climáticas

  • Palmeiras da Amazônia armazenam duas vezes mais água que eucalipto e mogno, revela pesquisa

    Palmeiras da Amazônia armazenam duas vezes mais água que eucalipto e mogno, revela pesquisa

    As palmeiras amazônicas (Arecaceae) armazenam duas vezes mais água do que árvores dicotiledôneas como ipê, mogno e eucalipto. A descoberta integra um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, vinculado ao Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças Climáticas (CBioClima).

    A professora Thaise Emilio, da Unesp e coordenadora do projeto, apresentou resultados preliminares da pesquisa durante o Fórum Brasil-França “Florestas, Biodiversidade e Sociedades Humanas”, realizado entre 1º e 2 de outubro no auditório da FAPESP. “As palmeiras funcionam como grandes reservatórios ou caixas d’água da floresta”, afirmou a pesquisadora.

    Dominância das palmeiras na floresta amazônica

    Apesar de representar apenas uma entre 171 famílias de plantas arborescentes na Amazônia, as palmeiras dominam a paisagem florestal tanto no dossel quanto no sub-bosque. Os cientistas levantam a hipótese de que populações humanas antigas domesticaram essas plantas há milhões de anos durante a ocupação e manejo da região.

    “Ainda debatemos se os humanos enriqueceram a Amazônia com palmeiras ou se escolheram viver na floresta justamente pela abundância dessas plantas úteis, que possuem grande importância econômica”, explicou Emilio.

    Thaise Emílio, professora da Unesp, coordenadora do projeto e pesquisadora associada ao CBioClima: apesar de ser apenas uma entre 171 famílias de plantas arborescentes na Amazônia, as palmeiras são extremamente dominantes na floresta, tanto no dossel como no sub-bosque. Foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP

    Atualmente, cerca de 75% da produção brasileira de produtos florestais não madeireiros provém de palmeiras. O açaí (Euterpe oleracea) sozinho responde por 50% desse total.

    Capacidade única de retenção hídrica

    Desde 2017, Emilio colabora com pesquisadores do Soleil Síncrotron, de Paris, e da Universidade de Bordeaux para analisar a resistência do xilema das palmeiras à embolia induzida pela seca. O xilema constitui o tecido vascular que transporta água e sais minerais das raízes para o restante da planta.

    Os cientistas utilizaram o acelerador circular de partículas do Soleil Síncrotron para investigar seis espécies de palmeiras das subfamílias Arecoideae e Coryphoideae. A tecnologia permite examinar a composição e estrutura da matéria em escala molecular.

    “Constatamos que as palmeiras apresentam vulnerabilidade à seca similar a outras angiospermas ou gimnospermas. Porém, elas concentram mais água dentro dos troncos e conseguem mobilizar esse recurso, tornando essa a estratégia mais importante para minimizar os riscos de embolia”, detalhou a pesquisadora.

    Palmeiras retêm até 70% de água em seus troncos

    Pesquisadores da Universidade de Edimburgo, na Escócia, participaram de monitoramentos recentes que revelaram dados surpreendentes. Enquanto árvores dicotiledôneas armazenam no máximo 50% de seu volume em água, as palmeiras retêm até 70%. Durante períodos secos, essas plantas reservam ainda mais água do que nas estações chuvosas.

    “Isso gera enormes impactos na biodiversidade da floresta amazônica, que ainda precisamos estimar”, afirmou Emilio.

    Durante expedições na floresta em períodos de seca, a equipe observa que apenas as palmeiras produzem frutos. “Só elas dão frutos nessas épocas de seca. Isso mantém a alimentação dos animais e dos humanos que dependem desses recursos. Uma das hipóteses para explicar essa capacidade é justamente o funcionamento diferenciado dessas plantas, que armazenam mais água”, explicou a cientista.

    Mudanças climáticas ameaçam serviço ecossistêmico

    O serviço ecossistêmico prestado pelas palmeiras enfrenta ameaças devido ao declínio de espécies associadas a climas úmidos. A intensificação do ciclo hidrológico, marcada por secas e estações chuvosas mais extremas, compromete a abundância dessas plantas. “Isso terá um impacto muito importante para a dinâmica da floresta”, alertou Emilio.

    Um estudo em andamento avalia através de modelagem o risco de morte de palmeiras em diferentes ambientes e condições climáticas. Os resultados preliminares indicam que essas plantas morrem duas vezes mais do que outras árvores. “A combinação de anos chuvosos e secos está causando uma mudança na dinâmica e nas características de regiões da floresta”, concluiu a pesquisadora.

    Cooperação Brasil-França fortalece pesquisas ambientais

    O Museu Nacional de História Natural (MNHN) da França, a Universidade de São Paulo (USP) e a FAPESP organizaram o fórum que integrou a Temporada França-Brasil 2025. A programação celebra os 200 anos de relações diplomáticas entre os países.

    Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, destacou que a Amazônia Legal ocupa aproximadamente 4 milhões de quilômetros quadrados do Brasil, área equivalente a 40% do tamanho da Europa. A floresta também se estende ao território da Guiana Francesa.

    “Brasileiros e franceses compartilham a responsabilidade sobre essa floresta, uma das maiores reservas da biodiversidade do planeta. Portanto, seu destino pode determinar, em grande parte, o destino da humanidade”, avaliou Zago.

    O presidente do MNHN, Gilles Bloch, reforçou o compromisso da instituição com as questões ambientais. “Os desafios ambientais compartilhados pela França e pelo Brasil são muito sérios. Este fórum reforça a tradição de colaboração que existe entre nós e a USP”, afirmou.

    USP anuncia construção da Praça dos Museus

    A vice-reitora da USP, Maria Arminda do Nascimento Arruda, anunciou o projeto de construção da Praça dos Museus da USP, que reunirá acervos dos museus de Zoologia (MZ-USP) e de Arqueologia e Etnologia (MAE-USP).

    “A Universidade de São Paulo possui acervos museológicos ímpares e coleções científicas e culturais entre as maiores do mundo. Estamos construindo um novo espaço, com um projeto notável do arquiteto Paulo Mendes da Rocha. Esse novo museu será uma referência para toda a cidade, para o país e para o mundo”, destacou a vice-reitora.

    Por Elton Alisson | Agência FAPESP

  • Estudo revela como mudanças climáticas causaram tragédias no Brasil

    Estudo revela como mudanças climáticas causaram tragédias no Brasil

    O ano de 2023 entrou para a história brasileira pelos piores motivos: registrou a maior chuva em 24 horas já documentada no país, uma seca amazônica sem precedentes e uma sequência devastadora de ciclones no Rio Grande do Sul. O saldo trágico ultrapassou 120 vítimas fatais e alertou a população sobre uma realidade inescapável: as mudanças climáticas chegaram ao Brasil.

    Um estudo publicado nos Anais da Academia de Ciências de Nova York, conduzido por 19 pesquisadores brasileiros, finalmente esclarece os mecanismos atmosféricos por trás dessa onda de desastres. A pesquisa, liderada pela professora Luana Pampuch, da Unesp de São José dos Campos, revela como o El Niño, combinado ao aquecimento global, criou condições perfeitas para uma tempestade catastrófica de eventos extremos.

    Litoral paulista: a maior chuva da história

    Na madrugada de 18 para 19 de fevereiro de 2023, o litoral norte de São Paulo viveu seu pior pesadelo climático. Em apenas 24 horas, Bertioga registrou 682,8 mm de precipitação – um recorde nacional absoluto. O resultado: 65 mortos e 338 pessoas desabrigadas.

    O fenômeno começou quando uma massa de ar frio do Oceano Atlântico colidiu com o ar quente sobre o litoral. Esse encontro, comum na região, tornou-se catastrófico devido a condições anormais: as águas do Atlântico estavam entre 1°C e 2°C mais quentes que o usual, criando mais vapor d’água para alimentar as tempestades.

    “O ar quente, ao ser empurrado para cima pela frente fria, esfria e perde capacidade de reter umidade. Com oceanos mais quentes, há mais vapor disponível, resultando em chuvas extremamente volumosas”, explica o estudo.

    A Serra do Mar intensificou ainda mais o desastre. Seu relevo íngreme força o ar úmido a subir rapidamente, provocando as chamadas chuvas orográficas. Somado ao aquecimento oceânico – 0,9°C acima da média pré-industrial devido aos gases de efeito estufa – o cenário tornou-se explosivo.

    Rios voadores alimentaram a tragédia

    Outro fator crucial foram os “rios voadores”, tecnicamente conhecidos como jatos de baixos níveis sul-americanos. Esses fluxos atmosféricos transportam umidade da Amazônia para o sul do Brasil, mas são bloqueados pela Cordilheira dos Andes e redirecionados, intensificando precipitações em regiões específicas.

    “Não fizemos análises de atribuição específicas neste artigo, mas o aumento na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos é compatível com um planeta em aquecimento”, afirma Camila Carpenedo, líder do Núcleo de Estudos sobre Variabilidade e Mudanças Climáticas da UFPR.

    Amazônia: quando os rios secaram

    Enquanto o Sudeste afogava em chuvas, a Amazônia sufocava na seca. Em 2023, o rio Amazonas despencou de 15,80 metros para apenas 12,70 metros em Manaus – mínima histórica que paralisou o transporte fluvial e devastou comunidades ribeirinhas.

    Foto: Divulgação Portal.Gov

    O culpado principal foi o El Niño, fenômeno climático cíclico registrado desde 1578. Durante episódios de El Niño, os ventos alísios enfraquecem, impedindo que águas quentes do Pacífico se desloquem para oeste. Isso altera drasticamente os padrões de circulação atmosférica global.

    Como funciona a Célula de Walker

    Em condições normais, as águas quentes do Pacífico concentram-se próximo à Ásia, criando uma zona de baixa pressão com muitas nuvens e chuvas sobre a Amazônia. Durante o El Niño, essas águas quentes permanecem próximas à costa das Américas, deslocando a zona chuvosa e deixando a região amazônica sob alta pressão atmosférica – sinônimo de céu limpo e seca prolongada.

    “Atmosfera e oceano estão conectados. Há um acoplamento entre as duas coisas”, destaca Luana Pampuch.

    O aquecimento global amplifica esse processo. Quanto mais quente a Terra, mais intensas são as variações provocadas pelo El Niño, gerando estiagens mais severas onde já se espera seca e chuvas mais violentas onde já chove naturalmente.

    A reversão climática provocada pelo El Niño também gerou uma zona de alta pressão sobre o Centro-Oeste brasileiro, resultando na temperatura mais alta já registrada no país: 44,8°C em Araçuaí (MG), em 19 de novembro de 2023.

    Rio Grande do Sul: quatro ciclones devastadores

    Entre junho e outubro de 2023, o Rio Grande do Sul enfrentou quatro ciclones extratropicais notáveis, deixando um rastro de destruição que prenunciava a megaenchente de 2024.

    O primeiro, em junho, foi o mais letal: despejou 80% da precipitação mensal esperada em poucas horas, matou 16 pessoas e desabrigou 10 mil. Em setembro, outro ciclone atingiu 106 cidades, especialmente o Vale do Taquari, fazendo 54 vítimas fatais e afetando 359 mil pessoas.

    Foto: Divulgação Agência Brasil – Rafa Neddermeyer

    A localização geográfica do Rio Grande do Sul o coloca próximo à frente polar – a fronteira turbulenta entre o ar gelado da Antártida e o ar quente dos trópicos. Essa zona, localizada entre os paralelos 30° e 60°, é berço natural de ciclones extratropicais.

    Diferente dos furacões tropicais, esses ciclones formam-se quando massas de ar frio e quente colidem, criando áreas de baixa pressão que funcionam como um “ralo” atmosférico, sugando ar ao redor e gerando redemoinhos gigantes de nuvens.

    “O espaço de tempo entre um ciclone e outro vai ser maior com o aquecimento global, então a atmosfera acumula mais energia. Além disso, ar mais quente armazena mais vapor de água, resultando em chuvas mais intensas”, explica Luiz Felippe Gozzo, professor de Meteorologia da Unesp Bauru.

    O futuro é preocupante

    As projeções científicas são alarmantes. Caso o planeta atinja 2°C acima dos níveis pré-industriais até 2100, trajetória provável nas políticas atuais, todos os fenômenos de 2023 se intensificarão.

    Os números projetados impressionam:

    • Chuvas fortes: 1,7 vezes mais frequentes e 14% mais intensas
    • Estiagens: 2,4 vezes mais comuns
    • Ciclones: menos frequentes, porém significativamente mais intensos

    “A América do Sul deve enfrentar eventos extremos mais intensos e contrastantes, com chuvas mais fortes em algumas regiões e secas mais longas em outras, impactando agricultura, recursos hídricos, biodiversidade e aumentando a vulnerabilidade social”, alertam Gozzo e Pampuch.

    Vale lembrar: 2024 já ultrapassou pontualmente a marca de 1,5°C de aquecimento (1,55°C), demonstrando que o futuro previsto pelos cientistas está se tornando presente mais rápido do que esperado.

    Entendendo as emissões: de 1850 a hoje

    O ponto de referência para medir o aquecimento global é o período entre 1850 e 1900, quando já havia industrialização, mas em escala insuficiente para afetar o clima perceptivelmente. Nessa época, a humanidade havia emitido apenas 12 gigatoneladas de carbono desde a Revolução Industrial.

    Entre 1901 e 2013, porém, as emissões dispararam para 380 gigatoneladas – mais de 30 vezes o total anterior. O resultado: a maior parte do aquecimento global aconteceu no século 20 e continua acelerando no século 21.

    A complexidade da atribuição climática

    Determinar a parcela exata de responsabilidade do aquecimento global em cada evento extremo é um desafio científico complexo. Fenômenos atmosféricos funcionam como dominós: uma pequena alteração em um parâmetro pode desencadear reações catastróficas em cadeia.

    “Nem todo evento extremo ocorre por causa do aquecimento global”, reconhecem os pesquisadores. Mas o padrão é inegável: os eventos estão ficando mais frequentes, mais intensos e mais imprevisíveis.

    Enquanto meteorologistas trabalham para decifrar esse quebra-cabeça climático, a responsabilidade pela prevenção recai sobre governos, empresas e sociedade. Infelizmente, as medidas tomadas até agora ainda estão muito aquém do necessário para evitar tragédias ainda piores nas próximas décadas.

    Com informações do Jornal da Unesp – Bruno Vaiano

  • CNA apresenta posicionamento do agro brasileiro para COP 30 em Belém

    CNA apresenta posicionamento do agro brasileiro para COP 30 em Belém

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) elaborou o documento “Agropecuária Brasileira na COP 30” para apresentar os compromissos e conquistas do setor durante a Conferência sobre as Mudanças Climáticas. O evento acontecerá entre 10 e 21 de novembro, em Belém. As federações estaduais ratificaram a publicação, que mostra ao mundo as práticas sustentáveis consolidadas no campo brasileiro.

    O material destaca tecnologias como plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta, recuperação de áreas degradadas e uso de bioinsumos. Essas práticas comprovam que o Brasil desenvolveu uma das agriculturas mais eficientes e ambientalmente responsáveis do planeta.

    Setor rural contribui para combater mudanças climáticas

    O documento funciona como instrumento estratégico de posicionamento internacional. A CNA reforça que o setor rural integra a solução para enfrentar as mudanças climáticas, contrariando narrativas que associam a agropecuária brasileira apenas a problemas ambientais.

    Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), ressalta a necessidade de desconstruir o mito de que a agropecuária brasileira opera de forma rudimentar.

    “O setor agropecuário representa parte vital na construção das soluções para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Cada vez mais tecnológico e sustentável, o agro sustenta a economia nacional e a preservação ambiental. Pois entende que a qualidade do solo e dos recursos hídricos impacta diretamente a produção”, afirma Meirelles.

    CNA defende acesso facilitado a financiamento climático

    A transição para uma economia de baixo carbono e a adaptação dos sistemas produtivos exigem investimentos de larga escala. O financiamento climático destinado aos países em desenvolvimento, reforçado no Acordo de Paris, representa condição fundamental para fortalecer a resiliência climática e viabilizar ações de mitigação e adaptação.

    A CNA defende maior acesso dos produtores rurais a recursos internacionais, com linhas simplificadas e justas. A entidade propõe que os fundos considerem a realidade dos países em desenvolvimento, garantindo previsibilidade e condições adequadas para a transição sustentável no agro.

    Produção de baixo carbono alinha Brasil a metas globais

    O documento enfatiza a produção com baixa emissão de carbono, alinhada às metas de descarbonização global. A Confederação destaca que o agro brasileiro já reduz emissões de forma efetiva através da adoção de tecnologias inovadoras e da preservação de florestas nativas em propriedades rurais, que sequestram grandes quantidades de carbono.

    Ao demonstrar avanços em métricas concretas, a agropecuária nacional reforça sua legitimidade para acessar mercados internacionais cada vez mais exigentes em sustentabilidade e rastreabilidade.

    Dados contestam narrativas negativas sobre o agro brasileiro

    O presidente da Faesp ressalta a importância de desconstruir narrativas negativas que associam o agro brasileiro ao desmatamento ilegal e à degradação ambiental. O documento da CNA apresenta dados que evidenciam o oposto: produtores rurais brasileiros preservam cerca de 33% do território nacional em áreas de vegetação nativa dentro das propriedades, diferencial único no cenário mundial.

    Essa informação reposiciona a imagem do Brasil nos fóruns internacionais e garante que políticas ambientais não funcionem como barreiras comerciais disfarçadas contra a produção nacional.

    O documento reforça a importância da articulação internacional do agro brasileiro em eventos como a COP 30. Ao unir evidências técnicas, experiências práticas e políticas públicas já implementadas, o setor demonstra capacidade de dialogar com a sociedade e com mercados externos de forma transparente e propositiva.

    A desconstrução de narrativas representa não apenas uma defesa, mas uma estratégia ativa para consolidar o protagonismo do Brasil na agenda global de sustentabilidade. O setor demonstra que o futuro da agropecuária pode ser, simultaneamente, produtivo, inclusivo e ambientalmente responsável.

  • Primavera transforma o cenário agrícola nacional de norte a sul

    Primavera transforma o cenário agrícola nacional de norte a sul

    A chegada da primavera 2025, iniciada nesta segunda-feira (22) às 15h19, marca um divisor de águas para a agricultura brasileira. Conhecida como a estação das flores, a primavera marca transição entre o inverno seco e o verão chuvoso no Brasil, trazendo oportunidades e desafios únicos para diferentes regiões produtoras do país.

    No Espírito Santo, a transição promete ser especialmente significativa. Após um inverno caracterizado por tempo seco e temperaturas amenas, a Coordenação de Meteorologia do Incaper projeta cenário otimista com aumento gradual das temperaturas e retomada das chuvas, principalmente a partir de outubro.

    “Este é o momento de os agricultores se prepararem para essa estação. Independentemente do volume de chuvas, é essencial revisar equipamentos, planejar o uso eficiente da água e adotar boas práticas de manejo”, destaca o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.

    A cafeicultura arábica capixaba, cultivada em regiões de altitude, enfrenta momento crucial. A irregularidade das chuvas no início da primavera pode comprometer a uniformidade da florada – fator determinante para a produtividade futura. Produtores devem intensificar práticas que reduzam impactos de períodos curtos de estiagem.

    No cultivo do conilon, predominante no Norte e áreas de baixada no Sul do estado, a irrigação eficiente torna-se essencial. Com temperaturas mais altas previstas, o manejo hídrico adequado garantirá boa frutificação e evitará perdas significativas.

    Culturas tropicais demandam atenção redobrada

    O mamão, cultivado principalmente no Norte capixaba, pode enfrentar maior susceptibilidade à antracnose e mosca-das-frutas com o aumento da umidade. A pimenta-do-reino está mais vulnerável à fusariose, demandando manejo fitossanitário rigoroso. O cacau requer atenção especial contra a vassoura-de-bruxa, enquanto a banana necessita monitoramento constante contra sigatoka-negra e nematoides.

    Para a pecuária de corte e leite, a primavera apresenta cenário duplo. Enquanto as condições favorecem o crescimento das pastagens, melhorando a oferta de alimento, o calor acima da média pode gerar estresse térmico nos animais, reduzindo produtividade leiteira e comprometendo ganho de peso.

    O Incaper recomenda reforçar acesso dos animais à água de qualidade, disponibilizar áreas de sombra e adotar suplementação mineral adequada.

    Rio Grande do Sul: normalidade com variações sazonais

    No Rio Grande do Sul, a primavera 2025 tende a seguir padrão próximo da normalidade, segundo Flávio Varone, coordenador do Simagro-RS. “A primavera vai começar com condição bem típica da estação, com passagem de sistemas meteorológicos que provocam chuva regular e grande amplitude térmica”, explica.

    A previsão indica outubro úmido, com chuvas dentro ou acima da média na metade Norte do estado, seguido por novembro mais seco. As temperaturas devem apresentar grande amplitude térmica no início, com noites frias e tardes quentes, evoluindo para temperaturas mais elevadas em novembro e dezembro.

    Norte do Brasil: protagonismo na bioeconomia nacional

    A região Norte, responsável por significativa parcela da produção agrícola nacional, enfrenta cenários específicos durante a primavera. A primavera 2024 traz temperaturas acima da média e secas intensas, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, demandando estratégias adaptadas para cultivos regionais.

    O Estado comemora, por exemplo, a liderança na produção de açaí e dendê, respondendo por 90% do volume nacional. O Pará mantém posição de destaque, com 95% da produção do açaí se concentra no estado do Pará. A primavera representa período crucial para a safra, exigindo monitoramento constante das condições hídricas.

    A produção de 100% da área nacional de guaraná, 75% de açaí, 24% de cacau e 56% do dendê estão dentro do Bioma amazônico. R$ 24,4 bilhões (20,5%) foram gerados pela produção de açaí, mandioca, café, cacau, banana, cana, dendê, abacaxi, arroz, feijão e outros produtos da região, segundo estudos da Fundação Getúlio Vargas.

    Desafios climáticos regionais

    No entanto, em áreas do Matopiba, a expectativa de precipitação abaixo da média eleva o risco de dificuldades para a implantação da soja, conforme previsões do Inmet. A região Norte deve enfrentar chuvas irregulares e abaixo da média, dificultando o abastecimento hídrico e pressionando setores como agricultura e geração de energia.

    O Inmet afirma que o período é de “transição entre as estações seca e chuvosa no setor central do Brasil”, marcado pela convergência de umidade vinda da Amazônia. A ausência de influência significativa dos fenômenos El Niño ou La Niña mantém cenário de neutralidade climática, mas com variações regionais importantes.

    Temperaturas e precipitações previstas

    No Espírito Santo, as temperaturas máximas médias devem variar entre 24°C e 26°C na Região Serrana e entre 28°C e 30°C nas demais regiões. As mínimas ficam entre 15°C e 16°C na Serrana e cerca de 19°C nas outras áreas. O volume de precipitação deve ultrapassar 400mm no Caparaó, Grande Vitória e leste da Região Serrana.

    Hugo Ramos, coordenador de Meteorologia do Incaper, enfatiza: “O produtor rural deve adotar estratégias de manejo hídrico eficiente, intensificar o monitoramento fitossanitário e investir em práticas de bem-estar animal”.

    A primavera 2025 exige planejamento estratégico, aproveitando oportunidades de crescimento das lavouras e recuperação de pastagens, enquanto minimiza riscos de doenças, pragas e estresse térmico.

  • Setor agro cobra mais subvenção para seguro rural

    Setor agro cobra mais subvenção para seguro rural

    Representantes do governo, do Congresso e do setor produtivo defenderam nesta sexta-feira (19) maior subvenção ao seguro rural no Brasil. O encontro ocorreu na sede da Sociedade Rural Brasileira, em São Paulo, e reuniu cerca de 200 participantes.

    Eles alertaram que as mudanças climáticas intensificam perdas na agricultura e na pecuária, elevando riscos para produtores e instituições financeiras. Bancos exigem mais garantias e os recursos públicos disponíveis para cobrir sinistros são limitados.

    O secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos, destacou a união entre Executivo e Legislativo para ampliar o seguro. Ele afirmou que uma proposta robusta está em finalização para enfrentar os desafios do setor.
    O assessor especial do ministro, Carlos Ernesto Augustin, reforçou que o modelo atual não se sustenta. Segundo ele, o governo precisa decidir se prioriza a subvenção ao crédito ou ao seguro.

    Seguro rural mais abrangente

    Técnicos de diversas instituições apresentaram dados que confirmam a necessidade de um seguro rural mais abrangente e acessível. A ideia defendida no evento é migrar gradualmente a subvenção do crédito para o seguro.

    Campos lembrou que o Plano Safra cresce desde 2023, mas enfrenta dificuldades neste ano. Ele citou como causas a Selic alta, o avanço das recuperações judiciais e os efeitos das mudanças climáticas.

    De olho no Congresso

    Os participantes também discutiram o projeto de lei 2951/2024, em tramitação no Congresso. A proposta moderniza o seguro rural, altera a subvenção econômica e cria o Fundo Catástrofe para cobrir riscos extremos.

    O pesquisador da Embrapa, Eduardo Monteiro, e o diretor do Mapa, Diego Almeida, apresentaram mecanismos já usados, como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático. Eles também detalharam o piloto do Zarc com nível de manejo, implantado em Londrina (PR) na cultura da soja.

    Três seguradoras aderiram ao projeto, que premia produtores que adotam tecnologias para mitigar riscos, oferecendo condições mais vantajosas de seguro.

    Representantes da CNA, OCB, CNseg e FenSeg participaram do evento. Todas as entidades defenderam o fortalecimento do seguro rural como instrumento essencial de proteção ao agronegócio.

     

  • Mudanças climáticas abrem oportunidades no mercado

    Mudanças climáticas abrem oportunidades no mercado

    O mercado global de reparo de colisões automotivas foi avaliado em US$ 199,56 bilhões em 2023 e deve crescer a uma taxa anual composta (CAGR) de 1,9% entre 2024 e 2030, segundo levantamento da consultoria Grand ViewResearch. O aumento nas assinaturas de seguros automotivos e as mudanças nas condições climáticas ao redor do mundo impulsionam o crescimento do setor, elevando a demanda por serviços de reparo ágeis e especializados, como o Paintless Dent Repair (PDR), ou reparo técnico sem pintura.

    Entre os profissionais que têm observado esse movimento está Diego Ayres Kinap, técnico com mais de 13 anos de experiência em martelinho de ouro. Ele comanda a Kinap Dent Tech, empresa sediada no Texas (EUA),e mantém operações também em Curitiba, no Paranáe também oferece treinamento para profissionais na área. “A técnica do martelinho de ouro tem se tornado cada vez mais procurada, especialmente após tempestades de granizo, que causam danos em massa à lataria de veículos”, explica. “Em situações como essa, conseguimos restaurar frotas inteiras com agilidade, sem a necessidade de pintura.”

    Vantagens

    De acordo com Diego, a principal vantagem do PDR é justamente a capacidade de preservar 100% da originalidade do veículo. Tanto em estrutura quanto em pintura. Ao dispensar o uso de massa, lixa ou tinta, o processo é mais rápido e menos invasivo,  mas requer habilidades específicas. “Não é algo que qualquer um faz com vontade ou ferramenta. É preciso treinamento técnico, anos de experiência e um olhar clínico. Em carros de alto padrão, por exemplo, onde a pintura original é um ativo de valor comercial e até histórico, essa técnica é extremamente valorizada”, afirma.

    O especialista ainda pontua que, em um contexto de crescente valorização da sustentabilidade, o martelinho de ouro moderno também ganha destaque como uma alternativa ecologicamente inteligente. “O reparo técnico sem pintura reduz drasticamente o uso de materiais químicos e industriais. Não usamos massa, primer, tinta automotiva, nem geramos resíduos sólidos como lixas ou latas que precisariam ser descartadas adequadamente. É um processo limpo, mecânico e de altíssima precisão”, detalha.

    Além de evitar a liberação de compostos voláteis no ar, comuns na funilaria tradicional, o PDR contribui para prolongar a vida útil do acabamento original do carro. “Cada vez que um carro é repintado, ele perde uma camada de originalidade. Com o martelinho de ouro, mantemos essa integridade, o que também valoriza o veículo em revendas futuras”, destaca Diego.

    Mercado promissor

    Com um mercado que cresce impulsionado tanto pela frequência de desastres naturais quanto pela busca por soluções sustentáveis e eficientes, o setor de PDR mostra-se cada vez mais promissor. Para os profissionais qualificados, isso representa não apenas uma oportunidade econômica. Mas a chance de se posicionar em um mercado de alta especialização e relevância ambiental.

    “Hoje, vejo o martelinho de ouro não só como um serviço de economia, mas como uma contribuição para um modelo de consumo mais consciente. Ao recuperar em vez de substituir, ao preservar em vez de descartar, estamos alinhados com o que o futuro exige”, conclui.

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  • Brasil reforça protagonismo climático em evento em Londres

    Brasil reforça protagonismo climático em evento em Londres

    O governo brasileiro participa da Semana de Ação Climática de Londres, entre 21 e 29 de junho.
    A capital do Reino Unido recebe 700 eventos e espera 45 mil participantes. Trata-se de um dos principais encontros sobre clima na Europa.

    Governos, especialistas, empresas e organizações civis discutem medidas urgentes contra a crise climática global. A queima de combustíveis fósseis segue como principal responsável pelo aquecimento da Terra.

    O Brasil usa o evento como preparação para a COP30, que ocorrerá em Belém (PA), em novembro deste ano.
    A meta é mobilizar lideranças e a sociedade para acelerar acordos e soluções internacionais.

    Brasil apresentou carta com metas ambientais na Alemanha

    Nos últimos 10 dias, o Brasil participou de reuniões preparatórias para a COP30, em Bonn, na Alemanha.
    Delegações do governo e da sociedade civil discutiram a implementação dos compromissos firmados nas COPs anteriores.

    Durante o encontro, o país apresentou uma carta com 30 objetivos para fortalecer a proteção do clima. Entre as metas, estão reverter a degradação florestal até 2030 e triplicar o uso de energia renovável. “Já vivemos uma emergência climática que atinge os mais vulneráveis. Precisamos de ação coletiva e urgente”, afirmou Ana Toni, secretária nacional de mudança do Clima e diretora-executiva da COP30.

    Autoridades brasileiras integram delegação em Londres

    Além de Ana Toni, participam do evento o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, e a embaixadora Tatiana Rosito. O secretário-geral da ONU, António Guterres, também deve comparecer.

    Mudanças climáticas provocam catástrofes e recordes de calor

    A crise climática é causada, principalmente, pela emissão de gases do efeito estufa. A queima de carvão, petróleo e gás segue como a principal fonte de poluição.

    Desde 1992, conferências globais buscam soluções para conter o aquecimento da Terra. O Acordo de Paris, de 2015, fixou a meta de limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Entretanto, após a saída dos Estados Unidos do acordo, durante o governo Trump, os esforços internacionais enfraqueceram.
    Em 2024, o mundo registrou o ano mais quente dos últimos 175 anos, segundo a ONU.

    Eventos extremos vêm crescendo. Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou a maior catástrofe climática da sua história. Entre 2020 e 2023, os desastres climáticos no Brasil aumentaram 250%, de acordo com estudos recentes.

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  • Conheça o Projeto Mangues da Amazônia

    Conheça o Projeto Mangues da Amazônia

    Pesquisadores do Projeto Mangues da Amazônia aplicam técnicas genéticas de ponta para recuperar a maior faixa contínua de manguezal do planeta,. Ela está localizada no nordeste do Pará. A iniciativa é inovadora, e integra ciência avançada e saberes tradicionais das comunidades locais. E visa o reflorestamento sustentável de áreas degradadas, fortalecendo a conservação desse ecossistema vital para o equilíbrio ambiental e a economia regional.

    O diferencial do projeto está no mapeamento da variabilidade genética das espécies nativas — Rhizophora mangle (mangue-vermelho), Avicennia germinans (mangue-preto) e Laguncularia racemosa (mangue-branco). Por meio da coleta e análise de DNA das plantas em 12 quadrantes da península de Ajuruteua, em Bragança (PA), os pesquisadores identificam as áreas com maior diversidade genética. Essa seleção estratégica permite utilizar sementes com maior capacidade de adaptação e resistência a impactos ambientais e climáticos. E aumenta a produtividade e a resiliência das novas gerações de mangues.

    “Quanto maior a variabilidade genética, maior a capacidade das plantas de se adaptarem e sobreviverem às mudanças ambientais”. É o que  explica Marcus Fernandes, coordenador do Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA) da Universidade Federal do Pará (UFPA) e líder do projeto. Segundo ele, essa abordagem reduz perdas no reflorestamento e potencializa benefícios ambientais, como o aumento do estoque de carbono e a proteção da fauna local, incluindo o caranguejo-uçá.

    Resultados e metas do reflorestamento

    Desde 2021, o projeto já recuperou 18 hectares de manguezais degradados nos municípios paraenses de Tracuateua, Bragança, Augusto Corrêa e Viseu, com o envolvimento ativo das comunidades locais que dependem dos recursos naturais para seu sustento. A meta é alcançar 40 hectares reflorestados e monitorar 100 hectares na região nos próximos anos, alinhando-se ao Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC).

    John Gomes, gerente do projeto, destaca que o reflorestamento é “um gesto de sensibilização e conexão com a natureza”. Isso é essencial para despertar a consciência coletiva sobre a conservação dos manguezais, especialmente em um ano marcado pela realização da COP30 em Belém, que reforça a importância desses ecossistemas no combate às mudanças climáticas.

    Manguezais amazônicos: sumidouros de carbono e proteção ambiental

    Os manguezais da Amazônia são reconhecidos como grandes sumidouros de carbono, capazes de capturar de duas a três vezes mais carbono do que as florestas de terra firme, contribuindo significativamente para a mitigação dos gases do efeito estufa. Além disso, eles protegem as zonas costeiras da erosão, abrigam biodiversidade e sustentam comunidades tradicionais.

    O Projeto Mangues da Amazônia é uma iniciativa conjunta do Instituto Peabiru, Instituto Sarambuí e do Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA/UFPA). E conta com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental e apoio do Governo Federal. O trabalho envolve pesquisa técnico-científica, educação ambiental e atividades socioculturais nas Reservas Extrativistas Marinhas (RESEX) da região.

    Ciência e conservação integradas para o futuro

    O biólogo Adam Bessa, responsável pelo mapeamento genético, ressalta que o projeto está na vanguarda da ciência aplicada à conservação dos manguezais. Além de subsidiar a seleção de sementes, os dados genéticos orientam o planejamento de corredores ecológicos que conectam fragmentos de vegetação nativa, fortalecendo a estrutura biológica e a resiliência do ecossistema.

    Com a continuidade das coletas e análises ao longo de 2025, o projeto reforça seu compromisso com a conservação e o uso sustentável dos manguezais amazônicos, promovendo um modelo que alia inovação científica, gestão ambiental eficiente e inclusão social das comunidades tradicionais.

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  • Corais do litoral paulista têm alta capacidade de retenção de carbono

    Corais do litoral paulista têm alta capacidade de retenção de carbono

    Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificou que os corais do litoral paulista, especialmente no Arquipélago de Alcatrazes, apresentam uma surpreendente capacidade de fixação de carbono. O estudo estima que esses corais retêm anualmente uma quantidade de carbono equivalente às emissões geradas pela queima de mais de 300 mil litros de gasolina, demonstrando seu potencial como aliados naturais no combate às mudanças climáticas.

    Diferentemente do carbono orgânico produzido pela fotossíntese, que retorna rapidamente à atmosfera, os corais fixam carbono na forma de carbonato de cálcio (CaCO₃), um composto mineral estável que pode armazenar carbono por séculos ou milênios. Essa capacidade torna os ecossistemas coralíneos importantes para a mitigação dos efeitos do excesso de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera, principalmente o proveniente da queima de combustíveis fósseis.

    Resultados do estudo no Arquipélago de Alcatrazes

    O estudo foi conduzido pelo Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha da Unifesp (LabecMar). E utilizou tomografia computadorizada para analisar o crescimento dos esqueletos do coral-cérebro (Mussismilia hispida). A pesquisa estimou que esses corais produzem cerca de 170 toneladas de carbonato de cálcio por ano. Isso corresponde à retenção de aproximadamente 20 toneladas de carbono. Em termos práticos, essa fixação equivale às emissões de CO₂ geradas pela queima de 324 mil litros de gasolina.

    O Projeto Mar de Alcatrazes é realizado em parceria entre Unifesp, ICMBio e Petrobras. E  destaca a importância dos ecossistemas marinhos como serviços ambientais estratégicos para a conservação e a sustentabilidade. Luis Oliveira realizou a pesquisa durante seu mestrado, sob a orientação do professor Guilherme Pereira-Filho. A equipe publicou o estudo na revista Marine Environmental Research, reforçando o papel dos corais na mitigação das mudanças climáticas.

    Implicações para políticas ambientais e economia de baixo carbono

    A quantificação precisa da capacidade de retenção de carbono pelos corais abre caminho para o desenvolvimento de políticas públicas e modelos econômicos que valorizem os serviços ecossistêmicos marinhos. A conservação dessas áreas protegidas pode se tornar um componente fundamental para estratégias de sustentabilidade. E também para o avanço de uma economia alinhada com a redução das emissões de gases de efeito estufa.

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  • Dia Mundial do Meio Ambiente: produção de azeite se adapta às mudanças climáticas

    Dia Mundial do Meio Ambiente: produção de azeite se adapta às mudanças climáticas

    No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, cresce a urgência de adotar práticas sustentáveis para enfrentar os impactos das mudanças climáticas em diversos setores, incluindo a produção de azeite. Tradicional e amplamente consumido globalmente, o azeite sofre diretamente com as alterações climáticas, que afetam a oferta e os preços no mercado mundial e nacional.

    O Brasil é o segundo maior importador e o quarto maior consumidor mundial de azeite, o que torna o país especialmente sensível às oscilações causadas pelas mudanças climáticas nos países produtores. A variação na produção impacta diretamente a disponibilidade e o custo do produto para o consumidor brasileiro.

    De acordo com o Conselho Oleícola Internacional (COI), os mais de 11 milhões de hectares de oliveiras cultivadas no mundo funcionam como importantes sumidouros de carbono, removendo cerca de 4,5 toneladas de CO₂ por hectare anualmente. No entanto, para garantir a sustentabilidade e a resiliência da produção, empresas do setor estão investindo em soluções inovadoras e responsáveis.

    Investimentos em sustentabilidade e tecnologia

    A marca italiana Filippo Berio, com mais de 150 anos de tradição, destaca-se por suas ações voltadas à sustentabilidade na produção de azeite. Eduardo Casarin, country manager Brasil & Latam da empresa, informa que os investimentos recentes resultaram em reduções significativas no consumo de energia (-3,4%), água (-8,6%), emissões de gases de efeito estufa (-6,7%) e produção de resíduos (-5%), conforme detalhado no último Relatório de Sustentabilidade da marca.

    Além disso, a Filippo Berio implementou o “Método Berio”, que se baseia em quatro pilares: sustentabilidade, rastreabilidade, controle rigoroso dos parâmetros químicos e organolépticos, e certificação por entidades independentes como a SGS. Esse método assegura que os fornecedores adotem práticas agrícolas integradas e monitoradas periodicamente.

    Tecnologia e inovação para produção sustentável

    No olival da Villa Filippo Berio, na Toscana, a empresa utiliza sensores eletrônicos para monitorar em tempo real a presença da mosca das oliveiras. Assim, reduzindo o uso de defensivos químicos por meio de um controle mais preciso.

    Villa Filippo Berio. Divulgação

    Em parceria com o Conselho Nacional de Pesquisa da Itália (CNR), a marca transformou 70 hectares de olivais em um “laboratório ao ar livre” para testar técnicas de agricultura sustentável, aumento da biodiversidade e resistência a doenças como a Xylella fastidiosa.

    Produção mundial de azeite em recuperação

    A expectativa para a safra mundial de azeite 2024/2025 é de aproximadamente 3,38 milhões de toneladas métricas. Isso representa um aumento de cerca de 32% em relação à safra anterior, que registrou 2,56 milhões de toneladas. Esse crescimento sinaliza uma melhora nos olivares, resultado dos investimentos em práticas sustentáveis e inovação tecnológica.

    Com 99% do azeite consumido no Brasil sendo importado, o país enfrenta os efeitos da crise climática refletidos no aumento dos preços. Eduardo Casarin ressalta a importância das iniciativas sustentáveis para garantir uma produção resiliente e atender à demanda crescente por produtos responsáveis:

    “No cenário atual, qualquer tipo de iniciativa é fundamental para promover uma produção de azeite mais sustentável e resiliente. Portanto, contribuindo para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas e atendendo à crescente demanda por produtos responsáveis no mercado global.”

    A produção de azeite, apesar dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, abre caminho para práticas agrícolas que beneficiam o meio ambiente e a sociedade.

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