Tag: Mudanças climáticas

  • Mudanças climáticas são temas centrais no Fórum Internacional de Agropecuária

    Mudanças climáticas são temas centrais no Fórum Internacional de Agropecuária

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, convocou as principais economias globais a assumirem um compromisso sério com as mudanças climáticas. Durante o Fórum Internacional de Agricultura e Pecuária (FIAP), realizado paralelamente às reuniões do G20 em Cuiabá (MT), Fávaro destacou que o agravamento das queimadas no Brasil evidencia a urgência de ações concretas. “As queimadas no Brasil mostram a sensibilidade que o mundo precisa ter com as mudanças climáticas”, afirmou Fávaro, pedindo medidas globais para conter os efeitos dessas transformações.

    O Brasil enfrenta uma seca severa em várias regiões, intensificando focos de calor que afetam diretamente a produção agrícola. Fávaro enfatizou que as mudanças climáticas deixaram de ser uma questão debatida e se tornaram uma realidade inegável. Mato Grosso, estado que sedia as reuniões do G20, exemplifica os desafios climáticos ao registrar o maior número de queimadas no país. Ao mesmo tempo em que se destaca pela sua produção agrícola sustentável.

    Fórum Internacional da Agropecuária (FIAP), realizado em Cuiabá

    Fávaro destacou o compromisso do Brasil em intensificar a produção de alimentos sem expandir sobre áreas florestais. Ele ressaltou que o país tem potencial para aumentar a produção em cerca de 40 milhões de hectares de pastagens subutilizadas, sem desmatamento. “Somos grandes produtores e exportadores, mantendo vastas áreas preservadas. Podemos fazer ainda mais, sem comprometer nossas florestas”, explicou.

    União global e mudanças climáticas são temas centrais no Fórum Internacional de Agropecuária

    Durante a abertura do Fórum Internacional de Agropecuária (FIAP) em Mato Grosso, Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, enfatizou a importância de unir esforços para combater as mudanças climáticas. Ele ressaltou que o foco não deve ser encontrar culpados pela fumaça que cobre várias cidades brasileiras. Mas sim enfrentar a crise climática como um desafio global. “Avançamos muito com a tecnologia, mas nada disso será suficiente sem ter o meio ambiente como aliado. Para quem ainda duvida das mudanças climáticas, essa fumaça é um sinal claro”, afirmou, lembrando que o fogo contamina o ar e agrava o efeito estufa, afetando a vida de quem planta e cria.

    ApexBrasil apoia diretamente 22 setores do agronegócio, equivalendo a 2.500 empresas, produtores rurais e cooperativas

    O FIAP, que antecede o G20 Agro, programado para ocorrer até sexta (13 de setembro) na Chapada dos Guimarães (MT), reuniu ministros da agricultura de 19 países e mais de 30 delegações internacionais. Viana descreveu o fórum como um marco na história do Brasil, possibilitando a construção de uma narrativa positiva sobre o país. “Sediar o G20 é uma oportunidade de mostrar o verdadeiro potencial do Brasil. O presidente Lula está trabalhando para fortalecer essa imagem, e nós na ApexBrasil fazemos o mesmo”, destacou.

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    Viana também reforçou a responsabilidade do Brasil nas questões ambientais, alertando para a urgência de pensar no futuro em tempos de mudanças climáticas, insegurança alimentar e transição energética. Ele mencionou os desafios na criação do Código Florestal, que estabelece limites para o uso da terra nas áreas urbanas e rurais. E afirmou que essa legislação foi pensada para garantir um futuro sustentável.

    Modelo brasileiro de agricultura

    Laudemir Müller, gerente do Agronegócio da ApexBrasil, destacou que o Brasil desenvolveu um modelo único de agricultura tropical, capaz de contribuir com a segurança alimentar global e a preservação ambiental. Ele explicou que esse modelo também apoia as empresas que investem em tecnologias de transição energética e redução de emissões de carbono. A ApexBrasil apoia diretamente 22 setores do agronegócio, envolvendo 2.500 empresas, que juntas somam US$ 89 bilhões em exportações.

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, enalteceu a política comercial do governo Lula. Que já abriu 184 novos mercados para os produtos agropecuários brasileiros. Ele destacou a necessidade de intensificar a produção sem invadir áreas florestais ou o Cerrado, aproveitando áreas degradadas para esse crescimento.

    Governadores como Eduardo Riedel (MS) e Helder Barbalho (PA) ressaltaram a importância de um posicionamento estratégico do Brasil no agronegócio global, focando na sustentabilidade e preservação ambiental. Barbalho, por exemplo, reforçou que “uma floresta viva vale mais do que uma morta”. Mauro Mendes, governador de Mato Grosso, cobrou um maior comprometimento mundial na redução de emissões e combate ao desmatamento ilegal.

    O FIAP reuniu participantes de diversos setores para discutir o futuro do agronegócio, destacando a importância da sustentabilidade e das novas tecnologias para o desenvolvimento do setor. Em julho de 2024, as exportações do agronegócio brasileiro atingiram US$ 15,44 bilhões. Com destaque para os setores de soja, carnes, açúcar e etanol, produtos florestais e café, responsáveis por 82,5% das exportações.

  • Café robusta mantém preços superiores ao arábica

    Café robusta mantém preços superiores ao arábica

    O café robusta continua sendo negociado com valores acima do arábica, segundo o Cepea. Na sexta-feira, 6, a diferença entre os preços das duas variedades atingiu 51,9 reais por saca, o maior valor registrado.

    Impactos do clima no café robusta

    Pesquisadores do Cepea indicam que a alta está relacionada aos problemas climáticos no Vietnã e no Brasil. Globalmente, a oferta segue apertada em relação à demanda, o que pressiona os preços.

    No Vietnã, o maior produtor de robusta, o volume de chuvas melhorou, mas o calor continua preocupando. No Brasil, a previsão indica temperaturas acima do normal, com esse cenário persistindo até a metade de setembro, conforme os levantamentos meteorológicos do Cepea.

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    Problemas logísticos nos portos

    Além dos problemas climáticos, 30 exportadores tiveram um prejuízo de R$ 4,7 milhões devido a custos extras, como armazenagem adicional e pré-stacking.

    Custos adicionais

    De acordo com um levantamento do Cecafé, 93% dos exportadores relataram pagamentos extras com pré-stacking, 87% com detentions, 70% com armazenagem adicional e 20% com gate antecipado. Além disso, as principais dificuldades incluíram alterações de atracações, rolagens de carga e falta de contêineres.

    Atrasos nos portos

    O Porto de Santos, responsável por 69,1% das exportações de café no primeiro semestre, teve o maior índice de atrasos, com 82% dos navios afetados. O complexo portuário do Rio de Janeiro, que responde por 27,9% das exportações de café, teve um índice de atraso de 51% em junho.

     

  • Mudanças climáticas podem reduzir produção de cana em 20% até 2034

    Mudanças climáticas podem reduzir produção de cana em 20% até 2034

    A produção de cana-de-açúcar no Brasil pode sofrer uma queda de até 20% nos próximos 10 anos, segundo um estudo do Laboratório Nacional de Biorrenováveis do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais).

    Mudanças climáticas

    O estudo aponta que as mudanças climáticas serão responsáveis pela redução, com impactos diretos no mercado de etanol combustível e no setor de biocombustíveis. Ou seja, no cenário mais otimista, a queda pode ser de 5%, mas, até o final do século, a produção de cana-de-açúcar pode diminuir até 26%.

    O estudo utilizou técnicas de modelagem agroclimática para projetar os impactos. Além disso, os pesquisadores do CNPEM analisaram dados climáticos históricos e realizaram simulações para prever o futuro da cultura de cana na região Centro-Sul do Brasil. O engenheiro agrícola Gabriel Petrielli apresentou a pesquisa como parte de sua dissertação de mestrado na Unicamp.

    Utilizando dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o estudo aplicou o modelo Crop Assessment Tool (CAT), desenvolvido pelo CNPEM, para analisar como as mudanças climáticas afetam a produtividade da cana-de-açúcar. Em resumo, a área estudada inclui os estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, responsáveis por 90% da produção nacional.

    Produção de cana

    A produção de cana já começa a sentir os efeitos das mudanças climáticas. A Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) estima uma redução de 3,8% na safra de 2024/25, causada pela baixa pluviosidade e altas temperaturas na região Centro-Sul. A redução da quantidade e frequência de chuvas é o principal fator que afeta a produção de cana, superando até a elevação das temperaturas.

    No cenário mais pessimista, a queda na produção pode gerar uma perda de receita de até US$ 1,9 milhão por bilhão de litros de etanol produzido, apenas em créditos de descarbonização (CBIOs). “No Brasil, o RenovaBio remunera cada tonelada de CO2 evitada com créditos de descarbonização. A queda na produtividade da cana pode reduzir em até US$ 60 milhões anuais a receita do setor”, explica Petrielli.

    Thayse Hernandes, pesquisadora líder do LNBR e orientadora da pesquisa, destaca a urgência de medidas para mitigar os impactos climáticos. Segundo ela, é fundamental adaptar a cultura da cana às novas condições ambientais. O Brasil lidera mundialmente a produção e o consumo de biocombustíveis, o que torna essa questão ainda mais relevante.

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    Os resultados do estudo serão debatidos em congressos e publicados em artigos científicos. Porém, parte da pesquisa já foi apresentada na Suécia, mostrando como a instabilidade na produção brasileira de cana pode impactar o mercado internacional.

    Em resumo, no cenário mais otimista, a produção de cana pode sofrer uma queda de até 5%. Para isso, é necessário reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa. “As avaliações sobre mudanças climáticas são contínuas e interdisciplinares. Novas projeções podem fornecer dados para o planejamento futuro do país”, conclui Petrielli.

     

  • La Niña – mudanças no clima vão impactar o preço da alimentação

    La Niña – mudanças no clima vão impactar o preço da alimentação

    As mudanças climáticas, especialmente a influência do fenômeno La Niña, devem impactar significativamente os preços da alimentação na próxima safra no Brasil. Especialistas alertam que as condições climáticas adversas podem afetar a produção agrícola, resultando em uma elevação nos custos dos alimentos.

    O La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico, pode provocar alterações nos padrões de chuva e temperatura, impactando diretamente as safras de diversos produtos agrícolas. Essa situação pode levar a uma redução na oferta de alimentos, o que, por sua vez, tende a elevar os preços no mercado.

    Para enfrentar esses desafios, ferramentas digitais têm se mostrado aliadas importantes para os agricultores. A utilização de tecnologias de monitoramento climático e gestão agrícola pode auxiliar na tomada de decisões mais informadas, permitindo que os produtores se adaptem rapidamente às mudanças nas condições climáticas. Essas soluções digitais podem otimizar o uso de insumos e melhorar a eficiência na produção, ajudando a mitigar os efeitos negativos das mudanças climáticas.

    Com a expectativa de que o La Niña continue a influenciar o clima nos próximos meses, é crucial que os agricultores se preparem e adotem estratégias que possam garantir a sustentabilidade e a rentabilidade de suas atividades. A combinação de tecnologia e práticas agrícolas adaptativas pode ser a chave para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas. E também garantir a segurança alimentar no Brasil.

    Impactos no Brasil

    As expectativas apontam para um período com menos chuvas no Centro-Sul do País, concentrando as precipitações nas regiões Norte e Nordeste.

    No que se refere à safra de soja 2024/2025, agricultores já buscam seus insumos para o novo ciclo. E se preparam para iniciar o plantio, que deve ser puxado por Mato Grosso em setembro. Porém, os desafios começaram antes mesmo da temporada.

    Por conta dos padrões de chuva atípicos, os agricultores devem planejar o plantio e o manejo de forma a mitigar os efeitos do La niña. Algumas estratégias, como a escolha de cultivares certificadas, de alta qualidade, mais precoces ou tardias (dependendo da região), escalonamento de plantio, uso de tratamento de sementes, aplicações preventivas e com intervalos corretos de fungicidas, bem como o auxílio de ferramentas digitais, podem reduzir os riscos de perda de produtividade.

    De acordo com a diretora de Marketing para Sistemas de Cultivo Soja da Divisão de Soluções para Agricultura da BASF, Graciela Mognol, esse é o momento para o agricultor analisar o cenário em sua região. E tomar decisões de compra baseadas em dados, procurando profissionais capacitados para auxiliá-lo.

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    “Podemos ter secas na região Sul do Brasil, principalmente no período inicial, quando o cultivo ainda está se adaptando no solo. Já no Cerrado, especialmente em Mato Grosso, vemos chuvas em excesso, principalmente no momento da colheita. Entender essa complexidade climática é fundamental para que se possa extrair o máximo da lavoura e minimizar impactos”, afirma.

    Escolhendo cultivares e momento de plantio

    Na hora de decidir as cultivares de soja e escolher o momento do plantio, a dica é não apostar todas as fichas em uma só estratégia. Optar por cultivares com diferentes níveis de maturação e combinar com escalonamento de plantio (semear a lavoura em momentos diferentes) pode ser uma alternativa interessante.

    Para o Sul, a dica é escolher cultivares médias e tardias, que possuem um ciclo mais longo, considerando a previsão de período de seca na fase vegetativa da lavoura. Dessa forma, o agricultor abre uma janela maior de recuperação para que a planta se desenvolva. Optando por cultivares muito precoces, o risco é comprometer todo o potencial produtivo por conta da escassez hídrica.

    Já no Cerrado, o apodrecimento de vagens e grãos pode ser uma grande dor de cabeça. Isso em decorrência da previsão de chuvas na época de colheita. Por isso, escolher cultivares com tolerância a doenças de fim de ciclo. E que suportem o clima mais úmido nessa fase. Além de escalonar a semeadura para conseguir colher as áreas em momentos diferentes, é decisivo no resultado da safra.

    Além disso, existem ferramentas podem ser grandes aliadas na tomada de decisão dos agricultores. A solução de semeadura em taxa variável permite que seja realizada uma melhor distribuição das sementes de acordo com potencial produtivo de cada talhão. Possibilitando assim uma maior eficiência no uso de insumos, melhor uniformidade no campo e maior produtividade.

    Outra solução é a de gestão nutricional do talhão que oferece uma coleta de solo otimizada e uma recomendação digital de nutrientes e corretivos de solo em taxa variável. Essas e outras soluções contribuem para aumentar a produtividade e a rentabilidade no campo por meio de tecnologias somadas ao conhecimento agronômico.

    Prevenir doenças é melhor que tentar controlar

    Já para o manejo de doenças, os fungicidas preventivos e seletivos serão uma das chaves para alcançar a máxima produtividade na safra 2024/2025. O mais recomendado é impedir que doenças como ferrugem, mancha-alvo, cercospora e mofo-branco se instalem na lavoura, em vez de realizar manejos curativos, que não conseguem controlar 100% da disseminação dos patógenos. Por isso, as primeiras aplicações de fungicidas são essenciais.

    Por conta do cenário de chuvas mais irregulares no Sul, por exemplo, alguns agricultores podem escolher aumentar o intervalo entre as aplicações, visando reduzir a fitotoxicidade (danos nas folhas). No entanto, essa decisão pode piorar o cenário futuro: quando a área estiver mais úmida, as doenças podem evoluir de forma rápida.

    Para reduzir esses danos, duas práticas são fundamentais: escolher soluções altamente seletivas e programar aplicações noturnas, que têm o intuito de reduzir os efeitos dos raios solares fortes e das altas temperaturas, que podem causar danos às folhas e reduzir a produção.

  • Mudanças climáticas e agricultura. Como isso afeta nossa alimentação?

    Mudanças climáticas e agricultura. Como isso afeta nossa alimentação?

    As mudanças climáticas representam uma ameaça crescente para a humanidade nas próximas décadas. Embora seja difícil prever com precisão os impactos em um horizonte de 50 anos, os cientistas alertam para tendências preocupantes que podem tornar certas regiões do país cada vez mais inóspitas.

    Um dos principais desafios é o aumento da temperatura média. Projeções indicam que o Brasil pode experimentar um aquecimento de 3°C a 6°C até o final do século. Isso trará consequências severas, como ondas de calor mais frequentes e intensas, especialmente no Nordeste e no Centro-Oeste. Regiões como o semiárido nordestino já enfrentam escassez hídrica e secas prolongadas, que podem se agravar com o aquecimento global.

    Além disso, espera-se que eventos climáticos extremos, como chuvas intensas e inundações, se tornem mais comuns em várias partes do país. Áreas costeiras estão sob risco de elevação do nível do mar, que pode chegar a 1 metro até 2100. Isso ameaça cidades litorâneas e ecossistemas frágeis, como manguezais.

    Efeitos na agricultura

    A agricultura, pilar da economia brasileira, também será afetada. Mudanças no regime de chuvas e aumento de pragas e doenças podem reduzir a produtividade de culturas essenciais, como soja, milho e café. A segurança alimentar ficará comprometida, especialmente para populações vulneráveis.

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    Embora o Brasil tenha um grande potencial de adaptação, com sua biodiversidade e recursos naturais, os custos sociais e econômicos das mudanças climáticas serão enormes. Investimentos em infraestrutura resiliente, conservação ambiental e transição energética são cruciais para mitigar os riscos e garantir a habitabilidade do país no longo prazo.

    De acordo com estudos da NASA, algumas regiões do planeta, incluindo partes do Brasil, podem sofrer mudanças grandes nos próxims anos. Isso devido aos efeitos do aquecimento global. Utilizando dados de satélite e modelos climáticos globais, a NASA prevê que áreas do planeta incluido o Brasil enfrentarão condições extremas de calor.

    Um indicador crítico usado pelos cientistas é o índice de bulbo úmido, que combina temperatura e umidade do ar para avaliar o estresse térmico que o corpo humano pode suportar. Quando este índice ultrapassa 35°C por seis horas consecutivas, o risco de saúde torna-se fatal, pois o corpo humano perde a capacidade de regular sua temperatura interna. Nos últimos anos, algumas regiões subtropicais já ultrapassaram esse limite crítico, e a expectativa é que essa situação se intensifique e se espalhe para outras áreas, incluindo o Brasil​.

    Recentemente se falou em muitos lugares que o Brasil pode se tornar inabitável nos próximos 50 anos, mas como pode ser lida aqui, a situação precisa de atenção, mas não é exatamente dessa forma que se espalhou.

  • Técnica de irrigação da Embrapa revoluciona produção de cana

    Técnica de irrigação da Embrapa revoluciona produção de cana

    Pesquisadores da Embrapa desenvolveram um novo protocolo para irrigação de cana-de-açúcar no Cerrado. O Protocolo BRCana visa aumentar a produção, reduzir custos e minimizar a vulnerabilidade da cultura às mudanças climáticas. Além disso, a técnica, sustentável e eficiente, também diminui a demanda por terra e água, superando a produção tradicional.

    A tecnologia adota um método combinado de manejo da irrigação. Utiliza informações climáticas, umidade do solo e sensoriamento das plantas. Ou seja, esses parâmetros customizados melhoram a eficiência do uso da água e a economicidade na produção de cana no Cerrado, incluindo o manejo nas fases de crescimento e maturação.

    Vinicius Bufon, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (SP), destaca que o BRCana é um referencial técnico inédito. “O protocolo permite romper barreiras de produtividade, longevidade e eficiência no uso de água e terra”, afirma.

    Pesquisadores desenvolveram o método ao longo de anos em usinas sucroenergéticas, garantindo a solidez e a aplicabilidade da tecnologia. Desde 2012, várias usinas já escalaram a prática para uso comercial, aumentando a produtividade das áreas irrigadas em 70%.

    Cenários de produção com a irrigação

    Bufon realizou estudos para demonstrar a eficácia da irrigação como estratégia de adaptação às mudanças climáticas. A pesquisa apresentou dois cenários, ambos mostrando aumento na eficiência de uso da terra e economia significativa nos custos de produção.

    No primeiro cenário, 32% da área da usina seria irrigada, resultando em um aumento de 3,9% na produtividade média e 15% na longevidade dos canaviais. O segundo cenário, com 45% de área irrigada, aumentaria a produtividade em 4,2% e a longevidade em 21%.

    Além disso, a irrigação também reduziria o consumo de insumos e combustível. No cenário 2, haveria uma economia de até 19% no consumo de calcário e gesso, 8% em fósforo, 6% em nitrogênio e 10% em potássio, além de 10,2% em etanol e gasolina.

    Além disso, Bufon ressalta que, ao invés de expandir horizontalmente, investir na verticalização através da irrigação é mais sustentável e eficiente. “A produção irrigada, com a técnica correta, é mais sustentável e eficiente do que a produção tradicional”, conclui.

  • Embrapa e CGIAR fortalecem pesquisa climática com novo acordo

    Embrapa e CGIAR fortalecem pesquisa climática com novo acordo

    A Embrapa e o Grupo Consultivo de Pesquisa Internacional (CGIAR) assinaram um memorando de entendimento para intensificar a pesquisa em sistemas alimentares resilientes às mudanças climáticas. A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, e a diretora executiva do CGIAR, Ismahane Elouafi, oficializaram a parceria durante a 20ª Reunião do Conselho do Sistema CGIAR na sede da Embrapa, com a presença de representantes de financiadores e países em desenvolvimento.

    Foco na resiliência e sustentabilidade

    A colaboração entre Embrapa e CGIAR abrange áreas como recursos naturais, biotecnologia, bioeconomia e agricultura digital. A iniciativa visa enfrentar desafios como mudanças climáticas, transição energética e inclusão digital nas áreas rurais.

    Além disso, Massruhá destacou a importância da pesquisa para aumentar a resiliência agrícola e reduzir riscos. A Embrapa já contribuiu significativamente com programas de controle de acidez do solo, manejo integrado de pragas e zoneamento de risco climático. O desenvolvimento da Renovacalc, calculadora oficial de pegada de carbono para a Política Nacional de Biocombustíveis, foi mencionado como um avanço crucial.

    Eventos e compromissos futuros

    A presidente da Embrapa enfatizou o compromisso da instituição com a COP 30 e o potencial da inteligência artificial na agricultura. A recente reunião de cientistas-chefes agrícolas do G-20, coordenada pela Embrapa, reforça esse compromisso com soluções sustentáveis e inovação no campo. A colaboração com o CGIAR promete desenvolver variedades de culturas melhoradas, práticas agrícolas sustentáveis e tecnologias inovadoras para o futuro do planeta.

  • Alfaces da Embrapa desafiam o calor

    Alfaces da Embrapa desafiam o calor

    Uma pesquisa da Embrapa Hortaliças revelou resultados promissores no desenvolvimento de alfaces sob temperaturas mais elevadas. As mudanças climáticas preocupam e os impactos no setor agrícola também. Os pesquisadores simularam um cenário de aumento de 5ºC de temperatura, passando da média de 25ºC para 30ºC, durante 45 dias. Diferentemente de outras nove cultivares testadas no mesmo experimento, a BRS Leila e BRS Mediterrânea se desenvolveram bem nas novas condições.

    O estudo, liderado pelo pesquisador Carlos Pacheco, teve como objetivo antecipar os efeitos das mudanças climáticas no cultivo de alfaces. Foi considerado um cenário de aumento de temperatura de 5°C. “Para isso, trabalhamos dois valores de temperatura do ar, conforme a média histórica observada e projetada em um cenário extremo de mudanças climáticas globais para o Brasil: 25ºC/20ºC e 30ºC/25ºC (dia e noite, respectivamente)”, detalha Pacheco.

    Câmara de crescimento vegetal

    Utilizando a avançada Câmara de Crescimento Vegetal da Embrapa, os pesquisadores puderam simular condições atmosféricas precisas. A temperatura, umidade relativa do ar e concentração de gás carbônico foram observadas, por exemplo. Esta ferramenta permitiu uma análise detalhada do impacto do calor nas plantas de alface.

    O pesquisador lembra que as hortaliças folhosas são mais suscetíveis ao calor. Entre elas, a alface que é a mais consumida do país de acordo com a Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (Abcsem). Ou seja, o alto consumo torna o trabalho ainda mais importante no esforço de adaptação às mudanças no clima.

    Diferenciais das variedades

    O destaque das cultivares BRS Leila e BRS Mediterrânea reside em suas características específicas, desenvolvidas para enfrentar o calor crescente. Fábio Suinaga, responsável pelo desenvolvimento desses materiais, explica que a BRS Leila, por exemplo, possui um ciclo de florescimento mais tardio. Com isso ela resiste, em média, dez dias a mais de calor em comparação às demais alfaces testadas.

    Por sua vez, a BRS Mediterrânea apresenta um ciclo produtivo mais curto, permitindo que ela alcance o ponto de colheita sete dias antes das variedades similares do mercado. “Com um ciclo mais curto, ela está menos exposta ao calor e evita o florescimento prematuro”, destaca Suinaga. Esse florescimento precoce pode resultar em efeitos prejudiciais, como alongamento do caule e redução do número de folhas e da qualidade comercial da alface.

    Os testes realizados com cultivares comerciais sob as mesmas condições de temperatura revelaram uma série de desordens, como pendoamento e queima de bordas, inviabilizando sua comercialização. “O fato de nossas cultivares permanecerem resilientes a 30°C é uma prova da adaptabilidade do nosso material genético a condições adversas”, celebra o pesquisador.

    Próximo passo

    Enquanto o estudo atual focou na tolerância ao calor, os pesquisadores planejam expandir as investigações para abordar outros desafios climáticos. “Neste momento estamos trabalhando a tolerância ao calor, e na segunda etapa devemos focar no estresse hídrico (por excesso ou falta de água), envolvendo a tolerância à salinização, seguida pelo comportamento com relação ao uso de bioinsumos”, afirma Pacheco.

     

  • Mudanças climáticas podem acabar com café no Brasil

    Mudanças climáticas podem acabar com café no Brasil

    Os produtores de café têm enfrentado várias dificuldades com a colheita este ano, especialmente devido ao impacto do aquecimento global.

    Algumas dessas dificuldades incluem:

    • Declínio da produtividade em consequência do aquecimento global, que está afetando a produtividade das plantações de café, levando a uma redução nos rendimentos e qualidade dos grãos.
    • Mudanças climáticas, como alterações nas temperaturas e nos padrões de chuva, estão afetando a distribuição e a qualidade das plantações de café. Isso pode levar a uma redução na qualidade e na produtividade dos grãos.
    • O aquecimento global pode beneficiar a disseminação de pragas e doenças que afetam as plantações de café, o que pode reduzir a produtividade e a qualidade dos grãos.
    • O aquecimento global também está afetando a disponibilidade de áreas adequadas para a produção de café. Isso pode levar a uma redução na produtividade e na qualidade dos grãos em regiões que anteriormente eram produtivas, ocasionando a perda de áreas produtivas.

    Essas dificuldades podem ter impactos significativos nos produtores de café e na cadeia de suprimento global, impactando de forma direta o Brasil, principalmente a produção de café arábica.

    Estudos indicam perdas

    De acordo com um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e dos institutos federais do Mato Grosso do Sul e do Sul de Minas, o país poderá perder mais de 50% das áreas propícias ao cultivo do grão até 2080, mesmo nos cenários mais otimistas.

    Utilizando cinco cenários climáticos projetados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o estudo simulou alterações no regime de chuvas e na temperatura atmosférica para as próximas décadas. Nos cenários menos adversos, por exemplo, a área adequada para a cafeicultura sem irrigação poderá diminuir em mais de 50% até 2060. O cenário mais pessimista prevê um aumento contínuo das emissões de gases de efeito estufa. Isso pode resultar em um aumento de 4°C na temperatura média global até o final do século.

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    Atualmente, 8,72% do território brasileiro são aptos para o cultivo de café arábica. Contudo, projeções indicam que essa área poderá ser drasticamente reduzida. No cenário mais otimista, a área adequada cairia para 3,7% entre 2041 e 2060, e para 5,4% entre 2061 e 2080. No cenário mais pessimista, a área cultivável poderia ser reduzida a zero até 2080.

    Estados mais afetados

    Os estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, que são os maiores produtores de café do Brasil. E estão entre os mais vulneráveis às mudanças climáticas. Em São Paulo, por exemplo, metade das lavouras de café foi perdida nas últimas três décadas. Em 2024, a região Sudeste enfrentou quatro ondas de calor, afetando a produção e a qualidade do grão.

    A produção de café No Brasil representa 33% da produção mundial e 26% das exportações do país

    O engenheiro agrônomo Glauco de Souza Rolim, da Unesp, destacou para o  Jornal da Unesp a importância de estratégias de adaptação para preservar a produção de café no Brasil. “O café é muito suscetível ao clima e pode apresentar produtividades altas ou baixas dependendo da temperatura do ar e das chuvas durante seu ciclo de produção”, afirmou Rolim. Ele enfatizou a necessidade de desenvolver métodos de irrigação e outras tecnologias para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

    A produção de café é vital para a economia brasileira, representando 33% da produção mundial e 26% das exportações. A cadeia produtiva gera mais de 8 milhões de empregos e sustenta aproximadamente 287 mil cafeicultores, a maioria pequenos produtores. A redução das áreas cultiváveis terá sérios impactos econômicos e sociais, exigindo ações urgentes para garantir a sustentabilidade do setor.