Tag: Mudanças climáticas

  • Evento reúne lideranças do agro para discutir produção de alimentos

    Evento reúne lideranças do agro para discutir produção de alimentos

     O painel “Políticas Agrícolas e Segurança Alimentar” será realizado em 1º de outubro, durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF) 2026, com a participação do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. O encontro será realizado no Nubank Parque, em São Paulo.

    Na ocasião, serão discutidas medidas capazes de ampliar a produção de alimentos e reduzir os riscos enfrentados por produtores e consumidores. Além disso, serão analisados temas como crédito, seguro rural, infraestrutura, comércio internacional, sustentabilidade, tecnologia e previsibilidade regulatória.

    Produção é pressionada

    A segurança alimentar passou a receber mais atenção no cenário internacional. Entre os fatores responsáveis estão o crescimento populacional, as mudanças climáticas e os conflitos geopolíticos.

    Além disso, a volatilidade dos mercados de commodities e a necessidade de aumento da produtividade também são apontadas como fontes de pressão sobre o setor agropecuário.

    Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a população mundial, estimada em 8,2 bilhões de pessoas em 2024, deverá chegar a aproximadamente 9,7 bilhões em 2050.

    Ao mesmo tempo, o relatório OECD-FAO Agricultural Outlook 2026–2035 estima que a produção agrícola e pesqueira mundial precisará crescer 13% na próxima década.

    Diante desse cenário, políticas públicas de longo prazo serão discutidas como instrumentos para melhorar as condições de produção, estimular investimentos e ampliar o acesso a tecnologias.

    Riscos serão debatidos

    Durante o painel, deverão ser avaliadas medidas voltadas à garantia de uma oferta mais regular de alimentos. Para isso, serão considerados mecanismos capazes de reduzir os riscos da atividade agropecuária.

    Entre os temas previstos, serão abordados:

    • acesso ao crédito
    • seguro rural
    • infraestrutura
    • comércio internacional
    • sustentabilidade
    • incorporação de tecnologias
    • previsibilidade regulatória

    Dessa forma, também deverão ser analisados os fatores que afetam a competitividade do produtor, o abastecimento e os preços dos alimentos.

    A participação de Roberto Rodrigues foi destacada por Luiz Felipe Nastari, diretor de Comunicação e Eventos da DATAGRO:

    “É uma honra para o evento contar com a participação de uma das principais referências do agro brasileiro e uma voz fundamental no debate sobre o futuro da produção de alimentos, o ex-ministro Roberto Rodrigues,” ressalta Nastari.

    Programação terá três palcos

    O painel será integrado à programação do evento. Segundo a organização, mais de 35 painéis serão realizados, com a participação de mais de 100 palestrantes.

    As atividades serão distribuídas em três palcos simultâneos. Paralelamente, serão promovidas ações relacionadas à feira de negócios, à gastronomia e ao entretenimento.

    Em 2026, duas edições do evento serão realizadas no Brasil. A programação de São Paulo ocorrerá nos dias 1º e 2 de outubro, no Nubank Parque.

  • Mudanças climáticas já causaram R$ 785 bi em danos no Brasil; escolas apostam em educação para mudar esse cenário

    Mudanças climáticas já causaram R$ 785 bi em danos no Brasil; escolas apostam em educação para mudar esse cenário

    Entre 2013 e 2025, os desastres ambientais causaram R$ 785,4 bilhões em danos no Brasil. Os dados, consolidados em 2026 pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), revelam que os desastres afetaram 95,1% dos municípios brasileiros. Com impactos sobre moradias, infraestrutura, serviços públicos e setores como agronegócio, segurança pública e indústria. Diante do aumento de eventos extremos como o El Niño que provoca tempestades, secas, ondas de calor e incêndios florestais, o país precisa fortalecer a preparação municipal e da sociedade.

    O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) aponta que o estresse pós-traumático, a ansiedade e a perda cognitiva causados pelas ondas de calor afetam diretamente o desenvolvimento infantojuvenil. Por isso, escolas têm colocado os próprios estudantes no centro do debate climático. “Para reduzir esses danos, é necessário atuar antes, durante e depois do desastre. Isso envolve educação climática, mapeamento de riscos, alertas acessíveis, simulados, escolas preparadas, proteção das famílias, espaços seguros nos abrigos, continuidade da aprendizagem, atendimento de saúde e acompanhamento psicossocial prolongado”, afirma Keles Gonçalves de Lima, coordenador de evangelização do Marista Brasil e doutor em Educação.

    Letramento climático substitui o medo pela ação

    Por meio do Observatório Marista do Clima, crianças e adolescentes de diferentes biomas brasileiros deixam de apenas receber notícias alarmantes que geram ecoansiedade e medo e passam a vivenciar o chamado “letramento climático”. Na prática, mais de 700 alunos e professores investigam problemas reais de seus bairros, representam países em simulações da COP (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) e implementam soluções que vão da gestão de resíduos a hortas agroecológicas. Ao longo de 2025, 88 instituições participaram do Observatório, os estudantes propuseram mais de 220 ações climáticas e o projeto somou 42.448 participantes diretos.

    Keles explica que o Observatório entende as questões climáticas como permanentes. E por isso adota uma estratégia educativa capaz de preparar as comunidades para diferentes manifestações da emergência climática. “O Observatório trabalha com quatro dimensões: conhecimento científico, adaptação, mitigação e comunicação. Entre elas, está a compreensão dos riscos de desastres e a preservação da vida”, comenta.

    Os jovens não atuam apenas como destinatários de informações. Eles investigam problemas reais de seus territórios, representam países em negociações climáticas, formulam propostas e implementam ações voltadas à economia de água e energia, à gestão de resíduos, às hortas agroecológicas e à criação de soluções sustentáveis. O projeto busca transformar a preocupação com o clima em conhecimento, participação e ação concreta, evitando tanto a indiferença quanto uma abordagem que gere apenas medo.

    Semeando a mudança

    Entre os projetos criados está o “Desperdiçômetro”, que nasceu da necessidade de enfrentar o grande volume de alimentos descartados no refeitório. Para tornar o problema visível, o Marista Escola Social Ecológica, em Almirante Tamandaré (PR), passou a pesar diariamente os restos alimentares. E divulgar os resultados em um mural, mobilizando toda a comunidade escolar. Além da medição, a escola promoveu debates, palestras com profissionais de nutrição, oficinas práticas sobre tamanho de porções e uso completo dos ingredientes, além de campanhas de conscientização.

    O projeto também criou um ciclo sustentável e pedagógico ao integrar o manejo dos descartes: os restos orgânicos passaram a alimentar uma composteira, que produz adubo para a horta da própria escola a mesma que abastece a cozinha com vegetais frescos. Sementes, folhas e cascas, por sua vez, viraram alimento para as ovelhas mantidas no local.

    Essa abordagem já gerou resultados importantes. A escola reduziu o volume de comida descartado no refeitório, aumentou a percepção dos alunos sobre a importância da alimentação, engajou as famílias, diminuiu custos institucionais e reforçou o reconhecimento do alimento como um bem fundamental.

    No Marista Escola Social – Robru, em São Paulo (SP), o projeto “Fraternidade e Ecologia Integral” resultou na criação de uma horta. A iniciativa incluiu um estudo de solo, a construção de canteiros, a instalação de uma estufa e uma formação em permacultura. A escola incorporou a proposta ao currículo da Educação Infantil, unindo agroecologia, permacultura e conscientização ambiental.

    “Cuidar das crianças e dos adolescentes diante da emergência climática significa reconhecê-los como prioridade absoluta. Mas também como sujeitos capazes de participar da construção de comunidades mais preparadas, solidárias e resilientes”, finaliza Lima.

    A escola como ponto de apoio em tragédias climáticas

    A tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024 reconfigurou a atuação dos municípios e das instituições civis e de ensino. Antes, as enchentes eram vistas como episódios sazonais; hoje, os Maristas do Brasil as tratam como rotina institucional. “Não é mais possível tratar os eventos climáticos extremos como situações excepcionais. Precisamos incorporar permanentemente a prevenção, a adaptação e o cuidado com as populações mais vulneráveis aos processos institucionais e educativos”, avalia Keles.

    Diante do El Niño e de outras ameaças, os projetos de ações climáticas reforçam a necessidade de planos de contingência territorializados. “Os planos operacionais de contingência precisam ser territorializados, pois cada unidade está exposta a riscos diferentes, como enchentes, deslizamentos, secas, incêndios ou ondas de calor. Por isso, devem considerar os alertas oficiais, as orientações das defesas civis e as responsabilidades das mantenedoras e dos municípios”, afirma Lima.

    O coordenador ressalta que o Plano de Contingência é responsabilidade do poder público. “A escola não substitui a Defesa Civil, mas pode contribuir com educação climática, mobilização comunitária, conhecimento do território e participação de crianças e adolescentes. Um dos próximos avanços possíveis é justamente aproximar ainda mais as ações educativas do Observatório Marista do Clima dos planos municipais de prevenção e adaptação climática”, destaca.

    Sobre os Maristas no Brasil

    Os Maristas no Brasil integram uma rede global presente em mais de 80 países em todos os continentes. Há 129 anos no país, atuam hoje em mais de 94 cidades, em 25 estados brasileiros e no Distrito Federal. A rede reúne 97 unidades de educação básica, 34 unidades sociais e instituições de ensino superior como a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e a Católica de Santa Catarina, além do Hospital Cajuru e do Hospital Marcelino Champagnat, no Paraná, do Hospital São Lucas, em Porto Alegre, e de editoras como a FTD Educação.

  • Super El Niño pressiona safra brasileira, mas favorece agricultura dos EUA

    Super El Niño pressiona safra brasileira, mas favorece agricultura dos EUA

    O El Niño deve ganhar força nos próximos meses, mas seus efeitos sobre a agricultura não serão iguais em todo o mundo. Enquanto o fenômeno pode aumentar os riscos para a produção de grãos no Brasil, os Estados Unidos tendem a encontrar condições mais favoráveis para a próxima temporada agrícola.

    A diferença está no comportamento das chuvas provocado pelo fenômeno em cada região. No Brasil, áreas importantes para a produção de soja e milho podem enfrentar períodos mais secos, enquanto o Sul tende a registrar condições mais úmidas.

    Já nos Estados Unidos, o El Niño costuma favorecer o aumento das chuvas em parte do território, principalmente no Sul, o que pode melhorar a disponibilidade de água para a temporada seguinte.

    El Niño deve ficar mais forte no fim de 2026

    O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

    A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) prevê que o fenômeno continue se fortalecendo ao longo de 2026.

    El Niño é causado pelo aquecimento acima da média das águas na região Equatorial do Oceano Pacífico. Mapa mostra o padrão de temperatura direcionado pelo fenômeno climático (Foto: NOAA/Via MetSul)

    Na atualização mais recente, a agência apontou 81% de probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro. A NOAA também estimou em 97% a possibilidade de o fenômeno persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.

    A intensidade do El Niño, porém, não significa que todos os países enfrentarão os mesmos efeitos. O impacto depende da região, da época do ano e das condições climáticas locais.

    Brasil pode enfrentar maior risco para soja e milho

    O cenário preocupa o agronegócio brasileiro porque a intensificação do fenômeno ocorre justamente em um período importante para a safra 2026/27.

    No Cerrado, Centro-Oeste, regiões produtoras do Norte e na Amazônia, o El Niño tende a favorecer condições mais secas. Esse cenário pode reduzir a disponibilidade de água para as lavouras e aumentar o risco de períodos de estiagem.

    O problema é especialmente relevante para culturas como soja e milho, que dependem de uma distribuição adequada das chuvas durante diferentes fases do ciclo.

    No Sul do país, o comportamento tende a ser diferente. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul podem registrar condições mais úmidas associadas ao fenômeno.

    Isso, porém, não significa que todo o Sul terá uma safra melhor. O excesso de chuva também pode prejudicar o plantio, o desenvolvimento das plantas e a colheita.

    Pesquisador estima perda de até 10% na safra brasileira

    O pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa e da FGV Agro, avalia que um El Niño muito forte pode provocar perdas relevantes na produção brasileira.

    Segundo Assad, o cenário pode resultar em uma redução estimada de até 10% na produção de soja e milho do Brasil.

    A projeção, entretanto, deve ser interpretada como uma estimativa de risco, e não como uma previsão oficial de quebra da safra 2026/27.

    O resultado dependerá da intensidade do fenômeno, da distribuição das chuvas e das temperaturas observadas em cada região produtora.

    Por que os EUA podem ser favorecidos pelo El Niño?

    Nos Estados Unidos, o cenário tende a ser diferente.

    O período de maior influência do El Niño costuma ocorrer entre setembro e março. Para boa parte das culturas norte-americanas, essa época coincide com a entressafra ou com um período de menor atividade agrícola.

    Além disso, o fenômeno costuma aumentar a umidade em áreas do Sul dos Estados Unidos, desde a Califórnia até as Planícies Centro-Sul e o Sudeste.

    A maior quantidade de chuva pode reduzir o risco de seca e melhorar os níveis de água em rios, reservatórios e outras fontes utilizadas na agricultura.

    Dessa forma, o El Niño pode deixar os Estados Unidos em uma posição mais favorável para a próxima temporada de cultivo.

    Efeito do El Niño muda de acordo com o país

    Os impactos sobre a agricultura também podem ser diferentes em outras partes do mundo.

    Na América Central, países como Guatemala, Panamá, El Salvador e Costa Rica podem enfrentar condições menos favoráveis para culturas como milho e arroz.

    Na América do Sul, Paraguai e Uruguai podem encontrar condições mais favoráveis em determinadas áreas. Já Peru, Equador e parte da Colômbia podem registrar períodos de chuva acima do normal.

    Na África, o fenômeno tende a reduzir as precipitações em algumas regiões.

    Na Austrália, por outro lado, a irregularidade das chuvas pode prejudicar as pastagens e aumentar o risco de veranicos e estiagens.

    “Neste momento, os impactos mais imediatos do El Niño provavelmente estão sendo sentidos na Indonésia, Filipinas, América Central, parte da África e Índia, onde a chuva tem estado abaixo do normal nos últimos um ou dois meses. Também notamos um aumento nas chuvas em partes do Chile. Todos esses impactos são condizentes com as condições do El Niño”, afirma a cientista física do Centro de Previsão Climática da NOAA e líder da equipe de El Niño, Michelle L’Heureux.

  • Mudanças climáticas aumentam pressão por irrigação no agro

    Mudanças climáticas aumentam pressão por irrigação no agro

    As mudanças climáticas devem aumentar a importância da irrigação para o agronegócio brasileiro. A avaliação foi apresentada por pesquisadores durante o Fórum Mais Milho, realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), em Brasília, nesta quarta-feira (12).

    Segundo os especialistas, a maior frequência de eventos climáticos extremos pode elevar os riscos para produtores que dependem exclusivamente das chuvas para conduzir suas lavouras.

    Mudanças climáticas aumentam importância da irrigação

    Lineu Rodrigues, pesquisador da Embrapa Cerrados e um dos idealizadores da Rede Nacional de Irrigantes (Renai), afirmou que o cenário da produção agrícola brasileira está mudando.

    “O cenário está mudando, vamos ter que irrigar mais”, afirmou.

    O pesquisador destacou que, até agora, a produção de grãos em sistema de sequeiro (que depende principalmente das chuvas) manteve a competitividade do Brasil. No entanto, a mudança no comportamento do clima aumenta a necessidade de estratégias para reduzir os impactos da irregularidade hídrica.

    “Até hoje, a produção do Brasil em sequeiro era competitiva, mas agora o clima está mudando. A irrigação vai ser cada vez mais importante.”

    Para Rodrigues, além da expansão da irrigação, o setor precisa ampliar o monitoramento climático e a geração de dados.

    A medida permitiria aos produtores fazer um planejamento mais preciso das atividades e tomar decisões com maior antecedência diante das condições meteorológicas.

    Estresse hídrico aumenta risco para produtores

    Ronaldo Torres, pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), destacou a relação entre as perdas provocadas pelo clima e o endividamento no campo.

    Segundo ele, parte das dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores está relacionada às frustrações de safra causadas pelo estresse hídrico.

    “A irrigação pode ser uma solução para problemas decorrentes de estresse hídrico e eventos climáticos, como El Niño e La Niña, cada vez mais recorrentes”, apontou.

    A irrigação, nesse contexto, pode funcionar como uma ferramenta para reduzir a dependência exclusiva das chuvas e aumentar a previsibilidade da produção.

    Brasil pode ampliar área irrigada

    Durante o evento, Durval Dourado Neto, professor da Esalq, afirmou que o Brasil possui potencial para ampliar significativamente a área irrigada.

    Segundo ele, o país poderia acrescentar 53,4 milhões de hectares de área irrigada no longo prazo, ultrapassando a marca de 60 milhões de hectares.

    O professor também defendeu a expansão da agricultura irrigada como uma estratégia relacionada à segurança alimentar.

    De acordo com estudos apresentados por ele, seria possível desenvolver, no médio prazo, um plano nacional de segurança alimentar com o objetivo de ampliar a área irrigada em 15,5 milhões de hectares nos próximos 30 anos.

    Desse total, 6,4 milhões de hectares estariam em áreas consideradas mais favoráveis à implantação de projetos de irrigação.

    Além disso, o professor também afirmou que seria possível ampliar em 2,1 milhões de hectares a área irrigada a cada quatro anos em regiões próximas aos oito principais polos agrícolas irrigados do país.

    Irrigação exige investimento e infraestrutura

    Para Dourado Neto, a expansão da irrigação precisa ser acompanhada por planejamento e sustentabilidade.

    “É importante ter a ciência norteando a agricultura. O Plano Nacional de Irrigação pode dobrar área adicional irrigável nos próximos anos e fazer isso com sustentabilidade, preservando água e floresta”, disse.

    Gustavo Goretti, pesquisador das áreas de irrigação e conservação do solo, avaliou que a expansão potencial da área irrigada exigiria entre R$ 100 bilhões e R$ 150 bilhões em investimentos privados no longo prazo.

    Segundo Goretti, alguns dos principais obstáculos para a expansão da irrigação continuam semelhantes aos enfrentados pelo setor há duas décadas.

    Entre eles estão:

    • dificuldades relacionadas ao licenciamento ambiental;
    • regras para armazenamento e outorga de água;
    • disponibilidade de energia elétrica;
    • qualidade do fornecimento de energia.

    O pesquisador também apontou que a irrigação ainda é tratada, em determinadas situações, como uma atividade sujeita a licenciamento, em vez de ser considerada uma tecnologia capaz de contribuir para a produção agrícola.

    Setor defende melhor uso dos recursos hídricos

    Bernhard Kiep, diretor da Abramilho e membro da Câmara de Irrigação (CSEI) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), afirmou que o Brasil ainda utiliza de forma limitada seu potencial produtivo e seus recursos naturais.

    “Temos 12% da água doce do mundo, usamos menos de 1%. Somos campeões mundiais de desperdício de água doce do mundo. Precisamos usar melhor para o bem da humanidade.”

    As discussões realizadas no Fórum Mais Milho mostram que a irrigação tende a ganhar espaço na estratégia do agronegócio brasileiro diante das mudanças no regime de chuvas e do aumento dos riscos climáticos.

    Para os pesquisadores, a expansão, porém, depende de investimentos, planejamento, disponibilidade de água, infraestrutura energética, segurança jurídica e uso de dados para orientar as decisões no campo.

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  • Raios matam trabalhadores rurais durante tempestade na Índia

    Raios matam trabalhadores rurais durante tempestade na Índia

    Pelo menos 14 pessoas morreram após serem atingidas por raios durante fortes tempestades no leste da Índia. A maioria das vítimas era formada por trabalhadores rurais, que estavam em lavouras quando as descargas elétricas atingiram a região em plena temporada de monções.

    Segundo as autoridades locais, 10 mortes foram registradas no distrito de Giridih, no estado de Jharkhand. Outras pessoas ficaram feridas. Enquanto isso, o serviço meteorológico indiano prevê a continuidade das chuvas intensas nos próximos dias.

    Monções aumentam o risco para agricultores

    A temporada de monções ocorre entre junho e setembro e é responsável por cerca de 75% das chuvas anuais da Índia. Esse período também coincide com a fase mais intensa da atividade agrícola, mantendo milhares de trabalhadores em áreas abertas durante a ocorrência de tempestades.

    Sem abrigos adequados nas lavouras, muitos agricultores permanecem expostos às descargas elétricas, o que aumenta significativamente o risco de acidentes fatais.

    Raios são a principal causa de mortes por desastres naturais

    Dados do National Crime Records Bureau (NCRB) mostram que os raios são atualmente o fenômeno climático mais letal da Índia.

    Somente em 2024, foram registradas 2.825 mortes provocadas por descargas elétricas, número superior ao total de vítimas causadas por enchentes, ondas de calor e frio intenso no mesmo período.

    Desde 1967, mais de 100 mil pessoas perderam a vida em decorrência de raios no país. Mais da metade dessas mortes ocorreu a partir de 2005, indicando um aumento expressivo dos casos nas últimas décadas.

    Mudanças climáticas podem intensificar as tempestades

    Pesquisadores apontam que o aquecimento global pode estar contribuindo para o aumento da incidência de raios.

    Com temperaturas mais elevadas, a atmosfera consegue armazenar mais vapor d’água, favorecendo a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, responsáveis pelas tempestades elétricas.

    Um estudo da Fakir Mohan University, no estado de Odisha, identificou crescimento contínuo da atividade elétrica atmosférica na Índia e um comportamento cada vez mais imprevisível das tempestades.

    Segundo a pesquisa, a média anual de mortes por estado passou de 38 vítimas, entre 1967 e 2002, para 61 mortes no período de 2003 a 2020.

    Temporada de monções já deixou centenas de vítimas

    As mortes provocadas pelos raios se somam a outros desastres registrados durante a atual temporada de monções.

    Nas últimas semanas, enchentes em Assam causaram cerca de 90 mortes. Já deslizamentos de terra e chuvas intensas nas regiões do Himalaia deixaram mais de 50 vítimas. No estado de Kerala, enchentes e deslizamentos provocaram pelo menos 15 mortes e obrigaram milhares de moradores a abandonar suas casas.

    Os sucessivos eventos extremos evidenciam os impactos das condições climáticas severas sobre áreas rurais e populações mais vulneráveis.

    O que são as monções?

    As monções são um fenômeno climático caracterizado pela mudança sazonal dos ventos, que provoca períodos de chuvas intensas em diversas regiões da Ásia, especialmente na Índia.

    Entre junho e setembro, essas chuvas abastecem rios, reservatórios e lavouras, sendo essenciais para a agricultura e o abastecimento de água. No entanto, a intensidade das precipitações também aumenta o risco de enchentes, deslizamentos de terra, tempestades com raios e outros desastres naturais, afetando milhões de pessoas todos os anos.

  • Alface sobe até 90% e seca muda mercado de alimentos na Europa

    Alface sobe até 90% e seca muda mercado de alimentos na Europa

    A alface virou um dos principais símbolos da crise climática que atinge a agricultura europeia neste verão.

    No Reino Unido, a combinação de seca prolongada e calor intenso derrubou a produção da hortaliça, reduziu a oferta no mercado e fez o preço no atacado subir cerca de 90%. O cenário levou redes de supermercados, distribuidores e restaurantes a recorrerem a fornecedores da Espanha para manter o abastecimento.

    O problema ocorre justamente no período em que o país normalmente concentra sua produção de verão, diminuindo a necessidade de importações.

    Calor interrompe o desenvolvimento das plantas

    A falta de chuva chegou em um dos momentos mais importantes do ciclo das hortaliças.

    Embora muitos produtores utilizem sistemas de irrigação, a escassez de água reduziu a capacidade de manter o solo úmido durante as sucessivas ondas de calor.

    Como consequência, parte das plantações apresentou crescimento irregular, folhas menores e perda de qualidade comercial.

    Em diversas propriedades, agricultores passaram a colher menos unidades por hectare, reduzindo a oferta disponível para o mercado.

    Espanha volta a abastecer o Reino Unido

    Diante da quebra de safra, distribuidores precisaram reorganizar rapidamente a cadeia de abastecimento.

    Em vez de comprar a produção britânica, empresas voltaram a importar alface cultivada na Espanha, país acostumado a produzir em condições de temperaturas mais elevadas.

    A mudança representa uma situação incomum para esta época do ano, quando a maior parte da demanda costuma ser atendida pelos agricultores locais.

    Além da Espanha, fornecedores da Holanda também passaram a complementar o abastecimento de algumas regiões.

    Preços sobem e pressionam toda a cadeia

    A alta da alface não ocorreu de forma isolada.

    O tomate acumulou aumento superior a 60% no mercado atacadista britânico. A batata também ficou mais cara, enquanto outras hortaliças apresentam tendência de valorização caso o tempo seco continue.

    Para supermercados e restaurantes, o aumento dos custos representa um desafio adicional justamente durante o período de maior consumo de saladas e refeições leves no verão europeu.

    Ao mesmo tempo, produtores enfrentam despesas maiores com irrigação e redução na produtividade.

    Agricultura sente os efeitos das mudanças climáticas

    Plantação de Alface
    Foto: Embrapa/Italo Ludke

    Especialistas avaliam que episódios de calor extremo tendem a se tornar mais frequentes nas próximas décadas.

    As hortaliças estão entre as culturas mais sensíveis às variações de temperatura porque dependem de grande disponibilidade de água e apresentam ciclos curtos de desenvolvimento.

    Quando o solo perde umidade rapidamente, as plantas reduzem o crescimento para preservar energia. Como resultado, a produtividade cai e parte da produção perde valor comercial.

    Esse comportamento já preocupa agricultores em diferentes regiões da Europa.

    Supermercados pedem medidas ao governo

    A crise mobilizou produtores, indústrias e grandes redes varejistas.

    Mais de uma centena de empresas do setor alimentício solicitaram ao governo britânico medidas para fortalecer a produção nacional e reduzir a vulnerabilidade provocada pelos eventos climáticos extremos.

    Entre as reivindicações estão investimentos em infraestrutura hídrica, ampliação da capacidade de armazenamento de água e incentivos para tornar a agricultura mais resiliente.

    O objetivo é diminuir a dependência de importações durante períodos de clima severo.

    Brasil acompanha o cenário

    Embora o problema esteja concentrado na Europa, o mercado brasileiro observa a situação com atenção.

    Além disso, oscilações na oferta internacional podem alterar fluxos comerciais, influenciar preços e criar oportunidades para exportadores de alimentos.

    Além disso, a sequência de eventos extremos reforça um alerta que também vale para o Brasil: investir em irrigação, manejo da água e adaptação das lavouras tornou-se uma estratégia cada vez mais importante para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.

  • Calor extremo ameaça alimentos na Europa e alerta o Brasil

    Calor extremo ameaça alimentos na Europa e alerta o Brasil

    O verão de 2026 está impondo um dos maiores desafios já enfrentados pela agricultura britânica. A combinação de calor extremo e escassez de chuvas comprometeu a produção de hortaliças em diversas regiões do Reino Unido, reduziu a oferta de alimentos e obrigou supermercados, restaurantes e distribuidores a recorrerem às importações justamente no período em que o país costuma abastecer o próprio mercado.

    Os efeitos já chegaram às prateleiras. Segundo representantes do setor ouvidos pelo jornal britânico The Guardian, os preços no atacado dispararam nas últimas semanas. O tomate ficou mais de 60% mais caro, a alface americana registrou alta próxima de 90% e a batata acumula valorização superior a 40%.

    O cenário também preocupa autoridades, varejistas e produtores, que classificam a atual temporada como uma das mais difíceis das últimas décadas.

    Brócolis perde metade da produção

    Entre as culturas mais afetadas está o brócolis. Em algumas propriedades, a produtividade caiu cerca de 50%, consequência direta das temperaturas elevadas e da falta de água para irrigação.

    David Simmons, produtor da Riviera Produce e integrante da diretoria da Brassica Growers’ Association, afirmou ao The Guardian que os agricultores passaram a unir duas cabeças de brócolis para atingir o peso mínimo exigido pelo mercado.

    “O Reino Unido enfrenta uma grande escassez de brócolis neste momento. Estamos importando produtos da Espanha e da Holanda para atender aos pedidos”, afirmou.

    Segundo ele, a preocupação agora se concentra na couve-flor, que também pode apresentar redução significativa de oferta nas próximas semanas caso o clima permaneça seco.

    Importações voltam ao centro do abastecimento

    A queda da produção obrigou distribuidores a fazer um movimento considerado incomum para esta época do ano.

    Tradicionalmente, durante o verão, boa parte das hortaliças consumidas no Reino Unido é produzida internamente. Desta vez, porém, empresas voltaram a comprar grandes volumes na Espanha para evitar desabastecimento.

    Tim O’Malley, presidente da distribuidora Nationwide Produce, afirmou ao The Guardian que a situação é mais grave do que muitos consumidores imaginam.

    “A situação é pior do que o público imagina. Estamos ficando sem água”, disse.

    Segundo o executivo, verduras folhosas, alface americana e brócolis foram as culturas mais prejudicadas. Mesmo enfrentando temperaturas elevadas, produtores espanhóis conseguem manter parte da produção graças à infraestrutura de irrigação desenvolvida ao longo de décadas.

    Cenouras enfrentam o pior ano da história

    A situação também preocupa os produtores de cenoura.

    Rodger Hobson, agricultor de Yorkshire responsável por cerca de 4% da produção britânica da cultura, classificou 2026 como o pior ano já registrado em sua propriedade.

    “É de partir o coração e para o bolso”, afirmou ao The Guardian.

    Segundo Hobson, temperaturas acima de 25°C já reduzem significativamente o desenvolvimento das plantas. Quando os termômetros ultrapassam os 30°C, praticamente todo o crescimento da cultura é interrompido.

    Caso não ocorram chuvas consistentes nas próximas semanas, a produção nacional poderá acabar meses antes do previsto, obrigando o país a ampliar as importações durante a primavera europeia.

    Colheitas antecipadas preocupam agricultores

    Além das hortaliças, outras culturas também apresentam perdas importantes.

    A safra inglesa de ervilhas caiu cerca de um terço em relação ao esperado. Já a colheita de cereais começou mais cedo do que o habitual, reflexo direto das altas temperaturas e da rápida perda de umidade do solo.

    Produtores estudam adotar variedades mais resistentes ao calor, semelhantes às cultivadas no sul da Europa. No entanto, representantes do setor defendem que apenas mudanças tecnológicas não serão suficientes.

    Entre as principais reivindicações está o aumento dos investimentos em reservatórios para armazenar água das chuvas do inverno e da primavera, garantindo irrigação durante os meses mais secos.

    Supermercados cobram ação do governo

    A preocupação extrapolou o campo.

    As maiores redes varejistas do Reino Unido, juntamente com fabricantes, distribuidores e atacadistas de alimentos, enviaram um documento ao governo britânico alertando que incêndios florestais, secas prolongadas e eventos climáticos extremos passaram a representar uma ameaça concreta à segurança alimentar nacional.

    As empresas defendem políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção doméstica e à redução da dependência das importações.

    Calor atinge toda a Europa

    Os impactos não se restringem ao Reino Unido.

    Diversos países europeus registram perdas em culturas como trigo, batata, tomate e oliveiras, pressionados pela combinação de seca prolongada, incêndios florestais e sucessivas ondas de calor.

    Especialistas avaliam que a tendência aumenta a volatilidade do mercado internacional de alimentos e pode influenciar o comércio agrícola nos próximos meses, principalmente se as condições climáticas extremas persistirem até o fim do verão no Hemisfério Norte.

  • Preço do cacau cai, mas gigantes do chocolate ainda enfrentam impactos

    Preço do cacau cai, mas gigantes do chocolate ainda enfrentam impactos

    Apesar da recente queda nas cotações internacionais do cacau, as maiores fabricantes de chocolate do mundo ainda enfrentam dificuldades para recuperar as margens de lucro. Empresas como Barry Callebaut, Lindt e Nestlé afirmam que a alta histórica registrada nos últimos anos continua pressionando os resultados financeiros e alterando o comportamento dos consumidores.

    Os reajustes de preços aplicados pelas fabricantes reduziram o volume de vendas em diversos mercados, enquanto fatores como inflação, conflitos geopolíticos e mudanças climáticas seguem influenciando a cadeia global do cacau.

    Lindt registra queda nas vendas

    A Lindt informou que aumentou os preços em 11,8% no primeiro semestre. Como consequência, o volume de chocolates vendidos caiu 7,5%.

    Segundo o CEO da companhia, Adalbert Lechner, os preços recordes do cacau obrigaram todo o setor a realizar reajustes sem precedentes. Além disso, inflação, incertezas econômicas e conflitos internacionais reduziram o consumo.

    A empresa também destacou que a crise no Oriente Médio diminuiu o fluxo de turistas asiáticos e do Oriente Médio para a Europa, afetando o segmento de varejo voltado aos viajantes.

    Barry Callebaut amplia vendas de cacau

    A Barry Callebaut, maior fabricante mundial de produtos derivados de cacau e chocolate, informou que o consumo de chocolate caiu 4,4% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior.

    Mesmo assim, o volume total comercializado pela empresa cresceu 5,7%, encerrando uma sequência de mais de dois anos de retração.

    As vendas globais de cacau avançaram 18%, impulsionadas pela correção do mercado ocorrida no início do ano.

    Nestlé também sente os efeitos

    A Nestlé informou que a valorização do cacau e do café reduziu em 2,8% seu lucro operacional subjacente no primeiro semestre.

    A área de confeitaria representa quase 10% do faturamento da companhia. A expectativa é de recuperação gradual das margens conforme os preços da matéria-prima continuem se estabilizando.

    El Niño e mudanças climáticas explicam a crise

    A forte valorização do cacau teve origem principalmente nas perdas de safra registradas na África Ocidental.

    Segundo pesquisadores da Oxford Martin School, o fenômeno El Niño provocou períodos prolongados de calor, estiagem e chuvas irregulares na Costa do Marfim e em Gana, responsáveis por cerca de 60% a 70% da produção mundial de cacau.

    Além do El Niño, o avanço das mudanças climáticas agravou ainda mais o cenário, reduzindo a produtividade das lavouras e elevando os preços internacionais da commodity.

    Mercado segue atento ao clima

    Embora haja expectativa de excedente na safra 2025/2026, a Barry Callebaut alertou que um novo episódio forte de El Niño previsto para 2026 e 2027 pode voltar a pressionar a oferta mundial.

    Analistas também afirmam que a Lindt conseguiu realizar operações de proteção de preços para 2027, estratégia que pode reduzir significativamente seus custos nos próximos anos.

    Geopolítica influencia o mercado

    Além das questões climáticas, fatores geopolíticos continuam interferindo na cadeia do cacau.

    As tarifas comerciais anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocaram oscilações temporárias nos preços e interrupções na logística internacional.

    Chocolate premium

    Enquanto aguardam uma recuperação mais consistente do mercado, as fabricantes investem em inovação para atrair consumidores.

    A Lindt ampliou sua presença nas redes sociais após o sucesso da barra de chocolate inspirada no chamado “Chocolate Dubai”, lançada em dezembro de 2024 e rapidamente transformada em tendência mundial.

    Segundo Adalbert Lechner, a estratégia busca aproximar a marca dos consumidores mais jovens e transformar as redes sociais em um canal permanente de descoberta e compra.

    A Nestlé segue caminho semelhante. O CEO Philipp Navratil afirmou que a companhia ampliará os investimentos em marketing de influência, priorizando campanhas digitais, conteúdo orgânico e formatos voltados ao público jovem.

    Empresas evitam novos reajustes

    Apesar da pressão sobre os custos, as fabricantes têm buscado preservar o posicionamento premium sem depender exclusivamente de novos aumentos de preços.

    A Lindt reduziu valores de forma seletiva em mercados como Alemanha e Suíça durante o período de Natal para estimular o consumo.

    Já a Barry Callebaut aposta na expansão do segmento Gourmet, direcionado a chefs e confeiteiros, além de ampliar sua linha de chocolates especiais de maior valor agregado.

    Com a acomodação dos preços do cacau, o setor espera recuperar gradualmente a demanda. Ainda assim, especialistas alertam que eventos climáticos extremos e tensões geopolíticas continuarão sendo fatores determinantes para o mercado global da commodity.

  • Um único abacate domina o mundo e isso pode ser um perigo

    Um único abacate domina o mundo e isso pode ser um perigo

    Ao comprar abacates no supermercado, montar uma torrada com a fruta em casa ou pedir guacamole no restaurante, o consumidor provavelmente leva para a mesa sempre a mesma variedade genética. Trata-se do abacate Hass, que surgiu na Califórnia no século XX e, desde então, se espalhou por enxertos em pomares ao redor do planeta. Hoje, essa única linhagem responde por mais de 80% da produção comercial de abacates no mundo.

    Reprodução – Mapa

    Essa padronização trouxe vantagens econômicas e logísticas, mas também abriu uma fragilidade importante. Como todas as plantas Hass são geneticamente idênticas, a cultura se torna mais vulnerável a doenças e às mudanças climáticas. Um cenário que especialistas comparam a colocar todos os ovos na mesma cesta.

    Um estudo recente da Universidade Texas A&M, publicado nos periódicos Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e Plants, People, Planet, reforça esse alerta e aponta uma saída: olhar para o passado da fruta.

    Fósseis de 11 mil anos revelam a origem da domesticação

    A pesquisadora Heather Thakar, professora assistente de antropologia na Texas A&M, lidera escavações no abrigo rochoso El Gigante, em Honduras. Este é um dos poucos sítios arqueológicos das Américas com preservação excepcional de restos vegetais em ambiente tropical. As análises indicam que humanos já consumiam abacates selvagens há cerca de 11 mil anos e começaram a selecionar frutos maiores há pelo menos 7.500 anos, processo que antecede até mesmo a domesticação do milho.

    Para Thakar, essa longa história de seleção por sementes guarda lições valiosas para os desafios agrícolas atuais. Segundo a pesquisadora, boa parte da diversidade genética dos abacates antigos ainda sobrevive em populações selvagens do México e da América Central, e o cruzamento entre plantas domesticadas modernas e essas populações selvagens pode ampliar as chances de adaptação às mudanças climáticas. Uma estratégia mais eficaz do que depender exclusivamente da clonagem.

    Nicarágua revela um “hotbed” de diversidade genética

    Outra frente de pesquisa, conduzida pelo doutorando Kevin Wann, também da Texas A&M, mapeou o DNA de variedades nativas. Chamadas de landraces, são cultivadas por gerações em Nicarágua, Honduras e no sul do México. A equipe coletou material genético de 47 landraces, sendo 32 delas de origem nicaraguense. E comparou os dados com informações já publicadas sobre mais de 200 outras linhagens de abacate.

    Foto: arquivo Agro em Campo

    Os agricultores locais entrevistados confirmaram que essas variedades tradicionais de terras baixas nunca apresentaram podridão de raiz. A doença afeta boa parte das plantações comerciais de Hass. A descoberta identificou ainda dois grupos genéticos até então não documentados pela ciência, batizados de TL-1 e TL-2. Além de rastros genéticos de uma migração da fruta desde a América do Sul até a América Central, ocorrida há cerca de 5 mil anos.

    Wann destaca que a amplitude da diversidade genética do abacate é maior do que a ciência havia registrado até agora, e defende que esse material genético pode ajudar a proteger plantações comerciais vulneráveis a doenças.

    Canárias também miram no passado para proteger o futuro

    Do outro lado do Atlântico, pesquisadores do Instituto Canário de Investigações Agrárias e do CSIC espanhol chegaram a conclusões semelhantes ao estudar landraces preservadas na ilha de La Palma, nas Canárias. O grupo alerta que a concentração da produção mundial na variedade Hass compromete a sustentabilidade da cultura a longo prazo diante das mudanças climáticas. E recomenda que estudos futuros priorizem o uso dessas populações tradicionais para enfrentar desafios como a escassez de água de irrigação e a degradação do solo.

    Em conjunto, as pesquisas de Honduras, Nicarágua e Canárias apontam para uma mesma direção. Recorrer aos parentes selvagens e às variedades tradicionais do abacate para reconstruir uma base genética mais ampla. Programas de melhoramento que combinem seleção de sementes de plantas domesticadas com populações selvagens podem reduzir a dependência de um único clone. E tornar a cultura mais preparada para enfrentar pragas, doenças e a instabilidade climática.

    Para a indústria bilionária do abacate, e para quem simplesmente aprecia uma torrada com a fruta pela manhã, a mensagem dos cientistas é clara: o futuro da fruta pode depender de resgatar sua própria história.

  • Seca acelera confinamento e muda a pecuária brasileira

    Seca acelera confinamento e muda a pecuária brasileira

    A seca no Brasil já transforma a pecuária e acelera investimentos em sistemas mais resilientes. Além disso, produtores reforçam o confinamento para manter a produtividade e reduzir riscos climáticos. O movimento ganhou força após 2024 registrar uma das secas mais severas das últimas quatro décadas.

    Agora, a previsão de retorno do El Niño aumenta a preocupação no campo. O fenômeno altera os padrões de chuva e amplia os desafios para a produção agropecuária. Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), 2024 entrou para a história como um dos anos mais secos das últimas quatro décadas. O órgão também alerta que esse cenário pode voltar durante novos ciclos climáticos adversos.

    Impactos das mudanças climáticas na pecuária

    As mudanças climáticas já afetam diretamente a pecuária de corte, um dos principais segmentos do agronegócio brasileiro. Além da redução das chuvas, os incêndios agravam os prejuízos nas propriedades rurais.

    Um estudo do Climate Policy Initiative, da PUC-Rio e do projeto Amazônia 2030, estima perdas de R$ 14,7 bilhões no campo em 2024. Desse total, R$ 8 bilhões atingiram diretamente a pecuária e as pastagens. Os pesquisadores atribuem o agravamento dos incêndios à influência do El Niño.

    Impactos da seca na pecuária

    Segundo Bruno Nolasco, gerente de negócio agro da Belgo Arames, os impactos da seca começam antes dos incêndios. Ele explica que a falta de chuva reduz a qualidade das pastagens e limita a oferta de alimento. Com isso, os pecuaristas precisam adaptar o manejo para preservar o desempenho do rebanho.

    Nesse cenário, o confinamento avança como uma das principais estratégias da pecuária brasileira. O sistema garante alimentação balanceada, acelera o ganho de peso e reduz o tempo até o abate. Além disso, melhora a previsibilidade da produção e otimiza o uso das áreas disponíveis.

    Entretanto, o confinamento exige planejamento nutricional, água disponível e manejo sanitário eficiente. A infraestrutura também exerce papel decisivo para o sucesso da atividade. Segundo Nolasco, cercamentos bem planejados organizam a operação, reduzem o estresse animal e evitam perdas.

    Além disso, materiais mais resistentes aumentam a segurança e diminuem a necessidade de manutenção. As estruturas de sombreamento também ganharam importância nos confinamentos. Elas proporcionam conforto térmico e bem-estar animal durante períodos de temperaturas elevadas. Por isso, essas estruturas exigem materiais duráveis e preparados para as condições do ambiente rural.

    Soluções focadas na eficiência

    Diante desse cenário, soluções voltadas à resistência e à eficiência operacional ganham espaço na pecuária. A Belgo Arames desenvolve cordoalhas Belgo Cordaço e Belgo Remanga para suportar condições adversas. Para Bruno Nolasco, a escolha dos materiais influencia diretamente a segurança da operação e a durabilidade das estruturas.