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  • Festival do Queijo Artesanal de Minas tem primeiro dia marcado por grande público

    Festival do Queijo Artesanal de Minas tem primeiro dia marcado por grande público

    O 8º Festival do Queijo Artesanal de Minas começou nesta quinta-feira (4) com grande público, geração de negócios e forte valorização da cultura mineira no Parque de Exposições da Gameleira, em Belo Horizonte. O evento reúne produtores de 14 regiões reconhecidas pela produção de queijos artesanais no estado e segue até sábado (6), com entrada gratuita.

    Foto: Divulgação FQAM

    Logo nas primeiras horas, visitantes lotaram os estandes para degustar e comprar produtos diretamente dos produtores rurais, impulsionando as vendas e fortalecendo o contato entre campo e cidade. O festival também atrai especialistas, compradores, autoridades e apreciadores da gastronomia mineira, consolidando-se como uma das principais vitrines do queijo artesanal no Brasil.

    Mulheres do Queijo

    A programação do primeiro dia destacou o 3º Encontro das Mulheres do Queijo. Ele reuniu produtoras de diversas regiões para discutir liderança, comunicação, comercialização e o protagonismo feminino na cadeia produtiva. O encontro reforçou o papel das mulheres no desenvolvimento do setor e ampliou o debate sobre oportunidades no mercado.

    Organizado pelo Sistema Faemg Senar e pelo Sebrae Minas, o festival busca ampliar mercados para os produtores e dar visibilidade à produção artesanal, que sustenta famílias e movimenta economias regionais em Minas Gerais.

    O presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, destacou o impacto do evento na geração de oportunidades para o produtor rural. Segundo ele, o festival abre espaço para que produtores apresentem seus produtos, contem suas histórias e ampliem canais de comercialização. Além de avançar na regularização das atividades e no aumento da renda no campo.

    Já o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva, ressaltou a diversidade e a força da cadeia produtiva do queijo artesanal. Para ele, o evento reúne diferentes identidades culturais do estado e fortalece uma atividade essencial para a economia mineira.

    Desenvolvimento da cultura queijeira

    Na avaliação do jornalista especializado em queijos Eduardo Girão, o festival se destaca no cenário nacional por concentrar, em um único espaço, produtores de todas as regiões queijeiras de Minas Gerais. Ele afirma que a iniciativa contribui diretamente para o desenvolvimento da cultura queijeira e serve de referência para eventos em todo o país.

    Além da exposição e comercialização, o festival oferece uma programação diversificada. Que inclui seminários técnicos, oficinas gastronômicas e  harmonizações. Além de cozinha show com chefs convidados, degustações orientadas e atrações culturais.

  • Mexerica ponkan bate recorde de produção e de renda

    Mexerica ponkan bate recorde de produção e de renda

    No sítio de Victor Abrantes, em Tocantins, município da Zona da Mata de Minas Gerais, os pés de mexerica ponkan estão carregados e prometem uma das melhores safras dos últimos anos. A colheita começa em abril, e a expectativa é que a produção do município chegue a 3 mil toneladas. Ou seja, até três vezes mais do que no ano anterior.

    O bom momento não é obra do acaso. Victor integra um grupo de 30 produtores atendidos pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), oferecido gratuitamente pelo Sindicato Rural de Tocantins. Desde 2023, o técnico de campo Gil Pedro Lara visita as propriedades mensalmente, orientando os agricultores em questões técnicas, de gestão e planejamento. Os resultados já aparecem nos números.

    Qualidade valoriza a fruta e eleva o preço pago ao produtor

    A melhoria nas práticas agrícolas foi determinante para o salto financeiro do grupo. Segundo Gil, os produtores passaram a fazer um controle mais rigoroso de mato, adubação e pulverização, com adoção crescente de calcário e adubos ricos em cálcio, insumos que aumentam a qualidade dos frutos.

    O efeito prático aparece na comparação entre os dois últimos anos: a renda coletiva do grupo saltou de R$ 1,378 milhão em 2024 para R$ 1,706 milhão em 2025, crescimento de aproximadamente 23,8%. O dado é ainda mais expressivo quando se observa que a produção caiu no mesmo período, de 989 mil quilos para 880 mil quilos. Uma variação considerada normal no ciclo da cultura de mexerica.

    Cooperativa nacional abre mercado mais lucrativo para os ponkaneiros

    A qualidade reconhecida abriu portas que antes estavam fechadas. Em 2024, os produtores de Tocantins firmaram contrato com a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) e forneceram cerca de 7 mil caixas de ponkan. A parceria trouxe um diferencial competitivo importante. Enquanto o quilo da fruta era negociado a R$ 1,39 no Ceasa, a Unicafes pagou R$ 2,50/kg,um preço 80% superior.

    Outro ponto vantajoso foi a aceitação das frutas menores, que costumam ter pouca saída no mercado convencional, mas são preferidas no fornecimento para merenda escolar por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Para 2026, a estimativa é vender mais de 10 mil caixas a R$ 2,60/kg.

    Associação reativada dobra número de produtores na venda coletiva

    A conquista da Unicafes como compradora só foi possível graças à retomada da Associação de Produtores Rurais de Tocantins (Asprut), entidade que havia interrompido suas atividades. Victor Abrantes, atual presidente da associação, foi o responsável por mobilizar os colegas e demonstrar na prática os benefícios do trabalho coletivo: compra conjunta de insumos, acesso à assistência técnica e capacidade de abastecer grandes instituições.

    Para a safra de 2025, o grupo mais que dobrou o número de produtores participantes da venda para a Unicafes, de 23 para 54 agricultores. E com meta de comercializar 20 mil quilos. “Com isso, vendemos a fruta média com valor agregado e valorizamos também a fruta grande”, explica Victor.

    A colheita da ponkan em Tocantins se estende de abril a agosto, com pico de produção em junho.

  • Café mineiro deve garantir safra recorde no Brasil em 2026, aponta Conab

    Café mineiro deve garantir safra recorde no Brasil em 2026, aponta Conab

    O Brasil deve alcançar em 2026 a maior safra de café da história. Levantamento inicial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção de 66,2 milhões de sacas, aumento de 17,1% em relação à colheita de 2025, que somou 56,5 milhões. Caso o número se confirme, o país superará o recorde de 63,1 milhões de sacas registrado em 2020.

    O desempenho reflete o ano de bienalidade positiva (quando o cafeeiro tende a produzir mais) e o clima favorável ao enchimento dos grãos, com chuvas bem distribuídas nas principais regiões produtoras.

    Minas Gerais reforça liderança nacional

    Principal polo produtor, Minas Gerais deve responder por 49% da produção nacional, totalizando 32,4 milhões de sacas, alta de 25,9% frente a 2025. O maior avanço proporcional no estado ocorre nas regiões do Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste, com crescimento estimado de 46,5%.

    O governo estadual mantém estratégias para fortalecer a cafeicultura, segundo o assessor técnico da Secretaria de Agricultura, Bruno Sebastyan. “Destinamos R$ 2 bilhões para a safra 2025/2026 via BDMG, integrando recursos do Plano Safra e do Funcafé. Também investimos em pesquisa, assistência técnica e certificação”, destacou.

    Produtividade cresce acima da média nacional

    A produtividade média no Brasil deve atingir 34,2 sacas por hectare — crescimento de 12,4% em relação à safra anterior. Em Minas, a produtividade passa para 28,6 sacas por hectare, avanço de 19,7%, acima da média nacional.

    Apesar de o arábica, predominante no estado, ter rendimento menor que o conilon, a performance mineira se destaca pela evolução mais intensa. Em estados com forte presença de conilon, como a Bahia, há áreas com produtividade próxima de 71,5 sacas por hectare.

    Expansão das áreas de cultivo

    A área em produção no país aumentou 4,1%, alcançando 1,93 milhão de hectares. Em Minas Gerais, o crescimento foi maior, de 5,1%, com 1,13 milhão de hectares cultivados. Todas as regiões produtoras mineiras devem avançar, com destaque novamente para o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste, que ampliam em até 12% suas lavouras.

    Outras regiões também crescem: Sul e Centro-Oeste (3,9%), Norte, Jequitinhonha e Mucuri (3,2%) e Zona da Mata, Rio Doce e Central (3,1%). Apenas as áreas em formação dessas últimas regiões registram expansão adicional.

    Além da bienalidade, o regime de chuvas regular e a renovação das lavouras em anos recentes reforçam o vigor da safra 2026. Áreas plantadas entre 2023 e 2024 entram agora em fase produtiva, ampliando o potencial nacional. Com esses fatores, o setor cafeeiro inicia o ano em ritmo de recuperação e projeta um novo marco histórico para a produção brasileira.

  • Produção de café canéfora avança em novas regiões brasileiras

    Produção de café canéfora avança em novas regiões brasileiras

    O cultivo de café canéfora, que abrange as variedades robusta e conilon, está se expandindo rapidamente no Brasil e ganhando espaço em regiões fora de seu berço tradicional, o Espírito Santo. O país, atualmente segundo maior produtor mundial dessa espécie, vem reduzindo a distância em relação ao Vietnã, líder global do segmento.

    De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Minas Gerais e Mato Grosso registraram forte crescimento na produção desde 2020. O movimento reflete os preços elevados e o aumento do consumo mundial de cafés diferenciados, fatores que motivam agricultores a apostar no canéfora.

    “O cenário é favorável para que esse avanço continue”, afirma Ricardo Schneider, presidente da Câmara de Café de Minas Gerais. Ele destaca que a demanda aquecida e a disponibilidade de áreas agrícolas impulsionam o ritmo de expansão. Analistas acrescentam que a melhora na qualidade dos grãos tem reforçado o interesse das torrefações e exportadores.

    Minas Gerais amplia aposta no canéfora

    Conhecido como o principal produtor de café arábica do país, Minas Gerais também começa a se destacar na produção de canéfora. A safra mineira deve alcançar 602,2 mil sacas de 60 quilos em 202. Um salto de 94% em relação a 2020, segundo dados da Conab.

    Mato Grosso mira produtividade de Rondônia

    O Mato Grosso, referência na produção de grãos como soja e milho, agora mira o exemplo do vizinho Rondônia para aumentar sua produtividade no café robusta. “Nossa meta é elevar a média atual de 23 sacas por hectare para o nível de 50 sacas obtido em Rondônia”, explica Dalilhia Nazare dos Santos, engenheira agrônoma da Empaer-MT.

    A Conab projeta que o estado colha 298,7 mil sacas neste ano, ante 158,4 mil em 2020. O avanço confirma o movimento de diversificação agrícola no Centro-Oeste.

    Ceará e Norte entram no mapa do café

    O café canéfora também começa a ganhar espaço no Norte e Nordeste do país. O Ceará, por exemplo, testa o cultivo de conilon e robusta amazônico, variedade tradicionalmente produzida em Rondônia. A produção combinada de Ceará, Acre e Pará deve chegar a 118,7 mil sacas em 2026. Quase o triplo do registrado em 2020.

    “Esperamos alcançar cerca de mil hectares de café conilon até 2026, com potencial para atingir 5 mil hectares”, afirma Silvio Carlos Ribeiro Vieira Lima, secretário executivo do Agronegócio do Ceará. Ele ressalta que a proximidade de portos e infraestrutura logística coloca o estado em posição estratégica para exportar.

    Com o arábica ainda como principal variedade, o Brasil reforça sua posição de destaque no cenário internacional ao diversificar sua produção de canéfora. O país se consolida como competidor direto do Vietnã, ampliando a oferta para atender à crescente demanda global por robusta e conilon, usados em cafés solúveis e espressos.

  • Sítio no Norte de Minas transforma receita de família em atração turística

    Sítio no Norte de Minas transforma receita de família em atração turística

    Memória afetiva, apoio familiar e muita dedição garantem o sabor único do requeijão moreno artesanal que Carlos Alessandro Lucas e sua esposa produzem no Sítio Vó Luzia, em Serranópolis de Minas, Norte de Minas Gerais. A família fabrica cerca de 50 quilos da iguaria toda semana, mas o legado vai muito além da panela.

    Foto: Divulgação/Emater-MG

    A tradição começou com a avó de Carlos, Vó Luzia, que transformava o excedente de leite da produção do avô em renda extra. Após um período de interrupção, a saudade do sabor e a alta produção de leite motivaram Carlos a resgatar a receita em 2019. “Usei a lembrança de ver minha avó produzir e conselhos do meu pai até acertar o ponto exato”, relata o produtor.

    Assistência técnica e regularização

    Para regularizar a produção, a família buscou a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG). O extensionista Gentil Dias Neto orientou a família sobre as Boas Práticas de Fabricação, a regularização da agroindústria e a bovinocultura leiteira. Além do famoso requeijão moreno, a família agora também produz doce de leite e manteiga de requeijão de qualidade reconhecida em concursos regionais.

    A virada para o turismo rural surgiu de forma orgânica em 2020. Um amigo sugeriu um café no sítio para um pequeno grupo. A experiência agradou e o “boca a boca” fez o resto. Aos poucos, a atividade turística ajudou a família a superar desafios financeiros e abriu um novo horizonte.

    Hoje, os visitantes podem agendar uma experiência completa: conhecer a história do sítio de 80 anos, andar a cavalo e, é claro, apreciar o café da manhã ou da tarde com o requeijão moreno, quitandas e frutas da região.

    Potencial para a região e conexão com o visitante

    Para Gentil Dias Neto, da Emater-MG, o sucesso da família vem da boa receptividade e do espírito empreendedor. Ele vê grande potencial na atividade, reforçado pelas belezas da Cordilheira do Espinhaço, como uma opção para gerar emprego e renda.

    A Emater-MG auxilia na divulgação do Sítio Vó Luzia através do projeto Ruralidade Viva. “Com esse projeto, conectamos visitantes às experiências da agricultura familiar. A iniciativa reflete o crescimento do turismo rural em Minas Gerais, valoriza o trabalho dos produtores e fortalece a economia local”, explica Thatiana Daniella Moura Garcia, Coordenadora Técnica Estadual de Turismo Rural e Artesanato da Emater-MG.

    https://www.instagram.com/p/DMK1T0iuCwP/

    Para Carlos, manter viva a tradição dos avós já é um privilégio. Agora, ele espera que os filhos sejam os próximos sucessores não apenas da produção dos laticínios, mas também do empreendimento rural multifacetado que a família construiu.

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  • Pesquisas reduzem riscos ambientais e fortalecem a produção de tilápia

    Pesquisas reduzem riscos ambientais e fortalecem a produção de tilápia

    A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) reforça a importância da pesquisa científica para garantir uma produção sustentável de tilápia no Brasil. As ações da instituição buscam equilibrar a expansão do cultivo com a preservação ambiental, por meio de avanços em controle reprodutivo, melhoramento genético e sistemas produtivos mais seguros.

    O debate sobre a presença da tilápia ganhou destaque após a inclusão temporária da espécie na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, elaborada pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio). A tramitação da lista foi suspensa para reavaliação técnica, após manifestações do setor produtivo e de órgãos ambientais.

    Segundo o pesquisador da EPAMIG Franklin Costa, é essencial diferenciar as definições técnicas: “A tilápia não é uma espécie invasora, mas introduzida no Brasil. Embora os impactos ambientais ainda sejam pouco estudados, a pesquisa precisa avançar para mitigar riscos e aprimorar o controle em sistemas de cultivo.”

    Controle reprodutivo e inovação tecnológica

    Entre as principais linhas de pesquisa estão o desenvolvimento e a aplicação de métodos seguros de controle reprodutivo. A instituição trabalha em conjunto com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para aprimorar a masculinização e a inibição da reprodução, fundamentais para evitar a proliferação em tanques e em ambientes naturais.

    A equipe busca criar lotes 100% masculinos, reduzindo a margem de fêmeas férteis, ainda presente nos métodos convencionais. E também desenvolve novas técnicas de manipulação cromossômica e produção de tilápias estéreis.

    “O uso de lotes masculinos evita a reprodução indesejada e melhora o desempenho produtivo. Nosso objetivo é unir eficiência zootécnica e biossegurança”, afirma Costa.

    Sistemas produtivos seguros e melhoramento genético

    A EPAMIG também testa sistemas intensivos e controlados, como os de recirculação de água (RAS) e os de bioflocos (BFT), que mantêm o cultivo desconectado dos ambientes naturais. Essas tecnologias reduzem significativamente o risco de escapes e otimizam o crescimento dos peixes.

    Foto: Ascom Epamig

    No melhoramento genético, o foco está em desenvolver linhagens com alto desempenho em cativeiro e baixa sobrevivência fora dele. “Caso o peixe escape, sua chance de sobrevivência será mínima em comparação aos peixes de vida livre”, explica o pesquisador.

    Apesar do avanço dos sistemas tecnificados, Costa ressalta que o objetivo não é substituir os modelos tradicionais, como tanques-rede e viveiros escavados. Mas torná-los mais seguros em fases críticas do ciclo de produção.

    Resultados e impacto econômico

    Os resultados das pesquisas ganham amplitude por meio de capacitações, dias de campo e materiais de apoio técnico oferecidos aos piscicultores.

    A tilapicultura representa hoje um dos pilares da aquicultura brasileira. De acordo com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR, 2025), o país produz mais de 600 mil toneladas por ano, movimentando cerca de R$ 7 bilhões e gerando milhares de empregos diretos e indiretos.

  • Mel seguro e de qualidade: nova cartilha ensina boas práticas aos apicultores

    Mel seguro e de qualidade: nova cartilha ensina boas práticas aos apicultores

    O mel exige cuidado desde a retirada da colmeia até o envase final para manter a qualidade e garantir a segurança alimentar. Pensando nisso, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) lançou a “Cartilha Apicultura: Boas Práticas de Processamento”, que orienta apicultores sobre manejo adequado, higienização e prevenção de contaminações. O material está disponível gratuitamente na Livraria Virtual da Emater-MG.

    Segundo a publicação, o mel é um alimento natural produzido a partir do néctar das flores, e sua qualidade depende diretamente das plantas visitadas pelas abelhas, da pureza da água que consomem e dos cuidados do apicultor ao longo de todas as etapas de produção e processamento.

    De acordo com a cartilha, o produto deve manter as mesmas características que possuía dentro da colmeia. Uma vez perdida, a qualidade não pode ser recuperada, o que exige atenção constante aos critérios físicos, químicos e sensoriais, bem como ao cumprimento da legislação brasileira sobre alimentos de origem animal.

    “A produção de um mel seguro depende do manejo correto e do uso adequado das boas práticas durante a coleta, o transporte e o processamento, reduzindo os riscos de contaminações”, explica Márcia Portugal, coordenadora estadual de Pequenos Animais da Emater-MG e autora da cartilha.

    Principais riscos de contaminação

    O material técnico alerta sobre três tipos de contaminação:

    • Física, causada por materiais estranhos como terra, fragmentos de madeira ou insetos.
    • Química, decorrente de resíduos de detergentes, medicamentos ou agrotóxicos.
    • Biológica, provocada por microrganismos como leveduras e bactérias, que podem gerar fermentação e comprometer a segurança do consumidor.

    “Pequenos descuidos em equipamentos, instalações ou higiene da equipe podem inviabilizar o produto e trazer riscos à saúde pública”, destaca Portugal.

    Orientações sobre higienização e processamento do mel

    A cartilha reúne recomendações sobre limpeza de equipamentos, higiene da mão de obra e procedimentos adequados na colheita, transporte e extração do mel. O documento orienta a sanitização correta de pisos, paredes e superfícies com produtos apropriados e em concentrações seguras.

    No processamento, o mel passa por etapas como centrifugação, filtragem, decantação, envase e armazenamento. Cada fase deve respeitar parâmetros técnicos para evitar degradação dos açúcares e formação de substâncias indesejáveis, mantendo a pureza e a estabilidade do produto.

    Armazenamento e conservação

    O armazenamento adequado também é essencial. Para preservar o aroma, o sabor e as enzimas naturais, o consumidor deve guardar o mel em local seco, escuro e em temperatura ambiente, sem necessidade de refrigeração. A cristalização é um processo normal e indica pureza, não defeito do produto.

    A apicultura mineira é praticada, em sua maioria, por pequenos produtores rurais. O estado reúne cerca de 7,5 mil agricultores familiares dedicados à produção de mel, própolis e derivados, com uma produção anual estimada em 7,6 mil toneladas. As principais regiões produtoras são o Centro, Centro-Oeste e Norte de Minas, segundo dados da Emater-MG.

  • Agronegócio de Minas Gerais bate recorde em exportações

    Agronegócio de Minas Gerais bate recorde em exportações

    As exportações do agronegócio mineiro registraram marca histórica em 2025, atingindo US$ 19,8 bilhões e superando todos os resultados desde o início da série histórica em 1997. O crescimento de 15,5% em relação a 2024 consolida o setor como principal gerador de divisas do estado, ultrapassando até mesmo a tradicional mineração.

    O desempenho coloca Minas Gerais como o terceiro maior exportador de produtos agropecuários do país e o estado que mais cresceu nas vendas externas do segmento entre os principais players nacionais, segundo dados da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

    Café lidera com 57% das exportações

    O café manteve sua posição de protagonista, respondendo por 57,2% do valor total exportado pelo agronegócio mineiro. A commodity alcançou receita de US$ 11,4 bilhões com embarque de 27,4 milhões de sacas.

    A valorização do produto no mercado internacional foi impulsionada pela redução dos estoques globais nos principais países produtores e pela crescente demanda por cafés especiais, que garantiram prêmios diferenciados e elevaram as cotações na bolsa.

    Diversificação marca nova fase do agro mineiro

    A pauta de exportações demonstra amadurecimento e sofisticação do setor. Foram comercializados 650 produtos diferentes para 178 países, com destaque para China (US$ 4,6 bilhões), Estados Unidos (US$ 1,9 bilhão) e Alemanha (US$ 1,8 bilhão).

    “O desempenho foi tão significativo que Minas Gerais foi o estado que mais cresceu nas vendas externas do segmento entre os principais estados exportadores. Mesmo num cenário econômico mundial de adversidades e barreiras tarifárias”, destaca João Ricardo Albanez, secretário-adjunto de Agricultura.

    Além das cadeias tradicionais como café, soja, carnes e produtos florestais, produtos típicos mineiros ganharam espaço. Queijos atingiram US$ 10 milhões em exportações, enquanto o doce de leite alcançou US$ 838 milhões, consolidando a liderança de Minas Gerais nesses segmentos.

    Carnes batem recorde histórico

    O setor de carnes (bovina, suína e de frango) registrou o melhor resultado de toda a série histórica, com receita de US$ 1,85 bilhão e volume de 513 mil toneladas exportadas. Sinalizando o fortalecimento da cadeia produtiva e a conquista de novos mercados internacionais.

    O complexo soja (grão, farelo e óleo) apresentou retração de 9,8% na receita, totalizando US$ 2 bilhões com 4,7 milhões de toneladas. Já o setor sucroalcooleiro teve queda de 20%, fechando com US$ 2 bilhões em receita e 4 milhões de toneladas embarcadas.

    Apesar da redução de aproximadamente 5% no volume total exportado (16,2 milhões de toneladas), o aumento expressivo no valor demonstra a agregação de valor e o foco em produtos de maior qualidade e diferenciação.

    Resiliência em cenário desafiador

    Os resultados reforçam a capacidade do agronegócio mineiro de se adaptar e prosperar mesmo diante de adversidades globais, incluindo barreiras tarifárias e instabilidades econômicas internacionais.

    “O agronegócio mineiro demonstra força, resiliência e sua importância para o estado como fonte geradora de emprego, renda e alimentos de qualidade para o Brasil e o mundo”, afirma Albanez. Ele destaca que os produtos agropecuários representaram 43,5% da pauta total de exportações de Minas Gerais.

  • Premiação de cachaça de Minas inova e destaca produtores por região

    Premiação de cachaça de Minas inova e destaca produtores por região

    A segunda edição do Concurso de Avaliação da Qualidade das Cachaças de Alambique e Aguardentes de Cana Mineiras inovou em 2025 ao criar um diploma especial que reconhece a produção regional da bebida. A premiação aconteceu em novembro e distribuiu certificados aos três primeiros colocados de cada um dos sete polos produtores do estado.

    Os polos Central, Sul e Matas de Minas, Leste, Nordeste, Norte e Cerrado receberam destaque na nova categoria. A iniciativa busca evidenciar o terroir e as características únicas que cada região imprime às suas cachaças.

    “A Emater-MG atua em 820 municípios distribuídos em sete polos. Criamos essa novidade para reconhecer e valorizar a excelência da bebida mineira dentro de cada região. Queremos mostrar as características das cachaças de cada área, seus terroirs”, explica Otávio Maia, diretor-presidente da Emater-MG.

    Vale Verde domina o polo Central

    No polo Central, a cachaçaria Vale Verde, de Betim, conquistou o primeiro lugar com a Vale Verde Extrapremium e o segundo com a Vale Verde 12 anos. A Paulo Azevedo Amburana, de Carmópolis de Minas, ficou com a terceira colocação.

    “Receber esse reconhecimento nos gratifica muito. O prêmio prova que nosso trabalho recebe valorização e nos inspira a trabalhar com mais dedicação e entusiasmo”, celebra Daniel Fornari, representante da Vale Verde.

    Sul de Minas reúne marcas premiadas

    O polo Sul de Minas destacou três produtores: Estação da Cana conquistou o primeiro lugar com a versão Carvalho e Grápia, de Monte Belo. A Dona Diva Ouro, de Pouso Alegre, ficou em segundo, enquanto a Encomenda Real Carvalho Ouro, de Cruzília, levou o terceiro lugar.

    Leste e Matas de Minas mostram diversidade

    O polo Leste premiou a Anfitrión Ouro Single Malt, de Governador Valadares, em primeiro lugar. A Mineiriana, de Itabira, conquistou tanto o segundo quanto o terceiro lugar da região.

    Nas Matas de Minas, a Duim Blend Especial, de Mar de Espanha, levou o primeiro lugar. A Requinte do Emboque Premium, de Raul Soares, ficou em segundo, e a Poka Carvalho, de Viçosa, em terceiro.

    Foto: Divulgação Emater-MG

    O polo Cerrado premiou três municípios diferentes: Urucuiana Carvalho (Buritis) em primeiro lugar, Terra do Zebu Cerejeira (Uberaba) em segundo e Onda Clara Prata (Patos de Minas) em terceiro.

    O município de Salinas concentrou todos os prêmios do polo Norte de Minas. A Premissa Carvalho Americano conquistou o primeiro lugar, enquanto a Seleta levou o segundo e terceiro lugares com produtos diferentes.

    No polo Nordeste, a Boralina, de Novo Cruzeiro, dominou o pódio com o primeiro e segundo lugares. A cachaçaria Padre Paraíso, do município homônimo, fechou o top 3.

    Concurso reúne 247 cachaças certificadas

    O concurso recebeu 247 bebidas participantes em 2025, todas registradas no Ministério da Agricultura. “O concurso busca contribuir para o aprimoramento das boas práticas de fabricação da cachaça em todas as regiões mineiras”, explica Lucas Rocha Carneiro, coordenador técnico estadual da Emater-MG e um dos responsáveis pela organização da premiação.

    A iniciativa fortalece o reconhecimento da cachaça mineira e estimula produtores a aprimorarem suas técnicas de produção, respeitando as características regionais que tornam cada bebida única.

  • Pesquisa revoluciona produção de vinhos com madeiras nativas brasileiras

    Pesquisa revoluciona produção de vinhos com madeiras nativas brasileiras

    A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) acaba de revolucionar o mercado de vinhos mineiros. A instituição lançou novas linhas de produtos que celebram os 90 anos do Campo Experimental de Viticultura e Enologia de Caldas, no Sudoeste de Minas Gerais.

    As edições especiais “Madeiras Brasileiras” e “Maceração Carbônica” exploram técnicas inovadoras de elaboração. Os pesquisadores apostam no amadurecimento da bebida em diferentes recipientes e processos que criam novos estilos de produto.

    “Queremos demonstrar a identidade dos vinhos brasileiros do início ao fim do processo, desde o campo, no vinhedo, contemplando todas as características de cada região e seu terroir específico, até a taça”, afirma Cristiane Rota, enóloga da Epamig.

    A enóloga destaca que o mercado desenha um novo perfil de consumidor. Os produtores ganham destaque com elaborações diversificadas que apresentam melhor custo-benefício devido ao menor tempo de permanência na cantina.

    Madeiras nativas realçam características dos vinhos mineiros

    A Epamig validou e difundiu a tecnologia da dupla poda da videira, que viabilizou a produção de vinhos finos no Sudeste e em outras regiões do Brasil. Agora, a instituição abre espaço para novos métodos de elaboração.

    A adega reúne vinhos oriundos de diferentes pesquisas. Desta vez, os pesquisadores inovaram ao utilizar madeiras como Amburana, Jequitibá-rosa e Castanheira no processo de envelhecimento da bebida.

    “A proposta é demonstrar como elementos já presentes em nosso terroir podem ser empregados para realçar características importantes dos vinhos e reafirmar o papel da pesquisa para o produtor e para a vitivinicultura do estado”, explica Cristiane Rota.

    Syrah edição “Madeiras Brasileiras” apresenta perfis distintos

    Os pesquisadores elaboraram o Syrah edição “Madeiras Brasileiras” com uvas de colheita de inverno de São Sebastião do Paraíso, também no Sudoeste do estado. Cada rótulo da linha entrega características que variam de acordo com o potencial de cada madeira.

    Foto: Erasmo Lemos/Epamig

    O Jequitibá-rosa confere elegância e equilíbrio ao vinho. A madeira proporciona aromas amadeirados delicados e preserva o destaque da fruta. Já a Amburana imprime intensamente suas características aos aromas e sabores, exaltando a madeira e a complexidade da Syrah.

    A Epamig iniciou as pesquisas com madeiras brasileiras na safra de 2021. A Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) apoiou os projetos desenvolvidos. Desde então, os pesquisadores realizam testes para identificar quais madeiras melhor se adaptam ao perfil de amadurecimento do vinho, além de compreender o tempo ideal de contato com cada uma.

    “As madeiras brasileiras que já possuem autorização de uso, com cachaças por exemplo, vão ganhar mais uma possibilidade de utilização. Além disso, pesquisas para aprovação de uso de outras madeiras nativas estão em curso”, conta a pesquisadora Renata Vieira, coordenadora do Programa Estadual de Pesquisas em Vitivinicultura da Epamig.

    Maceração carbônica cria vinho com perfil único

    A Epamig lança o “Cuor”, um vinho Syrah de colheita de inverno, ao explorar novas técnicas de elaboração. Os pesquisadores elaboraram o produto por meio da técnica de maceração carbônica, que resulta em um vinho com características bem brasileiras.

    “É uma técnica de fermentação muito diferente do que já conhecemos. Utilizamos cachos inteiros da variedade Syrah, que colocamos em um tanque de inox, com a adição de gás carbônico, onde permanecem por cerca de 25 a 30 dias”, ressalta a enóloga Cristiane Rota.

    A fermentação acontece no interior da baga. As enzimas da própria uva passam a atuar quimicamente e formam compostos aromáticos responsáveis por conferir um perfil único ao vinho, exaltando a fruta, o frescor e a leveza.

    A técnica resulta em características que diferenciam o produto do Syrah tradicional.

    Linha completa oferece variedade aos consumidores

    A linha de edições especiais também integra o Syrah “Unoaked”, um vinho que não passa por envelhecimento em madeira. O produto preserva a pureza e as características da uva e do terroir. Já o Syrah “Carvalho Francês” amadurece nas clássicas barricas de madeira francesa ou americana.

    Os novos rótulos têm quantidade limitada. Os consumidores podem adquiri-los diretamente no Campo Experimental da Epamig, em Caldas.