Tag: milho

  • Senado discute ampliação do acesso a alimentos para animais

    Senado discute ampliação do acesso a alimentos para animais

    O Senado avalia uma proposta que pode ampliar o acesso de pequenos criadores e produtores rurais a alimentos usados na criação de animais. A pauta foi à sanção nesta quarta-feira (12).

    O projeto altera o Programa de Venda em Balcão (ProVB), administrado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e prevê a inclusão de novos produtos entre os itens que podem ser disponibilizados pelo programa.

    Atualmente, o ProVB permite a venda direta de milho em grãos para pequenos criadores que utilizam o produto na alimentação animal.

    Quais produtos podem entrar no programa

    Com a mudança proposta, a lista de produtos poderá ser ampliada para incluir outros itens utilizados na alimentação dos animais.

    Entre eles estão o sorgo, caroço de algodão, farelo de soja e farelo de milho.

    Além disso, a proposta também prevê a possibilidade de aquisição e manutenção de sacarias pela Conab para auxiliar na formação e conservação dos estoques.

    Na prática, a ampliação busca oferecer mais alternativas de abastecimento para produtores de menor porte, especialmente em períodos de maior pressão sobre os preços ou sobre a oferta de alimentos para animais.

    Projeto também prevê mudanças nos estoques

    Outra medida prevista é a possibilidade de a Conab realizar leilões públicos para a compra de produtos e formação de estoques.

    A iniciativa está relacionada à atuação do governo na política de abastecimento e à Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM).

    A proposta busca aumentar a capacidade de resposta do poder público diante de períodos de maior oscilação nos preços e na oferta de produtos agrícolas.

    Quem pode ser beneficiado?

    O projeto prevê ampliar o alcance do programa para além dos pequenos criadores atendidos atualmente.

    Cooperativas e associações de agricultores familiares também poderão ser contempladas, desde que atendam aos critérios estabelecidos pela legislação e pela regulamentação.

    A intenção é facilitar o acesso a produtos utilizados na alimentação animal e, consequentemente, contribuir para a manutenção da atividade de pequenos produtores.

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  • Agricultores usam táticas para encarar El Niño mais forte da história

    Agricultores usam táticas para encarar El Niño mais forte da história

    Na safra 2026/27, agricultores brasileiros devem enfrentar um El Niño de intensidade muito elevada — um dos mais fortes já vistos, na verdade. A previsão considera os fenômenos registrados desde 1950 e aumenta a preocupação com o clima durante o período de plantio e desenvolvimento das lavouras.

    O último episódio classificado como “muito forte” ocorreu na safra 2015/16. Na ocasião, 16 culturas diferentes registraram perdas de produtividade.

    O fenômeno começou em junho de 2026 e está evoluindo rapidamente. A expectativa é que o pico ocorra entre novembro e janeiro de 2027, embora ainda não exista uma previsão exata para o fim do evento.

    El Niño pode atrasar o plantio da soja

    Um dos principais pontos de atenção está no calendário da soja, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e no Matopiba.

    Especialistas avaliam que a combinação de pouca chuva e temperaturas elevadas pode atrasar o início da semeadura. Caso isso aconteça, o calendário do milho, normalmente plantado entre fevereiro e março, também poderá ser afetado.

    Além disso, o risco existe também para outras culturas. Café e citros podem enfrentar dificuldades durante a floração, enquanto a cana-de-açúcar pode ser beneficiada por um aumento das precipitações no Sudeste.

    Segundo Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Operações e Modelagens do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o aquecimento global tem contribuído para uma maior frequência e intensidade dos episódios de El Niño.

    O especialista destaca que, nas últimas décadas, houve mais ocorrências do fenômeno e episódios de maior intensidade.

    O que é o Niño 3.4?

    O Niño 3.4 é uma região do Oceano Pacífico utilizada pelos meteorologistas como uma das principais referências para medir a intensidade do El Niño e da La Niña.

    Ela fica entre 5 graus ao norte e 5 graus ao sul da linha do Equador, entre os meridianos 170° e 120° a oeste.

    Na última atualização mencionada no material-base, a temperatura na região chegou a 1,3 °C, nível associado a um El Niño moderado naquele momento.

    Imagens do satélite mostram variações no nível do mar em junho de 2026; áreas em vermelho indicando águas mais elevadas no Pacífico equatorial, sinal típico associado ao desenvolvimento do El Niño — Foto: Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA

    Para a agrometeorologista Ana Maria Heuminski de Ávila, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp, a velocidade de aquecimento do Pacífico aumentou a expectativa de um fenômeno mais intenso.

    Ela ressalta, porém, que um El Niño mais forte aumenta a probabilidade de eventos extremos, mas não significa que todas as regiões brasileiras serão afetadas da mesma maneira.

    Soja concentra uma das maiores preocupações

    A soja está entre as culturas que mais preocupam os especialistas por causa da possibilidade de alterações no calendário agrícola.

    Eduardo Martins, diretor do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), considera que os danos podem ser maiores caso a falta de chuva se intensifique em áreas mais vulneráveis.

    “Se a falta de chuva for ampliada, pegar o Matopiba [confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que é mais exposto ao clima, tem solos mais arenosos, e o Centro-Oeste, há possibilidade de 20% de perda a nível nacional, pegando a safra 2015/16 como base”, estima Martins, que foi presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no governo Fernando Henrique Cardoso.

    Chuvas podem beneficiar o Sul

    Os efeitos do El Niño não serão iguais em todo o território brasileiro.

    No Sul do Brasil, o fenômeno costuma estar associado a volumes de chuva acima da média. Por isso, a preocupação durante a implantação das lavouras de verão é justamente o excesso de precipitação.

    Para Ana Maria Heuminski de Ávila, do Cepagri, a chuva pode até favorecer a produtividade de soja e milho no Rio Grande do Sul, desde que não seja excessiva.

    O excesso de precipitação, como observado em 2024, pode provocar problemas para as lavouras.

    Manejo do solo é uma das estratégias

    Diante de um cenário de maior variabilidade climática, o planejamento passa a ter papel importante na preparação das propriedades.

    O seguro rural é, sem dúvidas, uma ferramenta que pode ajudar os produtores a enfrentar possíveis perdas. No entanto, outra estratégia está relacionada ao manejo do solo.

    Marco Antonio dos Santos, agrometeorologista da Rural Clima, destaca a importância de manter uma boa cobertura vegetal e uma estrutura adequada do solo.

     “Ele (produtor) tem que primeiro fazer o que a gente chama de lição de casa: manter uma boa palhada, o solo com uma boa cobertura vegetal, com boa estrutura química e física, para que, quando chover, a água consiga penetrar em todo o solo e formar uma camada maior de água.”

    Assim, diante da possibilidade de um El Niño intenso na safra 2026/27, produtores precisam considerar não apenas o calendário de plantio, mas também o manejo do solo, o planejamento da propriedade e mecanismos de proteção contra perdas.

    O impacto, porém, dependerá da intensidade do fenômeno e, principalmente, de como chuva e temperatura vão se comportar em cada região produtora do país.

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  • Milho supera 340 sacas por hectare em concurso nacional

    Milho supera 340 sacas por hectare em concurso nacional

    Os resultados alcançados por produtores no Concurso Nacional de Produtividade de Milho 2026, promovido pelo Grupo Tático de Aumento de Produtividade (Getap), colocaram em evidência o desempenho de híbridos de milho da Bayer em diferentes regiões e sistemas de cultivo. Entre os destaques, produtores alcançaram produtividades superiores a 340 sacas por hectare, enquanto a companhia ampliou para nove o número de lançamentos de híbridos apresentados neste ano.

    A estratégia combina a renovação do portfólio com a oferta de materiais adaptados a diferentes ambientes produtivos. Atualmente, a Bayer reúne mais de 50 híbridos de milho distribuídos no Brasil pelas marcas Agroeste, Dekalb e Sementes Agroceres.

    No concurso, os híbridos da empresa conquistaram o pódio completo na categoria centro irrigado, além de posições de destaque em outras disputas nacionais e estaduais. Os resultados foram registrados em regiões de cultivo irrigado e de sequeiro, incluindo áreas de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

    Produtividade supera 340 sacas por hectare

    Um dos principais resultados foi registrado na categoria verão sul sequeiro. O Grupo Reinhofer, de Guarapuava (PR), alcançou produtividade de 343,1 sacas por hectare com o híbrido DKB235PRO3, garantindo a sétima colocação no ranking nacional.

    Ainda na mesma categoria, Ralf Karly, de Candói (PR), ficou em nono lugar ao utilizar o DKB242PRO4. A produtividade registrada foi de 339,2 sacas por hectare. Em Santa Catarina, a Agro Mallon, de Canoinhas, garantiu a terceira colocação estadual com o AS1955PRO4, ao atingir 330 sacas por hectare.

    Já na categoria verão sul irrigado, o melhor resultado nacional da Bayer foi obtido por Hugo Mariane Filho, de Chapada (RS). Com o DKB242PRO4, o produtor registrou 308,8 sacas por hectare e alcançou a sétima posição. Ao todo, seis inscrições com híbridos da companhia ficaram entre as 20 primeiras colocações nacionais.

    No Rio Grande do Sul, Carlos Eduardo Sperotto, de Santo Augusto, teve duas participações entre os 20 melhores resultados. O produtor ficou em 11º lugar, com 299,5 sacas por hectare e o AS1955PRO4, além da 15ª posição, com 293,1 sacas por hectare e o DKB242PRO4.

    Também aparecem entre os destaques Paulo Dilly, de Ibirubá, com 294,8 sacas por hectare e a 14ª colocação; Décio Ladir Neuls, de Santa Bárbara do Sul, que ficou em 19º lugar com 286,4 sacas por hectare; e Maurício De Bortoli, de Cruz Alta, com 284,1 sacas por hectare e o DKB242PRO4.

    Minas Gerais concentra resultados de destaque

    Na categoria centro irrigado, Minas Gerais teve o pódio completo formado por produtores que utilizaram o híbrido AS1955PRO4, da Agroeste. O primeiro lugar ficou com a Fazenda Nacional AgroFarm, de São Gonçalo do Sapucaí, que alcançou 289,6 sacas por hectare.

    Olindo César Corso, de Bambuí, registrou 287,6 sacas por hectare e terminou na segunda posição. Alexandre Avelar, de Três Corações, completou o pódio, com produtividade de 280,9 sacas por hectare.

    O desempenho também apareceu na categoria centro sequeiro. Em Goiás, Francisco Godoy Netto, de Catalão, conquistou o título estadual com o AS1868PRO4, ao atingir 251,2 sacas por hectare. Paulo Roberto Shwengber, de Leopoldo de Bulhões, ficou com o vice-campeonato estadual, com 247,3 sacas por hectare e o AG8701PRO4. Eldo Marconi Pereira, de Gameleira de Goiás, completou o pódio com o AG8909PRO4 e 240,9 sacas por hectare.

    Em Minas Gerais, cinco híbridos da companhia apareceram entre as dez primeiras posições do ranking da categoria. Diego Vettori, de Campanha, ficou em segundo lugar, com 299,1 sacas por hectare e o AS1955PRO4. Marcus Veiga, de São João del-Rei, foi o terceiro colocado, com 282,7 sacas por hectare e o mesmo híbrido.

    Carlos Fábio Nogueira Rivelli, também de São João del-Rei, ficou em quarto lugar com o DKB242PRO4, ao alcançar 281,8 sacas por hectare. O produtor ainda apareceu na nona posição com o AS1955PRO4, com 267,1 sacas por hectare. Vander de Sousa Andrade, de Luminárias, foi o sexto colocado, com 278,8 sacas por hectare utilizando o AS1955PRO4.

    Nove lançamentos ampliam opções para produtores

    Os resultados apresentados no Getap ocorrem em um momento de expansão do portfólio de sementes de milho da Bayer. Em 2026, a companhia destacou nove lançamentos de híbridos, volume três vezes maior que o registrado em anos anteriores.

    A estratégia busca ampliar as alternativas disponíveis aos agricultores de acordo com características como região, janela de plantio, ambiente produtivo e sistema de cultivo. Segundo a empresa, entre os materiais de destaque no concurso estão híbridos com a biotecnologia VTPRO4®, voltada à proteção contra as principais pragas da cultura do milho.

    “Os desempenhos alcançados pelos produtores no Getap evidenciam o potencial da combinação entre genética, biotecnologia e manejo adaptado à realidade de cada região. Nosso compromisso é oferecer aos agricultores um portfólio amplo e diversificado, desenvolvido para responder às demandas do campo em diferentes ambientes de produção do País”, afirma Diogo Monteiro, diretor de estratégia para o negócio de milho.

    Além das sementes, a Bayer também registrou presença entre as soluções de proteção de cultivos utilizadas pelos participantes do concurso. Em herbicidas, Roundup® e Soberan® aparecem entre os produtos mais utilizados, enquanto o pré-emergente Adengo® foi apresentado como alternativa para o manejo de plantas daninhas.

    No segmento de fungicidas, Nativo® e Fox Xpro® também ficaram entre os principais produtos utilizados pelos agricultores participantes do Getap.

    Tecnologia apoia escolha de híbridos

    A empresa relaciona os resultados alcançados no concurso aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, melhoramento genético e tecnologias voltadas ao suporte à tomada de decisão no campo.

    Entre essas iniciativas está o Bayer VAlora Milho, programa de agricultura digital que reúne mais de 1.900 produtores participantes no Brasil. Segundo a companhia, a iniciativa é resultado de mais de dez anos de pesquisa e contribui para orientar a escolha de híbridos e estratégias de manejo conforme as características de cada região.

    Para Diogo Monteiro, os resultados obtidos em áreas de sequeiro e irrigadas reforçam a necessidade de selecionar materiais adequados às condições de cada propriedade.

    “Do sequeiro ao irrigado, os resultados obtidos no Getap reforçam a importância de o agricultor contar com híbridos adequados a cada ambiente produtivo. É com essa visão que seguimos investindo para apoiar os produtores na busca por produtividade e rentabilidade”, conclui.

     

  • Guerra no Oriente Médio ameaça oferta de fertilizantes para a safra 2026/27

    Guerra no Oriente Médio ameaça oferta de fertilizantes para a safra 2026/27

    A guerra no Oriente Médio já começa a produzir reflexos concretos sobre o agronegócio brasileiro. Cinco meses após o início do conflito, empresas do setor de fertilizantes estimam uma redução de pelo menos 10% nas entregas para a safra 2026/27.

    Além dos impactos logísticos provocados pela instabilidade na região, produtores enfrentam um cenário marcado por crédito mais caro, aumento do endividamento rural e menor rentabilidade de culturas importantes como soja e milho.

    Compras seguem abaixo do ritmo esperado

    Para a próxima safra de soja, cujo plantio começa em setembro em algumas regiões do país, aproximadamente 80% das compras de fertilizantes já foram realizadas.

    O percentual está cinco pontos abaixo do registrado no mesmo período da safra anterior.

    No caso do milho de segunda safra, as aquisições alcançam 30%, contra 35% observados um ano atrás.

    Segundo Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic Fertilizantes para Brasil e Paraguai, houve uma melhora recente no ritmo das negociações.

    Nas últimas três semanas, cerca de 3 milhões de toneladas de fertilizantes foram comercializadas no mercado brasileiro.

    A recuperação dos preços da soja ajudou a melhorar a relação de troca entre grãos e insumos, favorecendo novos negócios.

    “As últimas três semanas trazem uma dose de otimismo dentro desse contexto, mas não tiram toda a complexidade que temos ao navegar nesse cenário”, afirmou Monteiro.

    Mercado deve encolher em 2026

    Em 2025, o Brasil registrou recorde de aproximadamente 49 milhões de toneladas de fertilizantes entregues.

    Para este ano, empresas e consultorias projetam uma redução entre 5 milhões e 10 milhões de toneladas.

    As maiores quedas devem ocorrer nos fertilizantes nitrogenados e fosfatados.

    Apesar do cenário mais cauteloso, a Mosaic acredita que a retração poderá ficar próxima do limite inferior das projeções.

    Fertilizantes ficaram mais caros

    Um dos fatores que mais preocupa o setor é a disparada dos preços.

    Segundo a indústria, o produtor rural precisa desembolsar atualmente entre duas e quatro sacas adicionais de soja para adquirir a mesma quantidade de fertilizante em comparação ao ano passado.

    Guerra afeta preços globais

    Desde o início do conflito, os mercados internacionais de fertilizantes vêm registrando forte volatilidade.

    A situação no Estreito de Ormuz e em outras rotas estratégicas de transporte influencia diretamente os preços de matérias-primas essenciais para a produção de adubos.

    Dados da StoneX mostram que:

    • O enxofre passou de US$ 435 para US$ 1.152 por tonelada.
    • O MAP (fosfato monoamônico) subiu de US$ 635 para cerca de US$ 890 por tonelada.
    • A ureia avançou de US$ 404 para US$ 461 por tonelada.

    O aumento do preço do enxofre se tornou um dos principais desafios para fabricantes globais.

    Mosaic reduz operações temporariamente

    A escassez de enxofre levou a Mosaic a anunciar, em julho, uma nova redução temporária de operações no Brasil.

    Segundo a empresa, não existe prazo definido para retomada total das atividades.

    O retorno dependerá principalmente da evolução dos preços internacionais da matéria-prima.

    Concorrência com a indústria de baterias preocupa

    Outro fator de pressão é o crescimento da demanda global por enxofre para a fabricação de baterias.

    De acordo com Guilherme Schmitz, vice-presidente de marketing e agronomia da Yara Brasil, o segmento de baterias possui maior capacidade de pagamento e disputa o mesmo insumo utilizado na produção de fertilizantes.

    Logística internacional entra em alerta

    A indústria também acompanha com preocupação possíveis novos gargalos logísticos.

    Entre a importação da matéria-prima e o processamento dos fertilizantes no Brasil, o ciclo pode durar cerca de três meses.

    Nesse período entram etapas como embarque internacional, desembarque nos portos brasileiros, liberação aduaneira e distribuição interna.

    Por isso, empresas recomendam que produtores façam planejamento antecipado das compras.

    Importações atrasadas elevam preocupação

    A StoneX avalia que as importações brasileiras seguem abaixo do ritmo necessário para recompor estoques.

    Segundo o analista Tomás Pernías, o país precisará acelerar as compras nos próximos meses caso queira manter níveis adequados de abastecimento.

    Além do Estreito de Ormuz, o mercado monitora a possibilidade de interrupções no Estreito de Bab el-Mandeb, rota estratégica para exportações de fertilizantes provenientes da Arábia Saudita.

  • Safra de milho: veja o que fazer para evitar perdas na colheita

    Safra de milho: veja o que fazer para evitar perdas na colheita

    A reta final da safra de milho demanda decisões rápidas e precisas no campo. Produtores que ajustam o momento da colheita, monitoram a umidade dos grãos e organizam a logística conseguem reduzir perdas e preservar a qualidade da produção.

    Em um cenário de janelas climáticas mais curtas e instáveis, a colheita deixou de ser apenas uma etapa operacional e passou a exigir gestão estratégica. O alinhamento entre condições da lavoura, capacidade das máquinas e escoamento da produção impacta diretamente a rentabilidade.

    Segundo Diego Braga, consultor de Desenvolvimento de Mercado da Conceito Agrícola, cada decisão tomada durante a colheita influencia o resultado final da safra. “O produtor precisa integrar operação e logística para garantir que o potencial produtivo se converta em grãos colhidos com qualidade”, afirma.

    Umidade do grão define o momento ideal

    A identificação do ponto certo de colheita começa no campo. Sinais como a formação da “linha preta”, o amarelecimento das folhas e a firmeza dos grãos indicam maturidade fisiológica. No entanto, a decisão depende da umidade.

    trator na plantação de milho
    Foto: Divulgação

    A faixa ideal varia entre 13% e 15%, pois equilibra rendimento operacional e qualidade. Quando o milho apresenta umidade acima de 18%, aumentam os danos mecânicos e os custos com secagem. Já abaixo de 12%, os grãos ficam mais quebradiços, elevando perdas e reduzindo o peso comercial.

    O monitoramento deve ocorrer por talhão, com uso de medidores calibrados. Diferenças de solo, relevo e clima afetam o ritmo de secagem, o que exige escalonamento da colheita em áreas desuniformes.

    Regulagem das máquinas impacta produtividade

    A regulagem correta das colhedoras reduz perdas e melhora a eficiência. O produtor deve revisar a plataforma, ajustar chapas e adequar o sistema interno conforme as condições do grão.

    A velocidade também influencia o desempenho. O ideal fica entre 4 e 6 km/h. Acima disso, a máquina perde eficiência na separação e limpeza, aumentando o desperdício.

    O acompanhamento constante no campo permite identificar perdas após a passagem da colhedora. O objetivo é manter o desperdício abaixo de meia saca por hectare.

    Logística define qualidade final

    A logística pós-colheita influencia diretamente o resultado. Atrasos no transporte e no descarregamento comprometem a qualidade, principalmente em grãos mais úmidos.

    “Não adianta colher bem e perder qualidade no transporte. O tempo de espera pode gerar descontos na entrega”, alerta Braga.

    Planejamento logístico e fluxo contínuo evitam gargalos e garantem melhor aproveitamento da produção.

    Prevenção de incêndios deve ser prioridade

    A colheita do milho coincide com períodos de baixa umidade do ar e alta presença de palhada seca, o que aumenta o risco de incêndios.

    Entre os principais fatores estão acúmulo de resíduos nas máquinas, superaquecimento de peças, falhas elétricas e falta de manutenção.

    Para reduzir riscos, o produtor deve:

    • Limpar as máquinas a cada turno
    • Manter extintores revisados
    • Disponibilizar caminhão-pipa ou trator com água
    • Construir aceiros ao redor dos talhões

    Essas ações ajudam a conter focos e proteger áreas produtivas.

    Manejo na colheita impacta a próxima safra

    A forma como o milho é colhido interfere no ciclo seguinte. A distribuição uniforme da palhada favorece o plantio direto, conserva a umidade do solo e facilita a implantação da soja.

    Além disso, o controle de perdas e a eliminação do milho voluntário reduzem a pressão de pragas, como a cigarrinha, e preservam o potencial produtivo das próximas lavouras.

  • Soja dispara com demanda e fortalece mercado brasileiro

    Soja dispara com demanda e fortalece mercado brasileiro

    A demanda internacional pela soja brasileira fortaleceu os preços no mercado interno. Além disso, a alta dos prêmios de exportação impulsionou as negociações no país. Segundo o Cepea, o aumento das tensões no Oriente Médio elevou as cotações internacionais do petróleo. Como resultado, os preços globais da soja também ganharam sustentação.

    No Brasil, a valorização dos prêmios de exportação reforçou esse movimento. Ao mesmo tempo, o cenário geopolítico e a maior procura pela oleaginosa brasileira sustentaram a alta no mercado spot.

    El Niño aumenta preocupações com a safra de soja

    Os pesquisadores do Cepea afirmam que a previsão de intensificação do El Niño preocupa o mercado. O fenômeno pode afetar a produção mundial na safra 2026/27. Diante desse cenário, parte dos compradores antecipou as aquisições para reduzir riscos. Enquanto isso, vendedores diminuíram a oferta de grandes volumes.

    Os produtores aguardam condições mais favoráveis para comercializar a soja. Essa postura também contribui para a sustentação dos preços.

    Vendedores retraídos elevam preços do milho

    Os preços do milho avançaram em grande parte das regiões monitoradas pelo Cepea. O movimento ocorreu mesmo com o avanço da colheita da segunda safra. O volume disponível para negócios permanece limitado no mercado interno. Além disso, a média nacional da área colhida segue abaixo das temporadas anteriores.

    Os produtores também reduziram o ritmo das negociações nos últimos dias. Eles acompanham a valorização dos preços internacionais, que pode aumentar a paridade de exportação.

    Compradores priorizam estoques

    Na ponta compradora, os consumidores mantêm uma postura cautelosa. Eles preferem utilizar os estoques em vez de fechar novos negócios.

    De acordo com pesquisadores do Cepea, esses agentes esperam uma queda dos preços. A expectativa é de maior oferta após o avanço da colheita.

    Eles também acreditam que limitações nos armazéns e a necessidade de caixa dos produtores podem estimular novas vendas nos próximos meses.

     

     

     

  • Etanol de milho pode impulsionar demanda global com uso em navios

    Etanol de milho pode impulsionar demanda global com uso em navios

    O etanol produzido a partir do milho pode abrir um novo mercado para os produtores e ampliar a demanda mundial pelo grão nos próximos anos. A National Corn Growers Association, entidade que representa os produtores de milho dos Estados Unidos, defende o uso do biocombustível no transporte marítimo como alternativa para acelerar a descarbonização da navegação.

    A proposta aproveita uma infraestrutura já existente de produção, armazenamento e distribuição do etanol, reduzindo custos para a adoção do combustível pelo setor naval. Além disso, a iniciativa integra a estratégia da NCGA para ampliar os mercados consumidores da safra norte-americana, que alcançou o recorde de 17 bilhões de bushels em 2025, com valor estimado em US$ 70,1 bilhões.

    Transporte marítimo busca reduzir emissões

    O transporte marítimo responde por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa. Por isso, empresas do setor buscam alternativas aos combustíveis derivados do petróleo para atender às metas de descarbonização estabelecidas pela Organização Marítima Internacional (IMO).

    Nesse cenário, o etanol de milho ganha espaço por apresentar características semelhantes às do metanol, outro combustível renovável utilizado na indústria naval. Além disso, sua cadeia logística já está consolidada em diversos mercados, o que facilita uma eventual expansão do uso em escala comercial.

    Segundo a empresa de navegação Maersk, essa infraestrutura existente pode acelerar a adoção do etanol como combustível marítimo.

    Mercado pode ampliar o consumo de milho

    A NCGA estima que, caso o etanol conquiste 10% do mercado global de combustíveis para navios, a demanda adicional poderá chegar a aproximadamente 3 bilhões de bushels de milho.

    O volume é semelhante às exportações anuais de milho dos Estados Unidos, indicando um potencial significativo para fortalecer a renda dos produtores e ampliar a competitividade da cadeia agrícola.

    Testes reforçam a viabilidade do combustível

    Empresas ligadas à navegação já iniciaram projetos para validar o uso do etanol em embarcações comerciais.

    Entre os principais avanços estão o abastecimento de um navio movido integralmente a etanol realizado pela Maersk; o desenvolvimento de motores marítimos movidos a etanol pela fabricante suíça WinGD e encomendas da nova tecnologia por armadores interessados em reduzir emissões.

    Esses resultados indicam que a adoção do combustível pode ocorrer sem a necessidade de construir uma cadeia logística completamente nova.

    Expansão ainda depende de políticas públicas

    Apesar dos avanços tecnológicos, a expansão do etanol de milho no transporte marítimo dependerá da criação de políticas públicas e de regras internacionais para avaliação das emissões de carbono dos combustíveis.

    A NCGA defende que os modelos utilizados reconheçam os ganhos de sustentabilidade obtidos pela produção de milho nas últimas décadas.

    Entre as prioridades apontadas pela entidade estão:

    • adoção de metodologias científicas para medir emissões;
    • reconhecimento internacional dos combustíveis renováveis produzidos a partir de culturas agrícolas;
    • fortalecimento das políticas de incentivo às exportações de etanol;
    • integração entre agricultura, energia e meio ambiente.

    Estratégia pode fortalecer o mercado global do milho

    Para o presidente da NCGA, Jed Bower, desenvolver novos mercados para o etanol representa uma estratégia de longo prazo para garantir demanda consistente pelo milho produzido nos Estados Unidos.

    Segundo ele, a diversificação dos mercados consumidores contribui para aumentar a renda dos agricultores e criar perspectivas para as futuras gerações permanecerem na atividade rural.

    Se a tecnologia avançar e as políticas de incentivo forem implementadas, o uso do etanol de milho no transporte marítimo poderá representar um novo capítulo para a cadeia global dos biocombustíveis, unindo inovação, sustentabilidade e novas oportunidades para o agronegócio.

  • El Niño pode gerar superoferta de grãos na América Latina

    El Niño pode gerar superoferta de grãos na América Latina

    O El Niño pode favorecer a produção agrícola brasileira nos próximos meses, mas seus efeitos positivos sobre as lavouras não devem representar, necessariamente, maior rentabilidade para o produtor rural. A expectativa é de aumento na oferta de grãos e café, cenário que tende a pressionar os preços das commodities e elevar os custos de armazenagem.

    A análise faz parte de um estudo divulgado pela Allianz Trade, que avaliou os impactos do fenômeno climático sobre a agricultura da América Latina, com destaque para Brasil e Argentina. Segundo a empresa, episódios anteriores mostram que o fenômeno costuma criar condições favoráveis para importantes culturas agrícolas, principalmente nas regiões produtoras do Sul do continente.

    Produção pode crescer, mas preços tendem a cair

    Os dados reunidos pela Allianz Trade indicam que, durante eventos anteriores de El Niño, a produção de soja no Brasil chegou a ficar até 4% acima da tendência observada nos cinco anos anteriores. No caso do café arábica, o avanço foi de até 5% em relação à média histórica.

    Embora o aumento da produtividade seja visto como um fator positivo para o agronegócio, ele também pode gerar um efeito contrário sobre a renda dos produtores. Com mais produtos disponíveis no mercado, a tendência é que os preços internacionais das commodities agrícolas recuem, reduzindo as margens de lucro ao longo da comercialização da safra.

    Além disso, uma colheita mais volumosa exige maior capacidade de armazenagem. O estudo destaca que esse cenário pode elevar significativamente os custos logísticos para produtores e tradings, especialmente em períodos de maior concentração da oferta.

    Impactos variam conforme a região do Brasil

    Os efeitos do El Niño não devem ocorrer de forma uniforme em todo o país. De acordo com a Allianz Trade, as regiões Sul e parte do Centro-Sul tendem a registrar aumento das chuvas, favorecendo o desenvolvimento de culturas como soja, milho e café.

    Já o Norte do Brasil e a região amazônica podem enfrentar condições mais secas. Esse cenário amplia os riscos para a produção de alimentos, dificulta a logística em algumas áreas e pode afetar até a geração de energia elétrica.

    Segundo o levantamento, essa assimetria coloca Brasil, Colômbia e Peru entre os países latino-americanos mais vulneráveis a impactos inflacionários provocados pelas alterações climáticas associadas ao fenômeno.

    Efeitos também podem alcançar o mercado internacional

    No cenário global, a expectativa é que o aumento da oferta de soja e milho produzido na América Latina contribua para aliviar parte das pressões sobre os preços mundiais dos alimentos.

    Ao mesmo tempo, outras regiões produtoras continuam enfrentando condições climáticas adversas. O estudo cita que países do Leste Asiático e da África Ocidental permanecem sob risco de seca, situação que pode comprometer culturas estratégicas, como cacau, óleo de palma e arroz.

    Exportadores podem sair fortalecidos

    A Allianz Trade avalia que exportadores agrícolas brasileiros poderão se beneficiar do maior volume de produção, fortalecendo suas operações e ampliando a capacidade de acesso ao crédito.

    Por outro lado, empresas ligadas ao processamento de alimentos e intermediários do mercado de commodities podem enfrentar um ambiente mais desafiador. A combinação entre excesso de oferta e queda nas cotações internacionais tende a aumentar a pressão sobre as margens financeiras do setor.

    Na avaliação da seguradora, o El Niño reforça que uma safra recorde nem sempre significa maior lucro para o agronegócio. Apesar do potencial de elevar a produtividade em diversas culturas, fatores como preços internacionais, custos de armazenagem e dinâmica do mercado continuarão sendo determinantes para o resultado financeiro dos produtores brasileiros.

  • Conheça a fazenda milionária que Tarcísio Meira deixou de herança

    Conheça a fazenda milionária que Tarcísio Meira deixou de herança

    Conhecido como um dos maiores atores da televisão brasileira, Tarcísio Meira também construiu uma sólida trajetória no agronegócio. Além da carreira artística, o ator investiu em uma grande propriedade rural no Pará, dedicada principalmente à pecuária de corte. Após sua morte, em 2021, a administração dos negócios passou para o filho, Tarcísio Filho.

    A principal propriedade da família é a Fazenda São Marcos, localizada na zona rural de Aurora do Pará, no leste do estado. Com mais de 10 mil hectares, a fazenda continua sendo uma referência entre as propriedades rurais.

    Como o ator entrou no agronegócio

    O interesse de Tarcísio Meira pela região começou na década de 1970. Durante uma viagem profissional a Manaus, o ator conheceu uma grande área disponível para compra e decidiu investir no local.

    Segundo relatos da época, ele costumava dizer que havia se tornado “quase um paraense”, demonstrando a forte ligação que criou com a região ao longo dos anos.

    Fazenda é voltada à pecuária e à produção agrícola

    A Fazenda São Marcos tem como principal atividade a pecuária de corte. Além da criação de gado, a propriedade também cultiva milho e soja, utilizados principalmente na alimentação do rebanho.

    Além disso, cerca de metade da área da fazenda permanece preservada como reserva ambiental.

    Tarcísio Meira passou a quarentena com a esposa em sua fazenda, antes de vir a óbito — Foto: Divulgação

    Investimentos também beneficiaram a comunidade

    Além da produção rural, o famoso também realizou investimentos voltados ao bem-estar dos funcionários e da população local.

    Na propriedade foram construídas moradias para os colaboradores, além da manutenção de uma escola gratuita destinada aos filhos dos trabalhadores, pequenos agricultores e colonos da região.

    Herança de família

    Em agosto de 2021, Tarcísio Meira morreu aos 85 anos em decorrência de complicações provocadas pela Covid-19. Nos últimos meses de vida, permaneceu isolado ao lado da esposa, Glória Menezes, em uma das propriedades da família.

    Desde então, Tarcísio Filho assumiu a administração da Fazenda São Marcos e dos demais negócios rurais, passando a dedicar parte de sua rotina à gestão do patrimônio construído pelo pai.

  • Farelo de soja dispara e sustenta preços no mercado

    Farelo de soja dispara e sustenta preços no mercado

    A demanda global por farelo de soja impulsionou as cotações no Brasil e nos Estados Unidos. Os dados são do Cepea. No mercado brasileiro, a disputa entre compradores internos e externos ganhou força. Com isso, os prêmios de exportação e os preços FOB avançaram.

    Além disso, a valorização do farelo elevou os preços da soja no mercado interno. Segundo os pesquisadores do Cepea, a maior oferta mundial de soja limitou altas mais expressivas do grão. Ainda assim, a expectativa de crescimento da demanda internacional pelo farelo mantém o mercado aquecido.

    A Argentina segue como principal exportadora mundial de derivados de soja. No entanto, o USDA destaca o avanço das exportações de farelo do Brasil e dos Estados Unidos.

    Preços do milho oscilam entre regiões produtoras

    Os preços do milho registram comportamentos diferentes nas regiões acompanhadas pelo Cepea. Em algumas praças, as cotações subiram devido à retração de vendedores. Além disso, o ritmo inicial da colheita da segunda safra permaneceu lento.

    Por outro lado, os preços recuaram em regiões produtoras. Nesses locais, o avanço da colheita ampliou a oferta do cereal.

    Parte dos consumidores continua atenta às oportunidades de compra. Outros adquiriram volumes no início da semana passada para reforçar os estoques. Mesmo assim, esses compradores aguardam maior disponibilidade de milho nas próximas semanas. A expectativa é de queda dos preços no mercado interno.

    Enquanto isso, produtores paulistas mantêm postura cautelosa. Eles esperam o avanço da colheita para negociar volumes maiores.