Tag: Mercosul

  • União Europeia e Mercosul assinam acordo histórico neste sábado

    União Europeia e Mercosul assinam acordo histórico neste sábado

    Após mais de duas décadas de negociações, União Europeia e Mercosul assinam neste sábado (17) acordo comercial histórico. A cerimônia ocorre em Assunção, no Paraguai, e marca passo decisivo rumo à maior zona de livre comércio. O tratado busca integrar mercados, reduzir tarifas e ampliar o fluxo de bens e investimentos entre os blocos.

    Assinatura ocorre sem presença de Lula

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participará da cerimônia em Assunção. Ele será o único chefe de Estado sul-americano ausente no evento. Estarão presentes líderes da Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai.
    Também participam Ursula von der Leyen e António Costa, principais representantes da União Europeia.

    Lula comenta demora nas negociações

    Na sexta-feira, Lula recebeu Ursula von der Leyen no Rio de Janeiro. Durante o encontro, ele criticou a longa duração das negociações. Segundo o presidente, foram “25 anos de sofrimento e tentativa de acordo”. Lula afirmou que o acordo reunirá cerca de 720 milhões de pessoas. Ele destacou que o tratado envolve um PIB estimado em US$ 22 trilhões.

    Assinatura não encerra o processo

    Apesar da assinatura, o acordo ainda não entra em vigor. O texto seguirá para ratificação nos parlamentos dos países envolvidos. Esse processo tende a ser longo e politicamente sensível, sobretudo na União Europeia.

    Formalização dos votos na União Europeia

    Antes da assinatura, o Comitê de Representantes Permanentes aprovou o texto provisoriamente. Os Estados-membros confirmaram seus votos por escrito até o prazo oficial. O Chipre confirmou a adesão europeia por ampla maioria.

    Assinatura formal do acordo

    Com a maioria qualificada, Ursula von der Leyen recebeu autorização para assinar o tratado. Inicialmente prevista para segunda-feira, a assinatura foi antecipada para este sábado. O Paraguai exerce atualmente a presidência rotativa do Mercosul.

    Quando o acordo entra em vigor

    Na União Europeia, o Parlamento Europeu analisará o texto. Algumas partes também podem exigir aprovação dos parlamentos nacionais. No Mercosul, o tratado seguirá para os Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O acordo cria obrigações legais, como redução de tarifas e mudanças regulatórias. Os blocos podem aplicar provisoriamente partes do tratado antes da ratificação completa.

    Principais pontos do acordo UE-Mercosul

    Negociado há mais de 25 anos, o acordo prevê redução gradual de tarifas. O texto estabelece regras comuns para produtos industriais, agrícolas e investimentos. O tratado criará um mercado integrado com mais de 700 milhões de consumidores.

    Divisões internas na União Europeia

    Alemanha e Espanha apoiam o acordo por enxergarem oportunidades comerciais. Esses países buscam reduzir a dependência da China e acessar minerais estratégicos. A França lidera a oposição ao tratado dentro do bloco europeu. Polônia, Irlanda e Áustria também demonstram resistência. O principal temor envolve prejuízos à agricultura europeia.

    Exigências ambientais e papel do Brasil

    O texto final inclui salvaguardas para a agricultura europeia. O acordo também impõe exigências ambientais mais rigorosas. Para o Mercosul, o Brasil tem papel central na ratificação. O país precisa comprovar avanços em sustentabilidade e controle ambiental.

  • Exportação brasileira de frutas para Europa cresce 19%

    Exportação brasileira de frutas para Europa cresce 19%

    O Brasil vendeu 19,1% mais frutas em volume para a Europa em 2025 na comparação com o ano anterior. A receita com essas exportações cresceu 12,8% no mesmo período, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Midic). O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que os blocos devem assinar no sábado (17), no Paraguai, promete acelerar ainda mais esses números.

    O tratado, negociado há pelo menos 25 anos, vai reduzir ou eliminar tarifas de importação entre os dois blocos e facilitar o comércio de bens agrícolas e alimentos frescos.

    “O acordo entre Mercosul e União Europeia representa um divisor de águas para o agro brasileiro. A redução e a eliminação de tarifas vão ampliar a competitividade das nossas frutas no mercado europeu e criar condições para que o crescimento já observado em 2025 se acelere nos próximos anos, com mais previsibilidade, investimentos e geração de valor ao longo da cadeia produtiva”, afirma Patrícia Cesarino, engenheira agrônoma e gerente de marketing da Ascenza Brasil.

    Europa concentra 79% das frutas exportadas pelo Brasil

    A União Europeia recebeu 79% das frutas que o Brasil exportou em 2025. Atualmente, produtores brasileiros pagam tarifas que variam entre 4% e 14% para vender no bloco europeu. O acordo vai reduzir e extinguir essas cobranças, o que amplia a abertura aos produtos nacionais.

    “Os resultados da fruticultura brasileira na Europa mostram que o setor está preparado para dar um salto com o acordo comercial. Estamos falando de um mercado maduro, exigente e de alto valor agregado, no qual o Brasil tem espaço para crescer de forma sustentável, ampliando volumes, receita e a presença de produtos frescos de alta qualidade”, diz a executiva da Ascenza Brasil.

    No total, as exportações brasileiras para a Europa cresceram 6,2% em valor e 3,4% em volume em 2025, comparado a 2024, segundo o Midic.

    Faturamento pode chegar a US$ 1,8 bilhão até 2029

    A Apex estima que o faturamento da fruticultura brasileira aumente 40% e alcance US$ 1,8 bilhão até 2029. Em 2025, o Brasil exportou 1,2 milhão de toneladas de frutas frescas, com receita de cerca de US$ 1,3 bilhão.

    Manga, melão, limão, melancia, uva e mamão lideraram as exportações para a Europa no ano passado. Essas seis frutas geraram receita de US$ 967 milhões, contra US$ 857,6 milhões no ano anterior. Em volume, o Brasil exportou 949 mil toneladas dessas frutas para a Europa em 2025 e 796,6 mil toneladas em 2024.

    Melão e manga lideram; melancia tem melhor desempenho

    Agricultores brasileiros enviaram 269,5 mil toneladas de melão (US$ 221,7 milhões) e 226,3 mil toneladas de manga (US$ 262,8 milhões) para o continente europeu no ano passado. Essas frutas registraram os melhores resultados em valor absoluto.

    Foto: Divulgação – Isla Sementes

    A melancia, no entanto, teve o melhor desempenho relativo em 2025. As exportações cresceram 44,3% em volume (de 115,8 mil toneladas em 2024 para 167,1 mil toneladas em 2025) e 60,5% em receita (de US$ 68,4 milhões para US$ 109,9 milhões).

    Café valoriza em receita, mas recua em volume

    O café, outro importante produto agrícola que o Brasil exporta para a Europa, registrou alta de 34,2% em receita: de US$ 6,5 bilhões em 2024 para US$ 8,7 bilhões em 2025. No entanto, o volume exportado caiu de 1,6 milhão de toneladas em 2024 para 1,3 milhão de toneladas no ano passado.

    Assim, a expectativa para 2026 é de que a receita continue elevada devido aos preços internacionais. A Europa mantém-se como mercado-chave do café brasileiro, com Alemanha e Itália entre os principais importadores.

    Como o acordo vai reduzir tarifas

    Segundo o tratado entre os dois blocos, a tarifa sobre uvas frescas será zerada assim que o acordo entrar em vigor. Melões, melancias e limões terão as tarifas reduzidas em etapas até chegar a zero em cerca de sete anos. Mamão e manga já têm tarifas zeradas na União Europeia devido à forte dependência que o bloco tem da importação dessas frutas do Brasil.

    “Após a assinatura, depois de mais de 25 anos de negociação, o acordo Mercosul-União Europeia chega em um momento estratégico. Ele fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de alimentos, amplia o acesso a um mercado que já responde pela maior parte das nossas exportações de frutas e cria uma base sólida para expansão de longo prazo, com ganhos para produtores, exportadores e consumidores”, aponta Patrícia.

    Os principais concorrentes do Brasil nos envios à União Europeia, como Peru, Chile e México, já exportam frutas sem pagar tarifas. O acordo torna-se, portanto, fundamental para nivelar as condições de competição e permitir que produtores brasileiros disputem o mercado europeu em igualdade de condições.

  • Vinho, chocolate e azeite devem ficar mais baratos no Brasil

    Vinho, chocolate e azeite devem ficar mais baratos no Brasil

    O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, anunciado nesta sexta-feira (9), promete revolucionar o acesso dos brasileiros a produtos importados europeus. Vinhos, chocolates finos, queijos especiais e azeites de oliva poderão chegar às prateleiras com preços significativamente menores nos próximos anos, beneficiando principalmente consumidores das classes A e B.

    A diminuição nos valores não acontecerá imediatamente. O tratado estabelece um cronograma escalonado para eliminar as alíquotas de importação, com prazos que variam entre 4 e 15 anos, dependendo do setor.

    Produtos da gastronomia europeia terão o maior prazo de adaptação. Vinhos, queijos premium, azeites extravirgem e chocolates artesanais levarão até 15 anos para atingir tarifa zero de importação.

    Atualmente, essas categorias enfrentam impostos que encarecem drasticamente os produtos. O vinho, por exemplo, paga 20% de tarifa e terá redução de 11,1% já no primeiro ano, zerando completamente em 8 anos. Chocolates, também taxados em 20%, verão a alíquota cair gradualmente ao longo de 15 anos, com redução inicial de 6,3%.

    Quem mais se beneficia

    Apesar da redução tarifária, a cotação do euro (R$ 6,24) ainda representa um obstáculo para produtos muito caros. Especialistas avaliam que marcas europeias de preço médio, populares na Europa mas caras no Brasil devido aos impostos, devem liderar o desembarque por aqui.

    chocolate amargo
    Foto: Sigmund/Unsplash

    Chocolates belgas, suíços e franceses de categorias premium podem chegar em volume reduzido, focando lojas especializadas e consumidores de alto poder aquisitivo. No entanto, marcas mais acessíveis teriam dificuldade de competir com produtores nacionais, especialmente considerando que o Brasil é o maior produtor de cacau do mundo.

    Outros produtos do cotidiano impactados

    Medicamentos: Analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios levarão até 10 anos para zerar tarifas que hoje variam entre 8% e 14%. O setor farmacêutico brasileiro, representado pelo Grupo FarmaBrasil e Abifina, defende que o governo mantenha compras públicas de medicamentos nacionais para o SUS.

    Automóveis: A tarifa de 35% sobre carros europeus cairá a zero em 15 anos. Marcas de luxo e fabricantes populares com produção na Europa (Volkswagen, Fiat, Renault) serão diretamente impactados. Peças automotivas, com alíquotas entre 14% e 18%, terão redução completa em 7 a 10 anos.

    Bebidas: Cervejas artesanais europeias, taxadas em 20%, terão redução de 9,1% no primeiro ano para zerar em 10 anos. Bebidas não alcoólicas seguem o mesmo cronograma.

    Oportunidades para exportadores brasileiros

    O acordo não beneficia apenas importações. João Dornellas, presidente da Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos), vê o tratado como oportunidade para produtores nacionais. “É a chave para dar o salto de exportador de matéria-prima para exportador de valor agregado. A Europa é um mercado de 450 milhões de consumidores que queremos acessar com produtos processados nas nossas fábricas”, afirmou durante o Global Agribusiness Fórum.

    A Anfavea, que representa montadoras, também avalia o acordo como “ganha-ganha”, destacando que o mercado de reposição de peças pode se expandir significativamente.

    Dimensões do acordo

    Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o tratado reunirá cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB combinado de mais de US$ 22 trilhões.

    Foto: Divulgação ExpoQueijo

    O presidente Lula destacou em redes sociais que o texto “amplia alternativas para exportações brasileiras e investimentos produtivos europeus e simplifica regras comerciais para os dois lados”.

    Cronograma completo de redução tarifária

    • Panettone: 18% de taxa, redução entre 4 e 7 anos
    • Perfume: 18% de taxa, redução em 4 anos
    • Pêssego em calda: 55% de tarifa, redução de 12,5% no primeiro ano, zerando em 7 anos
    • Queijo mozzarella: 28% de taxa, limitada em cota de 30 mil toneladas
    • Queijo azul: 16% de tarifa, zerada ao atingir 30 mil toneladas importadas
    • Azeite de oliva virgem: 10% de taxa, redução de 6,3% no primeiro ano, zerando em 15 anos
  • Lei em Goiás proíbe leite feito de pó importado e fortalece produção regional

    Lei em Goiás proíbe leite feito de pó importado e fortalece produção regional

    O estado de Goiás deu um passo importante na defesa da produção leiteira regional. O governador Ronaldo Caiado sancionou a Lei nº 23.928/2025, que proíbe a reconstituição de leite em pó importado para comercialização como leite fluido no território goiano. A medida atende antigas reivindicações do setor produtivo e estabelece regras mais rígidas para a cadeia láctea estadual.

    A nova legislação surge em resposta ao crescimento das importações, principalmente de países do Mercosul, que pressionam a competitividade dos produtores locais e levantam questionamentos sobre a procedência e qualidade dos produtos oferecidos ao consumidor.

    Proteção ao produtor e qualidade para o consumidor

    “Essa é uma iniciativa determinante para a manutenção dos empregos na cadeia produtiva do leite, para a proteção dos pequenos produtores e, principalmente, para a população: que terá sempre um produto de alto valor nutricional, com padrão de qualidade e brasileiro em sua casa”, declarou o governador Ronaldo Caiado.

    A reconstituição de leite consiste em adicionar água ao leite em pó para obter um produto líquido destinado à venda. A partir de agora, essa prática está vetada para indústrias, laticínios e qualquer pessoa jurídica estabelecida em Goiás.

    Fiscalização e penalidades

    As empresas que descumprirem a norma enfrentarão consequências severas: multas, apreensão de produtos e até suspensão do registro sanitário. O objetivo é garantir transparência, qualidade e valorização do produto goiano.

    “Essa lei é mais um passo na defesa da nossa agropecuária, do nosso emprego no campo e também da qualidade do alimento que chega à mesa do nosso povo”, reforçou Caiado.

    O projeto foi proposto pelo deputado estadual Amauri Ribeiro, que identificou a necessidade de regulamentação específica para proteger a cadeia produtiva local. “Essa lei assegura maior controle sanitário e evita que pequenos produtores abandonem a cadeia láctea”, afirmou o parlamentar.

    Impacto das importações na economia goiana

    Dados de 2024 revelam que Goiás importou 649 toneladas de leite em pó, representando 0,35% do volume total adquirido pelo Brasil. O produto veio integralmente de países do Mercosul e movimentou US$ 1,99 milhão que deixaram de circular na economia estadual.

    Esse valor poderia ter sido direcionado aos produtores de leite e ao comércio goiano, o que fortaleceria a economia regional e manteria empregos no campo. A falta de regras específicas para o uso de leite em pó importado facilitou esse cenário, mas a nova legislação vai reverter a situação.

  • Acordo Mercosul-UE deve ser assinado em dezembro

    Acordo Mercosul-UE deve ser assinado em dezembro

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que o acordo entre Mercosul e União Europeia será assinado em 20 de dezembro. Ele anunciou a data neste domingo (23), durante entrevista concedida na Cúpula do G20, em Joanesburgo, na África do Sul.

    Lula destacou que o Brasil preside o Mercosul neste semestre e prioriza a conclusão do acordo. Ele afirmou que o entendimento envolve 722 milhões de pessoas e movimenta US$ 22 trilhões em Produto Interno Bruto. Ele também ressaltou que o acordo pode se tornar o maior pacto comercial do mundo.

    O que acontece após a assinatura?

    O presidente explicou que, após a assinatura, os países ainda terão várias tarefas para iniciar os benefícios previstos. Os blocos concluíram as negociações em dezembro passado, após 25 anos de conversas.
    A UE e os países do Mercosul firmarão dois textos. O primeiro terá caráter econômico-comercial e vigência provisória. O segundo será o acordo completo. Em setembro, a Comissão Europeia enviou os documentos ao Parlamento Europeu e aos estados-membros.

    O Parlamento precisa aprovar o acordo por maioria simples. Países como a França podem resistir a alguns termos. Além disso, pelo menos 15 dos 27 membros da UE devem ratificar o texto, representando 65% da população do bloco. Esse processo pode levar anos. Quando aprovado, o acordo definitivo substituirá o texto provisório.

    Os países do Mercosul também precisam enviar o documento aos seus parlamentos. No entanto, a entrada em vigor é individual. Assim, cada país poderá aplicar o acordo após sua própria aprovação.

    França critica o acordo

    A França critica o texto e chama o acordo de inaceitável. O país alega que os termos não atendem a exigências ambientais da produção agrícola e industrial. Lula rebateu e disse que a França adota postura protecionista em defesa de seus agricultores.
    Agricultores europeus protestaram várias vezes contra o pacto. Eles afirmam que o acordo favorecerá a importação de produtos baratos do Mercosul, como carne bovina, sem os padrões exigidos pela UE. A Comissão Europeia nega o risco.

    O Brasil defende que qualquer regra europeia esteja alinhada com o acordo. A Alemanha e a Espanha, entre outros defensores, afirmam que o pacto pode compensar perdas comerciais causadas por tarifas dos Estados Unidos e reduzir a dependência da China, especialmente em minerais essenciais.
    Para os apoiadores europeus, o Mercosul é um mercado em expansão para carros, máquinas e produtos químicos. Além disso, o acordo garante acesso a minerais estratégicos para a transição verde, como o lítio metálico.

    Os europeus também destacam ganhos agrícolas, como maior acesso ao Mercosul e tarifas reduzidas para queijo, vinho e presunto.
    Lula afirmou que a assinatura ocorrerá em Brasília, durante a Cúpula de Líderes do Mercosul, em 20 de dezembro. Ele disse que o presidente do Paraguai não poderá participar nesse dia. Assim, a reunião de chefes de Estado deve ocorrer no início de janeiro, em Foz do Iguaçu.
    “Possivelmente a gente marque a reunião para o começo de janeiro e assine no dia 20 de dezembro”, afirmou Lula.

     

  • Mercosul e EFTA selam acordo histórico de US$ 4,3 trilhões

    Mercosul e EFTA selam acordo histórico de US$ 4,3 trilhões

    Em cerimônia realizada no Rio de Janeiro, representantes do Mercosul e da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) assinaram um acordo de livre comércio que promete revolucionar as relações comerciais entre os blocos.

    O pacto, classificado como “histórico” pelo chanceler brasileiro Mauro Vieira, estabelece uma zona econômica com PIB agregado superior a US$ 4,3 trilhões.

    O acordo une os quatro países do Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai – aos quatro membros da EFTA: Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Juntos, os oito países formam um mercado de quase 300 milhões de consumidores, abrindo acesso ampliado para mais de 97% das exportações entre as partes.

    “Este é um acordo inovador que facilitará a aproximação entre os países signatários e futuros membros que possam entrar no Mercosul”, declarou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante a cerimônia de assinatura.

    Impacto bilionário na economia brasileira

    Projeções econômicas indicam benefícios substanciais para o Brasil. Estudos estimam que, até 2044, o tratado poderá:

    • Adicionar R$ 2,69 bilhões ao PIB brasileiro
    • Atrair R$ 660 milhões em novos investimentos
    • Elevar as exportações em R$ 3,34 bilhões

    Os ganhos serão impulsionados pela eliminação integral de tarifas industriais já no primeiro dia de vigência do acordo, além de medidas para reduzir barreiras técnicas e sanitárias.

    Pequenas e médias empresas no centro das oportunidades

    O acordo foi estruturado com foco especial nas pequenas e médias empresas (PMEs), que representam a maior parte do tecido empresarial tanto no Mercosul quanto na EFTA. O pacto promete melhorar regras e procedimentos aduaneiros, gerando maior previsibilidade e segurança jurídica para negócios bilaterais.

    Atualmente, a EFTA representa 1,54% das importações brasileiras e 0,92% das exportações do país. Em 2024, a corrente de comércio bilateral totalizou US$ 7,14 bilhões, com o Brasil exportando US$ 3,09 bilhões para o bloco europeu e importando US$ 4,05 bilhões.

    O chanceler Mauro Vieira destacou que o acordo incorpora preocupações ambientais e de desenvolvimento sustentável, exigindo das empresas uma “integração verde” e produção energética sustentável. Esta abordagem alinha-se com as crescentes demandas globais por práticas comerciais responsáveis.

    Próximos acordos no horizonte

    O vice-presidente Geraldo Alckmin, presente na cerimônia, revelou que outras negociações comerciais estão em andamento. Segundo ele, as conversas para um acordo entre Mercosul e Emirados Árabes estão “bem adiantadas”, há possibilidades de linhas tarifárias com o México, e existe expectativa de selar o acordo Mercosul-União Europeia até o fim de 2025.

    Apesar da assinatura, o acordo não entra em vigor imediatamente. O processo inclui:

    • Tradução do documento para todos os idiomas dos países envolvidos
    • Internalização através dos processos legislativos nacionais (no Brasil, aprovação pelo Congresso Nacional)
    • Ratificação e notificação mútua da conclusão dos trâmites
    • Entrada em vigor no primeiro dia do terceiro mês após notificação de pelo menos um país de cada bloco

    Fortalecimento do multilateralismo

    Para Alckmin, o acordo “celebra a força do multilateralismo” em um momento de crescentes tensões comerciais globais. Questionado sobre possíveis impactos do “tarifaço” americano, o vice-presidente classificou o acordo como “uma abertura de mercado importante”, embora tenha ponderado que a relação “não é assim tão simples”.

    A cerimônia contou com a presença de autoridades de alto escalão dos oito países, incluindo os chanceleres argentino Gerardo Werthein, uruguaio Mario Lubetkin, o vice-presidente suíço Guy Parmelin e outros representantes ministeriais.

    Principais setores beneficiados:

    • Exportações brasileiras: metais básicos, produtos vegetais e animais, alimentos
    • Importações da EFTA: produtos farmacêuticos, químicos, máquinas e equipamentos

    Representatividade comercial atual da EFTA para o Brasil:

    • 1,54% das importações brasileiras
    • 0,92% das exportações brasileiras
    • US$ 7,14 bilhões em corrente de comércio (2024)
  • Exportações: conheça o Acordo Mercosul-EFTA

    Exportações: conheça o Acordo Mercosul-EFTA

    O Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) firmarão seu acordo comercial no próximo dia 16 de setembro. A cerimônia de assinatura acontecerá no Rio de Janeiro, durante a reunião de chanceleres do bloco sul-americano.

    O Ministério das Relações Exteriores (MRE) confirmou a informação em nota oficial. O chanceler Mauro Vieira presidirá o evento. O Brasil comanda atualmente a presidência temporária do Mercosul.

    O acordo concede ao Mercosul acesso privilegiado a um mercado de quatro países europeus. A lista inclui Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Estas nações possuem algumas das populações com maior poder de compra do mundo.

    As tratativas para este pacto começaram em Buenos Aires, em junho de 2017. As partes realizaram 14 rodadas de negociação até concluírem os termos em julho de 2024.

    Um bloco de economias robustas

    Criada em 1960, a EFTA reúne economias fortíssimas. Seu Produto Interno Bruto (PIB) combinado chega a US$ 1,4 trilhão. O bloco representa um mercado consumidor de alto valor para produtos do Mercosul.

    Em termos de riqueza individual, Liechtenstein é o segundo país mais rico do mundo. Sua renda per capita anual é de US$ 186 mil. A Suíça aparece em quarto lugar, com US$ 104,5 mil por pessoa. Noruega e Islândia também figuram no topo deste ranking global.

    Foco da presidência brasileira

    O comunicado do Itamaraty destacou os objetivos do Brasil no Mercosul. A presidência temporária busca consolidar a união aduaneira e diversificar parcerias. A modernização dos acordos regionais é outra meta central em um cenário internacional complexo.

    O governo brasileiro também enfatizará o apoio à adesão plena da Bolívia ao bloco.

    Com informações da Agência Brasil.

  • Brasil-China: relação comercial lidera geração de empregos

    Brasil-China: relação comercial lidera geração de empregos

    O comércio bilateral entre Brasil e China superou todos os demais parceiros comerciais na geração de empregos formais. A parceria sino-brasileira criou 62% mais vagas de trabalho em 14 anos, deixando para trás Estados Unidos, Mercosul e União Europeia.

    O Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) divulgou nesta semana o estudo “Análise Socioeconômica do Comércio Brasil-China”. A pesquisa, realizada em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, analisou dados de 2008 a 2022.

    Entre 2008 e 2022, os empregos ligados a exportações para a China cresceram 62%. Este índice supera significativamente as expansões registradas com outros parceiros estratégicos.

    Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com crescimento de 32,3%. O Mercosul registrou expansão de 25,1%, enquanto a União Europeia alcançou 22,8%. Os demais países sul-americanos apresentaram o menor crescimento: 17,4%.

    No setor de importações, a China também lidera. Os postos formais ligados a importações chinesas cresceram 55,4% no período analisado. A América do Sul ficou em segundo lugar, com 21,7%, seguida pela União Europeia (21%) e Estados Unidos (8,7%). O Mercosul registrou apenas 0,3% de crescimento.

    Importações chinesas empregam 5,5 milhões de brasileiros

    As atividades ligadas a importações da China empregam mais de 5,567 milhões de brasileiros. Este número supera em 145 mil vagas o total da União Europeia, segundo colocada no ranking.

    O ano de 2022 marca um momento histórico. Pela primeira vez desde 2008, o comércio sino-brasileiro alcançou o topo na geração de empregos ligados a importações.

    As exportações para a China empregam mais de 2 milhões de pessoas. Apesar do maior crescimento percentual (+62%), este setor fica atrás de outros parceiros em números absolutos.

    Mercosul lidera em empregos de exportação

    O Mercosul mantém a liderança em empregos ligados a exportações, com 3,8 milhões de vagas. A União Europeia emprega 3,6 milhões, seguida pela América do Sul (3,5 milhões) e Estados Unidos (3,4 milhões).

    Camila Amigo, analista do CEBC, explica esta diferença. “O comércio sino-brasileiro gera menos empregos na exportação por causa do perfil da pauta”, afirma. “Produtos agropecuários e minerais dominam as vendas para a China.”

    A especialista destaca que estes setores apresentam alta mecanização. “Embora altamente competitivos e estratégicos, geram proporcionalmente menos postos de trabalho”, compara com segmentos industriais diversificados.

    Metodologia baseia-se em dados oficiais

    Os pesquisadores utilizaram dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Este relatório, fornecido pelas empresas ao Ministério do Trabalho e Emprego, garante precisão nas informações sobre empregos formais.

    Foto: Divulgação – Mapa

    O CEBC separa empregos entre importadoras e exportadoras. Esta metodologia evita duplicidade, já que algumas empresas atuam nos dois segmentos simultaneamente.

    A pesquisa considerou Argentina, Paraguai e Uruguai como parceiros do Mercosul. O CEBC é uma instituição sem fins lucrativos que promove diálogo entre empresas brasileiras e chinesas.

    China consolida posição de principal parceiro

    A China mantém posição de principal parceiro econômico do Brasil. Em 2024, cerca de 3 milhões de empresas brasileiras exportaram para o país asiático. Outras 40 mil empresas atuaram no setor de importação.

    O país asiático representa 28% das vendas externas brasileiras. Também responde por 24% das compras externas do país, segundo dados de 2024.

    A parceria sino-brasileira gera superávit consistente para o Brasil. Em dez anos, o país acumulou saldo positivo de US$ 276 bilhões com a China.

    Este montante representa 51% do superávit brasileiro com todos os parceiros comerciais no período. Os números demonstram a importância estratégica da relação bilateral.

    Estabilidade macroeconômica depende da parceria

    O estudo destaca impactos além do comércio exterior. A relação comercial funciona como pilar da estabilidade macroeconômica brasileira.

    “A manutenção do superávit comercial com a China contribuiu para reduzir a vulnerabilidade externa”, aponta o documento. “Este cenário elevou as reservas internacionais do país.”

    O superávit favorece o equilíbrio do balanço de pagamentos. A entrada líquida de dólares suaviza a volatilidade cambial e protege a economia de choques internacionais.

    Camila Amigo avalia perspectivas positivas para a relação bilateral. A analista considera que o comércio sino-brasileira apresenta bases sólidas, mesmo diante do “tarifaço” americano.

    Os Estados Unidos aplicam taxas de até 50% sobre produtos brasileiros. Neste contexto, a parceria com a China ganha ainda mais relevância estratégica.

    “A China depende do Brasil como fornecedor estável de alimentos, energia e minerais”, explica Amigo. “O Brasil garante acesso ao maior mercado consumidor do mundo.”

    Diversificação marca próximos passos

    A analista projeta evolução na pauta comercial. “O futuro deve buscar diversificação das exportações, sustentabilidade e inclusão socioeconômica”, prevê.

    A estratégia vai além das commodities tradicionais. “Existe espaço para novos produtos e novas empresas neste comércio”, conclui a especialista.

    A parceria sino-brasileira demonstra potencial de crescimento sustentável. Os dados confirmam sua importância crescente para a economia nacional e geração de empregos formais.

    Agência Brasil

  • Mercosul e EFTA assinam acordo de livre comércio dia 16

    Mercosul e EFTA assinam acordo de livre comércio dia 16

    O Mercosul vai assinar um acordo de livre comércio com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) no dia 16. A cerimônia ocorrerá no Rio de Janeiro, durante reunião de chanceleres. O anúncio foi feito pelo Ministério das Relações Exteriores.

    O embaixador Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, vai presidir a reunião. O Brasil ocupa a presidência temporária do bloco.

    Segundo o MRE, o Brasil busca consolidar a união aduaneira e diversificar parcerias econômico-comerciais do Mercosul. O comunicado também destaca a modernização de acordos regionais e o apoio à adesão plena da Bolívia ao bloco. As negociações começaram em 2017, em Buenos Aires. Depois de 14 rodadas, houve a conclusão final em julho deste ano.

    A EFTA reúne Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein. Criada em 1960, a organização soma 15 milhões de habitantes e PIB de US$ 1,4 trilhão.

    Liechtenstein possui a segunda maior renda per capita mundial: US$ 186 mil anuais. A Suíça ocupa a quarta posição, com US$ 104,5 mil. Islândia e Noruega também estão entre os países mais ricos do mundo, com renda média elevada e destaque internacional.

  • Chocolate pode ficar mais barato após acordo de livre comércio

    Chocolate pode ficar mais barato após acordo de livre comércio

    O Mercosul e a EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio) fecharam nesta semana em Buenos Aires, um acordo de livre comércio entre os dois blocos. As negociações entre o Mercosul e o EFTA foram lançadas em janeiro de 2017.

    O acordo cria uma zona de livre comércio com aproximadamente 300 milhões de consumidores. O PIB combinado das duas regiões supera US$ 4,3 trilhões.

    O Mercosul reúne Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia. A EFTA inclui Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Este é o terceiro acordo comercial importante do Mercosul, após Singapura em 2023 e União Europeia em 2024.

    Eliminação total de tarifas industriais

    O Brasil terá eliminação imediata das tarifas aplicadas à importação de 100% do universo industrial pelos países da EFTA. A EFTA eliminará 100% das tarifas de importação dos setores industrial e pesqueiro no momento da entrada em vigor do acordo.

    Os produtos agrícolas terão desde livre comércio até acesso a um conjunto de quotas de importação. O Mercosul terá livre comércio com a Suíça para café torrado, álcool etílico, suco de laranja, fumo não manufaturado, melões, bananas, uvas frescas, amêndoa e manteiga de cacau.

    Os famosos chocolates suíços foram liberados por meio de quotas, mas podem chegar mais baratos aos consumidores latinos. Os chocolates suíços hoje pagam 20% de imposto para entrar no Mercosul.

    Com o acordo, as importações do produto dentro de um volume a ser anunciado terão tarifa zero. Esta medida beneficiará diretamente os consumidores sul-americanos.

    Quotas preferenciais para produtos agrícolas

    O acordo estabelece quotas preferenciais para diversos produtos:

    • Milho: até 8.000 toneladas por ano
    • Carne bovina: 3.000 toneladas
    • Óleos vegetais: até 3.000 toneladas
    • Vinho tinto: 50 mil hectolitros

    Os produtos do bloco podem disputar também as quotas que os países têm na OMC (Organização Mundial do Comércio). Além das 8.000 toneladas anuais de carne bovina, os países podem competir para exportar dentro da cota de 22,5 mil toneladas que a Suíça tem na organização.

    Cronograma de redução gradual

    A negociação prevê um cronograma de redução de tarifas para chegar a zero em até 15 anos. Ambas as partes se beneficiarão de melhoras em acesso a mercado para mais de 97% de suas exportações.

    A assinatura final deve demorar alguns meses. Pois agora o texto precisa ser aprovado pelos Parlamentos de todos os países. Os próximos passos incluem verificação das questões jurídicas do acordo, aprovação nos respectivos parlamentos e ratificação do Executivo.

    Segundo porta-vozes do Itamaraty, o entendimento entre os países é bem-vindo em um contexto internacional de crescente protecionismo e unilateralismo comercial. Os países da EFTA têm grande poder de compra, ainda que sem a mesma escala da União Europeia.

    Modernização das cadeias produtivas

    O acordo deve servir como plataforma para aumentar a internacionalização dos países da América do Sul e agregar valor aos produtos locais. Também pode ajudar a modernizar as cadeias produtivas, sobretudo a partir da tecnologia de Suíça e Noruega.

    Ao contrário do acordo Mercosul-UE, não se espera resistências dos europeus, já que os quatro países do EFTA são todos favoráveis. Esta característica torna a implementação do acordo mais provável e ágil.

    Leia mais:

    + Agro em Campo: Futuro porto de Imetame atrai investimentos da cafeicultura

    + Agro em Campo: Mercado do café se adapta a nova era de exigências ESG