Tag: MAPA

  • Produtores de tomate buscam certificação em projeto sustentável

    Produtores de tomate buscam certificação em projeto sustentável

    A quarta edição do Encontro Nacional do Instituto Brasileiro de Horticultura (IBRAHORT) marcou um novo momento para a horticultura brasileira. Produtores, especialistas e empresas discutiram os caminhos do setor diante de um mercado que exige cada vez mais padronização, agregação de valor, tecnologia e profissionalização.

    Manoel Oliveira, diretor-executivo e Lauro Andrade, presidente do IBRAHORT. Foto: DIvulgação

    O diretor-executivo do IBRAHORT, Manoel Oliveira, destacou a força das parcerias no evento. “Nosso diferencial está na construção de ações estratégicas para o setor. Fortalecemos as boas práticas e damos visibilidade a iniciativas como o MipExperience”, afirmou.

    Projeto premia produtores com certificação do MAPA

    Durante o encontro, o projeto Rota do Tomate + Sustentável realizou sua segunda etapa. A iniciativa mobiliza produtores de diversas regiões do país para adotar boas práticas agrícolas. Ao final do programa, cinco produtores receberão a Certificação de Boas Práticas Agrícolas do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), além de outros prêmios.

    O CEO da Promip, Marcelo Poletti, apresentou o programa MipExperience, que o Ministério da Agricultura reconhece como referência em boas práticas. Ele explicou os critérios de evolução até a etapa final da Rota do Tomate + Sustentável. “A presença de mais de 30 produtores selecionados no concurso no 4º Encontro do IBRAHORT foi fundamental para avançarmos. O workshop permitiu que os produtores esclarecessem dúvidas e interagissem diretamente com nossos consultores”, disse Poletti.

    Mais de 130 produtores iniciaram a jornada

    O programa Rota do Tomate + Sustentável inscreveu mais de 130 produtores. Destes, cerca de 70 avançaram para a capacitação virtual. Na terceira fase, aproximadamente dez produtores receberão acompanhamento técnico por dois meses. O objetivo é implementar boas práticas agrícolas e conquistar a certificação até o dia 15 de setembro, em Holambra (SP).

    O agrônomo e consultor do programa, Sergio Hanai, alertou os participantes sobre a importância do manejo preventivo, especialmente contra a mosca-branca, uma das principais pragas do tomate. “A prevenção determina o sucesso. A mosca-branca exige manejo preciso e contínuo. Qualquer falha compromete a produtividade. Hoje tivemos uma troca muito rica entre os participantes”, enfatizou Hanai.

    Heidy Milan, da PariPassu, orientou os produtores sobre a preparação para as próximas etapas e reforçou o alinhamento técnico das propriedades. “O produtor precisa usar o manual do MipExperience como referência e realizar um checklist detalhado da propriedade. A visita técnica decide a classificação”, afirmou.

    Produtores compartilham experiências e desafios

    Participantes de diferentes regiões relataram suas realidades. De Pará de Minas (MG), Tiago Andrade Duarte participou ao lado da mãe, Maria Mercês. A família cultiva tomate Angélica em sistema protegido, em 3,5 hectares. “Buscamos a certificação para valorizar nosso produto no mercado e ampliar o reconhecimento”, disse Tiago. Maria Mercês completou: “O que mais me chamou a atenção: para conquistar a certificação, precisaremos ficar ainda mais organizados. Isso faz toda a diferença.”

    De Inconfidentes (MG), Caetano Gamarini produz hortaliças orgânicas. Ele destacou a troca de conhecimento no evento. “Já passamos pelas etapas teóricas e agora trocamos experiências com técnicos e produtores. Isso fortalece muito o conhecimento”, afirmou.

    A produtora Luiza Brum Carius Gomes, de Paty de Alferes (RJ), também valorizou a iniciativa. “Trabalhamos em família e buscamos a certificação para qualificar nosso produto e ganhar competitividade”, disse Luiza.

    De Dourados (MS), Lucca Pereira Cifuentes Valenzuela compartilhou o desafio de produzir em estufa num clima diferente do restante do país. “Tenho estufas com tomate e meu maior desafio é manter a estufa mais seca durante o verão úmido da região. Busco orientações técnicas e a certificação”, explicou.

    Após o workshop, os participantes acompanharam um debate sobre mercado com a pesquisadora do Cepea, Margarete Boteon. Ela trouxe perspectivas positivas para o setor. “Provavelmente teremos recuperação dos preços ao produtor em 2026. O ano passado foi muito difícil, com quedas expressivas em culturas como cebola e batata por causa do aumento da oferta. Para este ano, a tendência de menor área e produtividade pode favorecer o equilíbrio de preços”, explicou.

  • Agronegócio brasileiro abre 29 mercados em abril

    Agronegócio brasileiro abre 29 mercados em abril

    O agronegócio brasileiro ampliou exportações ao abrir mercados em nove países nos primeiros dias de abril. Segundo o Ministério da Agricultura (Mapa), o país liberou embarques de 29 produtos diferentes em 17 dias.

    Entre os destinos, destacam-se Vietnã, Arábia Saudita, Etiópia e El Salvador, além de outros mercados estratégicos.

    Os acordos envolvem proteína animal, frutas, grãos e diversos itens da cadeia agropecuária. Além disso, o resultado se soma à abertura de 30 mercados nos três primeiros meses do ano. Com isso, o setor mantém ritmo consistente de expansão no comércio internacional.

    No primeiro trimestre, o agronegócio exportou US$ 38,1 bilhões, segundo dados oficiais. O valor representa recorde para o período entre janeiro e março. Além disso, o desempenho indica crescimento de 0,9% frente ao mesmo período de 2025.

    Especialistas destacam que a diversificação de destinos fortalece a competitividade do agro brasileiro. A seguir, veja os principais mercados abertos em abril:

    Etiópia

    O Brasil liberou exportações de sementes forrageiras, carnes bovina, suína e de aves. Também incluiu miúdos, produtos lácteos, pescado e itens para alimentação animal.

    Além disso, autorizou envio de animais vivos, ovos férteis, alevinos e material genético.

    Arábia Saudita

    O país abriu mercado para frutas como abacate, atemoia, goiaba e carambola. Também liberou citros, gengibre, mamão, maracujá e melancia.

    Vietnã

    O mercado passou a importar miúdos bovinos, além de pés e miúdos suínos.

    El Salvador

    O país autorizou a compra de maçã e carne de frango termoprocessada.

    Azerbaijão

    O Brasil conquistou acesso para exportação de uvas.

    Jordânia

    O mercado passou a importar feno brasileiro.

    Angola

    O país autorizou a entrada de oócitos ovinos e caprinos.

    Peru

    O acordo inclui sementes de pimenta da espécie *capsicum baccatum*.

    Filipinas

    O mercado abriu para grãos secos de destilaria de milho destinados à ração animal.

    Com esses avanços, o Brasil amplia sua presença global e fortalece o agronegócio.

  • Nova variedade de banana descoberta promete mais renda ao produtor

    Nova variedade de banana descoberta promete mais renda ao produtor

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) registrou uma nova variedade de banana originária de Santa Catarina: a Clarinha (SCS455). A descoberta aconteceu de forma espontânea no município de Luiz Alves, no Vale do Itajaí, uma das principais regiões produtoras da fruta no país.

    A banana Clarinha surgiu de uma mutação natural da banana caturra, pertencente ao subgrupo Cavendish. Sua principal característica é a casca mais clara e brilhante, resultado de uma redução de aproximadamente 43% no teor de clorofila. Na prática, isso significa que a fruta demora mais para escurecer após a colheita. Um diferencial importante para a comercialização, especialmente no inverno, quando o escurecimento nas prateleiras se acelera.

    A Epagri conduziu os estudos de identificação e validação da cultivar a partir de 2018. Os ensaios confirmaram que a Clarinha mantém produtividade equivalente à variedade tradicional, somando ao desempenho agrícola já conhecido um apelo estético capaz de aumentar a rentabilidade dos produtores catarinenses.

    Com a inscrição no Registro Nacional de Cultivares (RNC-Mapa) sob o número 58.447, a Clarinha está apta para uso comercial. Produtores interessados podem adquirir mudas junto a empresas registradas no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem).

    Um bananal de descobertas

    O registro eleva para seis o número de variedades de banana identificadas em Santa Catarina, com destaque para municípios como Luiz Alves e Corupá. Para o superintendente do Mapa em Santa Catarina, Ivanor Boing, o avanço reflete a capacidade de inovação do setor no estado.

    “O registro de novas cultivares demonstra a capacidade de inovação da agropecuária catarinense e o papel do Ministério da Agricultura em garantir segurança, rastreabilidade e competitividade para o setor. Santa Catarina tem se destacado nacionalmente pela organização e qualidade da sua produção”, afirmou Boing.

    A Superintendência de Agricultura e Pecuária de Santa Catarina acompanha iniciativas como essa com o objetivo de fortalecer a diversificação e a agregação de valor à produção agrícola do estado.

  • Nova regra reforça rastreabilidade e segurança jurídica na cadeia do pescado

    Nova regra reforça rastreabilidade e segurança jurídica na cadeia do pescado

    Os Ministérios da Pesca e Aquicultura (MPA) e da Agricultura e Pecuária (Mapa) oficializaram a Portaria Interministerial nº 54, que define a Nota Fiscal como documento obrigatório para comprovar a origem do pescado proveniente da pesca e da aquicultura. A decisão inaugura uma nova etapa de modernização regulatória e de fortalecimento da rastreabilidade na cadeia produtiva nacional.

    A norma substitui a Instrução Normativa Interministerial nº 4/2014, atualizando mecanismos de controle e fiscalização. Segundo os ministérios, a medida amplia a segurança jurídica, garante maior previsibilidade nas operações comerciais e reforça a conformidade com as práticas atuais do setor pesqueiro e aquícola brasileiro.

    Com a adoção da Nota Fiscal como documento oficial, o governo busca elevar a transparência nas transações, valorizar o pescado nacional e aprimorar as etapas de monitoramento da produção. A nova portaria foi construída em parceria entre o MPA e o Mapa, com participação ativa de representantes da Câmara Setorial da Produção e Indústria de Pescados e auditores fiscais do Mapa, para assegurar que a regulamentação atenda às necessidades operacionais do setor de forma efetiva e uniforme em todo o país.

    Inovações

    Entre as principais inovações, o texto traz o anexo “Autodeclaração de Solicitação de Atualização de Dados junto ao MPA”. Ela permite ao proprietário de embarcação comprovar sua regularidade enquanto aguarda análise de pedido no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP). O mecanismo evita interrupções produtivas e garante previsibilidade administrativa durante o processo de atualização cadastral.

    Imagem gerada por IA

    De acordo com as pastas, a iniciativa integra a agenda de modernização administrativa e inovação regulatória. Promovendo maior eficiência na gestão pública e tutorando os direitos dos usuários dos sistemas oficiais. A regulamentação reforça o compromisso do governo federal com o desenvolvimento sustentável da pesca e da aquicultura. E consolida a Nota Fiscal como peça central na comprovação da origem e no controle das atividades do setor.

  • Cléber Soares assume cargo-chave no Ministério da Agricultura; veja quem é

    Cléber Soares assume cargo-chave no Ministério da Agricultura; veja quem é

    O governo federal oficializou a nomeação de Cléber Oliveira Soares como novo secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária. Com isso, ele passa a ocupar um dos cargos mais importantes da pasta.

    A função representa o segundo posto na hierarquia do ministério. Além disso, o cargo tem papel direto na coordenação de políticas públicas para o agronegócio, setor essencial para a economia brasileira.

    Quem é Cléber Soares, novo secretário-executivo do Mapa

    Cléber Soares construiu carreira na Embrapa e já atuava como secretário-executivo adjunto. Por isso, ele chega ao cargo com experiência consolidada em ciência, tecnologia e inovação no agro.

    Ele se formou em medicina veterinária e concluiu doutorado em Ciências Veterinárias. Ao longo da trajetória, direcionou seu trabalho para a gestão pública e o desenvolvimento do setor agropecuário.

    Além disso, participou de projetos estratégicos e representou o Brasil em iniciativas de cooperação internacional. Dessa forma, ampliou sua atuação no cenário global.

    Mudança ocorre em momento estratégico para o agronegócio

    A troca na Secretaria-Executiva acontece em um período de reorganização interna do ministério. Nesse contexto, o governo busca manter a continuidade das políticas públicas.

    Cléber Soares assume o cargo após a saída do antigo secretário-executivo, que decidiu disputar as eleições. Com isso, a gestão passa por um ajuste natural.

    A expectativa é de continuidade administrativa. Ao mesmo tempo, o ministério deve avançar em pautas como inovação, sustentabilidade e aumento das exportações.

    Qual é a função do secretário-executivo do Ministério da Agricultura

    O secretário-executivo coordena as ações administrativas do ministério. Além disso, ele atua diretamente na implementação das políticas públicas.

    Entre as principais funções, estão a articulação entre secretarias e a gestão de programas estratégicos. Também cabe ao cargo apoiar o ministro e acompanhar projetos prioritários.

    Por esse motivo, o governo costuma escolher profissionais com perfil técnico e experiência no setor.

    Impacto da nomeação para o agronegócio

    A escolha de Cléber Soares reforça a presença de técnicos na condução do Ministério da Agricultura. Dessa maneira, o governo sinaliza continuidade na gestão.

    Especialistas avaliam que essa estabilidade pode beneficiar o setor. Isso ocorre porque o agronegócio enfrenta alta demanda global e novos desafios sustentáveis.

    Portanto, a expectativa é de avanços consistentes nos próximos meses.

  • Porcos-espinhos vindos da França passam por fiscalização no Brasil e chamam atenção

    Porcos-espinhos vindos da França passam por fiscalização no Brasil e chamam atenção

    A chegada de porcos-espinhos vindos da França ao Brasil mobilizou equipes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que realizaram uma fiscalização sanitária completa antes da liberação dos animais.

    Os exemplares foram destinados ao Zoológico de São Paulo e passaram por protocolos rigorosos para garantir que não representem risco à saúde animal ou humana.

    Além disso, a inspeção seguiu normas internacionais, que regulam o trânsito de espécies entre países.

    Foto: Reprodução/Zoo São Paulo
    Foto: Reprodução/Zoo São Paulo

    Controle sanitário protege fauna e população

    O processo de fiscalização inclui análise documental, avaliação clínica e verificação das condições de transporte.

    Com isso, o Mapa busca evitar a entrada de doenças exóticas no território brasileiro. Esse tipo de controle se torna ainda mais relevante quando envolve espécies silvestres.

    Além disso, as autoridades garantem que os animais chegam em boas condições de saúde, reduzindo riscos tanto para outros animais quanto para profissionais que lidam com eles.

    Zoológico recebe espécies com foco em conservação

    Os porcos-espinhos importados passam a integrar o plantel do zoológico, que atua na conservação de espécies e na educação ambiental.

    A presença desses animais também contribui para programas de pesquisa e reprodução, fortalecendo iniciativas de preservação da biodiversidade.

    Além disso, zoológicos modernos assumem um papel estratégico na manutenção de espécies, especialmente diante de ameaças ambientais crescentes.

    Importação de animais exige protocolos internacionais

    A entrada de animais no Brasil segue regras rigorosas, que envolvem acordos sanitários entre países.

    Nesse sentido, o transporte precisa cumprir exigências específicas, incluindo certificações veterinárias e acompanhamento técnico.

    Posteriormente, os animais passam por períodos de observação e adaptação antes de serem expostos ao público.

    Operação reforça vigilância no país

    A fiscalização realizada reforça o papel do Brasil no controle sanitário internacional.

    Ao manter padrões elevados, o país protege sua fauna, evita prejuízos ao agronegócio e garante segurança à população.

    Além disso, ações como essa demonstram a importância da vigilância constante em um cenário global cada vez mais conectado.

  • Você pode estar consumindo azeite falso: saiba como se proteger

    Você pode estar consumindo azeite falso: saiba como se proteger

    O Brasil enfrenta uma crise silenciosa no mercado de azeite de oliva. A Anvisa e o Ministério da Agricultura proibiram a venda de 25 marcas em 2025, após identificarem fraudes e irregularidades em diversos lotes comercializados no país. Por trás de cada proibição, há um conjunto de práticas fraudulentas que vai da adulteração da composição até a criação de empresas que existem apenas no papel. Entender como essas fraudes funcionam é o primeiro passo para o consumidor se proteger.

    A fraude mais comum: mistura com outros óleos

    A adulteração de composição é, sem dúvida, a irregularidade mais frequente. Na prática, fabricantes desonestos misturam o azeite de oliva com óleos vegetais mais baratos, como o de soja ou de girassol. O resultado é um produto que parece azeite por fora, mas não oferece os mesmos benefícios nutricionais.

    Esses azeites são “batizados” com óleos de soja ou girassol, perdendo as propriedades benéficas do azeite de oliva extravirgem e enganando o consumidor financeiramente. Além do prejuízo econômico, a mistura representa um risco à saúde. A adulteração pode provocar reações em pessoas com sensibilidades alimentares, além de não oferecer os benefícios cardiovasculares esperados de um azeite de oliva legítimo.

    Para disfarçar a fraude, alguns produtores vão ainda mais longe. Os fiscais encontram, com frequência, corantes e aromatizantes não autorizados misturados ao produto. Essas substâncias imitam a cor dourada e o aroma característico do azeite verdadeiro, tornando a identificação visual quase impossível para o consumidor comum.

    Um caso extremo ilustra bem a gravidade do problema. A marca Espanhol Colonial, lote 015, foi flagrada com óleos não declarados na composição. Após a apreensão, o produto teve de ser misturado a óleo queimado para ser inutilizado como alimento e, só então, destinado à produção de biocombustível.

    Rótulos enganosos: quando o nome confunde de propósito

    Além da adulteração física do produto, outra estratégia comum envolve o uso de nomes e rótulos semelhantes aos de marcas conhecidas e respeitadas no mercado. O objetivo é induzir o consumidor ao erro no momento da compra, aproveitando a confiança que o público já deposita em marcas consolidadas.

    Esse tipo de fraude é especialmente perigoso porque não exige nenhuma análise laboratorial para enganar. Basta uma embalagem parecida e um nome próximo ao original para que o produto circule nas prateleiras sem levantar suspeitas imediatas.

    Empresas fantasmas e falta de rastreabilidade

    Nem sempre a fraude está no líquido dentro da garrafa. Muitas vezes, o problema está na estrutura jurídica e administrativa por trás do produto. Essa categoria de irregularidade é especialmente perigosa porque impede qualquer tipo de fiscalização ou responsabilização.

    O caso do azeite Afonso, proibido pela Anvisa em abril de 2026, exemplifica bem essa situação. A empresa importadora, Cotinga Ltda., possuía CNPJ irregular na Receita Federal e não funcionava no endereço registrado. Por isso, nenhuma inspeção sanitária era possível. A falta de um CNPJ ativo impede a rastreabilidade, essencial para o controle de alimentos no país.

    Há ainda outro requisito legal que muitas empresas ignoram. Toda empresa que processa ou envasa azeite precisa ter registro no Cadastro Geral de Classificação (CGC) do Ministério da Agricultura. A ausência desse cadastro é uma infração grave e, por si só, já é motivo suficiente para a proibição do produto.

    “Fora de tipo” ou “desclassificado”: qual é a diferença?

    As fontes técnicas estabelecem uma distinção importante para entender a gravidade de cada caso. Nem toda irregularidade tem o mesmo peso legal e sanitário.

    Um produto “fora de tipo” ainda é azeite de oliva, mas excede os limites de qualidade para a categoria declarada no rótulo. Por exemplo, um azeite rotulado como “extravirgem” pode apresentar parâmetros de acidez, índice de peróxidos ou extinção ultravioleta compatíveis apenas com a categoria “virgem”. Nesses casos, o produto pode ser reprocessado para reenquadramento na categoria correta.

    Já a classificação “desclassificado” é mais grave e, nesse caso, a comercialização é proibida. Isso ocorre quando há fraude comprovada na composição, presença de outros óleos, odor estranho, condições de higiene inadequadas ou substâncias nocivas identificadas. Não há possibilidade de reaproveitamento para consumo humano.

    Como a fiscalização detecta as fraudes

    Para identificar adulterações, os laboratórios do Ministério da Agricultura utilizam uma bateria de testes rigorosos. Cada parâmetro revela um tipo diferente de irregularidade.

    O índice de refração é um dos primeiros testes aplicados. Ele verifica a autenticidade do produto a partir de suas propriedades ópticas. Foi justamente nesse teste que o azeite Afonso reprovou, o que contribuiu diretamente para a decisão de proibição.

    Além disso, os fiscais aplicam os chamados testes de identidade, que analisam a presença de estigmastadienos, ceras e a composição de ácidos graxos do produto. Esses testes são fundamentais para provar que o azeite não é puro. A presença de estigmastadienos acima de 0,15 mg/kg, por exemplo, desclassifica o produto imediatamente. Esse resultado indica, sem margem de dúvida, que houve refino ou adulteração com outros óleos vegetais.

    Como se proteger na hora da compra

    Para garantir uma compra segura, a orientação é observar preços suspeitosamente baixos, evitar azeites vendidos sem embalagem original e consultar o registro do produto na plataforma pública da Anvisa, que permite confirmar a autenticidade da marca.

    Denúncias sobre produtos suspeitos também podem ser feitas diretamente às vigilâncias sanitárias municipais ou pelo portal consultas.anvisa.gov.br. A colaboração do consumidor é, portanto, parte essencial do sistema de fiscalização.

  • Agro amplia acesso ao mercado de capitais

    Agro amplia acesso ao mercado de capitais

    O Ministério da Agricultura firmou acordo com a Comissão de Valores Mobiliários para ampliar o financiamento do agro. Além disso, a parceria busca expandir o acesso do setor agropecuário ao mercado de capitais. Segundo o Ministério, o convênio prevê compartilhamento de conhecimento técnico e aprimoramento de diagnósticos e análises. Também inclui a formulação e disseminação de ações para ampliar o financiamento das atividades agropecuárias.

    A Secretaria de Política Agrícola coordenará o acordo, com apoio de áreas técnicas do Ministério e da CVM. Por outro lado, a Superintendência de Securitização e Agronegócio da CVM participará das ações previstas.

    O Ministério destacou que parte relevante dos recursos do agro já vem do mercado de títulos e valores mobiliários. Assim, a Pasta considera a parceria estratégica para fortalecer o setor agropecuário. O acordo terá duração inicial de dois anos, com possibilidade de prorrogação por aditivo.

    Em uma rede social, o diretor Tiago Dahdah afirmou que ampliar fontes de financiamento fortalece competitividade, inovação e sustentabilidade. Além disso, ele disse que o acordo aproxima o agronegócio do mercado de capitais. Segundo Dahdah, a iniciativa melhora diagnósticos, análises e ações voltadas ao financiamento privado. Ele também destacou a importância de novos instrumentos diante das restrições fiscais ao crédito oficial. Por fim, o diretor afirmou que o financiamento privado complementa o crédito rural e moderniza o agro brasileiro.

     

  • O que está travando o agro em SP? Ministério faz diagnóstico

    O que está travando o agro em SP? Ministério faz diagnóstico

    O que está travando o agro em SP? Ministério faz diagnóstico e acende alerta

    O agronegócio paulista, um dos mais importantes do país, enfrenta desafios que podem impactar diretamente sua produtividade e competitividade. Um diagnóstico recente do Ministério da Agricultura e Pecuária acendeu um alerta ao apontar gargalos que ainda limitam o avanço do setor no estado de São Paulo.

    Além disso, o levantamento reforça que, apesar da força do agro paulista, ainda existem obstáculos que precisam ser superados para garantir crescimento sustentável.

    Um setor forte, mas com entraves

    São Paulo se destaca nacionalmente pela diversidade da produção agrícola e pela força de cadeias como a cana-de-açúcar, a citricultura e a pecuária. No entanto, o estudo mostra que esse potencial nem sempre se traduz em eficiência máxima.

    Isso acontece porque fatores estruturais continuam dificultando o desenvolvimento pleno das atividades no campo.

    Infraestrutura ainda é um dos principais problemas

    Entre os principais desafios identificados, a infraestrutura aparece como um dos pontos mais críticos. Estradas em condições inadequadas e dificuldades logísticas impactam diretamente o escoamento da produção.

    Como consequência, produtores enfrentam custos mais elevados e maior dificuldade para competir, especialmente no mercado externo.

    Recursos e sustentabilidade entram no debate

    Outro ponto que ganha destaque é a gestão de recursos naturais. O uso eficiente da água e a adaptação às mudanças climáticas aparecem como temas cada vez mais centrais para o futuro do agro.

    Além disso, cresce a pressão por práticas mais sustentáveis, o que exige investimentos e planejamento por parte dos produtores.

    Tecnologia avança, mas ainda não alcança todos

    Embora o agronegócio brasileiro seja reconhecido pela inovação, o acesso à tecnologia ainda não é uniforme. Muitos produtores, especialmente os de menor porte, enfrentam dificuldades para adotar soluções mais modernas.

    Por isso, ampliar o acesso à tecnologia se torna fundamental para reduzir desigualdades dentro do setor e aumentar a produtividade.

    Caminhos para o futuro do agro paulista

    Apesar dos desafios, o cenário também aponta oportunidades. Com investimentos em infraestrutura, incentivo à inovação e políticas públicas mais eficientes, o estado pode ampliar ainda mais sua relevância no agronegócio nacional.

    Além disso, o fortalecimento de cadeias produtivas já consolidadas pode impulsionar o crescimento de forma consistente.

    Um alerta que pode virar oportunidade

    O diagnóstico feito pelo Ministério da Agricultura não apenas evidencia problemas, mas também indica caminhos. Diante disso, o momento se mostra estratégico. Superar esses desafios pode colocar o agro paulista em um novo patamar, mais competitivo, moderno e preparado para o futuro.

  • Caminho Verde Brasil destina R$ 3 bi à Caatinga para integrar pequenos produtores ao milho e fortalecer avicultura

    Caminho Verde Brasil destina R$ 3 bi à Caatinga para integrar pequenos produtores ao milho e fortalecer avicultura

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) destinou R$ 3 bilhões do Programa Caminho Verde Brasil para impulsionar o desenvolvimento sustentável na Caatinga, com foco na integração de pequenos produtores rurais à cadeia produtiva do milho e no fortalecimento da avicultura nordestina. A medida foi anunciada durante reunião estratégica realizada na quinta-feira (26), no Recife (PE).

    Do total de R$ 30 bilhões previstos no programa nacional, 10% serão aplicados exclusivamente no bioma, que abrange estados como Pernambuco, Bahia, Ceará e Piauí. A iniciativa reuniu representantes da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), produtores rurais, avicultores, Banco do Brasil, Embrapa, Corteva e assessores do gabinete ministerial.

    (Imagem/Reprodução: Guilherme Martimon/MAPA)

    Milho local para reduzir custos da avicultura

    O abastecimento de milho representa um dos principais gargalos da avicultura nordestina. Por isso, a indústria busca o insumo a mais de 1.000 quilômetros de distância, o que eleva significativamente os custos de produção das aves. Diante desse cenário, o Caminho Verde Brasil propõe estruturar a produção do grão no entorno direto dos polos avícolas da região, aproximando a oferta da demanda e reduzindo a dependência logística.

    “Estamos buscando uma solução para a produção de milho nos arredores das avícolas, utilizando recursos do programa”, afirmou Carlos Augustin, coordenador do Caminho Verde Brasil e assessor especial do gabinete do ministro da Agricultura.

    A estratégia prevê a transição de pequenos agricultores, hoje voltados majoritariamente para a subsistência, para uma agricultura comercial integrada à indústria. Segundo Edival Veras, representante da Associação Avícola de Pernambuco (Avipe), os recursos poderão viabilizar o preparo de até 400 mil hectares para a produção sustentável de milho, dentro dos critérios ambientais do programa.

    Impacto social e econômico avaliado positivamente pelo setor

    Para o diretor de Relações Institucionais da ABPA, Marcelo Osório, o programa combina desenvolvimento regional com responsabilidade ambiental. “O programa tem um importante caráter social e de desenvolvimento regional, e houve consenso entre os participantes. Agora, avançamos para os detalhes de implementação”, destacou.

    Próximos passos: reunião em abril definirá cronograma

    Os participantes estabeleceram uma agenda de trabalho para estruturar as parcerias entre produtores rurais e indústria. Um novo encontro está previsto para abril, quando serão apresentados os avanços das ações e definido o cronograma de execução.

    Sobre o Caminho Verde Brasil

    Coordenado pelo Mapa, o programa tem como meta restaurar até 40 milhões de hectares de áreas degradadas em todo o território nacional, integrando-as a sistemas produtivos sustentáveis. O projeto busca equilibrar segurança alimentar, transição energética e proteção ambiental, posicionando o Brasil como referência global em agropecuária sustentável.