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  • Câmara aprova projeto que fortalece seguro rural e garante verba obrigatória no orçamento

    Câmara aprova projeto que fortalece seguro rural e garante verba obrigatória no orçamento

    A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2951/24, que altera regras do seguro rural no Brasil e transforma em obrigatória a execução dos recursos federais destinados à subvenção do programa. Como os deputados modificaram o texto original, a proposta seguirá novamente para análise do Senado Federal.

    A expectativa no Congresso é de tramitação acelerada. Além disso, parlamentares devem apresentar um pedido de urgência logo no início da análise no Senado, o que permitirá votação diretamente no plenário, sem passar pelas comissões temáticas.

    O projeto promove mudanças em três legislações ligadas ao setor: a Lei da Política Agrícola, a norma que criou o PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) e a legislação do Fundo de Catástrofe.

    Seguro rural passa a ter verba obrigatória

    Atualmente, os recursos destinados ao PSR dependem de verbas discricionárias do governo federal. Por isso, os valores podem sofrer contingenciamentos durante o ano para atender metas fiscais.

    Com a proposta aprovada pela Câmara, as despesas com a subvenção ao seguro rural passam a ser classificadas como gastos obrigatórios no orçamento federal. Além disso, os recursos ficarão vinculados ao orçamento do MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária).

    Apesar da mudança, o montante continuará limitado ao valor previsto na Lei Orçamentária Anual enviada pelo governo ao Congresso.

    Sobras do Proagro poderão reforçar recursos

    O texto também autoriza o governo federal a remanejar parte das sobras orçamentárias do Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) para fortalecer os recursos do seguro rural.

    Entretanto, a medida estabelece limites. Segundo a proposta, o remanejamento não poderá comprometer o funcionamento do programa nem afetar operações já contratadas.

    Seguro poderá servir como garantia de crédito

    Outro ponto importante do projeto mantém a possibilidade de utilizar o seguro rural como garantia em operações de crédito rural.

    Além disso, produtores segurados poderão ganhar prioridade no acesso ao crédito, na renegociação e na prorrogação de dívidas. O texto ainda prevê condições mais vantajosas para operações seguradas, como juros menores, prazos ampliados e condições diferenciadas.

    Mesmo assim, a proposta não torna obrigatória a contratação do seguro para obtenção de crédito rural.

    Projeto define prazo para indenizações

    O projeto estabelece prazo máximo de 30 dias para liquidação de sinistros após a entrega da documentação exigida ou da realização da vistoria.

    Além disso, os contratos deverão apresentar regras mais claras sobre a apresentação de documentos e os procedimentos para acionamento do seguro.

    Fundo de Catástrofe terá regras flexibilizadas

    A proposta também modifica o funcionamento do Fundo de Catástrofe, criado para oferecer cobertura suplementar ao seguro rural em situações de perdas elevadas.

    O texto retira dispositivos considerados entraves para operacionalização do fundo. Entre eles estão a exigência de aporte mínimo da União e a previsão de encerramento da isenção de tributos federais sobre operações de seguro rural após o início das atividades do fundo.

    Além disso, o projeto autoriza mecanismos de transferência de risco, como resseguro, Letras de Risco de Seguro (LRS) e as chamadas Sociedades Seguradoras de Propósito Específico (SSPE).

    A proposta ainda permite a criação de subfundos voltados para setores específicos do agronegócio.

    Participação ampliada no fundo

    O texto amplia o número de participantes autorizados no Fundo de Catástrofe. Além do governo federal e das seguradoras que operam o PSR, poderão integrar o fundo:

    • resseguradoras;
    • cooperativas agropecuárias;
    • empresas das cadeias produtivas do agro.

    Esses grupos poderão participar como cotistas do fundo.

    Outros pontos previstos no projeto

    O projeto aprovado pela Câmara também estabelece outras mudanças importantes para o setor agropecuário:

    • produtores precisarão fornecer dados da atividade agropecuária para acessar a subvenção federal do seguro rural;
    • seguradoras participantes do PSR terão de integrar o Fundo de Catástrofe;
    • cooperativas de seguros passarão a ter tratamento equivalente ao das seguradoras no programa;
    • o Conselho Diretor do Fundo de Catástrofe definirá quais operações poderão receber cobertura;
    • as operações do fundo deverão seguir as regras do zoneamento de riscos agropecuários definidas pelo governo federal;
    • o fundo poderá adquirir Letras de Risco de Seguro (LRS) negociadas no mercado financeiro;
    • a administração do fundo poderá ficar temporariamente sob responsabilidade de uma instituição financeira federal até a criação de uma estrutura própria de gestão.
  • São Paulo adota novas medidas para conter avanço do greening na citricultura

    São Paulo adota novas medidas para conter avanço do greening na citricultura

    A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo publicou nesta quinta-feira (28) uma nova resolução com medidas voltadas à prevenção e ao controle do HLB/Greening, considerada a principal doença da citricultura brasileira.

    A pasta oficializou as mudanças por meio da Resolução SAA nº 32 de 2026, divulgada no Diário Oficial do Estado. Além disso, o texto segue as diretrizes da Portaria SDA/MAPA nº 1.326, publicada em julho de 2025 pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, para reforçar as ações de defesa agropecuária no estado.

    Municípios passam a ter classificação por incidência

    Entre as principais novidades, a resolução cria uma divisão dos municípios paulistas conforme o nível de contaminação pelo greening.

    A partir de agora, cidades com até 10% de pomares contaminados entram na categoria de baixa incidência. Já os municípios que ultrapassarem esse índice passam a integrar a classificação de alta incidência da doença.

    Segundo a secretaria, a medida busca direcionar as estratégias de combate e tornar o controle mais eficiente em cada região produtora.

    Monitoramento do psilídeo será quinzenal

    Além da nova classificação, o governo paulista também determinou o monitoramento quinzenal do psilídeo (Diaphorina citri), inseto responsável pela transmissão do greening.

    Os produtores deverão acompanhar a presença do inseto em pomares de qualquer idade. Dessa forma, as autoridades pretendem impedir que o psilídeo complete o ciclo entre as fases de ovo e adulto.

    Regra para erradicação de plantas muda em áreas críticas

    A resolução também alterou as exigências para eliminação de plantas contaminadas.

    Nos municípios classificados com alta incidência, produtores que possuem árvores adultas doentes não precisarão mais arrancar essas plantas obrigatoriamente.

    Por outro lado, a erradicação continuará obrigatória para plantas novas com até três anos de idade nessas localidades.

    Enquanto isso, cidades enquadradas como áreas de baixa incidência deverão manter a eliminação de plantas contaminadas em todas as faixas etárias.

    Transporte de frutas terá novas exigências

    O governo paulista também modificou as regras para o transporte interestadual de frutas cítricas.

    A partir da nova norma, produtores e empresas precisarão realizar o processamento e a escovação das frutas antes do envio para outros estados.

    Segundo a secretaria, o objetivo é retirar folhas e ramos que possam transportar vetores da doença durante o trânsito da carga. A única exceção prevista pela medida vale para a Tangerina Ponkan.

    Por fim, a secretaria informou que as novas regras valem para plantas dos gêneros Citrus spp., Fortunella spp. e Poncirus spp.

  • MAPA apreende azeite falso e alerta consumidores; entenda os motivos

    MAPA apreende azeite falso e alerta consumidores; entenda os motivos

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) emitiu um alerta aos consumidores após identificar irregularidades em um lote de azeite de oliva extravirgem da marca San Paolo. Segundo o órgão, o produto do lote 260289 foi considerado impróprio para consumo humano depois de análises realizadas pela fiscalização federal.

    A investigação foi conduzida pela Superintendência Federal de Agricultura em São Paulo (SFA-SP). Durante a operação, os fiscais recolheram amostras do produto, que passaram por testes no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Goiás. Os exames confirmaram a presença de mistura de outros óleos vegetais, prática que caracteriza fraude contra o consumidor.

    Diante do resultado, o Mapa determinou o recolhimento imediato do lote adulterado.

    Além da irregularidade na composição do alimento, os fiscais encontraram problemas cadastrais considerados graves. O CNPJ e o endereço informados nos rótulos e nas notas fiscais não foram localizados pelas autoridades. Ainda conforme o ministério, a empresa responsável pela importação e comercialização do azeite foi notificada, porém não respondeu ao chamado e deverá sofrer sanções administrativas.

    Azeite da marca San Paolo

    O governo federal também alertou os estabelecimentos comerciais. Isso porque manter o produto à venda, mesmo após a determinação de recolhimento, pode gerar responsabilização e punições.

    Enquanto isso, consumidores que compraram o azeite devem interromper o uso imediatamente e solicitar a substituição do produto, direito previsto no Código de Defesa do Consumidor. Denúncias sobre a venda irregular podem ser registradas na plataforma Fala.BR.

    Como identificar um azeite verdadeiro?

    Grande parte das apreensões feitas pelo Mapa ocorre por causa da descaracterização do produto, especialmente quando há mistura de óleos vegetais mais baratos. Por isso, entender as diferenças entre as categorias ajuda o consumidor a evitar fraudes.

    Azeite extravirgem

    É produzido apenas com azeitonas e extraído por processos mecânicos, sem alterações químicas. Além disso, possui a menor acidez entre as categorias. Para ser considerado extravirgem, o produto deve apresentar:

    • Acidez menor que 0,8%
    • Índice de peróxidos menor ou igual a 20 meq O2/kg

    Azeite virgem

    Também é obtido exclusivamente de azeitonas e por processos mecânicos. No entanto, possui acidez um pouco maior. Os limites permitidos são:

    • Acidez menor que 2,0%
    • Índice de peróxidos igual ou inferior a 20 meq O2/kg

    Azeite de oliva tipo único

    Os produtos das categorias “azeite de oliva” e “azeite de oliva refinado” costumam ser mais indicados para preparações em altas temperaturas, como frituras. Nesses casos, os parâmetros devem ser:

    • Acidez menor que 1,0%
    • Índice de peróxidos igual ou inferior a 15 meq O2/kg

    O Mapa reforça que produtos com índices acima desses limites ou com mistura de óleos de sementes não podem ser comercializados legalmente como azeite.

  • Plataforma digital deve agilizar registro de defensivos agrícolas no Brasil

    Plataforma digital deve agilizar registro de defensivos agrícolas no Brasil

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançaram nesta terça-feira (26) o Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica (SISPA), uma plataforma digital criada para modernizar e integrar os processos regulatórios de defensivos agrícolas no Brasil.

    O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, no lançamento do Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica (SISPA). Foto: Percio Campos/Mapa

    A nova ferramenta reúne órgãos federais, setor produtivo e instituições parceiras em um único ambiente digital, com o objetivo de reduzir falhas de comunicação, aumentar a transparência e dar mais agilidade às análises e registros de produtos agrícolas.

    Segundo o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, o desenvolvimento do sistema surgiu de uma demanda interna dos próprios servidores públicos. De acordo com ele, a fragmentação entre sistemas dificultava o fluxo de informações e a tomada de decisões.

    “O projeto nasce de um desejo interno. Havia dificuldade de comunicação entre diferentes sistemas e agora vemos uma integração importante entre os atores envolvidos”, afirmou Safatle. Ele também destacou que a plataforma permitirá maior acompanhamento por parte do setor privado, ampliando a transparência e a eficiência regulatória.

    Transformação digital

    A iniciativa faz parte da estratégia de transformação digital da defesa agropecuária brasileira, conforme destacou o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. Para o ministro, o SISPA deve contribuir para aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro e fortalecer os mecanismos de controle e monitoramento.

    “Essa solução é fruto de uma construção coletiva, feita por muitas mãos, com diálogo e cooperação institucional”, declarou.

    O lançamento contou ainda com a presença do secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, e do presidente da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), embaixador Ruy Pereira. Durante o evento, representantes ressaltaram que o novo sistema pode ampliar a cooperação técnica com países da América Latina e da África, além de reforçar a presença do Brasil em mercados internacionais mais exigentes.

  • Agora: MAPA reconhece nova raça ovina no Brasil

    Agora: MAPA reconhece nova raça ovina no Brasil

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) oficializou nesta sexta-feira (22) o reconhecimento da raça ovina Berganês no Brasil. A medida foi publicada por meio da Portaria nº 1.630, divulgada pela Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA).

    Além do reconhecimento da raça, o governo também autorizou a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) a realizar o serviço de registro genealógico dos animais. A entidade fica sediada em Bagé (RS) e está registrada no Mapa sob o nº 007.

    Com a decisão, a Berganês passa a integrar oficialmente a lista de raças ovinas reconhecidas pelo ministério.

    Nova raça é fruto do cruzamento das raças Bergamácia e Santa Inês — (Foto: Reprodução/Internet)

    O registro genealógico é responsável pela identificação e acompanhamento zootécnico dos animais. Além disso, o sistema contribui para o controle dos rebanhos, a preservação das características raciais e o melhoramento genético da espécie.

    Conheça a raça Berganês

    A raça Berganês vem ganhando espaço entre criadores de ovinos por suas características produtivas e adaptabilidade.

    Os animais são utilizados principalmente na pecuária de corte e despertam interesse pelo potencial genético dos rebanhos. Eles apresentam, em média, 4,5 kg de peso ao nascer e podem alcançar até 12 kg no primeiro mês de vida.

    Com o reconhecimento oficial do Mapa, a tendência é que a raça tenha maior organização na criação, além de incentivo ao desenvolvimento e expansão no setor ovino brasileiro.

  • Funcafé libera R$ 7,3 bilhões para fortalecer cafeicultura na safra 2026/2027

    Funcafé libera R$ 7,3 bilhões para fortalecer cafeicultura na safra 2026/2027

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou no Diário Oficial da União desta quinta-feira (21) a portaria que define o direcionamento dos recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para o financiamento da cafeicultura no Ano Safra 2026/2027. Ao todo, o governo destinou R$ 7,368 bilhões ao setor.

    Os valores já tinham recebido aprovação do Conselho Monetário Nacional (CMN) por meio da Resolução nº 5.289, divulgada em 26 de março de 2026. Dessa forma, o governo fortalece o suporte à cadeia produtiva do café, uma das mais relevantes do agronegócio brasileiro.

    Comercialização concentra maior volume de recursos

    A linha de Comercialização ficou com a maior parcela dos recursos aprovados. O governo direcionará R$ 2,713 bilhões, valor que corresponde a 37% do total disponibilizado. Com isso, o setor busca ampliar a estabilidade do mercado e fortalecer as vendas da produção cafeeira.

    Além disso, a linha de Aquisição de Café receberá R$ 1,708 bilhão, o equivalente a 23% do orçamento. Essa modalidade atende diferentes segmentos da cadeia produtiva e contribui para sustentar o mercado.

    Já os financiamentos de Custeio contarão com R$ 1,616 bilhão, representando 22% dos recursos totais. Enquanto isso, o segmento de Capital de Giro terá acesso a R$ 1,150 bilhão, quantia que equivale a 16% do montante aprovado.

    Por sua vez, a linha de Recuperação de Cafezais contará com R$ 180 milhões, o que representa 2% do orçamento da safra.

    Distribuição dos recursos seguirá critérios do governo

    Segundo a portaria, o governo distribuirá os recursos entre as instituições financeiras com base em critérios que a autoridade competente ainda definirá em ato normativo específico.

    A Secretaria de Política Agrícola do Mapa, responsável pela gestão do Funcafé, reforçou a importância dos incentivos à produção nacional. Além disso, o órgão destacou o reconhecimento internacional do café brasileiro, conhecido pela qualidade e pela força econômica da cafeicultura.

    Funcafé também investe em pesquisa e sustentabilidade

    Além de financiar produtores e empresas do setor, o Funcafé garante liquidez ao mercado, amplia a previsibilidade financeira e permite respostas mais rápidas diante de crises climáticas ou oscilações econômicas. Ao mesmo tempo, o fundo incentiva práticas mais sustentáveis na produção cafeeira.

    Os investimentos também abrangem pesquisa, capacitação de produtores e técnicos e ações de promoção do café brasileiro no mercado internacional. Parte desse trabalho ocorre por meio do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café.

    Com essa parceria, o setor amplia a competitividade do produto brasileiro e fortalece a sustentabilidade e a qualidade do café nacional no exterior.

    Edital para instituições financeiras

    O governo também publicou o edital de chamamento para contratar instituições financeiras integrantes do Sistema Nacional de Crédito Rural, que atuarão como agentes financeiros do Funcafé.

    De acordo com o edital, as propostas deverão ser enviadas ao e-mail oficial do programa entre 1º de junho de 2026, às 8h, e 15 de junho de 2026, às 18h.

    A análise dos documentos acontecerá entre os dias 16 e 22 de junho. Já a divulgação da lista de instituições habilitadas está prevista para ocorrer entre 23 e 26 de junho de 2026. A relação será disponibilizada no Portal de Compras do Governo Federal.

  • Senado adia votação de projeto que libera exportação de subprodutos bovinos e bubalinos

    Senado adia votação de projeto que libera exportação de subprodutos bovinos e bubalinos

    A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado adiou a votação do PL 6.682/2025, proposta que autoriza a exportação de subprodutos do abate de bovinos e bubalinos quando não houver demanda alimentar no mercado brasileiro. Na última quarta-feira (20), o colegiado realizou a leitura do relatório favorável ao texto e, em seguida, concedeu vista coletiva aos senadores, o que postergou a análise da matéria.

    O projeto, originado na Câmara dos Deputados, altera a Lei nº 1.283/1950, responsável pelas regras de inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal. A proposta recebeu parecer favorável do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), relator da matéria na CRA.

    Segundo o relatório apresentado, o texto permite que estabelecimentos fiscalizados por órgãos estaduais ou municipais e integrados ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA) exportem subprodutos bovinos e bubalinos por meio de unidades com inspeção federal.

    Atualmente, muitos frigoríficos e abatedouros vinculados aos serviços estaduais e municipais não possuem autorização direta para exportar, já que o reconhecimento sanitário internacional é atribuição da União.

    Projeto busca ampliar aproveitamento econômico do abate

    O relator destacou que alguns itens do abate, como vísceras, medula, aorta e rabo, possuem baixo consumo no Brasil e, por isso, acabam subutilizados no mercado interno. Em contrapartida, esses produtos apresentam forte demanda em países asiáticos, o que pode abrir novas oportunidades comerciais para o agronegócio brasileiro.

    De acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), as cadeias produtivas bovina e bubalina responderam por praticamente metade do Valor Bruto da Produção (VBP) pecuária nacional, que alcançou R$ 475,3 bilhões em 2025.

    No parecer, Veneziano argumentou que o projeto fortalece a eficiência produtiva e reduz desperdícios. Além disso, o senador ressaltou que a exportação continuará subordinada à inspeção federal, preservando o controle sanitário exigido pelo comércio internacional.

    O texto também prevê alterações no artigo 14 da legislação atual para permitir atualizações regulatórias conforme avanços tecnológicos e exigências do mercado interno e externo.

    Senadores pedem debate técnico antes da votação

    Apesar do parecer favorável, a tramitação sofreu resistência dentro da comissão. Inicialmente, o projeto chegou a ser retirado da pauta após solicitação da senadora Margareth Buzetti (PP-MT), que defendeu a realização de uma audiência pública para aprofundar a discussão técnica.

    No requerimento apresentado, a parlamentar afirmou:

    “Causa preocupação o fato de a proposição avançar sem que tenha havido, até o momento, participação técnica mais efetiva da pasta responsável, especialmente considerando os possíveis reflexos regulatórios, operacionais, orçamentários e comerciais decorrentes de eventual alteração legislativa.”

    Projeto segue para novas etapas no Senado

    Durante a reunião extraordinária da CRA, o parecer favorável foi oficialmente lido, mas a Presidência concedeu vista coletiva aos parlamentares conforme previsão regimental. Com isso, a votação foi adiada para uma próxima sessão.

    Caso seja aprovado na comissão e posteriormente no Plenário do Senado, o projeto poderá ampliar a participação de frigoríficos integrados ao SISBI-POA no comércio internacional de subprodutos bovinos e bubalinos.

    O relatório também cita o Decreto nº 9.013/2017, que regulamenta a inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal. A norma determina que mercadorias destinadas à exportação devem seguir as exigências do país importador e ser registradas no sistema informatizado do MAPA, atualmente o SIPEAGRO.

    Além do debate sobre exportações, a CRA aprovou outro requerimento relevante na mesma reunião. O presidente da comissão, senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), solicitou ao Tribunal de Contas da União (TCU) uma auditoria nas atividades do Ibama relacionadas ao marco regulatório dos pesticidas e produtos de controle ambiental.

    Segundo o parlamentar, entidades do setor agropecuário têm apresentado reclamações sobre possíveis descumprimentos da legislação por parte do órgão ambiental.

    Com dados de Agência Senado

  • Terra da cerveja? Brasil tem mais de 44 mil marcas registradas

    Terra da cerveja? Brasil tem mais de 44 mil marcas registradas

    O setor cervejeiro brasileiro alcançou recordes em 2025, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O Anuário da Cerveja 2026 contabilizou 1.954 cervejarias registradas no país. Os estabelecimentos estão distribuídos em 794 municípios brasileiros. Além disso, o Brasil registrou 44.212 cervejas em 2025. O volume representa crescimento de 2,4% frente ao ano anterior.

    O setor também alcançou 56.170 marcas de cerveja cadastradas. O resultado reforça a diversidade da cadeia cervejeira nacional.

    Exportação histórica

    As exportações do segmento somaram US$ 218,4 milhões. O valor representa o maior resultado da série histórica. Por outro lado, o volume exportado caiu 5,1% em comparação com 2024. Ainda assim, o país embarcou 315,5 milhões de litros.

    Segundo o Mapa, a valorização do produto impulsionou o faturamento externo do setor. O diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal, Hugo Caruso, destacou o avanço internacional da cerveja brasileira. Segundo ele, o setor consolidou presença no mercado externo, mesmo com crescimento interno mais moderado.

    Já o presidente-executivo do Sindicerv, Márcio Maciel, afirmou que o segmento mostrou capacidade de adaptação em 2025. Ele também ressaltou a importância da cerveja nos momentos de celebração dos brasileiros.

    São Paulo lidera número de cervejarias

    São Paulo segue na liderança nacional em quantidade de cervejarias registradas. O estado possui 452 estabelecimentos. A região Sudeste concentra 47,2% das cervejarias brasileiras. Ao todo, a região reúne 923 unidades. A cidade de São Paulo mantém a liderança entre os municípios. A capital possui 61 cervejarias registradas.

    Além disso, o número de cidades com dez ou mais cervejarias cresceu em 2025. O país contabilizou 25 municípios nessa condição.

    O levantamento também mostrou avanço da densidade cervejeira nacional. Atualmente, o Brasil possui uma cervejaria para cada 108.794 habitantes. Santa Catarina lidera esse indicador. O estado registra uma cervejaria para cada 32.625 habitantes.

    Paraguai lidera compra de cerveja brasileira

    A cerveja brasileira chegou a 77 países em 2025. O mercado sul-americano concentrou 98,5% do volume exportado.

    O Paraguai permaneceu como principal destino das exportações brasileiras. O país respondeu por 62,3% dos embarques. Bolívia, Uruguai, Argentina e Chile aparecem na sequência entre os maiores compradores.

    Enquanto isso, as importações cresceram 251,4% em volume no ano passado. O Brasil importou 26,3 milhões de litros. Mesmo assim, o valor importado avançou apenas 1,7%. O total movimentado chegou a US$ 9,4 milhões.

    Os Estados Unidos lideraram as vendas para o mercado brasileiro. O país respondeu por 74,2% do volume importado.

    Alemanha, Argentina, Uruguai e Espanha também aparecem entre os principais fornecedores.

    Setor cervejeiro amplia empregos e produção

    O setor de bebidas superou 143 mil empregos diretos em 2025. Desse total, 41.976 vagas pertencem à fabricação de malte, cerveja e chope.

    Além disso, o Brasil produziu mais de 15 bilhões de litros de cerveja no ano passado. As cervejas puro malte responderam por 29,2% do volume.

    O anuário também destacou o crescimento das cervejas sem glúten. A produção avançou mais de 400% no período. Segundo o levantamento, a alta reflete mudanças no perfil de consumo e maior diversificação do mercado.

    O Mapa ainda firmou parceria com a Embrapa Territorial para mapear a distribuição das cervejarias no país. A iniciativa permite visualizar melhor a concentração produtiva e a presença regional do setor cervejeiro brasileiro.

  • Crise: falta de vacinas contra clostridioses ameaça o rebanho brasileiro

    Crise: falta de vacinas contra clostridioses ameaça o rebanho brasileiro

    O Brasil, dono do maior rebanho comercial bovino do mundo, enfrenta desde agosto de 2025 um cenário inédito: a escassez de vacinas contra clostridioses. Esse grupo de doenças bacterianas é responsável por mais de 400 mil mortes de animais por ano no país. O que começou como um alerta localizado no Piauí rapidamente se transformou numa crise sanitária de alcance nacional, com produtores de Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Acre sem acesso a imunizantes nas prateleiras das revendas agropecuárias.

    E o perigo é grande:

    • 400 mil animais mortos por clostridioses por ano no Brasil
    • R$ 1,1 bi em prejuízos diretos estimados anualmente ao setor
    • 100% de taxa de mortalidade após infecção confirmada

    Um gatilho e uma cadeia de consequências

    O estopim da crise foi a identificação de reações adversas graves, incluindo mortes, associadas a lotes das vacinas Excell 10, da Dechra Brasil, e Resguard Multi, da Vaxxinova International. Segundo nota técnica da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), com base em informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), foram registradas 612 mortes suspeitas em bovinos, ovinos e caprinos em diferentes estados, levando à interdição total dos lotes envolvidos e à suspensão da fabricação de um dos produtos.

    O impacto imediato foi a retirada de parte significativa do estoque disponível do mercado, mas o que veio a seguir agravou ainda mais o quadro. Segundo o MAPA, fabricantes tomaram decisões mercadológicas de descontinuar a produção e a comercialização dos imunizantes entre o final de 2025 e janeiro de 2026. Portanto, reduzindo drasticamente a oferta num setor já fragilizado pela concentração industrial.

    A doença que não tem tratamento

    As clostridioses são causadas por bactérias do gênero Clostridium, presentes no solo e no intestino dos animais. Elas são capazes de permanecer no ambiente por anos na forma de esporos. Quando encontram condições favoráveis, provocam doenças como botulismo, carbúnculo sintomático, gangrena gasosa e enterotoxemia, todas com evolução fulminante. Um animal infectado pode morrer entre 12 e 48 horas após os primeiros sintomas, muitas vezes sem sinais prévios. A taxa de mortalidade é de 100% nos casos confirmados, e o tratamento, na prática, é inviável. A única saída é a prevenção. E a prevenção depende de vacinas.

    A queda na vigilância sanitária agravou ainda mais a situação após o encerramento da vacinação obrigatória contra a febre aftosa, concluído depois de o Brasil conquistar o status de país livre da doença. Especialistas alertam que a mobilização de produtores em torno das campanhas de aftosa funcionava também como um reforço indireto para outras vacinações, incluindo as clostridioses. Com o fim desse protocolo, parte dos rebanhos ficou mais vulnerável.

    Cronologia da crise

    • Agosto 2025: MAPA é notificado sobre reações adversas no Piauí; lotes das vacinas Excell 10 (lotes 016/2024 e 018/2024) são interditados preventivamente.
    • Setembro 2025: Adapar (PR) emite nota técnica; 612 mortes suspeitas em análise nos estados. Fabricação da Resguard Multi (Vaxxinova) é suspensa.
    • Dezembro 2025 – Janeiro 2026: Fabricantes descontinuam produção e comercialização por decisão mercadológica, agravando o desabastecimento.
    • Março – Abril 2026: MAPA libera 14,6 milhões de doses em ações emergenciais, combinando produção nacional e importações.
    • Maio 2026: Sindan projeta entrega de 8 a 10 milhões de doses mensais até dezembro, com expectativa de superar 100 milhões de doses no ano.

    O que o governo está fazendo

    Pressionado pelo setor produtivo, o MAPA adotou medidas emergenciais: passou a estimular fabricantes nacionais a ampliar a produção, acelerar processos de fiscalização e registro, e facilitar a importação de imunizantes. O resultado parcial foi a liberação de 14.640.910 doses entre março e abril de 2026. Mas o volume não atende à demanda de um rebanho bovino estimado em mais de 220 milhões de cabeças, já que parte dos animais necessita de revacinação anual.

    Em 5 de maio de 2026, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) divulgou projeção de entrega entre 8 e 10 milhões de doses mensais até o fim do ano, com possibilidade de ampliação no segundo semestre. A meta é disponibilizar mais de 100 milhões de doses até dezembro. Para os produtores que já perderam animais nos últimos meses, no entanto, qualquer chegada de vacinas chega tarde demais.

    O que os produtores podem fazer agora

    Enquanto o abastecimento não se normaliza, especialistas e agências de defesa agropecuária recomendam redobrar os cuidados de manejo: descartar carcaças corretamente para evitar contaminação das pastagens, não reutilizar agulhas, eliminar materiais cortantes nas instalações e monitorar fontes de água.

    Em casos de suspeita de mortes relacionadas a clostridioses, o produtor deve fazer a notificação pelo sistema e-SISBRAVET. Ou nos escritórios locais dos órgãos estaduais de defesa agropecuária. Quando vacinas estiverem disponíveis, a prioridade deve ser a vacinação de bezerros (a partir de 3 meses) e de vacas prenhes (um mês antes do parto). Além da revacinação anual do rebanho.

    Nota do MAPA

    O Mapa emitiu uma nota oficial sobre o tema:

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informa que o atual cenário de desabastecimento de vacinas contra clostridioses decorre, principalmente, de decisões mercadológicas adotadas por fabricantes, que descontinuaram a produção e a comercialização desses imunizantes entre o final de 2025 e janeiro de 2026.

    Com o objetivo de mitigar os impactos desse cenário, o Mapa vem atuando junto à indústria de insumos veterinários para estimular a ampliação da fabricação e das importações, bem como para acelerar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas.

    Como resultado das ações emergenciais adotadas, o Ministério liberou, nos meses de março e abril de 2026, o total de 14.640.910 doses de vacinas contra clostridioses, entre produtos de fabricação nacional e importados.

    Além disso, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) informou, em 5 de maio de 2026, estimativa inicial de entrega entre 8 milhões e 10 milhões de doses mensais até dezembro, com possibilidade de ampliação no segundo semestre. A projeção é de que possam ser disponibilizadas mais de 100 milhões de doses até o final do ano.

  • IBGE lança mapa com Brasil no centro e territórios invertidos

    IBGE lança mapa com Brasil no centro e territórios invertidos

    O IBGE acaba de lançar um novo mapa‑múndi que coloca o Brasil bem no centro e inverte a posição dos territórios, deixando o hemisfério Sul na parte de cima. O material recebeu o título “Riqueza de Espécies 2025” e trata da biodiversidade global. A presidência do órgão está sob o comando do economista Marcio Pochmann, indicado para o cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) .

    A nova projeção cartográfica mostra o Brasil virado para cima, com o Sul no topo e o Norte na parte de baixo da imagem. Segundo o instituto, o mapa muda a perspectiva que tradicionalmente privilegia a América do Norte na parte superior.

    O material é vendido em versões física e digital, com preços entre cerca de R$ 25 e R$ 90, e já está sendo divulgado como recurso didático e de comunicação institucional. A intenção é que escolas, governos e meios de comunicação usem a imagem para discutir geopolítica, ciência do clima e a posição do Brasil em organismos internacionais.

    Por que o Brasil no centro?

    A escolha de colocar o Brasil no centro busca reforçar a liderança do país em fóruns como BRICS, Mercosul e na COP 30 sobre clima. O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, afirmou que o mapa quer “ressaltar a posição atual de liderança do Brasil em importantes fóruns internacionais”, destacando também países de língua portuguesa e a área da Amazônia.  “Estamos falando de um planeta que não é plano e, portanto, permite variações do ponto de vista do olhar”, afirmou ele. “Inovamos e fortalecemos o espírito público de refletir as transformações que estão em curso no mundo e o papel protagonista que o Brasil tem e pode ter ainda mais”.

    Além disso, o recorte do mapa dá mais destaque às regiões tropicais e de alta biodiversidade, reforçando a importância ambiental do país para o resto do planeta. Em termos práticos, isso significa que territórios que costumam aparecer pequenos e periféricos em mapas tradicionais passam a ocupar um espaço visual muito maior.

    Representação política

    O mapa invertido é um lembrete de que qualquer representação do mundo é uma escolha política e cultural, não apenas técnica. A configuração clássica, com o “Norte” em cima, naturaliza uma hierarquia de poder que o novo material do IBGE tenta questionar visualmente.