Tag: greening

  • RS abre oficialmente safra de citros

    RS abre oficialmente safra de citros

    A cidade de Montenegro recebe, nesta sexta-feira (29), a 26ª edição da abertura oficial da safra estadual de citros. O evento acontece na localidade de Fortaleza, no interior do município, e deve reunir agricultores, técnicos, lideranças do agronegócio e representantes do governo estadual.

    A programação está marcada para começar às 14h, na propriedade da família Kehl, tradicional produtora da região. Entre as autoridades confirmadas está o secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, Márcio Madalena.

    A cerimônia marca oficialmente o início da colheita de frutas cítricas no Estado, especialmente de bergamotas, laranjas e limões, culturas que possuem forte peso econômico no Vale do Caí.

    RS projeta nova safra robusta de citros

    A expectativa do setor é manter os bons resultados registrados nas últimas colheitas. Em 2025, a projeção para o Rio Grande do Sul foi de cerca de 450 mil toneladas de citros, envolvendo mais de 10 mil famílias produtoras e aproximadamente 25 mil hectares plantados.

    Os citros estão entre as frutas mais produzidas no RS — Foto: MAPA

    O município de Montenegro segue como um dos principais polos da citricultura gaúcha, especialmente na produção de bergamota. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a cidade tem expectativa anual de colher cerca de 54 mil toneladas de bergamotas; 5,5 mil toneladas de laranjas e 400 toneladas de limões.

    Além disso, a região do Vale do Caí concentra uma das maiores produções cítricas do Estado e se destaca pela qualidade das frutas, favorecida pelo clima mais frio do Rio Grande do Sul.

    Setor também monitora avanço do greening

    Outro tema que deve ganhar destaque durante a abertura da safra é a preocupação com o greening, doença considerada uma das maiores ameaças à citricultura mundial.

    Nos últimos anos, produtores e órgãos públicos intensificaram ações de prevenção no Vale do Caí. Em Montenegro, a prefeitura mantém programas de monitoramento e controle para evitar a disseminação da doença nos pomares da região.

    O greening afeta diretamente a produtividade das plantas e pode levar à morte dos pomares, causando prejuízos significativos para os produtores.

  • Safra de laranja será quase 13% menor com avanço do greening

    Safra de laranja será quase 13% menor com avanço do greening

    A safra de laranja 2026/27 deve recuar no cinturão citrícola paulista e mineiro. O avanço do greening preocupa os produtores. O Fundo de Defesa da Citricultura, Fundecitrus, estima produção de 255,2 milhões de caixas de 40,8 quilos.

    A projeção integra a primeira Pesquisa de Estimativa de Safra divulgada nesta sexta-feira (8). O volume representa queda de 12,9% frente à safra anterior. Em 2025/26, produtores colheram 292,94 milhões de caixas.

    Queda de frutos no pomar

    Segundo o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, o número de frutos diminuiu nos pomares. De acordo com Ayres, as árvores apresentam 17% menos frutos. Esse fator explica a maior parte da redução produtiva.

    Além disso, o greening segue como principal ameaça da citricultura brasileira. O levantamento aponta que 52% dos pomares adultos apresentam contaminação pela doença. Com isso, o greening reduz o peso das frutas e compromete a produtividade anual.

    Entre as 12 regiões citrícolas analisadas, apenas quatro mantêm o número de frutos. Nessas áreas, os frutos tendem a ser maiores.

    Por outro lado, Porto Ferreira, no interior paulista, deve registrar queda de 26% no total de frutos. Segundo Ayres, os efeitos do greening explicam o forte recuo na região. Além das doenças, o clima também pode alterar a produção final da safra.

    Na temporada passada, a colheita ficou 7% abaixo da estimativa inicial. Ayres afirmou que o clima seco e as altas temperaturas prejudicaram o pós-florecimento dos pomares.

    Árvores produtivas e não produtivas

    O levantamento também identificou crescimento no número de árvores produtivas. Em 2026, o cinturão citrícola soma 184,3 milhões de árvores produtivas. O total cresceu 0,91% frente a 2025.

    Já o número de árvores não produtivas aumentou 6,17%. O volume passou de 26,3 milhões para 28 milhões.

    Segundo Ayres, áreas fora do cinturão citrícola possuem 13 milhões de árvores com menos de três anos. Essas plantas devem entrar no censo do Fundecitrus a partir de 2028. Ele afirmou ainda que a citricultura brasileira expandiu produção além das regiões tradicionais.

  • Citricultura ganha foco em inovação na Expocitros 2026

    Citricultura ganha foco em inovação na Expocitros 2026

    A 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura terão início oficial na manhã do dia 26 de maio de 2026, no Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, em Cordeirópolis (SP). Neste ano, a organização antecipou a cerimônia de abertura para o período da manhã, das 9h às 11h. Assim, autoridades, pesquisadores, produtores e representantes do agronegócio participarão do encontro que marca um dos principais eventos da citricultura mundial.

    A programação seguirá até o dia 29 de maio com debates voltados à inovação, sustentabilidade, sanidade vegetal e mercado internacional. Além disso, a organização pretende ampliar a presença de startups, empresas de tecnologia agrícola e soluções ligadas à gestão no campo.

    Durante a solenidade de abertura, o evento entregará homenagens e premiações tradicionais da cadeia citrícola. Entre os destaques aparecem o Prêmio Centro de Citricultura e o Prêmio GCONCI Hall da Fama da Citricultura Brasileira, que homenageará Walter dos Santos Soares Filho. O setor também reconhecerá Hamilton Humberto Ramos como Engenheiro Agrônomo Destaque da Citricultura. Já a homenagem ao Dia do Citricultor terá como representante José de Alencar Matta.

    A edição de 2026 ocorre em um cenário de transformação da cadeia produtiva. Atualmente, produtores enfrentam desafios ligados ao avanço do greening (HLB), da leprose e do aumento dos custos de produção. Ao mesmo tempo, o setor acelera investimentos em inteligência artificial, rastreabilidade, automação e agricultura de precisão para aumentar eficiência e competitividade.

    Programação técnica prioriza sanidade e eficiência

    No primeiro dia, os painéis abordarão sustentabilidade, pesquisa e inovação aplicada ao campo. Em seguida, na quarta-feira, 27 de maio, especialistas discutirão tecnologias voltadas à implantação de pomares e ao manejo fitossanitário. Os debates incluirão temas como pinta preta, leprose, podridão penduncular, resistência a fungicidas e controle de pragas.

    Na quinta-feira, 28, a programação concentrará discussões sobre eficiência produtiva. Fertilidade do solo, irrigação, fertilizantes e mudanças climáticas estarão entre os temas centrais do encontro. Já no período da tarde, o HLB ganhará destaque em análises sobre controle, prevenção e expansão da doença nos pomares brasileiros.

    Por outro lado, o encerramento do evento, na sexta-feira, 29, terá foco econômico e estratégico. Pesquisadores e representantes do mercado analisarão preços, exportações e os impactos do acordo Mercosul-União Europeia para a cadeia citrícola. Além disso, especialistas debaterão o papel do suco de laranja na alimentação e na saúde.

    Segundo o diretor do Centro de Citricultura, Dirceu Mattos Jr., a programação reflete o atual momento vivido pela cadeia produtiva. “A edição de 2026 deve aprofundar debates sobre greening, inovação tecnológica, bioinsumos, sustentabilidade e gestão, refletindo exatamente o momento vivido pela citricultura brasileira”, afirma.

    Evento amplia espaço para jovens e tecnologia

    A Expocitros chega à 51ª edição consolidada como um ambiente estratégico de conexão entre ciência, negócios e planejamento. Em 2025, o encontro reuniu mais de 12 mil visitantes e cerca de 90 empresas expositoras. Agora, a expectativa da organização é ampliar a participação de jovens produtores, cooperativas, indústrias e empresas de tecnologia agrícola.

    A safra brasileira de laranja 2025/2026 encerrou com 293 milhões de caixas produzidas. No mercado internacional, o Brasil mantém liderança e responde por aproximadamente 70% a 75% das exportações globais de suco de laranja.

    Diante desse cenário, sustentabilidade, energia renovável e conservação de recursos naturais seguirão entre os principais temas do evento. Dessa forma, a Expocitros 2026 pretende fortalecer discussões sobre competitividade, inovação e futuro da citricultura brasileira.

  • Caulim reduz em até 59% a infestação de psilídeo e o greening nos pomares de citros

    Caulim reduz em até 59% a infestação de psilídeo e o greening nos pomares de citros

    O controle do psilídeo representa um dos maiores desafios da citricultura brasileira. O inseto é o principal vetor do greening, doença que não tem cura e compromete a produtividade dos pomares, e seu manejo envolve fatores biológicos, ambientais, econômicos e sociais. Para enfrentar esse problema, o Fundecitrus pesquisa desde 2015 o uso do caulim como barreira física contra o inseto, com resultados que apontam reduções expressivas tanto na população do psilídeo quanto na incidência da doença.

    O caulim é um mineral natural composto principalmente por silicato de alumínio. Quando pulverizado sobre as folhas dos citros, forma uma película branca que altera a aparência visual da planta. E é exatamente essa mudança que interfere no comportamento do inseto.

    “O psilídeo depende primariamente da visão para localizar as plantas para reprodução e alimentação. Ao alterar a aparência da planta, o caulim confunde o inseto e interfere diretamente no seu comportamento de selecionar o hospedeiro. Se ele não consegue pousar para se alimentar, também não é capaz de transferir a bactéria causadora da doença para a planta sadia nem depositar seus ovos”. É o que explica Marcelo Miranda, pesquisador do Fundecitrus e coordenador da pesquisa.

    Experimentos em pomares comerciais confirmam eficiência do caulim

    A partir de 2019, com apoio da Fapesp, o Fundecitrus conduziu experimentos de grande escala nas bordas de três pomares comerciais de laranjeira-doce no interior de São Paulo. Os resultados variaram conforme o tipo de pomar e o protocolo de aplicação, mas confirmaram o potencial do mineral como ferramenta complementar aos inseticidas químicos.

    No primeiro experimento, em um pomar em formação na região de Casa Branca, a combinação de caulim a 2% a cada 15 dias com inseticidas a cada 10 dias resultou em redução de 59% na população de psilídeos e 52% na incidência de greening, em comparação com a área tratada apenas com inseticidas.

    No segundo, em um pomar em produção na região de Borborema, pulverizações mensais de caulim a 2% no primeiro semestre e quinzenais no segundo, associadas a inseticidas a cada 10 dias, reduziram em 25% a infestação do inseto e 40% a incidência da doença.

    O terceiro experimento, em um pomar recém-implantado em Pirajuí, revelou uma condição importante: a frequência de aplicação faz diferença. O uso quinzenal de caulim apenas no segundo semestre dos dois primeiros anos não foi suficiente para reduzir a população do psilídeo nem a incidência de greening. Quando os pesquisadores passaram a aplicar o produto ao longo de todo o ano, a 1% no primeiro semestre e 1,5% no segundo, os resultados melhoraram significativamente: após três anos, a infestação caiu 48% e a incidência de greening, 46%.

    “Esses experimentos em pomares comerciais permitiram acompanhar de perto a evolução do psilídeo e da doença em diferentes cenários. Contribuindo para gerar informações práticas ao citricultor”, diz Miranda.

    Nem todo caulim é igual: como escolher o produto certo

    Estudos mais recentes do Fundecitrus, com apoio da Givaudan Foundation, avaliaram diferentes produtos à base de caulim e compostos semelhantes, comparando pH, cobertura foliar, resistência à chuva e repelência ao psilídeo. Os resultados mostraram diferenças relevantes entre os produtos disponíveis no mercado.

    Produtos à base de silicato de alumínio, em geral, não alteram significativamente o pH da calda de pulverização. O que é desejável, já que variações de pH podem comprometer a eficácia dos inseticidas aplicados na mesma mistura. Já o hidróxido de cálcio, o hidróxido de magnésio e o carbonato de cálcio elevam o pH da calda, o que pode ser um problema quando há combinação com outros defensivos.

    “É importante que os produtos confiram uma tonalidade visualmente mais branca à superfície da planta, apresentem boa cobertura foliar e resistência à lavagem pela chuva. Produtos com essas características reduzem de forma mais significativa a quantidade de psilídeos na planta”, afirma Wellington Ivo Eduardo, pesquisador do Fundecitrus.

    Ao escolher um produto, o citricultor deve priorizar formulações específicas para pulverizações agrícolas, com granulometria fina (igual ou inferior a 2 micrômetros), fácil diluição em água, ausência de substâncias tóxicas, baixo poder abrasivo. E sobretudo capacidade de deixar a superfície foliar com coloração esbranquiçada.

    Como aplicar o caulim corretamente

    A concentração recomendada é de 3% na pulverização inicial e 2% nas aplicações de manutenção, podendo variar conforme a indicação do fabricante. A sequência de diluição, porém, exige atenção.

    “Produtos à base de caulim e minerais afins devem ser diluídos primeiro, adicionados lentamente ao tanque ou ao pré-misturador, sempre com agitação constante. Isso reduz o risco de o produto decantar ou permanecer na superfície da calda”, orienta Eduardo.

    Quando houver aplicação conjunta com outros produtos,  inseticidas, acaricidas ou fungicidas, o citricultor deve seguir a ordem de mistura. E priorizando os produtos que exigem maior tempo de agitação, seguidos dos de diluição mais rápida.

    Caulim também promete contra o cancro cítrico

    Além do psilídeo e do greening, o Fundecitrus investiga, desde 2021, o desempenho do caulim no controle do cancro cítrico. Essa pesquisa conta também com apoio da Givaudan Foundation.

    Em experimentos de casa de vegetação, o caulim (produto Surround WP) reduziu a severidade da doença em 80%, resultado semelhante ao do cobre, principal defensivo utilizado hoje para o cancro. O mecanismo de ação envolve dois efeitos combinados. A camada física sobre a folha atua como barreira contra a bactéria causadora da doença. E o caulim ainda reduziu em até 50% o tempo de secagem da folha após simulação de chuva, diminuindo o período favorável à infecção.

    Em pomares comerciais de laranja Natal, os resultados foram menos expressivos, mas ainda relevantes. Aplicado isoladamente a cada 21 dias, o caulim reduziu em até 44% a incidência de folhas com cancro cítrico. Alternado com cobre, o controle subiu para até 75% em relação às plantas não tratadas. Um resultado semelhante ao do tratamento exclusivo com cobre. Nos frutos, a combinação dos dois produtos atingiu redução de até 37%.

    Para o pesquisador Franklin Behlau, do Fundecitrus, o uso do caulim no manejo do psilídeo pode trazer um benefício adicional indireto: reduzir a quantidade total de cobre nos pomares.

    “O caulim pode ajudar a aumentar o intervalo entre aplicações de cobre para cancro cítrico, principalmente em áreas com menor favorabilidade da doença. Isso representa um avanço importante do ponto de vista ambiental, pois ajudaria a reduzir o acúmulo desse metal no solo e o risco de seleção de bactérias resistentes”, afirma Behlau.

    Os pesquisadores são enfáticos. O caulim não substitui o cobre, mas pode atuar como aliado em estratégias integradas de manejo, conciliando eficiência agronômica e sustentabilidade ambiental.

  • O país que domina o suco de laranja enfrenta um problema silencioso

    O país que domina o suco de laranja enfrenta um problema silencioso

    O Brasil consolidou sua posição como o maior produtor de laranja do mundo e líder absoluto na exportação de suco da fruta. Atualmente, o país responde por cerca de 34% a 35% da produção global e concentra até 80% do comércio internacional de suco de laranja.

    Esse protagonismo transforma a citricultura em um dos pilares do agronegócio nacional. Ao todo, o setor movimenta aproximadamente US$ 14 bilhões por ano e gera cerca de US$ 2 bilhões em exportações.

    Além disso, a produção brasileira abastece mercados estratégicos, como Estados Unidos e União Europeia, que concentram a maior parte da demanda internacional.

    Cinturão citrícola concentra força produtiva

    A produção de laranja no Brasil se concentra principalmente no chamado cinturão citrícola, que abrange o estado de São Paulo e o Triângulo Mineiro.

    São Paulo, sozinho, responde por cerca de 74,6% da produção nacional. A região reúne condições climáticas favoráveis, tecnologia avançada e alta produtividade.

    Na safra 2025/26, a produtividade média estimada chega a 808 caixas por hectare, com destaque para regiões como o sudoeste paulista, onde os índices são ainda mais elevados.

    Exportações impulsionam o setor

    Grande parte da produção brasileira não vai diretamente para o consumo in natura.

    Mais de 90% das laranjas colhidas no país são destinadas à indústria de suco. Esse produto segue principalmente para o mercado externo, consolidando o Brasil como peça-chave no abastecimento global.

    Em 2026, por exemplo, a demanda da União Europeia voltou a crescer, com alta expressiva nas importações. Esse movimento ajudou a sustentar o desempenho do setor mesmo diante de desafios internos.

    Greening avança e acende alerta no campo

    Apesar da liderança global, o setor enfrenta uma ameaça crescente: o avanço do greening, considerada a doença mais destrutiva da citricultura mundial.

    Sem cura conhecida, a praga já atinge cerca de 48% dos pomares no cinturão citrícola. Esse cenário compromete a produtividade e eleva os custos de produção.

    Outro fator que desafia o setor é o clima. Eventos como secas prolongadas e ondas de calor têm impactado diretamente a produção. A safra 2024/25, por exemplo, foi uma das menores das últimas décadas, refletindo condições climáticas adversas.

    Embora haja recuperação prevista para 2025/26, o cenário ainda exige atenção. A irregularidade das chuvas continua sendo um dos principais riscos para a produtividade.

    Custos sobem, mas Brasil segue competitivo

    Mesmo com aumento nos custos, especialmente com mão de obra e manejo, o Brasil mantém vantagem competitiva no mercado global.

    A produtividade nacional ainda supera a de concorrentes importantes, como os Estados Unidos. Isso garante ao país uma posição estratégica no comércio internacional.

    Além disso, o setor segue investindo em tecnologia para manter eficiência e reduzir perdas.

    Um gigante sob pressão

    O Brasil segue como potência global da laranja. No entanto, o cenário atual mostra que essa liderança não está garantida sem desafios.

    Entre oportunidades e ameaças, o setor vive um momento decisivo. A capacidade de adaptação será determinante para manter o país no topo da citricultura mundial.

  • SP investe R$ 3,6 milhões no combate ao Greening

    SP investe R$ 3,6 milhões no combate ao Greening

    O governo de São Paulo anunciou um investimento de R$ 3,6 milhões para fortalecer o combate ao HLB (Greening), uma das principais ameaças à citricultura mundial. O valor integra o Edital Público SAA nº 03/2025, que prevê a contratação de 28 profissionais para atuar ao lado da Defesa Agropecuária no monitoramento e controle da doença.

    Foto: Divulgação Governo SP

    Segundo o secretário executivo da Agricultura e Abastecimento, Alberto Amorim, a medida é essencial para garantir a sustentabilidade do setor. “Mais monitoramento significa mais segurança e produtividade. São Paulo concentra cerca de 80% da produção nacional de citros e gerou quase 50 mil empregos em 2024”, destacou.

    Novas equipes e regionalização das ações

    A seleção dos profissionais ocorrerá por meio de termo de colaboração com uma Organização da Sociedade Civil (OSC). O contrato terá duração inicial de um ano, com possibilidade de prorrogação. As equipes serão formadas por engenheiros agrônomos, inspetores de pragas e auxiliares administrativos, distribuídos em seis frentes de atuação pelo estado.

    As OSC interessadas podem enviar propostas até 26 de janeiro de 2026. De acordo com Alexandre Paloschi, chefe do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal (DSV), as equipes ajudarão a regionalizar as ações de controle. “A atuação localizada permite medidas específicas conforme a incidência da doença em cada região”, explica.

    Reforço das ações de defesa vegetal

    A Defesa Agropecuária mantém fiscalização, ações sanitárias e orientação técnica em todos os municípios paulistas. Em 2025, o órgão fiscalizou 17.549 propriedades, retirou mais de 60 mil mudas irregulares de circulação e realizou 26 palestras educativas sobre o tema. Também mantém canal direto para denúncias de pomares abandonados ou mal manejados.

    Além disso, a Secretaria publicou as Resoluções nº 23 e nº 24 de 2025, que proíbem o plantio de hospedeiros do HLB e o uso da murta no paisagismo urbano, exceto em casos de pesquisa científica autorizada. As medidas visam impedir a propagação da bactéria Candidatus Liberibacter asiaticus, transmitida pelo inseto vetor psilídeo.

    O edital completo está disponível no site da Defesa Agropecuária.

    De acordo com o Levantamento de Greening 2025 do Fundecitrus, a incidência da doença no cinturão citrícola paulista aumentou de 44,35% em 2024 para 47,63% em 2025, evidenciando a necessidade de intensificar o controle. Apesar disso, a taxa de avanço do HLB desacelerou pelo segundo ano consecutivo, e houve redução expressiva nos pomares jovens, sinalizando que as estratégias de manejo e erradicação têm surtido efeito.

  • 2026 impõe novos desafios à citricultura brasileira

    2026 impõe novos desafios à citricultura brasileira

    O ano de 2026 deve se consolidar como um período desafiador para a citricultura brasileira, segundo pesquisadores do Cepea. Embora a safra 2025/26 apresente bom volume, fatores sanitários e climáticos comprometem parte do potencial produtivo. As quedas de frutos aumentam com o avanço do greening e do cancro cítrico, além de clima adverso em fases-chave.

    Ao mesmo tempo, a demanda por suco de laranja segue mais lenta no mercado europeu, pressionando as negociações. Esse cenário dificulta a sustentação dos preços atuais da commodity no mercado internacional.
    Com vendas em ritmo mais fraco, os estoques de suco tendem a se recompor nas indústrias processadoras.
    Como resultado, a indústria reduz a urgência na compra de novas cargas de laranja.

    Nesse ambiente, a disputa entre vendedores de suco e compradores se intensifica, apontam pesquisadores do Cepea. A indústria, por sua vez, adota postura mais cautelosa e transfere a pressão do mercado aos preços pagos aos produtores.

    Safra 2025/26

    Pelo lado da oferta, a safra 2025/26 deve alcançar pouco menos de 300 milhões de caixas de 40,8 quilos.
    Mesmo assim, a temporada contribui para a recomposição dos estoques, favorecida pela boa qualidade das frutas. Apesar disso, a colheita mais tardia mantém efeitos sobre a dinâmica do mercado.

    Para a safra 2026/27, preocupa a continuidade do greening e do cancro cítrico nas lavouras. Essas doenças elevam os custos de produção e limitam os ganhos de produtividade no campo. No desenvolvimento da próxima safra, o clima mais irregular entre regiões tende a gerar cenários distintos.

    Essa heterogeneidade deve afetar principalmente a primeira florada nas principais praças produtoras. Já a segunda florada ocorre em condições melhores na maioria das regiões citrícolas. Com isso, a safra 2026/27 pode voltar a apresentar perfil mais tardio, como ocorreu em 2025/26.

  • Produtores de citros devem entregar relatório sanitário obrigatório

    Produtores de citros devem entregar relatório sanitário obrigatório

    A Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) do Estado de São Paulo alerta os produtores de citros sobre o prazo final para entrega do relatório Cancro/HLB (Greening). Os citricultores devem enviar o documento até 15 de janeiro através do sistema GEDAVE (Gestão de Defesa Animal e Vegetal).

    O relatório precisa conter os resultados das vistorias trimestrais para Cancro Cítrico e Greening que os produtores realizaram entre 1º de julho e 31 de dezembro de 2025. A obrigatoriedade vale para todas as plantas cítricas da propriedade, independentemente da idade.

    Produtores devem informar resultados de vistorias realizadas no segundo semestre de 2025

    “As informações contidas no relatório orientam as ações de Defesa Agropecuária e balizam as políticas públicas do Estado. O objetivo é garantir a sustentabilidade sanitária do agronegócio paulista”, explica Veridiana Zocoler, engenheira agrônoma e gerente do Programa Estadual de Sanidade dos Citros.

    A Portaria MAPA nº 1.326, de 04 de julho de 2025, instituiu o Programa Nacional de Prevenção e Controle ao HLB (PNCHLB) e estabeleceu as medidas de prevenção e controle da doença. No estado de São Paulo, a Resolução SAA 88, de 07 de dezembro de 2021, torna obrigatória a eliminação de plantas sintomáticas em pomares com até oito anos de idade. O monitoramento e controle do Psilídeo devem ocorrer em todos os pomares, sem exceção de idade.

    O produtor que atrasar ou deixar de entregar o relatório fica sujeito às sanções previstas no Decreto Estadual Nº 45.211, de 19 de setembro de 2000.

    Cancro Cítrico: bactéria ataca todas as variedades e causa lesões em folhas e frutos

    A bactéria Xanthomonas citri pv. citri causa o Cancro Cítrico e ataca todas as variedades e espécies de citros. A doença provoca lesões em folhas, frutos e ramos. Quando atinge alta incidência, leva à desfolha e queda de frutos.

    Desde 2017, o MAPA reconhece São Paulo como área sob Sistema de Mitigação de Risco (SMR) para o Cancro Cítrico. Isso conforme estabelece a Resolução nº 4, de 22 de março. Este procedimento permite a adoção de medidas fitossanitárias que reduzem o potencial de inóculo da praga e mantêm um nível apropriado de proteção contra a doença. A medida viabiliza a comercialização de frutos sem sintomas tanto no mercado interno quanto no internacional.

    Greening ameaça citricultura mundial e não tem cura

    A bactéria Candidatus Liberibacter spp. causa o Greening, e o Psilídeo (Diaphorina citri) dissemina a doença. O Greening acomete todas as plantas cítricas e não tem cura. Uma vez contaminada, a planta não elimina a bactéria e passa a atuar como fonte de inóculo para contaminar outras plantas.

    Especialistas consideram o Greening a doença que mais ameaça a citricultura no mundo atualmente.

  • Clima e greening derrubam nova estimativa da safra de laranja 2025/26

    Clima e greening derrubam nova estimativa da safra de laranja 2025/26

    O Fundecitrus revisou para baixo a estimativa da safra de laranja 2025/26, em razão das condições climáticas adversas e do avanço do greening, doença que afeta os pomares citrícolas. Apesar da correção negativa, a projeção de produção segue superior à registrada na safra anterior, apontando recuperação parcial do parque produtivo.

    De acordo com a segunda reestimativa divulgada em 10 de dezembro, a produção deve totalizar 294,81 milhões de caixas de 40,8 quilos. O volume representa queda de 3,9% em relação à previsão de setembro e 6,3% inferior à primeira estimativa, publicada em maio. Ainda assim, o resultado aponta alta de 28% sobre a safra 2024/25, marcada por forte impacto climático.

    Os dados, divulgados no relatório Agro Mensal da Consultoria Agro do Itaú BBA, indicam que a redução em relação à estimativa inicial de 314 milhões de caixas decorre principalmente da diminuição do peso dos frutos, provocada pela escassez de chuvas, e do aumento da queda de frutos associado ao avanço do greening.

    O cinturão citrícola enfrentou ventos fortes em setembro, agravando o estresse hídrico das plantas. Entre janeiro e novembro, o acumulado de chuvas atingiu 392 milímetros, cerca de 20% abaixo da média histórica. Com exceção de Porto Ferreira, todas as regiões registraram volumes inferiores à média dos últimos 30 anos.

    Os produtores já concluíram a colheita das variedades precoces e de meia estação. Entre as variedades tardias, como Valência e Natal, eles haviam colhido menos de 50% da produção até a data da reestimativa. Mesmo com a retomada das chuvas em novembro e dezembro, a avaliação do Fundecitrus aponta para frutos com peso inferior ao inicialmente previsto.

  • Rede global quer vencer o greening na citricultura

    Rede global quer vencer o greening na citricultura

    O setor citrícola brasileiro avança em uma nova frente científica para combater o greening, considerada a doença mais devastadora da citricultura mundial. A criação do Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA), sediado na Esalq-USP, marca um novo capítulo na defesa dos pomares.

    O Fundecitrus, a Fapesp e outras instituições públicas e privadas vão investir R$ 90 milhões em pesquisas nos próximos cinco anos. O objetivo é desenvolver soluções tecnológicas e sustentáveis para controlar o greening e reduzir suas perdas crescentes. Segundo o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, a experiência com o sequenciamento do genoma da Xylella fastidiosa, causadora da CVC, orienta os novos estudos. Ele afirma que o mesmo modelo de cooperação científica usado no passado agora servirá para enfrentar o novo desafio.

    Greening causa prejuízos bilionários ao setor

    Nos últimos cinco anos, a doença provocou a queda de 97 milhões de caixas de laranja, gerando US$ 972 milhões em prejuízos. Neste ano, o greening atingiu 47,63% dos pés de laranja no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro.

    O índice representa um aumento de 7,4% em relação a 2023, segundo o levantamento anual do Fundecitrus.
    Ayres compara o impacto do greening a uma pandemia para a citricultura. Ele lembra que o Brasil já investiu entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões no combate à doença. Nos Estados Unidos, os investimentos superam US$ 200 milhões, após perdas severas na Flórida.

    Pesquisa une Brasil e centros internacionais

    A nova rede de pesquisa reúne mais de 70 cientistas e integra instituições como USP, Esalq, Unicamp, Unesp, IAC e Embrapa. Também participam centros internacionais da França, Estados Unidos, Inglaterra, Austrália e Portugal, reforçando a troca global de conhecimento. A pesquisadora Lilian Amorim, da Esalq, será a diretora do centro.
    Ela vai coordenar os trabalhos com foco em controle biológico, genética e sustentabilidade na produção de citros. Ayres destaca que metade do plantio de laranja já migrou para fora de São Paulo por causa do greening.
    “Queremos manter a citricultura no Estado, que emprega 200 mil pessoas e está presente em 360 municípios”, afirma.

    Experiência com a Xylella inspira novos caminhos

    A história do combate ao amarelinho (CVC) serve de exemplo para os novos desafios. Em 1997, o Fundecitrus participou da escolha da Xylella fastidiosa como alvo do primeiro sequenciamento genômico brasileiro, realizado com apoio da Fapesp. Na época, a doença ameaçava dizimar os pomares paulistas e chegou a ser confundida com o greening.

    O fitopatologista francês Joseph Maria Bové, referência mundial em doenças de citros, ajudou a identificar o novo patógeno. O trabalho levou à criação de uma rede científica nacional que conseguiu controlar a CVC e salvar a produção paulista.

    Ayres lembra que o sequenciamento da Xylella não eliminou a doença, mas permitiu desenvolver métodos eficazes de manejo e prevenção. “Conseguimos reduzir os casos a níveis mínimos. Agora, queremos repetir essa vitória contra o greening”, diz o diretor.

    Fapesp reforça papel da ciência a longo prazo

    O presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago, também participou do projeto pioneiro da Xylella.
    Ele afirma que a pesquisa em rede colocou o Brasil no mapa global da ciência e consolidou a capacidade nacional de inovação. “Quando há um problema sério, a ciência precisa responder. A Fapesp investe recursos públicos em soluções de longo prazo”, diz Zago.

    A Fapesp recebe 1% dos tributos paulistas, o que representa R$ 2,9 bilhões em orçamento anual. Desse total, 95% são aplicados diretamente em pesquisas e apenas 5% em estrutura administrativa.
    Com a criação do CPA, o Brasil aposta mais uma vez na ciência e na cooperação internacional para garantir o futuro da citricultura. O objetivo é transformar conhecimento em inovação e proteger uma das cadeias mais importantes do agronegócio nacional.