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  • Brasil é um dos maiores produtores de limão do mundo, mas doença ameaça a oferta da fruta

    Brasil é um dos maiores produtores de limão do mundo, mas doença ameaça a oferta da fruta

    O Brasil está entre os maiores produtores mundiais de limão, mas a citricultura nacional enfrenta um desafio crescente: o avanço do greening, doença sem cura que compromete a produtividade dos pomares e pode levar à erradicação de plantas infectadas. A cultura representa 8% da produção citrícola nacional, e a variedade Tahiti responde por 97% desse total.

    “A doença é causada pela bactéria Candidatus Liberibacter spp, transmitida pelo psilídeo Diaphorina citri. Apesar de medir apenas até 3 milímetros e viver de 12 a 43 dias, o inseto possui elevado potencial reprodutivo: as fêmeas depositam de 600 a 800 ovos. Ao se alimentar da seiva dos limoeiros, o psilídeo também enfraquece as plantas e libera uma substância que atrai formigas”, explica Fabio Kagi, gerente de assuntos regulatórios do Sindiveg.

    Sintomas aparecem nas folhas e comprometem os frutos

    Conhecido também como Huanglongbing (HLB), o greening apresenta sinais como folhas amareladas ou com manchas irregulares. Os frutos não amadurecem normalmente e podem ficar pequenos, deformados e assimétricos. A doença compromete totalmente plantas jovens em um ou dois anos, enquanto árvores adultas levam de três a cinco anos para morrer.

    “Sem um tratamento disponível, a única alternativa para conter o avanço da patologia é eliminar completamente as árvores infectadas, o que pode gerar impactos econômicos e reduzir a oferta da fruta e de seus derivados”, alerta Kagi.

    Prevenção e manejo integrado ajudam a conter o avanço

    Segundo o gerente, a estratégia para reduzir a disseminação da doença começa pelo acompanhamento frequente das lavouras e pela adoção do manejo integrado do psilídeo. Nesse processo, os produtores devem usar inseticidas com diferentes mecanismos de ação, medida importante para evitar o desenvolvimento de resistência. Os rótulos e as bulas dos produtos trazem, logo abaixo da marca, um quadro com números que indicam o respectivo modo de ação. Como orientação adicional para o manejo da resistência, a indústria também disponibiliza um folheto elaborado pelo IRAC-BR.

    “O diagnóstico precoce e o controle do vetor são fundamentais para reduzir os impactos do greening sobre os pomares. Por isso, o acompanhamento das plantas e a adoção de medidas de manejo devem fazer parte da rotina do produtor”, afirma Kagi.

    Os produtores também precisam ficar atentos ao uso de mudas sadias e certificadas, medida essencial para evitar a proliferação da doença. O site do Sindiveg reúne mais informações sobre a defesa dessa e de outras culturas na página de proteção de cultivos.

  • Greening avança e acende alerta para resistência do psilídeo nos citros

    Greening avança e acende alerta para resistência do psilídeo nos citros

    A expansão do greening nos pomares brasileiros reforça a necessidade de aprimorar o controle do psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri), inseto responsável pela transmissão das bactérias associadas à doença. Ao mesmo tempo, pesquisas identificam redução da suscetibilidade do vetor a diferentes grupos de inseticidas, o que limita as alternativas disponíveis aos citricultores.

    Divulgação: Ihara

    Levantamento do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) mostra que a incidência de laranjeiras com sintomas de greening no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais subiu de 44,35%, em 2024, para 47,63%, em 2025. O avanço representa alta de 7,4% e corresponde a quase 100 milhões de árvores afetadas na principal região produtora de citros do país.

    Sem tratamento curativo, o greening reduz a produtividade, encurta a vida útil das plantas e compromete a qualidade dos frutos. Como consequência, a doença aumenta os custos de produção e pressiona a rentabilidade dos citricultores.

    Rotação de inseticidas é essencial

    Diante desse cenário, o manejo da resistência passou a ocupar posição central nos programas fitossanitários. As recomendações do Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas (IRAC) indicam a rotação entre diferentes modos de ação como uma das principais estratégias para preservar a eficiência dos produtos e reduzir a pressão de seleção sobre as populações do psilídeo.

    O uso repetido de inseticidas com o mesmo mecanismo de ação favorece a sobrevivência e a multiplicação de indivíduos resistentes. Por isso, os especialistas recomendam evitar aplicações sequenciais de produtos pertencentes ao mesmo grupo químico.

    Pesquisas do Fundecitrus em parceria com o Laboratório de Resistência de Artrópodes da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) já identificaram resistência do psilídeo a piretroides e neonicotinoides em algumas microrregiões do cinturão citrícola. Estudos posteriores também confirmaram o início da resistência à malationa, ingrediente ativo do grupo dos organofosforados.

    Segundo as orientações técnicas divulgadas pelo Fundecitrus, o produtor deve reavaliar o uso desses grupos quando observar falhas de controle e adotar alternativas dentro de um programa de rotação. A recomendação inclui trabalhar com diferentes grupos químicos e evitar a repetição de mecanismos de ação em aplicações consecutivas.

    Manejo integrado reduz riscos

    A rotação de inseticidas, no entanto, não deve ocorrer de forma isolada. O IRAC recomenda combinar o Manejo Integrado de Pragas (MIP) com o Manejo de Resistência a Inseticidas (MRI).

    Entre as principais medidas estão:

    • Utilizar mudas certificadas e produzidas em viveiros protegidos.
    • Monitorar regularmente a presença de psilídeos nos pomares.
    • Aplicar inseticidas conforme a necessidade e as orientações técnicas.
    • Eliminar plantas hospedeiras e reduzir fontes de inóculo próximas à propriedade.
    • Controlar as populações adultas do inseto, principalmente em períodos estratégicos.
    • Alternar aplicações no solo com pulverizações foliares de diferentes modos de ação.
    • Preservar agentes de controle biológico e reduzir o risco de surtos de pragas secundárias.

    A adoção conjunta dessas práticas ajuda a reduzir a população do vetor, diminui a disseminação do greening e prolonga a vida útil das tecnologias disponíveis.

    Novas tecnologias ampliam alternativas

    A evolução da resistência torna necessária a diversificação dos programas de controle. Produtos com diferentes mecanismos de ação permitem ao citricultor estruturar estratégias mais flexíveis e reduzir a dependência de um único grupo de inseticidas.

    “O manejo da resistência deixou de ser uma preocupação futura e passou a ser uma necessidade imediata para a sustentabilidade da citricultura. A incorporação de novas tecnologias registradas para o controle do psilídeo aos programas fitossanitários amplia as alternativas disponíveis aos citricultores ao longo das safras”, afirma o engenheiro agrônomo de Desenvolvimento de Mercado da IHARA, Silvio Marcussi.

    Para o especialista, a integração entre as ferramentas disponíveis será decisiva para enfrentar o avanço da doença.

    “Fortalecer o controle do psilídeo, tendo a rotação entre diferentes modos de ação como um dos pilares, contribui para retardar a evolução da resistência aos inseticidas e preservar a vida útil das moléculas disponíveis”, finaliza Marcussi.

  • Citricultores paulistas têm até quarta-feira para entregar relatório de Cancro e Greening

    Citricultores paulistas têm até quarta-feira para entregar relatório de Cancro e Greening

    A Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) alerta os citricultores paulistas: o prazo para entregar o relatório semestral de Cancro Cítrico e HLB/Greening encerra na próxima quarta-feira, 15 de julho. Os produtores devem preencher o resultado das inspeções no sistema Gestão de Defesa Animal e Vegetal (GEDAVE), registrando as vistorias trimestrais realizadas entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2026 em todas as plantas cítricas da propriedade.

    laranja com greening no pé
    Foto: Arquivo

    A entrega dos dados reais permite que a equipe técnica da Defesa Agropecuária acompanhe com precisão a dispersão e a incidência das duas doenças, orientando as ações de defesa fitossanitária e as políticas públicas voltadas ao setor.

    Estado exige relatório de todos os produtores, independentemente da idade das plantas

    A Portaria SDA/MAPA nº 1.326, de 4 de julho de 2025, instituiu o Programa Nacional de Prevenção e Controle ao HLB (PNCHLB) e determinou que os estados passem a definir os critérios para eliminação de plantas sintomáticas. Já o monitoramento e o controle do psilídeo, inseto vetor do HLB/Greening, continuam obrigatórios em todos os pomares do país, sem exceção de idade.

    Foto: divulgação – Fundecitrus

    Em São Paulo, a regra é ainda mais rígida: a entrega do relatório vale para todos os produtores, independentemente da idade das plantas. Quem atrasa ou deixa de enviar o documento fica sujeito às sanções previstas no Decreto Estadual nº 45.211, de 19 de setembro de 2000.

    Cancro cítrico ataca folhas, frutos e ramos das plantas

    Causado pela bactéria Xanthomonas citri pv. citri, o cancro cítrico atinge todas as variedades e espécies de citros. A doença provoca lesões em folhas, frutos e ramos e, em casos de alta incidência, causa desfolha e queda de frutos.

    Desde 2017, quando o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) publicou a Resolução nº 4, de 22 de março, São Paulo integra o Sistema de Mitigação de Risco (SMR) para o cancro cítrico. O mecanismo permite adotar medidas fitossanitárias que reduzem o potencial de inóculo da praga e mantêm um nível de proteção adequado contra a doença. O que viabiliza a comercialização de frutos sem sintomas tanto no mercado interno quanto no internacional.

    Divulgação: CDA

    Transmitido pelo psilídeo (Diaphorina citri), o HLB/Greening é causado pela bactéria Candidatus Liberibacter spp. e acomete todas as plantas cítricas. Depois que a bactéria contamina a planta, os produtores não conseguem eliminá-la: o vegetal passa a agir como fonte de inóculo, contaminando outras plantas ao redor. Hoje, o HLB/Greening representa a maior ameaça à citricultura em todo o mundo.

    SAA cria novas regras de monitoramento e flexibiliza erradicação

    Publicada em 28 de maio, a Resolução SAA nº 32/2026 revogou a Resolução SAA nº 88/2021 e trouxe mudanças importantes para o controle do HLB/Greening no estado:

    • Monitoramento quinzenal do psilídeo: os produtores passam a monitorar o inseto vetor a cada 15 dias em pomares de qualquer idade, e devem controlar a praga para impedir que ela complete o ciclo do ovo à fase adulta.
    • Regionalização por incidência: a SAA dividiu os municípios paulistas entre baixa e alta incidência da doença. Localidades com até 10% dos pomares contaminados entram na categoria de baixa incidência; acima desse percentual, a classificação passa para alta incidência.
    • Erradicação flexibilizada: produtores com árvores adultas doentes em municípios de alta incidência não precisam mais eliminar as plantas de forma compulsória. Nesses locais, a exigência de erradicação vale apenas para plantas novas, de até três anos. Nos municípios de baixa incidência, a regra permanece a mesma: erradicação obrigatória para plantas de qualquer idade.
    • Transporte interestadual mais rígido: antes de seguir para outros estados, as frutas paulistas precisam passar por processamento e escovação, etapa que elimina folhas ou ramos capazes de transportar a doença. A única exceção é a tangerina Ponkan, dispensada da escovação.

    Portaria Defesa nº 46/2026 define lista de municípios de baixa incidência

    Publicada nesta semana, a Portaria Defesa nº 46/2026 estabeleceu os municípios paulistas classificados como de baixa incidência de HLB/Greening. A lista inclui, entre outras, as cidades de Adamantina, Araçatuba, Assis, Auriflama, Birigui, Dracena, Fernandópolis, Ilha Solteira, Jales. Lucélia, Marília da região (Mariápolis), Martinópolis, Osvaldo Cruz, Pacaembu, Paraguaçu Paulista, Penápolis. Pereira Barreto, Pirapozinho, Presidente Prudente, Presidente Venceslau, Quatá, Rancharia, Santa Fé do Sul. Tupã e Teodoro Sampaio, além de diversos outros municípios da região Noroeste e Oeste do estado.

    Todos os demais municípios paulistas que não constam na lista passam a ser automaticamente classificados como de alta incidência da doença.

  • Por que o Brasil exporta suco de laranja, mas quase não vende a fruta?

    Por que o Brasil exporta suco de laranja, mas quase não vende a fruta?

    O Brasil é líder mundial na produção e exportação de suco de laranja. Ainda assim, praticamente deixou de vender laranja de mesa para o exterior e, atualmente, chega a importar a fruta, principalmente do Egito.

    À primeira vista, a situação parece contraditória. No entanto, ela é resultado de decisões tomadas pelo setor citrícola ao longo de décadas e das mudanças no comportamento dos consumidores ao redor do mundo.

    O Brasil apostou no suco de laranja

    Durante muitos anos, a citricultura brasileira direcionou seus investimentos para abastecer a indústria de suco, segmento em que o país se tornou referência mundial.

    Hoje, aproximadamente 70% da produção nacional de laranja é destinada ao processamento industrial, enquanto apenas 30% abastece o mercado de fruta fresca.

    Essa estratégia trouxe resultados econômicos importantes, mas deixou o Brasil em segundo plano em um mercado que cresceu nos últimos anos: o da laranja de mesa.

    Segundo o presidente da CitrusBR, Ibiapaba Netto, o comércio internacional de frutas frescas movimenta cerca de 300 milhões de caixas por ano e continua em expansão.

    O problema não é falta de demanda. O mercado mudou, mas o Brasil permaneceu focado na indústria do suco”, resume.

    O mercado passou a preferir frutas frescas

    Enquanto o Brasil consolidava sua liderança no suco, consumidores de diversos países começaram a buscar frutas prontas para consumo.

    Ganharam espaço variedades que apresentam características como:

    • sabor mais doce;
    • ausência de sementes;
    • facilidade para descascar;
    • aparência mais uniforme;
    • maior valor agregado.

    Além das laranjas premium, mandarinas e tangerinas sem sementes passaram a ocupar um espaço cada vez maior nas prateleiras internacionais.

    Segundo a Associação Brasileira de Citros de Mesa (ABCM), diversos países investiram em novas variedades protegidas por royalties e desenvolvidas especificamente para esse mercado.

    O Brasil, por outro lado, continuou concentrado em cultivares voltadas para a indústria e para o consumo interno.

    Como o Egito virou um dos maiores exportadores de laranja

    O principal concorrente brasileiro nesse segmento é o Egito.

    Há cerca de duas décadas, o país tinha participação limitada nas exportações de laranja fresca. Hoje figura entre os maiores exportadores mundiais graças à combinação de fatores como:

    • clima favorável;
    • menor custo de produção;
    • incentivos governamentais;
    • abertura de novos mercados;
    • acordos fitossanitários.

    Enquanto isso, o Brasil enfrenta desafios relacionados aos custos de produção, logística, infraestrutura portuária e crédito, fatores que reduzem sua competitividade na exportação da fruta in natura.

    Brasil passou de exportador a importador

    Os números mostram claramente essa mudança.

    Segundo a ABCM:

    • em 2010, o Brasil exportou cerca de 835 mil caixas de laranja de mesa;
    • para 2026, a previsão é de apenas 140 mil caixas exportadas;
    • no mesmo período, as importações devem atingir aproximadamente 1,3 milhão de caixas, principalmente vindas do Egito.

    Os dados mostram que o país perdeu espaço justamente em um mercado que continua crescendo no comércio internacional.

    Greening cria oportunidades, mas ainda não resolve o problema

    Outro fator que influencia a citricultura é o avanço do greening, considerada a principal doença dos citros no mundo.

    Por causa dela, regiões como Petrolina, no Vale do São Francisco, passaram a atrair novos investimentos por estarem fora da área mais afetada pela doença.

    Mesmo assim, especialistas afirmam que isso não garante competitividade internacional.

    Em áreas mais quentes, por exemplo, a casca da laranja tende a permanecer mais verde, enquanto compradores europeus preferem frutos com coloração alaranjada intensa.

    O desafio da citricultura brasileira

    O Brasil continua sendo uma potência mundial no mercado de suco de laranja. No entanto, recuperar espaço na exportação de fruta fresca exigirá investimentos em novas variedades, acordos comerciais, melhorias logísticas e estratégias voltadas às preferências do consumidor internacional.

    Sem essas mudanças, países como o Egito devem continuar ampliando sua participação em um mercado que cresce ano após ano.

  • Limão caviar nacional promete revolucionar a citricultura brasileira

    Limão caviar nacional promete revolucionar a citricultura brasileira

    Pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, desenvolveram uma versão nacional do limão caviar, fruto exótico que pode alcançar entre R$ 400 e R$ 1.200 o quilo no mercado.

    Diferente dos cítricos tradicionais, o fruto guarda o suco em pequenas vesículas que estouram na boca. Uma característica que já conquistou chefs e restaurantes de alto padrão no Brasil e no mundo.

    O que torna esse limão tão especial

    A cultivar batizada de Faustrime pertence à espécie Microcitrus australasica, parente das laranjas, limões e tangerinas, mas de gênero diferente do Siciliano e do Tahiti. O IAC registrou a variedade em 2023 e a tornou a única do tipo no Registro Nacional de Cultivares (RNC).

    “Ao contrário de outros citros, o caviar não possui suco”, explica a pesquisadora do IAC Marinês Bastianel. “Sua polpa tem pequenas vesículas que se parecem com o caviar e, quando consumidas, estouram na boca e liberam um sabor levemente ácido.” A casca e a polpa variam entre tons de marrom, amarelo, rosa, verde e avermelhado, o que reforça o apelo visual do fruto.

    Foto: Divulgação

    Fora do Brasil, o mercado conhece o fruto como finger lime, “lima de dedo”, em tradução livre, por causa do formato alongado.

    Ferramenta criativa na cozinha

    O sushi chef Allan Beckmann, do restaurante Satori Omakase, já incorporou o limão caviar ao cardápio. Para ele, o ingrediente vai além do exótico. “A textura dele, quase lúdica, dialoga naturalmente com preparos que valorizam pureza, contraste e precisão”, afirma. “Ao lado de um peixe branco, de uma vieira ou de um niguiri cuidadosamente montado, ele realça o sabor sem encobrir a identidade do ingrediente principal.”

    Beckmann destaca que o fruto amplia o repertório técnico e sensorial dos cozinheiros e abre espaço para finalizações mais refinadas e composições contemporâneas. O interesse crescente dos restaurantes pelo produto reflete uma gastronomia cada vez mais orientada pela experiência do cliente, na qual sabor, textura e apresentação precisam trabalhar juntos.

    Do campo ao prato

    A Faustrime apresenta produção precoce: os primeiros frutos surgem já no segundo ano de plantio, embora a maior produtividade só apareça a partir do quarto ano. Bastianel alerta que o cultivo exige atenção redobrada. “As plantas apresentam muitos espinhos nos pés, o que exige maior cuidado do produtor durante a colheita. Ao longo do ano, ocorrem múltiplas floradas, resultando em frutos em diferentes estágios.”

    Foto: Divulgação

    O maior banco de germoplasma de citros do mundo, mantido pelo Centro de Citricultura do IAC em Cordeirópolis, sustenta o desenvolvimento da cultivar. O acervo reúne cerca de 1.700 materiais genéticos coletados em diferentes países. Uma diversidade que permite aos pesquisadores identificar e desenvolver novas variedades com características específicas.

    Aliado contra o Greening

    Além do valor gastronômico, o limão caviar desperta interesse científico por outro motivo: a tolerância maior ao Greening, doença que representa uma das maiores ameaças à citricultura mundial.

    “Vimos vários estudos em países que trabalham com novas combinações de porta-enxerto com tolerância ao HLB”, diz Bastianel. “O ideal é adotar um sistema que combine porta-enxerto e copa tolerantes à doença.” Pesquisadores de diferentes países já incluem a Microcitrus em programas de melhoramento genético justamente por essa característica.

    A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo também acompanha a expansão do cultivo. Por meio da Defesa Agropecuária, o órgão realiza procedimentos de certificação fitossanitária e controle do trânsito vegetal, medidas que garantem segurança na produção e facilitam o acesso dos produtores a mercados nacionais e internacionais.

  • RS elimina mais de 200 árvores cítricas após foco de greening

    RS elimina mais de 200 árvores cítricas após foco de greening

    A força-tarefa criada após a confirmação do primeiro caso de greening no Rio Grande do Sul já realizou a vistoria de 522 imóveis e promoveu a erradicação de 201 árvores cítricas em Palmitinho, município localizado no norte do estado. O foco da doença foi identificado em 8 de junho, conforme informações divulgadas pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

    As equipes concluíram os trabalhos de fiscalização e eliminação de plantas no raio de 500 metros ao redor do foco inicial. Além disso, as ações de monitoramento na área ampliada de 2,4 quilômetros já estão em fase final.

    A próxima etapa poderá incluir a ampliação da vigilância para municípios vizinhos. O objetivo é detectar rapidamente possíveis novos registros da doença e evitar sua disseminação para outras regiões produtoras.

    Fiscalização do SEAPI
    Força-tarefa já vistoriou 522 imóveis em Palmitinho (RS) — Foto: Divulgação/Seapi

    As medidas seguem os protocolos estabelecidos pelo Programa Nacional de Prevenção e Controle do Huanglongbing (PNCHLB). Nesse contexto, as ações concentram esforços no combate ao psilídeo Diaphorina citri, inseto responsável pela transmissão da bactéria associada ao greening.

    Segundo o diretor do Departamento de Defesa Vegetal (DDV) da Seapi, Ricardo Felicetti, a grande quantidade de plantas cítricas encontradas em quintais e áreas urbanas levou o Estado a reforçar a estratégia de monitoramento.

    “Optamos por ampliar o monitoramento na área urbana e, nas próximas semanas, faremos novas prospecções na área rural”, afirmou durante reunião da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

    Doença representa risco à produção de citros

    Considerado uma das maiores ameaças à citricultura mundial, o greening não possui cura. Por isso, especialistas apontam a identificação precoce e a eliminação rápida das plantas infectadas como as principais ferramentas para reduzir os impactos da doença.

    Além de comprometer a produtividade dos pomares, o greening reduz a qualidade dos frutos e pode provocar a morte das plantas. Em consequência, a doença representa um desafio significativo para produtores e para toda a cadeia de produção de citros.

     

  • Citricultura: relatório obrigatório de greening deve ser entregue até 15 de julho

    Citricultura: relatório obrigatório de greening deve ser entregue até 15 de julho

    A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA), por meio da Defesa Agropecuária, determinou que produtores de citros entreguem até 15 de julho o relatório semestral de cancro cítrico e HLB/greening referente ao primeiro semestre de 2026. A medida busca mapear a situação fitossanitária dos pomares paulistas.

    Os produtores devem preencher o documento no sistema GEDAVE (Gestão de Defesa Animal e Vegetal), com os resultados das inspeções realizadas entre 1º de janeiro e 30 de junho. O relatório precisa incluir dados das vistorias trimestrais em todas as plantas cítricas da propriedade.

    Segundo a Defesa Agropecuária, o envio correto das informações permite identificar a incidência e a dispersão das doenças. Isso orienta ações de controle e políticas públicas mais eficazes no estado.

    A obrigatoriedade vale para todos os produtores, independentemente da idade das plantas. Quem não cumprir o prazo ou enviar dados fora do padrão poderá sofrer sanções previstas no Decreto Estadual nº 45.211/2000.

    Novas regras para o greening

    A Portaria SDA/MAPA nº 1.326/2025 instituiu o Programa Nacional de Prevenção e Controle ao HLB (PNCHLB). E definiu que os estados passam a estabelecer critérios para eliminação de plantas doentes. Apesar da flexibilização, o controle do psilídeo (Diaphorina citri), vetor do greening, segue obrigatório em todos os pomares.

    Em São Paulo, a Resolução SAA nº 32/2026, publicada em 28 de maio, atualizou as regras e passou a exigir o monitoramento quinzenal do inseto, com ações para interromper seu ciclo biológico.

    A norma também introduziu a regionalização dos municípios, dividindo-os conforme a incidência da doença:

    • Até 10% de pomares contaminados: baixa incidência
    • Acima de 10%: alta incidência

    Nos municípios com alta incidência, os produtores não precisam mais erradicar plantas adultas doentes, sendo obrigatória a eliminação apenas de plantas com até três anos. Já nas áreas de baixa incidência, a erradicação continua obrigatória para todas as idades.

    Transporte e novas exigências

    A resolução também alterou as regras para o transporte interestadual de citros. Agora, os produtores devem processar e escovar os frutos antes do envio para outros estados, com o objetivo de eliminar resíduos vegetais que possam transportar a doença.

    A única exceção é a tangerina Ponkan, que não precisa passar pela etapa de escovação.

    O cancro cítrico, causado pela bactéria Xanthomonas citri, afeta todas as variedades de citros e provoca lesões em folhas, frutos e ramos, podendo causar desfolha e queda de produção em casos severos.

    Desde 2017, São Paulo adota o Sistema de Mitigação de Risco (SMR), que permite controlar a doença e viabilizar a comercialização de frutos sem sintomas, tanto no mercado interno quanto externo.

    Já o greening, provocado pela bactéria Candidatus Liberibacter spp., não tem cura e se espalha pelo psilídeo. A doença compromete toda a planta e hoje representa a principal ameaça à citricultura mundial.

  • Rio Grande do Sul confirma primeiros casos de greening em citros

    Rio Grande do Sul confirma primeiros casos de greening em citros

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou, na segunda-feira (8), os primeiros casos de greening (Huanglongbing – HLB) em plantas cítricas no Rio Grande do Sul, marcando a chegada de uma das doenças mais devastadoras da citricultura mundial ao estado.

    Um pomar doméstico no município de Palmitinho, na região do Médio Alto Uruguai, próximo à divisa com Santa Catarina, registrou a ocorrência. A rede oficial de laboratórios do Ministério confirmou o caso por meio de análises laboratoriais.

    Monitoramento e resposta rápida

    A detecção do greening no estado é resultado de um programa contínuo de vigilância fitossanitária conduzido desde 2004 pelo Mapa, por meio da Superintendência de Agricultura e Pecuária no Rio Grande do Sul (SFA-RS), em parceria com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi-RS).

    Nos últimos anos, os órgãos responsáveis intensificaram as ações devido ao avanço da doença em regiões próximas, como a Argentina, o Uruguai e o estado de Santa Catarina, o que aumentou o risco de disseminação para o território gaúcho.

    Equipes técnicas já estão mobilizadas na região afetada para realizar o monitoramento de propriedades vizinhas e implementar medidas emergenciais de contenção.

    Medidas fitossanitárias e controle do vetor

    As ações seguem o Plano de Ação estabelecido pela Portaria SDA/Mapa nº 1.326/2025, que institui o Programa Nacional de Controle e Prevenção do Greening.

    Entre as principais medidas adotadas estão:

    • Erradicação imediata das plantas infectadas
    • Controle rigoroso do psilídeo (Diaphorina citri), inseto transmissor da doença
    • Intensificação da fiscalização do trânsito de mudas
    • Ampliação da vigilância em pomares comerciais e domésticos

    O Serviço Oficial reforça que o uso de mudas certificadas e de origem regular é fundamental para evitar a disseminação do greening.

    Impactos do greening na citricultura

    O greening é considerado a principal ameaça fitossanitária da citricultura global. A doença não oferece riscos à saúde humana, mas provoca sérios prejuízos econômicos.

    Entre os principais impactos estão:

    • Deformação e queda prematura dos frutos
    • Redução da qualidade e do teor de suco
    • Queda significativa da produtividade
    • Enfraquecimento e morte das plantas

    No Brasil, maior produtor mundial de laranja, a doença já causa prejuízos relevantes, especialmente no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais.

    Alerta para produtores do Sul

    A confirmação no Rio Grande do Sul acende um alerta para produtores da região Sul, onde a citricultura tem papel importante na agricultura familiar e no abastecimento regional.

    Especialistas destacam que a detecção precoce e a adoção rigorosa de medidas sanitárias são essenciais para evitar a disseminação do greening e proteger a cadeia produtiva.

  • Greening desafia citricultura e domina debates na Expocitros

    Greening desafia citricultura e domina debates na Expocitros

    O avanço do greening dominou parte dos debates da 51ª Expocitros, que termina nesta sexta-feira (29), em Cordeirópolis (SP). Durante a feira, a Corteva Agriscience apresentou tecnologias voltadas ao controle do psilídeo, inseto responsável pela disseminação da doença. Além disso, reforçou a necessidade de manejo integrado para preservar a produtividade dos pomares brasileiros.

    Realizado no Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, o evento reuniu produtores, pesquisadores, consultores e empresas do setor. O encontro ocorreu em meio ao aumento da preocupação com os impactos do greening sobre a citricultura nacional. Paralelamente, aconteceu a 48ª Semana da Citricultura.

    Entre os destaques da companhia esteve o inseticida Incitro, desenvolvido para o manejo do psilídeo (Diaphorina citri) e do bicho-furão (Gymnandrosoma aurantianum). A tecnologia foi apresentada como uma ferramenta estratégica no combate à principal ameaça fitossanitária da cultura atualmente.

    Segundo Guilherme Ogata, líder de Portfólio de Citrus, Café e Hortifrúti da Corteva Agriscience, o greening atingiu um nível de criticidade que passou a impactar diretamente a sustentabilidade produtiva e econômica dos pomares.

    “O produtor vive hoje um cenário muito mais complexo. O greening deixou de ser um problema isolado e passou a exigir acompanhamento constante, tomada de decisão rápida e estratégias integradas dentro da propriedade”, afirmou.

    De acordo com o executivo, o principal desafio atual está no controle contínuo do psilídeo. Isso ocorre, principalmente, diante da velocidade de disseminação da praga e das mudanças observadas no comportamento do inseto nos últimos anos.

    Resistência preocupa produtores e exige novas estratégias

    Outro ponto que ganhou destaque durante a feira foi a preocupação crescente com a resistência aos inseticidas tradicionais. Segundo Ogata, o manejo de resistência passou a ser indispensável para manter a eficiência das aplicações ao longo das safras.

    Além disso, o executivo afirmou que o controle contínuo do psilídeo exige maior planejamento dentro das propriedades. Isso porque o comportamento da praga mudou nos últimos anos. Com isso, produtores passaram a intensificar o monitoramento nos pomares.

    Nesse cenário, a Corteva apresentou o Incitro como uma solução desenvolvida especificamente para a citricultura. O inseticida possui a molécula Jemvelva Active, exclusiva da empresa. Segundo a companhia, o produto apresenta um modo de ação único no mercado.

    Entre os diferenciais apontados estão o alto poder de choque, o amplo espectro de controle e o efeito residual prolongado. Além disso, a tecnologia possui seletividade e curto intervalo de segurança. Assim, a colheita pode ser realizada um dia após a aplicação.

    Equipe da Corteva na Expocitros 2026 – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    “O produtor precisa de ferramentas eficientes no controle imediato da praga. No entanto, também precisa de tecnologias que contribuam para a sustentabilidade do manejo no longo prazo”, destacou Ogata.

    A empresa também levou para a Expocitros o Verter SC, inseticida foliar com tecnologia Isoclast active. A solução atua no controle de mosca-branca e pulgões. Além disso, integra as estratégias de manejo do psilídeo.

    Segundo a Corteva, o combate ao greening não depende apenas de novas tecnologias. Pelo contrário. O alinhamento regional entre produtores passou a ser decisivo. Da mesma forma, o monitoramento constante e a eliminação de plantas contaminadas ganharam ainda mais importância.

    “A atuação isolada já não resolve mais. Por isso, o manejo integrado virou peça-chave para preservar a produtividade e reduzir a pressão do greening nos cinturões citrícolas”, reforçou o executivo.

    Citricultura busca preservar competitividade

    A edição de 2026 da Expocitros aprofundou debates sobre sanidade vegetal, bioinsumos, sustentabilidade, energia, inovação tecnológica e gestão dentro das propriedades rurais.

    Além das tecnologias para manejo fitossanitário, a Corteva também apresentou durante o evento a campanha “Puro Suco do Brasil”. A iniciativa foi criada para valorizar a importância econômica da citricultura brasileira.

    A ação destaca a geração de mais de 200 mil empregos e a movimentação anual de cerca de US$ 14 bilhões pelo setor.

    Além disso, a empresa informou que pretende ampliar o relacionamento com produtores e agroindústrias. Para isso, a campanha deve ganhar novas ações voltadas ao fortalecimento da cadeia citrícola.

    Para Guilherme Ogata, o futuro da citricultura brasileira dependerá diretamente da capacidade do setor em controlar o avanço do greening nos próximos anos.

    “O Brasil segue como referência mundial na produção de citros. No entanto, o avanço da doença exige respostas rápidas e integradas. Sem controle eficiente, os impactos sobre produtividade, longevidade dos pomares e competitividade tendem a crescer”, concluiu.

  • São Paulo adota novas medidas para conter avanço do greening na citricultura

    São Paulo adota novas medidas para conter avanço do greening na citricultura

    A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo publicou nesta quinta-feira (28) uma nova resolução com medidas voltadas à prevenção e ao controle do HLB/Greening, considerada a principal doença da citricultura brasileira.

    A pasta oficializou as mudanças por meio da Resolução SAA nº 32 de 2026, divulgada no Diário Oficial do Estado. Além disso, o texto segue as diretrizes da Portaria SDA/MAPA nº 1.326, publicada em julho de 2025 pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, para reforçar as ações de defesa agropecuária no estado.

    Municípios passam a ter classificação por incidência

    Entre as principais novidades, a resolução cria uma divisão dos municípios paulistas conforme o nível de contaminação pelo greening.

    A partir de agora, cidades com até 10% de pomares contaminados entram na categoria de baixa incidência. Já os municípios que ultrapassarem esse índice passam a integrar a classificação de alta incidência da doença.

    Segundo a secretaria, a medida busca direcionar as estratégias de combate e tornar o controle mais eficiente em cada região produtora.

    Monitoramento do psilídeo será quinzenal

    Além da nova classificação, o governo paulista também determinou o monitoramento quinzenal do psilídeo (Diaphorina citri), inseto responsável pela transmissão do greening.

    Os produtores deverão acompanhar a presença do inseto em pomares de qualquer idade. Dessa forma, as autoridades pretendem impedir que o psilídeo complete o ciclo entre as fases de ovo e adulto.

    Regra para erradicação de plantas muda em áreas críticas

    A resolução também alterou as exigências para eliminação de plantas contaminadas.

    Nos municípios classificados com alta incidência, produtores que possuem árvores adultas doentes não precisarão mais arrancar essas plantas obrigatoriamente.

    Por outro lado, a erradicação continuará obrigatória para plantas novas com até três anos de idade nessas localidades.

    Enquanto isso, cidades enquadradas como áreas de baixa incidência deverão manter a eliminação de plantas contaminadas em todas as faixas etárias.

    Transporte de frutas terá novas exigências

    O governo paulista também modificou as regras para o transporte interestadual de frutas cítricas.

    A partir da nova norma, produtores e empresas precisarão realizar o processamento e a escovação das frutas antes do envio para outros estados.

    Segundo a secretaria, o objetivo é retirar folhas e ramos que possam transportar vetores da doença durante o trânsito da carga. A única exceção prevista pela medida vale para a Tangerina Ponkan.

    Por fim, a secretaria informou que as novas regras valem para plantas dos gêneros Citrus spp., Fortunella spp. e Poncirus spp.