Tag: fertilizantes

  • Saiba como o El Niño ameaça o mercado de grãos

    Saiba como o El Niño ameaça o mercado de grãos

    O avanço do El Niño tem elevado as temperaturas em todo o Brasil. Esse fenômeno costuma provocar chuvas abaixo da média nas regiões Norte e Nordeste, enquanto o Sul registra volumes superiores ao normal. Como consequência, a situação pode impactar o escoamento de cargas por hidrovias estratégicas utilizadas no transporte de grãos de Mato Grosso para os portos do Arco Norte.

    Na última semana, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou que o El Niño já está ativo e pode ganhar intensidade nos próximos meses.

    Segundo as projeções da NOAA, existe 63% de probabilidade de ocorrência de um El Niño classificado como “muito forte”, cenário caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico em cerca de 2 graus Celsius acima da média histórica.

    Fenômeno ameaça escoamento de cargas

    Em relatório assinado pelos analistas Lucas Barbosa, Gabriel Tinen e Victor Tani, o Santander alertou para possíveis impactos na navegação da região. “Isso deve impactar negativamente as condições de navegabilidade no Arco Norte”, destacou o banco.

    De acordo com estudo divulgado pela instituição financeira nesta quinta-feira (18), o nível do Rio Tapajós tende a ficar aproximadamente 0,9 metro abaixo do padrão normal durante anos de El Niño. Isso ocorre devido à redução das chuvas na região, comprometendo o fluxo de embarcações na hidrovia que conecta o Centro-Oeste aos portos do Arco Norte.

    Atualmente, a hidrovia do Tapajós concentra principalmente o transporte de granéis sólidos. A produção de soja e milho sai das áreas produtoras de Mato Grosso pela BR-163 até os terminais localizados em Miritituba, distrito de Itaituba (PA).

    Posteriormente, as cargas seguem em barcaças pelo rio rumo aos portos de Santarém e Barcarena, ambos no Pará, de onde são embarcadas para o mercado internacional. Em 2025, os portos do Arco Norte responderam por 36,2% das exportações brasileiras de soja e milho, segundo dados do governo federal.

    Os números mais recentes reforçam a importância dessa rota logística. Apenas no primeiro bimestre de 2026, a hidrovia do Rio Tapajós movimentou 2,38 milhões de toneladas de cargas, conforme informações do Ministério de Portos e Aeroportos. Nesse volume, o transporte de soja e milho representou 86% do total, enquanto os fertilizantes responderam por 6,3% e os granéis líquidos por 7,4%.

    Hidrovias na logística do agronegócio

    Apesar dos riscos climáticos associados à redução do nível dos rios, especialistas avaliam que o crescimento das hidrovias tem transformado a logística nacional. Para o diretor de agronegócio da nstech, Thiago Cardoso, o aumento do transporte de grãos por vias fluviais e a expansão das exportações pelo Arco Norte representam uma mudança estrutural importante.

    “Vamos aumentar cada vez mais o transporte por estas vias. É uma logística mais inteligente”, afirmou o executivo.

    Levantamento da nstech, baseado em dados do Ministério dos Transportes, mostra que a participação das hidrovias no escoamento da soja saltou de 9% para 13,5% entre 2023 e 2025. Dessa forma, o modal hidroviário foi o que registrou o maior crescimento no período.

    As ferrovias também ampliaram sua participação, passando de 22% para 25% no transporte da oleaginosa. No entanto, o avanço ocorreu em ritmo inferior ao observado nas hidrovias.

    Por outro lado, o transporte rodoviário continua predominante na logística brasileira. Embora sua participação tenha recuado, o modal ainda respondeu por 66% do escoamento da soja em 2025, ante 69% em 2023.

    Segundo Cardoso, a dependência das rodovias ainda gera desafios relevantes para a competitividade do setor.

    “Apesar do avanço rumo à intermodalidade, a predominância rodoviária ainda expõe ineficiências, com o país operando com um excedente estimado de 70 mil caminhões em rotas de longa distância. Para superar os desafios, a agenda ESG e a digitalização (rastreabilidade, multimodalidade) deixaram de ser diferenciais e tornaram-se pré-requisitos comerciais”, ressaltou.

    Além disso, o executivo avalia que boa parte dos avanços observados na intermodalidade foi impulsionada pela iniciativa privada. Em contrapartida, entraves regulatórios e burocráticos ainda limitam a expansão dos investimentos em infraestrutura logística de longo prazo.

  • Ibama autoriza terminal multimodal de grãos em Santos com investimento de R$ 2 bilhões

    Ibama autoriza terminal multimodal de grãos em Santos com investimento de R$ 2 bilhões

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu a licença de instalação para o Terminal Multimodal de Grãos e Fertilizantes (TMGF), que será construído em Santos, no litoral de São Paulo. O projeto prevê investimento de R$ 2 bilhões.

    Conhecido como Projeto Seeds, o terminal terá capacidade para movimentar cerca de 9 milhões de toneladas de grãos e 3,5 milhões de toneladas de fertilizantes por ano, fortalecendo a logística do agronegócio brasileiro.

    A implantação do empreendimento deve gerar aproximadamente 2.500 empregos ao longo de dois anos e meio de obras. Na fase operacional, o terminal deve manter cerca de 600 postos de trabalho diretos. A expectativa é arrecadar cerca de R$ 300 milhões anuais em impostos.

    Durante o licenciamento ambiental, o projeto passou por ajustes relevantes para reduzir impactos. A revisão do leiaute do píer, por exemplo, buscou minimizar interferências no tráfego de embarcações de transporte público utilizadas por comunidades locais. O projeto também incorporou medidas de monitoramento e mitigação relacionadas à atividade pesqueira, à ecotoxicidade de sedimentos dragados e à gestão logística e de tráfego de cargas, além de um programa rigoroso de gerenciamento de riscos.

    Estudo de Impacto Ambiental

    O Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima) chegou ao Ibama em maio de 2025. Técnicos analisaram o material e participaram de audiência pública realizada em Santos, em outubro do mesmo ano. Após avaliar as contribuições, o órgão ambiental concluiu o processo em 11 meses, prazo inferior ao limite definido pela Resolução Conama nº 237/1997.

    Segundo a diretora de Licenciamento Ambiental do Ibama, Claudia Barros, a autorização reforça o compromisso do órgão com o desenvolvimento sustentável. “A emissão de mais uma importante licença para a ampliação e modernização da infraestrutura do país demonstra o compromisso constante e responsável do Ibama com o desenvolvimento sustentável do Brasil”, afirmou.

  • El Niño forte e alta nos custos ameaçam produção agrícola global, aponta estudo europeu

    El Niño forte e alta nos custos ameaçam produção agrícola global, aponta estudo europeu

    A combinação de um El Niño intenso com o aumento dos preços de insumos agrícolas já pressiona a produção global de alimentos em 2026. A avaliação consta na edição de maio do relatório Anomaly Hotspots of Agricultural Production (ASAP), publicado pelo Centro Comum de Pesquisa (JRC), da Comissão Europeia.

    O levantamento indica cenários contrastantes entre regiões, com ganhos de produtividade em algumas áreas e perdas relevantes em outras, principalmente por eventos climáticos extremos e instabilidade econômica.

    Na África Austral, a produção de cereais deve superar a média na safra 2025/2026. A África do Sul lidera o avanço com alta de 10% na produção de milho em relação à média de cinco anos, enquanto a Zâmbia registra safra recorde e o Zimbábue projeta crescimento de 2%.

    Em contrapartida, Angola, Moçambique e o sul de Madagascar enfrentam perdas por condições climáticas adversas. Em áreas costeiras angolanas, a degradação das pastagens já compromete a pecuária.

    África

    Na África Oriental, chuvas antecipadas favoreceram lavouras no Quênia, Etiópia e norte de Uganda. Porém, a irregularidade das precipitações afeta a produção na Somália e no sudeste etíope. Na Tanzânia, a colheita avança com produtividade abaixo da média após déficit hídrico. O relatório também alerta para novos impactos do El Niño no fim de 2026. Conflitos no Sudão e Sudão do Sul continuam a desestruturar a produção agrícola e ampliam o risco de fome. Fora das áreas de guerra, a alta nos preços de combustíveis e insumos,agravada pela guerra no Irã, reduz a capacidade produtiva dos agricultores.

    Na África Ocidental e Central, as condições iniciais para o milho são positivas, mas conflitos na Nigéria e no Sahel Central limitam a atividade agrícola. Países como Gana, Benim, Chade, Guiné e Togo registram atrasos no plantio. As previsões climáticas indicam chuvas dentro da média no Golfo da Guiné, mas apontam risco de seca em partes do Sahel.

    Oriente Médio

    No Oriente Médio e Norte da África, a colheita de cereais de inverno apresenta forte recuperação, com produtividade acima da média após chuvas regulares desde dezembro. Marrocos e Argélia lideram esse avanço após anos de seca. Ainda assim, problemas localizados persistem, como restrições de irrigação no sul do Iraque e enchentes em áreas marroquinas. No Iêmen, o clima favorece a produção, mas 17 milhões de pessoas ainda enfrentam insegurança alimentar severa.

    Na Ásia Central, as lavouras de inverno mantêm bom desempenho, impulsionadas por chuvas recentes. O Afeganistão também registra condições favoráveis, apesar de 14 milhões de pessoas enfrentarem insegurança alimentar. No Sul da Ásia, Paquistão e Bangladesh encerraram colheitas com bons resultados, enquanto o Sri Lanka projeta safra positiva. Na Coreia do Norte, o plantio de arroz e milho avança bem, embora a redução da área cultivada no inverno limite parte dos ganhos.

    América Latina e Caribe

    Na América Latina e Caribe, o plantio da safra “primera” sofre atrasos devido à falta de chuvas e às altas temperaturas. Apesar disso, a colheita atual na América do Sul apresenta desempenho majoritariamente positivo.

    O avanço do El Niño deve intensificar contrastes climáticos: seca severa ameaça lavouras de milho e arroz na América Central, Caribe e Colômbia, enquanto Bolívia, Equador e Peru devem registrar chuvas acima da média. O aumento dos custos de combustíveis e fertilizantes também pressiona o setor, com destaque para a escassez de diesel em Cuba e os preços elevados em países como Bolívia, Peru, Guatemala, Honduras e Nicarágua.

  • Hortitec reúne inovações para o futuro da horticultura

    Hortitec reúne inovações para o futuro da horticultura

    A Hortitec 2026 reunirá 520 empresas brasileiras e estrangeiras para apresentar soluções voltadas à horticultura, cultivo protegido e culturas intensivas. O evento ocorrerá entre os dias 17 e 19 de junho, em Holambra (SP).

    A organização espera receber cerca de 32 mil visitantes. Além disso, a feira projeta movimentar R$ 750 milhões em negócios durante e após o evento.

    As empresas levarão ao público tecnologias voltadas à automação, sustentabilidade, produtividade, rastreabilidade e saudabilidade. Essas áreas concentram os principais desafios enfrentados pelos produtores de hortifrúti no Brasil.

    De olho no consumidor

    O setor também acompanha mudanças no comportamento do consumidor. Atualmente, cresce a procura por alimentos saudáveis, nutritivos e práticos para o dia a dia. Por isso, produtos frescos, higienizados e prontos para consumo ampliam participação na cesta de compras dos brasileiros.

    Entre os destaques da feira, a Embrapa e a Isla Sementes apresentarão novas cultivares de Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs). As variedades Bertalha BRS Tereverde e Caruru Verde BRS Ilekalu combinam valor nutricional, praticidade e apelo visual.

    Nova batata-doce

    A Embrapa Clima Temperado também lançará a batata-doce BRS BC179 Prenda. A cultivar possui alto teor de carotenoides e elevada produtividade.

    Flores

    Na floricultura, a tecnologia ganhará espaço com a Classificadora Inteligente de Flores. A solução utiliza visão artificial e inteligência artificial para classificar, cortar e embalar flores automaticamente. Segundo os expositores, a tecnologia aumenta a eficiência operacional e reduz impactos da escassez de mão de obra no campo.

    O setor também apresentará novas variedades ornamentais. A Bio Plugs exibirá uma Gérbera com flores duplas e gigantes, hastes resistentes e longo ciclo produtivo.

    Outro lançamento será o Girassol sem pólen. O híbrido oferece maior durabilidade, evita sujeira e reduz riscos de alergias respiratórias.

    Hortaliças processadas

    No segmento de hortaliças processadas, empresas apostam em variedades adaptadas ao mercado de produtos frescos e higienizados.

    A Enza Zaden lançará a alface Harumi. A variedade apresenta alta uniformidade e excelente rendimento para processamento.

    Já a Sakata apresentará a alface Bella Folha. A cultivar é a primeira alface crespa desenvolvida especificamente para o mercado de processamento.

    Fertilizantes e defensivos

    No setor de fertilizantes e defensivos, a biotecnologia reforçará a busca por sistemas produtivos mais sustentáveis.

    Entre as novidades, o RadiSanPro se destaca por estimular o desenvolvimento das raízes e fortalecer os mecanismos naturais de defesa das plantas.

    Com lançamentos voltados à eficiência e à sustentabilidade, a Hortitec 2026 reforça seu papel como uma das principais vitrines de inovação para a horticultura brasileira.

     

     

     

     

  • Rússia reconhece status sanitário do Brasil e impulsiona exportações do agro

    Rússia reconhece status sanitário do Brasil e impulsiona exportações do agro

    O agronegócio brasileiro ganhou essa semana mais um aliado estratégico no Leste. A Rússia reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação. O avanço sanitário consolida a confiança internacional no sistema de defesa agropecuária do país e abre espaço para novas categorias de produtos e maior volume de exportações ao mercado russo.

    O movimento não é isolado. A China fez anúncio semelhante no início deste mês, e ambas as decisões seguem a certificação concedida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) em 2025. O contraste com o Ocidente é evidente: enquanto Rússia e China ampliam o acesso ao mercado brasileiro, os Estados Unidos mantêm tarifas elevadas sobre produtos agrícolas do Brasil, e a União Europeia impõe barreiras regulatórias e restrições que dificultam as exportações nacionais, com destaque para as regras sobre desmatamento, que ameaçam travar negócios bilionários.

    Missão oficial percorre três cidades russas

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) enviou uma delegação à Rússia nos últimos dias, com agenda em São Petersburgo, Kirovsk e Moscou. O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, liderou o grupo. Que contou ainda com o adido agrícola do Brasil em Moscou, Marco Túlio Santiago, e o coordenador de Articulação, Rafael Requião.

    A missão começou durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, um dos principais eventos de diálogo econômico da Rússia. Lá, o secretário Luís Rua participou de painéis sobre as relações econômicas entre Brasil, Rússia e os países do Brics. A agenda incluiu reuniões bilaterais com ministros e vice-ministros da Agricultura e da Economia de países como Uruguai, Uzbequistão, Belarus e Vietnã, além de encontros com o setor privado.

    Fertilizantes na pauta: Brasil é mercado prioritário para empresas russas

    A missão também tratou de fertilizantes, insumo estratégico para o agronegócio brasileiro. A delegação visitou a operação de fertilizantes fosfatados da PhosAgro em Kirovsk, localizada nas Montanhas Khibiny, uma das principais regiões produtoras de rocha fosfática da Rússia. No local, conheceu a estrutura de mineração e processamento responsável pela produção de concentrado de apatita, matéria-prima dos fertilizantes fosfatados.

    Além da visita à PhosAgro, a delegação se reuniu com quatro das principais empresas russas do setor. As conversas deixaram clara a percepção de que o Brasil ocupa posição prioritária entre os mercados atendidos pelas companhias russas.

    Moscou avança em cooperação sanitária e habilitação de estabelecimentos

    A etapa final da missão, em Moscou, reuniu a delegação com o Ministério da Agricultura da Federação Russa e o Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária (Rosselkhoznadzor). As reuniões abordaram cooperação sanitária, habilitação de estabelecimentos brasileiros, ampliação das exportações agropecuárias e novas oportunidades comerciais.

    A relação bilateral já acumula avanços recentes. Três estabelecimentos brasileiros de pescado receberam habilitação para exportar ao mercado russo. E a Rússia abriu as portas para as exportações brasileiras de castanhas.

    US$ 10 bilhões e complementaridade econômica

    Em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e Rússia superou, pelo segundo ano consecutivo, a marca de US$ 10 bilhões. A relação se baseia na complementaridade: o Brasil exporta carnes, café e amendoim, enquanto importa fertilizantes e trigo.Esses insumos são essenciais para a produção agrícola nacional.

    Em Moscou, a delegação participou ainda do Brazilian Beef Dinner, promovido pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e pela ApexBrasil, voltado à promoção da carne bovina brasileira junto a importadores russos. O secretário Luís Rua participou também de evento organizado pela Embaixada do Brasil para discutir governança global e o papel dos Brics.

    A atuação coordenada entre o Mapa, o Ministério das Relações Exteriores, a Embaixada do Brasil em Moscou e a ApexBrasil revela uma estratégia deliberada. Diante das barreiras crescentes do Ocidente, o agronegócio brasileiro aposta no Sul Global para sustentar e ampliar suas exportações.

  • Disparada nos fertilizantes ameaça crescimento da agricultura no Brasil

    Disparada nos fertilizantes ameaça crescimento da agricultura no Brasil

    O avanço dos preços dos fertilizantes no mercado internacional começa a comprometer a competitividade do agronegócio brasileiro frente aos Estados Unidos, especialmente em um momento de margens apertadas e aumento dos custos de produção.

    Historicamente beneficiado por terras abundantes e mais baratas, o Brasil expandiu sua área agrícola em cerca de 50% nas últimas décadas, consolidando-se como uma potência global na produção de grãos. Esse crescimento permitiu ao país ganhar espaço em mercados estratégicos, como a China, principalmente após as disputas comerciais envolvendo os Estados Unidos durante os governos de Donald Trump.

    A guerra envolvendo EUA, Israel e Irã provocou um choque no mercado global de fertilizantes. Cerca de um terço do fluxo mundial desses insumos ficou comprometido no Estreito de Ormuz, pressionando os preços para cima.

    Dependente de importações, o Brasil sente o impacto de forma mais intensa. Diferentemente dos Estados Unidos, que produzem grande parte dos fertilizantes que consomem, produtores brasileiros já reduziram compras e enfrentam dificuldades para manter a produtividade.

    Pressão sobre custos e margens

    O aumento nos custos dos insumos chega em um momento delicado. Apesar da alta nos fertilizantes, os preços de commodities como soja e milho não acompanharam o mesmo ritmo, devido à formação de estoques globais elevados.

    A rentabilidade simplesmente não existe neste momento, pois os custos elevados já inviabilizam planos de expansão, mesmo diante de oportunidades de arrendamento.

    Especialistas alertam que o impacto pode ir além do curto prazo. A tendência é de desaceleração no crescimento da área agrícola, com produtores priorizando a redução de custos e o controle do endividamento.

    Solo, tecnologia e desvantagem estrutural

    Outro fator que amplia a vulnerabilidade brasileira é a qualidade do solo. Em muitas regiões, a produtividade depende fortemente do uso contínuo de fertilizantes, devido à degradação causada por anos de expansão sem manejo adequado.

    Nos Estados Unidos, parte dos produtores consegue manter níveis razoáveis de produtividade mesmo reduzindo a aplicação de insumos por uma safra. No Brasil, essa flexibilidade é limitada.

    Além disso, o calendário agrícola amplia a pressão. O plantio da safra de verão no Brasil começa em setembro, período em que os produtores ainda estarão expostos aos preços elevados. Já nos EUA, muitos agricultores haviam adquirido insumos antes da escalada recente. A sazonalidade coloca os produtores norte-americanos em uma posição mais confortável.

    Dependência externa preocupa

    O Brasil segue altamente dependente da importação de fertilizantes, especialmente de produtos como ureia e fosfato diamônico (DAP). Em resposta, a Petrobras iniciou a retomada de unidades de produção, com a meta de atender até 35% da demanda nacional de nitrogenados nos próximos anos. Ainda assim, o alívio deve ser limitado no curto prazo.

    Dados de mercado indicam que produtores brasileiros haviam adquirido apenas cerca de 50% dos fertilizantes necessários para a safra 2026/27 até o fim de maio, abaixo da média histórica superior a 60% para o período. Esse atraso nas compras pode impactar diretamente a produtividade.

    Endividamento e decisões no campo

    Com custos elevados e margens comprimidas, cresce o nível de endividamento entre produtores brasileiros. Analistas apontam que muitos já operam com alavancagem elevada, o que limita novos investimentos. Diante desse cenário, decisões estratégicas começam a mudar.

    Mesmo em caso de uma resolução rápida do conflito no Oriente Médio, a expectativa é que os preços dos fertilizantes permaneçam elevados por pelo menos seis meses, mantendo a pressão sobre o setor.

  • Estados Unidos propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação do USTR

    Estados Unidos propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação do USTR

    Os Estados Unidos propuseram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A medida ainda passa por consulta pública antes de uma decisão final, prevista para julho de 2026.

    O USTR estabeleceu um cronograma para o processo: interessados devem solicitar participação em audiência até 22 de junho. O envio de comentários escritos vai até 1º de julho, e a audiência pública ocorre em 6 de julho. O prazo legal para adoção das medidas termina em 15 de julho.

    Lista de exceções inclui alimentos, fertilizantes e aeronaves

    A proposta inclui uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos ou com oferta insuficiente no mercado americano. Entre os itens isentos estão materiais informativos e doações, além de produtos agrícolas e industriais.

    A lista menciona carnes, frutas, café, chá, especiarias, cereais, sementes e fertilizantes. Também aparecem aeronaves e peças, minerais de terras raras, produtos químicos orgânicos e itens farmacêuticos.

    USTR aponta práticas comerciais e ambientais como justificativa

    O relatório do USTR reúne críticas ao Brasil em diferentes frentes. O documento cita decisões judiciais relacionadas a plataformas digitais, com alegações de ordens sigilosas para remoção de conteúdo político e suspensão de perfis, além de multas e restrições a ativos.

    O órgão também questiona regras de pagamento eletrônico e aponta suposto favorecimento a empresas locais.

    Etanol, acordos comerciais e reciprocidade entram no radar

    Os Estados Unidos também criticam acordos preferenciais firmados pelo Brasil com países como México e Índia. Segundo o USTR, o Brasil aplica tarifas menores a centenas de produtos desses parceiros sem oferecer tratamento equivalente aos EUA.

    O relatório destaca ainda o setor de etanol. O órgão afirma que, desde 2017, o Brasil não mantém reciprocidade no acesso ao mercado.

    Outros pontos levantados incluem desmatamento ilegal, propriedade intelectual e combate à corrupção. O USTR avalia que o Brasil não aplica de forma eficaz sua legislação ambiental.

    O documento também critica a demora do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) na análise de patentes. E aponta falhas no enfrentamento a práticas de suborno e corrupção.

    A Amcham Brasil emitiu uma nota oficial agora pela manhã

    Nota

    O relatório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), publicado em 1º de junho no âmbito da investigação da Seção 301 envolvendo práticas comerciais do Brasil, recomenda, em caráter preliminar, a aplicação de tarifas adicionais de 25% sobre determinados produtos brasileiros. Caso confirmadas, essas medidas aumentarão custos, reduzirão a competitividade e criarão obstáculos ao comércio e aos investimentos bilaterais.

    Ao mesmo tempo, o relatório reconhece os avanços do diálogo entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, intensificado nas últimas semanas após o encontro entre os presidentes dos dois países em 7 de maio, e sinaliza interesse na continuidade das negociações até a decisão final prevista para 15 de julho. Trata-se de uma janela concreta para a busca de soluções que possam evitar ou revisar as medidas tarifárias propostas.

    “O relatório não é final e reforça que ainda há tempo para evitar a adoção de novas tarifas. O setor empresarial espera que os dois governos intensifiquem seus esforços nas próximas semanas e alcancem uma solução que enderece as questões em discussão, preservando as condições necessárias para a evolução do comércio e dos investimentos nos dois países”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

    A Amcham acompanha também a expectativa de divulgação, nos próximos dias, do relatório de outra investigação conduzida pelos Estados Unidos sob a Seção 301, relacionada a importações de produtos elaborados com trabalho forçado, que poderá resultar em tarifas adicionais para cerca de 60 países, incluindo o Brasil.

    Nesse contexto, torna-se ainda mais relevante buscar uma solução negociada na investigação 301 envolvendo o Brasil, de forma a evitar um tratamento tarifário mais oneroso para as exportações brasileiras no mercado norte-americano em relação a seus concorrentes de outros países.

    A Amcham Brasil permanece à disposição para contribuir com a continuidades das negociações e apoiar iniciativas que fortaleçam a parceria econômica entre Brasil e Estados Unidos.

  • Consumo de fertilizantes sobe 9,3% e bioinsumos avançam no agro brasileiro

    Consumo de fertilizantes sobe 9,3% e bioinsumos avançam no agro brasileiro

    O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com avanço expressivo no uso de fertilizantes e forte expansão dos bioinsumos, consolidando uma mudança estrutural na gestão de insumos agrícolas. Dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) mostram que o consumo de fertilizantes alcançou 35,86 milhões de toneladas entre janeiro e setembro, alta de 9,3% em relação ao mesmo período de 2024.

    O desempenho mantém o Brasil como o quarto maior mercado global de fertilizantes, atrás de China, Índia e Estados Unidos, respondendo por cerca de 8% da demanda mundial.

    A expansão acompanha o crescimento da produção agrícola. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a safra de grãos atingiu 346,1 milhões de toneladas em 2025, ante 292,5 milhões no ano anterior. Soja, milho e cana-de-açúcar concentram mais de 70% do consumo de fertilizantes, refletindo o peso dessas culturas na produção nacional.

    O aumento da demanda também elevou as importações, que somaram 43,32 milhões de toneladas no ano. Esse cenário evidencia a dependência externa do setor e pressiona produtores a buscar alternativas que aumentem a eficiência no uso dos insumos.

    Bioinsumos

    Nesse contexto, os bioinsumos ganham espaço no campo. O mercado movimentou R$ 6,2 bilhões em 2025 e atingiu 194 milhões de hectares tratados, crescimento de 28% em relação ao ano anterior, segundo a CropLife Brasil.

    Os inoculantes lideram a adoção, com presença em 77 milhões de hectares. Compostos por bactérias fixadoras de nitrogênio, esses produtos reduzem a necessidade de adubação nitrogenada e contribuem para sistemas produtivos com menor emissão de carbono. Já os bionematicidas registraram o maior avanço, com crescimento de 60% na área tratada entre 2024 e 2025.

    Especialistas apontam que os bioinsumos deixaram de ocupar papel complementar e passaram a integrar a estratégia produtiva. A adoção reflete tanto a evolução tecnológica quanto a busca por redução de custos em um cenário de crédito mais restrito e margens pressionadas.

    Segundo Fellipe Parreira, da GIROAgro, a dependência de insumos importados expõe o produtor às oscilações geopolíticas e cambiais. “Os bioinsumos mudam essa equação porque são desenvolvidos no país e reduzem a exposição ao mercado externo”, afirma.

    Ele destaca que o ganho econômico também impulsiona a adoção. “Tecnologias biológicas aumentam a eficiência do sistema produtivo, como bactérias que fixam nitrogênio e soluções que ampliam a disponibilidade de fósforo no solo. No entanto, o melhor resultado vem do equilíbrio entre insumos químicos e biológicos”, explica.

  • El Nino pode desacelerar agropecuária até 2027, mesmo com avanço do PIB do Brasil

    El Nino pode desacelerar agropecuária até 2027, mesmo com avanço do PIB do Brasil

    Após iniciar o ano em alta, a agropecuária brasileira tende a perder força nos próximos meses e pode entrar em trajetória de desaceleração até 2027. O cenário é pressionado principalmente pelo risco de perdas nas colheitas associadas ao fenômeno El Nino, além do aumento dos custos de produção, especialmente dos fertilizantes.

    Segundo o economista Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro, o comportamento climático deve impactar diretamente o desempenho das safras. “Não se faz safra recorde em ano de El Nino”, afirma.

    Além disso, Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócios, lembra que eventos anteriores servem de alerta ao setor produtivo.

    “O último El Nino de grande intensidade, semelhante ao que se espera para este ano, foi o de 2014 e 2015. Para os produtores, ele deixou uma péssima lembrança, já que o país enfrentou a maior quebra de safra de sua história”, destaca.

    O fenômeno climático, por sua vez, provoca efeitos diferentes no território nacional, já que causa secas intensas no Centro-Norte e, em contrapartida, chuvas mais fortes no Sul. Dessa forma, há alta probabilidade de formação entre junho e julho. Se confirmado, o evento pode atrasar o plantio e reduzir as colheitas previstas para 2027.

    El Niño pode se consolidar já nas próximas semanas, alertam especialistas — Foto: Curiosity/CuriosityonX/X

    Para Cogo, o impacto tende a ser amplo sobre diferentes culturas.

    “Praticamente não existe cultivo que não seja vulnerável ao El Nino. Como o Brasil tem dimensões continentais e a produção agrícola está espalhada por todo o país, algumas regiões sofrem com secas intensas e outras com chuvas excessivas”, ressalta.

    PIB do Brasil cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026

    Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados nesta sexta-feira (29) pelo IBGE mostram que a economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com os três últimos meses de 2025. Além disso, em valores correntes, o PIB alcançou R$ 3,3 trilhões no período.

    O resultado indica aceleração em relação ao quarto trimestre de 2025, quando a alta foi de 0,3%. Dessa forma, trata-se do maior avanço trimestral desde o primeiro trimestre do ano anterior, quando a economia havia crescido 1,3%.

    Agro lidera avanço econômico

    De acordo com o IBGE, os setores que mais contribuíram para o crescimento foram a agropecuária, a indústria extrativa mineral e outras atividades de serviços. Assim, o campo volta a se destacar como um dos principais motores da economia brasileira.

  • Câmara aprova R$ 10 bilhões para indústria de fertilizantes

    Câmara aprova R$ 10 bilhões para indústria de fertilizantes

    A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 699/23, que destina até R$ 10 bilhões em subsídios ao longo de cinco anos para fábricas de fertilizantes que construam novas plantas no Brasil ou expandam e modernizem as já existentes. O benefício chega na forma de crédito fiscal sobre tributos federais. Por sofrer alterações em relação ao texto original do Senado, o projeto retorna àquela Casa para nova apreciação.

    O relator, deputado Junior Ferrari (PSD-PA), propôs o substitutivo aprovado. Segundo ele, a medida é estratégica para o setor de insumos agropecuários. “O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo e importamos cerca de 85% a 90% dos fertilizantes. Corremos um risco de falta de alimentos no Brasil e no mundo. É uma questão econômica, mas, muito mais, de segurança alimentar”, afirmou.

    Como funciona o Profert

    O Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) operará entre 2027 e 2031, com limite de R$ 2 bilhões anuais em créditos fiscais. Valores não utilizados em um ano podem migrar para o exercício seguinte. O Poder Executivo definirá quais projetos terão acesso aos benefícios.

    Podem participar empresas que produzam fertilizantes sintéticos ou minerais, matérias-primas, bioinsumos, biofertilizantes e remineralizadores. A habilitação depende de aprovação prévia no Ministério da Agricultura.

    A concessão de créditos ocorre por procedimento concorrencial e se limita a 20% dos gastos da empresa com produção no Brasil. Os créditos equivalem a contribuições da CSLL e servem para compensar débitos tributários ou pedir ressarcimento em dinheiro.

    Empresas que não implementarem o projeto aprovado pagam multa de 20% do valor liberado e devolvem os créditos utilizados.

    Critérios de seleção

    Para receber os benefícios, as empresas precisam cumprir requisitos ambientais e sociais, entre eles a adoção de tecnologias para reduzir ou neutralizar emissões de gases de efeito estufa, apoio a iniciativas de desenvolvimento local e inclusão social, transparência com comunidades afetadas e melhoria na eficiência energética.

    O texto também isenta o Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) entre 2027 e 2031 para cargas destinadas a projetos do Profert, com limite anual de R$ 200 milhões e teto de R$ 1 bilhão no período total.

    Para viabilizar os investimentos, a União pode criar o Fundo de Estímulo à Produção Nacional de Fertilizantes (FPNF), que poderá conceder garantias para empréstimos, investir em dívida estruturada com equalização de juros e apoiar pesquisas.

    O BNDES também recebe recursos da União para oferecer linhas de crédito às empresas habilitadas no Profert, cobrindo modernização de plantas industriais, pesquisa e desenvolvimento e infraestrutura logística. Tanto o BNDES quanto bancos habilitados assumem integralmente os riscos dos empréstimos.

    Medida emergencial para 2026

    Em razão da alta nos preços de fertilizantes com fornecimento principal pelo Irã, o projeto libera até R$ 1 bilhão em créditos já em 2026. Produtores e importadores que deduzem o valor do crédito no preço de venda — com indicação em nota fiscal — podem acessar esse benefício. A condição é manter o mesmo nível de empregados dos três meses anteriores à vigência da lei.

    O Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert) definirá percentuais mínimos de fertilizantes nacionais na composição dos produtos comercializados no Brasil. A meta começa em 2%, com crescimento gradual até 10% em 2037. O conselho também monitorará os resultados do Profert anualmente.

    Críticas

    O líder do Novo, deputado Gilson Marques (SC), contestou a mistura obrigatória: “Isso não tem sentido, nem por ser obrigatória, nem nacional. Tem de ser feita da melhor forma, livre e mais barata.”

    Já o deputado Chico Alencar (Psol-RJ) questionou a abordagem do projeto, que classifica como uma “velha solução” de renúncia fiscal. Para ele, os gargalos reais estão na baixa disponibilidade de gás natural e na precária capacidade logística do país.