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  • Palmeiras da Amazônia armazenam duas vezes mais água que eucalipto e mogno, revela pesquisa

    Palmeiras da Amazônia armazenam duas vezes mais água que eucalipto e mogno, revela pesquisa

    As palmeiras amazônicas (Arecaceae) armazenam duas vezes mais água do que árvores dicotiledôneas como ipê, mogno e eucalipto. A descoberta integra um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, vinculado ao Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças Climáticas (CBioClima).

    A professora Thaise Emilio, da Unesp e coordenadora do projeto, apresentou resultados preliminares da pesquisa durante o Fórum Brasil-França “Florestas, Biodiversidade e Sociedades Humanas”, realizado entre 1º e 2 de outubro no auditório da FAPESP. “As palmeiras funcionam como grandes reservatórios ou caixas d’água da floresta”, afirmou a pesquisadora.

    Dominância das palmeiras na floresta amazônica

    Apesar de representar apenas uma entre 171 famílias de plantas arborescentes na Amazônia, as palmeiras dominam a paisagem florestal tanto no dossel quanto no sub-bosque. Os cientistas levantam a hipótese de que populações humanas antigas domesticaram essas plantas há milhões de anos durante a ocupação e manejo da região.

    “Ainda debatemos se os humanos enriqueceram a Amazônia com palmeiras ou se escolheram viver na floresta justamente pela abundância dessas plantas úteis, que possuem grande importância econômica”, explicou Emilio.

    Thaise Emílio, professora da Unesp, coordenadora do projeto e pesquisadora associada ao CBioClima: apesar de ser apenas uma entre 171 famílias de plantas arborescentes na Amazônia, as palmeiras são extremamente dominantes na floresta, tanto no dossel como no sub-bosque. Foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP

    Atualmente, cerca de 75% da produção brasileira de produtos florestais não madeireiros provém de palmeiras. O açaí (Euterpe oleracea) sozinho responde por 50% desse total.

    Capacidade única de retenção hídrica

    Desde 2017, Emilio colabora com pesquisadores do Soleil Síncrotron, de Paris, e da Universidade de Bordeaux para analisar a resistência do xilema das palmeiras à embolia induzida pela seca. O xilema constitui o tecido vascular que transporta água e sais minerais das raízes para o restante da planta.

    Os cientistas utilizaram o acelerador circular de partículas do Soleil Síncrotron para investigar seis espécies de palmeiras das subfamílias Arecoideae e Coryphoideae. A tecnologia permite examinar a composição e estrutura da matéria em escala molecular.

    “Constatamos que as palmeiras apresentam vulnerabilidade à seca similar a outras angiospermas ou gimnospermas. Porém, elas concentram mais água dentro dos troncos e conseguem mobilizar esse recurso, tornando essa a estratégia mais importante para minimizar os riscos de embolia”, detalhou a pesquisadora.

    Palmeiras retêm até 70% de água em seus troncos

    Pesquisadores da Universidade de Edimburgo, na Escócia, participaram de monitoramentos recentes que revelaram dados surpreendentes. Enquanto árvores dicotiledôneas armazenam no máximo 50% de seu volume em água, as palmeiras retêm até 70%. Durante períodos secos, essas plantas reservam ainda mais água do que nas estações chuvosas.

    “Isso gera enormes impactos na biodiversidade da floresta amazônica, que ainda precisamos estimar”, afirmou Emilio.

    Durante expedições na floresta em períodos de seca, a equipe observa que apenas as palmeiras produzem frutos. “Só elas dão frutos nessas épocas de seca. Isso mantém a alimentação dos animais e dos humanos que dependem desses recursos. Uma das hipóteses para explicar essa capacidade é justamente o funcionamento diferenciado dessas plantas, que armazenam mais água”, explicou a cientista.

    Mudanças climáticas ameaçam serviço ecossistêmico

    O serviço ecossistêmico prestado pelas palmeiras enfrenta ameaças devido ao declínio de espécies associadas a climas úmidos. A intensificação do ciclo hidrológico, marcada por secas e estações chuvosas mais extremas, compromete a abundância dessas plantas. “Isso terá um impacto muito importante para a dinâmica da floresta”, alertou Emilio.

    Um estudo em andamento avalia através de modelagem o risco de morte de palmeiras em diferentes ambientes e condições climáticas. Os resultados preliminares indicam que essas plantas morrem duas vezes mais do que outras árvores. “A combinação de anos chuvosos e secos está causando uma mudança na dinâmica e nas características de regiões da floresta”, concluiu a pesquisadora.

    Cooperação Brasil-França fortalece pesquisas ambientais

    O Museu Nacional de História Natural (MNHN) da França, a Universidade de São Paulo (USP) e a FAPESP organizaram o fórum que integrou a Temporada França-Brasil 2025. A programação celebra os 200 anos de relações diplomáticas entre os países.

    Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, destacou que a Amazônia Legal ocupa aproximadamente 4 milhões de quilômetros quadrados do Brasil, área equivalente a 40% do tamanho da Europa. A floresta também se estende ao território da Guiana Francesa.

    “Brasileiros e franceses compartilham a responsabilidade sobre essa floresta, uma das maiores reservas da biodiversidade do planeta. Portanto, seu destino pode determinar, em grande parte, o destino da humanidade”, avaliou Zago.

    O presidente do MNHN, Gilles Bloch, reforçou o compromisso da instituição com as questões ambientais. “Os desafios ambientais compartilhados pela França e pelo Brasil são muito sérios. Este fórum reforça a tradição de colaboração que existe entre nós e a USP”, afirmou.

    USP anuncia construção da Praça dos Museus

    A vice-reitora da USP, Maria Arminda do Nascimento Arruda, anunciou o projeto de construção da Praça dos Museus da USP, que reunirá acervos dos museus de Zoologia (MZ-USP) e de Arqueologia e Etnologia (MAE-USP).

    “A Universidade de São Paulo possui acervos museológicos ímpares e coleções científicas e culturais entre as maiores do mundo. Estamos construindo um novo espaço, com um projeto notável do arquiteto Paulo Mendes da Rocha. Esse novo museu será uma referência para toda a cidade, para o país e para o mundo”, destacou a vice-reitora.

    Por Elton Alisson | Agência FAPESP

  • Espécie de rã-foguete extinta é descrita a partir de único exemplar, guardado em museu há 62 anos

    Espécie de rã-foguete extinta é descrita a partir de único exemplar, guardado em museu há 62 anos

    Quem anda hoje pelo bairro Tarumã, em Curitiba, entre prédios, um autódromo e o maior shopping center da capital paranaense, pode ter dificuldade em imaginar riachos, campos abertos e áreas alagadas. Mas, nos anos 1960, a área abrigou uma biodiversidade desconhecida. Em um estudo apoiado pela FAPESP, pesquisadores descreveram uma espécie de rã-foguete que viveu naquela área e que, apesar de nova para a ciência, provavelmente está extinta na natureza.

    No estudo publicado na revista Zootaxa, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Smithsonian Institution, nos Estados Unidos, descreveram a nova espécie, nomeada como Dryadobates erythropus, a partir de um único exemplar coletado pela herpetóloga norte-americana Doris M. Cochran (1898-1968) em 1963, durante visita ao Brasil com a entomóloga Doris H. Blake (1892-1978).

    O único exemplar conhecido do sapinho, bastante ressecado, está depositado no acervo do Museu Nacional de História Natural da Smithsonian Institution (NMNH-SI), em Washington, nos Estados Unidos, onde Cochran trabalhou por quase 50 anos.

    Provavelmente extinta

    A nova espécie, cujo indivíduo tem cerca de 14 milímetros de comprimento, é considerada “provavelmente extinta”, pois não teve outros exemplares encontrados na natureza nem depositados em museus de história natural. Ela faz parte do gênero recentemente descrito Dryadobates, que tem pelo menos 13 espécies, sendo sete já descritas, quatro delas extintas entre os anos 1960 e 1980 (leia mais em: agencia.fapesp.br/55121).

    “As espécies viventes desse gênero são de sapinhos diurnos, bastante abundantes, que seriam fáceis de encontrar na natureza. Dado que o hábitat da D. erythropus foi destruído e que nenhum outro espécime foi coletado em levantamentos extensivos, em diversas localidades de São Paulo e Paraná ao longo dos últimos 60 anos, é mais provável que esteja extinta”, explica Taran Grant, professor do Instituto de Biociências (IB) da USP e primeiro autor do estudo.

    O pesquisador assina o trabalho com Paulo Durães Pereira Pinheiro, atualmente pesquisador no NMNH-SI, que teve bolsa de pós-doutorado da FAPESP até 2023.

    Dryadobates vem de Dryades, uma ninfa da mitologia grega, nome que o naturalista von Martius deu à Mata Atlântica em sua obra Flora Brasiliensis. O sufixo “bates” quer dizer “aquele que anda”. Erythropus é uma referência a “pé vermelho”, como eram apelidados os trabalhadores rurais que trabalhavam descalços na terra avermelhada característica do norte do Paraná.

    Outras três espécies do gênero já haviam sido nomeadas em referência ao Estado onde foram encontradas: D. alagoanus, D. carioca e D. capixaba, as últimas duas aparentemente extintas.


    Dryadobates bokermanni, que vive no sul da Bahia, é uma das sete espécies descritas do mesmo gênero, que pode ter 13 no total (foto: Taran Grant/IB-USP)

    Diário de campo

    Para assegurar a localidade exata em que o sapinho foi coletado, Grant teve de recorrer a outros registros além do que estava escrito em uma etiqueta presa ao animal. A Smithsonian Institution, à qual o museu é vinculado, possui um grande arquivo dedicado aos seus pesquisadores.

    No material referente a Cochran, Grant encontrou seu diário de viagem pelo Brasil. O documento se mostrou essencial para certificar a localidade do animal. “Por conta do que conhecíamos da distribuição desse grupo, quando vimos a referência a Curitiba pensamos que ela poderia ter se confundido com algum animal coletado no Rio de Janeiro, onde esteve antes”, diz Grant.

    No entanto, as características do animal não condizem com os que Cochran descreve como tendo coletado em uma lagoa e suas margens no Rio de Janeiro. Em contraste, as anotações sobre Tarumã de 9 de janeiro de 1963 são bem claras ao contar que dois sapos foram capturados em um “grande campo cheio de formigueiros e moitas mastigadas por vacas”.

    A localidade do sapinho descrito agora está cerca de 550 quilômetros ao sul da espécie mais próxima, D. olfersioides, de Angra dos Reis, também extinta. A grande distância sugere que houve outras populações do gênero entre essas duas localidades, fossem das espécies descritas ou de extintas que talvez nunca sejam conhecidas.

    Museômica e DNA histórico

    Entre as sete espécies de Dryadobates formalmente descritas até agora, três só se tornaram conhecidas graças ao uso do chamado DNA histórico (hDNA). Em alguns casos, a técnica pode recuperar material genético mesmo de animais conservados em museus há mais de 100 anos.

    Como parte de seu projeto apoiado pela FAPESP, que possibilitou a instalação de um laboratório para esse tipo de análise na USP, Grant tentou extrair hDNA do sapinho coletado por Doris Cochran em 1963. Sem sucesso.

    “O curador do museu onde o exemplar está depositado nos autorizou a retirar um pequeno pedaço de tecido para extração de DNA, mas não conseguimos encontrar material genético de sapo em quantidade suficiente, apenas contaminação de DNA humano e de bactérias”, conta.

    Por conta do estado de conservação do exemplar, o pesquisador acredita que o animal morreu antes de ser fixado em álcool, ainda no saco de coleta. Essa hipótese é reforçada pela presença de areia aderida à pele do sapinho. Portanto, o DNA provavelmente começou a se degradar muito antes do que se fosse conservado em álcool, que preserva moléculas que podem ser identificadas depois.

    Recuperação de DNA

    As técnicas de museômica, como são chamadas, permitem recuperar trechos de DNA que tenham a partir de 20 nucleotídeos, que depois são combinados para montar sequências maiores. O DNA do sapinho ressecado de Cochran, porém, está tão degradado que não foi possível identificar trechos maiores do que 20 nucleotídeos, impossibilitando sua identificação molecular. “Quem sabe, com o avanço da tecnologia, essa identificação genética possa ser feita no futuro”, diz o pesquisador.

    Mesmo sem os dados genéticos, os autores apontam características na morfologia que diferenciam o animal de seus parentes mais ao norte, permitindo classificá-lo como uma nova espécie.

    Para Grant, além de ser mais um alerta para a necessidade de amostrar constantemente as áreas naturais e protegê-las, o trabalho é importante por relembrar as figuras históricas de Doris Cochran e Doris Blake, duas mulheres cientistas que viajaram o mundo e trouxeram grandes contribuições para seus campos de pesquisa. “Não fossem elas, não saberíamos que um dia tivemos essa espécie”, encerra Grant.

    Por André Julião | Agência FAPESP

  • Descoberto ‘vírus gigante’ no Pantanal

    Descoberto ‘vírus gigante’ no Pantanal

    Pesquisadores identificaram nas águas do rio Paraguai um novo vírus, considerado o maior com cauda já descrito pela ciência. Batizado Naiavírus, o “gigante microscópico” mede cerca de 1.350 nanômetros (nm) – os comuns medem entre 20 e 200 nm.

    Muito diferente dos patógenos que provocam doenças em humanos, como o da gripe ou o coronavírus, o Naiavírus infecta apenas amebas. Além do tamanho fora do comum, tem um corpo envolto por uma espécie de “manto” e uma cauda flexível que se dobra e se alonga, funcionando como uma ferramenta para se aproximar das amebas e facilitar a infecção.

    O novo vírus tem um genoma imenso: quase 1 milhão de pares de bases de DNA. Muitos genes não têm semelhança com nada já registrado pela ciência, com funções que antes se acreditava só existirem em células complexas, como bactérias e eucariotos.

    Alguns lembram proteínas de plantas. Isso indica que podem estar envolvidos em processos evolutivos que a ciência nem começou a entender. Sua descrição foi publicada  na revista científica Nature Communications em 17 de setembro.

    Participantes da pesquisa

    Jônatas Abrahão, do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, liderou o trabalho com apoio da FAPESP. Além do grupo da UFMG, participaram da investigação pesquisadores do Laboratório Nacional de Biociências do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (LNBio-CNPEM), das universidades Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Estadual Paulista (Unesp), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Virginia Tech (EUA) e do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP).

    Segundo os cientistas responsáveis pela descoberta, as proteínas do supervírus são originárias de uma divergência muito antiga, próxima do surgimento da vida na Terra. “Elas podem abrir portas inéditas de pesquisa e ser usadas para produzir fármacos e enzimas de interesse biotecnológico”, disse à Assessoria de Imprensa do IFSC-USP, Otavio Thiemann, um dos autores do estudo. “Além disso, podem contribuir para esclarecer questões fundamentais da biologia, como o processo de eucariogênese, a formação de núcleos em células eucarióticas primitivas”, salientou.

    O grupo de pesquisa analisou 439 amostras de água até encontrar sinais do vírus em uma delas, coletada no município de Porto Murtinho (MS).

    O artigo  esa disponível aqui.

    Agência Fapesp

  • Microrganismos da Amazônia revelam potencial agrícola e farmacêutico

    Microrganismos da Amazônia revelam potencial agrícola e farmacêutico

    Um estudo desenvolvido na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), campus de Piracicaba, revelou o potencial de microrganismos isolados da floresta amazônica na promoção do crescimento de plantas, no controle de doenças agrícolas e na descoberta de compostos bioativos inéditos.

    A pesquisa explorou actinobactérias, um grupo de bactérias conhecido pela rica produção de metabólitos com aplicações agrícolas e farmacêuticas.

    De autoria da bióloga Naydja Moralles Maimone, a pesquisa foi financiada pela FAPESP e realizada no Laboratório de Microbiologia Agrícola e Química de Produtos Naturais, sob orientação da professora Simone Lira.

    O projeto reuniu pesquisadores da Esalq, da USP de São Carlos e da Simon Fraser University, do Canadá. “As actinobactérias estudadas foram isoladas de solos amazônicos e estavam armazenadas no Laboratório de Genética de Microrganismos da Esalq. Destacamos o caráter interdisciplinar desse estudo, que englobou diferentes áreas da microbiologia, genética e química orgânica”, conta Maimone à Assessoria de Imprensa da Esalq.

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    O estudo utilizou técnicas avançadas de metabolômica e genômica, revelando como o microbioma amazônico é uma fonte ainda pouco explorada de inovação para a agricultura sustentável.

    Duas das linhagens avaliadas se destacaram. A Streptomyces sp. AM25 demonstrou forte potencial como bioinsumo agrícola, promovendo o crescimento de plantas de milho e inibindo fungos que atacam culturas como soja, milho e tomate. A Streptantibioticus sp. AM24 surpreendeu por produzir compostos inéditos, como duas novas acidifilamidas, tripeptídeos (um tipo de peptídeo composto por três aminoácidos) com estruturas químicas não usuais, uma delas contendo uma modificação que ainda não havia sido descrita anteriormente em metabólitos originados de microrganismos.

    Por Agencia Fapesp

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  • Pesquisadores aproveitam algas na fabricação de matéria-prima para construção civil

    Pesquisadores aproveitam algas na fabricação de matéria-prima para construção civil

    Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma argila cerâmica mais leve que a normalmente utilizada na construção civil graças à adição de algas do gênero Sargassum no processo de fabricação.

    Comuns na região central do oceano Atlântico, essas algas marrons – também conhecidas como sargaço – têm se deslocado em grandes quantidades para praias do Caribe, dos Estados Unidos e da região Norte brasileira, onde tornaram-se um problema. Seu acúmulo nas praias pode trazer efeitos nocivos à saúde humana por causa dos gases emitidos durante a decomposição, além de prejudicar o turismo, a pesca e a biodiversidade local.

    “Normalmente, o sargaço é coletado e descartado em aterros sanitários sem qualquer uso prático. Por isso, decidimos pesquisar uma forma de aproveitar essa grande quantidade de biomassa nas praias”. É o que conta João Adriano Rossignolo, professor do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA-USP), que coordenou o estudo.

    Em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o grupo da USP testou o uso da alga na fabricação de argilas cerâmicas, utilizadas na construção civil para diminuir o peso do concreto, em lajes para melhorar o conforto térmico e na jardinagem. A investigação contou com apoio da FAPESP.

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    O sargaço foi incorporado às amostras nas proporções de 20% e 40% – e também 0%, para comparação. Em seguida, as amostras foram moldadas e sinterizadas (processo que compacta a argila por calor, tornando-a sólida) a temperaturas de 800 °C, 900 °C e 1.000 °C em fornos convencionais e de micro-ondas.

    Com os materiais prontos, foram realizados diversos ensaios para avaliar fatores como absorção de água, porosidade e resistência à compressão. Além disso, foi feita uma comparação entre o ciclo de vida (metodologia que avalia os impactos ambientais de um produto desde a extração da matéria-prima até o descarte final) da argila expandida convencional e das diferentes formulações acrescidas de sargaço.

    Resultados

    Os resultados, publicados no Journal of Materials in Civil Engineering, indicam que a adição de sargaço levou a uma redução na densidade aparente dos agregados de argila cerâmica leve, especialmente na concentração de 40%. No entanto, apenas os materiais sinterizados em forno de micro-ondas atenderam aos requisitos de resistência para todas as temperaturas. Quanto ao ciclo de vida, as versões com sargaço apresentaram melhor desempenho ambiental em comparação à argila expandida comum.

    Isso levou os pesquisadores a concluir que os agregados de argila cerâmica leve com sargaço sinterizado em forno micro-ondas são uma alternativa viável para mitigar os prejuízos provocados pela grande quantidade da alga no litoral, com consumo reduzido de recursos naturais e maior eficiência energética.

    Material é usado para diminuir o peso do concreto, para melhorar o conforto térmico em lajes e em jardinagem. Foto: João Adriano Rossignolo/FZEA-USP

    Além desse trabalho, a equipe avaliou a viabilidade de usar a alga na produção de painéis particulados, destinados à indústria de móveis e à construção civil. E em telhas de fibrocimento, colocando as cinzas de sargaço como substitutas do calcário. “Os resultados foram surpreendentes, pois conseguimos usar 30% de sargaço nos painéis e substituir 100% do calcário com as suas cinzas. Com resultados que atendem plenamente às normas vigentes para esses produtos e melhoram a durabilidade e as propriedades mecânicas dos materiais”, diz Rossignolo.

    O artigo Life cycle assessment of lightweight ceramic clay aggregates sintered in a microwave oven with the incorporation of Sargassum spp. particles pode ser lido em: https://ascelibrary.org/doi/10.1061/JMCEE7.MTENG-20224.

    Por Thais Szegö | Agência FAPESP

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  • Sabesp aumenta 17% produção de fertilizante orgânico feito com lodo

    Sabesp aumenta 17% produção de fertilizante orgânico feito com lodo

    A Sabesp expandiu sua capacidade de produção de fertilizante orgânico em 17%. A empresa transforma lodo de esgoto tratado em adubo agrícola através do projeto Sabesfértil, desenvolvido em parceria com a Unesp e a Fapesp.

    O complexo da ETE Lageado, localizado no campus da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp em Botucatu, opera a 270 km da capital paulista. A unidade processa cerca de 15 m³ de resíduo diariamente. Cada lote de fertilizante leva entre 45 e 60 dias para ficar pronto e rende aproximadamente 600 toneladas.

    Expansão aumenta produção em 100 toneladas

    A ETE Lageado agora recebe resíduos de três estações adicionais. Os municípios de Águas de São Pedro, Conchas e Dourado contribuem com lodo que aumenta a produção em 100 toneladas por lote. Com essa ampliação, cada ciclo produtivo alcança 700 toneladas de fertilizante.

    O adubo orgânico atende as plantações do curso de Ciências Agronômicas da Unesp e as áreas verdes do campus. Agricultores podem aplicar o produto em diversos tipos de culturas. O fertilizante não deve ser usado em hortaliças, cultivares inundados, pastagens ou culturas onde a parte comestível toca o solo.

    Sustentabilidade guia projeto inovador

    “O que move a Sabesp é o seu compromisso pela busca constante por práticas cada vez mais sustentáveis em nossos processos”, explica Ivana Vidal, diretora de Tratamento de Esgoto da Sabesp. A ETE Lageado conquistou selo verde de sustentabilidade ambiental pela produção do fertilizante orgânico.

    Equipamento calha-esteira usado na produção de fertilizante – Foto: Divulgação Sabesp

    A empresa realiza estudos para replicar a iniciativa em outras estações do estado. Os técnicos identificam unidades com condições de produzir o fertilizante próximas a mercados consumidores e áreas com atividade agropecuária intensa.

    Composto rico elimina patógenos

    O Sabesfértil apresenta alta concentração de matéria orgânica e contém macronutrientes essenciais como nitrogênio, fósforo e potássio. O adubo melhora a capacidade de retenção de água do solo e favorece a troca catiônica.

    Roberto Lyra Villas-Bôas, professor titular da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, coordena os estudos científicos sobre o fertilizante. A Sabesp e a Fapesp dividem os custos da pesquisa. O trabalho comprova a eficácia do processo de compostagem que elimina organismos patogênicos e potencializa nutrientes benéficos.

    “A energia gerada pela atividade microbiana e pela ação de microorganismos naturais se converte em calor”, detalha o professor Lyra. A temperatura do material atinge 80°C durante o processo biológico. Essa transformação converte o lodo numa substância similar à terra, chamada de matéria orgânica compostada.

    Benefícios ambientais e econômicos

    A conversão do lodo de esgoto em fertilizante evita o descarte em aterros sanitários. O processo regenera o solo através da incorporação de matéria orgânica e nutrientes. A prática atende aos princípios da economia circular, previne contaminação ambiental e reduz gastos com logística.

    “Estamos diante de uma nova era do saneamento, em que resíduos podem se transformar em solução”, afirma Rachel Sampaio, diretora de Sustentabilidade da Sabesp. Segundo ela, o Sabesfértil simboliza o potencial transformador da empresa ao conectar inovação, ciência e cuidado com a terra.

    Controle de qualidade garante segurança

    A unidade de armazenamento recebe o produto final e o separa em lotes. Técnicos caracterizam qualitativamente cada lote conforme seu potencial agronômico, grau de higienização e estabilização. O fertilizante possui registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

    Laboratórios da universidade realizam exames que atestam a eficácia e viabilidade técnica do adubo. “Análises são feitas ao longo dos 45 dias de duração da compostagem para mensurar a redução dos microrganismos patogênicos”, conta o professor Lyra. O aumento de temperatura durante o processo elimina os patógenos e garante a qualidade do fertilizante sem riscos à saúde pública.

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  • Safra de laranja 2025/26 cresce e SP reforça apoio à citricultura

    Safra de laranja 2025/26 cresce e SP reforça apoio à citricultura

    O Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) anunciou a estimativa para a safra de laranja 2025/26 no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro, com previsão de 314,60 milhões de caixas de 40,8 kg. O volume cresceu 36,2% em relação à safra anterior, afetada por condições climáticas adversas.

    São Paulo mantém sua liderança global no setor, sendo responsável por cerca de 80% da produção nacional de laranja e por 90% do suco de laranja processado no país. A cadeia produtiva movimenta mais de US$ 3 bilhões ao ano e gera aproximadamente 200 mil empregos diretos e indiretos. Em 2024, o grupo de sucos respondeu por 9,6% das exportações do agronegócio paulista. Totalizando R$ 17,78 bilhões, com o suco de laranja representando 98,1% desse valor.

    Estado amplia combate ao greening e investe em pesquisa

    Para fortalecer o setor, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo lançou a linha de crédito “Combate ao Greening”, destinando mais de R$ 6 milhões para 32 produtores em 2024. O objetivo é apoiar medidas preventivas e de controle contra a doença, que representa uma das principais ameaças aos pomares paulistas.

    Além do crédito, a Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) intensifica ações de fiscalização, orientação técnica e defesa sanitária vegetal. Em 2024, as equipes de fiscalização do HLB (greening) realizaram 1.743 ações e retiraram mais de 4,5 milhões de mudas irregulares. A legislação estadual também proíbe o comércio ambulante de mudas cítricas, visando proteger a sanidade dos pomares comerciais.

    Inovação e sustentabilidade na citricultura paulista

    Para promover inovação e ampliar o conhecimento técnico, foi criado o Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA). Essa é uma parceria entre a Secretaria de Agricultura, Fundecitrus, FAPESP e Esalq/USP. Com investimento previsto de R$ 90 milhões nos próximos cinco anos, o CPA terá foco no enfrentamento ao greening e na formação de novos grupos de pesquisa. Isso consolida São Paulo como referência em ciência e tecnologia para o setor.

    Perspectivas para a safra de laranja 2025/26

    O novo censo do Fundecitrus aponta que o aumento da produção ocorre devido ao maior número de frutos por árvore, às condições climáticas favoráveis e ao crescimento do número de árvores produtivas. A produtividade média estimada é de 869 caixas por hectare, recuperando-se da queda registrada na última safra.

    Com ações integradas de crédito, defesa sanitária e pesquisa, São Paulo reforça seu compromisso com a sustentabilidade e a competitividade da citricultura. E garante o protagonismo do estado no cenário nacional e internacional.

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  • Secretaria de Agricultura de São Paulo firma convênio com UFSCar

    Secretaria de Agricultura de São Paulo firma convênio com UFSCar

    A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA) assinou, nesta quarta-feira (8), um convênio estratégico com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) para fortalecer políticas públicas voltadas à restauração ecológica no estado. O acordo, realizado por meio da Coordenadoria Técnica de Assistência Integral (CATI) Sementes e Mudas, visa integrar ciência aplicada e gestão pública para aprimorar a produção e o uso de sementes florestais em projetos de recuperação ambiental.

    Parceria entre Secretaria de Agricultura e UFSCar amplia capacidade técnica para restauração ecológica

    O convênio,conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). E garante acesso a laboratórios, viveiros, coleções de sementes e dados técnicos gerenciados pela SAA. Essa cooperação técnico-científica permitirá a articulação direta com políticas públicas ambientais, promovendo a adoção de metodologias inovadoras e baseadas em evidências para a restauração de áreas degradadas.

    Segundo Ricardo Domingos Pereira, coordenador da CATI, a parceria representa um avanço para o setor: “A CATI busca estar sempre evoluindo. A proposta que assinamos hoje segue esta intenção. Quero parabenizar a CATI Sementes e Mudas e o Laboratório pelo dinamismo. E por trazer, a partir deste convênio, o peso da UFSCar para nossos trabalhos. A responsabilidade, pela qual agradecemos, é grande. Hoje, uma semente está sendo plantada”.

    Fátima Piña-Rodrigues, professora titular da UFSCar-Campus Sorocaba, reforçou a importância da colaboração: “Por sua história, a CATI é muito importante. Precisamos da participação da instituição, pela atuação marcante na construção das políticas públicas”.

    A cerimônia de assinatura contou ainda com a presença de Gerson Cazentini Filho, diretor da CATI Sementes e Mudas; Fabrícia Cristina dos Reis, assistente de planejamento do Laboratório de Sementes e Mudas; e Ivonir Piotrowski Santos, técnico de laboratório florestal da UFSCar.

    Projeto foca em análise de sementes e capacitação para restauração ambiental

    O projeto “Políticas Públicas Aplicadas para Análise de Sementes de Espécies Florestais para Áreas de Restauração Ecológica no Estado de São Paulo” tem como objetivo principal apoiar a formulação de políticas públicas para a produção e uso de sementes florestais de alta qualidade física e fisiológica. Entre as ações previstas estão o desenvolvimento e validação de metodologias para avaliação da qualidade de sementes. Com destaque para o teste de tetrazólio, além da capacitação de profissionais do setor e divulgação de conhecimento técnico.

    A iniciativa prevê ainda a identificação de gargalos técnicos e normativos, a realização de testes de viabilidade em sementes de espécies nativas importantes para a restauração ecológica e a qualificação de agentes públicos envolvidos na cadeia produtiva.

    A pesquisa será conduzida por uma equipe da UFSCar em parceria com os demais órgãos envolvidos. Ao promover o uso de sementes tecnicamente analisadas, o projeto contribui para o sucesso das ações de restauração ecológica no estado de São Paulo. Alinhando-se aos compromissos ambientais e às diretrizes do Código Florestal.

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  • Pesquisadores resolvem mistério dos Campos Rupestres

    Pesquisadores resolvem mistério dos Campos Rupestres

    Um estudo realizado pelo Centro de Genômica Aplicada às Mudanças Climáticas (GCCRC), em parceria com a Embrapa, a Unicamp e a Fapesp, solucionou um  mistério genético que persistia há décadas sobre o número cromossômico das espécies do gênero Vellozia, vegetações icônicas dos Campos Rupestres. Publicado na revista Brazilian Journal of Botany, o trabalho determinou, com precisão inédita, que essas plantas possuem nove pares de cromossomos, encerrando um debate científico que se arrastava desde os anos 1980.

    Campos Rupestres: biodiversidade e desafios

    Os Campos Rupestres, localizados em afloramentos rochosos do Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga, são considerados um dos ecossistemas mais biodiversos e ameaçados do Brasil. As espécies de Vellozia se destacam pela resistência à seca e solos pobres, características que têm atraído estudos moleculares voltados para possíveis aplicações biotecnológicas em culturas agrícolas diante das mudanças climáticas.

    Controvérsia cromossômica resolvida

    Desde os anos 1980, o número básico de cromossomos das Vellozias era motivo de divergências científicas, com estudos apontando números variados, como sete, oito ou nove pares. A confusão era causada pela interpretação de estruturas satélites como partes acessórias dos cromossomos principais. Utilizando uma abordagem inovadora com anticorpos contra proteínas do centrômero – região essencial para a divisão celular –, os pesquisadores demonstraram que essas estruturas satélites são, na verdade, cromossomos reais.

    “Se há centrômero, há um cromossomo. Com essa abordagem, confirmamos que as espécies analisadas possuem nove pares cromossômicos”, explicou Guilherme Braz, especialista em citogenética e autor principal do estudo. A pesquisa determinou o número de cromossomos em seis espécies de Vellozia, sendo que quatro delas tiveram essa informação revelada pela primeira vez.

    Estratégia inovadora para contagem cromossômica

    A contagem precisa de cromossomos nas Vellozias enfrentava desafios técnicos devido ao crescimento lento das plantas e à dificuldade em obter células na fase de metáfase – momento ideal para análise microscópica. Para superar esse obstáculo, os pesquisadores aplicaram hormônios em sementes para gerar calos vegetais, estruturas com alta taxa de divisão celular. Isso permitiu a obtenção de mais células em metáfase e facilitou a contagem cromossômica.

     

    Cromossomos de Vellozia desvenda mistério – Foto: Guilherme Braz

    “Combinamos a indução de divisão celular e a identificação de proteínas do centrômero para alcançar uma contagem precisa. Esse método pode ser aplicado futuramente a outras espécies com características similares”, afirmou Ricardo Dante, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital e coautor do estudo.

    Impactos científicos e biotecnológicos

    A descoberta tem implicações importantes para a evolução e conservação das Vellozias. Segundo Isabel Gerhardt, pesquisadora do GCCRC e da Embrapa Agricultura Digital, o número cromossômico pode revelar eventos como poliploidia (duplicação do genoma) ou fusões cromossômicas que influenciaram a adaptação dessas plantas ao ambiente extremo dos Campos Rupestres.

    Além disso, o estudo contribui para a definição de espécies e linhagens evolutivas únicas, auxiliando na preservação de populações ameaçadas. Em termos biotecnológicos, compreender os genes responsáveis pela resistência à seca nas Vellozias pode inspirar estratégias agrícolas para mitigar os impactos das mudanças climáticas.

    Valorização da biodiversidade brasileira

    Os Campos Rupestres abrigam cerca de 15% da diversidade vegetal brasileira e concentram muitas espécies exclusivas dessa região. Apesar dos desafios ambientais e da necessidade urgente de conservação, o ecossistema apresenta um potencial científico ainda pouco explorado. A resolução desse mistério genético reforça a importância da pesquisa voltada para valorização da biodiversidade brasileira e suas aplicações práticas no enfrentamento das mudanças climáticas.

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  • Pesquisadores da USP desenvolvem fertilizante inovador

    Pesquisadores da USP desenvolvem fertilizante inovador

    A crescente demanda por alimentos, rações e biocombustíveis sustentáveis está impulsionando cientistas e produtores a buscar soluções inovadoras para garantir a produtividade agrícola. De acordo com o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas, a população mundial deve atingir 9,7 bilhões até 2050, exigindo um aumento de aproximadamente 47% na produção agrícola global.

    Nesse contexto, o Fertilizante Nitrogenado Multinutriente de Eficiência Aumentada foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). A nova patente promete reduzir significativamente as perdas de nutrientes no solo e melhorar o rendimento das lavouras.

    Bruno Cassim, doutorando pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP e um dos responsáveis pela patente, explica que a produção agrícola tem crescido nas últimas décadas, principalmente pelo uso de fertilizantes nitrogenados como a ureia. “A ureia é o fertilizante nitrogenado mais popular para fornecer nitrogênio às plantas. No entanto, quando aplicada na superfície do solo, pode ser perdida por volatilização de amônia, causando prejuízos econômicos e contaminação de ecossistemas”, afirma Cassim.

    Solução inovadora

    Para resolver o problema da volatilização, a equipe de pesquisadores combinou a ureia com micronutrientes e o estabilizador NBPT. Essa nova formulação visa minimizar as perdas de nitrogênio, garantindo maior aproveitamento do fertilizante e aumento da produtividade no campo. “Com a adição do NBPT e micronutrientes em macro ou nanoescala nos grânulos de ureia, conseguimos diminuir as emissões gasosas de nitrogênio e aumentar a disponibilidade de nutrientes para as plantas”, explica Cassim.

    A tecnologia atende agricultores e empresas do agronegócio, beneficiando tanto grandes quanto pequenos produtores. O fertilizante fornece nitrogênio e micronutrientes essenciais ao crescimento inicial das plantas quando aplicado no momento da semeadura. No entanto, a adubação de cobertura é a forma mais recomendada de uso para maximizar a redução das perdas por volatilização.

    Fase de desenvolvimento

    Atualmente, o fertilizante está em fase de testes e desenvolvimento. Estudos realizados em laboratório e em campo têm mostrado resultados promissores. Contudo, Cassim ressalta que algumas interações físico-químicas entre o estabilizador NBPT e os micronutrientes ainda precisam ser melhor compreendidas antes da comercialização do produto.

    “Estamos confiantes de que esse fertilizante multinutriente pode melhorar a produtividade e a qualidade dos cultivos. Especialmente em um cenário onde a deficiência de micronutrientes se torna cada vez mais comum”, conclui Cassim.

    A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em parceria com o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena/USP), financiou os estudos. Projetos de doutorado e pós-doutorado, orientados pelo professor Rafael Otto da Esalq, resultaram no desenvolvimento da patente.. Além de Cassim, participaram do processo os pesquisadores Izaias Lisboa e Frederico Pereira da Esalq, além de Clelber Prestes do Cena/USP.

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