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  • Drones revolucionam melhoramento genético de milho para tolerância à seca

    Drones revolucionam melhoramento genético de milho para tolerância à seca

    09Pesquisadores brasileiros adotaram drones para acelerar o melhoramento genético de milho resistente à seca, reduzindo custos e otimizando resultados. Em resumo, a técnica usa câmeras RGB para capturar imagens de campo, que são convertidas em índices que medem a saúde das plantas. Ou seja, com essas informações, é possível selecionar rapidamente as variedades mais promissoras e simular seu desempenho em diferentes condições climáticas.

    O Centro de Genômica Aplicada às Mudanças Climáticas (GCCRC), liderou o estudo, em parceria com Embrapa, Unicamp e apoio da Fapesp, e publicou os resultados na revista The Plant Phenome Journal.

    Nova tecnologia supera métodos tradicionais

    Os métodos tradicionais de avaliação em campo são caros e demorados. “Nos processos convencionais, é necessário esperar o ciclo completo da planta e realizar medições manuais, o que demanda tempo e equipamentos caros”, afirma Juliana Yassitepe, pesquisadora da Embrapa Agricultura Digital e autora do estudo.

    Portanto, a nova metodologia reduziu significativamente o tempo de coleta de dados. “Antes, levaríamos dias para medir a produção de grãos, altura das plantas e tempo até a floração. Agora, drones e processamento de imagens realizam essas tarefas em poucas horas”, destaca Yassitepe.

    Experimentos comprovam eficiência

    Durante a estação seca de 2023, pesquisadores realizaram dois experimentos em Campinas (SP) ao longo de cinco meses. Os cientistas testaram 21 variedades de milho, incluindo 18 geneticamente modificadas para tolerância à seca e três variedades sem alterações, usadas como controle.

    As plantas foram divididas em dois grupos: um recebeu irrigação contínua, enquanto o outro enfrentou condições de seca. Além disso, os drones realizaram voos semanais, capturando imagens com câmeras RGB e multiespectrais. Em geral, os resultados mostraram que as câmeras RGB, mais acessíveis, oferecem dados confiáveis para o melhoramento genético em larga escala.

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    Menores custos e maior abrangência

    A nova abordagem reduz custos e permite realizar estudos em áreas menores. “Nem sempre os grupos de pesquisa têm muitas sementes viáveis para testar grandes áreas. Com imagens de alta resolução captadas por drones, podemos analisar mais variedades em espaços menores”, explica Helcio Pereira, pesquisador de pós-doutorado no GCCRC e coautor do estudo.

    Além disso, a metodologia também possibilita acompanhar o desenvolvimento das plantas ao longo de todo o ciclo. “A análise temporal contínua foi crucial para entender como as plantas reagem ao estresse hídrico”, complementa Pereira.

    Modelos preditivos otimizam seleção

    Pesquisadores usaram os dados captados pelos drones para criar modelos preditivos que identificam variedades adaptadas a diferentes condições climáticas. “Com esses modelos, podemos prever o comportamento das variedades sem medições manuais frequentes, tornando o processo mais rápido e acessível”, afirma Pereira.

    O estudo completo, intitulado “Temporal field phenomics of transgenic maize events subjected to drought stress: cross-validation scenarios and machine learning models”, está disponível aqui.

    O GCCRC, uma iniciativa conjunta da Embrapa e Unicamp com apoio da Fapesp, foca em soluções inovadoras para adaptar cultivos aos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

  • Centro de Pesquisa em Inovação e Sustentabilidade reforça combate ao greening

    Centro de Pesquisa em Inovação e Sustentabilidade reforça combate ao greening

    O Fundecitrus, a Esalq/USP e a Fapesp uniram forças para criar o Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA). O projeto foi apresentado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O objetivo é intensificar o combate ao greening, doença que afeta 44% dos pomares paulistas em 2024.

    Investimento

    O CPA terá um investimento de R$ 200 milhões nos próximos cinco anos, renováveis por mais cinco. Ou seja, Fundecitrus e Fapesp destinarão R$ 90 milhões em recursos financeiros. O restante será contrapartida não financeira, como infraestrutura e salários de técnicos. Em geral, o centro busca desenvolver pesquisas, transferir tecnologia e difundir conhecimento para fortalecer a citricultura, setor responsável por 8,2% das exportações paulistas e 45 mil empregos no estado.

    Márcio de Castro Silva e Filho, diretor-científico da Fapesp, destacou a relevância histórica da parceria com o Fundecitrus. “Juntos, avançamos na pesquisa e mitigação do greening. Agora, damos um passo transformador para a citricultura paulista”, afirmou. Além disso, a colaboração entre as instituições remonta ao Projeto Genoma, que, em 2000, sequenciou o genoma da Xylella fastidiosa, bactéria causadora da CVC (amarelinho).

    Impactos do greening

    A doença, que provoca queda de produtividade e eleva os custos de produção, já reduziu pela metade o número de propriedades citrícolas no estado. Ou seja, de 2008 a 2024, a incidência subiu de 0,6% para 44,4%, condenando 90,7 milhões de árvores só neste ano. Portanto, desde 2004, outras 64 milhões de árvores foram eliminadas na tentativa de controlar a doença.

    Ao mesmo tempo, o aumento da população do inseto vetor, resistente a inseticidas, intensifica o problema. Entre 2019 e 2024, o número de vetores cresceu dez vezes, ampliando os desafios para conter a disseminação. “O CPA foi criado para oferecer respostas eficazes e reduzir os prejuízos à produção”, explicou Lilian Amorim, pesquisadora da Esalq/USP e diretora do CPA.

    Em resumo, nas últimas cinco safras, o greening causou a perda de 97,2 milhões de caixas de laranja, totalizando US$ 972 milhões em receita. Algumas regiões já registram mais de 60% de pomares afetados pela doença, que ameaça a sustentabilidade do setor.

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    Pesquisa e transferência de tecnologia

    As pesquisas do CPA abordarão interações entre patógenos, plantas e vetores, com foco em resistência genética e controle integrado. Outras áreas de estudo incluirão nutrição das plantas, avaliação de perdas e impactos econômicos das medidas de manejo.

    Além disso, o CPA atuará na formação de profissionais, com programas de pós-graduação e cursos online. Pesquisadores e técnicos de instituições parceiras, como CATI e Defesa Agropecuária do Estado, farão a transferência de tecnologia.

    Sediado na Esalq/USP, em Piracicaba, o CPA reunirá especialistas de universidades e centros de pesquisa do Brasil e do exterior. Entre os parceiros estão a UFSCar, Unicamp, Embrapa e instituições de países como França, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra e Portugal.

    O secretário de Agricultura de São Paulo, Guilherme Piai, reforçou a importância do setor. “A citricultura paulista é referência mundial. O CPA fortalecerá o setor, possibilitando enfrentarmos desafios como o greening com mais eficiência”, destacou.

    Com essa iniciativa, o estado de São Paulo renova seu compromisso com a inovação e a sustentabilidade da citricultura, promovendo soluções que alavancam a economia e protegem uma das principais cadeias produtivas do Brasil.

  • Aquífero Guarani pode secar, revela estudo

    Aquífero Guarani pode secar, revela estudo

    Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Geociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro, revela que a reposição das águas do Aquífero Guarani está aquém do necessário para assegurar a manutenção do volume disponível nesse reservatório.

    Este aquífero, que se estende por regiões do Sul e Sudeste do Brasil, além de Paraguai, Uruguai e Argentina, atende cerca de 90 milhões de pessoas. Além disso, desempenha um papel crucial na manutenção dos níveis de rios e lagos em áreas do interior paulista, especialmente durante períodos de seca.

    Em entrevista à Agência Brasil, Didier Gastmans, pesquisador do Centro de Estudos Ambientais da Unesp, destacou que o estudo visou compreender a relevância da chuva na recarga do aquífero nas áreas de afloramento.

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    Ele confirmou que as pesquisas realizadas desde 2002 indicam efeitos contínuos e crescentes da superexploração do reservatório, exacerbados pela alteração na distribuição das chuvas.

    Cenário preocupante

    Esse cenário gera preocupação em regiões com alta produção agrícola e densidade populacional, como Ribeirão Preto, onde os impactos são notados desde a década de 1990. “Agora começou a aumentar muito o número de poços e isso começa a dar sinais em diversas regiões do interior”, alertou Gastmans.

    O geólogo observou que os sinais de superexploração são, de fato, evidentes no monitoramento dos poços e dos níveis dos reservatórios. Além disso, em áreas próximas aos afloramentos, os níveis estão, em média, de dois a três metros mais baixos.

    Nos grandes poços utilizados pela indústria e pelo agronegócio, o rebaixamento pode atingir entre 60 e 70 metros em um período de dez anos. “A água tem uma determinada profundidade no poço e vai baixando, o que demanda poços mais profundos e bombas mais potentes”, explicou.

    Na porção oeste do estado de São Paulo, grandes produtores e sistemas de abastecimento público já enfrentam essa realidade. Além disso, pequenos produtores também sentem os efeitos, especialmente nas regiões adjacentes aos afloramentos.

    Em alguns pontos, o rebaixamento dos níveis chega a até 100 metros, o que é um valor significativo. Sobretudo considerando que o Aquífero Guarani possui uma espessura média de 450 metros e pode alcançar até um quilômetro de profundidade.

    Vale destacar que a maior parte da água consumida desse aquífero destina-se ao abastecimento urbano, com pelo menos 80% concentrada no estado de São Paulo.

    Por outro lado, a captação de água no estado é predominantemente superficial (rios e lagos), enquanto a extração em poços profundos que acessam o Aquífero Guarani representa uma fração menor dos recursos hídricos disponíveis.

    Pesquisa Fapesp

    A pesquisa da Unesp, com o apoio da Fapesp, utilizou o monitoramento de isótopos estáveis para, assim, identificar a origem das águas do reservatório. Além disso, o estudo também aplicou técnicas para datar as águas em poços, revelando idades que variam entre 2.600 anos em Pederneiras e até 720 mil anos no Paraná.

  • Workshop sobre a cadeia de plásticos está com inscrições abertas

    Workshop sobre a cadeia de plásticos está com inscrições abertas

    Estão abertas as inscrições para o 1º Workshop da Rede Midas Mongaru: Circularidade na Cadeia de Plásticos, que ocorrerá em São Carlos (SP) nos dias 18 e 19 de julho. O evento, promovido pelo INCT Midas, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e INCT Circularidade em Materiais Poliméricos, será sediado pela Embrapa Instrumentação.

    O workshop visa promover um debate entre academia, indústria, cooperativas, poder público e sociedade, incluindo educadores focados em sustentabilidade e educação empreendedora. Ou seja, a iniciativa busca reunir colaboradores para minimizar o impacto da poluição plástica.

    Com um formato interativo e colaborativo, o evento contará com seis painéis temáticos. Serão discutidos casos de sucesso e desafios relacionados à logística reversa, educação ambiental, legislação e políticas públicas, por exemplo. Também estarão e pauta temas como o uso de plásticos biodegradáveis e de fontes renováveis, educação empreendedora e design para a circularidade.

    Ao final dos dois dias de discussões, os organizadores planejam formalizar, como resultado, um plano de ações e compromissos para avançar com propostas resolutivas.

    Plano de ação do workshop

    Segundo a professora Alessandra Lucas, da UFSCar, o workshop apresentará casos de sucesso e desafios, que serão transformados em ações a curto, médio e longo prazo. “Vamos traçar planos de ação em âmbito local, regional e nacional para direcionar as atividades da Rede Midas Mongaru e do INCT Circularidade em Materiais Poliméricos. Não queremos reinventar a roda da circularidade dos plásticos, mas fazê-la girar conectando atores importantes deste sistema”, explica a professora.

    Participantes confirmados

    Entre os participantes confirmados estão membros das cooperativas de coleta seletiva de São Carlos e Araraquara, além do presidente do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), Ronei Silva, e Telines Basílio, presidente da Coopercaps, uma cooperativa modelo em São Paulo.

    Inscrições para o workshop

    Para se inscrever, acesse o site do evento Midas Mongaru. O evento conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FAI-UFSCar) e Departamento de Engenharia de Materiais (DEMa-UFSCar).

    Sobre a Rede Midas Mongaru

    Docentes do DEMa, integrantes do INCT Midas de Tecnologias Ambientais e do INCT Circularidade em Materiais Poliméricos criaram a Rede Midas Mongaru. Os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), lançados em 2008, têm como objetivo fortalecer colaborações com grupos de excelência internacionais. Além disso, promovem também a inserção da ciência e tecnologia brasileira no cenário global. O programa é conduzido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), CNPq, Capes, BNDES, Finep e diversas fundações de amparo à pesquisa estaduais. O INCT Circularidade em Materiais Poliméricos recebe apoio da Fapesp.