Tag: drones

  • Drones e inteligência artificial ajudam a definir o momento ideal de abate do gado

    Drones e inteligência artificial ajudam a definir o momento ideal de abate do gado

    Pesquisadores brasileiros desenvolveram um sistema que usa drones e inteligência artificial para monitorar o crescimento de bovinos em confinamento e indicar o momento mais eficiente para venda ou abate. A tecnologia pode reduzir custos, melhorar o bem-estar animal e aumentar a rentabilidade da pecuária.

    O estudo, publicado na revista científica Computers and Electronics in Agriculture, integra o projeto Semear Digital, sediado na Embrapa Agricultura Digital, em Campinas (SP). A iniciativa faz parte dos Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) da Fapesp.

    Segundo os pesquisadores, métodos tradicionais de pesagem exigem manejo frequente e causam estresse nos animais, o que prejudica o ganho de peso. Além disso, o uso de balanças pode gerar custos com manutenção e falhas operacionais.

    “Queríamos reduzir o estresse e, ao mesmo tempo, identificar o momento exato em que o animal atinge o melhor desempenho produtivo”, explica Everton Tetila, pesquisador do projeto e professor da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

    Monitoramento com drones e IA

    A equipe testou o sistema em um confinamento no Mato Grosso do Sul, onde acompanhou um lote de bovinos por 112 dias. Durante o período, drones sobrevoaram a área regularmente, a cerca de 15 metros de altura, para capturar imagens dos animais.

    Com base nessas imagens, modelos de inteligência artificial identificaram os bovinos, segmentaram automaticamente seus corpos e extraíram medidas como comprimento e largura. Esses dados permitiram acompanhar o crescimento dos animais ao longo do ciclo produtivo.

    “Modelamos a relação entre medidas corporais e ganho de peso, considerando variações ao longo do tempo”, afirma Tetila.

    Ponto de inflexão define melhor momento

    Os pesquisadores identificaram um padrão claro de crescimento: após uma fase inicial de adaptação, os animais entram em um período de ganho acelerado de peso, seguido por desaceleração.

    O chamado “ponto de inflexão” marca o momento em que o ganho de peso atinge o pico e começa a cair. Esse ponto indica o período mais vantajoso para o abate ou venda.

    “Após esse estágio, o animal passa a converter alimento em peso de forma menos eficiente, o que eleva os custos de produção”, destaca o pesquisador.

    Segundo o estudo, identificar esse momento com precisão pode gerar ganhos expressivos, especialmente em grandes rebanhos. Em sistemas intensivos, a diferença de um único dia pode impactar diretamente os custos com alimentação e a eficiência produtiva.

    Novas aplicações na pecuária de precisão

    A tecnologia também abre caminho para outras aplicações no campo. A mesma base de dados já permite desenvolver modelos capazes de analisar o comportamento dos animais e detectar anomalias, como estresse ou interações inadequadas no confinamento.

    Os pesquisadores agora trabalham na adaptação do sistema para outras raças, como Angus e Brahman, além de avançar na validação em escala comercial.

    A expectativa é que a solução fortaleça a chamada pecuária de precisão, ao permitir decisões mais assertivas e redução de custos. “Com o momento ideal de abate bem definido, o produtor melhora sua eficiência e pode até contribuir para reduzir o preço final da carne”, afirma Tetila.

    Apesar dos avanços, a tecnologia ainda não chegou ao mercado. A equipe já desenvolveu um protótipo funcional e busca parceiros para viabilizar a comercialização.

  • Ibama usa drones e inteligência artificial para conter avanço do mangue-maçã em SP

    Ibama usa drones e inteligência artificial para conter avanço do mangue-maçã em SP

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) intensificou, na última semana, o monitoramento e o combate ao mangue-maçã (Sonneratia apetala), espécie exótica invasora que ameaça os ecossistemas costeiros de São Paulo. A ação ocorre em parceria com a Fundação Florestal e foca principalmente nos manguezais de Cubatão, na Baixada Santista.

    https://www.instagram.com/p/DXoYjwSlYZO/

    Originária da Ásia, a planta apresenta crescimento acelerado e alta capacidade de competir por recursos naturais, o que compromete o desenvolvimento de espécies nativas e o equilíbrio ambiental.

    Entre os dias 15 e 17 de abril, equipes técnicas realizaram uma nova etapa da operação com uso intensivo de tecnologia. Drones mapearam áreas estratégicas e geraram imagens em alta resolução, que passaram por análise de sensoriamento remoto e fotointerpretação. Em seguida, equipes em campo validaram as informações para orientar as próximas ações de remoção.

    A Divisão Técnico-Ambiental do Ibama em São Paulo coordena as atividades, alinhadas à Estratégia Nacional para Espécies Exóticas Invasoras. Como o mangue-maçã foi identificado apenas em Cubatão até o momento, especialistas avaliam que ainda há viabilidade de erradicação total, desde que as intervenções continuem em ritmo acelerado.

    Agentes do Ibama durante operação de combate e monitoramento do mangue-maçã. Foto: Divulgação/Ibama

    O trabalho conjunto já resultou na remoção de mais de 700 árvores da espécie invasora. Além da supressão, o Ibama também identifica novas áreas afetadas e testa o uso de inteligência artificial para ampliar a eficiência dos levantamentos.

    Portanto, a iniciativa busca evitar impactos irreversíveis à biodiversidade e proteger atividades econômicas locais, como a pesca, diretamente dependentes da saúde dos manguezais.

  • Azeitech 2026 destaca uso de drones e boas práticas na produção de azeite de oliva

    Azeitech 2026 destaca uso de drones e boas práticas na produção de azeite de oliva

    A 6ª edição do Azeitech, promovida pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), ocorre no dia 10 de abril. O evento acontece no Campo Experimental de Maria da Fé (MG), com foco em difusão de conhecimento e inovação na olivicultura. E integra o 21º Dia de Campo de Olivicultura e a 11ª Mostra Tecnológica de Olivicultura, consolidando-se como referência para produtores, técnicos e agroindústrias do setor.

    Logo pela manhã, a programação destaca a palestra “Uso de drones na olivicultura”, conduzida por Charles Santana. Ele é professor e pesquisador do Instituto Tecnológico de Agropecuária de Pitangui (Epamig/Itap). A abertura está marcada para as 8h30. E será seguida da apresentação sobre como a tecnologia auxilia o monitoramento das áreas de oliveiras e o manejo individualizado das plantas.

    Segundo o pesquisador da Epamig Luiz Fernando de Oliveira, o uso de drones permite mapear talhões, atribuir códigos a cada planta e acompanhar indicadores como nutrição, controle de pragas e produtividade. Ele ressalta que a ferramenta se tornou aliada dos produtores ao oferecer controle mais preciso e assertivo das áreas experimentais e comerciais.

    Boas práticas para azeite de qualidade ganham espaço na programação

    Além de integrar a Comissão Organizadora do Azeitech, Luiz Fernando coordena a estação “Boas práticas e processos para elaboração de azeite de oliva”. Nesse espaço, a equipe apresenta os resultados do projeto “Processos inovadores para as agroindústrias de azeite de oliva e abacate”. Financiado pela Fapemig, tem foco na modernização da agroindústria e na melhoria da qualidade do produto final.

    A estação aborda práticas essenciais para produção de azeite de alta qualidade, critérios de avaliação sensorial e físico-química. Além de orientações para aperfeiçoar processos nas unidades de extração. A proposta é aproximar as recomendações técnicas do dia a dia dos produtores e das agroindústrias que atuam na Serra da Mantiqueira e em outras regiões olivícolas do país.

    Painel técnico discute ATeG, rastreabilidade e gestão de resíduos

    No período da tarde, o Azeitech 2026 dedica a programação a um painel técnico com palestras e rodas de conversa. Um dos destaques é a apresentação dos resultados do projeto de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) em Olivicultura. Desenvolvido pelo Senar, acompanha cerca de 30 produtores e foca em gestão da propriedade e eficiência produtiva.

    A programação também inclui conteúdos sobre rastreabilidade, em parceria com pesquisadores da área, e propostas de novas ações voltadas ao tratamento de resíduos da atividade olivícola. Os debates contam com a participação do coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig, Pedro Moura, e da pesquisadora Carolina Zambon, que conduzem os momentos de interação com o público.

    Inscrições gratuitas e mais informações

    A participação no Azeitech 2026 é gratuita, com inscrições realizadas no próprio dia e local do evento, no Campo Experimental de Maria da Fé. A Epamig divulgará informações detalhadas sobre a programação nos seus canais oficiais e no site do Azeitech, incluindo horários das estações de campo, palestras e atividades da Mostra Tecnológica.

  • Bactéria silenciosa pode derrubar a produção de azeite no Brasil

    Bactéria silenciosa pode derrubar a produção de azeite no Brasil

    Uma bactéria capaz de secar ramos, matar plantas e colapsar toda a cadeia produtiva de azeite no Brasil está no centro de uma corrida científica em Minas Gerais. A Xylella fastidiosa, responsável por devastar olivais em diversas regiões do mundo, passou a ser monitorada com tecnologia de ponta pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), que combina imagens captadas por drones com dados coletados em campo para detectar a doença o mais cedo possível.

    Foto: Erasmo Pereira/Epamig

    O trabalho é conduzido em parceria entre pesquisadores do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig, com base em Maria da Fé, e a equipe do Instituto Tecnológico de Agropecuária de Pitangui (Epamig ITAP). Já no segundo ano de avaliações, o projeto utiliza drones equipados com câmeras multiespectrais capazes de captar informações invisíveis a olho nu. Um diferencial que pode antecipar diagnósticos e salvar plantações inteiras.

    Como funciona o monitoramento

    “Fazemos o monitoramento das oliveiras tentando entender o comportamento da Xylella a partir do imageamento aéreo. As câmeras especiais dos drones nos possibilitam enxergar informações além das visíveis a olho nu”, explica o pesquisador Charles Santana, da Epamig ITAP.

    Drones coletam as imagens, e a equipe de campo processa esse material e cruza os dados com informações fisiológicas e agronômicas levantadas no local. A próxima etapa prevê o desenvolvimento de modelos preditivos capazes de antecipar quais plantas apresentam maior risco de infecção pela Xylella fastidiosa. Isso antes mesmo do surgimento dos sintomas visíveis.

    Além do controle da doença, o sistema abre caminho para outras aplicações. “Esse monitoramento vai permitir a coleta de dados referentes a avaliações de produtividade, fisiologia da planta e incidência de outras doenças”, destaca Gabriel Koch, pesquisador em fitopatologia na Olivicultura da Epamig.

    O risco para a produção de azeite nacional

    A preocupação tem fundamento econômico. O Brasil vem expandindo sua olivicultura, especialmente na região da Serra da Mantiqueira, e a ameaça da Xylella fastidiosa representa um risco real para um setor em crescimento. “Trata-se de um agente causal muito importante na cultura da oliveira, com grande potencial destrutivo”, alerta Koch.

    O projeto conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), sob o código PPE-00057-24. E tem como foco central a epidemiologia, a resistência vegetal e o uso de agentes biológicos no manejo da seca da oliveira. O objetivo final é evitar o que os próprios pesquisadores descrevem como um possível “colapso na cadeia produtiva de azeite na Serra da Mantiqueira”.

  • Ação intensifica fiscalização da aviação agrícola

    Ação intensifica fiscalização da aviação agrícola

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reforçou, entre os dias 2 e 5 de março, a fiscalização da aviação agrícola e do uso de agrotóxicos no Maranhão. A operação, realizada em 19 municípios, contou com o apoio da Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (AGED-MA) e teve como foco o combate a irregularidades no registro e na aplicação aérea de defensivos.

    Foto: Mapa

    Durante a ação, as equipes verificaram a situação cadastral de operadores aeroagrícolas e proprietários rurais. Com atenção especial aos pilotos de drones sem registro no Mapa. Segundo Uéllen Duarte, chefe da Divisão de Aviação Agrícola do Ministério, a força-tarefa também atendeu denúncias sobre o uso irregular de aeronaves não autorizadas. Reforçando o compromisso com a segurança e a conformidade das operações no campo.

    Além das inspeções, o Mapa promoveu reuniões com produtores rurais e entidades do setor agrícola para orientar sobre as exigências legais que regulam a aviação agrícola e o uso responsável de insumos.

    O trabalho resultou na emissão de 33 Termos de Fiscalização, 26 Intimações e 6 Autos de Infração. O número de autuações pode aumentar conforme o andamento das intimações. As penalidades seguem a Lei nº 14.515/2022, que prevê multas de até R$ 150 mil para infratores.

    Foto: Mapa

    A operação mobilizou sete auditores fiscais federais agropecuários, três técnicos do Mapa  vindos de diferentes estados e uma equipe da AGED-MA. A fiscalização da aviação agrícola faz parte das ações permanentes do Ministério para garantir o uso regular de insumos e o cumprimento da legislação nas atividades agropecuárias.

  • Em Tucumã, drone agrícola transporta água e piloto

    Em Tucumã, drone agrícola transporta água e piloto

    Um vídeo inusitado filmado em Tucumã, no sul do Pará, viraliza na web. Nele, o piloto de drone agrícola Hudson Vinícius entra no próprio compartimento do equipamento e decolam juntos. Depois de um tempo, a gravação mostra ele voltando. Tudo para buscar água para trabalhadores rurais da região.

    O equipamento, normalmente destinado à aplicação de defensivos agrícolas, funciona nesse caso como meio de transporte hídrico. Segundo as imagens, essa marca a primeira vez que alguém emprega um drone dessa forma em uma zona rural do Pará.

    A solução nasce de uma necessidade real. Em muitas regiões rurais do Brasil, o acesso direto a fontes de água representa um desafio constante. O drone, com sua capacidade de voo rápido e sem dependência de estradas ou veículos terrestres, oferece uma alternativa ágil para cobrir essas distâncias.

    Porém, a maneira como Hudson Vinícius realizou o procedimento no vídeo envolve riscos extremos. Drones agrícolas não possuem projeto ou certificação para transportar pessoas. Qualquer falha técnica durante o vôo, como perda de bateria, falha no sistema de controle ou problema mecânico, pode resultar em queda livre.

    A tecnologia dos drones no campo brasileiro cresceu rapidamente nos últimos anos. Segundo dados da Anac e do Sindag, o país registrava cerca de 7.800 drones agrícolas em 2024, um aumento de mais de 2.100% em relação a 2021. Isso reflete o potencial da tecnologia, mas também aumenta a necessidade de seu uso seguro e regulamentado.

  • Drones viram armas de prevenção contra invasões e incêndios florestais

    A vigilância aérea com drones consolida-se como uma das principais ferramentas no combate a invasões de terras, incêndios florestais e crimes ambientais no Brasil. A tecnologia oferece monitoramento contínuo e inteligente de grandes áreas, especialmente em regiões remotas ou de difícil acesso, priorizando a prevenção e a segurança operacional.

    Equipados com sensores eletro-ópticos e térmicos de alta precisão, esses veículos aéreos não tripulados detectam focos de calor iniciais, movimentações suspeitas, abertura de trilhas irregulares, avanço de pastagem em áreas protegidas e extração ilegal de madeira. A visão aérea e os dados em tempo real permitem uma resposta muito mais ágil dos órgãos de segurança e ambientais.

    “Os drones ampliam nosso campo de visão de forma significativa. Eles oferecem uma visão antecipada que encurta o tempo de reação e permite ações muito mais assertivas”, explica Thatiana Miloso, diretora comercial da Xmobots.

    Segurança das equipes e eficiência operacional

    A tecnologia traz um ganho crucial: reduz a exposição de agentes de segurança a situações de risco. O reconhecimento aéreo prévio mapeia o terreno e identifica ameaças antes de qualquer deslocamento humano. As equipes só entram em campo com informações detalhadas sobre o cenário.

    “Esta abordagem não só protege vidas, como também otimiza recursos. As operações ganham mais eficiência e precisão”, destaca Thatiana.

    Do combate à prevenção: uma mudança estratégica

    Os drones promovem uma mudança estrutural no monitoramento ambiental. A integração de voo autônomo, sensores e análise de dados em tempo real transforma a vigilância em um processo inteligente e preventivo.

    Foto: Divulgação

    Entre os principais benefícios estão:

    • Resposta ágil a invasões e focos de incêndio.
    • Monitoramento contínuo com caráter dissuasório.
    • Alocação mais eficiente de pessoal e recursos.
    • Geração de registros para embasar laudos e ações judiciais.

    “Quanto antes identificamos um problema, menores são o dano ambiental e o prejuízo financeiro. A vigilância aérea constante também inibe ações criminosas”, ressalta a executiva.

  • Treinamento em drones para fiscalização ultrapassa 850 participantes

    Treinamento em drones para fiscalização ultrapassa 850 participantes

    O treinamento em operação de drones para fiscalização na Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) já capacitou cerca de 850 pessoas e deve atingir mais de mil alunos até o final de 2025. Iniciado em 2023 pela Divisão de Aviação Agrícola do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas, com apoio da Superintendência de Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (SFA-SP), o curso evoluiu e atualmente está aberto a não servidores.

    A iniciativa foi finalista do Prêmio Ceres 2025, do Mapa, que reconhece projetos inovadores e de alto impacto no setor público. O prêmio valoriza a criatividade e o comprometimento dos profissionais que elevam a gestão pública.

    O treinamento amplia o conhecimento e o uso de drones como ferramentas essenciais para fiscalização. Os servidores relatam maior confiança no uso dessas tecnologias e também em softwares de georreferenciamento, que se atualizam constantemente. Além disso, o conteúdo do curso é disponibilizado à sociedade na Escola Nacional do Agronegócio (Enagro), onde recebe feedbacks positivos sobre sua relevância atual.

    O curso forma servidores qualificados e multiplicadores do conhecimento, com acesso liberado para outros órgãos públicos e população geral. No campo da Defesa Agropecuária, os drones auxiliam em diversas áreas: inspeção de fertilizantes, combate a agrotóxicos ilegais, fiscalização de sementes, monitoramento de rebanhos, inspeção de propriedades orgânicas, ações na aviação agrícola e monitoramento de pragas, entre outras funções.

    Dois anos de projeto

    O projeto começou com aulas presenciais em Campinas e Botucatu, SP, em 2023. Formando 102 servidores divididos em quatro turmas, com aulas teóricas remotas e certificado pela Enagro.

    “O projeto trouxe inovação para o Mapa. Pois antes não havia conhecimento específico para uso de drones na fiscalização,” destacou Estanislau Steck, superintendente da Agricultura e Pecuária em São Paulo. O treinamento consolidou o drone como ferramenta oficial de fiscalização, aumentando a precisão, segurança e transparência. As imagens e vídeos capturados servem como provas em processos administrativos.

  • Tecnologia: empresa enfrenta gripe aviária com drones que disparam laser

    Tecnologia: empresa enfrenta gripe aviária com drones que disparam laser

    A ameaça invisível da gripe aviária, que causa prejuízos devastadores e o abate sanitário de milhões de aves em todo o mundo, está sendo combatida no Japão com uma arma de ficção científica: drones com laser. A gigante de tecnologia e telecomunicações NTT desenvolveu e está implantando um sistema automatizado que usa feixes de luz colorida e intermitente para proteger granjas, espantando corvos, pombos e outras aves que podem carregar o vírus.

    A inovação é uma resposta direta a uma crise severa. Apenas entre janeiro e fevereiro de 2025, a província de Chiba viveu um surto da doença que resultou no sacrifício de mais de 3,3 milhões de galinhas. Diante de cenários como esse, a prevenção se torna a estratégia mais crucial e econômica para os avicultores.

    Como funciona a tecnologia dos drones com laser

    O sistema, resultado de uma parceria entre a NTT e o governo de Chiba, é composto por drones de navegação automática. Quando sensores ou câmeras identificam a presença de aves selvagens na área da granja, o drone é acionado.

    Ao contrário do que se imagina, o drone não emite um único feixe de laser concentrado. O modelo BB102 projeta um raio que se divide em múltiplos feixes de luz verde e vermelha. Os técnicos escolheram essas cores por sua eficácia comprovada em afastar diversas espécies, como pombos, corvos, estorninhos e até veados.

    Para aumentar a eficiência, o laser é intermitente, piscando ritmicamente. O efeito de “flash” evita que os animais se acostumem com a luz ou encontrem brechas entre os raios para pousar, o que faz com que eles abandonem a área de forma eficaz.

    Vantagens sobre métodos tradicionais

    A chegada dos drones com laser apresenta uma alternativa superior aos métodos tradicionais de proteção de granjas:

    • Não é invasivo: diferente de ruídos altos ou substâncias químicas, o laser não polui o ambiente nem causa estresse às galinhas dentro do galinheiro.
    • Automatizado: elimina a necessidade de um funcionário ficar monitorando e espantando as aves manualmente, otimizando a mão de obra.
    • Eficiente 24/7: o sistema pode operar continuamente, dia e noite, oferecendo proteção constante.

    Para viabilizar o acesso dos produtores rurais a essa tecnologia de ponta, a NTT informa que subsídios do governo estarão disponíveis, tornando o investimento em prevenção mais acessível para os avicultores. A medida representa um passo vital para fortalecer a biossegurança e garantir a sustentabilidade da avicultura diante de uma ameaça global constante.

  • Drones Agrícolas: saiba como ganhar até R$ 400 por hectare

    Drones Agrícolas: saiba como ganhar até R$ 400 por hectare

    A agricultura brasileira está vivenciando uma transformação tecnológica silenciosa, mas revolucionária. Os drones agrícolas, antes considerados equipamentos futuristas, agora fazem parte da realidade de milhares de produtores rurais em todo o país. Com capacidade de pulverizar mais de 100 hectares por dia e custos que variam entre R$ 100 e R$ 400 por hectare, essa tecnologia está redefinindo os conceitos de eficiência e sustentabilidade no campo.

    O mercado de drones agrícolas no Brasil experimentou um crescimento exponencial, especialmente após 2022, quando foram lançados modelos com tanques de 40 litros ou mais. Essa evolução tecnológica tornou viável a pulverização de grandes áreas em um único dia, ampliando significativamente a atratividade da tecnologia para agricultores e prestadores de serviços.

    Rafael Moreira Soares, pesquisador da Embrapa Soja e coautor do documento “Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática”, explica que os modelos mais comuns são os multirrotores e os de asa fixa, equipados com motorização elétrica por baterias. “Eles são classificados de acordo com o peso e altura máxima de voo permitida, possuindo diversos tipos de hardware, software, câmeras e sensores”, destaca o especialista.

    Investimento e retorno: a matemática do negócio

    Para quem pretende ingressar no mercado de prestação de serviços com drones agrícolas, o empresário Eugênio Passos Schröder, coautor da publicação, alerta que o investimento total equivale a cerca de três vezes o valor do equipamento. “É preciso considerar não apenas o drone, mas também acessórios, veículos para operação, estrutura administrativa e capital de giro”, explica.

    O custo para contratar uma aplicação com drones varia conforme diversos fatores, incluindo relevo, vegetação da área, complexidade da operação e tipo de produto aplicado. Os preços oscilam entre R$ 100 e R$ 400 por hectare, amplitude que reflete a diversidade de cenários e exigências técnicas específicas do setor.

    Vantagens competitivas dos drones agrícolas

    A tecnologia oferece benefícios únicos que a posicionam como uma alternativa intermediária entre pulverizadores terrestres e aviões agrícolas:

    • Segurança e Saúde: remoção do operador humano da área pulverizada, reduzindo significativamente os riscos à saúde dos trabalhadores rurais.
    • Preservação do Solo:ausência total de compactação do solo, problema comum em máquinas terrestres de pulverização, além de não causar amassamento das culturas.
    • Eficiência Operacional: independência das condições de tráfego do solo e baixo consumo de água, fatores que aumentam a produtividade das operações.
    • Rastreabilidade: registro detalhado de dados e mapeamento completo das aplicações, proporcionando maior controle e transparência nos processos.

    Regulamentação

    A operação de drones agrícolas no Brasil é regulamentada por múltiplas agências governamentais. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) é responsável pela homologação dos equipamentos que transmitem radiofrequência, enquanto a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) regula as atividades da aviação civil.

    Foto: Rafael Soares/Embrapa

    O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) gerencia as atividades relacionadas ao controle do espaço aéreo brasileiro, autorizando voos em áreas restritas. Complementarmente, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estabelece regras específicas para operação de aeronaves destinadas à aplicação de agrotóxicos, fertilizantes, inoculantes e sementes.

    Inovações tecnológicas em desenvolvimento

    A tecnologia dos drones agrícolas está em constante evolução. Uma das principais tendências é a adoção de bicos rotativos nos principais modelos do mercado, substituindo as tradicionais pontas hidráulicas. “O bico rotativo consiste numa ponta com disco giratório de alta velocidade que oferece a opção de controlar o tamanho de gotas geradas, aumentando a uniformidade do espectro e eliminando gotas muito finas que causam deriva”, explica Soares.

    Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta desafios significativos. Faltam dados e pesquisas para determinar parâmetros essenciais como taxa de aplicação de calda, velocidade e altura de trabalho ideais, além de estudos sobre deposição e uniformidade de gotas.

    “É um trabalho incessante, pois, além da atualização das máquinas, aumenta cada vez mais a diversidade de culturas, produtos e alvos envolvidos”, avalia Soares, destacando que os equipamentos se encontram em franca evolução e se modernizam anualmente.

    Lançamento Oficial no Congresso Brasileiro de Soja

    A publicação “Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática” será oficialmente lançada durante o Congresso Brasileiro de Soja e o Mercosoja 2025. O evento acontecerá de 21 a 24 de julho em Campinas (SP). O pesquisador Rafael Soares ministrará palestra sobre a temática no painel técnico sobre tecnologias de aplicação aérea.

    Para agricultores e empreendedores interessados em ingressar no mercado de drones agrícolas, os especialistas recomendam análise criteriosa de fatores como legislação vigente, seleção adequada de equipamentos, capacitação técnica, planejamento financeiro detalhado e identificação do mercado potencial.

    O estabelecimento de parcerias estratégicas com produtores rurais, cooperativas, associações de agricultores e fabricantes de drones também é fundamental para o sucesso do negócio.

    A revolução dos drones agrícolas no Brasil não é apenas uma tendência tecnológica. Mas uma realidade que está transformando a agricultura nacional, oferecendo oportunidades de negócio promissoras e contribuindo para uma agricultura mais sustentável e eficiente.

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