Tag: desmatamento

  • Plataforma proíbe importação de produtos ligados a desmatamento

    Plataforma proíbe importação de produtos ligados a desmatamento

    A abertura do 10º Coffee Dinner & Summit contou com a apresentação de um avanço importante para o setor cafeeiro: a criação de uma plataforma tecnológica de rastreabilidade. 

    Desenvolvida pelo Cecafé, em parceria com a Serasa e a Xperia, a ferramenta atende às exigências do regulamento europeu que proíbe a importação de produtos associados ao desmatamento. 

    “A plataforma integra dados públicos e oficiais para comprovar que o café brasileiro não vem de áreas desmatadas após dezembro de 2020”, afirmou o presidente do Conselho Deliberativo do Cecafé, Márcio Cândido Ferreira.

    Segundo ele, a ferramenta atende ao artigo 9 do regulamento europeu e é uma resposta direta à nova legislação, que entrará em vigor nos próximos anos. 

    “O Cecafé atua junto à Comissão Europeia e outras organizações para regionalizar o risco de desmatamento, facilitando assim a adequação dos exportadores brasileiros”, explicou.

    Momento exige um debate profundo 

    Ferreira destacou ainda o protagonismo do Brasil na produção sustentável de café. 

    Em seu discurso, ressaltou os avanços do país em práticas agrícolas ambientalmente responsáveis, alinhadas às exigências dos mercados internacionais. A solenidade acontece nesta quarta-feira (2), em Campinas (SP). 

    “Nos 25 anos do Cecafé, escolhemos como tema o futuro do fluxo do comércio, protagonismo e liderança dos cafés do Brasil”, destacou Márcio Cândido Ferreira. 

    Segundo ele, o momento exige um debate profundo sobre os desafios econômicos, climáticos, regulatórios e logísticos que afetam a cafeicultura, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.

    Durante sua fala, o presidente do Conselho Deliberativo do Cecafé destacou dados expressivos que evidenciam o compromisso da cafeicultura nacional com a preservação ambiental. 

    “A área de cultivo atual é 52% menor do que na década de 1960, e mesmo assim, a produtividade aumentou mais de 400%”, afirmou. 

    Os dados reforçam a combinação entre inovação tecnológica e sustentabilidade, que têm guiado o setor nos últimos anos.

    O Brasil, além de maior produtor e segundo maior consumidor mundial de café, também se consolidou como referência internacional em responsabilidade socioambiental. 

    “Produzimos um café sustentável e de alta qualidade, atendendo aos mercados mais exigentes do mundo”, enfatizou o presidente do Cecafé.

    Lavouras que sequestram carbono

    Um dos principais pontos abordados por Ferreira foi o avanço dos projetos voltados à captura de carbono nas lavouras brasileiras. Ele citou estudos conduzidos pelo professor Carlos Cerri, da Esalq USP, e Imaflora, que comprovaram que práticas como o uso de fertilizantes organominerais e cobertura vegetal geram um balanço negativo de carbono nas lavouras. Isso significa que as plantações de café sequestram mais carbono do que emitem.

    “As duas etapas do estudo, realizadas em Minas Gerais e no Espírito Santo, apontaram que o café arábica e o conilon são aliados no combate às mudanças climáticas”, lembrou Ferreira. 

    Além disso, o Cecafé concluiu um estudo de viabilidade para um programa pago de crédito de carbono, em parceria com a Stonex Carbon Solutions e a Allcot, confirmando o bom posicionamento do setor cafeeiro brasileiro frente aos desafios climáticos globais.

    Café como estilo de vida e símbolo de inovação

    Ferreira também falou sobre a transformação da cultura do café, que deixou de ser apenas uma commodity e passou a ser um símbolo de estilo de vida, principalmente entre os jovens consumidores. Segundo ele, o café brasileiro vem ganhando espaço justamente por unir qualidade, inovação e compromisso socioambiental.

    “O café se expandiu e se reinventou. Hoje é uma bebida que dialoga com o bem-estar, a sustentabilidade e a responsabilidade social”, afirmou. 

    Ele concluiu reforçando que o Coffee Dinner & Summit é um espaço essencial para que os principais players do setor compartilhem experiências, fomentem negócios e ampliem redes de relacionamento.

    Presença de autoridades e lideranças mundiais

    A cerimônia de abertura, que contou com a presença de autoridades, produtores, exportadores, pesquisadores e investidores, deu início ao que promete ser a edição mais robusta e estratégica do Coffee Dinner & Summit.

    Com uma programação intensa, o 10º Coffee Dinner & Summit segue até sexta-feira (04), discutindo temas como logística, economia, ESG, tendências de consumo e comércio internacional.

  • Amazônia ganha centro para recuperação de áreas desmatadas e degradadas

    Amazônia ganha centro para recuperação de áreas desmatadas e degradadas

    A Amazônia Legal acaba de receber um centro inovador dedicado à recuperação de áreas desmatadas e degradadas. Coordenado pela Embrapa, o Centro Avançado em Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental da Amazônia (Capoeira) reúne mais de 100 pesquisadores de 33 instituições nacionais e internacionais, incluindo universidades, órgãos governamentais, ONGs, empresas privadas e comunidades locais.

    Com um investimento de R$ 14 milhões, o projeto foi aprovado pelo CNPq no âmbito do programa Pró-Amazônia, que visa fomentar pesquisas estratégicas para o desenvolvimento sustentável da região.

    O Capoeira terá um hub na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém, e atuará de forma virtual, integrando laboratórios e grupos de pesquisa em estudos socioeconômicos, ecológicos e bioculturais.

    Fragmentos de floresta em plantações de soja no município de Belterra.
    Foto Marizilda Cruppe/Divulgação

    Segundo Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa e coordenadora do centro, o objetivo vai além da produção científica: “Queremos articular uma transformação positiva na região, substituindo a cultura da destruição pela da restauração.”

    Amazônia em crise: desmatamento e degradação

    A Amazônia já perdeu 18% de sua cobertura original (846 mil km²), área equivalente a quase todo o estado de Mato Grosso, segundo dados do Inpe. Além disso, 370 mil km² (mais que o território da Alemanha) sofrem com degradação por incêndios, extração ilegal de madeira e fragmentação florestal.

    Esses distúrbios causam:

    • Emissões massivas de gases de efeito estufa
    • Perda de biodiversidade
    • Alterações no regime de chuvas
    • Aumento de conflitos socioambientais

    Estratégias de restauração em foco

    Os pesquisadores analisarão dados de mais de 100 áreas de estudo na Amazônia Legal, incluindo:

    • Florestas secundárias
    • Áreas degradadas
    • Sistemas Agroflorestais (SAFs)
    • Recuperação de sistemas aquáticos

    As técnicas avaliadas incluem:

    • Regeneração natural
    • Regeneração assistida (plantio de espécies nativas)
    • Plantio total (em áreas sem cobertura vegetal)

    Os SAFs são a estratégia mais estudada (37,88%), combinando produção agrícola e recuperação ambiental.

    Laboratórios vivos

    O projeto inclui “living labs” (laboratórios vivos) em três regiões estratégicas:

    • Santarém (PA) – Floresta Nacional do Tapajós e Resex Tapajós-Arapiuns
    • Mosaico do Gurupi (PA/MA) – Unidades de Conservação e Terras Indígenas
    • Nordeste Paraense – Municípios como Bragança, Paragominas e Tomé-Açu

    Esses espaços promoverão troca de conhecimentos entre cientistas e comunidades locais, fortalecendo ações de restauração biocultural.

    Restauração como solução para as mudanças climáticas

    O Brasil assumiu no Acordo de Paris o compromisso de recuperar 12 milhões de hectares até 2030, sendo 38% na Amazônia. A COP 30, que ocorrerá em Belém em 2025, deve ampliar o debate sobre o tema.

    “A restauração florestal é crucial para reduzir emissões e combater as mudanças climáticas”, afirma Joice Ferreira.

    Um levantamento da Aliança pela Restauração (2020) identificou 2.773 iniciativas de recuperação na Amazônia, cobrindo 113,5 mil hectares. A maioria (59%) são SAFs, seguidos por plantio de mudas (26%).

    “Laboratórios vivos” vão promover trocas de experiências e conhecimentos em três territórios amazônicos. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    Apesar de avanços em políticas como o Planaveg, os pesquisadores destacam a necessidade de esforços conjuntos entre governo e sociedade para ampliar a escala da restauração.

    O Capoeira surge como uma esperança para a Amazônia, integrando ciência, comunidades e políticas públicas em busca de um futuro sustentável. Com a COP 30 no horizonte, o centro pode se tornar um modelo global de recuperação ambiental.

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  • Cecafé recebe governador Romeu Zema para reunião em sua sede

    Cecafé recebe governador Romeu Zema para reunião em sua sede

    Ontem, 18 de março, a diretoria executiva e os conselheiros diretores do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) receberam o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, e outros representantes do governo mineiro para uma reunião na sede da entidade, em São Paulo (SP).

    Abrindo o evento, o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, convidou, oficialmente, Romeu Zema para participar do 10º Coffee Dinner & Summit, um dos principais eventos da cafeicultura mundial, que a entidade realizará entre 2 e 4 de julho, em Campinas (SP).

    “O governador confirmou a participação e considerou a proposta de uma participação mais ampla, integrando o painel que debaterá o cenário político e estendendo até o jantar de gala de encerramento. Também sugerimos a transferência de seu gabinete para o evento, possibilitando que, ao tempo em que realiza os despachos de chefe de Estado, também esteja conectado com os principais players e com o que há de mais moderno na cafeicultura global”, revela Ferreira.

    Na sequência, Zema realizou uma apresentação sobre os avanços de Minas Gerais, destacando o desempenho das exportações do agronegócio, em especial do café, que, em 2024, superaram, pela primeira vez na história, os embarques do setor de mineração.

    Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento

    Após a explanação, os representantes do Cecafé iniciaram debates sobre o Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) e mencionaram ao governador mineiro a importância de parcerias e dos trabalhos de união entre Estados produtores para a obtenção de riscos regionalizados ao desmatamento, conforme a própria legislação permite, uma vez que há, na UE, um movimento para a criação de risco país único.

    “Quando falamos sobre o risco regionalizado, lembramos que o próprio Zema apresentou um slide referente ao selo verde, comprovando que 99% dos produtores cumprem os requisitos das novas regras do fluxo do comércio de café no mundo. Reforçamos a necessidade de união dos Estados nesse sentido, para que consigamos fortalecer o risco regionalizado, e que merecem elogios os trabalhos desempenhados pelas áreas agrícolas de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, o que é fundamental pela oportunidade que se abre diante das novas regras no fluxo do comércio global de café”, explica Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé.

    Imagem do Brasil

    Os conselheiros diretores da entidade também salientaram ao governador a importância de um trabalho de marketing e consolidação de imagem de país, no mundo, bem estruturado em prol dos cafés do Brasil e que, nesse sentido, Minas Gerais e os demais principais Estados produtores podem avançar juntos na promoção da sustentabilidade, qualidade e diversidade.

    “Falando diretamente ao governador Zema, os conselheiros também destacaram a relevância de se evidenciar os investimentos feitos em pesquisa e tecnologia no Estado, mas também ponderaram que são necessárias melhorias relacionadas, por exemplo, à legislação trabalhista, para que haja um cenário mais coerente à contratação de trabalhadores no campo, e a modernização e mais agilidade na concessão de outorgas para irrigação, cada vez mais essencial diante das altas temperaturas e períodos de estiagem que geraram perdas na safra do Brasil nos últimos anos”, conclui Matos.

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  • Desmatamento no Brasil cai 32,4% em 2024, segundo MapBiomas

    Desmatamento no Brasil cai 32,4% em 2024, segundo MapBiomas

    O Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD) divulgado em 15 de maio pela iniciativa MapBiomas Alerta revela queda no desmatamento em cinco dos seis biomas brasileiros em 2024: Pantanal, Pampa, Cerrado, Amazônia e Caatinga. A Mata Atlântica foi a única exceção, mantendo-se estável em relação a 2023, apesar dos impactos dos eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul.

    A área total desmatada no país somou 1.242.079 hectares, representando uma redução de 32,4% em comparação com 2023. O número de alertas validados caiu 26,9%, totalizando 60.983 registros no ano passado.

    Redução do desmatamento por bioma em 2024 (comparado a 2023):

    • Pantanal: queda de 58,6%
    • Pampa: queda de 42,1%
    • Cerrado: queda de 41,2%
    • Amazônia: queda de 16,8%
    • Caatinga: queda de 13,4%
    • Mata Atlântica: aumento de 2%

    O Pantanal e o Pampa lideraram as maiores reduções, seguidos pelo Cerrado, Amazônia e Caatinga. A Mata Atlântica apresentou leve crescimento devido aos desmatamentos provocados por eventos climáticos extremos, que, sem esses impactos, teriam resultado em uma redução de 20% na área desmatada.

    Cerrado: maior área desmatada

    Pelo segundo ano consecutivo, o Cerrado concentrou a maior área desmatada no país, com 652.197 hectares, o que corresponde a 52,5% do total nacional. A região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) concentrou 75% do desmatamento no Cerrado e cerca de 42% da perda total de vegetação nativa no Brasil. Apesar disso, o desmatamento no Cerrado caiu 40% em relação a 2023. O Maranhão lidera o ranking estadual, com 218.298,4 hectares desmatados, uma redução de 34,3%.

    Amazônia: segunda maior área desmatada

    A Amazônia registrou 377.708 hectares desmatados, representando 30,4% do total nacional. Essa área é a menor desde o início da série histórica do RAD em 2019. Juntos, Cerrado e Amazônia responderam por quase 89% da área desmatada em 2024.

    Outros biomas

    A Caatinga ocupou o terceiro lugar em área desmatada, com 174.511 hectares (14%). Pantanal e Mata Atlântica representaram 1,9% (23.295 hectares) e 1,1% (13.472 hectares), respectivamente. O Pampa teve a menor área desmatada, com 896 hectares (0,1%). Sistemas de detecção por sensoriamento remoto ainda enfrentam limitações em ambientes campestres, podendo subestimar o desmatamento no Pampa e Pantanal.

    Terras Indígenas e Unidades de Conservação

    Dois terços das Terras Indígenas (TIs) não registraram desmatamento em 2024. Apenas 33% das TIs tiveram algum evento, totalizando 15.938 hectares perdidos, uma redução de 24% em relação a 2023, equivalente a 1,3% do total desmatado no país. As Unidades de Conservação (UCs) perderam 57.930 hectares, uma queda de 42,5%. Em UCs de Proteção Integral, a redução foi de 57,9%, com 4.577 hectares desmatados. A APA Triunfo do Xingu (PA) foi a UC com maior área desmatada, com 6.413 hectares, 31,7% menos que em 2023.

    O MapBiomas Alerta consolida, valida e refina dados de diversos sistemas de monitoramento do desmatamento no Brasil, como o Deter (Inpe) e os Sistemas de Alerta de Desmatamento (SADs) do Imazon, SOS Mata Atlântica-ArcPlan e Pampa/UFRGS/Geokarten. Cada alerta recebe análise detalhada com imagens de satélite em alta resolução, mostrando o antes e depois do desmatamento. Os laudos cruzam informações geográficas, fundiárias e administrativas para fornecer documentos completos sobre cada evento detectado.

    Resumo dos principais dados de 2024:

    • Redução de 32,4% na área desmatada em relação a 2023
    • Queda de 26,9% no número de alertas validados
    • Maior desmatamento concentrado no Cerrado e Amazônia (89% do total)
    • Pantanal e Pampa com maiores quedas percentuais
    • Estabilidade na Mata Atlântica, afetada por eventos climáticos extremos
    • Redução significativa do desmatamento em Terras Indígenas e Unidades de Conservação

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  • GTFI completa 10 anos com avanços na rastreabilidade da pecuária brasileira

    GTFI completa 10 anos com avanços na rastreabilidade da pecuária brasileira

    O Grupo de Trabalho de Fornecedores Indiretos (GTFI) celebrou uma década de conquistas em um evento realizado nesta terça-feira (25/03), na capital paulista. Desde 2014, o fórum tem desenvolvido soluções inovadoras para rastrear fornecedores indiretos na cadeia da carne bovina, fortalecendo a sustentabilidade e a credibilidade internacional do setor pecuário brasileiro.

    Durante o XII Encontro do GTFI, lideranças do setor privado, ONGs e órgãos governamentais discutiram os resultados de uma década de colaboração. Mauro Armelin, diretor da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira (AdT), destacou: “Este é um espaço seguro para cooperação, onde stakeholders unem esforços para resolver desafios complexos, como a rastreabilidade global da cadeia pecuária”.

    Uma década de inovação

    Nos últimos 10 anos, o GTFI implementou iniciativas como:

    • Protocolo de adesão voluntária com monitoramento por lote e zonas de risco (Mato Grosso e Pará).
    • Boas Práticas Socioambientais, baseadas em quatro pilares: conformidade legal, análise de risco, transparência e engajamento de fornecedores.
    • Subgrupo técnico para criar regras unificadas de rastreabilidade, em desenvolvimento desde 2023.

    “O documento técnico em elaboração será crucial para orientar frigoríficos, órgãos governamentais e investidores, além de embasar acordos com o Ministério Público Federal”, explicou Cintia Cavalcanti, analista da AdT.

    Empresas apresentam iniciativas

    No evento, representantes da Masterboi, Marfrig e JBS compartilharam suas plataformas de monitoramento de fornecedores diretos e indiretos. Apesar dos avanços, as empresas destacaram desafios, como a falta de transparência de dados públicos sobre propriedades rurais, que limita a rastreabilidade total.

    Ricardo Negrini, procurador do MPF no Pará, reforçou a necessidade de incluir fornecedores indiretos em acordos setoriais. Dados do 6º ciclo de auditorias do MPF no estado revelaram:

    • 38% das propriedades em conformidade.
    • 27% com risco de irregularidades.
    • 35% sem identificação no Cadastro Ambiental Rural (CAR).

    Os principais problemas estão vinculados a desmatamento e áreas embargadas.

    Fernando Sampaio, da ABIEC, destacou a importância dos protocolos socioambientais brasileiros para garantir acesso a mercados internacionais. “A rastreabilidade não é só uma exigência, mas um diferencial competitivo”, afirmou.

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  • COP29: Brasil afirma que pode dobrar produção de alimentos

    COP29: Brasil afirma que pode dobrar produção de alimentos

    O Brasil tem potencial para dobrar a produção de alimentos sem desmatar, afirmou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) durante a COP29. Representando a pasta, o assessor especial Carlos Ernesto Augustin participou do painel “Transição de um sistema alimentar saudável, sustentável e justo: oportunidades econômicas”. O evento ocorreu nesta segunda-feira (18), em Baku, no Azerbaijão.

    Augustin destacou o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD), criado em dezembro de 2023. Em resumo, o programa busca recuperar 40 milhões de hectares de pastagens degradadas, promovendo sistemas agropecuários e florestais sustentáveis. Segundo ele, o Brasil tem todos os recursos necessários para implementar o PNCPD, incluindo tecnologia avançada, produtores capacitados e financiamentos com juros competitivos.

    Ou seja, com iniciativas como o PNCPD, o Mapa reforça seu compromisso de aumentar a produção sem ampliar o desmatamento. As práticas sustentáveis também ajudam a reduzir as emissões de carbono. Dessa forma, o Brasil se consolida como um modelo global de produção sustentável.

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    Sobre o PNCPD

    O Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas foi instituído pelo Decreto 11.815/2023. Ele promove políticas públicas voltadas à recuperação de pastagens e ao uso sustentável das terras. Entre as ações previstas estão: adoção de tecnologias sustentáveis, mapeamento de áreas prioritárias e financiamento para produtores. Além disso, o programa incentiva o desenvolvimento de planos de negócios baseados nas aptidões regionais.

     

  • Desmatamento na Mata Atlântica cai 55% no primeiro semestre de 2024

    Desmatamento na Mata Atlântica cai 55% no primeiro semestre de 2024

    O desmatamento na Mata Atlântica diminuiu 55% no primeiro semestre de 2024, segundo o Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD). Em resumo, a Mata Atlântica perdeu 21.401 hectares entre janeiro e junho, uma queda em relação aos 47.896 hectares desmatados no mesmo período de 2023. A Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o MapBiomas, divulgou os dados.

    Apesar da redução, a SOS Mata Atlântica alerta que o impacto do desmatamento ainda é grave. A área destruída equivale a 20 mil campos de futebol. Portanto, a fundação reforça que, embora possível, zerar o desmatamento no bioma continua sendo um grande desafio.

    Políticas públicas e fiscalização contribuem para a redução

    A queda no desmatamento reflete ações como o fortalecimento da fiscalização ambiental e o corte de crédito para desmatadores ilegais. Além disso, embargos remotos, que impedem o uso comercial de áreas desmatadas detectadas via satélite, também contribuíram.

    “O avanço na aplicação das políticas públicas ambientais, com o fortalecimento do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama, foi essencial”, afirma Luís Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da SOS Mata Atlântica. Ele destaca que os dados atuais são um alívio, mas reforça a importância de manter a vigilância.

    Em áreas de encraves da Mata Atlântica, situadas na transição com outros biomas, o desmatamento caiu 58%. “Essa redução é resultado de estratégias nacionais de combate ao desmatamento, como as ações no Cerrado e na Caatinga”, explica Guedes Pinto.

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    Desmatamento zero até 2030 é meta desafiadora

    Segundo o MapBiomas, restam apenas 24% da cobertura original da Mata Atlântica, abaixo do mínimo de 30% indicado por estudos. Grande parte das florestas naturais está fragmentada em áreas menores que 50 hectares, sendo 80% delas em propriedades privadas.

    Guedes Pinto ressalta que o Brasil deve alcançar o desmatamento zero em todos os biomas até 2030, conforme o Acordo de Paris. “A Mata Atlântica pode ser o primeiro bioma a atingir essa meta, devido à maior governança e ao desmatamento relativamente menor”, avalia.

    Entretanto, ele aponta a impunidade como um obstáculo. “É crucial reforçar a aplicação da Lei da Mata Atlântica e implementar incentivos econômicos, como o pagamento por serviços ambientais e o mercado de carbono”, defende.

    Queimadas continuam sendo desafio ambiental

    Malu Ribeiro, diretora de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, alerta sobre o impacto das queimadas. Este ano, incêndios criminosos atingiram níveis alarmantes, superando áreas desmatadas em 2023.

    “As queimadas não causam desmatamento imediato, mas degradam a floresta. Em longo prazo, podem levar à perda total de pequenos fragmentos”, explica Guedes Pinto. Além de prejudicar a biodiversidade, as queimadas aumentam as emissões de gases de efeito estufa.

    Proteger áreas impactadas é essencial para garantir a recuperação da floresta. “Os efeitos das queimadas podem se equiparar aos do desmatamento no médio e longo prazos”, conclui Guedes Pinto.

     

  • Governador de Mato Grosso sanciona lei contra Moratória da Soja

    Governador de Mato Grosso sanciona lei contra Moratória da Soja

    O governador Mauro Mendes vai sancionar o projeto de lei estadual nº 2256/2023, que retira benefícios fiscais de empresas envolvidas na moratória da soja em Mato Grosso. A sanção será publicada no Diário Oficial do Estado nesta segunda-feira (21).

    Para o governador, a aprovação da lei é um marco para a produção do estado. “A Assembleia aprovou, e nós, como governo, vamos sancioná-la. Espero que as empresas revejam suas posições no Brasil e respeitem a legislação brasileira, em vez de seguirem regras não previstas por lei”, afirmou Mendes, destacando a importância de proteger o mercado do agronegócio mato-grossense.

    Impacto da moratória da soja no estado

    A moratória da soja, estabelecida em 2006, proíbe a comercialização de soja produzida em áreas desmatadas da Amazônia, mesmo que o desmatamento tenha ocorrido legalmente. Além disso, o governador criticou o acordo, alegando que ele desrespeita a lei brasileira e prejudica os produtores locais. “Há um ano alertamos que tomaríamos medidas caso as sanções contra o estado continuassem. Mesmo após vários diálogos, a moratória não foi suspensa”, explicou Mendes.

    Ele reforçou que o Brasil possui uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo e que Mato Grosso cumpre integralmente o Código Florestal. Ou seja, “no bioma amazônico, os proprietários de terras só podem utilizar 20% da área, sendo obrigatória a preservação dos 80% restantes”, destacou, ressaltando que a maioria dos produtores reconhece os prejuízos do desmatamento ilegal.

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    Apoio do setor produtivo

    Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja-MT, elogiou a decisão do governador, afirmando que ela corrige uma distorção que afeta o desenvolvimento sustentável do estado. “Essa medida alinha-se com o que o governador sempre defendeu e é um passo importante para o desenvolvimento de Mato Grosso. Além disso, Beber declarou que desde 2009, o desmatamento ilegal de mais de 250 mil hectares impactou negativamente o meio ambiente e o crescimento de diversos municípios.

    Com a sanção da lei, o governo espera fortalecer o cumprimento das leis ambientais brasileiras e garantir a proteção do agronegócio em Mato Grosso.

     

  • Desmatamento na Amazônia afeta cultivo de soja e milho

    Desmatamento na Amazônia afeta cultivo de soja e milho

    O avanço do desmatamento na Amazônia para a expansão da agropecuária tem gerado preocupações entre especialistas, que alertam que essa prática pode prejudicar o próprio setor agrícola. Uma nova pesquisa revela os impactos diretos dessa destruição nas safras de soja e milho, essenciais para a economia brasileira.

    As áreas mais afetadas pelo desmatamento, incluindo o norte do Mato Grosso, Rondônia e sul do Amazonas, já enfrentam atrasos no início da estação chuvosa, crucial para o plantio da soja. Esse atraso também compromete o cultivo subsequente de milho, que depende da colheita da soja.

    Pesquisadores do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) analisaram dados de 20 anos, entre 1999 e 2019, e descobriram que as regiões com maior perda de floresta apresentaram um atraso acumulado de cerca de 76 dias no início da estação chuvosa agrícola. Essas áreas também registraram uma redução de 360 mm nas chuvas e um aumento de 2,5 ºC na temperatura máxima.

    O estudo, publicado no International Journal of Climatology, foi pioneiro ao isolar os efeitos do desmatamento em relação a outros fatores climáticos, como o aquecimento global e fenômenos naturais como El Niño e La Niña. O climatologista Argemiro Teixeira, responsável pela pesquisa, explica que as mudanças climáticas têm um efeito cumulativo ao longo das décadas, enquanto os impactos do desmatamento são quase imediatos. “A remoção da vegetação reduz automaticamente a umidade. As secas e os problemas enfrentados pela agricultura não são causados apenas pelas mudanças climáticas e El Niño, mas também pelo desmatamento”, afirma.

    Impacto do desmatamento nas safras de soja e milho

    O estudo quantificou o impacto do desmatamento nas safras de soja e milho, que dependem fortemente do início da estação chuvosa. “Quando começa a chover, os produtores plantam a soja. Se plantarem antes da chuva, podem perder tudo”, explica Teixeira. A janela para o plantio é curta, variando entre seis a sete meses; portanto, um atraso nas chuvas pode inviabilizar a segunda safra.

    Teixeira também destaca que o impacto do desmatamento é regional. “Proprietários em áreas mais preservadas têm menor risco de atraso no plantio. Já aqueles em áreas degradadas enfrentam riscos maiores”, diz ele.

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    Além disso, mesmo propriedades que cumprem as normas do Código Florestal podem sofrer com a falta de chuvas se seus vizinhos não preservarem adequadamente a vegetação nativa. O estudo da UFMG revela que nas regiões onde 80% da floresta foi perdida, existe um risco de 58% de ocorrer uma queda no volume de chuva superior a 100 mm durante a primeira safra de soja. Para a segunda safra de milho, esse risco é de 44%, enquanto nas áreas com mais de 80% de cobertura florestal, o risco se reduz pela metade.

    Teixeira alerta que essa situação pode impactar o seguro agrícola no futuro. “Os prêmios terão que ser ajustados para considerar o nível de conservação das propriedades ao conceder seguros e créditos”, opina.

    Mudanças climáticas

    As mudanças climáticas já têm afetado negativamente o agronegócio em todo o Brasil. De acordo com dados da Serasa Experian, houve um aumento significativo nos pedidos de recuperação judicial por produtores rurais. Grande parte devido às perdas nas lavouras causadas por condições climáticas adversas. Entre janeiro e setembro de 2023, foram registrados 80 pedidos, um aumento de 300% em comparação com o ano anterior.

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    Enquanto isso, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) revisou suas expectativas para a safra de soja deste ano. E reduziu a previsão inicial de 160,3 milhões de toneladas para 156,1 milhões.

    Os alertas sobre a importância da floresta para as práticas agrícolas são recorrentes na comunidade científica. No entanto, decisões políticas recentes, como as alterações no Código Florestal que flexibilizaram a proteção da vegetação nativa no Brasil, não levaram em conta esses avisos cruciais.

  • Glocal Amazônia coloca Manaus no centro do debate ambiental

    Glocal Amazônia coloca Manaus no centro do debate ambiental

    O festival Glocal Amazônia começa hoje (22) e segue até 24 de agosto em Manaus. O evento, que terá entrada gratuita, discutirá temas cruciais como a Amazônia e o G20, queimadas, estiagem e bioeconomia. O festival também abordará a inovação sistêmica e negócios de impacto, além de explorar o futuro do estado com o tema “Amazonas 2030”. Entre as atrações, está Isabelle Nogueira, dançarina do Boi Garantido e ex-BBB, uma voz importante da Amazônia no Brasil.

    Glocal Amazônia

    A programação será diversificada, com debates, arte, música e oficinas espalhados por três locais no centro de Manaus. O Palco Glocal, no Contemporâneo Eventos, sediará os principais painéis e debates. Já o Palácio da Justiça será o espaço das oficinas e workshops do Glocal Lab e da TecnoGlocal. Além disso, no Largo de São Sebastião, o Palco Glow receberá shows e intervenções artísticas. Em resumo, o objetivo é colocar a Amazônia no centro das discussões ambientais, trazendo vozes locais e internacionais para dialogar sobre as principais questões da região.

    O evento seguirá os princípios de sustentabilidade e inclusão, sendo gratuito, gerando pouco resíduo e usando materiais sustentáveis. A curadoria priorizará temas da Amazônia, com 70% dos palestrantes locais e 80% da equipe formada por profissionais da região. “A Glocal é uma plataforma de ideias e conexões criada pela Dream Factory, com a meta de acelerar os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Esperamos impactar positivamente as pessoas durante os três dias de evento, trazendo informações relevantes e entretenimento”, afirmou Malu Sevieri, Head de Glocal na Dream Factory.

    Na primeira edição, a Glocal Amazônia mobilizou 22 mil pessoas, contou com 137 palestrantes e 55 horas de oficinas, gerou mais de 160 empregos e foi um evento carbono neutro e lixo zero. Para 2024, a meta é ampliar o impacto e a abrangência do festival. “Queremos conectar diferentes ativistas, regiões e povos da Amazônia para debater os ODS a partir do ponto de vista de quem vive na região, subsidiando políticas públicas bem embasadas”, afirmou Rodrigo Baggio, diretor de conteúdo e relações institucionais da Glocal.

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    Temas dos debates

    Os debates no Palco Glocal abordarão desde educação, saúde e segurança até temas específicos, como “Amazônia e G20”, “Queimadas e estiagem”, “Amazonas 2030” e “Bioeconomia”. Um dos painéis mais urgentes será “Amazônia em Chamas: Combatendo Queimadas e Estiagem”. Além disso, oficinas sobre reaproveitamento, moda, saúde e tecnologia estarão disponíveis, incluindo o workshop “Ecofeminismo Negro”, promovido pelo Movimento Dandara.

    Ao mesmo tempo, a TecnoGlocal, no Palácio da Justiça, oferecerá experiências imersivas em games e filmes de realidade virtual e aumentada. “Trazer o Glocal Amazônia para Manaus pelo segundo ano é essencial para destacar a importância da região no cenário global”, destacou Wilson Lima, governador do Amazonas. Ele reafirmou o papel do evento na preservação ambiental de um dos ecossistemas mais importantes do mundo.

    Entre os destaques do evento, um painel discutirá “A Importância da Comunicação de Massa na Promoção da Sustentabilidade”, com personalidades da Rede Amazônica e da TV Globo. O debate sobre o papel das mídias de massa na preservação da Amazônia contará com a presença de Isabelle Nogueira, que tem se destacado como uma importante voz da região no Brasil.

    Sobre a Glocal

    A Glocal é uma plataforma que conecta ideias, ações e pessoas para promover um mundo mais sustentável. Seu lema, “Pensar global, agir local”, reflete o compromisso de democratizar discussões sobre sustentabilidade e inovação. Ou seja, a Glocal busca transformar globalmente através da conscientização individual e de políticas públicas eficazes, traduzindo os ODS para o dia a dia da população.