Tag: desmatamento

  • Estudo propõe protocolo nacional único para soja e carne bovina

    Estudo propõe protocolo nacional único para soja e carne bovina

    Um estudo do WRI Brasil propõe a criação de um protocolo unificado para as cadeias brasileiras de soja e carne bovina. A iniciativa pretende integrar ferramentas já existentes de monitoramento e rastreabilidade para facilitar o comércio internacional, especialmente com a China, sem estabelecer novas exigências para os produtores.

    Segundo o instituto, o Brasil já dispõe de instrumentos capazes de monitorar o desmatamento e acompanhar a origem da produção agropecuária. No entanto, esses sistemas funcionam de forma isolada e adotam critérios diferentes, o que dificulta sua compreensão por compradores e investidores internacionais.

    Estudo aponta diferenças entre protocolos existentes

    A pesquisa analisou 21 iniciativas, entre protocolos, certificações, acordos voluntários, plataformas públicas e sistemas de rastreabilidade utilizados nas cadeias de soja e carne bovina.

    O levantamento identificou divergências em aspectos como:

    • datas de corte para desmatamento;
    • critérios de avaliação;
    • monitoramento de fornecedores indiretos;
    • auditorias e processos de verificação.

    De acordo com o WRI Brasil, essas diferenças reduzem a credibilidade dos sistemas brasileiros e tornam mais difícil para importadores identificar quais padrões devem ser seguidos.

    Objetivo é integrar regras já existentes

    O estudo reforça que a proposta não cria novas normas para o setor.

    A recomendação é harmonizar os critérios técnicos atualmente utilizados, integrar bases de dados e simplificar os processos de auditoria, criando um referencial único para as cadeias produtivas.

    Na avaliação do instituto, essa integração pode fortalecer a rastreabilidade, reduzir riscos reputacionais e aproximar os sistemas brasileiros das exigências internacionais, incluindo as previstas no Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento (EUDR).

    China é apontada como parceira estratégica

    O relatório destaca que a China permanece como o principal destino das commodities agropecuárias brasileiras.

    Para os pesquisadores, Brasil e China têm condições de liderar a construção de um padrão internacional voltado para cadeias produtivas livres de desmatamento.

    O documento, intitulado Tracing Responsibility: Strengthening Deforestation Monitoring in Brazil’s Soy and Beef Supply Chains, foi desenvolvido pelo WRI Brasil com apoio da BV Rio, Amigos da Terra, Principles for Responsible Investment (PRI), WRI China e Proforest.

    Recomendações

    No setor pecuário, o estudo recomenda acelerar o monitoramento dos fornecedores indiretos, sem aguardar a implementação completa da identificação individual obrigatória dos animais.

    Além disso, a proposta prevê a migração gradual para sistemas individuais de rastreabilidade, ampliando a transparência da cadeia produtiva.

    Para a cadeia da soja, o estudo recomenda fortalecer a rastreabilidade desde a fazenda de origem. Entre as medidas sugeridas estão a integração de tradings, cooperativas e plataformas estaduais, além da conexão de informações fiscais para tornar os registros mais confiáveis.

  • Governo usará dados de desmatamento em negociações com os EUA; entenda

    Governo usará dados de desmatamento em negociações com os EUA; entenda

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (11) que o governo brasileiro enviará aos EUA os dados mais recentes sobre a redução do desmatamento no país. A medida ocorre em meio às discussões envolvendo uma possível ampliação de tarifas sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.

    Durante visita ao Observatório Regional Amazônico (ORA), da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Brasília, Lula disse que as informações serão encaminhadas ao representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

    Segundo o presidente, o governo pretende apresentar os avanços ambientais alcançados pelo Brasil para contestar argumentos utilizados por autoridades americanas ao defenderem medidas tarifárias contra o país.

    “Vamos ter que pegar esses dados e mandar para o cidadão do comércio dos Estados Unidos, que coloca a questão do desmatamento como justificativa para punir o Brasil com uma taxação maior”, declarou.

    Além disso, Lula afirmou que o governo fará comparações entre os indicadores ambientais brasileiros e os resultados registrados pelos Estados Unidos.

    “Agora é a hora da comparação. Eles mentiram na primeira vez que taxaram o Brasil em 50%, dizendo que tinha déficit comercial. Nós provamos que tiveram superávit muito alto em 15 anos”, pontuou.

    “É muito mais barato a gente trabalhar para evitar o desmatamento”, afirma o presidente — Foto: Ricardo Stuckert/PR

    Dados ambientais

    De acordo com o presidente, parte das críticas feitas pelos Estados Unidos ao Brasil estaria baseada no desconhecimento das políticas implementadas para combater o desmatamento.

    O tema ganhou ainda mais relevância após o governo americano recomendar, na semana passada, a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi sugerida com base em investigações conduzidas pela Seção 301 do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

    Entre os pontos analisados pelo órgão estão questões relacionadas ao desmatamento, ao etanol, ao sistema de pagamentos Pix e ao comércio popular da Rua 25 de Março.

    Na quarta-feira (10), durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), conhecido como Conselhão, Lula voltou a criticar as medidas protecionistas adotadas pelo governo de Donald Trump e questionou as críticas feitas ao desempenho ambiental brasileiro.

    “Quero saber quais são os direitos que os trabalhadores [dos EUA] têm para vir um tal de diretor financeiro impor multa por causa do desmatamento. Será que eles não percebem que eles já estão carecas?”, afirmou durante discurso.

    Desmatamento em queda

    Segundo um levantamento divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento registrou queda tanto no Cerrado quanto na Amazônia em maio deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025.

    No Cerrado, a redução foi de 12,2%. Já na Amazônia, a retração alcançou 61,4%.

    Lula classificou os números como um resultado “extraordinariamente positivo” e destacou a importância da cooperação entre governos federal, estaduais e municipais. Além disso, defendeu o fortalecimento da estrutura dos órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental.

    Ministério do Meio Ambiente descarta motivação política

    O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que a divulgação dos indicadores ambientais não teve o objetivo de responder diretamente ao governo americano.

    Segundo ele, a publicação dos dados segue uma política de transparência adotada pelo Brasil há anos.

    Ao comentar os resultados, entretanto, o ministro afirmou que a redução do desmatamento enfraquece as acusações feitas pelos americanos.

    “Põe por terra definitivamente a acusação injusta e improcedente dos Estados Unidos”, declarou, ao se referir ao uso da questão ambiental como justificativa para a adoção de tarifas.

    Capobianco também rebateu críticas relacionadas à exportação de madeira brasileira. De acordo com o ministro, toda a madeira destinada ao mercado externo passa por sistemas de monitoramento.

    “O Brasil não está promovendo desmatamento ilegal; Brasil não está exportando madeira ilegal”, afirmou.


    A rastreabilidade da madeira é uma exigência crescente dos mercados internacionais e tem ganhado importância nas exportações brasileiras — Foto: Ibama

    Dados devem subsidiar negociações comerciais

    As informações divulgadas pelo Ministério do Meio Ambiente poderão servir como base técnica para as negociações conduzidas pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) com autoridades norte-americanas.

    Com isso, o governo espera utilizar os resultados ambientais mais recentes como argumento para fortalecer a posição brasileira nas discussões comerciais e reduzir pressões sobre as exportações do país, especialmente de setores ligados ao agronegócio, à bioenergia e às commodities agrícolas.

  • Floresta em pé: modelo de pagamento busca escala no agronegócio brasileiro

    Floresta em pé: modelo de pagamento busca escala no agronegócio brasileiro

    Um modelo que remunera produtores rurais pela preservação de vegetação nativa no Brasil avança e busca ganhar escala sem depender de doações internacionais. A iniciativa mira áreas onde o desmatamento é legalmente permitido e tenta transformar a floresta em pé em ativo econômico.

    O programa, baseado em pagamento por serviços ambientais (PSE), incentiva proprietários a manter excedentes de reserva legal, áreas além do mínimo exigido pelo Código Florestal. Essas regiões, apesar de protegidas voluntariamente, poderiam ser convertidas para agricultura ou pecuária com autorização.

    Entre 2020 e 2024, um projeto piloto conservou mais de 20 mil hectares nos biomas Cerrado e Amazônia. A iniciativa contou com financiamento internacional e envolveu propriedades rurais de médio e grande porte. Novos contratos ampliaram a área protegida em mais 7 mil hectares, com apoio de empresas do agronegócio comprometidas com cadeias livres de desmatamento.

    O avanço do modelo ocorre em meio a um cenário preocupante. Dados recentes indicam que quase 70% dos alertas de desmatamento no Brasil ocorrem em áreas privadas. Além disso, cerca de 3,6 milhões de hectares foram desmatados legalmente entre 2008 e 2024 no Cerrado e na Amazônia. Isso é o equivalente a uma área maior que a Bélgica.

    O Código Florestal permite a supressão de vegetação nativa além do limite obrigatório de preservação, que varia de 20% a 80% conforme o bioma. Esse excedente representa milhões de hectares com potencial de conversão, o que pressiona biodiversidade, recursos hídricos e o equilíbrio climático.

    Especialistas alertam que o desmatamento legal também ameaça a produtividade agrícola no longo prazo, ao comprometer regimes de chuva e elevar temperaturas.

    Pagamento como incentivo econômico

    O modelo de PSE oferece pagamentos regulares a produtores que mantêm a vegetação nativa intacta. O valor leva em conta fatores como risco de desmatamento, serviços ambientais prestados e valor da terra.

    Além da renda adicional, produtores relatam benefícios indiretos, como redução de incêndios, aumento da biodiversidade e melhoria nas condições climáticas locais.

    O programa exige conformidade com a legislação ambiental, monitoramento via satélite e auditorias independentes. Irregularidades podem gerar penalidades.

    Desafio agora é escalar

    Após a fase piloto, o principal desafio passa a ser a expansão do modelo. A viabilidade depende de fontes estáveis de financiamento e de mecanismos que garantam previsibilidade de receita.

    Estudos apontam três caminhos principais para escalar o programa:

    • Comercialização de créditos de carbono
    • Pagamento de prêmios por commodities livres de desmatamento
    • Acesso a crédito rural com juros reduzidos

    A combinação desses instrumentos surge como a alternativa mais viável para sustentar o modelo no longo prazo.

    O Brasil já possui uma política nacional de pagamento por serviços ambientais, mas ainda carece de regulamentação que padronize critérios de cálculo e amplie a segurança jurídica.

    Créditos de carbono aparecem como opção promissora, mas enfrentam desafios relacionados à credibilidade e à mensuração, especialmente no Cerrado.

    Floresta em pé ainda enfrenta barreira econômica

    Apesar dos avanços, a conservação voluntária ainda enfrenta um obstáculo central: a rentabilidade. Sem incentivos financeiros contínuos, a tendência é que áreas com potencial produtivo avancem para o desmatamento legal.

    A conversão dessas áreas segue como alternativa economicamente mais atrativa para muitos produtores, o que reforça a necessidade de políticas e mercados que valorizem a floresta em pé.

    Especialistas destacam que o combate ao desmatamento exige múltiplas estratégias e integração entre setor público e privado. Sem isso, milhões de hectares de vegetação nativa seguem sob risco de conversão nos próximos anos.

  • Desmatamento no Brasil cai 20,6% em 2025 e atinge menor nível desde 2019

    Desmatamento no Brasil cai 20,6% em 2025 e atinge menor nível desde 2019

    O Brasil registrou uma redução de 20,6% no desmatamento em 2025, atingindo um marco histórico: pela primeira vez desde 2019, a área total de vegetação nativa suprimida ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano. O MapBiomas divulgou os dados nesta quarta-feira (27), durante o lançamento do Relatório Anual do Desmatamento (RAD2025) na sede do Ibama, em Brasília.

    Amazônia e Cerrado continuam como os biomas mais afetados, respondendo por mais de 84% de toda a área desmatada no país durante o ano passado.

    Fiscalização e multas recordes

    O avanço da fiscalização do Ibama desempenhou um papel central no controle de crimes ambientais. Ao longo de 2025, o órgão registrou 6.451 autos de infração e aplicou R$ 2,7 bilhões em multas por crimes contra a flora.

    As medidas punitivas também incluíram 5.046 termos de embargo, que paralisaram atividades em 510.931 hectares desmatados ilegalmente. Desse total, a Amazônia concentrou 87% das áreas embargadas, seguida pela Caatinga (6%) e pelo Cerrado (5%).

    Estratégia e recuperação ambiental

    O governo credita esses resultados positivos às diretrizes dos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento. Sob a liderança do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a articulação entre instituições federais, estaduais e a sociedade civil garantiu a eficiência das operações em campo.

    Além de combater o crime, o Ibama foca agora na restauração do que foi perdido. O instituto deve lançar em breve um edital para selecionar projetos de recuperação de vegetação nativa. A iniciativa utilizará recursos do programa de conversão de multas para restaurar diferentes biomas brasileiros.

  • Nova regra sobre crédito rural acende alerta no campo

    Nova regra sobre crédito rural acende alerta no campo

    A Resolução CMN nº 5.268, em vigor desde 1º de abril de 2026, representa uma das mudanças mais relevantes no regime jurídico do crédito rural brasileiro dos últimos anos. A norma alterou o Manual de Crédito Rural e criou uma exigência nova: antes de liberar financiamento com recursos controlados, os bancos precisam consultar bases de monitoramento ambiental por satélite.

    O sistema utilizado é o PRODES, o programa de detecção de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A principal mudança é a obrigação imposta às instituições financeiras de consultar essas bases antes de conceder crédito rural, especialmente em operações relacionadas a imóveis rurais com área superior a quatro módulos fiscais. Para propriedades menores, a exigência entra em vigor em janeiro de 2027.

    O problema está justamente no que o PRODES enxerga e no que ele não consegue distinguir. O sistema detecta alterações no uso do solo, mas não analisa se aquela alteração foi legal ou ilegal. Isso significa que uma supressão de vegetação autorizada por um órgão ambiental competente, devidamente documentada, pode aparecer como sinal de alerta no sistema e travar o acesso ao crédito do produtor.

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) ajuizou, em 15 de abril de 2026, ação no Supremo Tribunal Federal questionando a constitucionalidade da norma. A alegação coloca em pauta se é permitido o Estado usar uma ferramenta tecnológica de detecção, sem capacidade de aferir legalidade, como critério para negar acesso a financiamento.

    Enquanto isso, o produtor rural que enfrentar restrições ao crédito em razão de apontamentos nos sistemas de monitoramento poderá apresentar documentação comprobatória da regularidade ambiental para reanálise pela instituição financeira.

    Brecha judicial que preocupa

    A reforma da Lei de Recuperação Judicial e Falência (Lei nº 14.112/2020) trouxe um avanço importante ao regulamentar o acesso do produtor rural pessoa física ao regime de insolvência empresarial. Para isso, a lei passou a exigir comprovação de dois anos de atividade rural regular, com documentação contábil e fiscal: Livro Caixa Digital do Produtor Rural, declaração de imposto de renda e balanço patrimonial.

    A lógica é simples, quem acessa a recuperação judicial precisa provar que é, de fato, um produtor rural em atividade. O problema é que o Judiciário tem flexibilizado essas regras objetivas, utilizando a “consolidação substancial”, instituto que unifica de forma excepcional os ativos e passivos de um grupo econômico, para admitir na recuperação judicial familiares que não cumprem os requisitos.

    Com isso, a mera existência de laços familiares ou garantias cruzadas entre membros de um grupo econômico tem bastado para incluir na recuperação judicial pessoas que nunca comprovaram exercer atividade rural. O alerta foi levantado pelo sócio Renato Buranello e pela advogada Juliana Bento, na obra “Crise de Insolvência do Produtor Rural”, lançada pelo Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio.

  • Grupo ataca agentes do Ibama na terra indígena Tenharim-Marmelos

    Grupo ataca agentes do Ibama na terra indígena Tenharim-Marmelos

    Criminosos emboscaram agentes do Ibama neste sábado (15/03) em Manicoré, sul do Amazonas. O grupo de cerca de 30 pessoas atacou cinco fiscais durante operação contra exploração ilegal de madeira na Terra Indígena Tenharim-Marmelos.

    Os agentes fiscalizavam ramais clandestinos na área, alvo constante de invasões e desmatamento. Os criminosos agrediram os servidores e dispararam armas de fogo. Os fiscais se esconderam na floresta para se proteger.

    Todos os agentes estão bem. Os agressores incendiaram o veículo da equipe.

    Os fiscais comunicaram o ataque à Polícia Federal (PF), que registrou a ocorrência. Autoridades já identificaram alguns envolvidos. As investigações prosseguem para prender e punir os responsáveis.

    Dados da fiscalização revelam que criminosos escoam madeira ilegal da Terra Indígena Tenharim-Marmelos para Vila Santo Antônio do Matupi, no km 180 da Transamazônica.

    A exploração ilegal de madeira devasta a Amazônia. No Amazonas, mais de 60% da madeira explorada mostra sinais de ilegalidade. Criminosos “esquentam” o produto com planos de manejo falsos, especialmente em terras indígenas e unidades de conservação.

    O Ibama condena os ataques a fiscais e promete apuração rigorosa. Nesta semana, a Justiça condenou cinco pessoas pela destruição de uma aeronave do Instituto em Manaus, em 2021. Violência contra fiscalização ambiental não fica impune.

    O Ibama intensifica ações contra exploração ilegal de recursos na Amazônia. O Instituto atua em parceria com órgãos de segurança pública para proteger a floresta.

  • Governo abre inscrições para regularização de terras na Amazônia

    Governo abre inscrições para regularização de terras na Amazônia

    O governo federal abriu neste sábado (7/2) as inscrições para selecionar organizações que executarão atividades de regularização fundiária e ambiental na Amazônia. O projeto, financiado com R$ 131,9 milhões do Fundo Amazônia, beneficiará cerca de 7 mil famílias que vivem em 48 municípios prioritários para controle do desmatamento.

    O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançaram a chamada pública na última segunda-feira (2/2).

    As entidades interessadas devem estar credenciadas na Anater e apresentar suas propostas de trabalho até 2 de março pelo Sistema de Gestão de Ater (SGA). Dúvidas podem ser enviadas para o e-mail [email protected].

    O programa União com Municípios pela Redução do Desmatamento e Incêndios Florestais na Amazônia (UcM) alcançará famílias em Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima. O público-alvo inclui agricultores familiares, ocupantes de terras públicas federais sem destinação e assentados do INCRA.

    Regularização fundiária e assistência técnica garantem produção sustentável

    A iniciativa combina garantia de propriedade da terra com inclusão produtiva. O projeto oferecerá Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) para que os agricultores aprimorem sua renda de forma sustentável e mantenham a floresta em pé.

    As equipes priorizarão pequenas propriedades rurais, imóveis com até quatro módulos fiscais, localizadas em assentamentos ou glebas públicas federais sem destinação.

    Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, destacou a importância das parcerias. “Com recursos do Fundo Amazônia, vamos fortalecer a regularização fundiária e ambiental e ampliar a assistência técnica e a extensão rural, com equipes em campo orientando a produção sustentável de cerca de 7 mil famílias da agricultura familiar em 48 municípios da Amazônia Legal”, afirmou.

    Projeto une regularização com conservação florestal

    Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, reforçou os objetivos da ação. “Vamos levar a regularização da terra para que o agricultor tenha o documento em mãos, com sua área regularizada e o conhecimento necessário para produzir mais e melhor, mantendo a floresta em pé. Este é o esforço conjunto do governo federal com os municípios para enfrentar o desmatamento com produção sustentável e justiça social”, declarou.

    Camilo Capiberibe, presidente da Anater, destacou que a regularização fundiária representa uma reivindicação histórica da Amazônia. “Com a regularização ambiental, assistência técnica e a extensão rural, vamos fortalecer projetos sustentáveis e ambientalmente responsáveis, valorizar o trabalho das famílias agricultoras, impulsionar a produção de alimentos saudáveis, gerar renda e promover o desenvolvimento das comunidades”, explicou.

    Implementação prevê práticas agroecológicas e sistemas agroflorestais

    Inicialmente, o projeto identificará e visitará agricultores familiares para iniciar a regularização fundiária e ambiental em terras previamente selecionadas. Em seguida, as equipes apoiarão os agricultores na implementação de práticas agroecológicas e sistemas agroflorestais.

    O edital divide 16 lotes entre os 48 municípios prioritários para o controle do desmatamento que aderiram ao União com Municípios até abril de 2024.

    César Aldrighi, presidente do INCRA, avaliou que as ações ampliam o acesso à assistência técnica e fortalecem a produção sustentável na região. “A parceria que estamos firmando possibilitará a assistência técnica às famílias da Amazônia Legal, da agricultura familiar e dos assentamentos, que receberão orientação pelas diretrizes reafirmadas pelo governo na COP30, voltadas à sustentabilidade e à soberania e segurança alimentar dos povos”, pontuou.

    Meta prevê regularização de 30 mil famílias em cinco anos

    Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, destacou o papel do Fundo Amazônia. “No governo Lula, o Fundo Amazônia voltou a ser um instrumento central para promover desenvolvimento sustentável com inclusão social. Este projeto mostra como é possível unir regularização fundiária, assistência técnica e produção sustentável, criando oportunidades reais para agricultores familiares, fortalecendo economias locais e contribuindo para a redução do desmatamento na Amazônia”, afirmou.

    Este é o primeiro projeto do Programa União com Municípios entre três previstos com recursos do Fundo Amazônia para os próximos cinco anos. A meta alcançará a regularização completa de cerca de 30 mil famílias, com investimento total previsto de R$ 600 milhões.

    Programa União com Municípios atende 70 cidades amazônicas

    O Decreto nº 11.687/2023 instituiu o Programa União com Municípios do MMA, que reconhece o protagonismo dos gestores locais na redução do desmatamento e incêndios florestais na Amazônia. Os municípios listados como prioritários para o controle do desmatamento podem aderir voluntariamente, conforme portaria GM/MMA 1.202/2024.

    Com cerca de R$ 800 milhões do Fundo Amazônia e do Projeto Floresta + Amazônia (parceria entre MMA, PNUD e GCF), o programa realiza projetos de regularização fundiária e ambiental, implementa escritórios de governança ambiental nas prefeituras, efetua pagamento por serviços ambientais e promove recuperação da vegetação nativa.

    Atualmente, 70 municípios em sete estados da Amazônia participam da iniciativa. O programa já entregou mais de 1.800 equipamentos, incluindo veículos, embarcações e itens para monitoramento. Além de realizar atividades de formação técnica e pagamento por serviços ambientais para agricultores familiares.

    Fundo Amazônia bate recorde em 2025

    O Fundo Amazônia representa a maior e mais transparente iniciativa para redução de emissões por desmatamento e degradação florestal (REDD+) baseada em resultados do mundo. Criado em 2008, o fundo viabiliza o apoio nacional e internacional a projetos para conservação e uso sustentável das florestas na Amazônia Legal. O MMA coordena e o BNDES gere o fundo.

    Em 2025, o Fundo Amazônia atingiu o maior volume anual desde sua criação, com cerca de R$ 2 bilhões em projetos aprovados. O mecanismo aumentou sua escala de atuação, avançou na restauração de áreas degradadas, expandiu o apoio a atividades produtivas sustentáveis em toda a Amazônia Legal e ampliou ações de combate e prevenção a incêndios florestais para o Cerrado e o Pantanal.

    Entre 2023 e 2025, o Fundo aprovou e contratou R$ 3,7 bilhões em projetos, o equivalente a 56% de todo o volume apoiado desde que o governo o instituiu.  Consolidando a retomada operacional e a ampliação de sua capacidade de execução a partir de janeiro de 2023.

  • De vilã à atração: a mudança na relação com as onças

    De vilã à atração: a mudança na relação com as onças

    A expansão agropecuária está colocando em risco a sobrevivência dos grandes felinos selvagens do Brasil. Uma pesquisa pioneira da Unesp mapeou mais de 14 mil observações de nove espécies de felinos para entender como esses predadores estão se adaptando à perda de habitat em biomas como Cerrado, Amazônia e Pantanal.

    O estudo, publicado na revista científica Biological Conservation, revela que onças-pintadas, suçuaranas e jaguatiricas enfrentam paisagens cada vez mais fragmentadas, o que os força a circular próximo de fazendas, estradas e áreas urbanas – situações frequentemente perigosas tanto para os animais quanto para os humanos.

    Desmatamento ameaça habitat de grandes felinos

    Os números são alarmantes. Segundo a ONG Global Witness, apenas nos estados do Pará e Mato Grosso, foram desmatados 27 milhões de hectares do habitat original das onças-pintadas, uma área superior ao território do Reino Unido.

    Vanesa Bejarano Alegre, autora principal do trabalho e doutora pelo Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro, explica que grandes carnívoros dependem de extensas áreas preservadas para caçar suas presas naturais, como capivaras e jacarés. Quando esses animais escasseiam devido à destruição ambiental, os felinos invadem propriedades rurais em busca de bezerros e aves domésticas.

    “O resultado são confrontos violentos com cães de guarda e fazendeiros armados”, destaca a pesquisadora.

    Três perfis ecológicos de felinos brasileiros

    O estudo propôs uma classificação inédita para os felinos nacionais, dividindo-os em três categorias conforme sua tolerância a ambientes modificados pelo homem:

    • Generalistas – Adaptam-se bem a áreas antropizadas. Incluem a onça-parda, o jaguarundi e o gato-do-mato-grande (embora este último tenha surpreendido os cientistas ao evitar fazendas).
    • Especialistas flexíveis – Toleram proximidade humana, mas preferem habitats naturais. Neste grupo estão a onça-pintada (Panthera onca) e a jaguatirica (Leopardus pardalis), que evitam estradas mas utilizam paisagens heterogêneas.
    • Especialistas estritos – Altamente dependentes de cobertura florestal densa. Espécies como L. wiedii, L. guttulus e L. tigrinus raramente são vistas em áreas abertas.

    A análise utilizou dados de câmeras automáticas (camera traps) instaladas em diversos biomas brasileiros, cruzados com informações de uso do solo fornecidas pela rede MapBiomas.

    Convivência entre fazendeiros e onças mostra sinais de melhora

    Raíssa Sepulvida Alves, bióloga de campo da Panthera Brasil e coautora do estudo, observa avanços na relação entre produtores rurais e grandes felinos nos últimos 15 anos.

    Foto: Ailton Lara/Instagram

    “Antigamente, qualquer morte de gado era automaticamente atribuída às onças, resultando em retaliação. Hoje, com manuais de boas práticas e técnicas de manejo, a situação melhorou”, afirma.

    Entre as medidas eficazes estão cercas elétricas, recolhimento noturno do gado para currais distantes da mata e proteção reforçada para bezerros. Além disso, o turismo de observação de onças em regiões como Porto Jofre, às margens do Rio Cuiabá, tem transformado a percepção local.

    “As pessoas perceberam que as onças valem mais vivas do que mortas. Elas geraram uma nova fonte de renda e deixaram de ser vilãs”, conta Sepulvida.

    Desafios para conservação em um país continental

    Bejarano ressalta que não existe uma solução única para todos os contextos brasileiros. “O Brasil é um continente. Existem inúmeras comunidades com perspectivas diferentes sobre a natureza. Algumas matam por matar, outras não. Esse é o maior desafio na preservação de grandes carnívoros”, analisa.

    O estresse causado por ruídos humanos e a necessidade de forragear em áreas perigosas têm consequências graves. Pesquisas mostram que os felinos apresentam níveis elevados de cortisol e se alimentam de forma apressada nesses ambientes, reduzindo sua expectativa de vida.

    Menos de 5% do Pantanal está protegido

    Um dado preocupante é que menos de 5% do Pantanal está dentro de unidades de conservação formalmente protegidas. A maior parte do bioma consiste em propriedades privadas, o que torna essencial o trabalho de coexistência desenvolvido por organizações como a Panthera.

    O estudo também destaca a importância do compartilhamento de dados científicos. Muitas câmeras instaladas para monitorar outras espécies acabam registrando felinos, e essas informações podem ser reaproveitadas em novas pesquisas.

    Foto: Italo Garcia Alves/ Roceiro Viajante/Redes Sociais

    “Há biomas enormes, como a Amazônia, sofrendo com a falta de dados abertos”, alerta Bejarano, que atualmente trabalha como pós-doutoranda no Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

    A pesquisa revela lacunas críticas no conhecimento científico sobre felinos brasileiros e oferece subsídios para políticas públicas de conservação adaptadas às necessidades específicas de cada espécie.

  • Ibama apreende 1,3 tonelada de pescado ilegal

    Ibama apreende 1,3 tonelada de pescado ilegal

    A região da Calha Norte, no Pará, virou palco de duas grandes operações do Ibama que trouxeram resultados expressivos no combate à degradação ambiental. Entre o final de outubro e meados de novembro, as equipes conseguiram frear atividades ilegais que vinham crescendo na região.

    O trabalho começou em terra firme e depois avançou pros rios. Com apoio da Força Nacional de Segurança Pública, os fiscais percorreram municípios onde o desmatamento vinha acelerando. Algo que os sistemas de monitoramento Deter e Brasil Mais já vinham sinalizando há algum tempo.

    Durante a Operação Calha Norte, que rolou entre 28 de outubro e 9 de novembro, as equipes aplicaram autos de infração que totalizaram R$ 4.250.000,00. Além das multas pesadas, 775,36 hectares foram embargados. Ou seja, essas áreas não podem mais ser exploradas até que a situação seja regularizada.

    A estratégia do Ibama focou em três frentes principais: parar as atividades ilegais no flagrante, identificar e punir os responsáveis, e garantir proteção pras áreas que ainda tavam vulneráveis. Os dados de satélite mostraram que era necessário agir rápido, antes que mais floresta fosse derrubada.

    Mais de uma tonelada de pescado apreendido no período proibido

    Logo depois das ações terrestres, veio a Operação Rios Federais. No dia 15 de novembro, os fiscais interceptaram 1,3 tonelada de peixe que tinha sido capturado ilegalmente no rio Amazonas, perto de Óbidos.

    O pescado incluía principalmente mapará (Hypophthalmus spp.) e aracu (Schizodon fasciatus), espécies protegidas nesta época do ano pelo período de defeso, quando a lei proíbe a pesca para garantir a reprodução dos peixes.

    Foto: Ibama/PA

    Diferente de outras apreensões onde o produto acaba perdido, nesse caso todo o pescado foi doado pra comunidade local depois dos procedimentos administrativos. Uma medida que evita desperdício e ainda ajuda quem precisa.

    Entenda o que é o defeso e porque ele existe

    O defeso é aquele período do ano em que determinadas espécies não podem ser pescadas. No Pará, a Portaria Ibama nº 48/2007 estabelece que entre 15 de novembro e 15 de março a pesca de várias espécies fica totalmente proibida.

    Mas porque isso? Simples: é justamente nessa época que os peixes se reproduzem. Se a pesca continuasse normalmente, os estoques naturais entrariam em colapso e, em alguns anos, poderia não ter mais peixe suficiente nem pra alimentar as comunidades locais.

    As espécies protegidas durante esse período incluem pirapitinga, curimatá, mapará, aracu, pacu, jatuarana, fura-calça e branquinha. Pescadores profissionais cadastrados recebem seguro-defeso durante esses meses pra compensar a parada obrigatória.

    Por que essas operações fazem diferença

    Pode parecer que uma tonelada de peixe ou algumas centenas de hectares embargados não mudam muita coisa no contexto da Amazônia inteira. Mas especialistas em conservação explicam que essas ações tem um efeito muito além dos números.

    Primeiro, elas mostram presença do Estado em regiões remotas onde muitas vezes a fiscalização é escassa. Segundo, servem como alerta pra quem pensa em desrespeitar as regras ambientais. E terceiro, talvez o mais importante, protegem diretamente ecossistemas que são fundamentais pro equilíbrio ambiental de toda a região.

    A proteção das florestas e o respeito aos ciclos reprodutivos das espécies aquáticas não são apenas questões ambientais abstratas. Elas afetam diretamente a segurança alimentar das comunidades ribeirinhas e a manutenção da biodiversidade que torna a Amazônia única no planeta.

    Portanto, as operações integradas do Ibama demonstram que o combate aos crimes ambientais precisa acontecer em múltiplas frentes. Tanto em terra quanto na água, tanto contra o desmatamento quanto contra a exploração ilegal dos recursos naturais.

  • Vírus Oropouche sai da Amazônia e invade Sudeste

    Vírus Oropouche sai da Amazônia e invade Sudeste

    O Brasil enfrenta um surto sem precedentes de febre Oropouche. A doença, que até 2023 estava restrita à região amazônica, avançou para 22 das 27 unidades federativas do país, alarmando autoridades sanitárias e cientistas. Em 2024, foram registrados 13,8 mil casos confirmados no território nacional, 45% deles concentrados no Espírito Santo, que lidera o ranking com 6,3 mil infectados.

     

    Os números de 2025 mostram que o vírus mantém ritmo acelerado de contágio. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) apontam 12,7 mil casos confirmados nas Américas até agosto, sendo 11,8 mil apenas no Brasil. O Ministério da Saúde contabiliza 11.930 infectados até 30 de outubro, com cinco mortes confirmadas e duas sob investigação.

    São Paulo registra crescimento explosivo de casos

    No estado de São Paulo, o avanço da febre Oropouche impressiona: de apenas 8 casos em 2024, o número saltou para 161 até setembro de 2025, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. O crescimento de mais de 2.000% acende o alerta sobre a necessidade de vigilância epidemiológica reforçada.

    Um estudo publicado na revista científica PLOS One em julho identifica os principais fatores por trás da expansão geográfica do vírus Orthobunyavirus oropoucheense (OROV). Pesquisadores da Unesp, USP e Instituto Butantan descobriram que temperaturas elevadas e índices de precipitação acima da média criam condições ideais para a reprodução do mosquito-pólvora (Culicoides paraensis), vetor da doença.

    O fenômeno El Niño, ocorrido entre 2023 e 2024, combinado ao aquecimento global, intensificou as chuvas e o calor em regiões antes menos afetadas, facilitando a proliferação do inseto transmissor.

    Desmatamento reduz predadores naturais do mosquito-pólvora

    Tiago Salomão, pós-doutorando da Unesp e autor do estudo, explica que o desmatamento para criação de pastagens e monoculturas diminui a biodiversidade, eliminando predadores e competidores naturais dos maruins.

    “Em biomas preservados, há mais concorrência com outros insetos e os Culicoides não conseguem se multiplicar no mesmo ritmo”, afirma o pesquisador, que investiga a relação entre mudanças climáticas e doenças epidêmicas.

    A pesquisa revela ainda que cultivos de banana, dendê e algodão favorecem a subsistência das larvas do mosquito, devido ao acúmulo de matéria orgânica em decomposição no solo.

    O estudo identifica que regiões periurbanas — de transição entre campo e cidade — são mais afetadas que ambientes exclusivamente rurais ou urbanos. Indicadores socioeconômicos desfavoráveis também se associam a maior incidência de casos, destacando a dimensão social da epidemia.

    Nova variante pode ser 100 vezes mais transmissível

    Além dos fatores ambientais, evidências laboratoriais sugerem que uma mutação genética recente aumentou significativamente a transmissibilidade do vírus OROV. Experimentos com células de mamíferos mostram que a cepa atual atinge concentrações até cem vezes superiores à versão comum.

    Essa variante pode ainda driblar a memória imunológica de pessoas previamente infectadas, tornando-as vulneráveis a uma nova contaminação — um cenário que preocupa infectologistas e epidemiologistas.

    No contexto das Américas, o Brasil concentra 93% dos casos de febre Oropouche registrados em 2025. Panamá aparece em segundo lugar com 501 casos, seguido pelo Peru com 330 infecções.

    A expansão geográfica sem precedentes da doença demanda vigilância intensificada, investimento em pesquisa científica e ações de preservação ambiental para conter novos surtos.