Tag: COP30

  • COP30 pode gerar R$ 3,3 milhões à agricultura familiar

    COP30 pode gerar R$ 3,3 milhões à agricultura familiar

    Mais de 8 mil famílias e 80 grupos do Pará estão aptos a fornecer alimentos ao evento climático em Belém. A COP30, que será realizada em novembro de 2025, em Belém (PA), pode movimentar R$ 3,3 milhões na economia local. O valor deve vir da compra de alimentos de agricultores familiares e produtores agroecológicos do estado.

    O levantamento foi feito pelos institutos Regenera e Fronteiras do Desenvolvimento. O objetivo foi identificar fornecedores capazes de atender às exigências do edital publicado pela Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) em agosto. Pela primeira vez, uma conferência do clima exigirá que pelo menos 30% dos ingredientes servidos aos participantes venham da agricultura familiar, da agroecologia ou de povos e comunidades tradicionais.

    Agricultores locais prontos para atender à demanda

    O mapeamento aponta que 80 grupos organizados, entre associações e cooperativas, e cerca de 8 mil famílias já estão aptos a fornecer alimentos à conferência.
    Segundo o cofundador do Instituto Regenera, Maurício Alcântara, a iniciativa comprova que o Pará tem produção suficiente para atender grandes eventos. “Quando se fala em ampliar a oferta de alimentos agroecológicos, sempre perguntam se há produtores suficientes. O mapeamento mostra que sim”, afirma.

    O estudo considerou critérios como registro no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), emissão de nota fiscal e cumprimento das normas sanitárias. Alcântara explica que o levantamento é apenas o início. “Há muito mais produção além dessas 8 mil famílias. Queremos mostrar a diversidade de produtos e origens existentes no Pará”, destaca.

    Importância da agricultura familiar no Brasil

    A agricultura familiar representa 77% dos estabelecimentos agrícolas do país, segundo o Anuário Estatístico da Agricultura Familiar. O setor ocupa 80,8 milhões de hectares, o equivalente a 23% da área total agrícola nacional.
    Essas propriedades respondem por 23% do valor bruto da produção agropecuária e por 67% das ocupações no campo. São mais de 10 milhões de trabalhadores rurais, concentrados principalmente no Nordeste.
    Para Alcântara, a inclusão da agricultura familiar e da agroecologia na COP30 é um marco.
    “São produtores que respeitam o bioma, produzem de forma regenerativa e ajudam a preservar as florestas”, ressalta.
    Ele considera a medida um legado para as próximas conferências. “É essencial reconhecer esses produtores e mostrar que eventos internacionais podem priorizar a produção local”, defende.

    Produção amazônica ganha destaque

    Entre os grupos mapeados está o Grupo para Consumo Agroecológico (Gruca), criado em Marituba, região metropolitana de Belém. O agricultor urbano Noel Gonzaga, um dos fundadores, conecta pequenos produtores a consumidores por meio do grupo.
    As 25 famílias do Gruca também recebem visitantes interessados em conhecer de perto as práticas sustentáveis de produção.
    Gonzaga cultiva macaxeira, abóbora, feijão, quiabo, milho e açaí, além do ariá, conhecido como batata amazônica. Ele explica que o alimento quase desapareceu das mesas locais com a chegada do trigo.
    “Hoje estamos trazendo o ariá de volta. É parte da nossa cultura alimentar”, afirma.
    A produção abastece a própria família e o excedente é vendido por meio do Gruca e do ponto de cultura alimentar Iacitata, que reúne uma rede de produtores agroecológicos. O Iacitata vai atuar nos espaços oficiais da COP30.

    Açaí e sustentabilidade no cardápio da COP30

    Entre os produtos que Gonzaga fornecerá está o açaí, símbolo da cultura amazônica. “O açaí é as nossas boas-vindas. É parte da nossa identidade”, diz.
    O fruto chegou a ser vetado no edital da conferência por suposto risco de contaminação, mas a decisão foi revista após debate com produtores.
    “A COP deu sorte. Vai coincidir com o auge da safra. Em novembro ainda teremos muito açaí disponível”, afirma Gonzaga.
    Para ele, produzir de forma sustentável é uma questão de saúde e de respeito ao consumidor. “Eu planto o que como. Isso me obriga a ter práticas limpas e agroecológicas”, completa.

    Legado sustentável

    A presença dos agricultores familiares na COP30 reforça o papel do Brasil na promoção de um modelo de produção sustentável. Além de fortalecer a economia local, a medida aproxima o evento das comunidades que vivem e preservam a Amazônia.
    Com a iniciativa, o Pará mostra que é possível unir clima, cultura e agricultura em um mesmo propósito: garantir o futuro do planeta com alimentos saudáveis e sustentáveis.

     

  • CNA apresenta o posicionamento do agro para COP30

    CNA apresenta o posicionamento do agro para COP30

    O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, entregou o posicionamento do setor agropecuário. A entrega ocorreu durante a abertura do evento “Agropecuária Brasileira na COP30”, realizado na sede da CNA, em Brasília, na quarta-feira (24).

    Martins entregou o documento ao enviado especial da Agricultura para a COP30, Roberto Rodrigues, à presidente da Embrapa, Sílvia Massruhá, e ao senador Zequinha Marinho (Podemos/PA).

    Em discurso, Martins destacou a sustentabilidade dos produtores rurais. Ele também ressaltou a agropecuária como provedora de segurança alimentar no Brasil e no mundo. A cerimônia reuniu presidentes de federações estaduais, entidades, autoridades, convidados e diretores do Sistema CNA/Senar.

    A presidente da Embrapa, Sílvia Massruhá, reforçou a parceria com o Sistema CNA/Senar. Ela destacou ações para mostrar a sustentabilidade da agricultura brasileira na COP30.

    Iniciativas

    Entre as iniciativas estão tecnologias de baixa emissão de carbono, bioeconomia e práticas sustentáveis em diversas cadeias produtivas. Segundo Massruhá, ciência e inovação fortalecem a transição para modelos de produção mais sustentáveis.

    O enviado especial da Agricultura, Roberto Rodrigues, afirmou que pretende elaborar um documento com as visões do setor produtivo. Ele classificou o posicionamento da CNA como grande contribuição para os debates da conferência.

    Rodrigues também defendeu a aceleração da regularização fundiária na Amazônia. Para ele, a medida garante ao produtor rural condições para produzir e alimentar o Brasil e o mundo.

    Já o senador Zequinha Marinho disse que a COP30 será oportunidade para o Brasil comprovar a sustentabilidade da agricultura nacional. Ele ressaltou a importância do posicionamento da CNA e das contribuições da Embrapa para os debates climáticos globais.

  • Programa eleva em até 30% a produtividade de pequenos pecuaristas

    Programa eleva em até 30% a produtividade de pequenos pecuaristas

    Durante o NeoSummit COP30, realizado em São Paulo nesta quarta-feira (10), Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS, apresentou resultados expressivos do programa Escritórios Verdes, que apoia 900 pequenos pecuaristas em Rondônia e no oeste de Mato Grosso, aumentando a produtividade das propriedades em até 30%. A iniciativa combina tecnologia e gestão para promover sustentabilidade e eficiência no setor agropecuário.

    O programa atua com três pilares principais: regularização ambiental, assistência técnica e gestão das propriedades. Até o momento, mais de 19 mil fazendas foram regularizadas ambientalmente, com a recuperação de 8 mil hectares de mata nativa.

    A assistência técnica potencializou a produção e elevou a renda dos produtores em até 1,5 salário mínimo. Já a gestão eficiente foi implementada em 500 propriedades, sendo que 30% delas já operam com baixo impacto de carbono.

    Para Tomazoni, a sustentabilidade no agronegócio brasileiro depende do aumento da eficiência produtiva sem encarecer os alimentos, sendo este o principal desafio da transição ecológica. “A solução não é um produto mais caro na prateleira, é um produtor mais eficiente no campo”, afirmou.

    Integração Lavoura-Pecuária-Floresta

    A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), técnica adotada no programa, aproxima o Brasil ao cenário global como referência em produção sustentável. O modelo permite até três safras anuais em uma mesma área, combinando culturas agrícolas, criação de gado e reflorestamento, evitando a abertura de novas fronteiras agrícolas. Segundo a Embrapa, sistemas integrados já ocupam mais de 17 milhões de hectares no país, área maior do que a soma da Áustria, Dinamarca e Suíça.

    Foto: Divulgação JBS

    Tomazoni reforçou a importância de mudar a percepção negativa sobre o agronegócio brasileiro: “Deixamos, ao longo do tempo, que se construísse uma narrativa de que o agro não é sustentável. A COP30 é a nossa chance de mostrar para o mundo o que estamos fazendo aqui”.

    A pecuária, segundo o executivo, pode ser parte da solução para a crise climática se adotada em modelos regenerativos. Ele defende a revisão da contabilidade do carbono do setor, valorizando a capacidade de captura de CO₂ pelas pastagens manejadas corretamente, que podem mitigar as emissões de metano dos animais. Estimativas da FAO indicam que solos agrícolas tropicais podem capturar até 23% das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Pesquisa

    Pesquisa do Observatório de Conhecimento e Inovação em Bioeconomia da FGV (OCBio/FGV) mostrou que 31% das fazendas do programa Fazenda Nota 10 removem mais carbono do que emitem, corroborando a tese de que o aumento da eficiência produtiva gera impactos ambientais positivos.

    Além da experiência direta com os produtores, Tomazoni atua como líder do Grupo de Trabalho de Sistemas Alimentares da Sustainable Business COP (SBCOP). Que coordena a contribuição do setor privado na agenda climática. Ele destacou a importância de transformar metas climáticas em ações práticas que gerem investimentos e acelerem a adoção de boas práticas no agronegócio. “Cabe ao setor privado dar materialidade ao que os governos pactuam. O caminho é produzir cada vez mais com menos recursos”, concluiu.

  • 54ª Expofeira do Amapá promete movimentar R$ 600 milhões 

    54ª Expofeira do Amapá promete movimentar R$ 600 milhões 

    A 54ª Expofeira do Amapá está prestes a fazer história. De 30 de agosto a 7 de setembro de 2025, o Parque de Exposições da Fazendinha, em Macapá, receberá o que promete ser a maior feira de negócios verdes e sustentáveis da região amazônica.

    Com entrada gratuita durante os nove dias de programação, o evento tem projeções impressionantes: movimentação de até R$ 600 milhões em negócios, mais de 2,9 milhões de visitantes e geração de aproximadamente 14 mil empregos temporários.

    Marco histórico para a economia amapaense

    A feira acontece em um momento simbólico para o estado, que acabou de alcançar a marca de 100 mil empregos formais no setor privado. Para o governador Clécio Luís, os números refletem uma transformação econômica em curso.

    “A 54ª Expofeira do Amapá não apenas movimenta a economia e o turismo, mas também projeta o estado no cenário global, em sintonia com a preparação para a COP30, que será realizada na Amazônia brasileira em 2025”, explica o governador.

    ExpoAmazônia: vitrine da bioeconomia regional

    Uma das principais novidades desta edição é a 1ª ExpoAmazônia, espaço dedicado a iniciativas em:

    • Bioeconomia e sociobioeconomia
    • Energias renováveis
    • Turismo sustentável
    • Tecnologias limpas

    O novo segmento visa facilitar o acesso a financiamentos verdes e ampliar oportunidades para empreendedores locais, especialmente pequenos produtores com o Selo Amapá e participantes do programa “Minha Primeira Empresa”.

    Inovação em foco: desafio startup Amapá 2025

    Em parceria com a Fapeap e a Setec, foi lançado o Desafio Startup Amapá 2025, que premiará empresas inovadoras nas áreas de bioeconomia e tecnologia. A iniciativa busca incentivar soluções regionais criativas alinhadas aos desafios amazônicos.

    Foto: Divulgação Expo Amapá

    O Instituto de Extensão, Assistência e Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap) terá participação especial na feira, com programação voltada ao fortalecimento da agricultura familiar e do extrativismo sustentável.

    Primeiro status sanitário livre de febre aftosa sem vacinação

    A edição 2025 marca um feito inédito: será a primeira Expofeira realizada sob a classificação internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação. O reconhecimento, concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), coloca o Amapá entre os estados brasileiros com o mais alto padrão sanitário na pecuária.

    A certificação foi anunciada oficialmente em 29 de maio de 2024, durante a 92ª Sessão Geral da OMSA, em Paris, e entregue ao Amapá em 29 de julho. Este avanço histórico para o agronegócio local amplia as possibilidades de exportação e aumenta a competitividade da carne e dos animais vivos produzidos no estado.

    Segundo Álvaro Cavalcante, diretor-presidente da Diagro, a conquista “representa um avanço para a defesa agropecuária do Estado e abre as portas para o comércio de animais vivos e produtos do Amapá, elevando o padrão sanitário e a competitividade do nosso rebanho”.

    Trajetória de conquista sanitária

    O caminho até este reconhecimento começou em 2009, com a introdução da agulha oficial. Em 2017, o Amapá foi reconhecido como livre da febre aftosa com vacinação, obtendo certificação internacional em 2018.

    Os índices de imunização sempre superaram os 90% exigidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), atingindo 97,32% de cobertura vacinal em 2023. Com esse histórico exemplar, o Amapá foi habilitado a suspender a vacinação em 2024.

    Além de movimentar o agronegócio, a feira funciona como importante estratégia para fortalecer o setor econômico com o surgimento de novos negócios. O Governo do Estado levará ao evento diferentes serviços de apoio ao empreendedorismo.

    A Agência de Desenvolvimento Econômico (Agência Amapá) coordena a política pública em parceria com a Agência de Fomento do Amapá (Afap) e o Sebrae-AP, oferecendo orientações sobre programas como o “Minha Primeira Empresa”.

    Diversidade de setores

    A programação da feira abrange múltiplos segmentos:

    • Exposição e plantio de hortaliças da agricultura familiar
    • Pesca artesanal e esportiva
    • Fruticultura irrigada
    • Comercialização de animais
    • Cultura e inovação tecnológica

    A Expofeira 2025 também se alinha com a preparação do Brasil para sediar a COP30 na Amazônia, posicionando o Amapá como referência em desenvolvimento sustentável e práticas ambientalmente responsáveis.

    O evento consolida o estado como protagonista na nova fronteira do desenvolvimento agroeconômico brasileiro, combinando crescimento econômico, sustentabilidade ambiental e inclusão social.

    Serviço:

    • Evento: 54ª Expofeira do Amapá
    • Data: 30 de agosto a 7 de setembro de 2025
    • Local: Parque de Exposições da Fazendinha, Macapá (AP)
    • Entrada: Gratuita
    • Mais informações: Site oficial do evento
  • Agro quer ser parte da solução na COP30, afirma Abag

    Agro quer ser parte da solução na COP30, afirma Abag

    A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) divulgou nesta segunda-feira (11) seu posicionamento para a COP30. O evento ocorrerá em novembro, em Belém, no Pará, e reunirá países para discutir mudanças climáticas.

    No documento “Agronegócio Frente às Mudanças Climáticas – Posicionamento do Setor para a COP30”, a Abag afirma que o setor tem papel crucial nessa agenda global. A entidade ressalta que o agronegócio brasileiro é vulnerável aos impactos do clima, mas pode ser parte fundamental da solução.

    Medidas propostas

    A associação defende que o agro pode mitigar emissões e fortalecer a segurança alimentar. Para isso, recomenda a adoção de práticas agrícolas inovadoras, adaptadas à realidade tropical do país.

    Entre as medidas propostas estão o uso eficiente dos recursos naturais, o cultivo de variedades tolerantes a estresses climáticos e o manejo sustentável do solo. A Abag reforça que o avanço dessas práticas depende da ampliação do financiamento ao setor. Segundo a entidade, é preciso criar critérios objetivos e transparentes para liberar recursos e incentivar tecnologias sustentáveis.

    Você também pode gostar:
    + Agro em Campo: Fenasucro & Agrocana – Alckmin e Tarcísio estarão na abertura da feira
    + Agro em Campo: Exportação de ovos do Brasil cresce 305% em julho

    Mercado de carbono

    O documento também destaca a importância de adaptar métricas e metodologias do mercado de carbono à realidade brasileira. A Abag defende que a tropicalização dessas ferramentas garante a credibilidade internacional dos projetos nacionais. A associação vê a COP30 como oportunidade para o Brasil liderar a agricultura de baixo carbono.

    Para alcançar esse papel, o país deve apresentar resultados concretos em regulamentações, tecnologias e sistemas de registro. Assim, poderá gerar créditos íntegros e atrair investimentos ao setor.

     

  • Brasil reforça protagonismo climático em evento em Londres

    Brasil reforça protagonismo climático em evento em Londres

    O governo brasileiro participa da Semana de Ação Climática de Londres, entre 21 e 29 de junho.
    A capital do Reino Unido recebe 700 eventos e espera 45 mil participantes. Trata-se de um dos principais encontros sobre clima na Europa.

    Governos, especialistas, empresas e organizações civis discutem medidas urgentes contra a crise climática global. A queima de combustíveis fósseis segue como principal responsável pelo aquecimento da Terra.

    O Brasil usa o evento como preparação para a COP30, que ocorrerá em Belém (PA), em novembro deste ano.
    A meta é mobilizar lideranças e a sociedade para acelerar acordos e soluções internacionais.

    Brasil apresentou carta com metas ambientais na Alemanha

    Nos últimos 10 dias, o Brasil participou de reuniões preparatórias para a COP30, em Bonn, na Alemanha.
    Delegações do governo e da sociedade civil discutiram a implementação dos compromissos firmados nas COPs anteriores.

    Durante o encontro, o país apresentou uma carta com 30 objetivos para fortalecer a proteção do clima. Entre as metas, estão reverter a degradação florestal até 2030 e triplicar o uso de energia renovável. “Já vivemos uma emergência climática que atinge os mais vulneráveis. Precisamos de ação coletiva e urgente”, afirmou Ana Toni, secretária nacional de mudança do Clima e diretora-executiva da COP30.

    Autoridades brasileiras integram delegação em Londres

    Além de Ana Toni, participam do evento o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, e a embaixadora Tatiana Rosito. O secretário-geral da ONU, António Guterres, também deve comparecer.

    Mudanças climáticas provocam catástrofes e recordes de calor

    A crise climática é causada, principalmente, pela emissão de gases do efeito estufa. A queima de carvão, petróleo e gás segue como a principal fonte de poluição.

    Desde 1992, conferências globais buscam soluções para conter o aquecimento da Terra. O Acordo de Paris, de 2015, fixou a meta de limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Entretanto, após a saída dos Estados Unidos do acordo, durante o governo Trump, os esforços internacionais enfraqueceram.
    Em 2024, o mundo registrou o ano mais quente dos últimos 175 anos, segundo a ONU.

    Eventos extremos vêm crescendo. Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou a maior catástrofe climática da sua história. Entre 2020 e 2023, os desastres climáticos no Brasil aumentaram 250%, de acordo com estudos recentes.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Frio intenso volta ao Rio Grande do Sul na próxima semana

    + Agro em Campo: Pecuaristas do Sul de Minas investem em fertilização in vitro

     

  • Cafezais das Matas de Rondônia sequestram 2,3 vezes mais carbono do que emitem

    Cafezais das Matas de Rondônia sequestram 2,3 vezes mais carbono do que emitem

    Um estudo inédito realizado nas Matas de Rondônia revela que a cafeicultura familiar praticada na região apresenta um balanço de carbono altamente positivo. As plantações de Café Robusta Amazônico, uma variedade local do Coffea canephora, sequestram em média 2,3 vezes mais carbono da atmosfera do que emitem durante o processo produtivo anual.

    Segundo a pesquisa, o saldo anual de carbono chega a 3.883,3 kg por hectare, equivalente a cerca de 4 toneladas ao ano. Esse resultado é obtido pela diferença entre o carbono estocado na biomassa das plantas (6.874,8 kg) e as emissões de gases de efeito estufa (GEE) geradas na produção (2.991,5 kg). O estudo, por seu pioneirismo, poderá servir de referência para futuras pesquisas e para a criação de linhas de crédito de carbono.

    Emissão de carbono

    Além disso, foi desenvolvida uma planilha de cálculos de emissão de carbono para uso dos agricultores locais, permitindo que avaliem o status atual de emissões em seus sistemas de cultivo, considerando critérios como irrigação e uso de fertilizantes.

    Os resultados da pesquisa da Embrapa estão sendo apresentados no Rondônia Rural Show Internacional, realizado de 26 a 31 de maio em Ji-Paraná (RO), a maior feira de agronegócios da Região Norte. O evento promove a integração entre ciência e setor produtivo e oferece aos produtores a oportunidade de testar a nova planilha e simular as emissões de seus cultivos.

    Iniciativa resultou ainda na criação de uma planilha de cálculos da emissão de carbono, que poderá ser testada por agricultores locais no Rondônia Rural Show Internacional. Foto: Enrique Alves/Embrapa

    Juan Travian, presidente da Cafeicultores Associados da Região das Matas de Rondônia (Caferon), destaca: “O estudo comprova a sustentabilidade da cafeicultura praticada no bioma Amazônia. Para nós, é importantíssimo mostrar ao mundo, por meio da ciência, que a produção de café na Amazônia é sustentável”. Oberdan Pandolfi Ermita, presidente do Conselho de Administração do Sicoob Credip, ressalta que a monetização do carbono é um mercado emergente e que o estudo da Embrapa capta as especificidades do Café Robusta Amazônico, considerando as condições fitoclimáticas da região.

    Projeto será destaque na COP30

    O projeto com os Cafés Robustas Amazônicos foi selecionado para ser apresentado na vitrine viva do Espaço AgriZone, durante a COP30, que ocorre de 10 a 21 de novembro em Belém, na sede da Embrapa Amazônia Oriental. A iniciativa integra a série Jornada pelo Clima, da Agência Embrapa de Notícias, que destaca ações e tecnologias para a sustentabilidade dos sistemas agroalimentares, alinhadas aos temas da COP30.

    O pesquisador Carlos Cesar Ronquim, da Embrapa Territorial, líder do estudo, explica que o cafeeiro, por ser uma planta lenhosa, tem alta capacidade de armazenar carbono por longos períodos. Ele observa, porém, que o carbono sequestrado retorna à atmosfera quando a lavoura é renovada ou desativada, mas ressalta que o uso dessas plantas como substitutas de combustíveis fósseis pode contribuir para um balanço ainda mais positivo.

    O estudo envolveu a análise de 150 cafeeiros adultos em dez propriedades rurais de cinco municípios, mostrando que o tronco concentra 36,4% do carbono, seguido por raízes (24,3%), folhas (23,8%), galhos (10,1%) e frutos (5,4%). O pesquisador Enrique Alves, da Embrapa Rondônia, destaca que muitos produtores substituem parte dos fertilizantes químicos por fontes orgânicas, como cama de frango e palha de café, o que favorece o acúmulo de carbono no solo e reduz as emissões de GEE.

    O cálculo do balanço de carbono ainda não considera o estoque de carbono no solo, o que pode tornar os resultados futuros ainda mais favoráveis, especialmente em áreas que antes eram pastagens degradadas.

    Pegada de carbono da cafeicultura de Rondônia

    O levantamento das emissões foi realizado em 250 propriedades de 15 municípios, mapeando fontes como uso de calcário, fertilizantes, combustíveis fósseis e energia elétrica. A pegada de carbono média registrada foi de 0,84 kg de CO₂ equivalente por kg de café verde produzido, colocando o Café Robusta da Amazônia em posição favorável em relação à média global, especialmente quando comparado a cultivos tradicionais a pleno sol.

    Cerca de 80% da pegada de carbono é atribuída ao uso de fertilizantes nitrogenados sintéticos. O impacto pode ser mitigado com práticas como uso de adubos orgânicos, consórcio com leguminosas e uso racional de insumos.

    A cafeicultura bem manejada, com estratégias de mitigação e uso eficiente de recursos, contribui para a agricultura de baixo carbono. Práticas regenerativas, como manejo de cobertura do solo, sistemas agroflorestais, adubação orgânica e fertirrigação, além da seleção de materiais genéticos mais produtivos e resilientes, são destaque na modernização do setor.

    Agricultura familiar e protagonismo nacional

    Rondônia é responsável por 87% da produção de café no bioma Amazônia na safra de 2024, sendo a quinta maior produção nacional e a segunda maior da espécie Coffea canephora. O cultivo do robusta amazônico envolve cerca de 17 mil produtores, majoritariamente agricultores familiares. Dos 37 mil imóveis rurais registrados na região, menos de nove mil produzem café, e 95% dessas propriedades são familiares, com média de 3,5 hectares cultivados por produtor.

    “Como são cultivados em pequenas propriedades familiares, muitos dos manejos dos robustas amazônicos – como a colheita – são realizados manualmente, o que contribui para a redução das emissões de GEE relacionadas ao uso de combustíveis fósseis”, afirma o líder do projeto.

    A adoção de novas tecnologias e práticas sustentáveis tem impulsionado a produtividade e reduzido a área plantada, consolidando Rondônia como referência em cafeicultura sustentável na Amazônia.

    Leia mais:


    + Agro em Campo: Produção de milho no Brasil deve chegar a 131 milhões de toneladas
    + Agro em Campo: Produção de cacau cresce no Estado de São Paulo

  • Agtech Brasil 2024: Ecossistema de inovação agro dispara 224%

    Agtech Brasil 2024: Ecossistema de inovação agro dispara 224%

    O agronegócio brasileiro vive um boom de inovação: incubadoras de startups do agro cresceram 224% em dois anos (de 32 para 107), e aceleradoras avançaram 90% (de 21 para 40). Os dados, divulgados no Radar Agtech Brasil 2024, mostram ainda que hubs (+29%), parques tecnológicos (+25%) e investidores multiplicaram-se, consolidando o país como epicentro global de soluções agroalimentares. O relatório, produzido pela Embrapa, Homo Ludens e SP Ventures, foi lançado na última semana, durante o Radar Agtech Summit, no Cubo Itaú (SP), com transmissão online.

    Apesar do Sudeste concentrar 36,8% dos ambientes de inovação, o relatório aponta uma expansão acelerada em outras regiões:

    • Sul: 31% do total, com destaque para Rio Grande do Sul (9,6%) e Paraná (8,9%).
    • Nordeste: Saltou de 3,5% para 17,5% em cinco anos, com polos emergentes na Bahia e Ceará.
    • Norte: Cresceu de 1,5% para 5%, impulsionado por iniciativas em bioeconomia na Amazônia.

    Hoje, o Brasil conta com 451 ambientes de inovação (hubs, incubadoras, aceleradoras e parques), além de 1.972 agtechs ativas – um salto de 75% desde 2019. “A descentralização reflete o surgimento de ecossistemas regionais maduros, capazes de conectar startups ao produtor rural”, explica Luiz Sakuda, cofundador da Homo Ludens.

    Investimentos: América Latina ainda é subexplorada

    O número de fundos de venture capital e corporate ventures focados em agtechs e foodtechs dobrou desde 2020, com destaque para soluções em:

    • Sustentabilidade: Bioinsumos, crédito de carbono e rastreabilidade.
    • Clima: Seguros agrícolas contra eventos extremos e ferramentas de previsão.
    • Eficiência: Automação, IoT e gestão integrada de fazendas.

    Apesar do avanço, a América Latina recebe menos de 5% dos investimentos globais em agtechs – um paradoxo, já que o agro responde por 25% do PIB brasileiro. “Precisamos atrair capital estratégico para tornar o Brasil uma referência global em inovação agro”, afirma Francisco Jardim, sócio da SP Ventures.

    Agtechs em três atos: da semente ao prato

    O relatório classifica as startups em três categorias:

    • Antes da fazenda (18,6%): Fintechs agro dominam, com soluções de crédito (26,5%) e seguros climáticos. Exemplo: plataformas de análise de risco para financiamento rural.
    • Dentro da fazenda (41,5%): Líder absoluto, com 818 startups focadas em gestão rural (157), sensores IoT (144) e automação. Destaque para ferramentas de irrigação inteligente e monitoramento via satélite.
    • Depois da fazenda (39,9%): Logística, processamento e mercado digital. Startups de blockchain para rastreabilidade de alimentos ganham espaço.

    Mudanças climáticas: o grande desafio do século

    O documento detalha os riscos climáticos para o agro:

    • Queda de 5 a 25% na produtividade de grãos até 2050, segundo projeções.
    • Perdas de US$ 1,3 bi na safra 2023/24 devido a secas no Sul.
    • Avanço de pragas: Ferrugem asiática e mosca-da-carambola ampliam território.

    Soluções em destaque:

    Agricultura regenerativa: Sistemas Integrados Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) já cobrem 17,4 milhões de hectares no Brasil.

    Genética de precisão: Startups desenvolvem sementes tolerantes a secas, como variedades de soja com até 30% menos consumo hídrico.

    Agfintechs: Oferecem crédito indexado a métricas de sustentabilidade, beneficiando 280 mil pequenos produtores em 2024.

    COP30 e o protagonismo brasileiro

    Com a COP30 marcada para Belém (PA) em 2025, o Brasil busca consolidar-se como líder em agro sustentável. “A Embrapa está na vanguarda dessa transição, traduzindo ciência em soluções tangíveis”, afirma Silvia Massruhá, presidente da instituição. Um exemplo é a plataforma Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que conecta 500 mil produtores a tecnologias de redução de emissões.

    No evento de lançamento, especialistas apontaram prioridades para a próxima década:

    • Integração de dados: “Precisamos de APIs universais para unir sistemas de gestão, clima e mercado”, defende Aurélio Favarin, analista da Embrapa.
    • Inclusão digital: 30% dos produtores rurais ainda não usam ferramentas digitais.
    • Bioeconomia: A Amazônia pode gerar US$ 50 bi ao ano com bioinsumos e produtos florestais até 2030.

    Para mais informações, visite os sites da Embrapa e SP Ventures.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: ANTT publica edital da Rota Agro com apoio do BNDES
    + Agro em Campo: Garantia-Safra: agricultores mineiros recebem auxílio

  • Conselho Nacional das Populações Extrativistas intensifica mobilização para COP30

    Conselho Nacional das Populações Extrativistas intensifica mobilização para COP30

    O Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) iniciou uma ampla mobilização rumo à COP30 — Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, marcada para novembro de 2025, em Belém, no Pará. Reconhecido como um dos principais movimentos sociais em defesa das comunidades tradicionais que vivem nas florestas, rios e maretórios brasileiros, o CNS planeja levar mais de 500 lideranças extrativistas ao evento global.

    Entre os principais objetivos da participação na COP30 estão o fortalecimento das comunidades extrativistas e a defesa da criação de novas Unidades de Conservação (UCs), a regularização fundiária, a melhoria da infraestrutura nas Reservas Extrativistas, além da valorização da economia da sociobiodiversidade, com foco em linhas de financiamento específicas.

    A entidade também destaca a importância da gestão socioprodutiva dos territórios, o fortalecimento da organização social das comunidades e o incentivo à participação ativa de mulheres e jovens no movimento.

    <h4>Movimento celebra legado de Chico Mendes na COP30

    Fundado por Chico Mendes, ícone da luta socioambiental no Brasil, o CNS completará 40 anos de atuação em 2025. A entidade organizará diversas atividades para celebrar a data e reforçar sua presença na COP30. Uma das principais ações será a Marcha dos Povos da Floresta, que reunirá mais de 1.000 participantes nas ruas de Belém. Todos usando a tradicional poranga, instrumento de iluminação utilizado por seringueiros — agora adaptado com óleos naturais, como babaçu e andiroba.

    “Queremos reafirmar que a Amazônia também pertence às comunidades tradicionais extrativistas, que protegem os territórios e mantêm seus modos de vida. Nosso protagonismo precisa ser reconhecido nas decisões climáticas globais”, destacou Letícia Moraes, vice-presidente do CNS.

    CNS e o mercado de carbono: protagonismo no REDD+

    Outro destaque da mobilização será a atuação estratégica no mercado de carbono. O CNS está promovendo capacitações sobre REDD+ (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Ambiental). E também estáe participando ativamente da implementação da Lei nº 15.042/2024, que regulamenta o mercado de carbono no Brasil.

    O presidente do CNS, Júlio Barbosa, ressalta que o movimento já iniciou consultas comunitárias para elaborar um documento que represente os interesses das populações extrativistas nas discussões sobre políticas de REDD+ e créditos de carbono.

    “É essencial garantir salvaguardas, proteção territorial e governança. As comunidades devem ter autonomia para desenvolver seus próprios projetos de carbono e receber os benefícios financeiros de forma justa e direta”, afirma Barbosa.

    Programação especial: Vila Extrativista e réplica da casa de Chico Mendes

    Durante a COP30, o Conselho Nacional das Populações Extrativistas, em parceria com o Comitê Chico Mendes, organizará uma “Vila Extrativista”. Com destaque para a montagem de uma colocação de seringa — espaço que representará a vivência das famílias extrativistas, com casa, roçado e estradas de seringais. A estrutura também valorizará a diversidade socioprodutiva das comunidades tradicionais.

    Outra ação simbólica será a réplica da casa de Chico Mendes, instalada no Museu Paraense Emílio Goeldi, permitindo que visitantes tenham contato com o cotidiano das populações da floresta.

    “Queremos proporcionar uma experiência imersiva para que as pessoas compreendam a realidade de quem vive e protege a floresta. Nossa história precisa ser contada com protagonismo e respeito”, afirmou Ângela Mendes, filha de Chico Mendes e presidente do Comitê Chico Mendes.

    Planejamento estratégico para 2025

    As ações da mobilização foram discutidas na Reunião do Conselho Deliberativo do CNS e do Memorial Chico Mendes, realizada em Belém, com representantes de toda a Amazônia. O encontro definiu o planejamento estratégico do movimento para 2025 e revisou projetos em andamento. Além disso, traçou metas para ampliar a participação das comunidades tradicionais nas políticas socioambientais do Brasil e do mundo.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Conheça a Brahma: a gigante dos galinheiros
    + Agro em Campo: Biocarvão de bagaço de laranja remove poluentes da água

  • Mato Grosso recebe Abertura Nacional da Colheita da Soja

    Mato Grosso recebe Abertura Nacional da Colheita da Soja

    A Abertura Nacional da Colheita da Soja safra 2024/2025 acontece nesta sexta-feira (7). O evento começa a partir das 7h30 (horário local), na Fazenda Esperança, em Santa Carmem, Mato Grosso. Ele também celebra os 20 anos da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT). Portanto, produtores, especialistas e lideranças do setor estarão presentes para discutir temas estratégicos do agronegócio brasileiro.

    Programação em Mato Grosso

    A programação inclui dois painéis principais. O primeiro abordará Sustentabilidade e COP 30, com participações do vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier; do jornalista e escritor Aldo Rebelo; e do especialista em Direito, Governo e Políticas Públicas, Daniel Vargas. A mediação ficará a cargo do diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Fabricio Rosa.

    O segundo painel discutirá Biocombustíveis e Alimentos, com presença do vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Arnaldo Jardim; do presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel (FPBio), deputado federal Alceu Moreira; e do diretor de Relações Institucionais e Sustentabilidade da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), Bruno Alves. A mediação será feita pelo diretor executivo da Aprosoja MT, Wellington Andrade.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Tempestades atingem o Nordeste e calor avança para Santa Catarina