Tag: COP30

  • Fazendas privadas preservam 29% do território brasileiro, revela estudo da Embrapa

    Fazendas privadas preservam 29% do território brasileiro, revela estudo da Embrapa

    Produtores rurais brasileiros conservam a maior parcela de vegetação nativa do país dentro de suas propriedades. Um levantamento da Embrapa mostra que as fazendas privadas destinam 29% do território nacional à preservação ambiental, superando as áreas de proteção integral, terras indígenas e áreas militares, que juntas representam 19,7% do Brasil.

    O estudo, que a Embrapa apresentará oficialmente em 2026, identifica vegetação nativa em 65,6% do território brasileiro. A empresa divulgou os números preliminares durante a COP30, em Belém, no dia 10 de novembro.

    Agropecuária ocupa menos de um terço do país

    As atividades agropecuárias ocupam 31,3% do território nacional. Desse total, a pecuária utiliza 19,4% das terras, enquanto a agricultura consome 10,8% e a silvicultura responde por 1,1%.

    “A integração das análises espaciais de bases governamentais com os dados de sensoriamento remoto resultou neste retrato detalhado do território brasileiro”, explica Carlos Alberto de Carvalho, analista da Embrapa Territorial.

    O Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SiCAR) registra que os produtores destinam metade da área total de seus imóveis à preservação ambiental. Outros 10,4% do território apresentam vegetação nativa em áreas ainda não cadastradas ou devolutas.

    As Unidades de Conservação de Uso Sustentável, que permitem exploração controlada dos recursos naturais, ocupam 6,5% do país.

    Cerrado e Amazônia apresentam perfis distintos

    No Cerrado, principal região produtora de grãos do Brasil, a preservação e proteção ambiental abrangem 52,2% do bioma. Os produtores declaram 34,7% das terras como áreas preservadas, enquanto a agropecuária opera em 45,9% do território.

    Foto: Embrapa Territorial

    A Amazônia mantém 83,7% de suas terras dedicadas à proteção e preservação. As unidades de conservação, terras indígenas e áreas militares totalizam 34,9% do bioma. Os imóveis rurais preservam 27,4% da região, enquanto as atividades agropecuárias ocupam 14,1% – sendo 12,1% de pastagens e 2% de lavouras.

    Foto: Embrapa Territorial

    Dados orientam políticas públicas

    Lucíola Magalhães, chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Territorial, destaca que o trabalho utiliza bases oficiais e públicas que passam por atualizações periódicas. “Essas bases sofrem ajustes ao longo do tempo em função de diversos fatores, entre eles a adequação dos limites territoriais”, explica.

    A pesquisadora acredita que o estudo orienta políticas de uso sustentável do solo. “Compreender como o território brasileiro distribui-se entre diferentes atores, públicos e privados, fundamenta decisões mais assertivas. Essas informações apoiam programas de pagamento por serviços ambientais e o planejamento de projetos de monitoramento”, afirma.

    Gustavo Spadotti, chefe-geral da Embrapa Territorial, ressalta que os resultados fortalecem a imagem do Brasil como líder global em uso sustentável da terra. “Estes resultados, apresentados nos palcos da COP30, não apenas qualificam o debate ambiental, mas também fortalecem a posição brasileira”, completa.

  • Embrapa firma parceria com multinacional para agricultura regenerativa no Brasil

    Embrapa firma parceria com multinacional para agricultura regenerativa no Brasil

    A Nestlé Brasil anunciou nesta segunda-feira (10), durante a abertura da COP30 em Belém, um acordo de cooperação estratégica com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) para impulsionar a agricultura regenerativa no país. A parceria tem como foco principal o desenvolvimento de pesquisas e tecnologias sustentáveis voltadas às cadeias produtivas de leite e cacau.

    O acordo já conta com dois projetos de pesquisa definidos. O primeiro vai avaliar as emissões de gases de efeito estufa em vacas leiteiras submetidas a diferentes tipos de dieta. O segundo projeto concentra-se no desenvolvimento de sistemas agroflorestais mais eficientes para a produção de cacau na Amazônia.

    “Este acordo representa um passo importante da Nestlé rumo à neutralidade de carbono até 2050”, destacou Marcelo Melchior, CEO da Nestlé Brasil. Segundo ele, a ciência aplicada à prática tem papel fundamental na construção de sistemas alimentares mais sustentáveis e resilientes.

    Brasil como protagonista na agricultura regenerativa

    O país é considerado estratégico para a Nestlé global. Sendo um dos principais produtores de ingredientes para a multinacional. As cadeias de leite, cacau e café formam o núcleo das operações da empresa no território brasileiro.

    Para a produção de cacau, a parceria prevê investimentos em pesquisa genética e práticas regenerativas. O objetivo é aumentar a produtividade e tornar o Brasil novamente autossuficiente na produção do ingrediente, aproveitando as condições climáticas favoráveis do país.

    Parceria entre setor público e privado

    Silvia Massruhá, presidente da Embrapa, ressaltou a importância da colaboração entre instituições públicas e empresas privadas. “É possível conciliar produtividade, competitividade e sustentabilidade, criando valor para toda a sociedade e contribuindo para a agenda de descarbonização do país”, afirmou.

    A aliança entre Nestlé e Embrapa já dura cerca de três décadas. Em 2006, as instituições lançaram o Programa de Boas Práticas em Fazendas de Leite, que se tornou referência nacional e, até 2017, alcançou todas as propriedades parceiras da companhia.

    Meta: 50% de matérias-primas de fontes regenerativas até 2030

    O acordo recebeu aval do Nestlé Institute of Agricultural Sciences (NIAS), centro de pesquisa inaugurado na Suíça em 2023. A meta da empresa é garantir que 50% das principais matérias-primas utilizadas globalmente venham de práticas regenerativas até 2030.

    Foto: Divulgação

    “A parceria com a Embrapa conecta a ciência global da Nestlé à realidade brasileira, permitindo validação local e adaptação às condições tropicais”, concluiu Melchior.

  • Agricultura familiar piauiense será destaque na COP30 em Belém

    Agricultura familiar piauiense será destaque na COP30 em Belém

    O Piauí vai levar experiências de agricultura familiar e movimentos sociais para a COP30. A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas acontece em Belém (PA), de 10 a 21 de novembro de 2025. O estado participará com representantes da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF) e de movimentos sociais do campo, apresentando iniciativas que fortalecem a produção sustentável e a organização rural.

    A secretária da Agricultura Familiar, Rejane Tavares, destaca que o Piauí tem políticas públicas e experiências locais que podem servir de referência em debates globais sobre sustentabilidade e adaptação climática. “Temos o Piauí Sustentável e Inclusivo (PSI), que fortalece o processo produtivo dos agricultores do semiárido, leva infraestrutura hídrica, como cisternas e barragens subterrâneas, e promove tecnologias alternativas, como reuso de águas e biodigestores. Também temos o Pilares 2, que atua em comunidades tradicionais, quilombolas, indígenas, mulheres e jovens”, explica.

    Além das políticas públicas, o Movimento Camponês Popular (MCP) representará o estado na COP30. O movimento reúne cerca de 300 famílias no Piauí, principalmente no sul do estado, e levará cerca de 60 agricultores e agricultoras familiares para o evento.

    A representante do MCP no Piauí, Elizângela Gonçalves, de Gilbués, destaca que o grupo vai defender as sementes crioulas e a alimentação saudável livre de transgênicos e agrotóxicos. “Estaremos lá para fortalecer essa luta, juntar forças com outros movimentos e o governo. E garantir políticas públicas que defendam a vida e a comida limpa”, afirma.

  • Brasil cria plano contra desastres naturais com investimento de R$ 100 milhões do BNDES

    Brasil cria plano contra desastres naturais com investimento de R$ 100 milhões do BNDES

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai investir R$ 100 milhões em estudos que fundamentarão um plano nacional para enfrentar desastres naturais no Brasil. A instituição financeira formalizou na sexta-feira (7) um protocolo de intenções com a Marinha do Brasil e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) para desenvolver essa cooperação estratégica.

    A solenidade aconteceu em Belém, no interior do navio Atlântico, atracado no porto da capital paraense. O evento também prestou homenagem ao militar português Pedro Teixeira, figura histórica do período colonial que liderou a primeira expedição fluvial subindo o rio Amazonas e contribuiu decisivamente para estabelecer as fronteiras atuais no norte do país.

    O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o Comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, a diretora do Cemaden, Regina Célia Alvalá, e a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, participaram da cerimônia.

    Brasil enfrenta aumento de desastres climáticos

    O navio Atlântico, conhecido informalmente como Gigante da Marinha, servirá como base de operações das Forças Armadas durante a COP30. A embarcação executa tarefas de controle de áreas marítimas e missões humanitárias, incluindo o auxílio a vítimas de desastres naturais.

    O protocolo responde ao crescimento na frequência e intensidade de desastres no país nos últimos anos, especialmente aqueles associados às mudanças climáticas. Esses eventos ameaçam vidas e causam perdas significativas ao desenvolvimento socioeconômico brasileiro. As instituições unem esforços técnicos, científicos e institucionais para fortalecer a capacidade nacional de prevenção, monitoramento e resposta.

    “Desastres extremos ocorrem com cada vez mais frequência e intensidade. Desenvolvemos esforços de prevenção, com programa de descarbonização e outras iniciativas. Mas também precisamos nos preparar para a resposta: salvar vidas em primeiro lugar e recuperar as estruturas, as comunicações, a economia”, afirma Mercadante.

    Experiência do Rio Grande do Sul inspira plano nacional

    O presidente do BNDES destacou a atuação da instituição após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul entre o final de abril e início de maio de 2024. “Recuperamos a economia gaúcha. O Rio Grande do Sul cresceu 4,9% em 2024, enquanto o Brasil cresceu 3,4%. O estado cresceu mais porque o acesso ao crédito que liberamos impediu que empresas quebrassem e que ocorresse desemprego em massa. Precisamos estudar essas experiências e criar um plano nacional para enfrentar desastres naturais”, declarou.

    Foto: Rafael Silva / BNDES

    Mercadante projeta que os estudos subsidiarão a conclusão do plano nacional até outubro de 2025. O documento indicará caminhos para adaptação e reconstrução em situações extremas. “O Estado precisa chegar com ciência e pesquisa. Como responder à urgência e emergência? Quais providências tomar? Como chegar nas regiões afetadas? Além de salvar vidas, o que reconstruir? Comunicação, infraestrutura? Como recuperar melhor? Qual o tamanho do investimento necessário? Precisamos estudar isso para as áreas mais críticas”, explicou.

    Cada instituição contribui com sua expertise

    O protocolo valoriza as vocações específicas de cada instituição. A Marinha do Brasil oferece seu conhecimento e experiência como braço operacional do Estado, por meio de um Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais – Defesa Civil. O Cemaden, vinculado ao MCTI, contribui com sua experiência no monitoramento de desastres e na modelagem de dados preditivos. O BNDES aporta sua capacidade técnica e financeira para construir soluções emergenciais e viabilizar ações conjuntas.

    As três instituições iniciarão a formação de uma rede que poderá expandir futuramente e agregar institutos de pesquisas, especialistas em proteção civil e representantes do setor produtivo.

    O Comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, considera que o protocolo reforça o compromisso brasileiro com o fortalecimento da resiliência nacional diante da intensificação dos eventos climáticos extremos. “A experiência operacional da Marinha, aliada à excelência técnica do Cemaden e à capacidade estratégica do BNDES, traduz a união entre defesa, ciência e desenvolvimento em favor da proteção da vida e da segurança da população”, destacou.

    Mudanças climáticas exigem resposta coordenada

    A ministra Luciana Santos considera a atuação coordenada fundamental para o sucesso na execução de políticas públicas. Segundo ela, as mudanças climáticas já intensificam as chuvas, tornam as enchentes mais frequentes e agravam as ondas de calor, atingindo sobretudo as comunidades vulneráveis. “Só com pesquisa, ferramentas adequadas e conhecimento aplicado teremos respostas realmente efetivas diante desse cenário”, completou.

    Regina Célia Alvalá destacou que o Cemaden acumula quase 15 anos de experiência e emite alertas de desastres com bastante antecedência. Para ela, a soma de esforços resultará em ampliação do conhecimento e inovações tecnológicas. “Fazemos parte dessa parceria com muita alegria. Esperamos avançar ainda mais, sempre com o objetivo de salvaguardar vidas e contribuir para que o meio ambiente sofra menos impactos”, disse a diretora do Cemaden.

    O protocolo também busca contribuir com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, estabelecidos na Agenda 2030, e reforçar as ações brasileiras como signatário do Marco de Sendai, criado pelo Escritório das Nações Unidas para Redução de Riscos de Desastres (UNDRR).

    Homenagem a Pedro Teixeira Resgata história da soberania amazônica

    A cerimônia homenageou Pedro Teixeira, militar português do período colonial que participou da fundação de Belém, onde viveu e morreu. Suas expedições fluviais contribuíram para a incorporação da Amazônia ao território nacional. O BNDES entregou ao Comando da Marinha uma placa de metal em reconhecimento ao legado do militar.

    O reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Gilmar Pereira da Silva, participou da homenagem e anunciou a criação de uma comissão de estudos sobre a história de Pedro Teixeira. “É uma honra muito grande colocar a universidade à disposição do Brasil para desenvolver pesquisas e reflexões sobre esse país”, declarou.

    Pedro Teixeira atuou contra incursões de franceses, ingleses e holandeses na região. Com apoio de índios tupinambás, construiu uma estrada ligando Belém ao Maranhão e abriu caminhos que fortaleceram a ocupação e defesa do território. Na Câmara dos Deputados, tramita um projeto de lei do senador Beto Faro (PT-PA) que propõe reconhecer o legado de Pedro Teixeira e incluir seu nome no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.

    A expedição mais memorável conduzida por Teixeira durou mais de dois anos e começou em 1637. Com cerca de 50 grandes canoas, 70 soldados e mais de 1,2 mil indígenas, subiu o Rio Amazonas e o Rio Negro em uma façanha sem precedentes para sua época.

    “No início do século 20, defendiam que a Amazônia é patrimônio da humanidade e que os brasileiros não têm condição de administrá-la. Defendiam a internacionalização da gestão da Amazônia. E nós respondemos: a Amazônia é reconhecidamente brasileira. Muito do fato de ela ser brasileira se deve a Pedro Teixeira”, afirmou Mercadante.

  • Mudanças climáticas elevam risco de tornados no Brasil

    Mudanças climáticas elevam risco de tornados no Brasil

    O tornado que destruiu 90% da cidade de Rio Bonito do Iguaçu (PR) acendeu um alerta sobre os efeitos das mudanças climáticas. O fenômeno, considerado extremo, deve servir como sinal de urgência para as autoridades que participam da Conferência da ONU sobre o Clima (COP30), em Belém (PA).

    Tornados e condições climáticas

    O secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, afirmou que o episódio revela o agravamento das condições climáticas no país e no mundo. Segundo ele, os últimos dez anos foram os mais quentes da história. “O que aconteceu no Paraná é grave e se repete em várias regiões do Brasil e do mundo”, destacou Astrini. “Esses eventos deveriam entrar no debate da COP, mas muitas vezes as discussões ficam distantes da realidade.”

    O especialista espera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencione o desastre durante a abertura oficial da conferência, na segunda-feira (10). Para Astrini, a fala de Lula pode ajudar a sensibilizar líderes globais sobre a urgência de ações concretas. “O Brasil é vulnerável. Nossa agricultura e nossa matriz energética dependem da regularidade climática. Esperamos que essa realidade influencie as decisões da COP”, afirmou.

    A oceanógrafa Renata Nagai, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) com apoio do Instituto Serrapilheira, explica que as mudanças climáticas não causam diretamente os tornados, mas podem torná-los mais frequentes e intensos. “O aumento da queima de combustíveis fósseis eleva os gases de efeito estufa e aquece a atmosfera e os oceanos”, explicou Nagai. “Com mais calor e umidade, cresce a energia disponível para eventos meteorológicos extremos.”

    Entenda o fenômeno

    A pesquisadora lembra que os tornados são colunas de ar em rotação, formadas em tempestades intensas. Apesar de atingirem áreas pequenas, causam grandes destruições quando tocam o solo. A combinação de ar quente e alta umidade favorece o fenômeno.

    O professor Michel Mahiques, também da USP, reforça que o aquecimento global intensifica as diferenças de temperatura e pressão atmosférica, o que amplia o risco de fenômenos extremos. “Essas variações se acentuam com o avanço das mudanças climáticas, aumentando a probabilidade de tornados e tempestades severas”, explicou.

    O tornado no Paraná, segundo especialistas, é mais um exemplo do impacto direto das mudanças climáticas no cotidiano. O episódio reforça a necessidade de ações urgentes e coordenadas para conter o aquecimento global e proteger populações vulneráveis.

  • Agro brasileiro mostra sustentabilidade na COP30

    Agro brasileiro mostra sustentabilidade na COP30

    O Sistema CNA/Senar vai destacar, na COP30, o papel da agropecuária brasileira na segurança alimentar e nas soluções climáticas. O evento será realizado de 10 a 21 de novembro, em Belém (PA).

    Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, o Sistema apresentará iniciativas sustentáveis e tecnologias aplicadas no campo. A programação inclui dias temáticos, debates, vídeos, conteúdos técnicos e documentos de referência. As ações vão ocorrer em dois espaços principais: AgriZone e Blue Zone.

    AgriZone terá pavilhão dedicado ao agro sustentável

    A AgriZone funcionará na sede da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém. O Sistema CNA/Senar vai instalar o Pavilhão AgroBrasil, que receberá o público da COP 30 entre os dias 10 e 21 de novembro.
    O espaço abrigará debates sobre cadeias produtivas como grãos, café, frutas, cacau, pecuária, aves, suínos e pescados. Também haverá painéis sobre práticas sustentáveis, segurança alimentar, agroenergia e comunicação no agro.
    O pavilhão contará com praça central, auditório e praça de alimentação, todos equipados com infraestrutura digital. O público terá acesso a informações sobre projetos sustentáveis e ações do Sistema CNA/Senar voltadas aos produtores rurais.

    Carreta Agro pelo Brasil leva inovação e conhecimento

    A Carreta Agro pelo Brasil também participará da AgriZone. O veículo percorre o país levando informação e capacitação a produtores rurais.
    Com 98 metros quadrados de área útil, a carreta oferece espaços multiusos para palestras, treinamentos e cursos técnicos. O público poderá conhecer uma cozinha experimental, um espaço imersivo com vídeos sobre o agro sustentável e um estúdio de podcast totalmente equipado.

    Blue Zone discutirá mercado de carbono e transição climática

    Na Blue Zone, o Sistema CNA/Senar terá um estande institucional. O espaço reúne países, governos, empresas e organismos internacionais que participam das negociações climáticas globais.
    De 10 a 20 de novembro, o local sediará dias temáticos sobre adaptação, mitigação, transição justa e energias renováveis. Também serão debatidos mercado de carbono, transparência e o balanço global das ações climáticas (Global Stock Take).
    No Dia do Agro, marcado para 19 de novembro, o Sistema CNA/Senar promoverá painéis sobre o papel da agricultura nas soluções para o clima. Entre os temas estão “Produtores rurais como agentes da ação climática” e “O futuro do Agro no Acordo de Paris”.

    Documento orienta posicionamento do agro brasileiro

    A CNA levará à COP 30 o documento “Agropecuária Brasileira na COP 30”, com o posicionamento oficial do setor. O material reúne propostas e contribuições dos produtores rurais brasileiros.
    Essas informações vão subsidiar negociadores e autoridades brasileiras, além de embasar os debates durante a Conferência. O objetivo é mostrar que o agro brasileiro é parte da solução climática global, com práticas produtivas sustentáveis e tecnológicas.

     

  • Governo investe R$ 260 milhões no Porto de Outeiro

    Governo investe R$ 260 milhões no Porto de Outeiro

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, inauguraram neste sábado (1º) o Terminal Portuário de Outeiro, no Pará. O governo federal investiu R$ 260 milhões na requalificação da estrutura, que agora comporta navios de grande porte e receberá milhares de visitantes durante a COP30.

    O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) coordenou o projeto em parceria com a Secretaria Extraordinária para a COP30 (Secop). A Itaipu Binacional patrocinou a obra, enquanto a Companhia Docas do Pará (CDP) executou a modernização. As equipes trabalharam em três turnos de 24 horas, finalizaram o terminal antes do prazo e geraram cerca de 450 empregos, priorizando trabalhadores locais.

    O projeto começou em 17 de abril de 2024 e levou apenas seis meses para conclusão. As obras incluíram a construção de 11 dolphins, instalação de 10 pontes metálicas e ampliação do píer de 261 metros para 716 metros. A nova estrutura suporta 80 mil toneladas, o dobro da capacidade anterior.

    Porto funcionará como hotel flutuante durante conferência climática

    “Vamos mostrar para o mundo que está preocupado com a manutenção do clima que investir em bioeconomia é uma das coisas mais sagradas”, afirmou o presidente Lula. “O Pará pode ser a porta de entrada desse novo modelo de desenvolvimento. Quem imaginaria que um transatlântico, que carrega 6 mil pessoas, poderia parar aqui?”, celebrou.

    O terminal receberá dois navios como hotéis flutuantes durante a COP30. Essa estratégia adicionará 6 mil leitos à rede hoteleira de Belém e resolverá parte da demanda por hospedagem durante o evento internacional.

    Turismo marítimo e exportações no Arco Norte

    Costa Filho destacou os benefícios das melhorias no terminal. “As obras no porto de Outeiro trarão grande reforço para receber os cruzeiros que virão para a COP30. Instalaremos equipamentos como estações de raio X para controlar a entrada e saída de visitantes. Isso significa mais conforto e segurança às delegações”, explicou o ministro.

    Após a COP30, o porto integrará as rotas regulares de turismo marítimo. A expectativa é que a estrutura beneficie continuamente os setores de hotelaria, gastronomia, transporte e comércio da região Norte. O governo federal também planeja fortalecer a matriz de exportação do Pará e atrair novas rotas marítimas, consolidando o terminal como alternativa competitiva no Arco Norte.

    Aeroporto de Belém recebe R$ 450 milhões e triplica capacidade

    Mais cedo, o presidente Lula e o ministro Costa Filho visitaram o Aeroporto Internacional de Belém (Val-de-Cans) e entregaram as obras de modernização. A concessionária Norte da Amazônia Airports (NOA) investiu R$ 450 milhões na ampliação, que aumentou a capacidade do terminal de 7,7 milhões para 13 milhões de passageiros por ano.

    O aeroporto ganhou pistas requalificadas, novo pátio de aeronaves, saguão ampliado e áreas de embarque doméstico e internacional triplicadas. A infraestrutura agora conta com portões eletrônicos com tecnologia biométrica, sala multissensorial para o público neurodivergente e opera com 100% de energia renovável.

    “As obras do Aeroporto de Belém estão oficialmente entregues à população do Pará e do Brasil. Mais de R$ 450 milhões investidos. Ganha a COP30, ganha o estado do Pará e ganha o Brasil”, declarou Costa Filho.

    As obras finalizaram com quase um ano de antecedência e geraram mais de 1.500 empregos diretos e indiretos.

  • Vinícola brasileira lança vinhos sustentáveis para COP30

    Vinícola brasileira lança vinhos sustentáveis para COP30

    A vinícola brasileira Lidio Carraro se destaca no cenário sustentável ao lançar uma linha de vinhos certificados pela COP30, conferência do clima que ocorre no Brasil. As garrafas com o selo oficial da COP30 estão sendo vendidas em Belém (PA), conectando a filosofia purista da vinícola aos objetivos ambientais globais do evento.

    Foto: Divulgação

    Desde 2008, a Lidio Carraro vem adotando uma abordagem purista na viticultura, priorizando práticas de baixa intervenção tanto nas plantações quanto no processo de vinificação. A estratégia antecede tendências recentes que valorizam métodos orgânicos e biodinâmicos no setor.

    Juliano Carraro, enólogo e diretor comercial da vinícola, destaca o compromisso contínuo da família com a sustentabilidade: “Buscamos o equilíbrio nutricional nas plantas, o que aumenta a imunidade natural e preserva o terroir de forma purista”, afirmou.

    A vinícola também utiliza energia 100% limpa em suas instalações desde 2023, evitando impactos ambientais negativos. Essa prática preservou cerca de 400 árvores e evitou a emissão de 14,3 toneladas de CO² equivalente na atmosfera.

    Para garantir a saúde das videiras, a Lidio Carraro não aplica defensivos agrícolas convencionais. É usado apenas produtos biológicos, como trichodermas e bacilos, microorganismos vivos que combatem fungos e esporos nocivos. Giovanni Carraro, diretor técnico, explica que esse manejo sustentável, apesar do custo elevado, assegura uma produção mais limpa e segura.

  • Embrapa apresenta AgriZone com soluções sustentáveis na COP30

    Embrapa apresenta AgriZone com soluções sustentáveis na COP30

    A Embrapa leva à COP30 a AgriZone, uma vitrine de inovação e sustentabilidade que reforça o papel da ciência brasileira na produção de alimentos de baixo carbono. O espaço destaca práticas que unem tecnologia, resiliência e segurança alimentar global.

    Instalada na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA), a AgriZone fica a apenas 1,8 quilômetro das áreas oficiais da COP30 — Green Zone e Blue Zone. O local estará aberto ao público de 10 a 21 de novembro, das 10h às 18h, com entrada gratuita e inscrição on-line ou presencial.

    Mais de 400 palestras e painéis técnicos gratuitos

    A programação da AgriZone reúne mais de 400 atividades técnicas, entre palestras, painéis, workshops e exposições imersivas. São cinco auditórios, vitrines vivas, áreas de alimentação e apresentações culturais.
    Segundo a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, o espaço “reforça a mensagem de que a inovação é o caminho para alimentar o mundo e proteger o planeta”.

    Entre os participantes estão cientistas, líderes, CEOs, representantes de governos e organismos internacionais como FAO, ONU, Fundação Gates, IICA, União Europeia, OCDE e CGIAR. Também confirmaram presença instituições de pesquisa do Reino Unido, Holanda, Alemanha, China, França, Japão, Dinamarca, EUA, Sudão e Quênia.

    O evento reúne ainda entidades nacionais como Contag, Senar, Abrasem, Sobrade, The Nature Conservancy, Instituto Socioambiental, cooperativas, startups e empresas do agronegócio e florestal.
    Os debates abordam temas centrais como adaptação da agricultura às mudanças climáticas, bioeconomia, economia circular, gênero, justiça climática e agricultura de baixo carbono.

    Programação construída de forma colaborativa

    A agenda da AgriZone foi definida a partir de uma chamada pública realizada pela Embrapa. Organizações ligadas à agricultura, segurança alimentar e clima submeteram propostas para integrar o evento.
    Foram recebidas 450 propostas, avaliadas por um grupo técnico da Embrapa. O resultado é uma programação plural e inclusiva, que reúne ONGs, agricultura familiar, instituições financeiras, ministérios, empresas privadas e organismos internacionais.

    Vitrine viva de agricultura de baixo carbono

    A AgriZone apresenta uma vitrine viva com sistemas de produção sustentável de carne, soja, leite, milho, sorgo e trigo.
    De acordo com Ana Euler, diretora de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia, esses modelos “representam uma transformação profunda na agropecuária brasileira, unindo produtividade e sustentabilidade”.
    As tecnologias demonstram práticas do Plano ABC+, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, com forte contribuição da Embrapa.
    No dia 16 de novembro, será lançado o selo da Carne de Baixo Carbono, resultado da parceria entre a Embrapa e a Marfrig.

    Inovações genéticas e cultivares sustentáveis

    Entre os destaques, está o milho transgênico BTMAX, desenvolvido pela Embrapa e pela Helix. A tecnologia é 100% nacional e reduz o uso de inseticidas químicos, combatendo pragas como a lagarta-do-cartucho e a broca-da-cana.
    Outro lançamento é o sorgo granífero BRS 3002, criado em parceria com a Latina Seeds. O híbrido se destaca pela alta produtividade, resistência a doenças e estabilidade na segunda safra, oferecendo mais segurança ao produtor.
    A vitrine também apresenta o guandu BRS Mandarim e o guatã, leguminosas indicadas para recuperar pastagens degradadas. As espécies ajudam a reduzir custos com adubos químicos e diminuem em até 70% a emissão de metano por quilo de ganho de peso bovino.

    Seleção genética de bovinos com menor emissão

    A Prova de Emissão de Gases (PEG) é outra tecnologia em destaque. O método identifica bovinos que emitem menos metano e convertem melhor o alimento em peso.
    A seleção genética permite o melhoramento de rebanhos com base em critérios ambientais, reforçando o compromisso da Embrapa com a pecuária sustentável.

    Inclusão produtiva e soluções sociais

    A AgriZone abriga o Núcleo de Responsabilidade Socioambiental (Nures), voltado a pequenos e médios produtores. O núcleo promove sistemas agroalimentares que fortalecem a segurança e a soberania alimentar.
    Entre as tecnologias expostas estão o Sisteminha Embrapa, que integra criação de peixes e galinhas ao cultivo de hortaliças, e a Fossa Séptica Biodigestora, alternativa de baixo custo para tratamento de esgoto.
    O projeto Semear Digital leva conectividade e ferramentas de gestão à agricultura familiar, ampliando a inclusão tecnológica no campo.

    Resgate de alimentos e saberes tradicionais

    As vitrines vivas também mostram cultivares biofortificadas, hortaliças protegidas e Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs). Essas espécies resgatam alimentos ancestrais e valorizam a cultura alimentar regional.
    As Pancs possuem alto valor nutricional, baixo impacto ambiental e cultivo simples, sendo uma oportunidade de renda para agricultores familiares.
    Também estão em destaque o algodão naturalmente colorido, os clones de cajueiro-anão e a fibra de caju desidratada, inovações que ampliam o aproveitamento do fruto e reforçam a sustentabilidade da agroindústria.

    Piscicultura sustentável e economia local

    A Embrapa apresenta o sistema de criação de tambaquis em tanques-rede, desenvolvido em parceria com a associação Bom Peixe, de Palmas (TO).
    A tecnologia define parâmetros de densidade, alimentação e manejo ideais para garantir melhor produtividade e rentabilidade ao piscicultor, reduzindo perdas e intermediários na comercialização.

    Fazenda Álvaro Adolpho: vitrine da intensificação sustentável

    A Fazenda Álvaro Adolpho, uma das áreas centrais da AgriZone, foi transformada em exemplo de intensificação sustentável.
    O espaço reúne mais de 45 cultivares e 30 sistemas agropecuários integrados, como ILPF com eucalipto e teca, consórcios de gramíneas e leguminosas, além de cultivos de soja, milho, trigo, arroz e amendoim.
    As áreas mostram arranjos agroflorestais com café robusta, açaí, cacau, banana e bacuri, evidenciando o potencial produtivo e sustentável da Amazônia.

    Visitas guiadas e experiências imersivas

    O público poderá visitar o meliponário de abelhas nativas, símbolo da bioeconomia amazônica, e a Capoeira do Black, área florestal de 60 anos com monitoramento por drones e inteligência artificial.
    Também haverá laboratórios de sementes, hortos medicinais e trilhas interpretativas, reforçando o conceito de ciência acessível e interativa.

    Pavilhão Comida, Cultura e Tradição

    O Pavilhão Comida, Cultura e Tradição conecta a produção sustentável de alimentos às identidades regionais. O espaço valoriza gastronomia, saberes locais e diversidade cultural, integrando cultura e sustentabilidade na transição para sistemas alimentares de baixo carbono.

    Plataforma Saúde do Solo BR

    Durante a COP30, a Embrapa lança a Plataforma Saúde do Solo BR, no dia 17 de novembro. A ferramenta reúne mais de 52 mil amostras e oferece monitoramento aberto e contínuo da saúde dos solos brasileiros.
    O sistema usa mapas interativos e dados de livre acesso para apoiar práticas agrícolas regenerativas. A iniciativa posiciona o Brasil na vanguarda mundial do monitoramento do solo e contribui para o cumprimento das metas climáticas nacionais.

    Parcerias e cooperação internacional

    A AgriZone reforça o papel da Embrapa na Aliança Global Contra a Fome, liderada pelo Brasil no G20. A iniciativa busca financiar pequenos produtores e fortalecer a agricultura inclusiva.
    Entre os parceiros estão ministérios, organizações internacionais, ONGs e empresas privadas, como Fundação Gates, IICA, Bayer, Nestlé e Contag.
    Para a presidente Silvia Massruhá, “a COP30 marca o início de uma jornada de colaboração internacional pela sustentabilidade e segurança alimentar”.

     

  • Artigo: A “Bomba-Relógio” tributária

    Artigo: A “Bomba-Relógio” tributária

    O Brasil se encontra em uma encruzilhada peculiar, onde duas de suas mais significativas conquistas legislativas recentes estão em rota de colisão. De um lado, a nação se prepara para sediar a COP30, armada com uma nova lei para seu mercado de carbono.

    Do outro, uma Reforma Tributária, essencial para o país, avança com uma lógica que ameaça anular os incentivos recém-criados. Essa contradição é uma “bomba-relógio” fiscal que pode transformar nosso sonhado “pré-sal verde” na primeira grande vítima do novo sistema de impostos.

    O diagnóstico: a doença do “fogo amigo”

    O ponto de partida era promissor. A criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) foi um marco, e a lei trouxe consigo um incentivo crucial: a isenção de PIS e COFINS sobre a venda de créditos de carbono, um sinal claro de que o Estado entendia o carbono como um “remédio” a ser fomentado.

    O problema, como aponta a análise, é que a Reforma Tributária opera com a lógica de um trator, eliminando exceções para simplificar. O novo Imposto sobre Valor Agregado (o IVA dual, com CBS e IBS) terá uma base de incidência amplíssima que, por padrão, engolirá a isenção. O resultado prático, se nada for feito, é um desastre: a alíquota sobre a venda de créditos pode saltar de zero para quase 27%, criando o “Custo Brasil Verde”. Nossa maior vantagem competitiva seria, ironicamente, sabotada por nós mesmos.

    A “guerra surda” em Brasília

    A contradição entre as duas leis deu início a uma “guerra surda” nos bastidores do poder. De um lado, a indústria, o agronegócio e a Faria Lima se unem para garantir uma “exceção do bem” na lei complementar da reforma, argumentando que taxar o carbono como um produto comum é suicídio econômico e climático. Do outro, a máquina arrecadatória do Estado, que vê em cada exceção uma perda de receita.

    A COP30 funciona como o cronômetro para essa batalha. O Brasil não pode se apresentar ao mundo como o líder do clima sem ter resolvido uma questão tão fundamental sobre seu principal “produto” ambiental. A indefinição fiscal não é um problema abstrato; é um freio de mão puxado na economia real. O capital global, desesperado por créditos de alta qualidade, odeia a incerteza, e a dúvida sobre a tributação já está paralisando decisões de investimento de bilhões de dólares em projetos de reflorestamento e bioeconomia no Brasil.

    O Brasil tem em mãos os ingredientes para se tornar o maior e mais respeitado mercado de carbono do mundo. A questão é se teremos a inteligência estratégica para impedir que a nossa própria e necessária reforma fiscal acabe por destruir a nossa maior oportunidade econômica do século. A batalha, agora, não é pela sustentabilidade, mas pela sanidade.

    Pablo Feitosa é Presidente do Carbon Group (Portal Carbonfy , Carbon Business School e Carbon GT – Gestão Tributária Sustentável)

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