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  • Conab lança projeto para ampliar mecanização na agricultura familiar

    Conab lança projeto para ampliar mecanização na agricultura familiar

    Em um anúncio estratégico durante a COP30, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentou o projeto Conab Raiz, uma iniciativa que visa superar os principais entraves da agricultura familiar no Brasil.

    O diretor de Desenvolvimento, Inovação e Gestão de Pessoas da estatal, Lenildo Morais, detalhou a ação, que prevê a distribuição de 220 kits de mecanização para cooperativas e núcleos rurais parceiros em todas as regiões do país.

    O cerne do projeto é enfrentar a falta de acesso a maquinário, uma barreira histórica para milhões de pequenos produtores. De acordo com Morais, a introdução de equipamentos pode elevar a produtividade das lavouras em até 30%, criando um “ciclo virtuoso” que impulsiona diretamente a renda dos agricultores.

    O que compõe os kits de mecanização?

    Cada kit entregue pela Conab é composto por um conjunto de máquinas essenciais para modernizar a produção em pequena e média escala. Entre os itens fornecidos estão:

    • Tratoritos
    • Plantadeiras
    • Colheitadeiras de arroz
    • Roçadeiras
    • Carretas

    Para garantir o pleno funcionamento dos equipamentos, que são de origem chinesa, a Conab também disponibilizará assistência técnica especializada aos produtores.

    Quais os impactos esperados do Projeto Conab Raiz?

    Além do salto de produtividade, a Conab projeta uma série de benefícios socioeconômicos e ambientais decorrentes da mecanização:

    • Ampliação de áreas de cultivo com a adoção de práticas sustentáveis.
    • Agregação de valor aos produtos da agricultura familiar.
    • Melhoria da qualidade da produção agropecuária.
    • Redução da insegurança alimentar nas comunidades rurais.
    • Inclusão produtiva de mulheres, extrativistas e comunidades quilombolas.
    • Maior acesso a programas oficiais de comercialização.

    A iniciativa marca um passo significativo na política de apoio ao setor, reconhecendo a agricultura familiar como um pilar fundamental para a segurança alimentar e o desenvolvimento econômico regional no Brasil.

  • Reconhecimento global: iniciativa brasileira é campeã climática na COP30

    Reconhecimento global: iniciativa brasileira é campeã climática na COP30

    O chão rachado volta a respirar. No norte do Brasil, antigas pastagens degradadas ganham verde e produtividade, e o mundo começa a notar.

    Durante a COP30, em Belém (PA), o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) reconheceu o programa REVERTE®, da Syngenta, como a melhor iniciativa global em Transformação da Agricultura e Sistemas Alimentares. Um título de peso. Um reconhecimento construído em campo, hectare por hectare.

    Lançado em 2019, o REVERTE nasceu com um propósito ambicioso: recuperar terras degradadas sem tocar na vegetação nativa. Simples? Nem tanto. Mas possível  e lucrativo. A estratégia é clara: oferecer aos produtores acesso a crédito, consultoria agronômica e tecnologia, sempre dentro de critérios socioambientais rigorosos.

    Os resultados impressionam. Mais de 280 mil hectares já foram restaurados em 11 estados e três biomas brasileiros. E os números contam a história: 92% das fazendas viram o rendimento crescer já no segundo ano, com alta média de 9%.

    Orgulho

    Petra Laux, diretora de sustentabilidade do Syngenta Group, não esconde o orgulho: o REVERTE, diz ela, “é uma das iniciativas mais ambiciosas do mundo para restaurar terras agrícolas”. A meta? Um milhão de hectares recuperados até 2030.

    O coração do programa bate na agricultura regenerativa; rotações de culturas, plantio direto, uso de cobertura verde. Técnicas simples, mas poderosas, que devolvem carbono ao solo e estabilidade ao clima.

    A origem do REVERTE foi o Cerrado, bioma de imensidão quase europeia e dezenas de milhões de hectares de áreas degradadas. Desde 2021, o Itaú BBA aderiu à causa como parceiro financeiro, abrindo linhas de crédito específicas para produtores engajados em práticas sustentáveis.

    Agora, o programa cruza fronteiras. A Syngenta iniciou em 2025 um novo projeto no Paraguai, levando a experiência brasileira aos produtores do Chaco e do leste do país.

    No campo, a narrativa é outra. Terra que antes cansava, hoje floresce. E a agricultura brasileira mostra, mais uma vez, que regenerar é o futuro, e que esse futuro já começou.

  • COP30 distribui cestas da agricultura familiar aos voluntários

    COP30 distribui cestas da agricultura familiar aos voluntários

    Voluntários da COP30 recebem kits com alimentos da agricultura familiar brasileira desde o último sábado. A iniciativa beneficia 1,3 mil pessoas que atuam na conferência climática em Belém.

    A distribuição começou no dia 15 e continua até esta sexta-feira, dia 21. Nesta segunda-feira, mais um grupo recebeu as cestas. Ao todo, serão entregues duas mil unidades durante o evento.

    Alimentos regionais compõem os kits

    As cestas reúnem produtos de diferentes biomas brasileiros. Entre os itens estão doce de umbu, castanha-do-pará e farinha de baru. Além disso, os kits incluem flocão de milho, castanha de baru e amêndoa de licuri. O óleo de coco babaçu orgânico também faz parte da seleção.

    Universitária valoriza troca cultural

    Foto: divulgação – Agência Brasil/Tânia Rêgo

    Gabriella de Araújo, estudante universitária, trabalha como voluntária na COP30. Ela atua nos serviços de tradução do evento. A jovem destaca que a experiência permite praticar idiomas e conhecer pessoas.
    “Eu adoro essa possibilidade de estar sempre conhecendo pessoas novas”, afirma Gabriella. Ela explica que a troca de experiências enriquece o trabalho voluntário. Os participantes compartilham suas histórias e culturas durante a conferência.
    A universitária vê as cestas como oportunidade única de experimentar sabores regionais. “Nunca havia provado certos tipos de castanha que vieram”, conta ela. Para Gabriella, a iniciativa ajuda a entender melhor a segurança alimentar brasileira.

    Parceria reúne três órgãos federais

    O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social coordena a ação. O Programa de Aquisição de Alimentos financia a compra dos produtos. A Companhia Nacional de Abastecimento e a Secretaria Extraordinária da COP30 também participam da iniciativa.
    Lilian Rahal, secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, ressalta a importância da ação. Segundo ela, a entrega valoriza os agricultores familiares do país. Além disso, demonstra como essa produção contribui para reduzir o aquecimento global.
    “A agricultura familiar alimenta o nosso país com comida de verdade”, destaca Rahal. A secretária enfatiza a relevância de mostrar essa produção na COP30. Os alimentos representam diferentes biomas e comunidades tradicionais brasileiras.

    Produção sustentável de comunidades tradicionais

    Os produtos vêm de agricultores familiares, indígenas, quilombolas e ribeirinhos. As comunidades extrativistas também contribuem com itens para as cestas. Dessa forma, a iniciativa promove a diversidade alimentar e cultural do Brasil.
    Outros trabalhadores da conferência climática também receberão os kits alimentares. A distribuição reforça o compromisso brasileiro com sistemas alimentares sustentáveis. Consequentemente, a ação une segurança alimentar e proteção ambiental no maior evento climático do ano.

     

  • Embrapa lança tecnologias sustentáveis durante COP30

    Embrapa lança tecnologias sustentáveis durante COP30

    A Embrapa apresentou três inovações tecnológicas voltadas à produção sustentável de alimentos durante a COP30. As tecnologias foram lançadas na AgriZone, espaço dedicado à agricultura sustentável localizado próximo à Blue Zone.

    Dessa forma, a empresa busca aliar produtividade agrícola com resiliência climática e conservação ambiental. Entre as novidades estão o Protocolo Carne Baixo Carbono, a mandioca BRS Jacundá e mapas de risco climático.

    Protocolo Carne Baixo Carbono certifica produção sustentável

    A Embrapa desenvolveu o Protocolo Carne Baixo Carbono em parceria com a MBRF e a ONG Amigos da Terra. O protocolo reconhece produtores que adotam práticas para reduzir emissões de gases de efeito estufa na pecuária.

    Além disso, o sistema estabelece critérios técnicos para monitorar propriedades rurais que aplicam intensificação sustentável. As práticas incluem integração lavoura-pecuária, pastagens de alto desempenho e recuperação de áreas degradadas.

    Consequentemente, essas técnicas promovem maior captura de carbono no solo e reduzem o impacto climático da pecuária. O protocolo garante ao consumidor que a carne foi produzida segundo rigorosos critérios ambientais e auditáveis.

    Portanto, a iniciativa representa um novo marco de sustentabilidade para a cadeia produtiva da carne bovina brasileira.

    Mapas climáticos alertam para riscos na produção de alface

    Pesquisadores da Embrapa Hortaliças elaboraram mapas de risco climático para orientar o cultivo de alface no Brasil. O estudo utilizou projeções do Inpe e modelos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

    Entretanto, as projeções indicam cenários preocupantes para a hortaliça mais consumida pelos brasileiros até 2100. Mesmo no cenário otimista, cerca de 97% do território nacional apresentará risco climático alto ou muito alto.

    Os mapas consideram dois cenários: um com controle parcial das emissões de gases e outro pessimista. No segundo cenário, as emissões continuariam crescendo sem controle até o fim do século.

    Por outro lado, os mapas representam um avanço importante em inteligência climática aplicada às hortaliças no país. As informações estão disponíveis na plataforma Geoinfo da Embrapa para consulta pública.

    Mandioca BRS Jacundá aumenta produtividade no Amazonas

    A Embrapa recomenda a cultivar de mandioca BRS Jacundá especialmente para produtores do estado do Amazonas. A variedade está adaptada ao ambiente de terra firme e fortalece a cadeia produtiva regional.

    Principalmente na região do Médio Solimões, a mandioca representa a base da economia agrícola local. A BRS Jacundá possui resistência a pragas e doenças, além de polpa amarela valorizada pela população.

    Ademais, a cultivar oferece produtividade superior a 30 mil quilos por hectare em comparação à média estadual. Atualmente, a média do Amazonas é de 10.560 quilos por hectare, representando ganho próximo de 300%.

    Assim, a nova variedade se destaca na produção de farinha de mesa e tucupi, produtos tradicionais da região. A tecnologia promete impulsionar significativamente a agricultura familiar e a economia local no estado.

  • COP30: Ibama apresenta estratégia para salvar peixes-boi

    COP30: Ibama apresenta estratégia para salvar peixes-boi

    O Ibama apresentou durante a COP30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas realizada em 2025, um programa de conservação que reúne instituições públicas, universidades e organizações da sociedade civil para proteger os peixes-boi na Amazônia. A iniciativa desenvolvida no Pará resgata, reabilita e solta esses mamíferos aquáticos enquanto fortalece a proteção de seus habitats naturais.

    O superintendente do Ibama no Pará, Alex Lacerda de Souza, explicou que o programa atua em múltiplas frentes. As equipes resgatam peixes-boi encalhados, reabilitam os animais e preparam indivíduos aptos para retornarem à natureza. O trabalho inclui campanhas de conscientização, treinamentos em primeiros socorros e transferência dos animais para recintos de readaptação em ambiente natural.

    Encalhes aumentam e refletem crise ambiental

    Os registros de encalhes cresceram nos últimos anos, principalmente de filhotes. “Enquanto anos anteriores registraram ocorrências pontuais, 2023 e 2025 apresentaram picos significativos”, afirmou Alex. Segundo o superintendente, o aumento reflete a degradação de habitats, os efeitos das mudanças climáticas e pressões históricas sobre a espécie.

    O programa estabelece como metas o fortalecimento das solturas, o monitoramento dos indivíduos na natureza e a expansão territorial. “A ideia prevê que o programa alcance inicialmente o Amazonas e o Amapá. Em breve, inauguraremos mais recintos de aclimatação para viabilizar a soltura desses animais”, declarou Alex.

    Rede de parceiros amplia resultados

    A iniciativa conta com diversos parceiros: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Universidade Federal do Pará (UFPA), Zoounama e Instituto Bicho D’Água. Recentemente, o Grupamento Aéreo de Segurança Pública do Pará (GRAESP), o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (IDEFLOR-Bio) e a Prefeitura de Soure aderiram ao programa.

    Foto: Divulgação/Ibama

    Alex destacou que a cooperação com ONGs e empresas privadas potencializa os resultados. “Felizmente, o Pará possui parceiros excelentes e de longa data. A iniciativa privada contribui significativamente por meio de apoio, doações e recursos”, declarou. O Centro de Triagem de Animais Silvestres de Benevides, inaugurado em outubro com apoio da ONG Proteção Animal Mundial, exemplifica essa colaboração bem-sucedida.

    O Licenciamento Ambiental do Ibama também contribui para o programa. Uma condicionante da licença concedida à empresa TGS para pesquisa sísmica marítima resultou na estruturação de um Centro de Reabilitação de Peixes-boi em Castanhal, uma Unidade de Estabilização de Animais Marinhos em Soure e um recinto de aclimatação pré-soltura em Soure, inaugurado em 3 de novembro.

    O “jardineiro da Amazônia”

    O Trichechus inunguis, peixe-boi-da-Amazônia, é um mamífero aquático herbívoro endêmico da bacia amazônica e o menor entre os três tipos de peixe-boi existentes. Conhecido como “jardineiro da Amazônia”, o animal controla a proliferação de plantas aquáticas e dispersa sementes entre áreas de várzea e igapós, favorecendo a regeneração dos ecossistemas.

    O peixe-boi também mantém a navegabilidade dos cursos d’água. Cada animal consome entre 40 e 60 quilos de plantas aquáticas diariamente, o equivalente a cerca de 10% de seu peso corporal. Esse consumo evita a obstrução natural de canais e permite o fluxo hídrico em áreas mais estreitas.

  • Brasil declara guerra ao desperdício de alimentos em painel global

    Brasil declara guerra ao desperdício de alimentos em painel global

    A cena se repete silenciosamente em propriedades rurais pelo Brasil. Toneladas de alimentos nunca chegam à mesa do consumidor. Eles se perdem no caminho. Apodrecem. Viram estatística. Nesta sexta-feira (14), a AgriZone trouxe esse problema urgente para o centro do palco. O painel “Ação Global sobre Perda e Desperdício de Alimentos”, da Coalizão Clima e Ar Limpo (CCAC), misturou governos e especialistas. A missão? Encontrar saídas.

    Clecivaldo Ribeiro, diretor do Mapa, foi direto. “É inadmissível”, disparou. Ele se referia a um número que persiste como um fantasma: cerca de 30% dos alimentos produzidos no campo brasileiro se perdem antes do processamento ou da comercialização. É um buraco negro que suga recursos, dinheiro e esperança. Enquanto isso, a fome ainda é uma realidade para milhões. A conta não fecha.

    O Brasil quer virar esse jogo. Clecivaldo deixou claro que reduzir perdas dentro das porteiras é prioridade nacional. Não é só sobre comida. É sobre eficiência. É sobre clima. O descarte inadequado desses alimentos libera metano na atmosfera. Um gás de efeito estufa potente. Um superpoluente. Combater o desperdício, portanto, é uma tacada dupla. Alimenta pessoas e resfria o planeta.

    Soluções

    E as soluções? O Mapa aposta em políticas públicas de base. Assistência técnica no campo. Capacitação. Disseminação de boas práticas. “Reduzir perdas exige conhecimento”, explicou o diretor. O foco é equipar o produtor. Melhorar o manejo. Revolucionar o armazenamento. Minimizar os danos pós-colheita. É uma mudança de cultura.

    O recado do painel foi unânime. Reduzir a perda de alimentos não é mais uma opção. É uma necessidade premente. Uma estratégia inteligente para fortalecer a segurança alimentar de forma rápida. E sustentável.

    Clecivaldo Ribeiro encerrou com uma convicção. Enfrentar as perdas no campo é o passo decisivo. “Reduzir desperdícios é proteger recursos, fortalecer a agricultura e garantir comida para quem precisa”. O caminho está traçado. Agora, é ação.

  • Porongaço: extrativistas brasileiros pressionam por espaço nas metas climáticas

    Porongaço: extrativistas brasileiros pressionam por espaço nas metas climáticas

    As chamas das porongas brilharam pelas ruas de Belém. Centenas de extrativistas marcharam nesta quinta (13) com um grito que ecoa há décadas: “a morte da floresta é o fim da nossa vida”. Vieram de diferentes biomas. Amazônia, Cerrado, Pantanal. Todos com o mesmo propósito;  exigir que seus territórios entrem de vez nas metas climáticas do Brasil.

    Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

    O ato, batizado de Porongaço dos Povos da Floresta, reuniu seringueiros, castanheiros, ribeirinhos, pescadores artesanais e quebradeiras de coco. Juntos, transformaram a tarde quente da capital paraense em um cortejo de resistência. As lamparinas acesas na cabeça, as mesmas usadas nas trilhas da selva, viraram símbolo de uma luta antiga — iniciada nos anos 1970, no Acre, com Chico Mendes.

    “Se a floresta não está bem, a gente também não está”, disse Letícia Moraes, vice-presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS). Nascida na Ilha do Marajó, ela vive de atividades agroflorestais em um projeto de assentamento agroextrativista, o PAE.

    Segundo o CNS, as reservas extrativistas e assentamentos agroflorestais preservam mais de 42 milhões de hectares, cerca de 5% do território nacional. São áreas que evitam o desmatamento e armazenam 25,5 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente. Isso representa onze anos das emissões totais do país.

    COP30

    Durante a COP30, que nesta edição acontece em Belém, o movimento tenta garantir que esses serviços ecossistêmicos entrem nas metas oficiais. Joaquim Belo, líder do CNS e enviado especial do grupo, resume o sentimento: “nós somos solução. Cuidamos da floresta e, com isso, ajudamos o clima a respirar”.

    A marcha saiu da Praça Eneida de Moraes e terminou na Aldeia Cabana, no bairro Pedreira. No fim do percurso, representantes entregaram um documento à ministra Marina Silva. O texto pede que as reservas sejam reconhecidas formalmente nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e nos tratados internacionais.

    “Queremos prioridade nas políticas de adaptação e mitigação, com investimentos reais”, afirma o documento. O pedido inclui apoio à gestão comunitária, fortalecimento da vigilância e incentivos a práticas sustentáveis.

    Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

    Marina ouviu. E respondeu com memória. Lembrou do Acre, de Chico Mendes, dos anos de borracha e resistência. “Vocês têm um modo de vida que protege a floresta e resolve o problema climático”, disse. Para ela, a “tecnologia” desses povos é o próprio jeito de viver, o que mantém a floresta viva, o carbono preso e a cultura pulsando.

    Belém amanheceu temática da COP, mas anoiteceu iluminada pelas porongas. Um lembrete silencioso: quem protege a floresta quer mais que discurso. Quer ser parte da solução global.

    Com informações da Agência Brasil

  • Minas Gerais destaca bioeconomia sustentável na COP30 em Belém

    Minas Gerais destaca bioeconomia sustentável na COP30 em Belém

    Minas Gerais reforça seu protagonismo na agenda da sustentabilidade na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém (PA) até 21 de novembro.

    A participação do estado ocorre por meio da loja colaborativa “Brasil BioMarket”, instalada na Green Zone e na Entrepreneurship Zone do Parque Urbano Belém Porto Futuro, que abriga 250 micro e pequenas empresas de 21 estados, com cerca de 750 produtos.

    Entre os destaques mineiros estão castanha de baru, beneficiada e comercializada pela Cooperativa da Agricultura Familiar (Copabase). Também o café do Cerrado Mineiro, o primeiro com Denominação de Origem (DO) do Brasil. As caixas de buriti bordadas da marca coletiva Urucuia Grande Sertão Veredas. E a tradicional cerâmica com moringas, flores e bonecas do Vale do Jequitinhonha; e produtos em fibra de bananeira oriundos do projeto Gente de Fibra.

    O Sebrae Minas, responsável pela organização da participação, reforça o compromisso com o fortalecimento dos pequenos negócios sustentáveis e a valorização dos territórios mineiros. Marcelo de Souza e Silva, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, ressalta que a iniciativa demonstra que a inovação pode surgir da tradição, unindo economia, meio ambiente e identidade cultural.

    Rota do Café do Cerrado

    O café do Cerrado Mineiro integra uma rede que alia qualidade, rastreabilidade e turismo sustentável. Como a Rota do Café do Cerrado com 26 experiências ligadas a fazendas e cafeterias. Já o baru, destaque do Noroeste de Minas, tem conquistado certificações internacionais que ampliam mercados e incentivam investimentos na agroindústria local.

    Na área de artesanato, o Vale do Jequitinhonha e o Noroeste mineiro recebem apoio do Sebrae para desenvolver governança, vendas online e design. Consolidando marcas coletivas que protegem os artesãos e fortalecem a identidade regional. A cooperativa Gente de Fibra, em Maria da Fé, destaca-se pela produção de peças sustentáveis em papel machê e fibra de bananeira. Valorizando os saberes locais e a reutilização ambientalmente consciente.

    A iniciativa em Belém une esforços de associações e empresas focadas em sociobioeconomia, tornando Minas Gerais referência nacional em sustentabilidade aplicada à bioeconomia, cultura rural e inovação.

  • Estudo prevê clima de deserto em metade do Nordeste até 2100

    Estudo prevê clima de deserto em metade do Nordeste até 2100

    Um estudo apresentado pelo Centro Estratégico de Excelência em Políticas de Águas e Secas (CEPAS), em parceria com a Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará, projeta que até o final do século o Nordeste brasileiro poderá ter até 99% de seu território sob condições áridas e semiáridas. O levantamento, divulgado no Boletim CEPAS na COP30, indica que o fenômeno da desertificação tende a se intensificar nas próximas décadas, especialmente no interior cearense, caso as emissões de gases de efeito estufa sigam em alta.

    Projeções alarmantes

    Com base em 19 modelos climáticos globais (CMIP6), o estudo avaliou a evolução das classes climáticas de Thornthwaite — que medem o equilíbrio entre temperatura e umidade — sob dois cenários de emissões: o intermediário (SSP2-4.5) e o de altas emissões (SSP5-8.5).

    Os resultados mostram que, mesmo com ações moderadas de mitigação, a área classificada como árida deve saltar de 3% para 26% do Nordeste até 2100, enquanto o semiárido avançará de 43% para quase 60%. Em um cenário extremo, de altas emissões, o quadro é ainda mais grave: o território árido pode alcançar 56,7% da região, e o semiárido, 42,4% — o que representa 99% da área total.

    “O futuro está sob disputa e a COP30 é uma arena importantíssima desta batalha”, afirma o relatório. “O planeta e o semiárido nordestino podem ser diferentes, com menos estresse hídrico, dependendo das decisões tomadas pelos Estados e coletivos humanos.”

    Impactos no Ceará e no semiárido

    O Ceará deve sentir os efeitos antes do restante da região. O estudo aponta que áreas hoje subúmidas — como os sertões dos Inhamuns, o Cariri e o médio Jaguaribe — tendem a se tornar semiáridas já nas próximas duas décadas. “O Ceará apresenta antecipação e intensificação da aridização em relação ao conjunto do Nordeste”, destaca o documento. “Os refúgios altimétricos e litorâneos resistem por mais tempo, mas encolhem e se fragmentam até 2100.”

    Entre as consequências diretas estão a redução da recarga subterrânea, o aumento da intermitência dos rios, a pressão sobre reservatórios. Por fim, a queda na produtividade agrícola. O avanço do clima seco também ameaça a biodiversidade e amplia a vulnerabilidade de comunidades rurais.

    Voz dos cientistas

    Para o professor Alexandre Araújo Costa, da Universidade Estadual do Ceará, o quadro exige urgência. “Identificar as possibilidades e limites de adaptação dos sistemas humanos e naturais em nosso semiárido é uma tarefa urgente”, afirma.

    Foto: Wilson Dias – Agência Brasil

    O engenheiro José Kerlly Soares de Araújo, pesquisador do grupo de risco climático da Universidade Federal do Ceará, reforça a gravidade das projeções: “O avanço da aridez, mesmo sob cenários moderados, evidencia a necessidade de fortalecer políticas públicas antecipatórias e inovar em tecnologias de uso eficiente da água.”

    Chamado à ação

    Além disso, na avaliação do diretor do CEPAS, Francisco de Assis de Souza Filho, o Nordeste é hoje “a fronteira climática do Brasil”. Ele defende que a gestão hídrica precisa se tornar adaptativa, integrando ciência, políticas públicas e comunidades locais.

    O boletim encerra, portanto, com três recomendações principais para os debates da COP30, que será realizada em Belém:

    1. Reconhecer que o processo de aridização é antecipado e amplamente corroborado por evidências científicas;

    2. Basear as respostas em ciência e gestão integrada dos recursos hídricos;

    3. Planejar a adaptação de forma territorial, com foco especial no semiárido nordestino.

    “Os sistemas de recursos hídricos devem se preparar para maior pressão de escassez”, conclui o estudo. Ou seja, “A adaptação precisa ser rápida, integrada e territorialmente focalizada.”

  • Brasil explora apenas 1% do mercado global de produtos florestais sustentáveis

    Brasil explora apenas 1% do mercado global de produtos florestais sustentáveis

    Um estudo recente conecta a riqueza da Amazônia com oportunidades no mercado internacional. Segundo ele, o Brasil explora apenas 1% do mercado global de produtos florestais sustentáveis

    O estudo identifica cinco produtos com maior potencial de expansão no mercado internacional: castanha-da-Amazônia, café, açaí, cacau e pescados. O manejo sustentável permite explorar esses itens, que se destacam pela importância econômica, ambiental e simbólica. Juntos, eles formam um retrato da nova economia da floresta, que alia tradição, inovação e conservação.

    Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, destaca que a floresta pode gerar renda e oportunidades. “A Apex contribui com dados, estudos e estratégias para transformar produtos amazônicos em motores de uma nova economia. Que é sustentável do ponto de vista social, ambiental e econômico”, afirma.

    “O mundo movimenta cerca de US$ 300 bilhões em produtos compatíveis com a floresta. O Brasil, que tem a maior floresta tropical do planeta, participa com apenas 1% desse total. Isso mostra o tamanho da oportunidade que temos”, explica Viana.

    O presidente da ApexBrasil calcula que o país pode expandir significativamente sua presença no mercado. “Se conseguirmos ampliar a participação dos nossos produtos da biosocioeconomia e da floresta, podemos transformar a realidade da Amazônia. Em vez de movimentar cerca de US$ 300 milhões, poderíamos gerar mais de US$ 2 bilhões aqui na região”, acrescenta.

    Castanha-da-Amazônia enfrenta desafio de agregação de valor

    A castanha-do-Brasil (Bertholletia excelsa) representa um dos produtos mais emblemáticos da Amazônia. Além de seu alto valor nutricional e econômico, a castanheira funciona como espécie-chave para a floresta. A árvore alimenta a fauna e sustenta modos de vida tradicionais há séculos.

    As castanheiras vivem mais de mil anos. A lei proíbe o corte dessas árvores — uma conquista histórica para a conservação. Jorge Viana alerta, porém, que “ainda falta uma política de incentivo ao plantio de castanheiras. A regeneração natural é lenta e precisamos garantir que essa cadeia continue viva.”

    O Brasil exporta cerca de US$ 20 milhões em castanha atualmente. O valor fica pequeno quando comparado à Bolívia, que ultrapassa US$ 100 milhões. Viana identifica o desafio: agregar valor, ampliar o beneficiamento local e fortalecer cooperativas. A Cooperacre serve como referência em industrialização sustentável do produto.

    Café amazônico combina produtividade com preservação

    O café entrou no Brasil pela Amazônia em 1727. Quase 300 anos depois, a região protagoniza uma nova fase com o café amazônico, que a Embrapa desenvolveu em Rondônia.

    A Embrapa adaptou essa variedade ao clima tropical. A alta produtividade representa uma oportunidade única para pequenos produtores e para a recuperação de áreas degradadas.

    “O café amazônico é um produto compatível com a floresta, que pode ser 50 a 100 vezes mais rentável que a pecuária. Ele simboliza uma nova economia amazônica, que gera renda sem destruir”, destaca Viana.

    Rondônia e Acre lideram o avanço desse café, com exportações superiores a US$ 130 milhões. O produto alia tecnologia, sustentabilidade e alto potencial no mercado de cafés especiais.

    Açaí evolui de alimento regional para superalimento global

    O açaí (Euterpe oleracea) evoluiu de alimento tradicional das populações ribeirinhas para o status de superalimento global. O fruto representa o exemplo mais bem-sucedido de um produto compatível com a floresta. A Amazônia toda cultiva açaí, e o fruto movimenta cadeias produtivas que envolvem milhares de famílias, sobretudo no Pará e no Amapá.

    Jorge Viana coloca o açaí como peça central na agenda climática: “Com a COP30 no Brasil, teremos recursos inéditos para restauração florestal e sistemas agroflorestais. O açaí precisa estar no centro dessas políticas.”

    Além de ativo econômico, o açaí desempenha papel estratégico na recuperação de áreas degradadas. O fruto consolida sistemas agroflorestais (SAFs), que combinam produção e conservação. O Brasil também avança em soluções tecnológicas e sanitárias para ampliar exportações e agregar valor.

    Cacau amazônico busca reconquistar mercado global

    A floresta amazônica originou o cacau (Theobroma cacao), uma das bases da biosocioeconomia brasileira. Embora a produção africana tenha transformado o fruto em seu símbolo — Costa do Marfim e Gana respondem por cerca de 70% da produção mundial —, a Amazônia guarda as raízes genéticas e culturais do cacau.

    Viana destaca uma distorção no mercado: apenas 6% a 7% do valor do chocolate global permanece com os produtores de cacau. Indústrias da Europa e dos Estados Unidos capturam a maior parte. “Isso precisa mudar. O produtor amazônico precisa receber melhor remuneração, e o Brasil tem que voltar a ocupar seu espaço como referência em cacau de origem”, defende.

    Após décadas de retração causada pela vassoura-de-bruxa, o setor vive um renascimento. O Brasil voltou a produzir centenas de milhares de toneladas. O país investe em tecnologias de cultivo a pleno sol, inovação que pode revolucionar o setor e ampliar a produção nacional.

    O cacau amazônico compõe sistemas agroflorestais junto com o açaí e a castanha. Esse tripé de sustentabilidade une recomposição florestal e geração de renda local. “O cacau está vivendo uma nova fase: é cultura, é economia e é inclusão social”, resume Viana.

    Piscicultura amazônica representa fronteira econômica inexplorada

    A Amazônia detém 12% da água doce do planeta e um dos maiores potenciais pesqueiros do mundo. Com 4 mil quilômetros de rios navegáveis e 25% da biodiversidade global, a região funciona como berço natural de espécies e alimentos sustentáveis.

    Jorge Viana defende que o Brasil transforme esse patrimônio em nova fronteira econômica sustentável: “Se temos 12% da água doce do planeta, precisamos manejar essa água para produzir proteína.”

    Espécies emblemáticas como pirarucu, tambaqui e tilápia sustentam a piscicultura amazônica. A atividade representa uma fonte estratégica de renda, alimentação e exportação, ainda pouco explorada.

    A ApexBrasil apoia o avanço dessa cadeia. A agência promove o pescado brasileiro em novos mercados e integra projetos-modelo de manejo sustentável, especialmente na Bacia dos Solimões. Comunidades extrativistas já lideram exemplos de sucesso na região.

    “A piscicultura pode se tornar o maior ativo econômico da Amazônia, unindo conservação da água, produção de proteína e geração de renda local”, conclui Viana.

    COP30 abre janela de oportunidade para biosocioeconomia

    O trabalho da ApexBrasil com esses produtos exemplifica a visão de uma biosocioeconomia de floresta em pé. Essa abordagem une saber tradicional, inovação tecnológica e acesso a mercados internacionais.

    Com a COP30 em Belém, o mundo volta seus olhos à Amazônia. O Brasil tem a oportunidade de mostrar que desenvolvimento e conservação podem caminhar juntos. “A floresta pode ser nossa maior fonte de riqueza e de equilíbrio climático. Cabe a nós transformar esse potencial em realidade”, finaliza Jorge Viana.