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  • Produção de grãos no Brasil deve atingir 354,4 milhões de toneladas

    Produção de grãos no Brasil deve atingir 354,4 milhões de toneladas

    A produção brasileira de grãos deve alcançar 354,4 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo o terceiro levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quinta-feira (11). O volume representa um crescimento modesto de 0,6% em relação ao ciclo anterior, com 2,2 milhões de toneladas a mais do que as 352,2 milhões colhidas em 2024/25.

    O aumento na produção resulta da expansão de 3% na área cultivada, que passa de 81,7 milhões de hectares para 84,2 milhões de hectares. No entanto, esse crescimento é parcialmente compensado pela redução na produtividade média nacional, que cai de 4.310 quilos por hectare em 2024/25 para 4.210 quilos por hectare na atual temporada.

    Soja encaminha-se para novo recorde histórico

    A cultura da soja, principal commodity agrícola brasileira cultivada na primeira safra, já alcançou 90,3% da área de plantio prevista. Em Mato Grosso, líder nacional na produção do grão, a semeadura está completamente finalizada, conforme dados do Progresso de Safra publicado pela Conab.

    As condições climáticas marcaram o ritmo do plantio nas diferentes regiões do país. Na primeira quinzena de novembro, chuvas regulares impulsionaram o avanço da semeadura na Região Sul. Enquanto isso, produtores do Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Minas Gerais enfrentaram atrasos devido à irregularidade das precipitações. A partir da segunda quinzena de novembro, a normalização do regime de chuvas permitiu a retomada dos trabalhos de campo nessas áreas.

    Para a safra 2025/26, a Conab estima que 48,9 milhões de hectares serão destinados ao cultivo da oleaginosa, gerando uma produção de 177,1 milhões de toneladas. Se confirmado, o resultado representará um aumento de 3,3% sobre o ciclo anterior e estabelecerá um novo recorde nacional.

    Arroz registra queda expressiva; feijão mantém estabilidade

    A produção de arroz deve sofrer retração significativa de 12,4%, com colheita prevista de 11,2 milhões de toneladas. A redução é atribuída às condições mercadológicas desfavoráveis do cereal, que resultaram em menor área cultivada, estimada em 1,62 milhão de hectares.

    No Rio Grande do Sul, maior produtor nacional de arroz, a semeadura atingiu 98% da área destinada à cultura. Em Santa Catarina, segundo principal estado produtor, o plantio já foi concluído.

    Já a produção de feijão permanece estável. Somando as três safras anuais da leguminosa, a Conab projeta aproximadamente 3 milhões de toneladas, volume similar ao ciclo passado e suficiente para garantir o abastecimento interno. O plantio da primeira safra foi finalizado no Paraná e em São Paulo, enquanto avança em outros estados: 93,8% da área em Minas Gerais e 67% na Bahia.

    Milho apresenta leve recuo na produção total

    A produção de milho, considerando as três safras anuais, está estimada em 138,9 milhões de toneladas, queda de 1,5% em relação ao ciclo anterior. Na primeira safra, a semeadura já atingiu 71,3% dos 4 milhões de hectares destinados ao cereal, com produção prevista de 25,9 milhões de toneladas, alta de 3,9% sobre a safra anterior.

    Trigo fecha safra de inverno com resultado positivo

    Entre as culturas de inverno da safra 2025, o trigo se destaca como principal produto. A colheita já alcançou 98% da área plantada, com produção estimada em 8 milhões de toneladas. O volume supera em 0,9% o registrado no ciclo anterior, reflexo das condições climáticas predominantemente favoráveis durante o desenvolvimento da cultura, apesar de adversidades pontuais em algumas regiões.

    Exportações batem recordes e impulsionam economia

    Neste levantamento, a Conab manteve praticamente estáveis as projeções de suprimentos da safra 2024/25 para a maioria dos produtos. Com ajustes pontuais baseados nas atualizações de produção e nas condições de mercado.

    Uma das mudanças significativas refere-se às exportações da safra 2024/25, com incremento de 313 mil toneladas. O total de embarques deve atingir cerca de 106,97 milhões de toneladas até o final de 2025. Porém, esse número ainda pode ser ajustado no próximo levantamento.

    Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações de soja em grãos somaram 104,79 milhões de toneladas entre janeiro e novembro de 2025, volume que estabelece um novo recorde nacional. O volume supera as 101,87 milhões de toneladas vendidas ao mercado internacional durante todo o ano de 2021. As vendas externas registradas nos 11 meses de 2025 geraram receita de US$ 42 bilhões para o país.

  • Cesta básica fica mais barata em 24 capitais brasileiras

    Cesta básica fica mais barata em 24 capitais brasileiras

    Vinte e quatro capitais brasileiras registraram queda no preço da cesta básica durante novembro, segundo dados que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgaram nesta terça-feira (9).

    Macapá (AP) liderou as reduções com deflação de 5,28%, seguida por Porto Alegre (RS) com 4,10%, Maceió (AL) com 3,51%, Natal (RN) com 3,40% e Palmas (TO) com 3,28%. Apenas três capitais apresentaram leves aumentos: Rio Branco (0,77%), Campo Grande (0,29%) e Belém (0,28%).

    Aracaju mantém cesta básica mais barata do país

    As capitais do Norte e Nordeste continuam oferecendo os menores valores médios para a cesta básica, considerando suas composições regionais diferenciadas. Aracaju lidera com R$ 538,10, seguida por Maceió (R$ 571,47), Natal (R$ 591,38), João Pessoa (R$ 597,66) e Salvador (R$ 598,19).

    No extremo oposto, São Paulo mantém a cesta básica mais cara do Brasil, com valor de R$ 842,26. Completam o ranking das mais caras Florianópolis (R$ 800,68), Cuiabá (R$ 789,98), Porto Alegre (R$ 789,77) e Rio de Janeiro (R$ 783,96).

    Paulistanos precisam trabalhar mais de 120 horas para comprar cesta básica

    A capital paulista também lidera quando o levantamento analisa o comprometimento do salário mínimo líquido. Os trabalhadores de São Paulo precisam destinar 59,91% do salário mínimo para adquirir os alimentos básicos, o que representa 121 horas e 55 minutos de trabalho mensal.

    Aracaju oferece a melhor relação custo-benefício, exigindo apenas 38,32% do salário mínimo e 77 horas e 59 minutos de trabalho para a compra da cesta básica.

    Arroz e tomate puxam quedas generalizadas nos preços

    O arroz agulhinha mantém trajetória de redução e caiu em todas as 27 cidades monitoradas pela pesquisa. Brasília (DF) registrou a maior queda, com 10,27%, enquanto Palmas (TO) apresentou a menor redução, com 0,34%.

    O tomate também contribuiu significativamente para a deflação, com quedas em 26 capitais. Porto Alegre (RS) liderou as reduções com 27,39%, resultado da maior oferta devido à maturação dos frutos. Boa Vista (RR) registrou a menor queda, com 3,21%.

    Açúcar, leite e café completam lista de produtos mais baratos

    O açúcar ficou mais barato em 24 capitais, impulsionado pela redução nos preços internacionais, maior oferta na safra e menor demanda. Boa Vista (RR) e Aracaju (AL) registraram as maiores quedas, com 6,22% e 6,09%, respectivamente.

    O leite integral também apresentou reduções em 24 cidades, com variações entre 7,27% em Porto Alegre (RS) e 0,28% em Rio Branco (AC). O excesso de oferta no campo e as importações de derivados explicam a queda nos preços.

    O café em pó ficou mais barato em 20 capitais analisadas. São Luís (MA) liderou as reduções com 5,09%, seguida por Campo Grande (MS) com 3,39% e Belo Horizonte (MG) com 3,12%. A boa produtividade das lavouras contribuiu para o recuo no varejo.

    Safra recorde impulsiona redução de preços

    “A notícia é maravilhosa, é mais economia no bolso do povo brasileiro. Aí está o efeito das políticas públicas e o resultado está aí: O Brasil está colhendo esse ano a maior safra agrícola da nossa história, com o consumidor indo ao supermercado com um produto mais barato de excelente qualidade”, destaca Edegar Pretto, presidente da Conab.

    A parceria entre Conab e Dieese ampliou a coleta de preços de 17 para 27 capitais brasileiras, reforçando a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e a Política Nacional de Abastecimento Alimentar. A divulgação completa começou em agosto de 2025.

  • Brasil colhe 56,5 milhões de sacas de café em 2025

    Brasil colhe 56,5 milhões de sacas de café em 2025

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil colherá 56,5 milhões de sacas de café de 60 quilos em 2025. O resultado marca a terceira maior safra da série histórica da instituição e representa um crescimento de 4,3% em relação a 2024, mesmo em ano de bienalidade negativa para o arábica.

    O 4º Levantamento de Café 2025, divulgado nesta quinta-feira (4), mostra que a área em produção recuou 1,2% e chegou a 1,85 milhão de hectares. Porém, a produtividade média nacional subiu para 30,4 sacas por hectare, impulsionada principalmente pelo desempenho excepcional das lavouras de conilon.

    Conilon quebra recorde histórico com 20,8 milhões de sacas

    O conilon protagoniza a safra 2025 ao atingir 20,8 milhões de sacas, superando o recorde anterior de 18,2 milhões registrado em 2022. A produção da espécie avançou 42,1% em relação ao ano passado, beneficiada pela regularidade climática que favoreceu o vigor das plantas e gerou elevada carga produtiva.

    O Espírito Santo, maior produtor nacional de conilon, colhe 14,2 milhões de sacas — um salto de 43,8% sobre 2024. A Bahia projeta 3,29 milhões de sacas, crescimento expressivo de 68,7% na comparação anual. Rondônia espera produzir 2,32 milhões de sacas, alta de 10,8% frente à temporada anterior.

    Arábica recua 9,7% pressionado por bienalidade e seca

    O arábica enfrenta um ciclo desafiador em 2025. A bienalidade negativa, somada aos períodos de escassez hídrica durante a safra, reduziu o potencial produtivo das lavouras. A área em produção caiu 1,5%, atingindo 1,49 milhão de hectares, enquanto a produtividade média despencou 8,4%, chegando a 24,1 sacas por hectare.

    Com isso, a colheita do arábica totaliza 35,76 milhões de sacas, queda de 9,7% em relação à safra anterior.

    Minas Gerais, principal estado produtor do país, colheu 25,17 milhões de sacas de arábica — retração de 9,2% provocada pelo ciclo de bienalidade negativa e pelo longo período de seca antes da floração. A colheita finalizou em setembro.

    São Paulo registra 4,7 milhões de sacas, recuo de 12,9% atribuído aos efeitos da baixa bienalidade e ao clima adverso, marcado por estiagem e altas temperaturas. Na contramão, a Bahia apresenta crescimento de 2,5%, alcançando 1,14 milhão de sacas, com destaque para a região do Cerrado, que avançou 18,5%.

    Exportações batem recorde em valor apesar de volume menor

    O Brasil exportou cerca de 34,2 milhões de sacas de café entre janeiro e outubro de 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O volume representa queda de 17,8% na comparação com o mesmo período de 2024.

    A redução ocorre principalmente pela limitação dos estoques internos no início do ano, após o embarque recorde de 50,5 milhões de sacas em 2024.

    Apesar do volume menor, as exportações brasileiras de café somaram US$ 12,9 bilhões no acumulado dos dez primeiros meses de 2025, superando o total exportado nos 12 meses de 2024. O país estabelece um novo recorde anual mesmo sem contabilizar os dados do último bimestre.

    O crescimento no valor das exportações resulta do aumento dos preços médios do café no mercado internacional em 2025, que compensou a redução na quantidade embarcada.

    Estoque mundial atinge menor nível em 25 anos

    Análises do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) preveem aumento na produção mundial de café na safra 2025/26. No entanto, especialistas não esperam reduções expressivas nas cotações devido ao baixo patamar do estoque remanescente do ciclo anterior.

    O estoque mundial no início da safra 2025/26 é o mais baixo dos últimos 25 anos, estimado em 21,8 milhões de sacas de 60 quilos.

  • Conab amplia apoio à agricultura familiar com nova compra institucional

    Conab amplia apoio à agricultura familiar com nova compra institucional

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) abriu uma nova operação de Compra Institucional, com recursos de cerca de R$ 46 milhões, para fortalecer a agricultura familiar e reforçar estoques estratégicos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). As propostas de fornecimento de alimentos devem ser enviadas entre os dias 4 e 8 de dezembro pelo aplicativo PAANet – Proposta Doação.

    A iniciativa utiliza recursos sob gestão do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). E visa ampliar a participação de agricultores familiares nas políticas públicas de abastecimento. Entre os itens adquiridos estão arroz polido, arroz parboilizado orgânico, feijão, fubá, farinha de mandioca, carnes bovina e suína, polpas de frutas, macaxeira a vácuo, rapadura e melado de cana, entre outros.

    Esses produtos serão direcionados às unidades atendidas pelo PAA, como as Cozinhas Solidárias. E também reforçarão os estoques estratégicos mantidos pela Conab para ações de segurança alimentar e nutricional. A execução será articulada entre a matriz da Conab e as superintendências regionais dos estados de origem dos fornecedores participantes.

    A Compra Institucional é uma modalidade do PAA que permite a aquisição direta de alimentos da agricultura familiar. Respeitando preços de referência e limites de participação por organização. Os produtos adquiridos abastecem equipamentos públicos de segurança alimentar e nutricional ou são usados para recompor estoques estratégicos.

    O comunicado completo, com a lista de produtos, critérios de participação, orientações de entrega e demais regras da modalidade, está disponível na página oficial de execução do PAA.

  • Conab lança projeto para ampliar mecanização na agricultura familiar

    Conab lança projeto para ampliar mecanização na agricultura familiar

    Em um anúncio estratégico durante a COP30, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentou o projeto Conab Raiz, uma iniciativa que visa superar os principais entraves da agricultura familiar no Brasil.

    O diretor de Desenvolvimento, Inovação e Gestão de Pessoas da estatal, Lenildo Morais, detalhou a ação, que prevê a distribuição de 220 kits de mecanização para cooperativas e núcleos rurais parceiros em todas as regiões do país.

    O cerne do projeto é enfrentar a falta de acesso a maquinário, uma barreira histórica para milhões de pequenos produtores. De acordo com Morais, a introdução de equipamentos pode elevar a produtividade das lavouras em até 30%, criando um “ciclo virtuoso” que impulsiona diretamente a renda dos agricultores.

    O que compõe os kits de mecanização?

    Cada kit entregue pela Conab é composto por um conjunto de máquinas essenciais para modernizar a produção em pequena e média escala. Entre os itens fornecidos estão:

    • Tratoritos
    • Plantadeiras
    • Colheitadeiras de arroz
    • Roçadeiras
    • Carretas

    Para garantir o pleno funcionamento dos equipamentos, que são de origem chinesa, a Conab também disponibilizará assistência técnica especializada aos produtores.

    Quais os impactos esperados do Projeto Conab Raiz?

    Além do salto de produtividade, a Conab projeta uma série de benefícios socioeconômicos e ambientais decorrentes da mecanização:

    • Ampliação de áreas de cultivo com a adoção de práticas sustentáveis.
    • Agregação de valor aos produtos da agricultura familiar.
    • Melhoria da qualidade da produção agropecuária.
    • Redução da insegurança alimentar nas comunidades rurais.
    • Inclusão produtiva de mulheres, extrativistas e comunidades quilombolas.
    • Maior acesso a programas oficiais de comercialização.

    A iniciativa marca um passo significativo na política de apoio ao setor, reconhecendo a agricultura familiar como um pilar fundamental para a segurança alimentar e o desenvolvimento econômico regional no Brasil.

  • Exportações de soja brasileira devem crescer 5,1%, aponta Conab

    Exportações de soja brasileira devem crescer 5,1%, aponta Conab

    A Conab deixou claro: a soja brasileira vem forte. Muito forte. A estatal projeta que as exportações do grão devem alcançar 112,1 milhões de toneladas na safra 2025/2026. É um salto de 5,11%. Poucos setores crescem assim, quase sem fazer barulho — mas crescem.

    E o motivo aparece logo no início da lavoura. A área plantada deve subir para 49,07 milhões de hectares. São quase dois milhões a mais do que no ciclo passado. É chão demais. Mas o produtor segue confiante, quase teimoso. Planta porque sabe que tem mercado. E tem mesmo.

    A produtividade? Firme. Praticamente igual ao último ciclo: 3.620 kg por hectare. Além disso, nada de grandes rupturas aqui. Apenas aquela constância boa, meio silenciosa, que o campo entende bem. E, conforme o clima ajuda — e tudo indica que vai ajudar — a máquina roda sem soluço. No fim das contas, é o tipo de regularidade que deixa o produtor respirar um pouco melhor.

    No comércio exterior, o Brasil já prepara o bote. As exportações devem bater recorde histórico. Um novo topo. Lá fora, principalmente na China, a demanda continua acesa. É proteína vegetal pra todo lado. É fábrica, é ração, é indústria puxando o ritmo. E o Brasil entrega. Entrega muito.

    Safra de grãos no Brasil

    A safra total de grãos deve chegar a 354,8 milhões de toneladas. Quem lidera esse pelotão? A soja, claro. É ela que empurra, que abre caminho, por exemplo, que segura a barra das exportações quando o resto oscila.

    Condições climáticas mais gentis. Plantio acelerado nas principais regiões. Logística que — aos trancos e barrancos — vai melhorando. Custos ainda competitivos. E tecnologia que já virou parte da rotina, quase como se fosse mais um funcionário da fazenda.

    Tudo isso junto empurra a soja para mais um ciclo vigoroso. Talvez o mais forte. Talvez só mais um capítulo dessa história longa, que o Brasil parece contar de olhos fechados.

  • Safra de grãos deve atingir 354,8 milhões de toneladas no Brasil

    Safra de grãos deve atingir 354,8 milhões de toneladas no Brasil

     A área cultivada cresce. A produção respira. A segunda estimativa da safra 2025/26, divulgada nesta quinta-feira (13/11), pela Conab, manteve praticamente intacto o número já conhecido: 354,8 milhões de toneladas de grãos. É o mesmo patamar do primeiro levantamento — 354,7 milhões. Pequena diferença em relação ao número anterior.

    A área total plantada sobe para 84,4 milhões de hectares, alta de 3,3%. É expansão real. Uma aposta firme do produtor, mesmo com o relógio do clima batendo fora de hora em várias regiões.

    A produtividade média nacional aparece projetada em 4.203 kg/ha, número ainda dependente de modelos e previsões. Modelos erram. O clima muda rápido. A Conab, por isso, mantém os olhos bem abertos para cenários como o excesso de chuva no Paraná, a irregularidade das precipitações em Mato Grosso e o atraso firme das águas em Goiás.

    Soja – área cresce, mas o ritmo do plantio tropeça

    A oleaginosa segue gigante. A área deve subir 3,6%, alcançando 49,1 milhões de hectares. A produção estimada bate em 177,6 milhões de toneladas.

    O plantio? Vai bem, mas nem tanto. Está dentro da média dos últimos 5 anos, embora atrasado em relação à safra passada. Goiás e Minas recuaram. Chuva pouca. Solo seco. No Mato Grosso, o ritmo lembra o de 2024/25, mas outubro pregou uma peça: plantio sob instabilidade, sementes sofrendo com déficit hídrico e falhas na população de plantas. Isso pesa.

    Milho – três safras, ritmo firme, mas queda na produção total

    O milho deve chegar a 138,8 milhões de toneladas somando todas as fases. Uma queda leve de 1,6% ante o último ciclo.

    Na primeira safra, a área cresce 7,1% e a produção deve alcançar 25,9 milhões de toneladas. O plantio já pega 47,7% das lavouras. Acima da média. Mas teve frio demais no Sul, chuva demais no Paraná e até granizo — aquele que bate no telhado e deixa produtor em silêncio. A Conab ainda avalia os danos.

    Arroz – menos área, menos produção

    O arroz encolhe. A estimativa aponta 11,3 milhões de toneladas, queda de 11,5%. A área diminuiu. No Rio Grande do Sul, onde o arroz é rei, mais de 78% da semeadura foi feita. Mas o produtor precisou esperar o solo secar para entrar com as máquinas. O avanço, porém, é satisfatório. Ainda assim, há manchas de irregularidade nas chuvas.

    Feijão – estabilidade no agregado

    A colheita total das três safras deve chegar a 3,1 milhões de toneladas. Um déjà-vu da temporada passada.

    A primeira safra, porém, encolhe 7,3% na área, com 841,9 mil hectares. A produção esperada cai para 977,9 mil toneladas — cerca de 8% menor. O plantio avança bem: São Paulo já concluiu, Paraná bate 91% e Minas segue em 44%.

    Culturas de inverno – trigo rendendo menos

    O trigo deve fechar a safra com 7,7 milhões de toneladas. As condições climáticas ajudaram, mas houve redução de investimentos. Menos fertilizante eMenos defensivo. Menos vigor. O resultado aparece no campo: espigas menores, produtividade limitada. No Paraná, as chuvas fortes de novembro podem afetar parte das áreas ainda não colhidas.

    Mercado – etanol puxa o milho; soja ganha o mundo

    O consumo interno de milho deve avançar para 94,6 milhões de toneladas, uma alta de 4,5%, impulsionada sobretudo pelo etanol. Enquanto isso, as exportações também ganham ritmo e podem atingir 46,5 milhões de toneladas. Os estoques, por sua vez, seguem estáveis — nada que tire o sono do produtor.

    No caso da soja, o Brasil se posiciona com mais firmeza. Com os Estados Unidos reduzindo embarques e o mercado global mantendo o apetite elevado, as vendas externas podem alcançar 112,1 milhões de toneladas em 2025/26, aumento de 5,11%. É um salto que chama atenção e reforça a força do grão brasileiro.

    Além disso, o esmagamento deve crescer. A ampliação da mistura obrigatória de biodiesel no diesel e a procura crescente por proteína vegetal tendem a levar o processamento a 59,37 milhões de toneladas em 2026. É um avanço de 1,37%, número modesto, mas que confirma a tendência de expansão do setor.

  • Conab abre compra de 137 mil toneladas de arroz

    Conab abre compra de 137 mil toneladas de arroz

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) iniciou a compra de até 137 mil toneladas de arroz da safra 2024/25, com investimento de R$ 200 milhões. A operação busca garantir o preço mínimo aos produtores rurais que enfrentam a desvalorização do cereal no mercado nacional.

    Os Ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e da Fazenda (MF) autorizaram a iniciativa por meio da Aquisição do Governo Federal (AGF).

    “Estender a mão amiga ao produtor é parte do compromisso da Conab e do Governo Federal com o fortalecimento da agricultura, do abastecimento e da segurança alimentar”, afirma Edegar Pretto, presidente da Conab.

    A Conab estabeleceu o limite de 189 toneladas por produtor, equivalente a 3.150 sacas de 60 quilos ou 3.780 sacas de 50 quilos. A medida deve beneficiar pelo menos 700 agricultores em estados onde o preço do arroz está abaixo do mínimo federal.

    A operação atende produtores que sofrem com a queda nos preços, resultado do crescimento da produção mundial, do Mercosul e nacional, além da suspensão das barreiras de exportação pela Índia.

    Como vender arroz para a Conab

    Os produtores interessados devem seguir estas etapas:

    • Cadastrar-se no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais (Sican)
    • Procurar a regional da Conab em seu estado
    • Preencher os formulários exigidos e apresentar documentos adicionais
    • Aguardar a convocação da Conab antes de depositar o produto no armazém

    A Conab só finalizará a compra se o arroz atender aos padrões de qualidade estabelecidos. O cereal será estocado em unidades armazenadoras próprias ou credenciadas pela estatal.

    Operações anteriores somam mais de 200 mil toneladas

    O Governo Federal já realizou outras ações de apoio aos produtores de arroz. No final de 2024, leilões de Contrato de Opção de Venda (COV) resultaram em 3.396 contratos, com 91,7 mil toneladas negociadas, principalmente no Rio Grande do Sul.

    Em agosto deste ano, a Conab adquiriu outras 110 mil toneladas por meio de leilões de Contratos de Opção, firmando 4.044 contratos com agricultores do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Uma primeira rodada de AGF, também autorizada em agosto, resultou na compra de 956 toneladas.

    O Governo Federal prepara iniciativas para facilitar o escoamento do arroz. Ainda neste mês, a expectativa é que ocorram leilões públicos para oferecer o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e o Prêmio para Escoamento de Produto (PEP).

    O que é a AGF

    A Aquisição do Governo Federal é um instrumento da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). O mecanismo apoia produtores rurais, agricultores familiares e cooperativas quando o preço de mercado fica abaixo do mínimo estabelecido. O Tesouro Nacional repassa os recursos necessários para operacionalizar as aquisições.

  • Chuvas irregulares em outubro atrasam plantio da safra de verão

    Chuvas irregulares em outubro atrasam plantio da safra de verão

    As precipitações registradas em outubro chegaram de forma irregular às principais regiões produtoras do Brasil e impactaram diretamente o calendário de semeadura dos cultivos de verão. O Boletim de Monitoramento Agrícola (BMA) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado esta semana, aponta que os volumes ficaram abaixo da média histórica e atrasaram o plantio em diversas áreas.

    No Centro-Oeste, as chuvas ocorreram de maneira desigual ao longo do mês. Mato Grosso e o sudoeste de Mato Grosso do Sul concentraram os maiores volumes, enquanto outras regiões receberam acumulados menores. O período chuvoso ainda não se estabilizou na região.

    Os dados do último decêndio de outubro revelam uma recuperação nos níveis de umidade do solo em algumas áreas, o que beneficia tanto a semeadura quanto o desenvolvimento inicial da soja. Entretanto, o norte de Mato Grosso do Sul e Goiás ainda enfrentam restrição hídrica significativa.

    Sudeste e Nordeste apresentam cenários críticos

    O Sudeste seguiu o padrão de irregularidade observado no Centro-Oeste. As chuvas se concentraram apenas no segundo decêndio do mês, mas chegaram de forma mal distribuída às lavouras.

    No Nordeste, a situação preocupa ainda mais. A Conab identificou pouca ou nenhuma precipitação na maior parte da região durante outubro. No Matopiba, que engloba áreas do Maranhão, sudoeste do Piauí, oeste da Bahia e Tocantins, as poucas chuvas registradas não foram suficientes para recuperar o armazenamento hídrico do solo. O cenário limita o avanço da semeadura dos cultivos de primeira safra sem irrigação.

    Por outro lado, o centro-leste do Maranhão e parte do Sealba (Sergipe, Alagoas e Nordeste da Bahia, além do sul baiano) receberam volumes maiores. As precipitações não prejudicaram a colheita do milho de terceira safra, que avança na nova fronteira agrícola.

    Norte apresenta contrastes entre regiões, Sul tem melhor desempenho com chuvas intensas

    Rondônia, o sudeste do Pará e o oeste do Tocantins registraram chuvas irregulares e em menor volume durante o mês. Já o Amazonas e o oeste paraense receberam precipitações mais favoráveis, o que beneficia a semeadura da soja no sudoeste do Pará e melhora as condições de umidade no noroeste do estado.

    A região Sul apresentou o cenário mais favorável em outubro. Chuvas intensas se alternaram com períodos de tempo estável ao longo do mês. O noroeste do Rio Grande do Sul, o oeste de Santa Catarina e o Paraná concentraram os maiores volumes.

    As precipitações contribuíram para recuperar e manter a umidade do solo, favorecendo os cultivos de inverno em estádios reprodutivos e o desenvolvimento dos cultivos de verão. Portanto, os períodos de tempo estável no último decêndio beneficiaram os cultivos de inverno em maturação e colheita. Isso além de acelerar a semeadura da safra de verão.

  • Conab prevê crescimento de 0,8% na safra de grãos 2025/26

    Conab prevê crescimento de 0,8% na safra de grãos 2025/26

    A safra de grãos 2025/26 deve consolidar mais um ciclo de crescimento para o agronegócio brasileiro. Segundo dados divulgados nesta terça-feira (14) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção total estimada alcança 354,7 milhões de toneladas, representando aumento de 0,8% em relação ao ciclo anterior.

    O desempenho positivo está diretamente relacionado à expansão de 3,3% na área cultivada, que deve atingir 84,4 milhões de hectares na temporada 2025/26. Os números constam no primeiro levantamento oficial da safra, realizado pela estatal vinculada ao governo federal.

    Soja lidera expansão com crescimento de 3,6% em área plantada

    A cultura da soja apresenta as perspectivas mais robustas para o novo ciclo agrícola. A área destinada ao plantio da oleaginosa deve crescer 3,6% comparada à safra 2024/25, alcançando 49,1 milhões de hectares. Com essa expansão, a Conab projeta colheita de 177,6 milhões de toneladas, superando as 171,5 milhões de toneladas registradas na temporada anterior.

    As chuvas de setembro favoreceram o início do plantio nas regiões do Centro-Sul do país. Até o momento, 11,1% da área já foi semeada, índice ligeiramente superior ao mesmo período do ciclo passado. Nos principais estados produtores, os números são ainda mais expressivos: Mato Grosso registra 18,9% da área plantada, enquanto o Paraná já alcançou 31% nos primeiros dez dias de outubro.

    Milho apresenta expectativa de produção de 138,6 milhões de toneladas

    A produção de milho também sinaliza crescimento robusto para 2025/26. A área plantada pode chegar a 22,7 milhões de hectares, com expectativa de colheita de 138,6 milhões de toneladas considerando as três safras do cereal.

    Apenas na primeira safra, a Conab prevê incremento de 6,1% na área semeada, com estimativa de produção de 25,6 milhões de toneladas — crescimento de 2,8% em relação ao período anterior. No Rio Grande do Sul, onde o plantio inicia em agosto, 83% da área já estava semeada em 11 de outubro. No Paraná, o índice alcança 84%, e em Santa Catarina, 72%. Nas regiões Centro-Oeste e demais estados, a semeadura ainda não foi iniciada.

    Arroz registra redução de área enquanto feijão busca estabilidade

    A cultura do arroz apresenta tendência de retração para a safra 2025/26. A área destinada ao plantio deve reduzir 5,6%, totalizando 1,66 milhão de hectares. Na lavoura irrigada, a queda prevista é de 3,7%, enquanto no cultivo de sequeiro a diminuição pode atingir 12,5%. Mesmo com menor área cultivada, a produção estimada alcança 11,5 milhões de toneladas.

    Para o feijão, cultura de ciclo curto, a tendência é de estabilidade. Somadas as três safras da leguminosa, a produção deve ficar em 3 milhões de toneladas. A área da primeira safra terá redução de 7,5% comparada ao primeiro ciclo de 2024/25, totalizando 840,4 mil hectares de plantio previsto.

    Trigo enfrenta retração de 19,9% na área cultivada.

    Com aproximadamente 40% das lavouras já colhidas, a produção de trigo em 2025 deve atingir 7,7 milhões de toneladas, queda de 2,4% em relação à safra 2024. A redução decorre principalmente da retração de 19,9% na área cultivada, motivada por condições menos favoráveis no momento da decisão de plantio.

    As projeções da Conab indicam forte incremento nas exportações brasileiras de milho. Enquanto os embarques da safra 2024/25 estão estimados em 40 milhões de toneladas, para o novo ciclo a previsão alcança 46,5 milhões de toneladas. O consumo interno também deve crescer, passando de 90,5 milhões para 94,5 milhões de toneladas, impulsionado pela maior demanda para produção de etanol.

    Na soja, o Brasil deve consolidar novamente a posição de maior exportador mundial da oleaginosa. A previsão de redução nas exportações dos Estados Unidos, aliada ao aumento da demanda global e à expansão da produção brasileira, permite projetar embarques superiores a 112,11 milhões de toneladas. O esmagamento de soja também deve crescer, podendo atingir 59,56 milhões de toneladas em 2026, impulsionado pelo aumento na mistura de biodiesel ao diesel e pela crescente procura por proteína vegetal.

    Arroz amplia exportações apesar de menor área plantada

    Mesmo com redução na área cultivada, o mercado de arroz deve manter boa oferta interna. O Brasil deverá ampliar as exportações do grão para 2,1 milhões de toneladas na safra 2025/26, comparado a 1,6 milhão de toneladas no ciclo anterior.

    Foto: divulgação – Federarroz

    As importações e o consumo doméstico devem permanecer estáveis em torno de 1,4 milhão e 11 milhões de toneladas, respectivamente. Os estoques de passagem devem apresentar leve redução de 11,4%, estimados em 1,82 milhão de toneladas em fevereiro de 2027, mantendo-se em patamar elevado.