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  • Agronegócio bate recorde na geração de empregos

    Agronegócio bate recorde na geração de empregos

    O agronegócio brasileiro atingiu um novo recorde histórico de empregos em 2025: 28,4 milhões de trabalhadores atuam no setor, o equivalente a 26,3% de todo o mercado de trabalho nacional. Os dados constam de pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

    O resultado supera o de 2024, quando o agronegócio respondia por 26,1% das ocupações no país. Em termos absolutos, o setor gerou mais de 600 mil postos de trabalho em um ano, crescimento de 2,2%. Um ritmo superior ao da economia brasileira como um todo, que expandiu 1,7% (ou 1,8 milhão de pessoas) no mesmo período.

    Agrosserviços puxam o crescimento

    O principal motor da expansão foi o segmento de agrosserviços, com alta de 6,1% no número de trabalhadores. Pesquisadores do Cepea/CNA atribuem esse desempenho à retomada das atividades agroindustriais, que vão do processamento de produtos agropecuários à fabricação de insumos, e ao aquecimento da demanda por serviços de apoio e logística, impulsionado por recordes consecutivos de safras e abates de animais.

    O segmento de insumos também avançou, com crescimento de 3,4% frente a 2024. As indústrias de fertilizantes, defensivos, medicamentos veterinários e máquinas agrícolas responderam pelo desempenho positivo, segundo os pesquisadores. Já a agroindústria cresceu 1,4% no mesmo intervalo.

    Imagem gerada por IA/LM Notebook

    Na contramão, o segmento primário registrou queda de 1,1% nas ocupações, puxado principalmente pela redução de postos na agricultura. A pecuária manteve relativa estabilidade.

    Mais carteira assinada, mais diploma e mais mulheres

    O perfil dos trabalhadores do agronegócio também mudou. O número de empregos com carteira assinada cresceu 4,6% (440.337 pessoas). E os sem carteira avançaram 0,2% (9.942 pessoas). Ambos os grupos alcançando os maiores níveis da série histórica. Os trabalhadores por conta própria somaram 213.981 novos integrantes, alta de 3,2%.

    A escolaridade no setor melhorou. Em 2025, caiu o número de trabalhadores sem instrução (-7,6%, ou 121.998 pessoas) e com ensino fundamental (-0,9%, ou 101.876 pessoas). Por outro lado, cresceram os com ensino médio (4,2%, ou 459.556 pessoas) e com ensino superior (8,3%, ou 336.124 pessoas).

    A análise por gênero revela avanço para homens e mulheres: os trabalhadores do sexo masculino somaram 323.761 novos postos (+1,9%), enquanto as trabalhadoras cresceram 2,6% (+278.046 pessoas). O ritmo maior de expansão feminina indica, ainda que de forma gradual, maior participação das mulheres no mercado de trabalho do agronegócio.

  • PIB do agronegócio brasileiro teve alta de 12,2%

    PIB do agronegócio brasileiro teve alta de 12,2%

    O agronegócio brasileiro fechou 2025 com um resultado que poucos setores da economia conseguiriam exibir. O PIB do setor avançou 12,20% em relação ao ano anterior, o segundo maior resultado da série histórica, movimentando R$ 3,20 trilhões. É um número impressionante. Só que, por baixo da euforia, existe um sinal que merece atenção.

    O crescimento foi sustentado, em grande parte, pela valorização de preços ao longo do período, um movimento que perdeu força no segundo semestre e já impacta o ritmo da atividade. Em outras palavras: o campo produziu bem e os preços ajudaram, mas essa combinação não vai durar para sempre.

    A pecuária que ninguém esperava ver tão forte

    Se há um protagonista claro de 2025, é a pecuária. O ramo pecuário fechou o ano com a maior expansão entre todos os recortes, crescendo 32,55% no acumulado. O número soa quase exagerado, mas os dados sustentam cada ponto percentual.

    A bovinocultura de corte foi o principal vetor, com o valor bruto da produção subindo 23,71% no ano, resultado de alta de 15,84% nos preços reais e expansão de 6,79% no volume. A agroindústria ligada ao setor foi ainda mais longe: a agroindústria pecuária disparou 36,54%, favorecida pela valorização dos produtos e aumento da produção.

    Foram exportações em volume recorde, preços em patamar historicamente alto e uma cadeia que entregou eficiência de ponta a ponta. O setor de carnes virou, na prática, o motor principal do agro em 2025.

    O lado agrícola cresceu, mas em ritmo diferente

    Enquanto a pecuária acelerava, a agricultura andou em passo mais moderado. O ramo agrícola avançou 3,40%, sustentado pela maior produção de milho, soja, algodão e café. Positivo, mas longe do destaque da pecuária.

    No setor primário como um todo, o crescimento foi de 17,06%, com destaque para as culturas de milho e café. Já a agroindústria de base agrícola contou uma história diferente: as atividades de base agrícola recuaram 3,33% devido à baixa nos preços industriais. Queda de produção industrial no campo agrícola, enquanto o lado pecuário disparava. O contraste é revelador de como 2025 distribuiu seus ganhos de forma desigual dentro do próprio setor.

    Um quarto da economia brasileira depende do campo

    O resultado de 2025 também consolidou algo que vai além dos números de curto prazo. A participação do agronegócio no PIB nacional subiu para 25,13%, ante 22,9% registrados em 2024. Um em cada quatro reais produzidos no Brasil em 2025 passou, de alguma forma, pelo campo.

    Sob a ótica dos segmentos, todos avançaram no acumulado: insumos (+5,37%), primário (+17,06%), agroindústria (+5,60%) e agrosserviços (+13,76%). O agronegócio não cresceu por um único ponto de pressão. Cresceu de forma ampla, o que dá consistência ao resultado, mesmo com as ressalvas sobre preços.

    O presidente do Instituto do Agronegócio, Isan Rezende, resume bem a tensão que fica para 2026: “O PIB cresce, mas isso não significa automaticamente mais rentabilidade no caixa de quem produz. O custo de produção segue pressionado, o crédito ficou mais caro e o risco aumentou.”

    O freio no final do ano e o que vem pela frente

    O quarto trimestre entregou um recado claro. O indicador recuou 1,11% frente ao terceiro trimestre, com recuo generalizado entre os segmentos, com destaque para a queda de 2,32% nos insumos. Não foi colapso, mas foi um aviso.

    Entre julho e dezembro, o PIB do agro entrou em trajetória de desaceleração, confirmando a perda de tração iniciada ainda no terceiro trimestre, à medida que o ciclo de alta de preços iniciado em 2024 se esgotou. O motor que moveu o crescimento ao longo do ano perdeu combustível justamente na reta final.

    Para 2026, a leitura muda de tom. O resultado passa menos pelo volume colhido e mais pela capacidade de sustentação de margens em um ambiente de preços menos pressionados, um ponto sensível em um setor que depende cada vez mais de custo, crédito e eficiência para manter o crescimento. Quem entrar neste ano com gestão apertada e tecnologia na ponta tem vantagem real. Quem depender apenas do ciclo favorável de preços vai sentir o terreno mudar.

  • CNA pede R$ 623 bilhões para Plano Safra

    CNA pede R$ 623 bilhões para Plano Safra

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou R$ 623 bilhões para o Plano Safra 2026/27. O pedido inclui R$ 104,9 bilhões para a agricultura familiar e R$ 518,2 bilhões para a empresarial. Além disso, a entidade requisitou R$ 4 bilhões para o seguro rural.

    O presidente da CNA, João Martins, entregou dez propostas ao ministro da Agricultura, André de Paula. A entrega ocorreu na terça-feira, 28 de abril, em reunião oficial.

    Destaques do documento

    No documento, a CNA destacou medidas para fortalecer o próximo ciclo agropecuário. Entre as prioridades, a entidade defendeu previsibilidade orçamentária e planejamento plurianual. Também propôs ações para melhorar a saúde financeira dos produtores rurais.

    A CNA sugeriu ampliar o acesso ao crédito e reforçar o seguro rural. Segundo a entidade, as propostas buscam garantir sustentabilidade econômica ao setor. Além disso, o objetivo inclui preservar o papel do Brasil no mercado global de alimentos, principalmente no cenário atual que apresenta incertezas e alta volatilidade.

    Nesse contexto, a entidade destacou a necessidade de fortalecer políticas agrícolas. Elas garantem estabilidade produtiva e controle da inflação alimentar. Além disso, contribuem para a segurança alimentar no país.

    A entidade informou que produtores enfrentam custos elevados e juros altos. Também relatou restrições financeiras e condições climáticas adversas. Por isso, muitos produtores mantêm a produção com maior endividamento. Ao mesmo tempo, eles registram redução nas margens de lucro.

    Preocupações

    A CNA demonstrou preocupação com o descompasso entre orçamento e ciclo agrícola. Segundo a entidade, essa diferença dificulta o planejamento de produtores e cooperativas. Além disso, afeta a atuação de agentes financeiros no setor. Afirmou ainda que a assimetria reduz a previsibilidade das políticas públicas.

    Outro ponto crítico envolve a insuficiência de recursos no Orçamento Geral da União. De acordo com a entidade, os valores atuais não atendem à demanda do agro.

    A CNA explicou que juros elevados aumentam o custo do crédito subsidiado. Com isso, o governo precisa complementar recursos ao longo do ano.

    A entidade também defendeu um modelo orçamentário plurianual para o Plano Safra. O modelo deve priorizar previsibilidade e continuidade. Além disso, precisa acompanhar a dinâmica da produção agropecuária.

    A entidade afirmou que a qualidade institucional do plano deve ser fortalecida. Entre as propostas, a CNA sugeriu criar um plano agrícola plurianual. Também pediu a modernização do seguro rural e aprovação de projetos de lei.

    A entidade propôs atualizar limites de renda para enquadramento de produtores e defendeu melhorias no ambiente de crédito rural.

    A CNA sugeriu reduzir burocracias e combater práticas irregulares. Nos investimentos, a entidade priorizou programas como RenovAgro, PCA e Proirriga. Também propôs ampliar fundos garantidores e financiamento privado. Com isso, a entidade busca fortalecer o crédito e sustentar o crescimento do agro.

  • Falta de verba ameaça controle de doenças e pragas, alerta Comissão da Câmara

    Falta de verba ameaça controle de doenças e pragas, alerta Comissão da Câmara

    A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados reforçou a necessidade de garantir recursos contínuos para a defesa agropecuária no Brasil. Durante audiência pública realizada na última semana, parlamentares, especialistas e representantes do setor criticaram a recorrente limitação orçamentária, que compromete a prevenção de pragas e doenças.

    A discussão ocorre no contexto do Projeto de Lei Complementar (PLP) 95/24, que propõe proibir o contingenciamento de verbas destinadas à área. A medida busca assegurar previsibilidade financeira para ações consideradas estratégicas à produção agrícola e à segurança alimentar.

    A defesa agropecuária reúne um conjunto de normas e ações voltadas à proteção da saúde animal e vegetal. O sistema atua na prevenção de pragas, fiscalização do uso de defensivos e certificação sanitária de produtos, fatores essenciais para o abastecimento interno e as exportações brasileiras.

    Riscos sanitários preocupam setor

    O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Carlos Goulart, alertou para quatro ameaças prioritárias no país: a vassoura de bruxa na mandioca, a influenza aviária, a mosca-da-carambola e a monilíase do cacaueiro.

    Segundo ele, todas exigem resposta imediata para evitar prejuízos maiores. Como exemplo, Goulart citou o recente foco da mosca-da-carambola em Manaus, cujo controle demandou um gasto emergencial de R$ 200 mil. Ele destacou que o investimento preventivo gera economia significativa: cada R$ 1 aplicado pode evitar até R$ 34 em custos futuros.

    Orçamento limitado e impacto econômico

    Em 2025, o orçamento da defesa agropecuária somou R$ 214 milhões, com execução superior a 95%. Apesar disso, especialistas apontam que o valor ainda não cobre todas as demandas, especialmente em situações emergenciais.

    O presidente da União Nacional dos Fiscais Agropecuários (Unafa), Diego do Amaral, destacou a insuficiência de recursos para ações nos estados. Ele lembrou o impacto da lagarta Helicoverpa armigera no oeste da Bahia, que causou prejuízo estimado em R$ 1,5 bilhão.

    Para o setor, a falta de previsibilidade orçamentária dificulta respostas rápidas e aumenta o risco de perdas permanentes na produção.

    Projeto busca impedir contingenciamento

    Os participantes da audiência defenderam a aprovação do PLP 95/24 como medida essencial para garantir estabilidade financeira à área.

    Deputado Márcio Honaiser (PDT-MA). Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

    Autor do requerimento do debate, o deputado Márcio Honaiser (PDT-MA) afirmou que a defesa agropecuária tem impacto direto na economia, na segurança alimentar e na imagem do Brasil no mercado internacional.

    O assessor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rafael Ribeiro de Lima Filho, reforçou que a entidade defende anualmente o fim do contingenciamento tanto para a defesa agropecuária quanto para o seguro rural.

    Assessor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rafael Ribeiro de Lima Filho. Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

    Segundo ele, a instabilidade nos recursos pode elevar gastos públicos no futuro, pressionar a inflação dos alimentos e afetar a balança comercial.

    Já o representante da Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários, Ricardo Aurélio Pinto, defendeu a criação de verba obrigatória para fortalecer o planejamento e garantir o cumprimento de acordos internacionais.

    Ele afirmou que o Brasil precisa manter um sistema sanitário robusto e comparou a defesa agropecuária a uma questão de segurança nacional.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Cigarrinha-do-milho gera perdas bilionárias no Brasil

    Cigarrinha-do-milho gera perdas bilionárias no Brasil

    A cigarrinha-do-milho, *Dalbulus maidis*, causa prejuízos bilionários à produção nacional de milho. Um estudo inédito quantificou o impacto dos enfezamentos na safra brasileira. Entre 2020 e 2024, o Brasil perdeu, em média, 22,7% da produção anual de milho. Essas perdas geraram prejuízo de 6,5 bilhões de dólares por ano.

    Ao longo das quatro safras, o prejuízo acumulado atingiu 25,8 bilhões de dólares. Além disso, cerca de 2 bilhões de sacas deixaram de ser produzidas. Os pesquisadores analisaram dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) desde 1976. Eles avaliaram produtividade, produção e área plantada nas principais regiões produtoras. O estudo foi publicado na revista *Crop Protection*. A pesquisa envolveu Embrapa Cerrados, Epagri e CNA.

    Os resultados mostram que os enfezamentos se tornaram o principal desafio sanitário do milho. Antes, o problema era considerado secundário no sistema produtivo.

    Levantamento aponta perdas e aumento de custos

    Foto: divulgação – Flickr CNA

    Os pesquisadores utilizaram dados do projeto Campo Futuro, da CNA e do Senar. Eles coletaram informações em 34 municípios produtores. Os produtores e especialistas estimaram perdas por consenso técnico em cada safra.
    Na safra 2020/2021, as perdas chegaram a 28,9%. Já na safra 2023/2024, o índice caiu para 16,7%. Apesar disso, o custo com inseticidas aumentou 19% no período.

    Os gastos superaram nove dólares por hectare. Esse aumento elevou o custo de produção do milho. O pesquisador Charles Oliveira afirmou que as perdas médias chegaram a 31,8 milhões de toneladas anuais.
    Em 80% das regiões, a cigarrinha impactou diretamente a produtividade.

    Larissa Mouro destacou que o estudo trouxe estimativas econômicas consistentes. Segundo ela, os dados possuem abrangência nacional.

    Enfezamentos ameaçam produção de milho

    O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais de milho. O país também se destaca como um dos principais exportadores. A Conab estima produção de 138,4 milhões de toneladas na safra 2025/2026. O valor da produção pode chegar a 30 bilhões de dólares.

    Os enfezamentos pálido e vermelho representam a maior ameaça fitossanitária atual. A cigarrinha transmite essas doenças e outros vírus do milho. Os patógenos podem causar perdas totais, especialmente em híbridos suscetíveis. Além disso, não existe tratamento preventivo para essas doenças.

    Os surtos se intensificaram a partir de 2015. Mudanças no sistema produtivo favoreceram a praga. A expansão da safrinha e o cultivo contínuo aumentaram a sobrevivência do inseto. Assim, o problema deixou de ser localizado.

    Segundo Tiago Pereira, as perdas afetam renda, produtividade e competitividade. O estudo transformou percepções do setor em dados científicos.

    Produção cresce, mas enfrenta desafios

    Foto: divulgação – Flickr CNA

    A área plantada variou pouco entre 1976 e 2012. Ela oscilou entre 10 e 14 milhões de hectares. A partir de 2015, a área cresceu e atingiu 22,3 milhões de hectares em 2022/2023. A produção e a produtividade seguiram essa tendência.

    Até o início dos anos 2000, a produtividade ficou abaixo de três toneladas por hectare. A produção média era de 42 milhões de toneladas. Entre 2000 e 2015, a produtividade superou cinco toneladas por hectare. A produção chegou a 84 milhões de toneladas. O avanço ocorreu com a safrinha e novas tecnologias agrícolas. No entanto, os enfezamentos reduziram a produtividade nos últimos anos.

    Manejo integrado é essencial no controle

    A cigarrinha apresenta alta capacidade de reprodução e dispersão. Ela ocorre em todas as regiões do Brasil. O controle biológico surge como alternativa ao manejo químico. Fungos entomopatogênicos ajudam no controle da praga. Os pesquisadores recomendam adotar manejo integrado nas lavouras. A estratégia combina diferentes práticas agrícolas.

    A eliminação do milho tiguera interrompe o ciclo da praga. A sincronização do plantio reduz a disseminação. O uso de cultivares resistentes mantém a produtividade. O manejo inicial evita danos severos.

    O monitoramento constante exige ação conjunta entre produtores. Essa prática melhora a eficiência do controle.

    Impactos atingem economia e consumo

    Os prejuízos vão além das lavouras. O milho é base para proteína animal e biocombustíveis. As quebras de safra elevam preços ao consumidor. Elas também afetam a balança comercial brasileira. A pesquisadora Maria Cristina Canale destacou a importância das estimativas. Segundo ela, os dados orientam políticas públicas.

    As informações ajudam na alocação de recursos e no seguro agrícola. Também orientam estratégias para reduzir perdas no campo.

  • Brasil perde quase 23% da safra de milho por ano por causa de uma única praga

    Brasil perde quase 23% da safra de milho por ano por causa de uma única praga

    Um inseto de menos de cinco milímetros custou ao Brasil US$ 25,8 bilhões em quatro anos. A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), vetor das doenças conhecidas como enfezamentos, retirou uma média de 22,7% da safra nacional de milho a cada ano entre 2020 e 2024, gerando um prejuízo anual estimado em US$ 6,5 bilhões. Os números são de um estudo inédito publicado na revista científica internacional Crop Protection, conduzido pela Embrapa Cerrados, pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    A cigarrinha-do-milho . Foto: Charles Oliveira/Embrapa

    Ao longo das quatro safras avaliadas, cerca de 2 bilhões de sacas de 60 quilos deixaram de chegar ao mercado. “Os resultados indicam que os enfezamentos do milho levaram a uma perda média de 31,8 milhões de toneladas por ano”, afirma Charles Oliveira, pesquisador da Embrapa Cerrados e autor principal do estudo.

    Radiografia dos prejuízos

    Os pesquisadores combinaram dados históricos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com séries de produtividade, produção e área plantada desde 1976, com informações de campo do projeto Campo Futuro, iniciativa da CNA e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Técnicos e produtores rurais de 34 municípios representativos das principais regiões produtoras do País participaram dos levantamentos e, por consenso técnico, estimaram as perdas associadas à praga em cada município e safra.

    A safra 2020/2021 registrou o impacto mais severo: queda de 28,9% na produção. Na safra 2023/2024, o índice recuou para 16,7%, mas outro indicador preocupa. O gasto com inseticidas para controle da cigarrinha subiu 19% no período, superando US$ 9 por hectare e elevando significativamente o custo de produção.

    Em cerca de 80% das localidades avaliadas, produtores e especialistas apontaram a cigarrinha ou os enfezamentos como fator central para a queda de produtividade. “Esse histórico permitiu gerar uma estimativa econômica consistente e com abrangência nacional”, destaca Larissa Mouro, coordenadora do Campo Futuro.

    A ameaça que cresceu nas últimas décadas

    O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais de milho e figura entre os principais exportadores globais. A estimativa da Conab para a safra 2025/2026 é de 138,4 milhões de toneladas, com valor de produção em torno de US$ 30 bilhões, tudo isso sob ameaça constante de uma praga sem tratamento preventivo disponível.

    Os dois tipos de enfezamentos transmitidos pela cigarrinha, o pálido (Spiroplasma kunkelii) e o vermelho (“Candidatus” Phytoplasma asteris), representam hoje o maior risco fitossanitário à produção brasileira do grão. O inseto ainda transmite os vírus do mosaico-estriado e da risca do milho. Em lavouras cultivadas com híbridos suscetíveis, a doença pode provocar perda total da produção.

    Embora os pesquisadores conheçam os patógenos desde os anos 1970, os surtos epidêmicos se tornaram frequentes apenas a partir de 2015. “Mudanças no sistema de produção ocorridas nas últimas décadas, como a expansão da safrinha e o cultivo de milho durante quase todo o ano, criaram um cenário favorável para a sobrevivência da cigarrinha e dos microrganismos”, explica Oliveira.

    Para Tiago Pereira, assessor técnico da CNA, a dimensão do problema mudou de patamar. “Estamos falando de perdas que impactam diretamente a renda do produtor, a estabilidade produtiva e a competitividade do País. O diferencial desse estudo é transformar essa percepção recorrente em números, com base científica.”

    Como a produção cresceu e o problema também

    A série histórica do milho brasileiro mostra uma trajetória de expansão expressiva. Entre 1976/1977 e 2011/2012, a área plantada oscilou entre 10 e 14 milhões de hectares, com produtividade frequentemente abaixo de três toneladas por hectare. A partir de 1999/2000, a adoção da segunda safra e de culturas geneticamente modificadas impulsionou uma virada: a produtividade ultrapassou cinco toneladas por hectare e a produção chegou a 84 milhões de toneladas até 2014/2015.

    O pico da área plantada, 22,3 milhões de hectares, aconteceu na safra 2022/2023. Mas esse mesmo modelo de produção contínua criou as condições ideais para a proliferação da cigarrinha. “Se, por um lado, a tecnologia impulsionou a produção, por outro, o surgimento dos surtos de enfezamentos a partir de 2014/2015 causou declínios severos na produtividade nacional”, resume Oliveira.

    O que os produtores podem fazer

    Diante da inexistência de tratamento preventivo, os pesquisadores recomendam um conjunto de práticas integradas de manejo:

    • Eliminar o milho tiguera (plantas voluntárias que brotam na entressafra): a medida quebra o ciclo de vida do vetor e do patógeno.
    • Sincronizar o plantio entre propriedades vizinhas reduz as janelas que favorecem a dispersão da cigarrinha.
    • Adotar cultivares resistentes ou tolerantes mantém a produtividade mesmo sob pressão das doenças.
    • Aplicar controle químico e biológico nos estádios iniciais da planta (até V8) previne infecções mais graves.
    • E monitorar de forma coordenada entre produtores vizinhos é indispensável para detectar surtos precocemente.

    O controle biológico com fungos entomopatogênicos ganha relevância crescente. Algumas populações de cigarrinha já apresentam resistência a certos grupos de inseticidas, tornando o manejo exclusivamente químico insuficiente.

    Impacto que vai além da porteira

    Os efeitos dos enfezamentos chegam à mesa do consumidor. Como o milho é matéria-prima essencial para a produção de proteína animal, aves, suínos e leite, e para biocombustíveis, quebras de safra pressionam preços e afetam a balança comercial brasileira.

    Para a pesquisadora da Epagri, Maria Cristina Canale, quantificar essas perdas é o primeiro passo para políticas mais efetivas. “Com informações sobre perdas agrícolas do milho causadas por doenças, é possível orientar a destinação de recursos financeiros, o setor de seguro agrícola, as janelas de plantio e as estratégias para mitigar danos, e ainda avaliar a eficácia das práticas adotadas pelo setor produtivo.”

  • Passaporte Equestre, novos mercados e capacitação: as prioridades do setor em 2026

    Passaporte Equestre, novos mercados e capacitação: as prioridades do setor em 2026

    A Comissão Nacional de Equideocultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se reuniu na última quinta-feira, dia 26, para definir as prioridades do plano de ação do setor. O encontro reuniu representantes do segmento e colocou em pauta temas que impactam diretamente a produção, a comercialização e a saúde dos equídeos no Brasil.

    Entre os principais temas discutidos, a comissão abordou a regulamentação da produção e da comercialização de material genético de equídeos. Em seguida, os membros debateram a implementação do Passaporte Equestre nos estados brasileiros. Além disso, trataram do seu reconhecimento como documento válido para o trânsito interestadual de animais.

    Essa iniciativa, portanto, representa um avanço importante para o setor. Isso porque facilita a movimentação de equídeos entre estados e, ao mesmo tempo, reduz a burocracia para produtores e criadores.

    O Passaporte Equestre é um documento oficial que reúne todas as informações sanitárias e de identificação de um equídeo. Entre os dados registrados, estão a origem do animal, seu histórico de vacinação, resultados de exames e eventuais tratamentos realizados. Dessa forma, o documento funciona como um prontuário individual do animal, facilitando tanto o controle sanitário quanto o trânsito seguro entre estados brasileiros.

    Novos mercados e projetos de lei

    A comissão também discutiu o acompanhamento de projetos de lei relacionados ao setor. Paralelamente, avaliou estratégias para a abertura de novos mercados, com foco especial na América Latina, tanto para a exportação de animais vivos quanto para a comercialização de material genético.

    Essa frente representa uma oportunidade concreta de expansão para o agronegócio equestre brasileiro, que já ocupa posição de destaque no cenário internacional.

    Centro de Excelência do Senar: referência nacional em equinocultura

    Outro ponto relevante da reunião foi a discussão sobre as atividades do Centro de Excelência em Zootecnia do Senar, localizado em Feira de Santana, na Bahia. O centro é considerado referência nacional em capacitação na área de equinocultura.

    A comissão destacou o curso técnico em equinocultura já em andamento. Além disso, apresentou os cursos de qualificação previstos e o Encontro Nacional de Treinamento Avançado em Casqueamento e Vaquejamento, programado para maio. O evento é voltado exclusivamente para instrutores do Senar em todo o país.

    Desabastecimento de vacina contra influenza equina preocupa o setor

    Um dos pontos mais urgentes da pauta foi o desabastecimento de vacina contra a influenza equina no mercado nacional. O problema tem origem na paralisação de um laboratório responsável por grande parte da produção do imunizante no Brasil.

    Diante disso, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) orientou os estados a suspenderem temporariamente a exigência do atestado de vacinação contra a influenza equina para a emissão da guia de trânsito animal. A medida visa, portanto, evitar impactos na movimentação de animais e na realização de eventos do setor durante o período de escassez.

  • CNA pede no STF fim da suspensão das ações da Moratória

    CNA pede no STF fim da suspensão das ações da Moratória

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) intensificou a disputa sobre a Moratória da Soja no Supremo. A entidade pediu o fim da suspensão das ações judiciais e administrativas sobre o tema. O pedido ocorreu durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira (19).

    CNA questiona suspensão e cobra retomada imediata

    A CNA defendeu a retomada dos processos que discutem a validade da moratória. Antes disso, o ministro Flávio Dino suspendeu todas as ações em novembro do ano passado. A decisão também incluiu processos em andamento no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

    O ministro tomou a medida no âmbito da ADI nº 7.774. Além disso, a CNA participa do processo como amicus curiae no STF.

    Defesa critica argumento ambiental da moratória

    Durante a sessão, a advogada Amanda Flávio contestou a base ambiental da moratória. Segundo ela, o Código Florestal já impõe regras rigorosas de preservação aos produtores. Por isso, a advogada afirmou que a moratória não tem relação direta com proteção ambiental. Ela reconheceu a importância do meio ambiente, mas criticou o uso do argumento. Segundo a defesa, o tema tem sido distorcido no contexto da moratória.

    Impactos econômicos entram no centro do debate

    A advogada afirmou que o acordo afeta o mercado e penaliza produtores rurais. Ela destacou impactos mais fortes sobre pequenos e médios produtores. Além disso, classificou a Moratória da Soja como acordo privado fora da lei.

    Segundo a CNA, a iniciativa nunca se tornou política pública oficial. A defesa também comparou a moratória a um cartel com efeitos negativos. Amanda Flávio apresentou perdas de R$ 4,01 bilhões aos produtores. Ela também citou alta de 16% no preço do óleo de soja entre 2018 e 2020.

    STF abre caminho para tentativa de acordo

    Ao final da sessão, o STF encaminhou as ações para o Núcleo de Conciliação. O tribunal definiu prazo de 90 dias para negociação entre as partes. A decisão pode influenciar o futuro da Moratória da Soja no país.

    Entenda o histórico da disputa

    Em 2025, a CNA acionou o Cade contra a moratória. A entidade classificou a prática como ilícita e prejudicial ao mercado. Na ocasião, também pediu medida preventiva para suspender o acordo.

    A superintendência-geral do Cade acatou o pedido apresentado. Em setembro, o Conselho manteve a decisão após recursos de empresas do setor. Por fim, a medida confirmou a suspensão da moratória a partir do ano seguinte.

  • Drawback do cacau cai de 2 anos para 6 meses: o que muda para produtores e indústria

    Drawback do cacau cai de 2 anos para 6 meses: o que muda para produtores e indústria

    O governo federal reduziu de dois anos para seis meses o prazo máximo para importação de amêndoas de cacau com isenção de Imposto de Importação em regime de drawback. A mudança, publicada no Diário Oficial da União por meio da Medida Provisória 1341/2026, atende a uma demanda do setor produtivo e contou com atuação direta da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e das federações de agricultura e pecuária da Bahia (Faeb), do Espírito Santo (Faes), do Pará (Faepa) e de outros estados produtores.

    O drawback é um mecanismo tributário que suspende impostos sobre insumos importados quando a indústria os utiliza para fabricar produtos destinados à exportação, como manteiga, pó e líquor de cacau. Adotado em todo o mundo como instrumento de competitividade no comércio exterior, o regime passou a funcionar, segundo produtores, como ferramenta de pressão sobre os preços da amêndoa nacional.

    Crise de preços motivou a medida

    O contexto que levou à MP é de colapso nos preços ao produtor. A arroba do cacau, que no início de 2025 era comercializada entre R$ 800 e R$ 1.000. E fechou em R$ 175,00 em 13 de março de 2026. Uma queda de 5,41% apenas naquele dia, segundo o Mercado do Cacau. Sobre esse preço ainda incidem descontos médios de aproximadamente R$ 100 aplicados pelas indústrias processadoras na compra da amêndoa nacional.

    Em 2025, as importações brasileiras de cacau totalizaram 112,8 mil toneladas, alta de 16,8% sobre as 96,6 mil toneladas do ano anterior, com 41,6 mil toneladas originárias da Costa do Marfim. Os portos da Bahia concentraram quase 70 mil toneladas do produto estrangeiro desembarcado no país.

    Para o diretor técnico adjunto da CNA, Maciel Silva, o instrumento estava distorcendo o mercado interno. “Como as importações de amêndoas são realizadas predominantemente via regime de drawback, o instrumento pode estar associado ao aumento dos estoques da indústria no mercado interno e prejudica o produtor com baixa remuneração”, afirma. Segundo ele, ao limitar o prazo a seis meses, a MP busca compatibilizar o uso do regime com a necessidade de maior equilíbrio entre a demanda industrial e a sustentação da produção nacional.

    Como funcionava e o que muda

    Antes da MP, as empresas tinham até 12 meses, prorrogáveis por mais 12, para exportar os derivados produzidos a partir das amêndoas importadas com benefício fiscal. Porém, com a nova regra, esse prazo cai para seis meses, sem possibilidade de prorrogação para essa categoria de insumo.

    Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

    A intenção do governo é limitar a formação de grandes estoques de cacau importado e tornar o mercado mais alinhado à oferta interna. A expectativa do setor produtivo é que a medida force as moageiras a comprar mais amêndoa brasileira. Especialmente em estados como Bahia e Pará, que concentram a maior parte da cacauicultura nacional.

    Indústria contesta e projeta perdas bilionárias

    A mudança, porém, abriu um impasse com a indústria processadora. A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau afirma que o governo adotou a medida sem diálogo com o setor e pode gerar efeitos negativos na cadeia produtiva. Atualmente, cerca de 22% das amêndoas processadas no país são importadas. E 99% dessas operações estão vinculadas ao regime de drawback.

    A indústria brasileira tem capacidade instalada próxima de 275 mil toneladas por ano. Mas processa cerca de 195 mil toneladas, operando com aproximadamente 30% de ociosidade. Para a AIPC, reduzir o acesso ao insumo importado amplia essa ociosidade sem resolver o problema de preços. E que. portanto, segundo a entidade, deriva da dinâmica global de oferta e demanda.

    Um estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) projeta que a medida pode resultar em perda de mais de 5 mil empregos formais e informais. Além da redução das exportações de derivados entre US$ 400 milhões e US$ 700 milhões, equivalente a até R$ 3,5 bilhões, em cinco anos.

    Produtores agradecem, mas pedem mais

    A Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC) agradeceu a medida. Mas fez ressalvas sobre o impacto a longo prazo: “O ponto central continua sendo o retorno da previsão de safra do cacau brasileiro. É a partir dessa informação que se poderá avaliar, com responsabilidade, se existe ou não necessidade de importação de cacau.”

    Vale lembrar que a MP entra em vigor imediatamente. Mas o Congresso Nacional do Brasil precisa convertê-la em lei em até 120 dias. Caso contrário, a medida perde a eficácia e gera insegurança jurídica para toda a cadeia.

  • Brasil suspende importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim

    Brasil suspende importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim

    O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) suspendeu, nesta terça-feira (24), a importação de amêndoas fermentadas e secas de cacau provenientes da Costa do Marfim. A decisão, publicada em despacho no Diário Oficial da União, foi motivada pelo risco fitossanitário representado pela mistura de grãos de países vizinhos às cargas destinadas ao Brasil.

    A medida atende uma demanda da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que vinha pressionando o governo federal pela adoção de ações imediatas de proteção à cadeia produtiva do cacau. A entidade avaliou positivamente a decisão, classificando-a como essencial para a segurança dos produtores rurais brasileiros.

    Por que a Costa do Marfim preocupa o setor?

    Segundo o Mapa, o elevado fluxo de grãos oriundos de países vizinhos para o território marfinense aumenta o risco de contaminação das cargas exportadas ao Brasil por pragas e doenças. A mistura de amêndoas de diferentes origens nas remessas representa uma ameaça direta às lavouras nacionais. Especialmente nos estados do Pará, Bahia e Espírito Santo, principais polos produtores do país.

    “A suspensão da importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim é medida cautelar de extrema relevância. Acreditamos na competência técnica da Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa para que, com base em critérios científicos, tome a decisão mais assertiva para a proteção do cacau nacional”, afirmou Maciel Silva, diretor técnico adjunto da CNA.

    Além da suspensão temporária, o Sistema CNA, mobilizado por sindicatos e Federações de Agricultura dos estados produtores, reforçou junto ao Executivo e ao Legislativo a necessidade do envio de uma missão técnica à Costa do Marfim. O objetivo é avaliar in loco a situação produtiva, fitossanitária e o trânsito das amêndoas no país exportador antes de qualquer retomada das importações.

    Agenda para fortalecer o produtor brasileiro

    Em paralelo à questão das importações, a CNA avança em uma agenda estruturante voltada ao fortalecimento da cacauicultura nacional. Por meio de reuniões regionais com produtores, a entidade tem mapeado gargalos comuns e construído propostas para o curto e médio prazo em eixos como transparência na precificação, comércio justo, sanidade vegetal e organização produtiva.

    “Junto aos Sindicatos e Federações temos buscado meios de ampliar a competitividade da cacauicultura com foco no desenvolvimento econômico sustentável. A avaliação adequada da importação é parte relevante do plano de trabalho para que os produtores tenham condição de permanecerem na atividade”, destacou Maciel Silva.

    O Brasil figura entre os maiores produtores mundiais de cacau e o setor movimenta bilhões de reais na economia de estados como Bahia e Pará. A proteção fitossanitária da cultura é considerada estratégica tanto para a segurança alimentar quanto para a competitividade do agronegócio nacional.