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  • Descoberta de enzima brasileira pode revolucionar produção de bioenergia

    Descoberta de enzima brasileira pode revolucionar produção de bioenergia

    Uma nova enzima descoberta em solo brasileiro pode transformar a produção de bioenergia. Em geral, o biocatalisador, identificado por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), acelera a degradação da celulose, etapa essencial para a obtenção de biocombustíveis e bioquímicos. Pesquisadores do CNPEM desenvolveram o estudo em parceria com instituições da França e Dinamarca e o publicaram na revista Nature em 12 de fevereiro.

    A enzima, chamada CelOCE (Cellulose Oxidative Cleaving Enzyme), foi encontrada no material genético de bactérias presentes em resíduos de biomassa. Em resumo, o seu mecanismo inovador permite gerar seu próprio co-substrato, tornando a desconstrução da biomassa vegetal mais eficiente.

    Maior eficiência e impacto na indústria

    Testes realizados pelo CNPEM mostraram que, ao ser combinada com enzimas industriais, a CelOCE aumentou em até 21% a liberação de glicose a partir de resíduos vegetais. Ou seja, essa melhoria pode elevar a produtividade e reduzir desperdícios no setor. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Brasil produziu 43 bilhões de litros de etanol em 2023. Portanto, com essa nova tecnologia, a produção pode crescer sem expandir a área cultivada, aproveitando melhor resíduos como bagaço de cana e palha de milho.

    “Essa descoberta muda o paradigma da degradação da celulose e pode revolucionar as biorrefinarias”, afirma Mario Murakami, pesquisador do CNPEM e líder do estudo. “A CelOCE abre caminho para novas rotas de produção de bioenergia, bioquímicos e biomateriais, reforçando a economia de baixo carbono e circular.”

    Inovação científica e aplicação industrial

    A pesquisa envolveu técnicas avançadas, como cristalografia por raios-X no Sirius, acelerador de partículas brasileiro, e engenharia genética com CRISPR-Cas9. Segundo Antonio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM, a combinação dessas tecnologias foi essencial para desvendar o mecanismo inédito da CelOCE. “Esse trabalho ilustra o impacto da integração entre diferentes áreas científicas no CNPEM”, destaca.

    Além da aplicação na produção de bioenergia, a CelOCE, com sua estrutura minimalista de apenas 115 aminoácidos, pode abrir caminho para o desenvolvimento de enzimas sintéticas e até soluções para reciclagem de plásticos.

    Os pesquisadores já depositaram a patente da enzima e o processo de licenciamento está em andamento. Ou seja, o uso industrial pode começar entre um e quatro anos, dependendo da tecnologia aplicada.

    Sobre o CNPEM

    O CNPEM é uma organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Com laboratórios de ponta, atua nas áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Além de operar o Sirius, maior equipamento científico do Brasil, o centro desenvolve o Projeto Orion, dedicado a pesquisas avançadas em patógenos. Em resumo, suas atividades incluem os Laboratórios Nacionais de Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além da Ilum Escola de Ciência, um curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia apoiado pelo Ministério da Educação (MEC).

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  • Embrapa apresenta avanços na cultura da mandioca no Show Rural Coopavel

    Embrapa apresenta avanços na cultura da mandioca no Show Rural Coopavel

    A Embrapa Mandioca e Fruticultura leva inovações para a 37ª edição do Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR). O evento acontece entre 10 e 14 de fevereiro, das 8h às 18h, com foco em inovação tecnológica e sustentabilidade.

    Na Vitrine de Tecnologias da Embrapa, a unidade demonstra soluções avançadas para a produção de mandioca. Entre os destaques estão a câmara de termoterapia, a técnica de plantio para produção de miniestacas e cultivares como BRS CS 01, BRS 420 e BRS 429. O analista Helton Fleck da Silveira e o pesquisador Rudiney Ringenberg conduzem as demonstrações.

    Tecnologias em destaque da Embrapa para mandioca

    Câmara térmica automatizada: a tecnologia permite a propagação de mandioca com qualidade fitossanitária. O sistema expõe as plantas a temperaturas entre 50°C e 55°C e umidade de 90% durante as horas mais quentes do dia. Esse processo elimina patógenos e viabiliza a produção em larga escala de matrizes-elite.

    BRS CS 01 Indicada para indústrias do Mato Grosso do Sul e Paraná, essa variedade se destaca pela alta produtividade. No primeiro ciclo, rende 31% mais que as cultivares tradicionais. No segundo ciclo, o ganho chega a 93%. A planta tem porte reto, facilita o plantio mecanizado e reduz custos com capina.

    BRS 420 Essa cultivar industrial, recomendada para o Paraná e Mato Grosso do Sul, apresenta alta produtividade de raízes e amido. A planta tem porte reto e resistência moderada a bacteriose, superalongamento e antracnose, o que facilita o manejo e a colheita.

    BRS 429 Voltada para consumo in natura, essa variedade é altamente produtiva. No Paraná, rende 25,7% mais que as tradicionais. Em São Paulo, a superioridade alcança 53,9%. As raízes cilíndricas e longas garantem melhor aproveitamento comercial. A polpa amarela intensa e o sabor superior agradam ao consumidor.

    Miniestacas de mandioca: a técnica permite a geração de material de plantio a partir de três métodos: mudas micropropagadas, multiplicadas rapidamente ou obtidas de plantas de campo. O processo aumenta a eficiência na produção e melhora a qualidade do plantio.

    A participação da Embrapa no evento reforça a importância da inovação para o setor da mandioca e apresenta soluções que impulsionam a produtividade e a sustentabilidade da cultura.

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  • Cupuaçu tem genes ligados à resistência à vassoura-de-bruxa

    Cupuaçu tem genes ligados à resistência à vassoura-de-bruxa

    Pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) identificaram genes do cupuaçu relacionados à resistência ou suscetibilidade à vassoura-de-bruxa. A doença, causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa, afeta severamente as culturas de cupuaçu e cacau, gerando prejuízos significativos.

    O trabalho, liderado pelas pesquisadoras Lucilia Helena Marcellino e Loeni Ludke Falcão, é pioneiro no estudo da expressão gênica em larga escala do cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum). Em resumo, o estudo utilizou o sequenciamento de alta profundidade do transcritoma da planta, com foco nas regiões meristemáticas, áreas mais suscetíveis ao ataque do fungo.

    Avanços no estudo da interação planta-patógeno

    O transcritoma, conjunto completo de transcritos de um organismo, revelou milhares de genes expressos em plantas suscetíveis e resistentes ao fungo. “A análise bioinformática desses dados permitiu identificar genes relacionados à resposta imune, ao metabolismo secundário e ao crescimento”, explica Marcellino.

    Além disso, essa informação abre caminho para novas estratégias de combate à doença, incluindo a criação de marcadores moleculares para selecionar plantas resistentes e o desenvolvimento de fungicidas específicos.

    Impactos e potencial do estudo

    Segundo Falcão, o cupuaçu ainda possui grande potencial a ser explorado. “Diferentemente do cacau, o cupuaçu carece de pesquisas robustas, especialmente para desenvolver cultivares resistentes e métodos de controle eficientes”, destaca.

    Além disso, os pesquisadores inseriram alguns genes identificados no tomate Micro-Tom, planta-modelo que permitirá estudos detalhados sobre funções genéticas. A expectativa é compreender melhor os mecanismos de resistência e aplicá-los na cultura do cupuaçu.

    Parceria busca molécula para controlar o fungo

    Outra frente de pesquisa envolve uma parceria com a Embrapa Agricultura Digital (SP). O objetivo é sintetizar uma molécula capaz de inibir o fungo, atuando diretamente em uma proteína do patógeno. A tecnologia pode controlar tanto a M. perniciosa quanto a M. roreri, praga quarentenária em risco de entrada no Brasil.

    “A resistência aliada à boa produção e qualidade do fruto é essencial para o desenvolvimento do cupuaçu. Porém, o menor conhecimento sobre a genética molecular da planta ainda é um gargalo”, reforça Marcellino.

    Por que a doença é chamada de vassoura-de-bruxa?

    O fungo manipula a planta, induzindo o crescimento anormal de galhos, que formam estruturas semelhantes a vassouras. “Esses galhos crescem vigorosos, mas acabam se tornando alimento para o fungo na fase necrotrófica”, explica Falcão.

    A doença se espalha com facilidade, pois os galhos infectados permanecem na planta, favorecendo a disseminação dos esporos pelo vento. O controle requer poda fitossanitária, uso de fungicidas e cultivo de plantas resistentes.

    A pesquisa avança no entendimento da interação entre o cupuaçuzeiro e o fungo, fortalecendo o potencial do Brasil para desenvolver soluções sustentáveis e inovadoras para a cultura do cupuaçu. O estudo contou com a parceria da Embrapa Amazônia Oriental (PA) e outras instituições, como a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), na Bahia, a Universidade de Brasília (UnB), do Centro francês de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad) e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac – Pará)

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  • Drones revolucionam melhoramento genético de milho para tolerância à seca

    Drones revolucionam melhoramento genético de milho para tolerância à seca

    09Pesquisadores brasileiros adotaram drones para acelerar o melhoramento genético de milho resistente à seca, reduzindo custos e otimizando resultados. Em resumo, a técnica usa câmeras RGB para capturar imagens de campo, que são convertidas em índices que medem a saúde das plantas. Ou seja, com essas informações, é possível selecionar rapidamente as variedades mais promissoras e simular seu desempenho em diferentes condições climáticas.

    O Centro de Genômica Aplicada às Mudanças Climáticas (GCCRC), liderou o estudo, em parceria com Embrapa, Unicamp e apoio da Fapesp, e publicou os resultados na revista The Plant Phenome Journal.

    Nova tecnologia supera métodos tradicionais

    Os métodos tradicionais de avaliação em campo são caros e demorados. “Nos processos convencionais, é necessário esperar o ciclo completo da planta e realizar medições manuais, o que demanda tempo e equipamentos caros”, afirma Juliana Yassitepe, pesquisadora da Embrapa Agricultura Digital e autora do estudo.

    Portanto, a nova metodologia reduziu significativamente o tempo de coleta de dados. “Antes, levaríamos dias para medir a produção de grãos, altura das plantas e tempo até a floração. Agora, drones e processamento de imagens realizam essas tarefas em poucas horas”, destaca Yassitepe.

    Experimentos comprovam eficiência

    Durante a estação seca de 2023, pesquisadores realizaram dois experimentos em Campinas (SP) ao longo de cinco meses. Os cientistas testaram 21 variedades de milho, incluindo 18 geneticamente modificadas para tolerância à seca e três variedades sem alterações, usadas como controle.

    As plantas foram divididas em dois grupos: um recebeu irrigação contínua, enquanto o outro enfrentou condições de seca. Além disso, os drones realizaram voos semanais, capturando imagens com câmeras RGB e multiespectrais. Em geral, os resultados mostraram que as câmeras RGB, mais acessíveis, oferecem dados confiáveis para o melhoramento genético em larga escala.

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    Menores custos e maior abrangência

    A nova abordagem reduz custos e permite realizar estudos em áreas menores. “Nem sempre os grupos de pesquisa têm muitas sementes viáveis para testar grandes áreas. Com imagens de alta resolução captadas por drones, podemos analisar mais variedades em espaços menores”, explica Helcio Pereira, pesquisador de pós-doutorado no GCCRC e coautor do estudo.

    Além disso, a metodologia também possibilita acompanhar o desenvolvimento das plantas ao longo de todo o ciclo. “A análise temporal contínua foi crucial para entender como as plantas reagem ao estresse hídrico”, complementa Pereira.

    Modelos preditivos otimizam seleção

    Pesquisadores usaram os dados captados pelos drones para criar modelos preditivos que identificam variedades adaptadas a diferentes condições climáticas. “Com esses modelos, podemos prever o comportamento das variedades sem medições manuais frequentes, tornando o processo mais rápido e acessível”, afirma Pereira.

    O estudo completo, intitulado “Temporal field phenomics of transgenic maize events subjected to drought stress: cross-validation scenarios and machine learning models”, está disponível aqui.

    O GCCRC, uma iniciativa conjunta da Embrapa e Unicamp com apoio da Fapesp, foca em soluções inovadoras para adaptar cultivos aos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

  • Hilda: vaca fertilizada in vitro promete diminuir gases do efeito estufa

    Hilda: vaca fertilizada in vitro promete diminuir gases do efeito estufa

    O nascimento de uma vaca leiteira na Escócia representa um marco na busca por uma pecuária mais sustentável. Batizada de Hilda, a bezerra foi criada para emitir menos metano, gás de efeito estufa até 80 vezes mais potente que o CO₂ em curto prazo.

    Hilda nasceu no rebanho de Langhill, no sul do país, por meio de fertilização in vitro. O projeto combina avanços genéticos para reduzir emissões de metano, gás responsável por cerca de 30% das emissões globais da pecuária.

    Combinação de tecnologias acelera redução

    Hilda é fruto de três tecnologias, explica Mike Coffey, professor da Scotland’s Rural College. A equipe analisou o DNA de vacas para prever emissões de metano, extraiu óvulos de fêmeas jovens e utilizou sêmen selecionado para fertilização.

    Foto: Divulgação SRUC – Phil Wilkinson

    “Essas técnicas permitem acelerar a seleção de vacas que emitem menos metano, um bezerro por vez”, afirmou Coffey. Repetindo o processo, espera-se reduzir em 30% as emissões do rebanho de Langhill nos próximos 20 anos.

    Estudos reforçam essa perspectiva. Pesquisas canadenses indicam que o melhoramento genético pode cortar emissões de metano em até 30% até 2050.

    Custos e viabilidade econômica

    Produzir uma vaca como Hilda ainda custa o dobro do valor de mercado do animal. “Atualmente, não é lucrativo, mas mostramos que é viável”, disse Coffey.

    O próximo passo, segundo ele, é buscar apoio financeiro para ampliar a tecnologia. “O governo pode criar incentivos, como fez com os carros elétricos, para tornar isso viável.”

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    Soluções complementares em teste

    Enquanto a genética avança, outras iniciativas buscam mitigar as emissões na pecuária. Pesquisadores estudam aditivos para ração, como algas marinhas, e tecnologias para capturar metano do esterco e transformá-lo em biogás.

    Alterações na dieta do gado e o uso de fertilizantes também estão sendo avaliados. “Há uma corrida internacional para reduzir as emissões de metano dos ruminantes o mais rápido possível”, destacou Coffey.

    Tecnologia é suficiente?

    Apesar do progresso, cientistas alertam que as melhorias tecnológicas não bastam para atingir as metas climáticas. Ou seja, segundo o Acordo de Paris, limitar o aquecimento global a 1,5°C exige mudanças significativas na produção e no consumo de carne e laticínios.

    Além disso, pesquisadores afirmam que reduzir o consumo global desses produtos pode cortar emissões alimentares em 17%. Além disso, uma redução de 45% nas emissões de metano até 2030 poderia evitar 0,3°C de aquecimento.

    No entanto, a demanda global por carne e laticínios continua alta. De acordo com a FAO, 6 bilhões de pessoas consomem leite e derivados, e o consumo de carne deve crescer 14% até 2030.

    A corrida por soluções segue intensa, unindo genética, ciência e políticas públicas para enfrentar um dos maiores desafios climáticos do mundo.

  • Técnica pode reduzir fertilizantes com ajuda de fungos benéficos

    Técnica pode reduzir fertilizantes com ajuda de fungos benéficos

    Pesquisadores descobriram que uma mutação genética pode ajudar o trigo a formar parcerias mais eficientes com fungos benéficos. Ou seja, essa interação permite às plantas extrair nutrientes do solo com maior eficácia, reduzindo a necessidade de fertilizantes sintéticos. A revista Nature já publicou a pesquisa.

    Além disso, o estudo mostrou que a mutação, localizada no gene CNGC15, influencia as oscilações de cálcio nas raízes, que atraem micróbios úteis. Portanto, isso facilita a liberação de nutrientes presos no solo, potencializando a nutrição do trigo e outras culturas que venham a ser modificadas de forma semelhante.

    Redução de fertilizantes beneficia o meio ambiente

    Fertilizantes industriais, ricos em nitrogênio e fosfato, aumentam a produtividade agrícola, mas também geram poluição ambiental. O excesso de nutrientes pode contaminar águas subterrâneas e emitir gases de efeito estufa. A descoberta oferece uma alternativa sustentável ao estimular as plantas a utilizarem nutrientes de maneira mais natural, expandindo sua interação com micróbios do solo.

    “O avanço é inovador e pode revolucionar a agricultura”, avalia Heike Sederoff, bióloga molecular da North Carolina State University. Cheng-Wu Liu, especialista da University of Science and Technology of China, destaca o potencial da mutação para uma produção agrícola mais sustentável.

    Parcerias microbianas ampliadas

    Plantas como ervilhas e feijões já mantêm relações benéficas com bactérias que fixam nitrogênio em suas raízes. Além disso, culturas como o trigo interagem com fungos que fornecem fosfato e outros nutrientes. No entanto, essas parcerias naturais são subutilizadas quando o solo é enriquecido com fertilizantes sintéticos.

    A mutação identificada pelos cientistas aumenta a produção de flavonoides, compostos químicos que atraem micróbios. Em experimentos com trevo-barril (Medicago truncatula), plantas com a mutação apresentaram 10% mais conexões fúngicas e absorveram 20% mais nitrogênio nas folhas.

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    Testes promissores com trigo

    A equipe aplicou a mutação em dois tipos de trigo. Em testes de campo, as plantas mutantes formaram 20% mais conexões com fungos benéficos, mesmo em solos enriquecidos com fertilizantes. As folhas apresentaram 10% mais nitrogênio em relação ao carbono, indicando maior eficiência nutricional.

    Os resultados são promissores para aumentar a produtividade de grãos enquanto reduzem o impacto ambiental. Segundo Giles Oldroyd, geneticista de plantas da Universidade de Cambridge, a mutação pode beneficiar diversas culturas agrícolas. “Essa abordagem tem o potencial de transformar a agricultura global.”

    Sustentabilidade como futuro da produção agrícola

    Com novos testes de campo, a expectativa é que a mutação genética permita colheitas mais nutritivas e economicamente viáveis. Além de oferecer vantagens aos agricultores, a técnica pode reduzir a dependência de fertilizantes químicos, beneficiando o meio ambiente e a saúde humana.

     

  • Mel de açaí se destaca por alta concentração de antioxidantes

    Mel de açaí se destaca por alta concentração de antioxidantes

    O mel produzido por abelhas africanizadas (Apis mellifera L.) a partir da florada do açaizeiro apresenta altos níveis de compostos bioativos, com forte potencial antioxidante. A descoberta, resultado de um estudo publicado na revista científica Molecules, abre caminho para valorizar esse produto da biodiversidade amazônica.

    A pesquisa, conduzida pela Embrapa Amazônia Oriental, Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade Federal do Maranhão (UFMA), comparou o mel de açaí com outros méis monoflorais, como os de aroeira (MG), cipó-uva (DF), timbó (RS) e mangue (PA). Os resultados revelaram que o mel de açaí supera em até quatro vezes a capacidade antioxidante do mel de aroeira, um dos mais valorizados no Brasil.

    Propriedades funcionais

    Foto: Divulgação Embrapa – Vinicius Braga

    Segundo Daniel Santiago, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, os polifenóis são responsáveis pela elevada atividade antioxidante do mel de açaí. Esses compostos atuam no combate aos radicais livres e possuem propriedades anti-inflamatórias, anticancerígenas e cardioprotetoras.

    Nilton Muto, professor da UFPA e coautor do estudo, destacou que a coloração escura do mel, variando de âmbar a quase negro, está diretamente ligada à alta concentração desses compostos bioativos. Além disso, o sabor diferenciado, com notas sutis de café, foi bem avaliado em análises sensoriais.

    Potencial econômico e ambiental

    Com a crescente demanda por açaí, produtores do Pará têm investido na polinização dirigida para aumentar a produtividade. Embora as abelhas sem ferrão sejam mais eficientes na polinização, o custo elevado das colmeias tem levado muitos agricultores a optar pelas abelhas africanizadas.

    Apesar das limitações, as africanizadas têm um raio de ação maior, alcançando até 1.500 metros, o que favorece seu uso nas bordas das plantações. Segundo Santiago, ainda são necessários mais estudos para avaliar com precisão o impacto dessa espécie na polinização do açaizeiro.

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    Perspectivas para a Amazônia

    Foto: Divulgação Embrapa – Ronaldo Rosa

    Atualmente, a produção de mel na Amazônia representa apenas 2% das 64 mil toneladas produzidas anualmente no Brasil, com o Pará respondendo por 1,5% desse total. No entanto, o estudo aponta que a apicultura pode ganhar força na região, impulsionada pela crescente valorização do mel de açaí.

    A pesquisa faz parte do projeto Agrobio, financiado pelo Fundo Amazônia/BNDES, e envolve uma rede integrada de produtores, cientistas e estudantes. Sara Ferreira, primeira autora do artigo, acredita que a descoberta abre portas para o desenvolvimento de novos produtos a partir do mel amazônico.

    Ou seja, com características únicas, o mel de açaí tem potencial para se tornar um diferencial competitivo no mercado nacional e internacional, reforçando a importância da preservação e uso sustentável da biodiversidade amazônica.

     

  • Computação quântica é aposta estratégica para o futuro da agricultura brasileira

    Computação quântica é aposta estratégica para o futuro da agricultura brasileira

    A computação quântica surge como uma tecnologia estratégica para impulsionar a agricultura digital no Brasil. Com capacidade de resolver problemas complexos de forma mais rápida e precisa, a inovação pode transformar áreas como agricultura inteligente, modelagem climática, sensoriamento remoto e bioinformática. É o que aponta um estudo da Embrapa Agricultura Digital (SP), em parceria com o Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Agricultura Digital, da Fapesp.

    Publicado na revista Pesquisa Agropecuária Brasileira (PAB), o estudo destaca que a computação quântica pode otimizar decisões em todas as etapas da cadeia produtiva. “Pesquisas na fronteira do conhecimento, como a computação quântica, têm potencial para reduzir incertezas e melhorar a eficiência, do plantio até a comercialização”, explica Édson Bolfe, pesquisador da Embrapa.

    Como funciona a computação quântica?

    Ao contrário dos computadores convencionais, que utilizam bits binários (“0” ou “1”), os computadores quânticos trabalham com qubits. Portanto, essa tecnologia permite que as informações sejam processadas simultaneamente, acelerando cálculos complexos e oferecendo respostas mais detalhadas.

    De acordo com Kleber Souza, coordenador do estudo, a computação quântica pode testar múltiplas variáveis ao mesmo tempo, superando limitações dos sistemas tradicionais. “A superposição quântica permite análises mais robustas e em menor tempo”, afirma Souza.

    Arte: Divulgação – Embrapa

    Aplicações no campo

    Na prática, a tecnologia já apresenta aplicações promissoras. Em resumo, em modelagem climática, pode aperfeiçoar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), ferramenta essencial para políticas públicas e seguros agrícolas.

    Ao mesmo tempo, na fitossanidade, a computação quântica ajudará a identificar precocemente doenças em culturas como soja e milho. Já na bioinformática, acelerará análises genômicas, beneficiando o melhoramento genético.

    Além disso, a integração com sensores avançados e algoritmos de aprendizado de máquina deve ampliar ainda mais as aplicações no campo.

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    Desafios para implementação

    Apesar do grande potencial, a computação quântica enfrenta desafios, principalmente em relação ao custo. Um computador quântico pode custar até US$ 20 milhões e exige infraestrutura específica, como resfriamento próximo ao zero absoluto.

    Mesmo assim, Souza destaca que investir na tecnologia é estratégico para o Brasil. “Precisamos avançar em pesquisa, infraestrutura e capacitação para garantir nossa competitividade”, ressalta.

    Iniciativas no Brasil

    O Brasil já deu os primeiros passos rumo à computação quântica. Em 2022, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e o MCTI realizaram o Desafio Brasil Computação Quântica. No mesmo ano, foi criada a Rede MCTI-Softex de Tecnologias Quânticas para integrar governo, centros de pesquisa e startups.

    Em 2023, a Embrapa e o Senai Cimatec lançaram a Unidade Mista de Pesquisa e Inovação Digital em Agricultura Tropical. O projeto aposta em sensores, automação, inteligência artificial e tecnologias quânticas para soluções voltadas ao agronegócio.

    Capacitação é essencial

    A formação de profissionais especializados será decisiva para o avanço dessa tecnologia. Países como Austrália e Alemanha já oferecem cursos específicos em engenharia quântica. No Brasil, algumas universidades começam a adotar programas voltados ao tema.

    Souza acredita que computadores educacionais, com custo a partir de US$ 500, podem ser uma porta de entrada para a capacitação inicial. “Combinados com serviços em nuvem, esses dispositivos permitem testes estratégicos e ajudam no planejamento tecnológico”, explica.

    Olhando para o futuro

    Com simuladores quânticos em nuvem já disponíveis, o Brasil tem a chance de acelerar sua entrada no universo quântico. Essas ferramentas permitem que empresas e pesquisadores testem algoritmos antes de investir em equipamentos físicos.

    A computação quântica, embora ainda distante das propriedades rurais, se apresenta como uma aliada essencial para enfrentar os desafios da agricultura moderna. Investir em pesquisa, desenvolvimento e capacitação tecnológica não é apenas uma questão de inovação, mas de garantir a liderança do Brasil no cenário global do agronegócio.

     

  • Bayer e Embrapa avançam em parcerias para descarbonização na agricultura brasileira

    Bayer e Embrapa avançam em parcerias para descarbonização na agricultura brasileira

    A Bayer e a Embrapa anunciaram iniciativas inéditas para calcular a pegada de carbono do algodão e avançar na descarbonização das cadeias produtivas do país. A ferramenta Footprint PRO Carbono foi desenvolvida em parceria pelas instituições. E realizou a primeira mensuração da pegada de carbono de cotonicultores brasileiros, utilizando dados primários de propriedades no Mato Grosso. O cálculo, focado em aproximadamente 77 mil hectares. E estimou uma média de 329 kg de CO₂ equivalente por tonelada de algodão, com potencial de redução de até 32%.

    Marina Menin, diretora da área de carbono da Bayer, destacou a importância de entender a dinâmica de emissões regionais para desenvolver soluções alinhadas à agricultura regenerativa. Além da Bayer e da Embrapa, associações como a Abrapa e a Abiove participam do projeto, que busca criar uma referência nacional para a pegada de carbono do algodão e seus derivados.

    “Acreditamos no potencial de crescimento da cadeia produtiva do algodão. E a ABIOVE tem a satisfação de participar dessa cooperação técnica que ressaltará os atributos ambientais dos produtos dessa agroindústria que contribui para a produção de alimentos, rações, fibras e bioenergia” destacou André Nassar, presidente da ABIOVE.

    Soja com menor pegada de carbono

    No segmento da soja, a Cooperalfa, de Santa Catarina, aderiu à iniciativa, com o cálculo inicial da pegada de carbono em 5.000 hectares. A Footprint PRO Carbono estimou uma média de 643 kg de CO₂ equivalente por tonelada, significativamente inferior à média internacional de 1.526 kg. Com práticas aprimoradas, é possível reduzir o impacto para 383 kg, segundo Antônio Everaldo, executivo da Bayer.

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    Durante o evento Carbon Science Talks, a Bayer e a Embrapa também apresentaram o Modelo Preditivo PRO Carbono, que simula a dinâmica de carbono no solo considerando práticas conservacionistas. Luis Gustavo Barioni, da Embrapa, destacou que a solução reduzirá custos de análises e impulsionará projetos em larga escala na agricultura tropical.

    Reconhecimento global

    Renata Ferreira, da Bayer, reforçou que o alinhamento com padrões internacionais é essencial para validar as soluções brasileiras e garantir competitividade no mercado de carbono. A Bayer é uma das quatro empresas selecionadas pela Verra para adaptar protocolos de contabilidade de emissões ao contexto tropical, marcando um avanço para a agricultura nacional.

    O Carbon Science Talks, realizado em Campinas (SP), reuniu pesquisadores, empresas e especialistas para debater avanços na agricultura sustentável. A iniciativa demonstra o compromisso do agronegócio brasileiro com a mitigação climática e a valorização de commodities de baixo impacto ambiental.

  • Pepino-do-diabo: pesquisadores revelam o mistério explosivo da espécie

    Pepino-do-diabo: pesquisadores revelam o mistério explosivo da espécie

    Cientistas descreveram, nesta semana, o funcionamento de um dos mecanismos mais curiosos da natureza: como o pepino-do-diabo (Ecballium elaterium) lança suas sementes. A pesquisa, conduzida pela Universidade de Oxford e publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, utilizou experimentos práticos, filmagens de alta velocidade e modelagem matemática para solucionar o mistério.

    Pepino-do-diabo ou pepino-explosivo

    Conhecido também como pepino-explosivo, o Ecballium elaterium é uma planta comum na Europa e na região do Mediterrâneo. Sua fama vem do método único e violento de dispersão de sementes, que envolve um verdadeiro “disparo”.

    Quando maduras, as frutas ovais do pepino se desprendem do caule e ejetam as sementes com alta pressão. O jato, rico em mucilagem — uma substância gelatinosa —, alcança velocidades de até 20 metros por segundo. As sementes podem ser lançadas a distâncias de até 10 metros, o que representa 250 vezes o comprimento do fruto. Esse processo ocorre em apenas 30 milissegundos.

    Segredo por trás da pressão hidráulica

    Chris Thorogood, diretor adjunto do Jardim Botânico de Oxford, explicou o mecanismo: “O fruto acumula fluido internamente, gerando uma grande pressão. Parte desse fluido é redirecionada para o caule, que se alonga, engrossa e endurece”. Ou seja, esse movimento altera a posição do fruto, que sai de uma postura vertical para um ângulo de 45°, ideal para o lançamento das sementes.

    Além disso, diferentemente de outras plantas que utilizam energia elástica, como “estilingues naturais”, o pepino-do-diabo adota a pressão hidráulica para lançar suas sementes. Ao mesmo tempo, esse ajuste interno permite que o fruto acumule fluido suficiente para o disparo.

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    Estratégia de sobrevivência

    A estratégia do pepino-explosivo visa reduzir a competição entre as sementes e a planta-mãe. O objetivo é lançar as sementes longe o suficiente para evitar a concorrência, mas em locais favoráveis ao crescimento. “Embora não seja o mecanismo mais rápido ou de maior alcance da natureza, ele garante que as novas gerações cresçam em ambientes adequados”, afirmou Finn Box, coautor do estudo e pesquisador da Royal Society University na Universidade de Manchester.

    Portanto, o estudo revelou a sofisticação de um mecanismo raro no reino vegetal e destacou a importância da dispersão eficiente de sementes para a sobrevivência da espécie.