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  • Cabras sobem em árvores e cena impressiona o mundo

    Cabras sobem em árvores e cena impressiona o mundo

    Imagine olhar para uma árvore e ver dezenas de cabras equilibradas nos galhos. A cena parece editada ou até surreal. No entanto, ela acontece de verdade, e há séculos.

    No sudoeste do Marrocos, as chamadas cabras-árvore se tornaram um fenômeno natural que intriga moradores, turistas e pesquisadores.

    Além disso, o comportamento não é recente. Registros mostram que essas cabras já sobem em árvores há centenas de anos.

    O segredo está na árvore de argan

    O motivo por trás dessa cena curiosa é simples: comida.

    As cabras são atraídas pelos frutos da argan tree, uma árvore típica da região. Esses frutos são ricos em nutrientes e extremamente valorizados, tanto pelos animais quanto pelos humanos.

    Por isso, os animais escalam os troncos e se equilibram nos galhos para alcançar os melhores pontos. Mesmo em alturas consideráveis, elas demonstram agilidade impressionante.

    Equilíbrio surpreende especialistas

    Apesar do peso e da aparência pouco “atlética”, as cabras conseguem se movimentar com precisão entre os galhos.

    Isso acontece porque possuem cascos adaptados e excelente senso de equilíbrio. Assim, conseguem distribuir o peso e se apoiar em áreas pequenas sem cair.

    Foto de Wolfgang Kaehler LightRocket, Getty Images

    Além disso, especialistas explicam que esse comportamento é aprendido. Ou seja, cabras mais jovens observam as mais velhas e repetem o padrão.

    Fenômeno impacta até a economia local

    Curiosamente, o hábito das cabras influencia até a produção de óleo de argan, um dos produtos mais valiosos do Marrocos.

    Após consumir os frutos, os animais eliminam as sementes. Essas sementes são coletadas, limpas e utilizadas na produção do óleo, muito usado na culinária e na indústria cosmética.

    Além disso, o fenômeno virou atração turística. Visitantes viajam só para registrar a cena das cabras nas árvores.

    Nem tudo é tão natural quanto parece

    Apesar da fama, nem sempre as cenas são espontâneas. Em algumas regiões, pastores colocam cabras nas árvores para atrair turistas.

    Isso gera debate entre ambientalistas. Por um lado, a prática movimenta a economia local. Por outro, levanta preocupações sobre o bem-estar animal. Ecologistas dizem que fazer cabras ficarem em árvores de argan por horas é ruim para os animais e para as árvores.

    Um espetáculo curioso da natureza

    Ainda assim, quando ocorre de forma natural, o fenômeno continua sendo um dos mais curiosos do mundo animal.

    A combinação entre adaptação, instinto e necessidade mostra como os animais encontram soluções surpreendentes para sobreviver. Mauro Belloni, um estudante visitante da Itália que parou na árvore de Benaddi, parece ao mesmo tempo atordoado e perplexo ao observar a cena. “É incrível. Eu pensei que as cabras eram falsas quando vi fotos delas. Mas elas são reais, na verdade estão posando”, admirou-se.

    Por fim, as cabras que sobem em árvores provam uma coisa: a natureza sempre encontra formas de surpreender, mesmo quando parece impossível.

  • Animais que só existem na Amazônia e estão desaparecendo

    Animais que só existem na Amazônia e estão desaparecendo

    A Floresta Amazônica, conhecida como o bioma mais biodiverso do planeta, guarda espécies que não existem em nenhum outro lugar do mundo.

    No entanto, esse patrimônio natural enfrenta uma ameaça crescente. Estudos recentes mostram que animais exclusivos da região já estão na chamada “linha vermelha” da extinção.

    Esse cenário preocupa pesquisadores. Isso porque a Amazônia abriga milhões de espécies, muitas ainda desconhecidas pela ciência.

    Espécies únicas e ameaçadas

    Entre os exemplos mais emblemáticos está o boto-cor-de-rosa, símbolo cultural da região e presente em lendas amazônicas.

    Além dele, outras espécies raras também enfrentam risco, como o macaco-aranha-de-cara-branca, um primata que só existe na Amazônia e depende diretamente da floresta para sobreviver.

    Esses animais possuem distribuição limitada. Ou seja, qualquer alteração no ambiente pode comprometer diretamente sua sobrevivência.

    O avanço da ameaça é real

    O número de espécies ameaçadas na Amazônia aumentou significativamente nos últimos anos.

    Levantamentos indicam que mais de 500 espécies da região já estão em risco de extinção, com crescimento superior a 65% em uma década.

    Esse avanço está diretamente ligado a fatores como desmatamento, mineração, queimadas e expansão agrícola.

    Além disso, a fragmentação do habitat dificulta a reprodução e reduz as chances de sobrevivência das espécies.

    Animais que podem desaparecer silenciosamente

    Muitos desses animais não são amplamente conhecidos pelo público. Ainda assim, desempenham papéis essenciais no equilíbrio do ecossistema.

    O macaco-aranha, por exemplo, atua na dispersão de sementes, ajudando a regenerar a floresta.

    Já espécies aquáticas, como o peixe-boi-da-amazônia, sofrem com poluição, caça e destruição de habitats.

    Quando essas espécies desaparecem, todo o sistema natural entra em desequilíbrio.

    Por que isso importa para o mundo

    A Amazônia não é importante apenas para o Brasil. Ela influencia diretamente o clima global, os ciclos de chuva e a biodiversidade do planeta.

    Por isso, a perda de espécies vai além da questão ambiental. Ela impacta economia, agricultura e qualidade de vida em escala global.

    Além disso, cientistas alertam que muitas dessas espécies podem desaparecer antes mesmo de serem completamente estudadas.

    Um futuro que ainda pode ser revertido

    Apesar do cenário preocupante, especialistas afirmam que ainda há tempo para reverter parte dos danos.

    A preservação de áreas protegidas, o combate ao desmatamento e políticas públicas eficazes são fundamentais para garantir a sobrevivência dessas espécies.

    Além disso, a conscientização da população tem papel decisivo. Afinal, proteger a Amazônia não é apenas preservar uma floresta. É garantir que espécies únicas, que não existem em nenhum outro lugar do mundo, continuem existindo.

  • Tubarões com cocaína no organismo surpreendem pesquisadores

    Tubarões com cocaína no organismo surpreendem pesquisadores

    Um estudo recente chamou a atenção da comunidade científica ao identificar a presença de substâncias como cocaína e cafeína no organismo de tubarões. A pesquisa foi conduzida em áreas próximas às Bahamas e levanta um alerta sobre o impacto da atividade humana nos oceanos.

    Os pesquisadores analisaram amostras de sangue e tecido dos animais e encontraram traços dessas substâncias, o que indica contaminação do ambiente marinho.

    Substâncias chegam ao oceano por ação humana

    De acordo com o estudo, a presença de cocaína e cafeína não ocorre de forma natural. Essas substâncias chegam ao mar principalmente por meio do descarte inadequado de resíduos, esgoto e até rotas do tráfico internacional.

    Em regiões costeiras e áreas de circulação marítima intensa, a chance de contaminação aumenta. Com isso, compostos químicos acabam entrando na cadeia alimentar marinha.

    Impacto pode afetar comportamento dos animais

    Embora ainda existam poucas pesquisas conclusivas sobre os efeitos diretos dessas substâncias nos tubarões, os cientistas alertam para possíveis alterações no comportamento.

    Mudanças em padrões de caça, deslocamento e resposta a estímulos podem ocorrer quando animais entram em contato com compostos químicos externos ao seu ambiente natural. Esse tipo de interferência pode afetar não apenas indivíduos isolados, mas também o equilíbrio de ecossistemas inteiros.

    Poluição invisível preocupa cientistas

    A descoberta reforça um problema crescente: a poluição invisível dos oceanos.

    Diferente do lixo plástico, substâncias químicas não são facilmente percebidas, mas podem causar impactos significativos ao longo do tempo. Além disso, esses compostos tendem a se acumular nos organismos, ampliando seus efeitos na cadeia alimentar.

    Alerta para preservação dos oceanos

    Diante desse cenário, pesquisadores reforçam a necessidade de monitoramento constante e políticas mais rigorosas de controle de resíduos. A presença de cocaína e cafeína em tubarões mostra como a ação humana já alcança até mesmo espécies de topo da cadeia alimentar, evidenciando a dimensão do problema ambiental.

    Ciência revela novos impactos no ambiente marinho

    O estudo também destaca como a ciência continua revelando consequências pouco visíveis da poluição.

    Mais do que um dado curioso, o registro aponta para um desafio global: reduzir o impacto humano sobre os oceanos e preservar o equilíbrio dos ecossistemas marinhos.

  • Bioinsumo amplia restauração de áreas degradadas no Brasil

    Bioinsumo amplia restauração de áreas degradadas no Brasil

    Pesquisadores da Embrapa Agrobiologia (RJ) desenvolveram um bioinsumo de amplo espectro capaz de beneficiar mais de 30 espécies florestais leguminosas. Em geral, o produto promete revolucionar a recuperação de solos degradados e impulsionar o mercado de bioinsumos no País.

    O inoculante amplia o uso de uma técnica reconhecida desde os anos 1990, baseada em microrganismos que regeneram solos afetados por mineração, erosão ou ocupação urbana desordenada. O produto está em fase final de desenvolvimento e deve simplificar projetos de restauração ecológica em todos os biomas brasileiros.

    Pesquisa seleciona bactérias que beneficiam 31 espécies florestais

    Entre mais de 800 estirpes de rizóbios (bactérias do solo) estudadas pela Embrapa, duas foram selecionadas pela eficiência em simbiose com 31 espécies florestais. Em resumo, essa descoberta elimina uma das maiores barreiras à aplicação em larga escala da técnica: a especificidade entre bactéria e planta hospedeira.
    “Essas estirpes eliminam a limitação técnica e tornam o processo mais acessível”, explica Sérgio Faria, pesquisador da Embrapa Agrobiologia. O inoculante multiespécies permitirá atender várias leguminosas nativas e comerciais, ampliando as opções para viveiristas e restauradores.

    Inoculante multiespécies reduz custos e amplia eficiência

    A indústria de bioinsumos enfrenta desafios para produzir um inoculante específico para cada espécie florestal. Porém, com a nova formulação, será possível reduzir custos, simplificar a logística e aumentar a eficiência operacional. “Ter um produto de ampla compatibilidade representa um avanço técnico e econômico para o setor”, afirma Faria. Portanto, o objetivo é oferecer um único inoculante eficiente para diferentes espécies florestais, garantindo boa fixação de nitrogênio e desempenho estável em campo.

    Três décadas de pesquisa em restauração ecológica

    O avanço resulta de décadas de trabalho da Embrapa Agrobiologia, com apoio de universidades, instituições públicas e empresas privadas. A equipe une ciência do solo, microbiologia e ecologia para restaurar paisagens degradadas por meio de processos naturais.
    A técnica surgiu há mais de 30 anos, quando pesquisadores buscavam recuperar solos minerados e sem vida. Na época, menos de dez espécies leguminosas, como sabiá, gliricídia e saman, foram testadas.
    Hoje, a base de dados da Embrapa reúne centenas de espécies adaptadas a todos os biomas brasileiros, da Amazônia ao Semiárido. “Temos conhecimento para orientar o uso de leguminosas em qualquer tipo de solo e clima”, destaca o pesquisador Alexander Resende.

    Microrganismos transformam solo degradado em solo fértil

    A tecnologia se apoia na simbiose entre plantas e microrganismos. Os rizóbios colonizam as raízes das leguminosas, formam nódulos e convertem nitrogênio do ar em nutrientes para as plantas.
    Já os fungos micorrízicos aumentam o alcance das raízes, melhoram a absorção de água e fósforo e aceleram o crescimento vegetal.
    Essa relação fortalece o solo e reativa ciclos ecológicos essenciais, como a retenção de água e a ciclagem de nutrientes. “Selecionamos bactérias, fungos e plantas capazes de formar um sistema eficiente e sustentável”, resume Eduardo Campello, pesquisador da Embrapa.

    Resultados comprovados em áreas de mineração e erosão

    A técnica já foi testada com sucesso em áreas de mineração de bauxita e ferro na Amazônia e em Minas Gerais. Também mostrou bons resultados em jazidas de piçarra no Rio Grande do Norte e em encostas degradadas no Rio de Janeiro.
    Os primeiros sinais aparecem após 12 meses, com o solo coberto e a erosão controlada. Em até cinco anos, as áreas ganham aspecto de floresta jovem. Após dez anos, mais de 40 novas espécies vegetais voltam a crescer naturalmente — número que chega a 70 espécies na Amazônia.
    “A vida volta, e o solo volta a respirar”, diz Faria, que atua com microrganismos desde os primeiros testes da Embrapa Agrobiologia.

    Bioinsumo reduz impacto ambiental e fortalece metas climáticas

    O uso do inoculante dispensa a adubação nitrogenada mineral, reduzindo custos e evitando perdas de nitrogênio para a atmosfera e águas subterrâneas. Estima-se que metade do nitrogênio de adubos convencionais se perde por volatilização e lixiviação.
    A inovação também contribui para as metas ambientais do Brasil, como o Código Florestal, o Planaveg e os compromissos do Acordo de Paris.
    “Estamos na década da restauração, e é essencial mostrar soluções brasileiras baseadas na ciência”, reforça Resende.

    Parcerias fortalecem o desenvolvimento da tecnologia

    O projeto recebeu apoio de instituições como CNPq, Capes, Faperj e Faped, além de empresas como Alcoa, BHP, Vale, Petrobras e Norsk Hydro. Também participaram o Cenpes/Petrobras, o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), a UFRRJ e diversas prefeituras locais.
    A Embrapa planeja ampliar os testes com inoculantes multiespécies e capacitar viveiristas em todo o País. A próxima etapa envolve parcerias com a indústria de bioinsumos para viabilizar a produção em larga escala.

    Voçorocas: feridas do solo curadas com ciência

    Foto: divulgação – Embrapa/Eduardo Campello

    Em tupi-guarani, “voçoroca” significa terra rasgada. O termo descreve as imensas crateras causadas pela erosão acelerada, que ameaçam lavouras, estradas e comunidades.
    Há voçorocas com mais de 50 metros de profundidade e 15 mil metros quadrados, formadas ao longo de dois séculos de mau uso do solo.

    Um levantamento da Embrapa Agrobiologia na bacia do rio Barra Mansa (RJ) identificou 154 voçorocas apenas no trecho estudado, com 3 milhões de metros cúbicos de solo erodido. “Sabemos o que precisa ser feito: manter o solo coberto, reintroduzir vegetação e usar espécies que melhorem sua estrutura”, enfatiza Resende.

    As leguminosas inoculadas com microrganismos benéficos ajudam a reconstruir a cobertura vegetal, fixar nitrogênio e estabilizar o terreno. A ciência comprova a possibilidade de curar as terras rasgadas que viram áreas produtivas e sustentáveis.

  • Rede global quer vencer o greening na citricultura

    Rede global quer vencer o greening na citricultura

    O setor citrícola brasileiro avança em uma nova frente científica para combater o greening, considerada a doença mais devastadora da citricultura mundial. A criação do Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA), sediado na Esalq-USP, marca um novo capítulo na defesa dos pomares.

    O Fundecitrus, a Fapesp e outras instituições públicas e privadas vão investir R$ 90 milhões em pesquisas nos próximos cinco anos. O objetivo é desenvolver soluções tecnológicas e sustentáveis para controlar o greening e reduzir suas perdas crescentes. Segundo o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, a experiência com o sequenciamento do genoma da Xylella fastidiosa, causadora da CVC, orienta os novos estudos. Ele afirma que o mesmo modelo de cooperação científica usado no passado agora servirá para enfrentar o novo desafio.

    Greening causa prejuízos bilionários ao setor

    Nos últimos cinco anos, a doença provocou a queda de 97 milhões de caixas de laranja, gerando US$ 972 milhões em prejuízos. Neste ano, o greening atingiu 47,63% dos pés de laranja no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro.

    O índice representa um aumento de 7,4% em relação a 2023, segundo o levantamento anual do Fundecitrus.
    Ayres compara o impacto do greening a uma pandemia para a citricultura. Ele lembra que o Brasil já investiu entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões no combate à doença. Nos Estados Unidos, os investimentos superam US$ 200 milhões, após perdas severas na Flórida.

    Pesquisa une Brasil e centros internacionais

    A nova rede de pesquisa reúne mais de 70 cientistas e integra instituições como USP, Esalq, Unicamp, Unesp, IAC e Embrapa. Também participam centros internacionais da França, Estados Unidos, Inglaterra, Austrália e Portugal, reforçando a troca global de conhecimento. A pesquisadora Lilian Amorim, da Esalq, será a diretora do centro.
    Ela vai coordenar os trabalhos com foco em controle biológico, genética e sustentabilidade na produção de citros. Ayres destaca que metade do plantio de laranja já migrou para fora de São Paulo por causa do greening.
    “Queremos manter a citricultura no Estado, que emprega 200 mil pessoas e está presente em 360 municípios”, afirma.

    Experiência com a Xylella inspira novos caminhos

    A história do combate ao amarelinho (CVC) serve de exemplo para os novos desafios. Em 1997, o Fundecitrus participou da escolha da Xylella fastidiosa como alvo do primeiro sequenciamento genômico brasileiro, realizado com apoio da Fapesp. Na época, a doença ameaçava dizimar os pomares paulistas e chegou a ser confundida com o greening.

    O fitopatologista francês Joseph Maria Bové, referência mundial em doenças de citros, ajudou a identificar o novo patógeno. O trabalho levou à criação de uma rede científica nacional que conseguiu controlar a CVC e salvar a produção paulista.

    Ayres lembra que o sequenciamento da Xylella não eliminou a doença, mas permitiu desenvolver métodos eficazes de manejo e prevenção. “Conseguimos reduzir os casos a níveis mínimos. Agora, queremos repetir essa vitória contra o greening”, diz o diretor.

    Fapesp reforça papel da ciência a longo prazo

    O presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago, também participou do projeto pioneiro da Xylella.
    Ele afirma que a pesquisa em rede colocou o Brasil no mapa global da ciência e consolidou a capacidade nacional de inovação. “Quando há um problema sério, a ciência precisa responder. A Fapesp investe recursos públicos em soluções de longo prazo”, diz Zago.

    A Fapesp recebe 1% dos tributos paulistas, o que representa R$ 2,9 bilhões em orçamento anual. Desse total, 95% são aplicados diretamente em pesquisas e apenas 5% em estrutura administrativa.
    Com a criação do CPA, o Brasil aposta mais uma vez na ciência e na cooperação internacional para garantir o futuro da citricultura. O objetivo é transformar conhecimento em inovação e proteger uma das cadeias mais importantes do agronegócio nacional.

  • Hiperacumuladoras: conheça as plantas que ‘comem’ metal

    Hiperacumuladoras: conheça as plantas que ‘comem’ metal

    Nos últimos anos um grupo de pesquisadores vinculados ao Departamento de Agronomia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em Recife, tem percorrido áreas de preservação ambiental de mineradoras e também os principais herbários do país buscando identificar espécies de plantas raras e de alto interesse econômico. São as hiperacumuladoras de metais – espécies de plantas que absorvem níquel, zinco, cobre, manganês e outros minérios de alto valor comercial do solo em concentrações centenas ou milhares de vezes maiores em comparação com outras.

    Em razão dessa capacidade, elas têm sido utilizadas para promover a chamada agromineração. Ou seja,  o uso de plantas para extrair metais de ambientes contaminados e comercializá-los, atendendo aos preceitos da economia circular.

    “O trabalho de identificar essas plantas é como tentar encontrar agulha no palheiro”, comparou Clístenes Williams Araújo do Nascimento, professor da UFRPE e pioneiro no desenvolvimento da técnica no Brasil, durante palestra proferida segunda-feira (14/07) na 77ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontece até sábado (19/07) no campus da UFRPE, em Recife.

    “Mas já encontramos algumas espécies de plantas hiperacumuladoras de níquel, zinco e manganês no país. E isso incluindo algumas novas, que eram desconhecidas. E que, portanto, estão disponíveis para iniciarmos testes em casa de vegetação e em campo para levarmos até as mineradoras e implantarmos em tecnossolos [substratos minerais produzidos a partir de rejeitos da mineração]”, afirmou Nascimento, que é engenheiro agrônomo graduado pela Universidade Federal da Paraíba com doutorado em solos e nutrição de plantas pela Universidade Federal de Viçosa e pós-doutorados pela University of Massachusetts e pela North Carolina State University.

    Raridade

    De acordo com Nascimento, estima-se que as hiperacumuladoras de metais representem apenas 0,2% de todas as plantas conhecidas atualmente – um universo de 350 mil a 400 mil espécies catalogadas. Duas dessas espécies, como a Pycnandra acuminata, já participam de processos comerciais de agromineração em países como a Albânia, a Malásia e a Indonésia.

    “Essas espécies são adaptadas ao clima temperado e tropical. No Brasil ainda não identificamos uma hiperacumuladora ideal e estamos promovendo uma verdadeira caça por todo o país, que tem grande potencial para essa área porque tem a maior biodiversidade de plantas do planeta”, disse Nascimento.

    Na concepção da agromineração, as plantas hiperacumuladoras ideais são aquelas que apresentam alto poder de bioconcentração. Ou seja, são capazes de reter níquel, por exemplo, em teor comparável ao encontrado no solo. Além disso, precisam ter alta capacidade de translocação dos metais para a parte aérea (porção que se desenvolve acima do solo, incluindo caule, folhas, flores e frutos). E também alta produção de biomassa para serem incineradas – o minério é então extraído de suas cinzas.

    “Não adianta uma planta concentrar muito metal mas ser pequena. No caso do níquel, para ser considerada eficiente para agromineração, uma espécie de planta candidata precisa permitir produzir 10 toneladas por hectare”, explicou Nascimento.

    Por meio de estudos de campo realizados em Niquelândia, em Goiás, os pesquisadores identificaram algumas espécies de interesse. Algumas das limitações, contudo, é que não crescem em outros ambientes que não o Cerrado, produzem pouca biomassa e acumulam pouca quantidade do metal.

    “Elas atingem o limiar de concentração de níquel para serem consideradas hiperacumuladoras de mil ppm [partes por milhão] do metal na parte aérea, mas não alcançam a meta de 10 mil ppm, que as tornariam interessantes para uso comercial”, disse Nascimento.

    Caça às hiperacumuladoras

    A fim de tentar identificar candidatas a hiperacumuladoras de metais ideais no Brasil, os pesquisadores têm feito parcerias com as principais mineradoras do país. Pesquisadores realizam esses estudos em campo, especialmente em áreas de mineração e em regiões onde ocorrem os chamados solos ultramáficos. Ou seja, originados de rochas muito ricas em níquel, cromo e cobalto, por exemplo.

    De acordo com o pesquisador, esse tipo de solo ocupa entre 1% e 3% da superfície terrestre, tem baixos teores de nutrientes essenciais para as plantas, como nitrogênio, fósforo, potássio e cálcio, e alta relação de magnésio. “Para um solo ser viável para a agricultura ele precisa, geralmente, ter mais cálcio do que magnésio. No caso dos solos ultramáficos, essa relação é inversa: têm maiores proporções de magnésio do que cálcio”, explicou o pesquisador.

    Clístenes Williams Araújo do Nascimento, professor da UFRPE. Foto: Elton Allison/Agência FAPESP

    “Não adianta uma planta concentrar muito metal mas ser pequena. No caso do níquel, para ser considerada eficiente, uma espécie candidata precisa produzir 10 toneladas por hectare”, diz o pesquisador.

    Especiais

    “Por isso, as plantas que conseguiram se adaptar a esses ambientes, ao longo de milhões de anos, são muito especiais. Porque algumas conseguem evitar a absorção desses metais disponíveis nesses solos, como níquel, cromo, cobalto e ferromanganês. Já outras, como as hiperacumuladoras, desenvolveram a habilidade de crescer nesses solos pobres em nutrientes, ricos em metais pesados tóxicos para outras espécies e absorvê-los em altas concentrações.”

    Para ser considerada hiperacumuladora, uma espécie de planta precisa apresentar a capacidade de absorver mais de 100 microgramas por grama de cádmio. Ou mais de 300 de cobalto, mais de mil de níquel, 3 mil de zinco e 10 mil de manganês, apontou Nascimento.

    “Algumas teorias sobre as razões de essas plantas terem desenvolvido a capacidade de hiperacumulação de metais focam a proteção do ataque de patógenos e pragas ou a ocupação de nichos ambientais. Poderia ser uma vantagem para elas crescerem em um ambiente onde outras espécies não resistiriam”, detalhou o agrônomo.

    Busca em herbários

    Outros lugares onde os pesquisadores têm procurado identificar essas espécies de plantas são nos principais herbários do país. Por meio de análises realizadas nesses espaços, eles identificaram em Pernambuco, em 2024, uma espécie de planta conhecida popularmente como feijão-bravo-preto ou folha-dura (Capparidastrum frondosum). Ela é capaz de acumular grandes quantidades de zinco. “Essa planta também possui grande quantidade de biomassa”, afirmou Nascimento.

    Para medir a concentração de metais em expedições em campo ou herbários, os pesquisadores usam um equipamento portátil de fluorescência de raios x. Com ele é possível estimar, em até 30 segundos, a concentração de metais nas folhas e nos caules das plantas. “Por meio desse equipamento é possível analisar mais de 300 espécies de plantas por dia disponíveis nas coleções dos herbários”, disse Nascimento.

    Os pesquisadores já visitaram e estão analisando as coleções dos herbários da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da UFRPE, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus, da Embrapa Recursos Genéticos e Tecnologia, da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em agosto deste ano vão iniciar o mesmo trabalho no herbário da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na Bahia, e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, considerado o maior do país. “Até o momento já fizemos a análise de mais de 8 mil exsicatas [amostras de partes de plantas desidratadas] presentes nessas coleções”, afirmou Nascimento.

    Impulso

    O trabalho deve ganhar maior impulso com a recente aprovação pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) da criação do Instituto Nacional de Biotecnologias para o Setor Mineral (Inabim), coordenado por Nascimento e sediado na UFRPE. Um dos objetivos do Inabim é buscar soluções para desafios nacionais, como a recuperação de áreas degradadas pela mineração, o aproveitamento de resíduos e a produção de novos materiais.

    O instituto terá a participação de pesquisadores vinculados à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP). E também da Universidade Estadual Paulista (Unesp), entre outras instituições, sublinhou o pesquisador. “Também pretendemos analisar o herbário da Esalq a fim de identificar espécies de plantas candidatas para agromineração”, antecipou Nascimento à Agência FAPESP.

    Por Elton Alisson, de Recife | Agência FAPESP

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  • Mariangela Hungria é premiada com ‘Nobel’ da agricultura

    Mariangela Hungria é premiada com ‘Nobel’ da agricultura

    A cientista brasileira Mariangela Hungria, pesquisadora da Embrapa Soja e membro titular da Academia Brasileira de Ciências, foi laureada com o Prêmio Mundial da Alimentação (World Food Prize), considerado o “Nobel” da agricultura. Nesta semana, a sede da Fundação World Food Prize, nos Estados Unidos, sediou o anúncio que reconhece seu trabalho pioneiro, responsável por ajudar o Brasil a se tornar uma potência agrícola global.

    Com mais de 40 anos dedicados à pesquisa em microbiologia do solo, Mariangela desenvolveu tecnologias inovadoras que substituem fertilizantes químicos por tratamentos biológicos, promovendo a fixação biológica de nitrogênio – um processo natural em que bactérias do solo fornecem nutrientes essenciais para as plantas. “Substituir o uso de produtos químicos por produtos biológicos na agricultura tem sido a luta da minha vida. Tenho muito orgulho de contribuir para a produção de alimentos e, ao mesmo tempo, diminuir o impacto ambiental”, afirmou a cientista em comunicado oficial.

    A Embrapa destaca que as tecnologias desenvolvidas por Hungria foram aplicadas em mais de 40 milhões de hectares no Brasil. Gerando uma economia estimada de até US$ 40 bilhões anuais para os agricultores. Além de evitar mais de 180 milhões de toneladas de emissões equivalentes de CO2 por ano. Seu trabalho revolucionou o cultivo de soja, principal produto agrícola brasileiro, além de beneficiar culturas como trigo, milho, arroz e feijão.

    Reconhecimento do papel das mulheres na agricultura

    Mariangela Hungria também ressaltou o significado do prêmio para a ciência brasileira. E também para o reconhecimento do papel das mulheres na agricultura e na pesquisa científica. “Não consigo acreditar que agora estou recebendo o Prêmio Mundial da Alimentação. Muitas pessoas questionaram minha capacidade ao longo da minha carreira, mas eu acreditei no que estava fazendo e perseverei. Espero que minha conquista inspire outras pessoas a perseguirem suas paixões na ciência”, declarou.

    Graduada em engenharia agronômica pela Esalq/USP, com mestrado em solos e nutrição de plantas e doutorado em ciência do solo, Hungria realizou pós-doutorados em universidades internacionais como Cornell, University of California-Davis e Universidade de Sevilla. Desde 1982, atua na Embrapa, onde contribuiu decisivamente para o crescimento da produção agrícola brasileira, que saltou de 15 milhões de toneladas de soja em 1979 para uma previsão de 173 milhões de toneladas na próxima safra.

    O World Food Prize foi criado em 1987 pelo laureado com o Nobel da Paz Norman Borlaug, reconhecido por sua contribuição no aumento da produtividade agrícola mundial e combate à fome. A premiação, que inclui um valor de US$ 500 mil, é entregue anualmente a personalidades que promovem avanços significativos na segurança alimentar global. Mariangela Hungria receberá o prêmio oficialmente em cerimônia prevista para outubro.

    Sua trajetória e descobertas científicas reforçam o papel do Brasil como líder mundial na produção agrícola sustentável. Ao mesmo tempo em que promovem a redução do impacto ambiental da agricultura por meio da inovação biotecnológica.

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  • Após 20 anos, cientistas descobrem primeiro macho de espécie

    Após 20 anos, cientistas descobrem primeiro macho de espécie

    Pela primeira vez, um macho do besouro Cryptolestes obesus foi formalmente descrito no Brasil. Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) descobriram a espécie após mais de duas décadas de buscas, e divulgaram os resultados na revista EntomoBrasilis. O espécime estava preservado no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), parte da coleção do renomado entomólogo Fritz Plaumann.

    Com apenas 1,4 mm de comprimento e 0,56 mm de largura, o besouro vive sob cascas de árvores, tornando sua identificação extremamente difícil. Leandro Zeballos, líder do estudo, destacou a importância de analisar acervos museológicos: “É sempre uma expectativa muito grande visitar esse tipo de museu para analisar suas coleções, porque encontramos materiais de muitos locais — não só da região, mas do Brasil e fora, provenientes da coleta de muitos pesquisadores famosos que dedicaram suas vidas a trabalhar com isso.”

    Por que essa descoberta é importante?

    A espécie havia sido descrita originalmente em 2002, com base em uma fêmea coletada em Rondônia. Na época, o pesquisador Michael C. Thomas considerou suas características únicas o suficiente para classificá-la, mesmo sem um macho. Agora, Zeballos e Matheus Bento confirmaram sua hipótese.

    “Thomas estava certo ao hipotetizar uma fácil associação ao macho nesta espécie, já que suas características diagnósticas não se baseiam em traços sexuais primários ou secundários [como genitálias ou chifres, respectivamente]”, relataram os cientistas.

    Evitando erros na classificação

    Ambos os sexos do Cryptolestes obesus possuem um corpo robusto e linhas bilaterais no protórax, traços que os diferenciam de outras espécies do gênero. Zeballos explica que a descoberta previne equívocos taxonômicos: “Esta associação do macho com a fêmea impede que um taxonomista menos experiente com esta família de besouro encontre e descreva o macho como uma espécie nova, o que facilmente acontece nos estudos com besouros.”

    A equipe agora busca delimitar características pouco conhecidas do gênero Cryptolestes e reconstruir sua árvore filogenética. “Queremos desvendar o que diferencia o Cryptolestes de gêneros parecidos e entender as relações entre os mais de 40 gêneros da família Laemophloeidae”, afirma Zeballos.

    Leia mais: O estudo completo está disponível na revista EntomoBrasilis.

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  • Orçamento da Embrapa para 2025 cresce 120%

    Orçamento da Embrapa para 2025 cresce 120%

    O Congresso Nacional aprovou na última quinta-feira (21) o orçamento da Embrapa para 2025, marcando um avanço na recuperação financeira da empresa. O repasse para despesas discricionárias será de R$ 364 milhões. Ou seja, um aumento de 120% em relação ao ano anterior, quando a empresa recebeu R$ 161 milhões. Além disso, a Embrapa contará com R$ 148 milhões do Novo PAC para investimentos.

    Com mais recursos, a estatal poderá retomar investimentos em pesquisa e inovação, fundamentais para a competitividade da agricultura brasileira. A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, ressaltou que o novo orçamento permitirá “a continuidade dos projetos, novas ações estratégicas e o fortalecimento da ciência no setor agropecuário”. Segundo ela, o aumento reflete o compromisso do governo e do Congresso com a pesquisa agropecuária.

    Os recursos adicionais serão usados para modernização de laboratórios, atualização de campos experimentais e desenvolvimento de novas tecnologias. O fortalecimento da pesquisa busca garantir a sustentabilidade do setor e manter a agricultura brasileira competitiva no mercado global.

    As inovações da Embrapa estão sempre no radar do Agro em Campo. São pesquisas em todas as áreas do agronegócio brasileiro, como novas cultivares, melhoramento genético de plantas e animais, técnicas de manejo, combate de pragas e doenças, aumento de produtividade na mesma área e uma infinidade de ações essenciais para manter o Brasil como potência na produção de alimentos.

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  • Conheça o monstro-de-gila e sua ligação com o Ozempic

    Conheça o monstro-de-gila e sua ligação com o Ozempic

    O monstro-de-gila (Heloderma suspectum), um lagarto venenoso que habita os áridos desertos do sudoeste dos Estados Unidos e do México, é muito mais do que uma curiosidade da fauna. Este réptil, conhecido por suas cores vibrantes e mordida dolorosa, guarda em sua saliva a chave para um dos medicamentos mais inovadores e comentados da atualidade: o Ozempic, e sua variação para tratamento de obesidade, o Wegovy. A saga que liga este lagarto ao tratamento de diabetes tipo 2 e à busca por soluções contra a obesidade é uma prova fascinante do potencial inexplorado da natureza e da engenhosidade da ciência.

    A história começa na década de 1990, quando pesquisadores se debruçaram sobre a composição da saliva do monstro-de-gila. O interesse não era aleatório: animais peçonhentos frequentemente possuem substâncias com propriedades biológicas únicas, desenvolvidas ao longo de milhões de anos de evolução para imobilizar presas ou se defender de predadores. A análise revelou a presença de exendina-4, um peptídeo com uma estrutura surpreendentemente similar ao hormônio GLP-1 (Glucagon-Like Peptide-1), produzido naturalmente no intestino humano em resposta à ingestão de alimentos.

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    O GLP-1 desempenha um papel fundamental na regulação dos níveis de glicose no sangue. Ele estimula a liberação de insulina pelo pâncreas quando a glicemia está elevada. Além disso, inibe a secreção de glucagon (hormônio que eleva a glicose) e retarda o esvaziamento gástrico, contribuindo para a sensação de saciedade. Em pacientes com diabetes tipo 2, a produção ou a ação do GLP-1 estão comprometidas, levando a dificuldades no controle da glicemia.

    Desafios e inovação: da exendina-4 à semaglutida

    A exendina-4 presente na saliva do monstro-de-gila apresentava um potencial terapêutico inegável, mimetizando os efeitos benéficos do GLP-1. No entanto, havia um obstáculo crucial: a substância era rapidamente degradada no organismo humano, limitando sua eficácia como medicamento.

    Para superar essa limitação, cientistas se dedicaram a modificar a estrutura da exendina-4, buscando criar uma versão mais estável e de ação prolongada. O resultado desse esforço foi a semaglutida, um análogo do GLP-1 que mantém a eficácia da exendina-4, mas com uma duração significativamente maior no organismo.

    Ozempic e Wegovy: um novo capítulo no tratamento de doenças metabólicas

    A semaglutida se tornou a base de dois medicamentos revolucionários. O Ozempic, inicialmente aprovado para o tratamento de diabetes tipo 2, e Wegovy, desenvolvido especificamente para o tratamento da obesidade. Ambos os medicamentos demonstraram resultados notáveis em ensaios clínicos, auxiliando pacientes a controlar a glicemia, perder peso e reduzir o risco de complicações associadas a doenças metabólicas.

    A história do monstro-de-gila e do Ozempic é um exemplo poderoso de como a pesquisa científica, a inovação tecnológica e a curiosidade sobre o mundo natural podem convergir para gerar avanços significativos na medicina. A descoberta da exendina-4 e o desenvolvimento da semaglutida não apenas transformaram o tratamento de diabetes e obesidade. Mas também abriram novas portas para a exploração do potencial terapêutico de outras substâncias presentes na natureza.

    Implicações e considerações futuras

    O sucesso do Ozempic e do Wegovy também levanta questões importantes sobre o acesso a medicamentos inovadores. Assim como a utilização responsável dessas terapias e o impacto sobre a saúde pública. A demanda crescente por esses medicamentos exige uma análise cuidadosa de seus benefícios e riscos, bem como a garantia de que sejam prescritos e utilizados de forma adequada, sob orientação médica.

    Além disso, a história do monstro-de-gila ressalta a importância da conservação da biodiversidade. A preservação de espécies como este lagarto não é apenas uma questão ética. Mas também uma necessidade para garantir que futuras gerações possam se beneficiar das descobertas que a natureza ainda tem a oferecer. O monstro-de-gila, outrora visto apenas como uma criatura curiosa do deserto, agora representa um símbolo da esperança e do potencial transformador da ciência e da natureza.

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