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  • USP entra no Top 15 mundial em Ciências Agrárias

    USP entra no Top 15 mundial em Ciências Agrárias

    A Universidade de São Paulo (USP) conquistou uma posição de destaque mundial em uma área diretamente ligada ao agronegócio. A instituição aparece como a 14ª melhor do planeta em Ciências Agrárias no NTU Performance Ranking of Scientific Papers for World Universities 2026.

    O resultado coloca a universidade brasileira entre as principais referências internacionais em pesquisa agrícola. Além disso, reforça a presença da ciência produzida no País em áreas relacionadas à agricultura, pecuária, sustentabilidade e inovação.

    Na classificação geral do NTU, a USP ficou na 55ª posição mundial, avançando uma colocação em relação a 2025. Entre as universidades brasileiras, ocupa o primeiro lugar.

    Ciências Agrárias colocam USP no Top 15

    O desempenho em Ciências Agrárias chama atenção porque coloca a USP no Top 15 mundial da área. A posição ajuda a dimensionar a relevância internacional da pesquisa agrícola desenvolvida no Brasil.

    O ranking elaborado pela Universidade Nacional de Taiwan concentra a avaliação na produção científica das instituições. Portanto, considera indicadores que permitem medir tanto a quantidade quanto a influência das pesquisas publicadas.

    Três aspectos têm peso na nota final: excelência das pesquisas, com 40%; impacto, com 35%; e produtividade, com 25%.

    Além disso, a metodologia considera a frequência com que os estudos são citados e a quantidade de artigos publicados em periódicos científicos de destaque. A análise acompanha tanto a produção recente quanto o desempenho acumulado ao longo dos anos.

    Ranking das universidades brasileiras no NTU 2026

    A USP aparece com ampla vantagem entre as instituições brasileiras classificadas. A Unicamp, segunda colocada no País, ocupa a 358ª posição mundial.

    Brasil Universidade Mundo
    1º Universidade de São Paulo (USP) 55º
    2º Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) 358º
    3º Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) 382º
    4º Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) 435º
    5º Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) 453º

    USP também avança em produção científica

    O bom desempenho não aparece apenas na classificação de Taiwan. No Academic Ranking of World Universities (ARWU) 2026, conhecido como Ranking de Xangai, a USP permaneceu como a universidade mais bem colocada do Brasil.

    A instituição ficou na faixa entre as 101ª e 150ª melhores universidades do mundo. O levantamento avalia mais de 2,5 mil instituições e utiliza indicadores relacionados principalmente à produção científica.

    Entre os critérios estão pesquisadores e ex-alunos vencedores de Prêmios Nobel e Medalhas Fields, pesquisadores altamente citados, artigos publicados nas revistas Nature e Science e trabalhos indexados em bases científicas internacionais.

    Um indicador, entretanto, chama atenção. A USP alcançou a 30ª posição mundial em volume de publicações científicas indexadas.

    Ciência produzida pode chegar ao campo

    Para o agronegócio, o resultado em Ciências Agrárias ganha importância porque o conhecimento produzido pelas universidades pode posteriormente chegar às propriedades rurais.

    Pesquisas envolvendo produtividade, genética, solos, nutrição animal, sustentabilidade, novas tecnologias e sistemas de produção, por exemplo, ajudam no desenvolvimento de soluções aplicadas ao campo.

    Em entrevista ao Jornal da USP, o reitor da Universidade de São Paulo, Aluisio Augusto Cotrim Segurado, destacou a relação entre produção acadêmica e demandas da sociedade.

    “O resultado das avaliações reforça a relevância da produção acadêmica, cujo conhecimento gerado se converte em ciência de melhor qualidade e na formulação de políticas públicas voltadas às necessidades da sociedade e do País”, afirmou.

    De acordo com Segurado, o desempenho também demonstra a capacidade da universidade de reunir diferentes frentes de atuação.

    “O desempenho da USP evidencia também a força de uma universidade que articula ensino, pesquisa e extensão, forma profissionais e participa de redes nacionais e internacionais de colaboração científica, produzindo conhecimento de impacto e respondendo aos desafios da sociedade contemporânea”, disse.

    Ranking não mostra toda a universidade

    Apesar dos resultados, o reitor faz uma ressalva sobre a interpretação das classificações internacionais. Para ele, os rankings são ferramentas importantes, mas não conseguem representar todas as dimensões de uma universidade pública.

    “Devemos pontuar, entretanto, que os rankings são instrumentos importantes para acompanhar tendências e identificar oportunidades de aprimoramento, mas não traduzem, isoladamente, a complexidade de uma universidade pública”, afirmou.

    Assim, para o setor agropecuário, a 14ª posição mundial em Ciências Agrárias é um dos números de maior destaque. O resultado coloca a pesquisa brasileira entre as referências internacionais justamente em uma área estratégica para o País.

  • Golfinhos usam conchas para capturar peixes em cena inédita

    Golfinhos usam conchas para capturar peixes em cena inédita

    Pesquisadores registraram pela primeira vez na costa leste da Austrália, golfinhos usando grandes conchas como ferramenta para capturar peixes. O comportamento foi observado no Great Sandy Marine Park, em Queensland.

    A técnica consiste em perseguir um peixe até que ele entre em uma concha vazia no fundo do mar. Em seguida, o golfinho leva o objeto até a superfície e o sacode para retirar a água. Com o movimento, o peixe desliza para dentro da boca do animal.

    Os registros foram feitos entre julho e outubro de 2025 por pesquisadores da University of the Sunshine Coast. O estudo foi publicado na revista científica Marine Mammal Science em agosto de 2026.

    Como os golfinhos usam as conchas para caçar

    O comportamento, conhecido como shelling, já havia sido observado em golfinhos da costa oeste da Austrália.

    No novo registro, os pesquisadores identificaram a mesma estratégia na costa leste do país. O fato chama atenção porque indica que populações de golfinhos em regiões diferentes podem ter desenvolvido técnicas semelhantes de maneira independente.

    A bióloga Alexis Levengood, especialista em comportamento animal e mamíferos marinhos da UniSC e autora principal do estudo, presenciou o primeiro caso durante uma saída de barco para pesquisa.

    “Eu vi um golfinho levando um objeto grande para fora da água e percebi que se tratava de uma concha.”

    Filhote pode ter aprendido a técnica com a mãe

    O segundo registro foi considerado ainda mais relevante pelos pesquisadores.

    Uma fêmea adulta foi observada emergindo da água com uma concha na boca. O peixe conseguiu escapar e o animal abandonou o objeto para continuar a perseguição.

    Poucos minutos depois, o filhote pegou a mesma concha e a segurou de maneira semelhante à observada na mãe.

    Para os pesquisadores, a cena representa uma possível evidência de aprendizagem social entre mãe e filhote

    A observação, por si só, não permite afirmar que houve ensino deliberado. No entanto, o comportamento é interpretado como um possível caso de transmissão social porque o filhote teve contato direto com a ação realizada pela mãe.

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  • Câncer transmissível é encontrado em peixe-gato

    Câncer transmissível é encontrado em peixe-gato

    Desde 2012, pescadores e biólogos vêm relatando um aumento preocupante de bagres-marrons (Ameiurus nebulosus) com lesões escuras na pele, no lago Memphremagog, localizado entre Estados Unidos e Canadá. Em 2014, quase um em cada três exemplares apresentava as manchas.

    Um novo estudo publicado na revista Nature revelou a causa: trata-se de um melanoma, tipo de câncer de pele — e, mais importante, o primeiro câncer transmissível já identificado em uma espécie de água doce, sendo apenas o quarto caso documentado em todo o reino animal.

    Outros três casos de câncer transmissível conhecidos

    Antes desta descoberta, a ciência já havia identificado:

    • O tumor facial do diabo-da-tasmânia
    • O tumor venéreo transmissível em cães
    • Patologias semelhantes à leucemia em bivalves, como amêijoas e mexilhões

    Testes de DNA confirmam origem tumoral

    Como o bagre-marrom vive no fundo dos corpos d’água e é usado como indicador de qualidade ambiental, a primeira suspeita recaiu sobre algum patógeno ou poluente.

    “No começo, pensávamos que essa doença pudesse ser causada por um vírus, mas isso não fazia muito sentido”, explicou Julie Dragon, codiretora do estudo, em comunicado da Universidade de Vermont.

    Por meio de sequenciamento genético completo, a equipe comparou o DNA dos tumores com o de tecidos saudáveis dos mesmos peixes. O resultado surpreendeu os pesquisadores: as células cancerígenas estavam muito mais próximas geneticamente entre si do que do peixe hospedeiro que as carregava.

    As células agem como um parasita, passando de um animal para outro, e não como um tumor comum, que se origina no próprio corpo do hospedeiro — Foto: Reprodução/Redes Sociais

    Como o câncer se espalha entre os peixes

    A equipe ainda investiga os mecanismos exatos de transmissão. Até agora, os dados indicam que a doença afeta principalmente peixes maiores e em idade reprodutiva.

    “Talvez algum aspecto do comportamento reprodutivo provoque a propagação do câncer entre os animais”, disse Mark Henderson, coautor da pesquisa.

    Duas hipóteses estão sendo avaliadas pelos cientistas:

    • Durante a desova, os bagres se aglomeram em águas rasas, favorecendo o contato físico direto
    • Por não terem escamas e viverem no fundo, esses peixes têm contato constante com sedimentos que podem abrigar células tumorais soltas

    Segundo o estudo, contaminantes ambientais ou alterações hormonais também podem enfraquecer o sistema imunológico dos animais, tornando-os mais suscetíveis à infecção.

    Existe risco para humanos?

    O lago Memphremagog abastece de água potável mais de 175 mil pessoas. Segundo os pesquisadores, não há risco conhecido à saúde humana: as células cancerígenas não conseguem infectar nem sobreviver em outras espécies, o que permite manipular e estudar os peixes com segurança.

    Ainda assim, Henderson faz uma ressalva: “Eu não comeria os que têm tumores”

    Ele estima que cerca de 30% dos bagres-marrons do lago apresentem sinais da doença.

    Para Elizabeth Murchison, especialista em câncer transmissível da Universidade de Cambridge, a descoberta amplia a compreensão sobre esse tipo raro de doença. Em entrevista ao New York Times, ela destacou que achados como esse reforçam a ideia de que cânceres transmissíveis podem surgir em qualquer espécie, inclusive na humana, embora nenhum caso desse tipo tenha sido registrado até hoje.

  • Orcas “perseguem” peixe-lua até animal explodir; veja a cena

    Orcas “perseguem” peixe-lua até animal explodir; veja a cena

    Uma cena rara chamou a atenção de pesquisadores durante expedições no oceano. Em duas ocasiões diferentes, grupos de orcas (Orcinus orca) perseguiram um peixe-lua (Mola mola) e, após a captura, o animal acabou sendo despedaçado com um impacto tão forte que parecia “explodir” na água.

    O comportamento, registrado em 2024 e novamente em 2025, foi documentado por cientistas internacionais e publicado na revista científica Frontiers in Ethology. Embora as orcas já fossem conhecidas por caçar peixes-lua, essa estratégia nunca havia sido descrita com tantos detalhes.

    O peixe-lua está entre os peixes ósseos mais pesados do planeta, podendo chegar até três metros e pesar até duas toneladas.

    Como as orcas fazem o animal “explodir”

    Segundo os pesquisadores, o comportamento segue um padrão bem definido. Primeiro, uma das orcas mantém o peixe-lua imóvel enquanto outra ganha velocidade para desferir um golpe de grande intensidade.

    Pouco antes do impacto, a orca que segura a presa a solta. Em seguida, o ataque faz com que o corpo do peixe-lua se despedace em vários fragmentos, que ficam espalhados pela água.

    A cena surpreendeu até os próprios cientistas envolvidos no estudo.

    “Foi algo que eu nunca tinha visto. Como cientista, momentos como esse são incrivelmente empolgantes porque você percebe que está observando algo que talvez nunca tenha sido documentado em detalhes”, afirmou Kathryn Ayres, uma das autoras da pesquisa, ao portal Live Science.

    Cientistas investigam o comportamento

    Os pesquisadores ainda não sabem exatamente por que as orcas adotam essa técnica. No entanto, duas hipóteses ganharam força após a análise dos registros.

    A primeira sugere que os adultos fragmentam o peixe para facilitar a alimentação dos indivíduos mais jovens do grupo, que teriam dificuldade para consumir uma presa tão grande.

    Já a segunda hipótese indica que a fragmentação pode espalhar microrganismos potencialmente benéficos na água, contribuindo para o equilíbrio do ambiente marinho.

    Como o comportamento foi observado em dois anos consecutivos e seguiu praticamente o mesmo padrão, os cientistas acreditam que a estratégia pode fazer parte do repertório de caça de algumas populações de orcas.

  • “Ele é pequenininho”: nova espécie de polvo é encontrada em Galápagos

    “Ele é pequenininho”: nova espécie de polvo é encontrada em Galápagos

    Uma nova espécie de polvo de coloração azul foi identificada por cientistas em águas profundas das Ilhas Galápagos, no Equador.

    A descoberta foi publicada na revista Zootaxa e envolveu uma expedição realizada em 2015.

    Expedição revelou espécie em profundidade extrema

    O animal foi encontrado durante uma missão conjunta entre a Charles Darwin Foundation e a administração do Parque Nacional Galápagos.

    A exploração utilizou um sistema de robô subaquático conhecido como ROV (veículo operado remotamente).

    O registro ocorreu próximo à Ilha Darwin, em uma região de montanha submarina a cerca de 1.773 metros de profundidade.

    Reações dos cientistas durante o achado

    Durante a captura das imagens, os pesquisadores reagiram imediatamente ao avistar o animal.

    “Ele é pequenininho!”, “É azul!”, relataram os cientistas ao observar o polvo no fundo do oceano.

    Ao longo da expedição, outros dois exemplares semelhantes também foram registrados, mas sem identificação taxonômica inicial.

    Identificação e análise da nova espécie

    Após o retorno da missão, os pesquisadores buscaram ajuda da especialista em cefalópodes Janet Voight, responsável pela descrição da nova espécie.

    Segundo a cientista, a descoberta foi imediata:

    “Logo de cara, eu soube que era algo realmente especial. Nunca tinha visto nada parecido.”

    Tecnologia substituiu dissecação tradicional

    Para análise, o exemplar foi levado até Chicago, onde passou por preservação em álcool e formalina.

    Diferente dos métodos tradicionais, a equipe optou por não dissecar o animal.

    Em vez disso, foi utilizada uma tomografia computadorizada não destrutiva, que permitiu reconstruir digitalmente o organismo em 3D.

    Esse processo possibilitou visualizar órgãos internos sem danificar o espécime.

    Nova espécie recebe nome científico

    Com base nas análises, o animal foi classificado como uma nova espécie de polvo das profundezas: Microeledone galapagensis.

    Segundo Voight, “são pequenos polvos que vivem nas profundezas do oceano, e quase ninguém na Terra jamais os viu”.

  • Gordura do azeite pode reduzir risco de diabetes tipo 2

    Gordura do azeite pode reduzir risco de diabetes tipo 2

    Uma nova revisão científica publicada na revista Trends in Endocrinology & Metabolism sugere que a qualidade da gordura consumida pode influenciar diretamente o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

    O estudo reuniu evidências sobre dois ácidos graxos presentes na alimentação: o ácido palmítico, encontrado em diversos alimentos industrializados e de origem animal, e o ácido oleico, principal componente do azeite de oliva.

    Segundo os pesquisadores, os dois compostos exercem efeitos bastante diferentes sobre o metabolismo.

    O que a pesquisa descobriu

    O trabalho foi conduzido por cientistas da Universidade de Barcelona e da área de Diabetes e Doenças Metabólicas Associadas do Ciberdem.

    A análise apontou que o ácido palmítico está associado à redução da sensibilidade à insulina, condição considerada um dos principais fatores para o surgimento da diabetes tipo 2.

    Já o ácido oleico apresentou efeitos considerados mais favoráveis para o organismo.

    “O ácido palmítico, um ácido graxo saturado amplamente encontrado nos alimentos, está associado à diminuição da sensibilidade à insulina, enquanto o ácido oleico, abundante no azeite de oliva, pode ter um efeito protetor contra esses distúrbios metabólicos”, afirmou Manuel Vázquez-Carrera, um dos autores da revisão.

    Leia mais: Como nasce um bom azeite?

    Gordura saturada pode favorecer alterações metabólicas

    De acordo com os pesquisadores, o ácido palmítico desencadeia uma série de processos celulares relacionados ao desenvolvimento da diabetes tipo 2.

    A revisão indica que essa gordura favorece o acúmulo de compostos associados a danos metabólicos e estimula processos inflamatórios persistentes.

    Além disso, pode comprometer o funcionamento de estruturas essenciais para o equilíbrio celular.

    “Em nível molecular, o ácido palmítico promove a acumulação de lípidos bioativos potencialmente tóxicos, fomenta uma inflamação crônica de baixo grau e contribui para a disfunção de organelas celulares”, explicou Xavier Palomer, primeiro autor do artigo.

    Esses mecanismos podem reduzir a capacidade do organismo de responder adequadamente à insulina.

    Azeite de oliva aparece como aliado da saúde metabólica

    Os resultados observados para o ácido oleico foram diferentes.

    Presente principalmente no azeite de oliva, essa gordura monoinsaturada ajuda o corpo a armazenar gordura de forma menos prejudicial e pode contribuir para preservar a ação da insulina.

    Segundo os autores, o composto demonstrou benefícios em tecidos importantes para o metabolismo, incluindo fígado, músculos e tecido adiposo.

    A revisão também sugere que o ácido oleico pode amenizar parte dos efeitos associados ao ácido palmítico.

    Dieta mediterrânea ganha reforço científico

    Os pesquisadores afirmam que os resultados ajudam a explicar por que a dieta mediterrânea costuma ser associada a menores índices de diabetes tipo 2.

    Esse padrão alimentar é caracterizado pelo consumo frequente de azeite de oliva, frutas, legumes, grãos e oleaginosas.

    Diversos estudos anteriores já apontaram benefícios desse modelo alimentar para a saúde cardiovascular e metabólica.

    Leia mais: Dieta nórdica: é anti-inflamatória, pode ajudar a dormir melhor e viver mais

    Qualidade da gordura pode ser mais importante que a quantidade

    Uma das principais conclusões da revisão científica é que o tipo de gordura consumida pode ser tão importante quanto a quantidade ingerida.

    Os autores ressaltam, porém, que ainda são necessários novos estudos para compreender melhor como diferentes fontes de gordura interagem com outros nutrientes e influenciam o risco de diabetes tipo 2.

    Fatores como processamento dos alimentos, origem dos ingredientes e hábitos alimentares também devem ser considerados na avaliação dos impactos sobre a saúde.

  • Lago africano transforma animais em pedra? Cientistas explicam fenômeno

    Lago africano transforma animais em pedra? Cientistas explicam fenômeno

    O misterioso Lago Natron, localizado no norte da Tanzânia, voltou a chamar atenção nas redes sociais por conta de sua aparência incomum e das histórias que cercam suas águas avermelhadas. Ao longo dos anos, fotografias de aves e morcegos com aparência “petrificada” ajudaram a espalhar a crença de que qualquer animal que tocasse o lago seria transformado em pedra instantaneamente. No entanto, a realidade por trás do fenômeno é diferente, mas igualmente impressionante.

    As imagens que viralizaram mostram animais endurecidos nas margens do lago, quase como esculturas naturais. Apesar disso, especialistas afirmam que não existe qualquer tipo de “maldição” ou petrificação imediata. O que acontece, na verdade, é um processo de preservação natural causado pelas condições químicas extremas da água.

    Um ambiente extremo e hostil

    O Lago Natron possui um dos ambientes aquáticos mais severos do planeta. Isso porque suas águas apresentam níveis extremamente elevados de alcalinidade, com pH entre 10,5 e 12, patamar comparável ao de produtos corrosivos. Além disso, em determinadas épocas, a temperatura da água pode atingir cerca de 60°C.

    A combinação de calor intenso, alta concentração de sais minerais e compostos químicos transforma o lago em um ecossistema hostil para grande parte das espécies.

    Grande parte dessas características está diretamente ligada à atividade vulcânica da região. Próximo ao lago fica o vulcão Ol Doinyo Lengai, considerado único no mundo por expelir lavas ricas em carbonatos. Esses minerais atravessam o subsolo por falhas geológicas e chegam até o lago por meio de fontes termais, aumentando a presença de carbonato de sódio e carbonato de cálcio na água.

    Além disso, o clima da região intensifica ainda mais o fenômeno. Como o norte da Tanzânia possui temperaturas elevadas e pouca chuva, a evaporação acontece de forma constante. Consequentemente, os sais minerais ficam cada vez mais concentrados na água. O lago também é relativamente raso, raramente ultrapassando três metros de profundidade, o que facilita seu aquecimento sob o forte sol africano.

    Por que os animais parecem virar pedra?

    É justamente nesse ambiente extremo que ocorre o fenômeno que tornou o lago famoso mundialmente. Quando pequenos animais morrem na região, seus corpos deixam de se decompor rapidamente e passam por um processo semelhante à mumificação.

    Com o tempo, os corpos perdem umidade e ficam cobertos por depósitos minerais presentes na água. O resultado é uma aparência endurecida e esbranquiçada, muito parecida com fossilização. Apesar disso, especialistas reforçam que não se trata de uma petrificação real.

    Flamingo petrificado — Foto: Reprodução/Instagram/@nickbrandtphotography

    O processo está ligado ao chamado natrão, mistura natural de sais minerais que, inclusive, inspirou o nome do lago. Essa substância possui alta capacidade de absorver água e gordura. Curiosamente, compostos semelhantes eram usados no Antigo Egito durante os processos de mumificação humana.

    Por isso, aves, morcegos e outros pequenos animais encontrados próximos ao lago acabam desidratados e parcialmente calcificados. Em muitos casos, ainda é possível observar penas, asas e tecidos preservados, o que comprova que eles não foram literalmente transformados em pedra.

    Fotógrafo ajudou a popularizar o mistério

    As imagens mais conhecidas do fenômeno ganharam repercussão mundial em 2013, após serem registradas pelo fotógrafo Nick Brandt durante uma expedição ao lago.

    As fotografias viralizaram rapidamente e reforçaram as teorias sobre uma suposta “maldição” do Natron. Mais tarde, porém, o próprio fotógrafo explicou que os animais não haviam sido encontrados exatamente nas posições mostradas nas imagens. Segundo ele, as cenas foram organizadas artisticamente para criar um impacto visual.

    Por que o lago é vermelho?

    Outro detalhe que chama atenção no Lago Natron é sua coloração intensa. O tom avermelhado é provocado pela presença de microrganismos adaptados à alta salinidade, conhecidos como haloarqueias. Além disso, algas presentes na água também contribuem para a coloração característica.

    Esses organismos fazem parte da cadeia alimentar dos flamingos que vivem na região. Inclusive, o lago abriga um dos principais pontos de reprodução do flamingo-do-norte no leste africano.

    Águas chamam atenção por coloração vermelha — (Foto: huffingtonpost)

    Apesar disso, nem todos os animais conseguem sobreviver às condições extremas. Algumas aves migratórias acabam colidindo com a superfície altamente reflexiva da água, possivelmente confundidas pelo efeito espelhado do lago. Muitas delas não resistem ao calor intenso nem à composição cáustica do ambiente.

    Lago Natron visto de cima — (Foto: NASA)

    O próprio Nick Brandt relatou que a concentração de sal e soda no lago era tão elevada que danificava equipamentos fotográficos rapidamente. Ele também afirmou que entrar na água poderia ser extremamente doloroso, principalmente para pessoas com cortes ou ferimentos na pele.

    Ainda assim, apesar da fama assustadora, o Lago Natron possui enorme relevância ecológica. Isso porque os flamingos utilizam justamente as condições hostis da região como forma de proteção natural contra predadores.

  • Animal encontrado por cientistas no fundo do mar pode ser a solução no combate ao câncer

    Animal encontrado por cientistas no fundo do mar pode ser a solução no combate ao câncer

    Uma descoberta feita por pesquisadores da Universidade do Mississippi pode abrir novos caminhos no combate ao câncer. Cientistas identificaram um composto presente no pepino-do-mar, um invertebrado marinho encontrado nas profundezas do oceano, capaz de bloquear uma enzima ligada ao avanço da doença.

    O estudo, publicado na revista científica Glycobiology, aponta que a substância pode ajudar a impedir a proliferação de células cancerígenas. Além disso, os pesquisadores acreditam que o composto apresenta vantagens importantes em relação a tratamentos já utilizados atualmente.

    O pepino-do-mar produz moléculas raras, praticamente inexistentes em outros organismos terrestres. Segundo a pesquisadora Marwa Farrag, essa exclusividade despertou o interesse da equipe científica.

    “Os compostos de açúcar em pepinos-do-mar são únicos. Eles não são vistos em outros organismos. Por isso, são valiosos para estudo”, afirmou a doutoranda e autora principal da pesquisa.

    Como o composto age no organismo

    As células humanas possuem estruturas chamadas glicanos, responsáveis por diversas funções, como comunicação celular e respostas imunológicas. No entanto, células cancerígenas alteram determinadas enzimas, entre elas a Sulf-2, favorecendo o crescimento do câncer.

    O professor associado de farmacognosia Vitor Pomin explicou que bloquear essa enzima pode representar um avanço importante no tratamento da doença.

    “As células do nosso corpo são cobertas por ‘florestas’ de glicanos”, destacou o pesquisador. “Enzimas alteram a função dessa floresta. Se pudermos inibir essa enzima, em tese, combatemos a proliferação do câncer.”

    Para chegar ao resultado, os cientistas utilizaram testes laboratoriais e modelagem computacional. A equipe descobriu que um açúcar conhecido como sulfato de condroitina fucosilado, encontrado na espécie Holothuria floridana, conseguiu inibir a enzima Sulf-2.

    De acordo com Robert Doerksen, os resultados obtidos em laboratório coincidiram com as simulações computacionais, aumentando a confiabilidade da descoberta.

    Composto não apresentou efeitos colaterais graves

    Outro ponto que chamou atenção dos pesquisadores foi a ausência de interferência na coagulação sanguínea. Muitos medicamentos que atuam sobre a enzima Sulf-2 podem provocar sangramentos intensos como efeito adverso.

    O professor associado de farmacologia Joshua Sharp explicou que esse diferencial torna a substância ainda mais promissora: “Se você está tratando um paciente com uma molécula que inibe a coagulação do sangue, um dos efeitos pode ser sangramento não controlado”, afirmou. “É promissor que esta molécula específica com que estamos trabalhando não tenha esse efeito.”

    Além disso, os cientistas ressaltaram que a extração do composto em animais marinhos apresenta menor risco de contaminação por vírus e outros agentes, problema que pode ocorrer em substâncias retiradas de animais terrestres.

    Segundo Pomin, o pepino-do-mar representa um recurso mais limpo e benéfico para pesquisas farmacêuticas.

    Próxima etapa da pesquisa

    Apesar da descoberta animadora, os pesquisadores explicam que ainda existem desafios antes que o composto possa se transformar em medicamento. O principal obstáculo está na baixa quantidade de pepinos-do-mar disponíveis para produção em larga escala.

    Por isso, a próxima fase do estudo será desenvolver uma forma de sintetizar o composto em laboratório. Assim, os cientistas poderão iniciar testes em animais futuramente.

    “Um dos desafios no desenvolvimento como medicamento seria a baixa produção, pois não se consegue toneladas de pepinos-do-mar”, explicou Pomin. “Então, precisamos de uma rota química, e quando a desenvolvermos, podemos começar a aplicar isso em modelos animais.”

    O estudo também contou com pesquisadores das áreas de química, farmacognosia e biologia computacional da Universidade de Georgetown. Para os cientistas envolvidos, a união entre diferentes áreas do conhecimento é essencial para encontrar novas formas de combater doenças complexas como o câncer.

  • Você sabia? O canto dos sapos pode ajudar a prever o tempo

    Você sabia? O canto dos sapos pode ajudar a prever o tempo

    Quando o gelo começa a derreter nas regiões montanhosas da Califórnia, os sapos deixam a hibernação e seguem rapidamente para lagos e lagoas temporárias. Lá, os machos iniciam um verdadeiro coro para atrair as fêmeas antes que a água congele novamente.

    Mas os cientistas descobriram que esses sons servem para muito mais do que conquistar parceiras. Segundo um estudo publicado na revista Frontiers in Ecology and the Environment, a velocidade e a frequência do coaxar mudam conforme a temperatura da água. Em ambientes frios, os sons ficam lentos e espaçados. Já em águas mais quentes, os cantos se tornam rápidos e intensos.

    A ecologista Julianne Pekny explica que os anfíbios vivem em uma corrida contra o tempo. Em algumas áreas, os lagos formados pelo derretimento da neve permanecem descongelados por poucos meses, o que reduz drasticamente o período de reprodução.

    Coaxares funcionam como uma espécie de “previsão do tempo”

    Os pesquisadores acreditam que as fêmeas conseguem interpretar essas mudanças sonoras para escolher os melhores locais para colocar os ovos. Assim, os coaxares funcionariam como um “alerta climático” natural.

    Até então, os cientistas acreditavam que os cantos serviam apenas para demonstrar força e atratividade dos machos. Sapos maiores, por exemplo, costumam emitir sons mais graves e chamativos. Agora, o novo estudo sugere que os coaxares também carregam informações sobre o ambiente.

    A teoria surgiu durante pesquisas de campo no norte da Califórnia. Pekny percebeu diferenças claras nos coros dos sapos ao longo das estações e decidiu investigar o comportamento em laboratório. Ela analisou 35 sapos em aquários com diferentes temperaturas da água e registrou a frequência dos sons emitidos.

    Os testes mostraram que a água fria desacelera os coaxares, enquanto temperaturas mais altas deixam os sons mais rápidos. Essa informação pode ajudar as fêmeas a evitar locais inadequados para reprodução.

    Mudanças climáticas podem afetar reprodução dos anfíbios

    Especialistas afirmam que a descoberta ajuda a entender como os anfíbios reagem às mudanças climáticas. Embora pesquisadores ainda precisem realizar novos testes, o estudo reforça a relação entre comportamento animal e ambiente.

    Os cientistas alertam que alterações no clima podem desregular o período de reprodução dos sapos e rãs. Caso os animais se reproduzam cedo demais, os girinos podem nascer antes do momento ideal, quando ainda há pouca oferta de alimento.

    Hoje, os anfíbios estão entre os grupos mais ameaçados do planeta. Cerca de 41% das espécies enfrentam risco de extinção, o que aumenta a importância de pesquisas sobre adaptação climática e preservação dos habitats.

  • Cavalos podem sentir o cheiro do medo dos humanos, segundo estudo

    Cavalos podem sentir o cheiro do medo dos humanos, segundo estudo

    Os cavalos impressionam pela força e imponência, mas também chamam atenção pela sensibilidade. Um estudo publicado em janeiro de 2026 na revista científica PLOS One revelou que esses animais conseguem detectar o cheiro do medo humano, o que influencia diretamente seu comportamento.

    A pesquisa foi conduzida pela especialista em comportamento e bem-estar equino Plotine Jardat e por cientistas do Instituto Francês de Equitação. O objetivo foi aprofundar estudos anteriores que já indicavam que cavalos reagem a expressões faciais e ao tom de voz humano, mas agora com foco no olfato.

    Como o estudo foi realizado

    Os pesquisadores coletaram amostras de suor de voluntários em diferentes situações emocionais. Primeiro, os participantes assistiram a cenas alegres de filmes como Singin’ in the Rain e Grease, produzindo suor associado à felicidade.

    Em seguida, novas amostras foram coletadas enquanto os voluntários assistiam ao filme de terror Sinister, com o objetivo de induzir medo. Também foram obtidas amostras neutras, sem estímulo emocional.

    Depois disso, os cavalos foram expostos aos diferentes odores por meio de compressas colocadas em focinheiras especiais. Durante os testes, os cientistas analisaram como os animais reagiam à presença humana, tanto durante escovação quanto em momentos de aproximação.

    Os cavalos expostos ao “suor do medo” demonstraram menos interesse em interagir com as pessoas. Além disso, os pesquisadores avaliaram a reação dos animais a sustos repentinos, como a abertura de um guarda-chuva próximo a um balde de comida, e ao contato com objetos desconhecidos.

    O que os pesquisadores descobriram

    Segundo o estudo, os cavalos que sentiram o odor associado ao medo ficaram mais alertas, cautelosos e reativos. Eles evitaram maior contato com humanos, se assustaram mais facilmente e apresentaram aumento na frequência cardíaca, um indicativo de estresse.

    Os cientistas também observaram que esses cavalos tocaram menos nos objetos novos e passaram mais tempo observando-os à distância, comportamento típico de esquiva e vigilância.

    Um dos pontos mais importantes da pesquisa é que os animais reagiram apenas ao cheiro, sem qualquer pista visual ou sonora de medo por parte dos humanos.

    Emoções humanas podem afetar os cavalos

    A equipe concluiu que os cavalos conseguem identificar o estado emocional humano apenas pelo odor corporal. Ainda não há uma resposta definitiva sobre a origem dessa habilidade, mas ela pode estar ligada ao longo processo de domesticação ou a uma característica natural presente em mamíferos.

    A pesquisadora destacou que o estado emocional das pessoas influencia diretamente a relação com os animais. Segundo ela, chegar calmo e relaxado tende a favorecer uma interação mais positiva, enquanto o medo humano pode deixar o cavalo mais inseguro e reativo.