Tag: chocolate

  • Chocolate vai ficar mais caro? Super El Niño preocupa produtores

    Chocolate vai ficar mais caro? Super El Niño preocupa produtores

    O avanço do El Niño voltou a colocar a produção de cacau no radar de produtores e fabricantes de chocolate. Apesar dos riscos climáticos, representantes do setor avaliam que a expansão do cultivo para novas áreas pode ajudar a reduzir os efeitos de uma eventual quebra de safra sobre a oferta da matéria-prima.

    Para Arcelia Gallardo, fundadora da Mission Chocolate, uma repetição da forte escalada de preços observada anteriormente não é inevitável.

    “No Equador, os produtores plantaram milhares de pés de cacau há quatro anos porque eles estavam entendendo o que iria acontecer. Por causa dos efeitos do clima, agora temos cacau também em São Paulo”, afirma. “Onde antes não tinha cacau, agora tem.”

    A avaliação de Gallardo é que a ampliação das regiões produtoras pode funcionar como um contraponto aos problemas provocados pelo clima. Isso, porém, não elimina os riscos que o El Niño representa para a cultura.

    Alta do cacau já mudou os chocolates

    Filha de agricultores mexicanos e nascida na Califórnia, nos Estados Unidos, Gallardo trabalha com o modelo bean-to-bar, expressão usada para fabricantes que compram os grãos de cacau e controlam sua transformação até a produção das barras.

    Com a forte valorização do cacau registrada no fim de 2024, a Mission Chocolate precisou rever parte de sua estratégia. Segundo Gallardo, algumas fórmulas foram modificadas e determinados produtos passaram a ter versões menores para absorver parte do aumento dos custos.

    Arcelia Gallardo é fundadora da Mission Chocolate (Foto: Divulgação)

    Além disso, outra alternativa foi aumentar a variedade do portfólio.

    “Conseguimos pensar em outros produtos que poderíamos fazer, como confeitos banhados em chocolate, que deram muito certo.”

    Segundo a empresária, essas mudanças ajudaram a evitar que toda a elevação dos custos fosse repassada ao consumidor.

    Caso uma nova onda de valorização da matéria-prima aconteça, a Mission também aposta em cookies e produtos banhados, que demandam uma quantidade menor de chocolate do que as barras tradicionais.

    Nestlé aposta em manejo para diminuir perdas

    Entre as grandes indústrias, uma das estratégias para reduzir a vulnerabilidade da cadeia está no preparo das propriedades rurais.

    A diretora de marketing de chocolates da Nestlé, Paula Munhoz, afirma que a prevenção de perdas passa pela adoção de melhores práticas pelos fornecedores de cacau.

    Entre as medidas mencionadas estão:

    • melhoria da gestão da água;
    • distribuição de mudas com maior potencial produtivo;
    • adoção correta de técnicas de poda;
    • orientação técnica aos produtores.

    Essas ações fazem parte da estratégia da empresa para aumentar a resiliência das propriedades diante de condições climáticas adversas.

    Por meio do Nestlé Cocoa Plan, a companhia mantém uma rede de mais de 6,5 mil fazendas parceiras no Brasil, com iniciativas de assistência técnica, capacitação e adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis.

    Com o El Niño no radar, produtores e fabricantes passam a acompanhar não apenas as cotações do cacau, mas também a distribuição das chuvas e o comportamento das lavouras nas principais regiões produtoras.

  • Oscar do Chocolate: Brasil conquista 32 medalhas na competição

    Oscar do Chocolate: Brasil conquista 32 medalhas na competição

    Dez marcas brasileiras foram premiadas na etapa das Américas do International Chocolate Awards, competição internacional dedicada a chocolates artesanais e produtos feitos no modelo bean-to-bar e craft chocolatier.

    Na relação apresentada para a edição, os chocolates brasileiros aparecem com medalhas de ouro, prata e bronze em diferentes categorias, incluindo produtos com ingredientes como cupuaçu, coco, café, queijo Canastra, doce de leite, açaí, castanha-do-pará e castanha de baru.

    A competição reúne produtores da América Latina e do Caribe. Os vencedores das categorias regionais seguem para a etapa mundial do prêmio.

    https://www.instagram.com/p/Db_s2AAJgsK/?igsh=NWVtbzZ3bjB5dWph

    Cacau Dourado conquista os dois ouros

    Entre os produtos brasileiros premiados, a Cacau Dourado, de Minas Gerais, conquistou os dois ouros relacionados ao Brasil na lista apresentada.

    Os vencedores foram o Chocolate 70% Cacau com Cupuaçu, na categoria de barras de chocolate amargo com inclusões ou pedaços, e o Chocolate Branco Caramelo com Coco, na categoria de barras de chocolate branco com inclusões ou pedaços.

    Segundo Marcilia Vitória Martins Araújo, proprietária da marca mineira, a criação do chocolate branco foi inspirada em uma memória familiar.

    A empresária contou que o produto foi desenvolvido para lembrar o sabor do doce de leite preparado pela mãe durante sua infância.

    Chocolate brasileiro valoriza ingredientes nacionais

    A relação de premiados mostra a presença de ingredientes associados à biodiversidade e à produção brasileira.

    Entre os produtos reconhecidos aparecem combinações com cupuaçu, açaí, castanha-do-pará, castanha de baru, milho, banana, maracujá e café.

    A presença desses ingredientes também aproxima a premiação do setor de agronegócio, já que o chocolate depende de uma cadeia que começa na produção do cacau e envolve processamento, indústria e agregação de valor.

    Além disso, o movimento também reforça o espaço ocupado pelo chocolate artesanal e pelo modelo bean-to-bar, no qual o produtor controla diferentes etapas da transformação do cacau até a fabricação do chocolate.

    Veja os sabores premiados

    Medalhas de ouro

    Chocolate 70% Cacau com Cupuaçu
    Marca: Chocolates Cacau Dourado
    Categoria: Barras de chocolate amargo com inclusões ou pedaços

    Chocolate Branco Caramelo com Coco
    Marca: Chocolates Cacau Dourado
    Categoria: Barras de chocolate branco com inclusões ou pedaços

    Medalhas de prata

    Variedade Catongo 80% Chocolate Amargo
    Marca: Chocolates Cacau do Céu
    Categoria: Barra de chocolate amargo simples/de origem

    Chocolate Branco ao Leite Caramelizado
    Marca: DoSemente Cacau
    Categoria: Barras de chocolate branco simples/de origem

    Chocolate Branco 35% Cacau Doce de Leite
    Marca: Chocolates Mendoá
    Categoria: Barras de chocolate branco simples/de origem

    Chocolate amargo intenso com especiarias suaves
    Marca: Chocolates Cacau do Céu
    Categoria: Barras de chocolate amargo com infusão ou aromatizante

    Hojicha Razuberi
    Marca: Velmont
    Categoria: Barras de chocolate amargo com infusão ou aromatizante

    Chocolate ao Leite com Café Blum’s
    Marca: Miroh! Fabricantes de Chocolate
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com infusão ou aromatizante

    Chocolate com Queijo Canastra e Doce de Leite
    Marca: Chocolates Cacau do Céu
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com inclusões ou pedaços

    Mel & Baru 50% ao Leite
    Marca: Chocolates Mestiço
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com inclusões ou pedaços

    Chocolate 33% Milho
    Marca: Jucolatte
    Categoria: Barras de chocolate branco com infusão ou aromatizante

    Banana de Ouro
    Marca: Velmont
    Categoria: Barras de chocolate branco com infusão ou aromatizante

    Chocolate Branco com Maracujá Liofilizado
    Marca: Chocolates Cacau do Céu
    Categoria: Barras de chocolate branco com inclusões ou pedaços

    Dragée Coffee Beans
    Marca: Nugali
    Categoria: Drageias de chocolate amargo, nozes inteiras cobertas

    Bombom de Cupuaçu com Cumaru
    Marca: Miroh! Fabricantes de Chocolate
    Categoria: Pastas de frutas cobertas com chocolate branco, geleias/gelées

    Medalhas de bronze

    Chocolate Amargo 70% Cacau – Cacau em Flor
    Marca: Nugali
    Categoria: Barras de chocolate amargo simples/de origem

    Catongo Varietal Intenso 67%
    Marca: Chocolates Mestiço
    Categoria: Micro-lotes – Barras de chocolate amargo simples/de origem

    Chocolate ao Leite 40% Cacau Do Céu
    Marca: Chocolates Cacau do Céu
    Categoria: Barras de chocolate ao leite simples/de origem

    Chocolate ao Leite 45% Cacau
    Marca: Nugali
    Categoria: Barras de chocolate ao leite simples/de origem

    Chocolate 41% Cacau ao Leite
    Marca: Cacau Dourado Chocolates
    Categoria: Micro-lotes – Barras de chocolate ao leite simples/de origem

    Chocolate ao Leite 55% Cacau
    Marca: DoSemente Cacau
    Categoria: Micro-lotes – Barras de chocolate ao leite simples/de origem

    Chocolate Branco 35%
    Marca: Chocolates Mestiço
    Categoria: Barras de chocolate branco simples/de origem

    Café con Ron
    Marca: Mission Chocolate
    Categoria: Barras de chocolate amargo com infusão ou aromatizante

    Chocolate Amargo 70% com Açaí Frágil
    Marca: Nugali
    Categoria: Barras de chocolate amargo com inclusões ou pedaços

    45% ao Leite, Banana e Castanha de Caju
    Marca: Miroh! Fabricantes de Chocolate
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com inclusões ou pedaços

    Chocorock
    Marca: Cacau Dourado Chocolates
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com inclusões ou pedaços

    Chocolate ao leite 45% cacau com castanha-do-pará
    Marca: Nugali
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com inclusões ou pedaços

    Chocolate 50% Cacau ao Leite com Cupuaçu
    Marca: Chocolates Mendoá
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com inclusões ou pedaços

    Coquito
    Marca: Mission Chocolate
    Categoria: Barras de chocolate branco com infusão ou aromatizante

    Chocolate Branco e ao Leite com Queijo Azul
    Marca: Chocolates Cacau do Céu
    Categoria: Barras de chocolate combinadas com inclusões ou pedaços

    Dragée Cocoa Nibs
    Marca: Nugali
    Categoria: Drageias de chocolate amargo, nozes inteiras cobertas

    Drageado Cupuaçu 65%
    Marca: Chocolates Mestiço
    Categoria: Fruta inteira coberta com chocolate amargo

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp e saiba tudo em primeira mão 

  • Preço do cacau cai, mas gigantes do chocolate ainda enfrentam impactos

    Preço do cacau cai, mas gigantes do chocolate ainda enfrentam impactos

    Apesar da recente queda nas cotações internacionais do cacau, as maiores fabricantes de chocolate do mundo ainda enfrentam dificuldades para recuperar as margens de lucro. Empresas como Barry Callebaut, Lindt e Nestlé afirmam que a alta histórica registrada nos últimos anos continua pressionando os resultados financeiros e alterando o comportamento dos consumidores.

    Os reajustes de preços aplicados pelas fabricantes reduziram o volume de vendas em diversos mercados, enquanto fatores como inflação, conflitos geopolíticos e mudanças climáticas seguem influenciando a cadeia global do cacau.

    Lindt registra queda nas vendas

    A Lindt informou que aumentou os preços em 11,8% no primeiro semestre. Como consequência, o volume de chocolates vendidos caiu 7,5%.

    Segundo o CEO da companhia, Adalbert Lechner, os preços recordes do cacau obrigaram todo o setor a realizar reajustes sem precedentes. Além disso, inflação, incertezas econômicas e conflitos internacionais reduziram o consumo.

    A empresa também destacou que a crise no Oriente Médio diminuiu o fluxo de turistas asiáticos e do Oriente Médio para a Europa, afetando o segmento de varejo voltado aos viajantes.

    Barry Callebaut amplia vendas de cacau

    A Barry Callebaut, maior fabricante mundial de produtos derivados de cacau e chocolate, informou que o consumo de chocolate caiu 4,4% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior.

    Mesmo assim, o volume total comercializado pela empresa cresceu 5,7%, encerrando uma sequência de mais de dois anos de retração.

    As vendas globais de cacau avançaram 18%, impulsionadas pela correção do mercado ocorrida no início do ano.

    Nestlé também sente os efeitos

    A Nestlé informou que a valorização do cacau e do café reduziu em 2,8% seu lucro operacional subjacente no primeiro semestre.

    A área de confeitaria representa quase 10% do faturamento da companhia. A expectativa é de recuperação gradual das margens conforme os preços da matéria-prima continuem se estabilizando.

    El Niño e mudanças climáticas explicam a crise

    A forte valorização do cacau teve origem principalmente nas perdas de safra registradas na África Ocidental.

    Segundo pesquisadores da Oxford Martin School, o fenômeno El Niño provocou períodos prolongados de calor, estiagem e chuvas irregulares na Costa do Marfim e em Gana, responsáveis por cerca de 60% a 70% da produção mundial de cacau.

    Além do El Niño, o avanço das mudanças climáticas agravou ainda mais o cenário, reduzindo a produtividade das lavouras e elevando os preços internacionais da commodity.

    Mercado segue atento ao clima

    Embora haja expectativa de excedente na safra 2025/2026, a Barry Callebaut alertou que um novo episódio forte de El Niño previsto para 2026 e 2027 pode voltar a pressionar a oferta mundial.

    Analistas também afirmam que a Lindt conseguiu realizar operações de proteção de preços para 2027, estratégia que pode reduzir significativamente seus custos nos próximos anos.

    Geopolítica influencia o mercado

    Além das questões climáticas, fatores geopolíticos continuam interferindo na cadeia do cacau.

    As tarifas comerciais anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocaram oscilações temporárias nos preços e interrupções na logística internacional.

    Chocolate premium

    Enquanto aguardam uma recuperação mais consistente do mercado, as fabricantes investem em inovação para atrair consumidores.

    A Lindt ampliou sua presença nas redes sociais após o sucesso da barra de chocolate inspirada no chamado “Chocolate Dubai”, lançada em dezembro de 2024 e rapidamente transformada em tendência mundial.

    Segundo Adalbert Lechner, a estratégia busca aproximar a marca dos consumidores mais jovens e transformar as redes sociais em um canal permanente de descoberta e compra.

    A Nestlé segue caminho semelhante. O CEO Philipp Navratil afirmou que a companhia ampliará os investimentos em marketing de influência, priorizando campanhas digitais, conteúdo orgânico e formatos voltados ao público jovem.

    Empresas evitam novos reajustes

    Apesar da pressão sobre os custos, as fabricantes têm buscado preservar o posicionamento premium sem depender exclusivamente de novos aumentos de preços.

    A Lindt reduziu valores de forma seletiva em mercados como Alemanha e Suíça durante o período de Natal para estimular o consumo.

    Já a Barry Callebaut aposta na expansão do segmento Gourmet, direcionado a chefs e confeiteiros, além de ampliar sua linha de chocolates especiais de maior valor agregado.

    Com a acomodação dos preços do cacau, o setor espera recuperar gradualmente a demanda. Ainda assim, especialistas alertam que eventos climáticos extremos e tensões geopolíticas continuarão sendo fatores determinantes para o mercado global da commodity.

  • Cacau já foi usado como dinheiro pelos astecas; entenda

    Cacau já foi usado como dinheiro pelos astecas; entenda

    Você sabia que, muito antes de ser associado ao chocolate, o cacau já possuía um enorme valor econômico na Mesoamérica? Para os astecas, seus grãos não eram apenas um alimento precioso, mas também uma moeda utilizada nas transações do dia a dia.

    A semente servia para comprar alimentos, pagar trabalhadores, quitar tributos ao império e até calcular o valor de diferentes mercadorias.

    Cacau movimentava a economia asteca

    Os registros históricos mostram que os grãos de cacau eram amplamente aceitos nos mercados astecas. Eles funcionavam como unidade de valor e facilitavam o comércio entre diferentes regiões do império.

    Alguns relatos da época indicam que um tomate podia custar um único grão de cacau. Três ou quatro grãos eram suficientes para comprar um coelho, e 100 grãos valiam um escravo.

    Além das compras cotidianas, cidades submetidas ao domínio asteca enviavam grandes carregamentos de cacau como forma de tributo para a capital, Tenochtitlán.

    Por que tinha tanto valor?

    Os astecas acreditavam que o fruto era um presente de Quetzalcoatl, divindade associada à sabedoria. Por isso, o alimento possuía um importante significado religioso e cultural.

    Ilustração da antiga cidade de Calakmul representa o preparo e o consumo do cacau, fruto precioso para os maias e astecas — (Foto: Reprodução/Nat Geo Image Collection)

    Outro fator era a dificuldade de produção. O cacaueiro exige temperaturas elevadas, alta umidade, chuvas frequentes e solos específicos. Essas condições limitavam o cultivo a poucas regiões da Mesoamérica.

    Segundo estudos, o cultivo do cacaueiro existe na região desde aproximadamente 1900 a.C.. No entanto, o uso das sementes como moeda consolidou-se apenas séculos depois, por volta do século VII.

    Moeda que também podia ser consumida

    O cacau fazia parte do grupo conhecido como dinheiro-mercadoria. Diferentemente das moedas atuais, seu valor estava no próprio produto.

    As sementes podiam ser guardadas, utilizadas em trocas comerciais ou transformadas em bebidas apreciadas pelas elites mesoamericanas.

    Existiam falsificações de grãos

    Assim como acontece com outras moedas ao longo da história, o cacau também foi alvo de fraudes. Alguns comerciantes produziam sementes falsas utilizando barro ou cera pintada para imitar os grãos verdadeiros.

    Para evitar prejuízos, compradores inspecionavam cuidadosamente cada semente durante as negociações, verificando o peso, a aparência e o estado de conservação.

    Queda da doce moeda

    Apesar de sua importância, o sistema apresentava limitações.

    As sementes eram perecíveis e, normalmente, conservavam sua qualidade por cerca de um ano. Além disso, períodos de seca reduziam a produção, comprometendo a oferta disponível para circulação.

    Com o passar do tempo, os astecas começaram a adotar outros meios de pagamento. Entre eles estavam peças de cobre em formato semelhante ao de um machado, que passaram a funcionar como uma moeda padronizada.

  • Saiba como o chocolate pode ser um aliado do coração

    Saiba como o chocolate pode ser um aliado do coração

    O chocolate é um dos alimentos mais populares do mundo e está presente em sobremesas, bebidas, confeitaria e até receitas salgadas. No entanto, muito antes de conquistar espaço na gastronomia, ele teve origem em antigas civilizações da América Central, oom os povos maias e astecas, que preparavam uma bebida amarga à base do fruto para cerimônias religiosas e ocasiões especiais

    Com o passar dos séculos, a chegada do cacau à Europa transformou completamente sua forma de consumo, dando origem ao chocolate que conhecemos atualmente.

    Ana Cristine Araújo, docente de gastronomia da Wyden, explica que a bebida foi se adaptando aos diferentes contextos históricos ao longo dos séculos.

    A Revolução Industrial, entre os séculos XVIII e XIX, trouxe técnicas que tornaram a produção do chocolate mais eficiente e acessível. “Esse processo permitiu o desenvolvimento das primeiras barras de chocolate e ampliou o seu consumo”, afirma a docente.

    Sabor e bem-estar

    O sabor marcante e a textura agradável do chocolate garantem seu consumo isolado ou combinado com frutas, castanhas, cafés e outras bebidas. O alimento também contém compostos que estimulam a produção e a liberação de neurotransmissores ligados ao bem-estar, como serotonina e dopamina.

    “Embora não seja um alimento capaz de gerar felicidade por si só, essa combinação de fatores fisiológicos e emocionais ajuda a explicar por que ele é tão apreciado em diferentes culturas. Outra tendência é a utilização do chocolate em harmonizações gastronômicas, acompanhando cafés, chás, vinhos, cervejas artesanais e destilados”, observa Ana.

    A gastronomia contemporânea também vive um crescente interesse pelos chamados chocolates de origem, produzidos a partir de cacaus específicos que valorizam as características sensoriais de cada região produtora, um movimento semelhante ao que já acontece com vinhos e cafés especiais. Chefs têm explorado ainda mais a aplicação do chocolate em pratos salgados, molhos e preparações contemporâneas, o que comprova seu alcance muito além da sobremesa.

    Consumo moderado de chocolate pode beneficiar o coração

    A médica cardiologista do IDOMED, Dra. Laísa Allen, destaca que o consumo de chocolate pode trazer benefícios à saúde cardiovascular, sobretudo nas versões com maior teor de cacau. Os flavanóis presentes no cacau, compostos com ação antioxidante e anti-inflamatória, respondem pelos principais efeitos observados.

    “Esses compostos podem melhorar a função do endotélio, camada que reveste os vasos sanguíneos, aumentando a produção de óxido nítrico, o que favorece a dilatação das artérias e melhora a circulação. Estudos também demonstram pequenas reduções na pressão arterial e melhora de alguns marcadores cardiometabólicos, como sensibilidade à insulina e perfil metabólico”, explica a cardiologista.

    Chocolate não substitui hábitos saudáveis

    No entanto, a especialista ressalta que o chocolate não substitui medicamentos nem hábitos de vida saudáveis.

    “Até o momento, as pesquisas demonstram benefícios sobre alguns fatores de risco cardiovascular, mas ainda não há evidências suficientes para recomendar o chocolate como estratégia isolada de prevenção de infarto ou de outras doenças cardiovasculares. O maior benefício para o coração continua sendo manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar a pressão arterial, o colesterol e o diabetes, além de não fumar.”

    O chocolate pode fazer parte de uma dieta equilibrada quando consumido com moderação (Foto: Reprodução/MAPA)

    Quanto à escolha do produto, a especialista afirma que os chocolates com maior teor de cacau, geralmente acima de 70%, tendem a apresentar maior concentração de compostos bioativos e menor quantidade de açúcar, embora as diretrizes cardiológicas não estabeleçam um percentual oficial.

    Atenção aos excessos

    Os chocolates ao leite e, principalmente, o chocolate branco possuem menor quantidade de cacau e maior teor de açúcar e gordura, o que reduz a oferta dos compostos associados aos possíveis benefícios cardiovasculares. A médica observa ainda que o consumo pode piorar sintomas como azia em pessoas com refluxo gastroesofágico. Em alguns indivíduos predispostos, o chocolate também pode desencadear crises de enxaqueca, embora essa associação ainda gere debate científico.

    “Além disso, o excesso de consumo pode favorecer o ganho de peso, a obesidade e o diabetes, condições que aumentam o risco de doenças cardiovasculares. Por isso, a moderação continua sendo a principal recomendação”, finaliza a cardiologista.

  • Dia Mundial do Chocolate: conheça o doce que conquistou o mundo

    Dia Mundial do Chocolate: conheça o doce que conquistou o mundo

    O Dia Mundial do Chocolate, celebrado em 7 de julho, homenageia um dos alimentos mais consumidos do planeta. A data faz referência à chegada do chocolate à Europa, em 1550. Desde então, o produto conquistou espaço em diferentes culturas e, ao longo dos séculos, tornou-se um dos doces mais apreciados do mundo.

    No entanto, muito antes disso, o cacau já fazia parte da rotina das civilizações maias e astecas. Esses povos consumiam a bebida conhecida como xocoatl, utilizada em rituais sagrados e considerada um símbolo de grande valor cultural. Posteriormente, com a colonização europeia, a semente atravessou o oceano e ganhou novos usos. Mais tarde, durante a Revolução Industrial, surgiram processos que popularizaram o tradicional chocolate em barra.

    Brasil se tornou referência na produção de cacau

    No Brasil, o cacau encontrou condições ideais para o cultivo, principalmente na Bahia, que se consolidou como uma das principais regiões produtoras ao longo do século XX. Apesar da crise provocada pela vassoura-de-bruxa, o setor se reinventou ao investir em chocolates premium e na valorização do cacau de origem.

    Como resultado, o chocolate brasileiro conquistou reconhecimento no mercado internacional. Um dos nomes ligados a esse movimento é o empresário Marco Lessa, criador do Chocolat Festival e da Origem Week, iniciativas voltadas à promoção do cacau nacional em diversos países.

    Cacau representa uma atividade sustentável, rentável e com grande potencial de crescimento — Foto: Reprodução/MAPA

    Esse avanço também foi reconhecido internacionalmente. A Organização Internacional do Cacau (ICCO) passou a classificar o Brasil como exportador de 100% de cacau fino e de aroma. Além disso, entre 2021 e 2025, as exportações brasileiras de chocolate, cacau e derivados superaram US$ 1 bilhão.

    Reconhecimento internacional fortalece o futuro do setor

    Outro passo importante foi a sanção da Lei 15.404/2026, que estabelece percentuais mínimos de cacau nos chocolates comercializados no país. Dessa forma, a legislação amplia a transparência para o consumidor e valoriza ainda mais a matéria-prima brasileira.

    Além disso, em dezembro de 2026, Salvador receberá a primeira edição completa do Salon du Chocolat no Brasil, considerado o maior evento mundial do setor. A expectativa é fortalecer a imagem do país como produtor de cacau de excelência e ampliar sua presença no mercado internacional.

    Assim, o Dia Mundial do Chocolate vai muito além de celebrar um doce. A data também evidencia a importância do cacau para a economia, a cultura e a sustentabilidade, reforçando o protagonismo do Brasil em uma cadeia produtiva que une tradição, inovação e desenvolvimento sustentável.

  • Produção de cacau em sistema integrado ganha força

    Produção de cacau em sistema integrado ganha força

    O cultivo de cacau em sistema de produção integrada já se consolida como alternativa viável para diversificação de renda no interior paulista. Durante Dia de Campo promovido pela CATI Regional São José do Rio Preto, em parceria com a Rede ILPF e a Embrapa, produtores conheceram, na prática, modelos produtivos que combinam cacau com outras culturas e ampliam a rentabilidade das propriedades.

    Foto: Divulgação

    O evento reuniu mais de 50 participantes de diferentes regiões do estado, como Jaboticabal, Jales, Votuporanga, Mogi Mirim e São José do Rio Preto. A programação incluiu visitas técnicas nos municípios de Mendonça e Adolfo, onde produtores acompanham resultados concretos do Projeto Cacau SP em áreas consideradas não tradicionais para a cultura.

    Em Mendonça, o destaque foi o Rancho do Cacau, propriedade da família Persegil. O produtor Diego Persegil adotou o cultivo de cacau integrado com banana e avançou para a produção de chocolate artesanal com matéria-prima própria. O modelo combina inovação, agregação de valor e geração de renda no campo.

    Transformação

    Segundo Diego, o projeto transformou a realidade da propriedade. A atividade, que começou como teste, hoje sustenta a família e abre novos nichos de mercado, incluindo o turismo rural e a venda de produtos com identidade local.

    Para o engenheiro agrônomo Eusébio Persegil, da CATI, o caso demonstra o potencial da cacauicultura no estado. Ele destaca que o sucesso envolve manejo técnico, capacitação contínua e participação da família em todas as etapas, desde o cultivo até o processamento do chocolate.

    Na sequência, em Adolfo, os participantes visitaram a Fazenda Fartura, onde o cacau é cultivado em integração com a seringueira. A área funciona como vitrine tecnológica e apresenta todas as etapas da cadeia produtiva, do plantio à pós-colheita.

    O roteiro incluiu ainda a Casa da Agricultura do município, que abriga uma minifábrica de chocolate utilizada em capacitações. A estrutura permite que produtores aprendam técnicas de processamento e agregação de valor, com apoio do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital).

    De acordo com o engenheiro agrônomo Fioravante Stucchi Neto, o modelo integrado facilita a adoção da cultura ao mostrar resultados práticos. Ele ressalta que o suporte técnico contínuo tem sido essencial para a expansão do cacau na região.

    Sistemas integrados aumentam rentabilidade

    Durante o Dia de Campo, técnicos apresentaram dados de áreas conduzidas em Integração Lavoura-Floresta (ILF), com cacau consorciado com banana e espécies florestais, como Corymbia.

    A técnica da Rede ILPF, Estella Mantovani, explicou que os primeiros resultados já indicam viabilidade econômica. Em uma área implantada em 2023, a receita gerada pela banana no ciclo 2024/25 cobriu os custos de implantação do cacau e remunerou a mão de obra familiar.

    Além do retorno financeiro, o sistema contribui para sustentabilidade ambiental e diversificação produtiva, fatores que reduzem riscos e fortalecem a resiliência das propriedades.

    Produtores demonstram interesse crescente

    O chefe da CATI Regional Jaboticabal, Oracy Schuindt Júnior, afirma que a experiência ampliou a visão dos produtores. Segundo ele, conhecer a cadeia completa — do plantio ao chocolate — aumenta a segurança para investir na cultura.

    O Projeto Cacau SP também tem ampliado sua atuação no estado. De acordo com o engenheiro agrônomo Fernando Miqueletti, o trabalho envolve todas as etapas da cadeia produtiva, o que permite aos produtores acessar mercados mais rentáveis.

    produtores de cacau de pe na plantação
    Foto: Divulgação

    Ele destaca que o interesse crescente indica que o cacau deixou de ser apenas uma alternativa experimental e passou a ocupar espaço estratégico na diversificação agrícola paulista.

    Entre os participantes, o produtor Márcio Tonelli, de Campinas, afirmou que pretende investir na cultura. Após visitar as áreas e conhecer experiências práticas, ele considera o cacau uma opção promissora para propriedades familiares, especialmente em regiões tradicionalmente voltadas ao café e aos citros.

    Nova fronteira agrícola em SP

    Os técnicos do Grupo Cacau SP avaliam que a expansão da cultura em regiões não tradicionais confirma o potencial do cacau como nova fronteira agrícola no estado.

    A combinação entre assistência técnica, pesquisa e sistemas integrados tem permitido avanços consistentes. Para produtores, o modelo representa oportunidade concreta de diversificação, aumento de renda e produção sustentável.

  • Alta do cacau impulsiona uso de tecnologia para garantir qualidade do chocolate

    Alta do cacau impulsiona uso de tecnologia para garantir qualidade do chocolate

    A recuperação da oferta global de cacau não reduziu a pressão por eficiência na indústria do chocolate. Pelo contrário: empresas do setor intensificam o uso de tecnologias e processos químicos para garantir padrão de qualidade, mesmo diante da variabilidade da matéria-prima.

    Dados da Organização Internacional do Cacau (ICCO) indicam uma virada no mercado global. Após dois anos de déficit, a safra 2024/25 deve registrar superávit de 48 mil toneladas, com produção próxima de cinco milhões de toneladas. A Costa do Marfim, principal produtora mundial, projeta crescimento de 10,5% na safra 2025/26, podendo alcançar até 2,1 milhões de toneladas, segundo informações divulgadas pela Reuters.

    Apesar da recuperação, o setor ainda monitora riscos estruturais, como mudanças climáticas, envelhecimento das lavouras e incidência de doenças nos cacaueiros. Esses fatores continuam a impactar diretamente a oferta e a qualidade do produto.

    Nos preços, a volatilidade recente reforça o cenário de atenção. O cacau atingiu o recorde histórico de US$ 12.906 por tonelada em dezembro de 2024, segundo a Trading Economics. Em junho de 2026, a cotação recuou para cerca de US$ 3.800 por tonelada, mas o histórico recente aumentou a preocupação da indústria com previsibilidade e controle produtivo.

    Impacto

    No Brasil, o tema tem impacto direto na indústria. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (ABICAB) mostram crescimento na produção nacional, que passou de 806 mil toneladas em 2024 para 814 mil toneladas em 2025.

    Diante desse cenário, processos industriais pouco visíveis ao consumidor ganham relevância estratégica. Segundo Renan Coelho, diretor comercial da Katrium Indústrias Químicas, a padronização do chocolate depende não apenas da qualidade do cacau, mas da capacidade da indústria de lidar com suas variações naturais.

    “O cacau é um produto agrícola sujeito a variações de clima, solo, safra e manejo. Já o consumidor espera consistência. A tecnologia permite transformar essa variabilidade em um produto padronizado”, afirma.

    Entre os principais recursos utilizados está a alcalinização do cacau. Estudos publicados na revista Food Science and Technology International mostram que esse processo altera o pH, a cor e características sensoriais do ingrediente, impactando diretamente sua aplicação industrial.

    Na prática, a alcalinização reduz a acidez do cacau, suaviza notas amargas, intensifica a coloração e melhora a dispersão do pó em diferentes formulações. Isso amplia o controle sobre atributos essenciais como sabor, textura e solubilidade.

    Entre os insumos utilizados, o carbonato de potássio atua como agente alcalinizante e regulador de pH. Pesquisas indicam que compostos à base de potássio apresentam alta eficiência na elevação do pH durante o processamento do cacau.

    Importância da química na indústria de alimentos

    Segundo Coelho, a maior oferta global não diminui a importância da química na indústria de alimentos. “A indústria precisa de estabilidade e previsibilidade. A química não substitui a qualidade da matéria-prima, mas garante que características importantes sejam preservadas ao longo da produção”, explica.

    Além do chocolate em barra, o controle de pH e a padronização impactam diretamente produtos como achocolatados, sorvetes, biscoitos, coberturas, recheios e sobremesas lácteas. Nesses segmentos, manter consistência em larga escala é um fator crítico de competitividade.

    Para o consumidor, essas tecnologias passam despercebidas. No entanto, são elas que asseguram a repetição da experiência sensorial, mesmo em um mercado de cacau sujeito a oscilações constantes.

  • Dia dos Namorados impulsiona mercado de chocolates e desafia produtores de cacau

    Dia dos Namorados impulsiona mercado de chocolates e desafia produtores de cacau

    O Dia dos Namorados movimenta muito mais do que floriculturas e joalherias. A data aquece um dos segmentos mais relevantes do varejo brasileiro, o de chocolates. E esse impulso chega diretamente ao campo, pressionando produtores de cacau a ampliar eficiência, produtividade e qualidade da safra para abastecer a indústria alimentícia em um dos períodos mais lucrativos do ano.

    O Brasil colhe entre 280 mil e 296 mil toneladas de cacau por ano e ocupa a 6ª posição entre os maiores produtores mundiais da fruta, segundo a ICCO (Organização Internacional do Cacau). Ainda assim, a produtividade média nacional chega a apenas 358 kg por hectare. Um índice que reforça a necessidade de planejamento produtivo mais eficiente para garantir regularidade no abastecimento.

    Nutrição vegetal como estratégia produtiva

    Para especialistas em nutrição vegetal, o cenário sazonal evidencia o papel estratégico de soluções de manejo para o produtor de cacau. A nutrição mineral equilibrada e a adubação foliar com micronutrientes garantem regularidade, qualidade e previsibilidade na oferta. Requisitos cada vez mais exigidos pela indústria chocolateira.

    Os fertilizantes líquidos se destacam nesse contexto: permitem absorção mais rápida pelas plantas, correção pontual de deficiências nutricionais e aplicação simultânea com defensivos agrícolas. Uma vantagem significativa para pequenos produtores, que trabalham com janelas curtas de manejo.

    “Nutrientes como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e micronutrientes são fundamentais para processos fisiológicos vitais da planta, especialmente a fotossíntese. É ela que fornece os açúcares e a energia necessários para o desenvolvimento das raízes, folhas e frutos. Tanto a deficiência quanto o excesso desses nutrientes podem comprometer diretamente a produtividade e a qualidade da produção”, explica Fellipe Parreira, responsável por Portfólio e Acesso do Grupo GIROAgro.

    Varejo digital cresce e chocolates lideram buscas sazonais

    No comércio, o Dia dos Namorados só perde em relevância para o Natal e o Dia das Mães no calendário varejista brasileiro. Em 2025, cerca de 93 milhões de consumidores foram às compras na data, impulsionando principalmente os setores de presentes, alimentação e experiências.

    O ambiente digital consolidou sua força nesse movimento. Segundo levantamento da Neotrust CONFI, o e-commerce movimentou R$ 9,23 bilhões durante o período. Chocolates premium, cestas temáticas e produtos personalizados lideram buscas e ações promocionais nas plataformas online.

    A indústria acompanha esse crescimento. Em 2024, a produção brasileira de chocolate ficou entre 803 mil e 806 mil toneladas, de acordo com a ABICAB (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates). O consumo per capita do brasileiro chegou a 3,9 kg de chocolate por ano, o maior patamar dos últimos anos. E o país figura entre os cinco maiores consumidores mundiais em volume absoluto.

    Para 2025/2026, a StoneX projeta superávit de 287 mil toneladas de cacau, sinal de que a cadeia produtiva busca se ajustar ao ritmo crescente da demanda.

    Consumidor precisa equilibrar emoção e planejamento financeiro

    O comportamento de compra em datas comemorativas também exige atenção do consumidor. Para Patrick Santos, doutor em economia e gerente de planejamento da Multimarcas Consórcios, decisões de última hora e compras emocionais marcam o perfil do comprador nessas ocasiões.

    “O Dia dos Namorados costuma estimular compras emocionais e decisões de última hora. Por isso, o consumidor precisa equilibrar desejo e planejamento, avaliando preço, qualidade, promoções e, principalmente, o impacto daquele gasto no orçamento dos próximos meses”, afirma.

    O especialista também aponta que observar o desempenho do mercado em anos anteriores ajuda a antecipar tendências. “No ano passado, o setor de chocolates registrou aumento nas vendas impulsionado pelas datas comemorativas e pela busca por presentes de valor afetivo. Esse movimento mostra que, mesmo em cenários de orçamento mais apertado, o consumidor tende a preservar gastos ligados a experiências e demonstrações de carinho. Para este ano, a expectativa é de comportamento semelhante, mas com atenção maior à comparação de preços e alternativas que permitam celebrar sem comprometer o planejamento financeiro”, analisa Santos.

    Em um cenário de consumo aquecido e datas sazonais cada vez mais relevantes para o varejo, a integração entre agronegócio, indústria e comércio se torna decisiva para atender à demanda do consumidor brasileiro, do cacaueiro à caixa de bombons.

  • Festival do Chocolate e Cacau reúne produtores do Brasil e exterior

    Festival do Chocolate e Cacau reúne produtores do Brasil e exterior

    Altamira (PA) recebe, entre os dias 11 e 14 de junho, a 5ª edição do Festival Internacional do Chocolate e do Cacau. O evento reúne produtores, especialistas e visitantes do Brasil e do exterior no Centro de Convenções Vilmar Soares, na Região de Integração do Xingu. A abertura oficial ocorre nesta quinta-feira (11), às 19h.

    A programação ganha força a partir de sexta-feira (12), com visitação aberta ao público das 14h às 22h. Conhecido como Chocolate Xingu, o festival resulta de uma parceria entre o Governo do Pará, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), e a Prefeitura de Altamira.

    O Fundo de Apoio ao Desenvolvimento da Cacauicultura do Pará (Funcacau) financia o evento e garante a participação de produtores de diversas regiões do estado. A iniciativa busca fortalecer a cadeia produtiva e ampliar oportunidades de negócios para os cacauicultores paraenses.

    Segundo o coordenador do festival e do Procacau, Ivaldo Santana, o evento se consolidou como um dos mais relevantes da América Latina. “O festival atrai mais de 100 mil visitantes e movimenta produtores e empreendedores do setor. A expectativa para esta edição é alta, com novidades e oportunidades”, afirma.

    Experiências e negócios impulsionam o evento

    A programação inclui exposição de chocolates de origem, derivados de cacau, experiências sensoriais e peças de artesanato que valorizam a cultura amazônica. Os visitantes também percorrem espaços inspirados no sistema agroflorestal, destaque da produção sustentável no Pará.

    Entre as atrações, o chef e chocolatier Léo Vilela comandará a criação de uma escultura feita integralmente de chocolate, produzida ao vivo. O evento também oferece Cozinhas Show e atividades para o público infantil, além de demonstrações do processo de fabricação do chocolate.

    Fórum e tendências do mercado de cacau

    Além das atividades culturais e gastronômicas, o festival promove debates técnicos sobre a cadeia produtiva. Na sexta-feira (12), o Fórum do Cacau reúne especialistas e produtores em palestras voltadas ao setor. No sábado (13), o Chocoday apresenta painéis sobre tendências globais do mercado de chocolate.

    Foto: Rose Barbosa/Divulgação

    A programação inclui ainda o II Concurso de Melhor Chocolate Artesanal e Produtos Derivados de Cacau e Chocolate, que reconhece a qualidade e a inovação da produção amazônica.

    Serviço

    • Evento: Festival Internacional do Chocolate e do Cacau
    • Data: 11 a 14 de junho
    • Local: Centro de Eventos Vilmar Soares, Altamira (PA)
    • Abertura: 11 de junho, às 19h
    • Visitação: 12 a 14 de junho, das 14h às 22h