Tag: China

  • Problema: Brasil recebe notificações da China sobre soja

    Problema: Brasil recebe notificações da China sobre soja

    O governo brasileiro foi notificado pela Administração-Geral de Aduanas da China (GACC) sobre a detecção de não conformidades em carregamentos de soja exportados por cinco empresas brasileiras. As notificações indicam que irregularidades foram encontradas em unidades específicas de cada uma das empresas mencionadas. É importante ressaltar que outras unidades dessas mesmas empresas continuam a exportar normalmente para a China, com as suspensões aplicadas apenas às cinco unidades notificadas.

    Apesar das notificações, essas suspensões temporárias provavelmente não afetam os volumes totais de soja que o Brasil negocia. A GACC identificou a presença de soja com revestimentos de pesticidas e pragas quarentenárias nos carregamentos inspecionados, levando à necessidade de ação imediata.

    Comunicação entre Brasil e China

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que o intercâmbio de informações sobre os resultados dos monitoramentos de produtos importados entre Brasil e China é parte das rotinas de fiscalização. O ministério destaca a existência de canais sólidos de comunicação, transparência e confiança entre os dois países.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Macaúba – alternativa sustentável para a produção de biodiesel
    + Agro em Campo: Agronegócio: blockchain pode transformar produção

    Para facilitar uma investigação rápida e eficaz, as unidades notificadas foram suspensas temporariamente. As ações para avaliação dos casos já estão em andamento. A GACC comunicou previamente essa suspensão ao governo brasileiro, demonstrando confiança no sistema de inspeção do Brasil e na robustez do trabalho realizado pelos exportadores.

    O Mapa espera receber rapidamente os planos de ação das empresas envolvidass. Elas devem demonstrar os procedimentos adotados para evitar novas ocorrências das não conformidades detectadas. Além disso, o ministério intensificará as ações de fiscalização nos embarques de soja do Brasil para a China.

    Com essas medidas, o Mapa transmitirá todas as informações relevantes para as autoridades chinesas e solicitará a revogação imediata da suspensão temporária das cinco unidades notificadas.

    O Mapa também enfatiza que situações como essas são comuns na rotina das exportações. E que ações corretivas são essenciais para fortalecer as relações de confiança entre os países. A expectativa é que, com a implementação das medidas corretivas e a transparência nas comunicações, as exportações brasileiras possam continuar a atender aos padrões exigidos pelo mercado internacional.

  • Efeito Trump: China amplia compras de soja brasileira

    Efeito Trump: China amplia compras de soja brasileira

    A China, maior importador mundial de soja, está intensificando as compras do grão brasileiro. A estratégia reflete o temor de tarifas sobre produtos agrícolas dos Estados Unidos após a posse de Donald Trump, hoje, 20 de janeiro.

    Processadores chineses estão adquirindo quase todas as cargas brasileiras para o primeiro trimestre. O movimento ocorre devido aos preços competitivos da soja brasileira e à possibilidade de tensões comerciais entre Washington e Pequim, segundo fontes do mercado.

    No início de 2024, o Brasil forneceu 54% da soja importada pela China no primeiro trimestre, enquanto os EUA responderam por 38%. Atualmente, o Brasil já domina 74% das compras chinesas, deixando os EUA com apenas 18%, conforme dados da alfândega chinesa.

    “Empresas estatais e privadas da China estão priorizando grãos brasileiros para fevereiro e março”, afirmou um trader de Cingapura. “Essa mudança favorece totalmente o Brasil.”

    Preços competitivos e safra recorde atraem importadores da China

    Os preços da soja brasileira, impulsionados por um clima favorável e pela desvalorização do real, atraem compradores. Em fevereiro, o grão brasileiro é cotado a US$ 420 por tonelada, incluindo frete, enquanto o produto norte-americano custa cerca de US$ 451 por tonelada.

    As expectativas de uma safra recorde no Brasil e os custos reduzidos de produção consolidam o país como principal fornecedor da China. A ampla oferta doméstica chinesa, no entanto, pode limitar as importações no primeiro trimestre para cerca de 17,3 milhões de toneladas, abaixo das 18,58 milhões do mesmo período de 2024.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Picanha sem imposto, entenda o impacto da reforma tributária na carne
    + Agro em Campo: Mercado de trabalho atinge patamar histórico no agronegócio

    Impacto nos estoques e exportações dos EUA

    Os estoques dos EUA podem alcançar 10,34 milhões de toneladas até agosto de 2025, o maior volume em cinco anos. Isso ocorre porque a China reduziu sua dependência do grão norte-americano, impactando os exportadores em plena alta temporada.

    Mesmo assim, a estatal chinesa Sinograin continua comprando soja dos EUA. O grão norte-americano é valorizado pelo maior teor de óleo, ideal para estocagem estratégica.

    Com a intensificação das tensões comerciais, o Brasil consolida sua posição de liderança no mercado global de soja, enquanto os EUA enfrentam desafios crescentes para competir no maior mercado mundial.

     

  • Volta de Trump intensifica desafios e oportunidades no agronegócio brasileiro

    Volta de Trump intensifica desafios e oportunidades no agronegócio brasileiro

    A volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos hoje deve intensificar a competição entre Brasil e EUA no agronegócio. Ou seja, especialistas apontam que as políticas comerciais protecionistas de Trump podem beneficiar exportações brasileiras para mercados como a China, mas também dificultar negociações para ampliações de mercado.

    Trump anunciou que pretende implementar medidas protecionistas, o que pode gerar impactos no comércio global. Representantes do setor privado e do governo brasileiro avaliam que essas políticas podem criar oportunidades para o Brasil em mercados alternativos, mas complicar o comércio direto com os Estados Unidos.

    Impacto da guerra comercial com a China

    Uma possível retomada da guerra comercial entre EUA e China é uma das principais preocupações. Ou seja, Trump planeja impor tarifas mais altas a produtos importados, o que pode reacender tensões entre as duas maiores economias do mundo. Nesse cenário, o Brasil pode se beneficiar do redirecionamento da demanda chinesa por produtos como soja e milho, ainda que em menor intensidade do que durante o primeiro mandato de Trump.

    Na primeira fase do conflito comercial sino-americano, o Brasil ampliou significativamente suas exportações de soja para a China. Apesar disso, analistas alertam que o impacto dessa vez pode ser mais limitado.

    Comércio Brasil-EUA em números

    Os Estados Unidos foram o segundo maior destino das exportações agropecuárias brasileiras em 2024, somando US$ 12,092 bilhões e representando 7,4% do total exportado pelo setor. Os principais produtos embarcados incluíram café verde, celulose, carne bovina in natura, suco de laranja e couro. Por outro lado, o Brasil importou US$ 1,028 bilhão em produtos agropecuários dos Estados Unidos no mesmo período.

    Estratégia brasileira para manter relações comerciais

    Segundo Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, o Brasil pretende manter relações comerciais estáveis com os Estados Unidos. Além disso, ele destacou a importância da cooperação bilateral, especialmente em áreas de inovação agropecuária.

    “Os Estados Unidos são um parceiro estratégico para o Brasil, tanto em investimentos quanto em colaborações tecnológicas. Nossa ideia é exportar produtos complementares e fortalecer os laços comerciais”, afirmou Rua.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Georgia suspende atividades avícolas após foco de gripe aviária
    + Agro em Campo: Técnica pode reduzir fertilizantes com ajuda de fungos benéficos

    Novas oportunidades para exportações brasileiras

    O Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (Mapa) celebrou a decisão dos Estados Unidos de autorizar a importação de produtos como feno (alfafa e Timothy hay), erva-mate e flor seca de cravo-da-índia sem necessidade de certificação fitossanitária. Segundo o Mapa, essa medida reforça a credibilidade internacional do sistema de controle sanitário brasileiro.

    A abertura desse mercado pode impulsionar exportações e gerar novas oportunidades para o agronegócio brasileiro. Em 2025, o Brasil já alcançou sete novas aberturas de mercado, totalizando 307 oportunidades em 63 países desde 2023.

    Desafios da gestão Trump

    A expectativa é que a gestão de Trump traga desafios e oportunidades ao agronegócio brasileiro. O setor precisa se preparar para um cenário de maior competição e buscar novas estratégias para fortalecer sua presença internacional.

  • Brasil tem recorde nas exportações de carne bovina

    Brasil tem recorde nas exportações de carne bovina

    O Brasil alcançou um marco significativo em suas exportações de carne bovina em 2024, totalizando 2,89 milhões de toneladas enviadas ao exterior. Este volume representa um crescimento de mais de 26% em relação ao ano anterior, resultando em uma receita de US$ 12,8 bilhões, um aumento de 22% em comparação a 2023. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e foram compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

    Com recordes mensais consecutivos, o ano de 2024 se consagra como o maior para as exportações de carne bovina no Brasil. Esse desempenho coloca o setor como um dos principais responsáveis pelo superávit da balança comercial brasileira, que atingiu US$ 74,6 bilhões no mesmo período. A iniciativa Brazilian Beef, desenvolvida pela ApexBrasil e pela Abiec, impulsiona a promoção da carne bovina nacional no mercado internacional.

    Crescimento sustentável

    A China manteve sua posição como o principal destino da carne bovina brasileira, com 1,33 milhão de toneladas importadas, gerando um faturamento de US$ 6 bilhões. Outros mercados importantes incluem os Estados Unidos, que importaram 229 mil toneladas (US$ 1,35 bilhão), os Emirados Árabes Unidos (132 mil toneladas e US$ 604 milhões), a União Europeia (82,3 mil toneladas e US$ 602 milhões), o Chile (110 mil toneladas e US$ 533 milhões) e Hong Kong (116 mil toneladas e US$ 388 milhões).

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Estudo mostra que café na região das Matas de Rondônia é sustentável
    + Agro em Campo: Ginkgo biloba – a árvore medicinal que resistiu ao ataque nuclear

    Entre os 15 maiores destinos da carne bovina brasileira, todos apresentaram crescimento em relação a 2023. Os aumentos mais significativos foram observados na Argélia, México, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Estados Unidos, Rússia e Israel. Ao todo, as exportações do setor alcançaram 157 países ao longo do ano. Quando consideradas apenas as exportações de carne in natura—que representam mais de 90% do valor total—o Brasil enviou produtos para 132 mercados, um aumento significativo nos últimos dez anos.

    Expectativas para o Futuro

    Roberto Perosa, presidente da Abiec, comemorou os resultados e destacou que 2024 foi um ano histórico para a indústria da carne bovina no Brasil. Ele acredita que há potencial para novos recordes em exportações e faturamento em 2025. Perosa também mencionou a abertura de novos mercados como Japão, Vietnã, Turquia e Coreia do Sul como oportunidades futuras.

    O recorde nas exportações de carne bovina em 2024 reafirma a posição do Brasil como líder global no setor. Com uma combinação de esforços do setor privado e apoio governamental o país está preparado para continuar expandindo sua presença nos mercados internacionais. E desta forma, continuar fortalecendo sua economia agrícola.

  • Indonésia será membro pleno do Brics em 2025

    Indonésia será membro pleno do Brics em 2025

    O governo brasileiro anunciou nesta segunda-feira (6) a entrada da Indonésia como membro pleno do Brics em 2025. O país asiático, com mais de 284 milhões de habitantes, é a quarta nação mais populosa do mundo e ocupa a 10ª posição na economia global em paridade de poder de compra, segundo o Banco Mundial.

    O Ministério das Relações Exteriores (MRE) destacou que a Indonésia, maior economia do Sudeste Asiático, compartilha com o bloco a defesa da reforma das instituições de governança global. Além disso, o país contribui para fortalecer a cooperação entre nações do Sul Global, uma prioridade durante a presidência brasileira do Brics.

    Brics deve crescer

    Em 2025, nove novos países devem ingressar formalmente no grupo, incluindo Cuba, Bolívia, Malásia e Tailândia, seja como membros plenos ou parceiros. O Brasil assumiu a presidência rotativa do bloco em 1º de janeiro, com mandato até 31 de dezembro deste ano.

    A cúpula de Joanesburgo, na África do Sul, em agosto de 2023 aprovou a candidatura da Indonésia. No entanto, o país oficializou seu interesse apenas após as eleições presidenciais de 2024.

    “Os países do Brics aprovaram por consenso a entrada da Indonésia, respeitando os princípios, critérios e procedimentos definidos para expansão do bloco”, informou o Itamaraty.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Preço do café atinge nível recorde no mundo
    + Agro em Campo: Avicultura no Brasil pode crescer em 2025, mas enfrentará desafios

    No total, 13 países foram convidados a integrar o Brics. Entre eles, Nigéria, Turquia, Argélia e Vietnã ainda aguardam confirmação.

    Em 2024, o bloco já havia ampliado sua composição com cinco novos membros: Irã, Emirados Árabes Unidos, Egito, Etiópia e Arábia Saudita. Apesar de não ter formalizado sua adesão, a Arábia Saudita segue participando ativamente das reuniões do Brics.

    Em resumo, a expansão reflete a crescente importância do bloco na economia global e seu papel estratégico na geopolítica internacional.

  • Avicultura no Brasil pode crescer em 2025, mas enfrentará desafios

    Avicultura no Brasil pode crescer em 2025, mas enfrentará desafios

    O setor de avicultura brasileiro projeta um crescimento para 2025, embora os aumentos na oferta de frangos para abate e na demanda por carne sejam esperados para serem inferiores aos registrados em 2024. As projeções econômicas indicam que o poder de compra do consumidor estará mais restrito, impactando diretamente o mercado interno.

    Desafios econômicos e de produção

    A expectativa é que a taxa de crescimento das exportações também diminua, mesmo com a possível abertura de novos mercados. A influência do câmbio sobre os custos de produção pode ser ainda mais significativa, especialmente após a alta do dólar no final de 2024. Com um orçamento mais apertado, muitos consumidores podem optar por carnes mais baratas, afetando a demanda por carne de frango.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Viabilidade econômica de biofábricas de bacillus thuringiensis (bt)
    + Agro em Campo: Área cultivada com azevém no Brasil tem crescido

    No cenário internacional, o Brasil continuará a ser um fornecedor importante para a China, que é um dos principais importadores da carne brasileira. Outros mercados relevantes incluem os Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e Chile. As compras dos Estados Unidos devem permanecer elevadas, uma vez que o país ainda está em processo de recuperação do seu rebanho.

    Projeções de produção

    Em 2025, a produção de carne de frango no Brasil deve atingir cerca de 15 milhões a 15,35 milhões de toneladas. Este aumento representa um crescimento modesto em relação ao volume produzido em 2024, que foi estimado em aproximadamente 15 milhões de toneladas. O foco nas exportações continua forte, refletindo a demanda internacional crescente por proteína animal.

    Para atender à crescente demanda global, será crucial não apenas aumentar a produção, mas também melhorar a saúde animal e a produtividade. Especialistas destacam que é necessário garantir que a carne esteja livre de resíduos de antibióticos e patógenos, além de assegurar o bem-estar dos animais desde o nascimento até o abate.

    O setor de avicultura brasileiro se prepara para um ano desafiador em 2025, com expectativas de crescimento moderado. A combinação entre desafios econômicos internos e as oportunidades no mercado externo exigirá estratégias eficazes para garantir que o Brasil continue sendo um líder na produção e exportação de carne de frango. A atenção à saúde animal e à qualidade da produção será fundamental para sustentar esse crescimento no futuro.

  • Saiba as últimas notícias sobre investigação da China

    Saiba as últimas notícias sobre investigação da China

    A China anunciou a abertura de uma investigação sobre as importações de carne bovina, abrangendo o período de 1º de janeiro de 2019 até o primeiro semestre de 2024. A apuração, solicitada por produtores locais que alegam que o aumento das importações prejudicou a indústria doméstica, deve durar cerca de oito meses. O governo brasileiro, ciente da situação, está mobilizando uma força-tarefa para apresentar uma manifestação formal ao Ministério do Comércio da China.

    A investigação foi formalmente anunciada no dia 27 de dezembro e inclui todos os países exportadores de carne bovina para a China, com destaque para o Brasil, que é o principal fornecedor. Em 2024, as exportações brasileiras para o país asiático superaram 1 milhão de toneladas, representando um aumento de 12,7% em relação ao ano anterior. Atualmente, a China responde por aproximadamente 40% das exportações brasileiras de carne bovina.

    O Ministério da Agricultura do Brasil afirmou que não há medidas preliminares sendo adotadas neste momento e que a tarifa vigente de 12% sobre as importações permanece inalterada. O governo brasileiro se comprometeu a demonstrar que a carne bovina brasileira não causa prejuízos à indústria chinesa e é um importante complemento à produção local.

    Implicações potenciais

    Caso a investigação resulte em restrições às importações brasileiras, as consequências podem ser severas para o setor agropecuário do Brasil. A imposição de tarifas mais altas ou cotas limitando as quantidades exportadas poderia impactar diretamente a receita dos produtores brasileiros. Em 2023, as exportações totais de carne bovina do Brasil atingiram patamares recordes, com receitas superando US$ 12 bilhões.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Área cultivada com azevém no Brasil tem crescido
    + Agro em Campo: Produção de cereja no Brasil tem ganhado destaque

    O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), Roberto Perosa, expressou preocupação com a possibilidade de medidas protecionistas por parte da China. “Qualquer restrição pode afetar não apenas os frigoríficos brasileiros, mas também a economia local e os empregos gerados pelo setor”, alertou.

    Reação do setor

    Os produtores brasileiros estão atentos ao desenrolar da investigação e buscam formas de mitigar os impactos potenciais. A ABIEC e outros órgãos do governo estão trabalhando em conjunto para apresentar dados que comprovem a segurança e a qualidade da carne brasileira, além de sua importância no abastecimento do mercado chinês.

    Historicamente, investigações similares em outros setores resultaram em tarifas antidumping e restrições comerciais. Em 2020, por exemplo, a China impôs tarifas sobre a cevada australiana após investigações semelhantes.

    A investigação da China sobre as importações de carne bovina representa um desafio significativo para o Brasil. Com o país asiático sendo o maior comprador da carne brasileira, qualquer medida restritiva pode ter repercussões profundas na economia do agronegócio nacional. O governo brasileiro e os setores envolvidos estão se mobilizando para garantir que as relações comerciais permaneçam sólidas e benéficas para ambas as partes enquanto aguardam os resultados dessa investigação crucial.

  • Investigação da China sobre carne pode impactar seu bolso

    Investigação da China sobre carne pode impactar seu bolso

    A suspensão temporária de importações e a investigação da China sobre irregularidades em lotes de carne bovina podem desencadear reflexos significativos no mercado brasileiro, com potencial de afetar tanto o bolso do consumidor quanto a rentabilidade dos produtores rurais.

    A China, maior importadora de carne bovina do Brasil, iniciou uma investigação sobre supostas irregularidades em lotes exportados. A medida ocorre após relatos de falhas na documentação e discrepâncias nas inspeções sanitárias. Esse cenário, aliado à suspensão temporária de novos embarques, pode gerar um excedente de oferta no mercado interno, pressionando para baixo os preços da carne no Brasil, mas também acentuando desafios para o setor produtivo.

    Queda no preço interno e alívio temporário para o consumidor

    Com o bloqueio parcial das exportações para o principal destino da carne brasileira – responsável por 60% das vendas externas do produto –, o excedente de carne que antes seria enviado à China tende a ser redirecionado ao mercado interno. Isso pode reduzir os preços nos supermercados, beneficiando o consumidor brasileiro a curto prazo.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Área cultivada com azevém no Brasil tem crescido
    + Agro em Campo: Empresário do agronegócio morre atropelado por escolta em treino de ciclismo

    “Quando há uma queda na demanda externa, o mercado interno absorve o excedente, o que costuma provocar uma redução nos preços. No entanto, é uma queda que, em geral, não se sustenta no longo prazo, pois depende de como o setor se ajustará às novas condições”. Isso é o que explica o economista agrícola João Ribeiro.

    Prejuízos para produtores e impacto na cadeia produtiva

    Por outro lado, o bloqueio pode gerar prejuízos significativos para os pecuaristas, que enfrentam aumento nos custos de produção, como insumos e transporte, enquanto lidam com margens de lucro reduzidas. Muitos produtores podem ser forçados a renegociar contratos ou buscar novos mercados internacionais para minimizar perdas.

    Além disso, a falta de previsibilidade nas negociações com a China eleva a incerteza no setor. “A dependência do mercado chinês torna o Brasil vulnerável a ações como essa. Os produtores ficam expostos à volatilidade, o que afeta investimentos e o planejamento de médio e longo prazo”, alerta Ribeiro.

    A suspensão das exportações também pode pressionar o governo brasileiro a intensificar as negociações diplomáticas com a China. A relação entre os dois países é crucial, dado que a carne bovina representa uma fatia significativa da balança comercial brasileira.

    O Ministério da Agricultura já anunciou que está em contato com autoridades chinesas para esclarecer os pontos da investigação e retomar os embarques o mais rápido possível. No entanto, o processo pode levar semanas ou até meses, gerando impactos acumulados no setor.

    Possíveis desdobramentos no preço da carne

    A longo prazo, a retração das exportações pode levar a uma reorganização no mercado interno, impactando o preço da carne de forma menos previsível. Caso a suspensão persista, a queda no preço interno pode ser acompanhada por uma redução na produção. Isso resultaria em novos reajustes de preços para os consumidores.

    Além disso, a menor entrada de divisas do mercado internacional pode refletir em um enfraquecimento de investimentos no setor agropecuário, comprometendo o ritmo de crescimento da cadeia produtiva.

    Especialistas destacam a importância de diversificar os destinos das exportações brasileiras, reduzindo a dependência do mercado chinês. Países como Estados Unidos, Egito e mercados europeus podem ser alternativas viáveis, mas exigem adaptações sanitárias e logísticas que demandam tempo e investimentos.

    “Essa situação ressalta a necessidade de o Brasil fortalecer sua posição em outros mercados e aprimorar os controles internos para evitar falhas que comprometam a credibilidade do produto nacional”, avalia a analista de comércio exterior Paula Machado.

  • China abre investigação sobre importação de carne bovina

    China abre investigação sobre importação de carne bovina

    O governo chinês anunciou, nesta sexta-feira (27), o início de uma investigação sobre as importações de carne bovina, justificando a medida pelo excesso de oferta no mercado interno, que tem pressionado os preços da proteína. Segundo o Ministério do Comércio da China, a análise abrangerá as importações realizadas entre 1º de janeiro de 2019 e 30 de junho de 2024 e terá duração prevista de oito meses.

    A Associação Chinesa de Agricultura Animal (CAAA) solicitou a investigação, alegando que o aumento significativo nas importações de carne bovina — que cresceram 64,93% entre 2019 e 2023 e mais do que dobraram (106,28%) no primeiro semestre de 2024 em relação ao mesmo período de 2019 — tem causado danos à indústria local. A participação das importações na produção total da China subiu para 43,87%, comparado a 24,87% em 2019, evidenciando a crescente dependência do país em relação à carne bovina importada.

    Impacto nas exportações brasileiras

    A carne bovina brasileira é um dos principais produtos exportados para a China, com mais de 1 milhão de toneladas enviadas em 2024, representando um aumento de 12,7% em relação ao ano anterior. O governo brasileiro, em conjunto com o setor exportador, planeja demonstrar que as exportações brasileiras não prejudicam a indústria chinesa e são essenciais para complementar a produção local.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Lei que regulamenta produção de bioinsumos no Brasil é sancionada
    + Agro em Campo: Podridão da soja afeta lavouras no Médio Norte de MT

    A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) destacou a importância da carne bovina brasileira para o mercado chinês e reafirmou seu compromisso em cooperar com as autoridades durante o processo investigativo. “Estamos dispostos a fornecer quaisquer esclarecimentos e participar ativamente do processo”, afirmou a entidade.

    A investigação ocorre em um momento em que os preços da carne na China caíram para os níveis mais baixos em cinco anos. Isso ocorre devido à desaceleração econômica e à diminuição do consumo. A maioria das fazendas de gado está enfrentando prejuízos. E os preços médios da carne bovina no atacado caíram cerca de 22% nos últimos dois anos.

    Governo Brasileiro reage

    O governo brasileiro afirmou em nota que tomou conhecimento da comunicação do Ministério do Comércio da China. Em resposta à investigação, em colaboração com o setor exportador, se comprometeu a demonstrar que a carne bovina brasileira não causa prejuízos à indústria chinesa. “Reafirmamos nosso compromisso em defender os interesses do agronegócio brasileiro, respeitando as decisões soberanas do nosso principal parceiro comercial”, afirmou um representante do governo.

    Leia a nota oficial aqui.

    Contexto econômico

    Além das questões relacionadas às importações, a economia chinesa enfrenta desafios com a desaceleração do crescimento e uma demanda interna reduzida. Os preços da carne bovina na China caíram para os níveis mais baixos em cinco anos, refletindo um mercado saturado e uma diminuição no consumo. O governo chinês já havia solicitado aos pecuaristas que limitassem e otimizassem seus rebanhos para conter a queda nos preços.

    A investigação sobre as importações de carne bovina pela China destaca as complexas relações comerciais entre os dois países. E também os desafios enfrentados pelo setor agrícola brasileiro. Com um histórico de parcerias sólidas, a expectativa é que ambas as partes busquem soluções que beneficiem suas economias. Garantindo assim a continuidade do comércio bilateral.

    Enquanto o Brasil busca defender seus interesses no mercado internacional, a China enfrenta desafios internos que podem influenciar suas políticas comerciais. O desenrolar dessa situação será monitorado atentamente por analistas e produtores do setor.

  • Exportações do agro mineiro superam mineração pela primeira vez

    Exportações do agro mineiro superam mineração pela primeira vez

    As exportações do agronegócio mineiro ultrapassaram, pela primeira vez, o setor de mineração no ranking estadual. Em geral, de janeiro a novembro de 2024, as vendas externas do agro somaram US$ 15,7 bilhões, superando em 3% o desempenho da mineração, que fechou o período com US$ 14,5 bilhões.

    O agro representou 40,7% do total exportado por Minas Gerais até novembro. Portanto, em comparação com o mesmo período de 2023, o setor cresceu 19% em receita e 9% no volume exportado, atingindo 16 milhões de toneladas. Já a mineração respondeu por 37,7% das exportações, com 14,5 milhões de toneladas enviadas.

    Ou seja, o valor registrado até novembro já supera o recorde anual de 2022, quando a receita foi de US$ 15,3 bilhões. A média mensal de US$ 1,4 bilhão impulsionou esses resultados históricos. Além disso, a alta do câmbio nominal nos últimos meses favoreceu o desempenho do setor.

    Investimento em inovação impulsiona resultados

    Para Thales Fernandes, secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, o resultado reflete investimentos em capacitação, produção sustentável e inovação. “Esses números consolidam Minas como uma potência na produção de alimentos. Em 2025, a valorização dos nossos produtos no exterior deve ampliar ainda mais essa vantagem”, afirmou.

    Novos produtos ganham destaque

    Café, açúcar e carne bovina seguem liderando as exportações. Contudo, novos produtos ganharam espaço, como sementes para semeadura, sêmen bovino, queijos, iogurtes, leite condensado e batatas preparadas.

    Água de coco, tapioca, cogumelos, inhame, azeitonas e grão de bico também ampliaram o portfólio exportador do estado, atendendo demandas internacionais.

    A China lidera as importações do agro mineiro, com US$ 3,9 bilhões, seguida por Estados Unidos (US$ 1,7 bilhão), Alemanha (US$ 1,3 bilhão), Bélgica (US$ 727 milhões) e Itália (US$ 669 milhões). Ao todo, 169 países compram produtos do agro mineiro.

    Café mantém liderança histórica

    O café segue como principal produto exportado, somando US$ 7,1 bilhões em receita, um aumento de 44,6% em relação ao ano anterior. Em volume, foram embarcadas 28,4 milhões de sacas, crescimento de 25%.

    Os principais compradores — Estados Unidos, Alemanha, Bélgica, Itália e Japão — aumentaram significativamente suas aquisições.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Pesquisadores alemães avaliam impacto da vassoura-de-bruxa da mandioca no Amapá
    + Agro em Campo: Agro brasileiro bate recorde com 300 mercados abertos

    Carne bovina impulsiona setor de proteínas

    As exportações de carnes totalizaram US$ 1,4 bilhão e 414 mil toneladas. A carne bovina liderou, com US$ 1 bilhão e 240 mil toneladas exportadas, registrando aumentos de 20,4% no valor e 26,5% no volume.

    A carne suína também teve destaque, com o melhor resultado em oito anos: US$ 52,5 milhões e 26,5 mil toneladas exportadas.

    Já a carne de frango apresentou queda de 20% no valor e 18% no volume, totalizando US$ 269 milhões e 142 mil toneladas embarcadas.

    Desempenho do complexo soja e sucroalcooleiro

    As exportações do complexo soja somaram US$ 3,2 bilhões. Apesar de uma queda de 8,4% na receita, os embarques cresceram 9,5%. O farelo de soja teve alta de 9% na receita, atingindo US$ 230 milhões.

    O complexo sucroalcooleiro alcançou US$ 2,3 bilhões, com destaque para o açúcar, que representou US$ 2,2 bilhões. A Indonésia superou a China como principal destino, respondendo por 11% das vendas.

    Em resumo, o desempenho histórico do agro mineiro reflete diversificação, investimento e forte presença no mercado internacional, consolidando Minas Gerais como referência global no setor.