Tag: carnes

  • El Niño pode elevar preços dos alimentos em até 20%

    El Niño pode elevar preços dos alimentos em até 20%

    O El Niño pode encarecer os alimentos no Brasil e pressionar a inflação nos próximos meses. Segundo estudo do Rabobank, os preços podem atingir o pico até seis meses após choques climáticos. O banco desenvolveu um modelo matemático com base no histórico do fenômeno climático no Brasil.

    Hortaliças e carnes devem sofrer maior impacto

    Os alimentos in natura, como carnes e hortaliças, tendem a registrar as maiores altas. Em um El Niño forte, essa categoria pode acumular aumento de 19,9%. No mesmo cenário, os preços da alimentação no domicílio avançariam 6,32%. Já em um El Niño moderado, as altas chegariam a 13,4% e 2%, respectivamente.

    As hortaliças respondem mais rapidamente aos impactos climáticos devido aos ciclos curtos de produção. Assim, problemas climáticos podem reduzir a oferta e pressionar os preços em pouco tempo.

    Os alimentos semi-elaborados sentem os efeitos de maneira mais gradual, principalmente pelo aumento dos custos dos insumos. Essa categoria inclui produtos como arroz e feijão, que passam por algum processamento antes do consumo.

    Por outro lado, os industrializados tendem a registrar aumentos mais moderados. Nesse caso, o preço final também depende de processamento, embalagem, transporte e comercialização.

    El Niño pode pressionar a inflação

    A intensidade e a duração dos impactos dependem da força do fenômeno climático. Além disso, as condições da safra e o cenário econômico também influenciam os resultados. Em um El Niño moderado, os preços dos alimentos in natura poderiam subir 13,4% em 12 meses. Essa alta acrescentaria cerca de 0,36 ponto percentual ao IPCA.

    Os semi-elaborados e industrializados também subiriam, mas em menor intensidade. Os aumentos seriam de 0,27% e 0,5%, respectivamente. Somados, esses efeitos acrescentariam cerca de 0,41 ponto percentual ao IPCA.

    El Niño forte teria impacto maior

    Em um El Niño forte, os preços dos alimentos in natura poderiam subir quase 20%. Sozinha, essa alta acrescentaria cerca de 0,53 ponto percentual ao IPCA. Os alimentos semi-elaborados subiriam 3,6%, com impacto de 0,20 ponto percentual.

    Já os industrializados avançariam 1,4%, acrescentando outros 0,11 ponto percentual. No total, os alimentos acrescentariam cerca de 0,83 ponto percentual ao IPCA. O impacto mais forte apareceria aproximadamente seis meses após o choque climático.

    El Niño pode atingir regiões metropolitanas

    O estudo também avaliou os possíveis efeitos do fenômeno nas principais regiões metropolitanas. Localidades com maior consumo ou produção de alimentos in natura devem sentir os impactos mais rapidamente. Nessas regiões, os preços também podem subir com maior intensidade. Em outras localidades, o repasse pode ocorrer de forma mais gradual e durar mais tempo.

    No curto prazo, os maiores aumentos podem ocorrer em Porto Alegre, Curitiba e São Paulo. Também estão entre as regiões mais afetadas Rio de Janeiro, Goiânia, Brasília, Fortaleza e Belém. Salvador e Recife, por outro lado, teriam impactos menores inicialmente. Segundo o relatório, essas regiões podem registrar um repasse mais gradual dos choques climáticos aos preços.

    Previsão aponta El Niño forte no fim do ano

    O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico registram aquecimento acima do normal. O fenômeno altera os padrões climáticos em diferentes regiões do mundo. Como resultado, pode provocar secas em áreas produtoras e chuvas mais intensas em outras localidades.

    O estudo comparou o Índice Oceânico Niño (ONI) com a inflação dos alimentos consumidos em casa. O ONI acompanha a intensidade do fenômeno climático a partir da temperatura do Oceano Pacífico. Valores acima de 0,5°C na média de três meses indicam El Niño moderado.

    Já temperaturas superiores a 1°C caracterizam episódios fortes. Segundo a última divulgação da NOAA, em agosto, havia 26% de probabilidade de El Niño moderado. A entidade também apontava 57% de chance de um evento forte. Além disso, havia 16% de probabilidade de um episódio muito forte. Para o fim do ano, as projeções indicavam cerca de **80% de probabilidade de El Niño forte.

  • Preços da carne bovina e suína caem; frango sobe

    Preços da carne bovina e suína caem; frango sobe

    O mercado atacadista da Grande São Paulo registra queda nos preços das carnes bovina e suína nesta parcial de julho. Em contrapartida, o frango resfriado acumula alta no mesmo período. O levantamento do Cepea considera as negociações realizadas entre 30 de junho e 14 de julho.

    O consumo doméstico moderado explica a retração das cotações das carnes bovina e suína. Além disso, o atacado costuma repor estoques com mais cautela na primeira quinzena de julho.

    No mercado bovino, a queda do preço da arroba reduz o ritmo das negociações. Ao mesmo tempo, a dificuldade para repassar os preços ao varejo também limita os negócios. Por outro lado, a oferta mais restrita de animais terminados e o bom desempenho das exportações impedem desvalorizações mais acentuadas da carne bovina.

    Carnes suína e de frango

    Na carne suína, as exportações seguem aquecidas. Entretanto, a demanda doméstica enfraquecida continua pressionando as cotações no mercado interno.

    Já o frango apresenta desempenho mais favorável. Conforme o Cepea, a proteína mantém preço mais competitivo que as demais carnes.

    Com isso, muitos consumidores substituem a carne bovina e a suína pelo frango. Como resultado, a demanda permanece firme e sustenta os preços.

    O que vem pela frente?

    Para a segunda quinzena de julho, o Cepea avalia que o mercado da carne bovina dependerá da demanda doméstica e da oferta de animais para abate. Se o consumo não reagir de forma consistente, a pressão sobre os preços das carnes bovina e suína deve continuar no atacado. Enquanto isso, o frango poderá manter a valorização caso a procura permaneça aquecida.

  • JBS lidera mercado de hambúrgueres no Brasil

    JBS lidera mercado de hambúrgueres no Brasil

    A JBS atingiu 45,6% de participação no mercado brasileiro de hambúrgueres, somando as marcas Friboi e Seara, segundo dados da Nielsen.

    O hambúrguer está presente em cerca de 70% dos lares brasileiros e cresce em média 5% em volume e 7% em valor ao ano, segundo dados de mercado. A expansão é impulsionada pela busca por praticidade e consumo dentro de casa.

    Seara e Friboi impulsionam inovação

    A Seara vem ampliando seu portfólio com produtos de maior valor agregado, incluindo a linha Blend Burger Seara Gourmet, com versões de cortes Angus e combinações especiais.

    A marca também lançou hambúrguer para Air Fryer e mini-hambúrguer voltado ao churrasco, ampliando o consumo em novas ocasiões.

    Já a Friboi fortaleceu sua atuação com a linha Maturatta, voltada ao churrasco, com hambúrgueres de cortes como picanha, costela e fraldinha, ampliando a presença no segmento premium.

    Varejo e experiência de compra

    Além da inovação em produtos, o grupo investe em execução no ponto de venda, com espaços dedicados como o “Espaço Burger”, criado para aumentar visibilidade e facilitar a jornada de compra do consumidor.

    As ações incluem organização de sortimento, exposição estratégica e estímulo à compra por impulso, reforçando a presença das marcas no varejo alimentar.

  • Alimentos pressionam inflação e preocupam agronegócio

    Alimentos pressionam inflação e preocupam agronegócio

    Os alimentos voltaram a liderar a inflação brasileira em maio. O grupo Alimentação e Bebidas registrou alta de 1,33%, segundo o IPCA divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (12). O resultado ficou praticamente estável em relação a abril. O índice recuou apenas 0,01 ponto percentual no período.

    A alimentação no domicílio avançou 1,65%. Os maiores aumentos ocorreram na batata-inglesa, que subiu 44,69%, no tomate, com alta de 20,62%, e na cebola, que avançou 16,80%. As carnes também ficaram mais caras e registraram elevação de 1,39%. Esses produtos repetiram o movimento observado em abril e acumulam altas desde janeiro.

    Por outro lado, alguns itens apresentaram queda de preços. O café moído recuou 2,38%, enquanto as frutas registraram baixa de 0,70%.

    A alimentação fora do domicílio também ficou mais cara. O segmento avançou 0,49% em maio. Os preços dos lanches subiram 0,49%, após alta de 0,71% em abril. Já as refeições passaram de 0,54% para 0,51% no mesmo período.

    No acumulado do mês, a inflação oficial do país ficou em 0,58%. O resultado desacelerou frente aos 0,67% registrados em abril. Apesar do alívio no índice geral, os alimentos continuaram como principal fator de pressão sobre o orçamento das famílias. O grupo Alimentação e Bebidas respondeu pela maior contribuição ao resultado do IPCA.

    Itens básicos e produtos in natura exerceram forte influência sobre a inflação. Fatores climáticos, custos de produção e oscilações na oferta explicam parte desse movimento.

    Para o agronegócio, os números reforçam a influência das safras e do abastecimento sobre o custo de vida dos brasileiros.

    Safra de cana reduz preços do etanol

    O avanço da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil favoreceu a queda do etanol em maio. O biocombustível registrou recuo de 6,20%. Em abril, o produto havia apresentado alta de 0,62%.

    Mesmo com a demanda aquecida, a maior oferta ajudou a reduzir os preços. O etanol também contribuiu para aliviar a inflação do grupo Transportes. Com o aumento da moagem, as usinas ampliaram a disponibilidade de matéria-prima. Como resultado, a oferta de etanol cresceu no mercado.

    O cenário reforça a importância do agronegócio para o comportamento da inflação. Afinal, a produção agrícola influencia diretamente os preços dos combustíveis renováveis.

    Além do etanol, o óleo diesel caiu 2,34% em maio. O combustível tem papel estratégico no campo por abastecer máquinas agrícolas e transportar a produção. A redução dos combustíveis pode diminuir custos logísticos em toda a cadeia agropecuária. Dessa forma, o movimento pode ajudar a reduzir pressões sobre os preços dos alimentos nos próximos meses.

  • FAESP reage a restrições europeias contra produtos brasileiros

    FAESP reage a restrições europeias contra produtos brasileiros

    A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) criticou as novas restrições da União Europeia contra produtos brasileiros. A medida afeta carnes, mel e outros itens de origem animal exportados pelo país.

    A entidade classificou a decisão como discriminatória e sem embasamento técnico ou científico. Além disso, afirmou que a iniciativa cria obstáculos ao comércio internacional. Segundo a FAESP, a União Europeia alterou unilateralmente condições discutidas durante décadas com o Mercosul. Para a federação, as novas exigências comprometem a previsibilidade das relações comerciais.

    A entidade argumenta que o bloco europeu justificou a medida com base no uso de antibióticos na produção animal. No entanto, a FAESP afirma que outros grandes exportadores utilizam produtos semelhantes.

    De acordo com a federação, países como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia não sofreram restrições equivalentes. Por isso, a entidade vê tratamento desigual aos produtos brasileiros.

    Na avaliação da FAESP, a decisão revela uma postura protecionista. Segundo a entidade, o objetivo seria reduzir a competitividade da agropecuária brasileira no mercado internacional.

    A federação também destaca que o Brasil segue rigorosos protocolos sanitários. Além disso, afirma que a qualidade da produção nacional possui reconhecimento mundial.

    Segundo a entidade, o país desenvolveu um dos mais sólidos sistemas de controle sanitário do mundo. Esse modelo ajudou a consolidar o Brasil como referência na produção de proteína animal.

    A FAESP considera a medida uma agressão comercial e reputacional ao agronegócio brasileiro. Por isso, cobra uma atuação mais firme do governo federal nas negociações internacionais.

    Para a entidade, o Brasil precisa defender seus interesses comerciais com maior intensidade. Além disso, não deve aceitar medidas consideradas injustificadas.

    Ação com o Mercosul

    A federação também propõe uma ação conjunta dos países do Mercosul. Segundo a FAESP, Brasil, Argentina e Uruguai devem adotar uma posição unificada diante da decisão europeia.

    A entidade acredita que uma resposta coordenada fortalece o poder de negociação do bloco. Dessa forma, os países poderiam enfrentar as novas barreiras comerciais com mais eficiência.

    O presidente da FAESP, Tirso Meirelles, afirmou que os produtores rurais investem continuamente em qualidade, sanidade e sustentabilidade. Segundo ele, a diplomacia brasileira deve garantir tratamento justo ao setor. Meirelles também defendeu a preservação da competitividade conquistada pelo agronegócio nacional. Para ele, o setor precisa manter espaço nos mercados internacionais.

    Ao concluir a nota, a FAESP destacou o papel estratégico do Brasil na segurança alimentar global. A entidade afirmou ainda que o respeito às regras do comércio internacional é essencial para manter as relações comerciais entre países e blocos econômicos.

     

  • Estados Unidos propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação do USTR

    Estados Unidos propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação do USTR

    Os Estados Unidos propuseram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A medida ainda passa por consulta pública antes de uma decisão final, prevista para julho de 2026.

    O USTR estabeleceu um cronograma para o processo: interessados devem solicitar participação em audiência até 22 de junho. O envio de comentários escritos vai até 1º de julho, e a audiência pública ocorre em 6 de julho. O prazo legal para adoção das medidas termina em 15 de julho.

    Lista de exceções inclui alimentos, fertilizantes e aeronaves

    A proposta inclui uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos ou com oferta insuficiente no mercado americano. Entre os itens isentos estão materiais informativos e doações, além de produtos agrícolas e industriais.

    A lista menciona carnes, frutas, café, chá, especiarias, cereais, sementes e fertilizantes. Também aparecem aeronaves e peças, minerais de terras raras, produtos químicos orgânicos e itens farmacêuticos.

    USTR aponta práticas comerciais e ambientais como justificativa

    O relatório do USTR reúne críticas ao Brasil em diferentes frentes. O documento cita decisões judiciais relacionadas a plataformas digitais, com alegações de ordens sigilosas para remoção de conteúdo político e suspensão de perfis, além de multas e restrições a ativos.

    O órgão também questiona regras de pagamento eletrônico e aponta suposto favorecimento a empresas locais.

    Etanol, acordos comerciais e reciprocidade entram no radar

    Os Estados Unidos também criticam acordos preferenciais firmados pelo Brasil com países como México e Índia. Segundo o USTR, o Brasil aplica tarifas menores a centenas de produtos desses parceiros sem oferecer tratamento equivalente aos EUA.

    O relatório destaca ainda o setor de etanol. O órgão afirma que, desde 2017, o Brasil não mantém reciprocidade no acesso ao mercado.

    Outros pontos levantados incluem desmatamento ilegal, propriedade intelectual e combate à corrupção. O USTR avalia que o Brasil não aplica de forma eficaz sua legislação ambiental.

    O documento também critica a demora do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) na análise de patentes. E aponta falhas no enfrentamento a práticas de suborno e corrupção.

    A Amcham Brasil emitiu uma nota oficial agora pela manhã

    Nota

    O relatório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), publicado em 1º de junho no âmbito da investigação da Seção 301 envolvendo práticas comerciais do Brasil, recomenda, em caráter preliminar, a aplicação de tarifas adicionais de 25% sobre determinados produtos brasileiros. Caso confirmadas, essas medidas aumentarão custos, reduzirão a competitividade e criarão obstáculos ao comércio e aos investimentos bilaterais.

    Ao mesmo tempo, o relatório reconhece os avanços do diálogo entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, intensificado nas últimas semanas após o encontro entre os presidentes dos dois países em 7 de maio, e sinaliza interesse na continuidade das negociações até a decisão final prevista para 15 de julho. Trata-se de uma janela concreta para a busca de soluções que possam evitar ou revisar as medidas tarifárias propostas.

    “O relatório não é final e reforça que ainda há tempo para evitar a adoção de novas tarifas. O setor empresarial espera que os dois governos intensifiquem seus esforços nas próximas semanas e alcancem uma solução que enderece as questões em discussão, preservando as condições necessárias para a evolução do comércio e dos investimentos nos dois países”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

    A Amcham acompanha também a expectativa de divulgação, nos próximos dias, do relatório de outra investigação conduzida pelos Estados Unidos sob a Seção 301, relacionada a importações de produtos elaborados com trabalho forçado, que poderá resultar em tarifas adicionais para cerca de 60 países, incluindo o Brasil.

    Nesse contexto, torna-se ainda mais relevante buscar uma solução negociada na investigação 301 envolvendo o Brasil, de forma a evitar um tratamento tarifário mais oneroso para as exportações brasileiras no mercado norte-americano em relação a seus concorrentes de outros países.

    A Amcham Brasil permanece à disposição para contribuir com a continuidades das negociações e apoiar iniciativas que fortaleçam a parceria econômica entre Brasil e Estados Unidos.

  • Agronegócio paulista supera US$ 6,45 bilhões de superávit

    Agronegócio paulista supera US$ 6,45 bilhões de superávit

    O agronegócio paulista fechou os quatro primeiros meses de 2026 com superávit de US$ 6,45 bilhões no comércio exterior. O setor exportou US$ 8,47 bilhões e importou US$ 2,02 bilhões entre janeiro e abril, consolidando São Paulo como o segundo maior exportador do agro nacional, com 15,5% de participação. Atrás apenas de Mato Grosso (20,7%).

    O agronegócio também respondeu por 39% do total das exportações do estado no período, enquanto as importações do setor representaram 7,1% do total estadual.

    “O agro paulista segue mostrando sua força mesmo em um cenário internacional desafiador. O crescimento das exportações de carnes, soja e produtos florestais mostra a competitividade do nosso produtor, a qualidade da nossa produção e a capacidade de São Paulo de seguir abrindo mercados e gerando superávit para a economia brasileira”, afirmou o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho.

    Abril cresce 10,4% na comparação anual

    Só em abril de 2026, o agro paulista exportou US$ 2,40 bilhões, resultado 10,4% superior ao do mesmo mês de 2025. O diretor da APTA, Carlos Nabil, destacou a recuperação do setor: “Apesar das oscilações do mercado internacional, abril mostrou recuperação nas exportações do agro paulista, com destaque para carnes, produtos florestais e soja.”

    O complexo sucroalcooleiro liderou as exportações, com US$ 1,85 bilhão (21,8% do total). O açúcar dominou o segmento, com 94,1% das receitas, e o etanol respondeu pelos demais 5,9%.

    Fonte: elaborado pelo IEA-APTA a partir dos dados do COMEXSTAT do MDIC.

    Na sequência, o setor de carnes movimentou US$ 1,42 bilhão (16,7%), com a carne bovina correspondendo a 82,9% desse valor. Os produtos florestais geraram US$ 1,14 bilhão (13,5%), impulsionados pela celulose (66,3%) e pelo papel (27,9%).

    O complexo soja somou US$ 1,08 bilhão (12,8%), com a soja em grão representando 85,3% e o farelo de soja, 9,1%. Os sucos alcançaram US$ 671,82 milhões (7,9%), com o suco de laranja respondendo por 96,5% do total.

    Juntos, esses cinco grupos concentraram 72,9% das exportações do agronegócio paulista. O café aparece na sexta posição, com 6,6% de participação e US$ 556,52 milhões em receitas. Sendo 68,4% de café verde e 27,5% de café solúvel.

    O que cresceu e o que recuou?

    Na comparação com o mesmo período de 2025, os produtos florestais avançaram 18,7%, as carnes cresceram 16,8% e o complexo soja subiu 9,2%. No lado negativo, os sucos recuaram 39,7%, o café caiu 14,9% e o setor sucroalcooleiro recuou 14,8%. As oscilações refletem tanto variações de preço quanto mudanças nos volumes exportados.

    A China segue como principal destino, absorvendo 27% das exportações do agro paulista, especialmente soja, carnes, produtos florestais e fibras têxteis. A União Europeia ocupa o segundo lugar, com 15,3% de participação, seguida pelos Estados Unidos, com 10,3%.

  • Exportadores podem perder US$ 1,8 bilhão por ano com decisão da União Europeia

    Exportadores podem perder US$ 1,8 bilhão por ano com decisão da União Europeia

    A União Europeia suspendeu a importação de carnes, ovos e mel do Brasil. A medida, válida a partir de 3 de setembro de 2026, ameaça US$ 1,8 bilhão em receita anual para os exportadores brasileiros, e pega o governo de surpresa.

    Foto: divulgação – Agência Brasil

    A porta-voz de Saúde da União Europeia, Eva Hrncirova, confirmou que a restrição abrange bovinos, equinos, aves, ovos, mel e envoltórios. O Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia aprovou, nesta terça-feira (12/5), a atualização da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco, e retirou o Brasil dela.

    O motivo: o Brasil não garantiu o fim do uso de antimicrobianos na criação de animais. A norma europeia proíbe o uso de antibióticos para estimular o desenvolvimento do rebanho, bem como de substâncias reservadas ao tratamento de infecções em humanos. Como o país não cumpriu essas exigências, perdeu o acesso ao mercado de 27 nações.

    Quanto o Brasil perde

    Embora os produtos restritos representem apenas 0,5% do total exportado pelo Brasil ao mundo em 2025, US$ 348,3 bilhões, e 3,6% dos US$ 49,8 bilhões enviados à UE, as perdas setoriais são expressivas.

    A carne bovina concentra o maior prejuízo. Em 2025, o Brasil exportou 128 mil toneladas ao bloco e arrecadou US$ 1,048 bilhão. A Europa é o terceiro maior comprador do produto brasileiro, atrás apenas de Estados Unidos e China. Com a suspensão, só nesse segmento a perda estimada chega a US$ 912,2 milhões em carne bovina fresca, mais US$ 311 milhões em carnes defumadas e salgadas e US$ 278 milhões em miudezas.

    No setor de aves, a União Europeia ocupava o oitavo lugar no ranking de compradores do frango brasileiro em 2025. Segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), o bloco recebeu 233.137 toneladas da proteína, movimentando US$ 302 milhões.

    Ovos e mel completam o balanço das perdas. A Europa era o décimo destino das exportações de ovos brasileiros, com 301 toneladas e US$ 1,3 milhão. O mel natural somou US$ 6,1 milhões.

    Resumo das perdas estimadas:
    • Carne bovina fresca: US$ 912,2 milhões
    • Carnes defumadas e salgadas: US$ 311 milhões
    • Miudezas e despojos comestíveis: US$ 278 milhões
    • Aves: US$ 302 milhões
    • Mel natural: US$ 6,1 milhões
    • Ovos: US$ 1,3 milhão
    • Outras miudezas: US$ 2,7 milhões

    A suspensão ocorre em um momento delicado. O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia entrou em vigor provisoriamente no dia 1º de. E ainda aguarda chancela definitiva da Justiça europeia. Produtores rurais do bloco, especialmente na França, pressionam os governos contra o tratado, alegando concorrência desleal com a agropecuária brasileira.

    Para Frederico Favacho, especialista em agronegócios do Santos Neto Advogados,a medida chama atenção pelo momento em que ocorre e pelo histórico de conformidade da pecuária brasileira com exigências de mercados altamente rigorosos. “As questões fitossanitárias são sempre muito relevantes no comércio internacional, mas cada vez mais vemos seu uso como barreiras ao comércio. Chama a atenção que a importação de carnes brasileiras, uma das fontes de resistência dos produtores europeus ao acordo UE–Mercosul, seja exatamente agora objeto de questionamento, quando em 2024 esse não era um ponto de atenção.”

    Governo promete agir rápido

    Em nota conjunta, o Ministério da Agricultura, o Ministério das Relações Exteriores e o MDIC classificaram a decisão como surpreendente e prometeram “prontamente todas as medidas necessárias” para reverter a exclusão da lista. O chefe da Delegação do Brasil junto à UE tem reunião agendada para esta quarta-feira (13/5) com autoridades sanitárias do bloco.

    O Brasil exporta produtos de origem animal para a Europa há 40 anos e é o maior exportador mundial de proteínas animais.

  • Brasil e África do Sul fecham acordo no agro com foco em febre aftosa, proteínas animais e biosseguridade

    Brasil e África do Sul fecham acordo no agro com foco em febre aftosa, proteínas animais e biosseguridade

    Dois dos maiores produtores agrícolas do hemisfério sul decidiram sentar à mesa para construir algo maior do que uma simples troca comercial. Brasil e África do Sul assinaram, nesta quinta-feira (30), um Memorando de Entendimento voltado ao fortalecimento da cooperação agropecuária bilateral. O destaque fica para a defesa sanitária animal e para a ampliação de oportunidades em setores estratégicos do agro.

    Do lado brasileiro, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, assinou o documento. Do lado sul-africano, o ministro da Agricultura, John Steenhuisen. No centro das negociações, um tema que o Brasil conhece bem e que ainda preocupa o sul do continente africano: a febre aftosa.

    Brasil como referência global em sanidade animal

    Não é por acaso que a África do Sul buscou o Brasil como parceiro técnico nessa área. Afinal, o país conquistou, junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), o status de território livre de febre aftosa sem vacinação. Trata-se de um dos patamares mais elevados de reconhecimento sanitário no mundo. Chegar a esse ponto levou décadas de investimento em vigilância, rastreabilidade e políticas públicas de defesa agropecuária.

    Agora, essa experiência pode ser transferida. O governo sul-africano demonstrou interesse direto em aprender com o modelo brasileiro para estruturar um plano regional de combate à doença. Vale lembrar que a febre aftosa ainda provoca impactos econômicos relevantes em boa parte do sul da África. “Estamos aqui para aprender com a experiência brasileira e buscar apoio no enfrentamento da febre aftosa”, afirmou o ministro John Steenhuisen.

    André de Paula, por sua vez, reforçou o papel estratégico da parceria: “A garantia da segurança alimentar no mundo é uma prioridade do governo brasileiro e representa um ponto de convergência importante com a África do Sul”. Além da febre aftosa, o acordo também abre espaço para cooperação no monitoramento da influenza aviária. Essa é outra preocupação crescente para produtores de proteína animal em escala global.

    O que está na mesa além da sanidade

    Saúde animal é o núcleo do acordo, mas está longe de ser o único tema. Os dois países mapearam oportunidades concretas em pelo menos cinco segmentos: proteínas animais, frutas cítricas, fertilizantes, máquinas agrícolas e genética animal e vegetal.

    Para que esse comércio funcione com mais agilidade, o acordo prevê ainda o aprimoramento dos mecanismos de diálogo em medidas sanitárias e fitossanitárias, o chamado sistema SPS. Na prática, isso significa reduzir o tempo de resolução de barreiras técnicas que costumam travar exportações. Quando essas barreiras persistem, o prejuízo ao setor pode ser considerável.

    Uma das propostas mais concretas do encontro foi a criação de um Corredor de Biosseguridade Brasil–África do Sul. A ideia é montar uma estrutura capaz de reduzir o risco de interrupções no fluxo comercial em casos de surtos sanitários. Esse tipo de evento, quando ocorre, pode fechar mercados da noite para o dia.

    Por que esse acordo importa para o produtor brasileiro

    Em um cenário em que o agronegócio brasileiro segue expandindo sua presença internacional, acordos como este têm peso direto na competitividade do setor. A África do Sul representa uma porta de entrada relevante para o continente africano, um mercado em crescimento que ainda importa volumes consideráveis de proteína animal, insumos e tecnologia agrícola.

    No entanto, o valor estratégico do acordo vai além dos números imediatos. Ao se posicionar como referência técnica em sanidade animal, o Brasil fortalece sua credibilidade internacional. Assim, amplia também sua capacidade de negociar acesso a mercados com mais solidez. Ser reconhecido como o país que ensina a combater a febre aftosa tem um peso diplomático e comercial que nenhuma campanha publicitária compra.

    Por fim, a cooperação entre Brasil e África do Sul reforça uma tendência crescente: o hemisfério sul construindo alianças próprias em torno de agendas produtivas. Para o agro brasileiro, essa aproximação chega em um momento estratégico.

  • Prepara o bolso: lei deve elevar preços de carnes e pescados

    Prepara o bolso: lei deve elevar preços de carnes e pescados

    A Lei Complementar 224/2025, publicada em dezembro, reduziu em 10% os benefícios fiscais federais de diversos segmentos do agronegócio. A medida deve aumentar os custos ao longo da cadeia produtiva de proteínas animais e elevar os preços finais ao consumidor, segundo análise do Martinelli Advogados.

    A norma atinge principalmente a produção de carnes e pescados que contam com créditos presumidos, alíquota zero, isenção e redução da base de cálculo. Especialistas alertam que a mudança pode reacender discussões sobre a cumulatividade desses tributos.

    Custos sobem em cascata na cadeia produtiva

    “A sistemática aumenta o custo em cascata e onera ainda mais segmentos que já sofrem com os altos custos de produção e os preços baixos das commodities”, afirma Cintia Meyer, advogada tributarista e sócia do Martinelli.

    O Demonstrativo de Gastos Tributários (DGT) da Lei Orçamentária Anual (LOA) prevê cerca de 300 hipóteses de benefícios. A LC 224 trata especificamente de outros 14. “Se a empresa conta com algum destes benefícios, isso tem potencial de impactar diretamente o negócio”, alerta Meyer.

    A tributarista lembra que, pelo princípio da anterioridade, a mudança já impacta o IRPJ e o Imposto de Importação desde 1º de janeiro. Para PIS, Cofins, IPI, CPS e CSLL, os efeitos valem a partir de 1º de abril.

    Aves e suínos perdem vantagens na exportação

    Na exportação da indústria de carnes de aves e suínos, o percentual do crédito presumido sobre o valor da aquisição de insumos – incluindo animal vivo e ração – cai de 2,775% para 2,25%. A limitação atinge 90% do valor do crédito previsto na LC 224.

    Para vendas destinadas à indústria de embutidos no mercado interno, a alíquota do crédito presumido cai de 1,11% para 1%. As vendas de carnes que compõem a cesta básica (Lei Complementar 214/2025) não foram afetadas. Já produtos como foie gras de pato e ganso, que tinham alíquota zero, perderam 90% do benefício e agora serão tributados em 0,925%.

    Bovinos e pescados também sofrem redução

    Na cadeia dos bovinos, a aquisição de insumos pelos produtores não será afetada. Porém, o crédito presumido gerado na exportação cai de 4,65% para 4,16%. As vendas internas para a indústria de embutidos terão o crédito presumido reduzido de 3,7% para 3,33%.

    Itens da cesta básica permanecem sem alteração, mas subprodutos como ossos e vísceras, até então com alíquota zero, serão onerados em 10% do valor do PIS/Cofins.

    No setor de pescados, a LC 224 reduz de 5,55% para 5% a alíquota do crédito presumido na aquisição de insumos de produtores pessoas físicas pela indústria. Produtos fora da cesta básica – como atum, salmão e bacalhau – que tinham alíquota zero, passam a ser taxados em 0,925%.

    “Jabuticaba tributária” gera tributo não creditável

    “É mais uma jabuticaba tributária”, avalia Luiz Eduardo Costa Lucas, tributarista e sócio do Martinelli. Ele explica que produtos com alíquota zero agora geram tributo no meio da cadeia, sem direito a crédito.

    “Quem compra de um fornecedor que tem benesse de alíquota zero ganha uma tributação de brinde que não é creditável. Isso traz de volta uma discussão que se arrasta desde 2004 sobre a não cumulatividade do PIS/Cofins. Imposto não recuperável vira custo e impacta no preço final ao consumidor”, completa.

    Na ausência de uma lista definitiva sobre os benefícios afetados pela LC 224, Cintia Meyer orienta que as empresas observem alguns requisitos. O tributo precisa estar listado (PIS, PIS-Importação, Cofins, Cofins-Importação, II, IPI, IRPJ, CSLL e CPP), deve constar na LOA e ser um incentivo fiscal que não esteja entre as exceções.

    A tributarista ressalta que a lista não é exaustiva e dependerá do critério adotado pela Receita Federal, não descrito na LC 224. “Há coisas que não se enquadram, mas a Receita pode entender que sim, o que pode gerar discussões amplas e até judicialização”, alerta.

    Zona cinzenta gera insegurança jurídica

    Costa Lucas destaca que, até o fim do ano passado, ninguém se preocupava em diferenciar o que era benefício e o que era gasto sob a perspectiva do governo. “Todos os anos a Receita envia uma relação dos gastos do governo e agora surge uma discussão: tudo que está lá é considerado benefício? A resposta é: não”, afirma.

    O especialista explica que é necessário entender como benefício o que está listado na LOA e verificar se esse tipo de gasto se encaixa nessa categoria. “Como não há uma descrição legal a esse respeito, temos uma zona cinzenta”, comenta.

    Lucas ressalta que há muito tempo não se discutia as raízes e a natureza dessas rubricas, fundamentais para entender o que é gasto e o que é benefício. “Uma redução linear pode ocasionar ferimentos a qualquer benefício básico e acarretar cumulatividade. Da forma como está na LC 224, há margem para isso por princípio, principalmente no agronegócio.”

    Impacto chega ao varejo e ao bolso do consumidor

    As mudanças introduzidas pela Lei Complementar 224 chegarão ao consumidor final. O varejo adquirirá um produto que passou a ser tributado ao longo da cadeia e não poderá se creditar.

    “Ele vai adquirir um produto mais caro, já que o imposto é calculado por dentro. Ou seja, era um imposto não cumulativo que virou cumulativo em uma lógica sem pé nem cabeça e que vai impactar o preço no varejo”, conclui Cintia Meyer.