Tag: cana de açúcar

  • Etanol sobe com oferta menor em São Paulo

    Etanol sobe com oferta menor em São Paulo

    As chuvas recentes nas regiões produtoras de cana-de-açúcar de São Paulo interromperam parte da moagem. Com isso, a oferta de etanol diminuiu e os preços registraram leve alta.

    Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que vendedores mantiveram firmeza nos preços. Além disso, muitos participaram do mercado spot apenas para gerar receita.

    Por outro lado, distribuidoras ampliaram as compras na última semana. O movimento elevou o volume negociado de etanol anidro e hidratado em comparação ao período anterior. Apesar disso, agentes do mercado ainda esperam ampla oferta de etanol durante a safra 2026/27.

    Negócios com etanol avançam

    O volume negociado de etanol anidro no mercado spot paulista mais que dobrou na última semana. Já as negociações de etanol hidratado cresceram 81,5% no mesmo comparativo, segundo cálculos do Cepea.

    Açúcar cristal amplia perdas

    Enquanto o etanol ganhou força, o açúcar cristal branco continuou em queda no mercado paulista. Segundo pesquisadores, os compradores seguem retraídos. Muitos aguardam novas baixas diante da oferta abundante neste início da safra 2026/27. A movimentação reduzida também contribuiu para a pressão sobre os preços.

    El Niño preocupa produtores

    No cenário climático, a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos, confirmou a ocorrência do fenômeno El Niño. O fenômeno pode aumentar os riscos para a produção de açúcar em importantes regiões produtoras, como Índia, Tailândia e partes do Brasil.

    No Centro-Sul brasileiro, as previsões indicam mais chuvas. Esse cenário pode dificultar a colheita e o processamento da cana-de-açúcar. Como consequência, a oferta imediata da matéria-prima pode ficar mais limitada.

    Mercado global pressiona cotações

    No mercado internacional, os preços do açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York seguiram em queda. As cotações recuaram diante das expectativas de maior oferta global de açúcar no curto prazo.

     

     

     

  • Fenasucro & Agrocana 2026 amplia rastreabilidade de carbono e gestão de resíduos na bioenergia

    Fenasucro & Agrocana 2026 amplia rastreabilidade de carbono e gestão de resíduos na bioenergia

    A Fenasucro & Agrocana 2026, maior feira do mundo voltada à cadeia da bioenergia, ampliará suas iniciativas de sustentabilidade ao fortalecer o monitoramento de impactos ambientais e implementar novas medidas voltadas à economia circular. A 32ª edição do evento acontecerá entre os dias 11 e 14 de agosto, no Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho (SP).

    Nesta edição, a organização passará a monitorar com maior precisão as emissões de gases de efeito estufa (GEE) geradas durante as fases de montagem e desmontagem dos estandes. Além disso, adotará um sistema integrado de gestão de resíduos, abrangendo todas as etapas da feira.

    Canaoeste Green

    O aprimoramento das ações ocorre por meio do programa Canaoeste Green, desenvolvido em parceria com a Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste).

    O projeto segue os critérios estabelecidos pelo GHG Protocol, principal metodologia internacional utilizada para contabilização e divulgação de emissões de carbono.

    A compensação das emissões continuará sendo realizada em áreas de vegetação nativa preservadas por produtores associados à Canaoeste. Esses agricultores possuem certificação internacional Bonsucro, reconhecimento concedido a produtores de cana-de-açúcar que adotam práticas sustentáveis em suas propriedades.

    Segundo Fábio de Camargo Soldera, gestor de Sustentabilidade da Canaoeste, a iniciativa gera benefícios ambientais e valoriza os produtores comprometidos com a conservação.

    “Além de contribuir para a mitigação das mudanças climáticas, o programa fortalece um modelo de reconhecimento baseado em resultados mensuráveis”, afirma.

    Energia consumida no evento terá como fonte a biomassa da cana-de-açúcar — Foto: Divulgação

    Na área de resíduos, a parceria com a Copercana BioCoop prevê a instalação de pontos de coleta seletiva distribuídos pelo evento. Além disso, haverá sinalização específica para descarte correto e uma estrutura dedicada à triagem e destinação adequada dos materiais gerados.

    Sustentabilidade alinhada à transição energética

    De acordo com Paulo Montabone, diretor da Fenasucro & Agrocana, as novas ações representam uma evolução na forma como a feira mede e demonstra seus resultados ambientais.

    “A sustentabilidade já faz parte da essência da feira por representarmos um setor que contribui diretamente para a transição energética. Estamos avançando para que esse compromisso seja cada vez mais tangível e verificável”, afirma.

    Reconhecimento internacional para a cadeia canavieira

    Além das iniciativas implementadas na feira, a Canaoeste conquistou recentemente destaque internacional ao vencer o Prêmio RELX SDG Customer, reconhecimento destinado a projetos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

    A premiação teve como base os resultados obtidos pelo Programa SEMEIA, iniciativa voltada à disseminação de boas práticas ambientais e ao fortalecimento da sustentabilidade na cadeia produtiva da cana-de-açúcar.

    A cana-de-açúcar está entre as principais matérias-primas da transição para uma economia de baixo carbono — Foto: GOV

    Credenciamento e programação

    A feira contará com mais de 600 marcas expositoras e estima receber visitantes de mais de 80 países.

    Promovida pela RX com apoio exclusivo do CEISE Br, a Fenasucro & Agrocana consolidou-se como a principal plataforma de negócios e conexão entre fornecedores e compradores do setor bioenergético.

    O credenciamento gratuito para visitantes da 32ª edição já está disponível no site oficial do evento: www.fenasucro.com.br

    Além disso, também estão abertas as vendas de ingressos para a segunda edição da FenaBio, evento paralelo que integra a programação do setor.

  • Centro-Sul amplia produtividade da cana na safra 2026/27

    Centro-Sul amplia produtividade da cana na safra 2026/27

    A produtividade da cana-de-açúcar cresceu 13% no Centro-Sul no início da safra 2026/27. Dados do CTC, o Centro de Tecnologia Canavieira, mostram média de 83,4 toneladas por hectare em abril. No mesmo período da safra passada, a produtividade alcançou 73,8 toneladas por hectare.

    O resultado confirma avanço importante no desempenho dos canaviais da principal região produtora do país. Além da maior produtividade, a qualidade da matéria-prima também apresentou leve crescimento em abril.

    O ATR, índice que mede o Açúcar Total Recuperável, subiu 0,5% na comparação anual. A média passou de 112,1 quilos por tonelada na safra 2025/26 para 112,6 quilos na atual temporada.

    Início da safra

    Abril marcou oficialmente o início da safra 2026/27 no Centro-Sul brasileiro. Nesse cenário, a moagem de cana-de-açúcar avançou de forma expressiva na primeira quinzena do mês.

    Segundo dados da Unica, a União das Indústrias de Cana-de-açúcar e Bioenergia, o processamento cresceu 19,67%. O aumento da moagem reforça o ritmo mais intenso das usinas neste começo de safra.

    Além disso, a produção manteve forte direcionamento para o mercado de biocombustíveis. De acordo com a entidade, cerca de dois terços da cana processada foram destinados à fabricação de etanol.

  • Paraguai assina decreto que exige 50% de etanol na mistura dos combustíveis

    Paraguai assina decreto que exige 50% de etanol na mistura dos combustíveis

    O Paraguai acaba de virar a página na sua política energética. O presidente Santiago Peña assinou o decreto que regulamenta a Lei do Etanol, visando impulsionar a industrialização, atrair investimentos e ampliar os empregos na cadeia da cana-de-açúcar.

    A medida estabelece que pelo menos metade do etanol usado na mistura de combustíveis deve ter origem nacional, sinalização clara de proteção ao mercado interno e de valorização do produtor local. Para garantir o cumprimento, o decreto já prevê mecanismos de controle, cronograma de implementação e regime de sanções para quem descumprir as regras.

    Tudo isso com um foco bem definido: priorizar o etanol produzido no próprio país, assegurando que o álcool anidro misturado aos combustíveis fósseis venha, de fato, do campo paraguaio.

    Setor sucroalcooleiro e o movimento paraguaio

    A lógica por trás da medida é criar demanda garantida para o setor sucroalcooleiro paraguaio. A estratégia pretende assegurar demanda contínua para o setor, oferecendo maior previsibilidade aos produtores e consolidando um ambiente de mercado mais estável.

    Além disso, a iniciativa busca estimular um ciclo de crescimento na economia rural, incentivando a industrialização da cana-de-açúcar, agregando valor à produção nacional e reduzindo a dependência de insumos importados.

    Em resumo, o movimento paraguaio chega em um momento em que vários países da América Latina revisitam suas matrizes energéticas e buscam reduzir a dependência de combustíveis fósseis. O Paraguai posiciona a cana-de-açúcar como componente estratégico da sua política de energia, um caminho que o Brasil já percorreu décadas atrás com o Proálcool e que agora inspira vizinhos.

  • Safra de cana é a 3ª maior da história, mesmo com impacto do clima

    Safra de cana é a 3ª maior da história, mesmo com impacto do clima

    A produção de cana-de-açúcar no Brasil deve alcançar 673,2 milhões de toneladas na safra 2025/26, uma leve queda de 0,5% em relação ao ciclo anterior, segundo o 4º Levantamento da Safra divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mesmo com a retração, o país registra a maior produção de etanol da série histórica e a segunda maior fabricação de açúcar.

    O volume colhido coloca a safra atual como a terceira maior já registrada pela Conab, atrás apenas dos ciclos 2022/23 e 2024/25.

    Produção de etanol cresce com avanço do milho

    A produção total de etanol, somando cana-de-açúcar e milho, deve atingir 37,5 bilhões de litros, alta de 0,8% na comparação anual. O crescimento ocorre principalmente pelo avanço do etanol de milho.

    A produção do biocombustível a partir do cereal chega a 10,17 bilhões de litros, um salto de 29,8% frente à safra passada, passando a representar mais de 27% do total produzido no país.

    Por outro lado, o etanol de cana recua. A produção deve somar 27,33 bilhões de litros, queda de 6,9% em relação ao ciclo 2024/25.

    Açúcar registra segunda maior produção da história

    A produção de açúcar está estimada em 44,2 milhões de toneladas, leve alta de 0,1% na comparação anual. O volume configura a segunda maior produção já registrada pela Conab, atrás apenas da safra 2023/24.

    A menor disponibilidade de cana limitou um crescimento mais expressivo, mesmo com maior direcionamento da matéria-prima para a fabricação do adoçante.

    A queda na produção de cana reflete a redução de 2,6% na produtividade média nacional, estimada em 75.184 kg por hectare. Condições climáticas adversas ao longo de 2024, especialmente no Centro-Sul, afetaram o desenvolvimento das lavouras, com estiagens, altas temperaturas e incêndios.

    A expansão da área colhida ajudou a compensar parte das perdas. A área total chega a 8,95 milhões de hectares, crescimento de 2,1% frente à safra anterior.

    Sudeste lidera queda na produção

    Principal polo produtor, o Sudeste deve colher 430,1 milhões de toneladas, queda de 2,2% na comparação anual. O recuo reflete os impactos climáticos registrados ao longo de 2024.

    No Norte, a produção soma 3,8 milhões de toneladas, retração de 7,1%, mesmo com aumento de área. No Nordeste, a estimativa é de 53,3 milhões de toneladas, queda de 2%, influenciada pela menor produtividade.

    A região Centro-Oeste deve produzir 150,2 milhões de toneladas, alta de 3,4%. O avanço ocorre principalmente pela expansão da área colhida, que passou de 1,85 milhão para 1,96 milhão de hectares.

    Apesar disso, a produtividade caiu 2,2%, impactada por condições climáticas menos favoráveis.

    Na região Sul, a produção deve atingir 36 milhões de toneladas, crescimento de 1,9%. O resultado reflete a recuperação da produtividade, favorecida por chuvas mais regulares em comparação ao ciclo anterior.

    Mercado: açúcar ganha espaço e etanol se mantém firme

    Na safra 2025/26, o setor direciona mais cana para a produção de açúcar, o que sustenta a oferta do produto mesmo com menor disponibilidade de matéria-prima.

    Já o mercado de etanol segue equilibrado no curto prazo, com destaque para o segmento de etanol anidro. A menor produção de etanol de cana encontra compensação no avanço do etanol de milho.

    No mercado internacional, a maior oferta de açúcar limita altas mais consistentes nos preços. Ainda assim, prêmios de exportação positivos e incertezas externas garantem sustentação pontual às cotações.

  • Cana-de-açúcar: produtores buscam novas estratégias para cortar custos no campo

    Cana-de-açúcar: produtores buscam novas estratégias para cortar custos no campo

    Produtores de cana-de-açúcar têm intensificado o uso de tecnologia e novas estratégias de manejo para enfrentar o aumento dos custos e melhorar a eficiência no campo.

    Esse movimento ganha destaque no Cana Summit 2026, que acontece nos dias 15 e 16 de abril, em Ribeirão Preto, reunindo especialistas e lideranças do setor.

    Tecnologia entra no planejamento

    Nos últimos anos, produtores passaram a adotar práticas mais avançadas para garantir maior estabilidade na produção. Nesse contexto, a irrigação e os sistemas integrados vêm ganhando espaço no planejamento agrícola.

    Essas soluções aumentam a previsibilidade da safra e, ao mesmo tempo, contribuem para a conservação do solo e o uso mais eficiente da água. Além disso, tecnologias como monitoramento climático e agricultura de precisão permitem decisões mais rápidas e assertivas no campo.

    Segundo estudos da Embrapa, a incorporação dessas ferramentas já está diretamente ligada ao aumento de produtividade e à redução de perdas em diferentes regiões produtoras.

    Encontro em Ribeirão Preto vai discutir práticas que impulsionam eficiência e rentabilidade na canavicultura. (Imagem: Divulgação)

    Eficiência virou prioridade

    Com o aumento dos custos de produção, o setor passou a priorizar eficiência em todas as etapas.

    Diante desse cenário, produtores ajustam o manejo, investem em adubação mais precisa e revisam o planejamento agrícola. Além disso, buscam otimizar o uso de insumos, o que ajuda a reduzir desperdícios e melhorar o resultado final.

    Ao mesmo tempo, a pressão por rentabilidade faz com que cada decisão no campo tenha impacto direto no desempenho da safra. Por isso, a combinação entre tecnologia e boas práticas tende a definir os resultados nos próximos ciclos.

    Especialistas discutem caminhos

    Para avançar nessas estratégias, o evento reúne especialistas de instituições como Embrapa, Centro de Tecnologia Canavieira e Unesp.

    Durante o painel, os participantes apresentam experiências práticas e, além disso, discutem alternativas para aumentar a produtividade sem elevar custos. Dessa forma, o encontro busca aproximar conhecimento técnico da realidade do produtor.

    Setor busca novas soluções

    Atualmente, o setor sucroenergético passa por um momento de adaptação. Por isso, produtores procuram soluções que tragam ganho de eficiência sem pressionar ainda mais os custos.

    Nesse cenário, tecnologias ligadas à irrigação, ao plantio e ao manejo ganham protagonismo. Ao mesmo tempo, cresce o interesse por práticas mais sustentáveis, que também ajudam a manter a produtividade no longo prazo.

    O evento, realizado pela ORPLANA, marca ainda os 50 anos da entidade. Além disso, a escolha de Ribeirão Preto reforça o peso da região na produção de cana no país.

    Serviço

    Cana Summit 2026
    15 e 16 de abril de 2026
    Taiwan Centro de Eventos
    Avenida Dr. Francisco Gugliano, 2.710 – Ribeirão Preto

     

  • Fazenda de Daniel vira vitrine do agro e reforça estratégia de investimento

    Fazenda de Daniel vira vitrine do agro e reforça estratégia de investimento

    Conhecido por sua trajetória de sucesso na música sertaneja, o cantor Daniel também construiu uma base sólida de patrimônio fora dos palcos. Nos últimos anos, o artista passou a apostar com mais intensidade no agronegócio, transformando fazendas em ativos estratégicos dentro da sua fortuna.

    Entre shows, projetos e participações na televisão, o cantor encontrou no campo não apenas um refúgio, mas também uma fonte consistente de renda e valorização patrimonial.

    Fazenda no interior de São Paulo virou símbolo do investimento

    Uma das principais propriedades do artista fica em Brotas e se tornou referência dentro da sua estratégia no agro.

    A Fazenda Morro Chato possui cerca de 2,1 mil hectares e reúne diferentes atividades produtivas. No local, o cantor investe no plantio de cana-de-açúcar, na produção de eucalipto voltado para lenha e celulose e na pecuária de corte.

    Atualmente, a propriedade abriga cerca de 3,2 mil cabeças de gado, operando em ciclo completo, que inclui cria, recria e engorda. Esse modelo permite maior controle sobre a produção e potencializa a rentabilidade da operação.

    Diversificação garante estabilidade no campo

    Assim como grandes produtores rurais, Daniel aposta na diversificação para reduzir riscos e aumentar a previsibilidade de receita.

    Ao combinar agricultura, pecuária e produção florestal, o artista consegue equilibrar diferentes ciclos de mercado e minimizar impactos de variações climáticas ou de preços.

    Além disso, o uso de sistemas integrados reforça a eficiência da propriedade. Em parte da fazenda, o cantor adotou o modelo de integração entre floresta e pecuária, com o plantio de eucalipto em áreas de pastagem.

    Sustentabilidade também entra na estratégia

    Outro ponto que chama atenção na gestão da fazenda é o cuidado com a preservação ambiental. O artista promoveu o reflorestamento ao redor de nascentes, com o plantio de mais de 5 mil mudas de árvores. A iniciativa contribui para a conservação da água e reforça práticas sustentáveis dentro da propriedade.

    Esse tipo de abordagem acompanha uma tendência crescente no agronegócio, que busca alinhar produtividade com responsabilidade ambiental.

    Fazenda também virou vitrine na televisão

    Além da produção rural, a propriedade ganhou visibilidade nacional ao se tornar cenário do programa “Viver Sertanejo”, exibido pela TV Globo.

    Na atração, o cantor recebe convidados e mostra o dia a dia no campo, incluindo atividades como ordenha, colheita e preparo de alimentos típicos.

    https://www.instagram.com/p/DExHQh3xV9z/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==

    Agro ganha espaço na construção da fortuna

    Mesmo com uma carreira consolidada na música, Daniel ampliou sua atuação em outros setores. Além das fazendas, o cantor investiu em negócios como a cervejaria artesanal Brotas Beer e também fechou, em 2024, um acordo com a distribuidora digital Believe para a gestão de seu catálogo.

    Ainda assim, o agronegócio se destaca como um dos pilares mais sólidos de sua estratégia patrimonial, combinando geração de renda, valorização de ativos e segurança no longo prazo.

    Do palco ao campo

    A trajetória do cantor mostra como o agro se tornou uma alternativa relevante para diversificação de investimentos no Brasil.
    Ao transformar a fazenda em um negócio estruturado, Daniel segue um movimento cada vez mais comum entre empresários e investidores que enxergam no campo uma oportunidade de crescimento consistente.

  • Milho, soja e café devem impulsionar safra 2025/26 em São Paulo

    Milho, soja e café devem impulsionar safra 2025/26 em São Paulo

    O otimismo marca a abertura da safra 2025/26 no Estado de São Paulo. Segundo o novo levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), divulgado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, as principais culturas de grãos e o café devem puxar o crescimento da produção paulista, enquanto a laranja e a cana-de-açúcar ainda enfrentam retração de área e produtividade limitada.

    O milho de primeira safra desponta como o principal destaque. A produção esperada é de 2,01 milhões de toneladas, alta de 38% em relação ao ciclo anterior. O avanço reflete tanto a expansão de 23,1% da área plantada quanto o aumento de 12,2% na produtividade, que deve alcançar 7.469 kg/ha. Cinco regiões estratégicas concentram 58,6% do total produzido no estado.

    A soja segue o mesmo ritmo positivo. A estimativa aponta para 4,57 milhões de toneladas, crescimento de 11% frente à safra passada. A produtividade média deve atingir 3.663 kg/ha, considerada recorde. A região de Itapeva lidera a produção, com quase 19% do total estadual, seguida por Assis e Ourinhos. Juntas, essas três regiões respondem por 39,7% do volume produzido em São Paulo.

    Café mantém protagonismo e aumenta produtividade

    O levantamento também projeta avanço no setor cafeeiro, com colheita estimada em 4,7 milhões de sacas de 60 kg. Apesar da redução de 0,9% na área cultivada, a produtividade deve subir 5,7%. A regional de Franca mantém a liderança e deve responder por mais de 57% da produção estadual, com cerca de 2 milhões de sacas.

    Em seguida aparecem São João da Boa Vista, com 1,1 milhão de sacas (23,6%), e Ourinhos, que supera Marília pela primeira vez e assume a terceira posição no ranking paulista.

    Laranja e cana recuam na safra 2024/25

    Os números consolidados da safra 2024/25 mostram dificuldades para a citricultura e a cana-de-açúcar. A produção de laranja fechou em 268,7 milhões de caixas, alta de 2,8% na produtividade (30.965 kg/ha), mas com redução de 9,5% da área cultivada. O recuo está ligado ao avanço do greening, doença que ameaça pomares em todo o mundo, e às variações climáticas registradas durante o ciclo.

    Já a cana-de-açúcar destinada à indústria fechou o período com 390,9 milhões de toneladas, queda de 4,6% ante a safra anterior. A área total recuou 4,8%, para 5,5 milhões de hectares, enquanto a produtividade, de 78.057 kg/ha, cresceu levemente 0,5%. As regionais de São José do Rio Preto (8,2%), Barretos (7,2%) e Ribeirão Preto (6,8%) concentram 22,2% da produção estadual.

    Como o levantamento foi realizado

    O levantamento do IEA-APTA contou com a participação das Casas de Agricultura dos 645 municípios paulistas, entre novembro e dezembro de 2025. O estudo reúne as culturas de maior relevância econômica e avalia o comportamento da área plantada, produtividade e volume produzido. O instituto divulga cinco relatórios anuais com previsões e estimativas sobre a agricultura paulista.

  • Como as usinas de cana dominam o campo paulista sem serem donas da terra

    Como as usinas de cana dominam o campo paulista sem serem donas da terra

    As usinas de cana-de-açúcar encontraram uma forma silenciosa de dominar o campo paulista: em vez de comprar terras, elas as alugam. Desde os anos 1990, o setor sucroalcooleiro vem expandindo seus canaviais principalmente por meio de arrendamentos, incorporando propriedades de pequenos e médios agricultores sem transferir a posse formal. O resultado é uma concentração intensa no uso da terra no estado de São Paulo, mesmo que os registros cartoriais mostrem um quadro diferente.

    Um estudo publicado no periódico científico Land Use Policy apresenta essa conclusão. O pesquisador José Giacomo Baccarin, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Universidade Estadual Paulista, câmpus de Jaboticabal, assina o trabalho. E as informações aqui são de  matéria feita por Bruno Vaiano, no Jornal da Unesp.

    São Paulo lidera a produção nacional de cana-de-açúcar, respondendo por 54% da safra brasileira, 62% do açúcar produzido no país e 49% do etanol. O estado também ocupa posição de destaque no cenário mundial nessas três categorias.

    O mapa que os registros não mostram

    Os dados do levantamento revelam uma distorção significativa entre posse e controle da terra. Em 2017, estabelecimentos agrícolas com mais de mil hectares já ocupavam cerca de 45% da área agrícola paulista. Mas os imóveis rurais nessa mesma faixa de tamanho representavam apenas 21% do território usado para agricultura no estado.

    A diferença entre esses dois números evidencia o fenômeno: proprietários reúnem mais da metade do espaço controlado por esses megaempreendimentos em propriedades menores, sob um único administrador, por meio de contratos de arrendamento.

    Por que a cana exige estar perto

    A lógica do arrendamento tem raízes na própria biologia da cana-de-açúcar. Diferentemente da soja ou da laranja, a cana precisa ser processada em até 50 km do local de colheita. Caso contrário, perde qualidade e aumenta os custos de transporte, comprometendo a viabilidade econômica da operação.

    Essa exigência logística obriga cada usina a formar um cinturão de cultivo ao seu redor, disputando as áreas disponíveis dentro desse raio. A expansão, portanto, ocorre menos pela abertura de novas fronteiras agrícolas e mais pela incorporação de terras já cultivadas nas proximidades.

    “Cerca de 60% da cana moída em São Paulo é produzida pelas próprias usinas”, explica Baccarin. “Os outros 40% são adquiridos de fornecedores e agricultores independentes.”

    A mecanização que expulsou os pequenos

    Um ponto de inflexão para o setor ocorreu em 2007, com a adesão das usinas ao Protocolo Agroambiental para o Setor Energético da Cana-de-Açúcar de São Paulo. O acordo estabelecia o fim da queima da palha da cana até 2017 e a substituição da colheita manual pelo processo mecanizado.

    A transição exigiu pesados investimentos em máquinas agrícolas e adaptações no manejo das lavouras, como o uso de novas variedades de cana e o cultivo em parcelas maiores para viabilizar a operação dos equipamentos. Entre 2007 e 2017, 84% das usinas cumpriram o compromisso. Mas apenas 36% dos fornecedores independentes conseguiram se adaptar no mesmo período.

    Para os pequenos produtores, o obstáculo era econômico. Uma única máquina colhedora processa centenas de milhares de toneladas por safra. Em uma propriedade de 200 hectares, por exemplo, comprar o equipamento seria inviável. Alugar uma colhedora era a única alternativa mas, ainda assim, insuficiente para competir com a escala das usinas.

    Proprietários de terra, moradores da cidade

    O estudo de Baccarin também mapeia uma transformação social. Após arrendar as fazendas, boa parte dos proprietários migrou para centros urbanos e passou a viver da renda do aluguel rural enquanto atua no comércio ou no setor de serviços. As gerações seguintes, formadas em profissões urbanas, mostram pouco interesse em retomar a atividade agrícola.

    “Os filhos e netos dos primeiros arrendatários já não têm vocação nem capital para a agricultura. Eles se desfizeram dos tratores”, afirma o pesquisador.

    O futuro da cana e da terra paulista

    O setor sucroalcooleiro, no entanto, enfrenta novos desafios. Um quarto do etanol brasileiro já é produzido a partir do milho, que rende 400 litros por tonelada, contra 80 litros obtidos da cana. Ao mesmo tempo, o consumo de açúcar desacelera nos países mais ricos, pressionado pela crescente consciência sobre os malefícios dos alimentos ultraprocessados.

    Essas tendências podem frear a expansão dos canaviais paulistas nas próximas décadas e reorganizar a estrutura fundiária do estado.

    Para Baccarin, a concentração do uso da terra traz ganhos de eficiência e redução de custos, mas levanta questões que exigem atenção pública. Entre elas estão a distribuição de renda no campo, a responsabilidade ambiental em áreas arrendadas e a necessidade de políticas que incentivem a diversificação produtiva em pequenas propriedades, como o cultivo de frutas e hortaliças e a recuperação de matas nativas e nascentes.

  • Queda na moagem de cana no Nordeste contrasta com avanço do etanol anidro

    Queda na moagem de cana no Nordeste contrasta com avanço do etanol anidro

    A moagem de cana-de-açúcar nas regiões Norte e Nordeste somou 32,5 milhões de toneladas até 30 de novembro da safra 2025/26, registrando uma queda de 9,4% em relação ao mesmo período da temporada anterior (35,9 milhões de toneladas). O levantamento foi feito pela Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio) com base em dados do Ministério da Agricultura (MAPA).

    Segundo o presidente da NovaBio, Renato Cunha, os números refletem uma safra mais curta e desafiadora, especialmente no Nordeste. “Apesar da retração na moagem e no açúcar, o setor mostra resiliência com o crescimento do etanol anidro, essencial para a matriz energética e as metas de descarbonização”, afirmou.

    Desempenho regional

    Na Região Norte, a moagem caiu 10,9%, passando de 7,1 milhões para 6,3 milhões de toneladas. No Nordeste, o recuo foi de 9,1%, totalizando 26,1 milhões de toneladas. A menor disponibilidade de cana impactou diretamente a produção de açúcar, que despencou 24%, para 1,66 milhão de toneladas.

    A produção total de etanol nas duas regiões atingiu 1,38 milhão de m³, queda de 7,8% frente à safra passada. O etanol hidratado foi o mais afetado, com retração de 11,3%, enquanto o etanol anidro manteve estabilidade, com leve recuo de 2,0% no consolidado regional e crescimento de 5,1% no Nordeste. O resultado evidencia uma mudança no perfil produtivo, com foco crescente no biocombustível misturado à gasolina.

    O Açúcar Total Recuperável (ATR), principal indicador de qualidade da cana, acompanhou a tendência de queda. O ATR médio por tonelada de cana caiu 6,5% no consolidado das regiões, pressionado principalmente pelo Nordeste (-9,6%). Já o Norte apresentou melhora de 6,1% no indicador.

    Progresso da safra e estoques

    Até o fim de novembro, o setor atingiu 55% da moagem estimada para a safra 2025/26. O Norte teve avanço mais expressivo (88,3% da meta), enquanto o Nordeste alcançou 50,4%. Na produção total de etanol, a execução chegou a 54,5%, com destaque para o Norte, que já atingiu 96,4% da estimativa.

    Os estoques de etanol também recuaram significativamente. Até 30 de novembro, o volume total armazenado nas regiões Norte e Nordeste somou 326,2 mil m³, uma queda de 28,9% ante os 458,7 mil m³ do mesmo período em 2024. O estoque de etanol anidro caiu 25,4%, enquanto o hidratado registrou redução de 31,5%.

    A NovaBio alerta que a continuidade da safra depende de fatores climáticos e operacionais que ainda podem influenciar os resultados. “O monitoramento deve ser cauteloso, especialmente diante das oscilações de mercado e das condições de campo na reta final da safra”, conclui Renato Cunha.